Notas iniciais
Hello Pessoas *--*
Muito obrigada pelas reviews.
E aqui está mais um capítulo espero que realmente gostem.

02. Toque

Erza estava sentada num dos bancos do corredor. Com a cabeça abaixada segurava o choro. Não podia chorar, tinha que ser forte. Levantou o olhar para a porta do quarto. Jellal estava lá conversando com o médico. Amnésia. Não queria acreditar naquilo, porém, de certa forma, encontrava-se aliviada. Afinal, algo pior podia ter acontecido. Abaixou novamente a cabeça. Ela não sabia o que fazer agora.

- Erza — Alguém a chamou no final do corredor.

Era Lucy e Natsu. O casal vinha em sua direção com as feições preocupadas. Chegando perto da ruiva, Lucy simplesmente abraça a amiga. Não sabia o que falar para a mulher em seus braços. Afinal, a loira não fazia ideia de como Erza estava se sentindo. Ela só queria confortar, nem que fosse o mínimo, a ruiva.

- Ele tá’ ai dentro? — Perguntou Natsu olhando para a porta do quarto onde Jellal se encontrava.

- Sim, o médico está lá agora conversando com ele. — Respondeu Erza por cima do ombro da amiga.

- Hn, vou ver como estão às coisas. — Avisou o rosado adentrando no quarto.

- Erza, eu nem sei o que falar para você num momento como esse. — Disse Lucy se afastando da ruiva para poder fitar seus olhos.

- Não precisa dizer nada, Lucy. Só obrigada por estar aqui.


Alguns dias depois

Erza dirigia com calma o caminho de volta para o apartamento deles. Jellal, sentado ao seu lado, não falava um nada. Silêncio era o que predominava ali. A ruiva queria sim quebrar aquele momento quietude, só não sabia como. Parando num sinal vermelho, ela finalmente toma coragem e o olha. Jellal estava olhando a rua através do vidro do carro. Ele buscava lembrar-se do trajeto, dos lugares, da mulher ao seu lado. Entretanto nada vinha a sua mente, nem mesmo uma única imagem. Fechou os olhos e franziu um pouco o rosto em desgosto. Aquela situação era desconfortante.

Chegando ao apartamento, Erza vai direto para a cozinha pegar um copo d’ água. Jellal adentra cautelosamente o local. Fitava todos os cantos procurando lembrar de algo. Porém nada. Sentou-se no sofá e ficou olhando o teto refletindo. Seus pensamentos foram perdidos quando sentiu algo gelado tocando-lhe o ombro. A ruiva havia trazido consigo um copo com água gelada para o marido.

— Lembrou-se de alguma coisa? — Perguntou Erza se sentando ao lado do outro.

— Sinto muito. — Foi a única coisa que saiu dos lábios do azulado.

Jellal não olhava para Erza por nenhum momento. Por algum motivo, ele não gostava de olhar aqueles castanhos avermelhados tão cheios de tristeza. Pigarreou e perguntou onde ele poderia dormir, já que estava cansado.

- Vem, eu te levo. — Disse a ruiva levantando-se.

Erza o acompanhou até o quarto do casal. O cômodo não era muito grande, mas também não era pequeno. A cama de casal ficava bem no centro. Do lado esquerdo, encostado na parede tinha o guarda roupa e, no lado direito, uma estante com alguns livros e porta retratos. A ruiva foi até o armário e pegou um cobertor, já que a noite não estava tão fria. Depois encaminha para fora do quarto, mas na porta para.

- O banheiro é a próxima porta a direita, no armário estão suas roupas. — Disse. — Qualquer coisa estarei no quarto de hóspede, segunda porta a esquerda.

Jellal ficou quieto ouvindo as instruções da ruiva. Quando ela terminou de falar, um silêncio invadiu o local. O azulado fitou Erza parada como se esperasse alguma coisa. Seus olhos o miravam carregado de tristeza e incerteza. O Fernandes com certeza não gostava daquilo. Toda vez que a olhava, ela estava naquele estado. Jellal queria abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Entretanto não o fez, afinal sabia como a mulher dos cabelos vermelhos reagiria e não queria dar falsas esperanças.

- Obrigado. — Agradeceu. — E boa noite.

- Sim, boa noite. — Disse Erza o fitando uma última vez antes de lhe dar as costas e ir para o quarto de hóspede.

A senhora Fernandes desabou no colchão macio. Ela jamais imaginou que doeria tanto estar assim perto, e ao mesmo tempo, tão longe do amado. Era doloroso demais manter o controle para não fazer nada que o assustasse ou o deixasse desconfortável. Queria se jogar em seus braços fortes. Queria seus beijos carinhosos e os cheios de desejo. Queria sua voz gentil e a rouca sedutora. Queria seus toques leves e os mais firmes. Ela o queria por inteiro ali consigo. As lágrimas fizeram seu caminho mais uma vez pelo rosto da ruiva enquanto a mesma se abraçava em consolo.

Jellal observava o quarto. Era estranho estar naquele lugar nostálgico e não lembrar. Sentou-se na cama para logo se deitar. Sentiu o cheiro forte de morango vindo do travesseiro ao lado. Erza. O nome dela invadiu sua mente sem aviso. A imagem da mulher que passava uma sensação de segurança e controle, mas que agora estava abalada e sem esperanças. Seu coração doeu. Não gostava de vê-la assim. Sentia-se incomodado, sem saber o que fazer e o que dizer. Sua mente estava uma confusão. Uma tempestade que demoraria em ir embora. O problema era quantos danos ela faria até desaparecer.

O azulado acordou na manhã seguinte ainda com sono. Mal dormira naquela noite. Seus pensamentos estavam a mil procurando lembrar-se do que havia esquecido. Respirou fundo levantando-se da cama. Foi até o guarda roupa, pegou uma camiseta azul marinho e uma calça preta larga e depois foi ao banheiro. Trocou de roupa e fez sua higiene bucal. Na cozinha, em cima da mesa, tinha alguns pães, uma jarra de suco, queijo, manteiga e o que mais chamou sua atenção... Um bilhete.

“Fui para o trabalho, volto lá pelas 16h. Tem comida na geladeira.”

Era um bilhete de Erza. Com o papel na mão começou a se servir. A letra da sua esposa era bonita. Só que tinha algo errado com aquele recado, algo que não sabia o que era. Talvez você curto demais? Por algum motivo imaginava Erza escrevendo um bilhete carregado de informações. Do tipo bilhete de mãe.

Com o papelzinho ainda em mãos, Jellal começou a investigar o apartamento. Foi até a geladeira e a abriu. Aquilo era estranho. Por que tinha dois bolos de morango ocupando toda a geladeira? Talvez ele fosse viciado? Fitou bem o doce a sua frente. Imaginou-se comendo sem parar aquele bolo. Por algum motivo, ele ficou enjoado.

Saindo da cozinha, ele foi para a sala. Tinha dois sofás formando um “L” bem no centro. Uma mesinha de vidro com um jarro de cristal com algumas flores no meio dos sofás. Encostado na parede esquerda tinha uma estante com mais livros, mas dessa vez tinha uma televisão junto com alguns outros aparelhos eletrônicos. Do outro lado tinha um quadro enorme enfeitando a parede.

Jellal foi até os livros e passou os dedos sobre eles, enquanto lia os títulos. Não lembrava se tinha lido ou não, mas não se importou. Pegou qualquer um e foi até o sofá. Começou a ler, e por ter se interessado, continuou até pegar no sono.

Erza estava no trabalho, mas ao mesmo tempo não estava. Sua mente sempre vagava para seu azulado sem memória em casa. Ficava pensando se não teria acontecido alguma coisa. Ele poderia ter se esquecido de como cozinhar, e quando foi tentar fazer algo acabou botando fogo na casa queimando-a consigo. Ou então ele poderia ter escorregado e batido a cabeça em algo pontudo. Ou Jellal poderia ter tentado ligar algo na tomada, mas por algum motivo, ter tomada um choque que o mataria. Ou então...

“Droga” praguejou Erza. “Vamos lá Erza! Seu marido não é não tolo para fazer tudo isso. Ele somente esqueceu-se de tudo... Isso não ajuda, sua idiota” choramingou.

Respirou fundo e olhou para o relógio. Faltava pelo menos mais duas horas antes de poder ir para casa. Suspirou impaciente. Por que quando o tempo precisa passar rápido, ele não passa? Perguntou-se.

Erza entrou igual a um furacão no apartamento. Silêncio. Examinou o lugar com os olhos até encontrar um amontoado de fios azuis no sofá. Caminhou até o homem ali deitado. Jellal dormia como uma criança. Agachou-se no chão e ficou o admirando por alguns minutos. Suas mãos delicadas fizeram o caminho até o rosto do azulado. O toque na tatuagem sobre o olho esquerdo de Jellal foi delicado, porém ocasionou numa reação inesperada.

Jellal abriu os olhos de supetão, assustando a ruiva. Num movimento brusco, o azulado segura no pulso da mulher puxando-a para si. Erza estava surpresa. Seus olhos levemente arregalados encaravam os castanhos de seu amado. Eles estavam opacos. Era como se o homem abaixo de si não estivesse ali, era como se ele agisse por simples instinto.

O jovem Fernandes realmente não sabia o que estava fazendo. Sentiu um toque suave em seu rosto. Um toque conhecido. Ele conhecia, só não sabia de onde. Era cálido, delicioso e ele queria saber de quem pertencia. Abriu os olhos e viu uma figura ao seu lado. Não conseguia enxergar direito, mas, de alguma forte, ele sabia quem era. Jellal a puxou para si. Queria sentir mais e cada vez mais. Sem pensar, ele a beijou.

Erza congelou. Não esperava por aquilo, pois bem, desde o acidente Jellal mal a olhava e lhe dirigia a palavra, imagina então beijá-la. Ela não correspondeu, e nem tinha como, estava em choque. Jellal afastou-se um pouco, seus olhos ainda nublados.

- Je-jel- A ruiva tentou chamar o azulado, porém foi impedida pelo toque dos lábios dele novamente sobre os dela.

Dessa vez Erza não queria saber de nada. Retribuiu ao beijo. Sem nem ao mesmo perceber, a ruiva já estava sentada em cima do azulado. O beijo se intensificava a cada segundo. As línguas participavam de uma dança que somente eles conheciam o ritmo. As mãos finas da mulher já se encontravam nos fios azulados. As mãos firmes do homem, uma se encontrava nos fios vermelhos puxando a ruiva mais para si, e a outra segurava firmemente uma das coxas firmes de Erza.

A falta de ar fez com que os lábios se separassem. Entretanto, Jellal não deixou Erza sequer pensar e começou a atacar uns dos pontos mais sensíveis da ruiva: o pescoço. A mulher suspirava prazerosamente a cada beijo e mordida. A mão dele, que estava sobre a coxa, subiu para a cintura puxando o vestido que ela usava para cima. Já a outra, puxou os fios vermelhos para trás para que ele tivesse mais acesso ao pescoço alvo da mulher.

- Je-Jellal. — Gemeu a ruiva depois de uma mordida mais forte.

E aquilo despertou algo dentro do azulado. Assustando a moça, Jellal a empurrou bruscamente. Os castanhos já não estavam mais nebulosos, eles brilhavam em puro pavor. Erza estranhou aquilo. Num momento os dois estavam fogosos e no outro o calor dissipara. Examinou as feições do rosto do marido. Ela não entendia o medo ali.

- O que foi? — Perguntou o mirando de uma forma carinhosa.

- E-eu não... Desculpa, eu não tinha noção nenhuma sobre meus atos. — Pediu Jellal baixando o olhar. Suas mãos tremiam sutilmente nos braços da ruiva.

Com os dedos, Erza levantou o rosto do amado obrigando-o a fitar seus olhos.

- Não precisa se desculpar. — Dizia numa voz compreensiva. — Jellal eu te amo, mesmo agora que você não se lembra de nada sobre mim e sobre nós. Jellal, eu farei qualquer coisa para te ajudar. Se quiser que eu me afaste, eu irei. Se quiser que eu te abrace, eu te abraçarei. É só pedir e farei. Não precisa ter medo de me tocar, se isso te ajudar eu não vou me importar e mesmo que não te ajudasse, não importaria. Eu te quero Jellal. — Declarou a ruiva com os olhos lacrimejantes.

Jellal a ouviu em silêncio. A cada palavra dita, ele conseguiu sentir o amor saindo por elas. Sabia que Erza o amava e aquilo só comprovava. Tinha certeza que também sentia algo forte por ela. Só queria lembrar os momentos juntos. As lembranças perdidas. Jellal a mirou por mais alguns minutos, antes de puxá-la para ele. Abraçou-a firmemente e, receosamente, começou um leve cafuné no cabelo ruivo. Erza se aconchegou mais ao abraço.

- Desculpa-me, Erza.

As lágrimas rolaram livremente, pois Erza sabia o porquê das desculpas. Jellal não podia confortá-la dizendo que tudo ficaria bem no final.

Notas finais
E ai o que acharam? *---*
O próximo capítulo acredito que irá demorar mais um pouco para sair x.x. Talvez daqui uma semana >
Beijos.