Never Be The Same

4 Memórias Narradas


Notas iniciais
Haha aqui está o penúltimo capítulo para vocês *---*
Devo confessar que foi tenso escrever esse capítulo enquanto batalhava contra o sono que o remédio me deu e com os sintomas da gripe x_x, mas consegui terminar!
E como estou feliz *o* o capítulo anterior bateu meu recorde de reviews num único capítulo, até chorei de emoção aqui *o*
Bom, pessoas lindas ai está o penúltimo capítulo espero que gostem e deixem review xD

04. Memórias Narradas

Jellal olhava o teto frio na sua sala. Seu corpo todo esparramado pelo sofá. As luzes apagadas e janelas fechadas. O clima gélido congelava ainda mais o coração daquele homem que não tinha motivação para seguir em frente.

Natsu o tinha levado para um bar noturno afirmando que tinha um conhecido trabalhando ali. Entraram e logo foram para o balcão pedindo duas cervejas. Eles conversaram sobre assuntos sem muita importância, ou melhor, o rosado falava... Jellal só escutava. Sua mente focava principalmente a mulher de madeixas vermelhas. Soltou um suspiro irritado e bebeu mais um gole de sua bebida. Aquela já era a sua terceira. Por fim, reparou o amigo em um estranho silêncio.

- O que foi Natsu? — Perguntou vendo o rosado fazendo uma careta em desgosto.

- Nada. — Respondeu num sussurro o que provocou um olhar desacreditado no azulado. — Minha ex está trabalhando aqui.

- Quem?

- A de cabelos curtos e brancos. — Indicou com a cabeça uma menina do outro lado do bar.

- Quer ir para outro lugar?

- Não precisa, faz anos que não a vejo e não é como se fosse acontecer alguma coisa também.

Jellal concordou e pediu mais duas cervejas.

Eles já estavam ali há horas, naquela altura ambos já completamente bêbados. Estavam alegres e conversavam alto, mas não atraia a atenção de ninguém, visto que a maioria ali se encontrava no mesmo estado de embriaguez. Jellal ficou em silêncio e fitou seu copo. Ele com certeza já estava fora de si, pois via o reflexo de Erza no copo de bebida.

Se fechava os olhos podia ver claramente aquele vermelho tão vividos bailando a sua frente. Podia sentir aquele corpo magro e delicado sobre o seu. Podia até mesmo sentir o cheiro gostoso de morango saindo daquela pele tão macia.

Jellal abriu os olhos e virou-se para a esquerda. Viu duas mulheres se aproximando. Apertou mais o olhar, visto que sua vista não estava boa por causa do alto teor alcoólico em seu corpo. Uma era a ex de Natsu e a outra... Ela tinha longos cabelos pretos... ou talvez fossem vermelhos. Piscou algumas vezes e voltou a olhar. Oh sim! Aquela que vinha em sua direção era Erza.

- Erza... — Sussurrou quando a jovem mulher se aproximou enlaçando seus braços ao redor do pescoço do azulado.

Ela sorriu antes de capturar os lábios dele para si. Jellal correspondeu até certo ponto.

Aquele toque. Aqueles lábios. Aquele cheiro. Nada daquilo pertencia a sua Erza. Abriu os olhos e se afastou. Seus olhos ficaram levemente arregalados. Afinal quem estava ali em seus braços era uma completa desconhecida. Seu cabelo era de um preto puxado para o roxo e seus olhos pretos totalmente diferentes de sua ruiva. Um incômodo surgiu em seu coração fazendo-o olhar para a entrada no bar.

Erza.

Grossas lágrimas caiam daqueles castanhos avermelhados. Ela tremia e seu rosto estava branco. Via a tristeza invadindo aquele corpo tão frágil e a destruindo em diversos pedaços pequenos. Sentiu uma dor descomunal por vê-la daquele jeito e sentiu mais ainda ao perceber que a culpa era toda dele.

- Cheguei!

Anunciou Natsu adentrando no apartamento do Fernandes interrompendo a lembrança do dia anterior.

Antes que Jellal conseguisse chegar a casa. Erza havia chegado antes e feito suas malas. Descobriu que a ruiva estava na casa de Lucy quando Natsu bateu na sua porta dizendo que a loira o havia expulsado.

O azulado não mexeu nenhum músculo sequer para cumprimentar o amigo. Continuou em sua posição. O rosado ao vê-lo naquele estado suspirou. Ele também passava por algo parecido e nem por isso ficava igual a um vegetal. Natsu daria um jeito de Lucy o ouvir e de reatar com sua loirinha, mas antes ele tinha que ajudar Jellal.

Os olhos castanhos estavam opacos, sem brilho. A única capaz de tirá-lo daquela situação não queria vê-lo nem pintado em ouro. Pela primeira vez depois de muito tempo, ele chorou. Não se importava com a presença do outro ali no apartamento, ele só queria tirar aquela angústia de dentro de seu peito. Levou as mãos à cabeça colocando-as sobre os olhos e agarrou alguns fios azulados.

Jellal não sabia quanto tempo tinha ficado ali chorando. Quando saiu de seu próprio mundo e olhou ao redor, ele pôde finalmente reparar no amigo. Natsu estava na cozinha, já que era o único cômodo com as luzes acesas. Levantou-se e foi até lá.

- Oh! Terminou? — Perguntou o rosado notando o azulado parado na porta.

- Sim.

- E se sente melhor?

- … Um pouco, mas... — “seria melhor se ela estivesse aqui”. Completou em sua mente.

- É eu sei. — Disse Natsu sorrindo como sempre. O que intrigava Jellal.

- Natsu? — Chamou-o. Natsu pediu que ele continuasse com um simples “Hn?”. — Como você consegue sorrir? Você está passando por algo parecido também, e se Lucy não aceitá-lo de volta? Você continuaria sorrindo?

Silêncio.

O rosado encarava seriamente o armário com as panelas. Logo, ele suspirou e virou-se para o amigo.

- Sim. — Respondeu abrindo novamente seu sorriso. O azulado arregalou um pouco os olhos castanhos em surpresa. Sabe Jellal, eu não fico pensando que Lucy irá me rejeitar, podemos sim estar separados por agora, mas ficaremos juntos novamente... E sabe o por quê?

- Não...

- Porque eu a amo e sei que no fundo ela me ama também. — Se fosse possível o sorriso do Dragneel teria aberto ainda mais. — E você Jellal, ama a Erza?

Jellal ponderou por alguns minutos antes de responder sinceramente.

- Sim, eu amo a Erza. — E sorriu, um sorriso tímido, porém muito brilhante.

- Então não tem do que se preocupar, assim como eu e a Lucy nos ajeitaremos, você e a Erza farão a mesma coisa.

De alguma forma, Jellal se sentiu mais leve. Ainda havia esperanças das coisas se resolverem e elas iriam.

- Ah, quase me esqueci! — Disse Natsu subitamente chamando a atenção do azulado. — Aqui está. — Falou entregando um livro meio surrado.

- O que seria isso? — Perguntou analisando o objeto em suas mãos com curiosidade.

- Enquanto você estava no seu estado vegetativo eu procurei pelo apartamento algo que pudesse te ajudar. E achei. — apontou para o livro de capa dura nas mãos de Jellal. — Seu diário.

- Me-meu diário? — Perguntou-se descrente.

Um diário, mas não qualquer um, era o seu diário. Seus dedos tremiam, pois agora mesmo que ele não se lembrasse de nada, ele poderia ao menos imaginar o que tinha acontecido na sua vida esquecida. A felicidade inundou o rosto do azulado. Abriu o livro e logo na primeira página estava escrito com uma letra elegante e redonda: “Diário de Jellal Fernandes”.

- Vou estar no meu quarto. — Avisou Jellal.

- Ok.

Jellal se sentou em sua cama para depois se deitar. Folheou as páginas desgastadas de seu diário. Por sua sorte, ele só narrava memórias importantes, por isso não demorou em achar o nome Erza logo nas primeiras folhas.

Hoje, por algum motivo desconhecido, o orfanato estava agitado. Vi as freiras indo de um lado para o outro tentando controlar os pequenos. Perguntei para uma das irmãs o que ocorria ali. Uma nova criança se juntaria a nós. Sinceramente não sabia se isso era motivo de alegria ou de tristeza. Afinal, se ela estava vindo para cá só tinha motivo, ela ficara orfã.

Mais tarde fiquei sabendo de mais detalhes. A criança que está para vim para o orfanato é uma menina. As irmãs não quiseram me dar mais detalhes sobre os pais dela, ou melhor, não podiam. Já que ela tinha um passado parecido com o meu. Um passado resumido em uma única palavra: Escravos. Felizmente consegui escapar. Pelo visto ela teve a mesma sorte.

Ela chegou.

Fios curtos e vermelhos bailaram na minha frente. Eles eram tão vívidos como chamas dançando enquanto queimava tudo ao seu alcance. Quis tocá-las, quis saber se elas eram tão quentes como aparentavam, mas de repente tudo se esfriou. O único olho castanho avermelhado descoberto, o outro estava com um tapa olho por cima, era gélido. Todos que olhassem para eles saberiam que a portadora tinha sofrido muito na vida, porém não fariam ideia do quanto.

Todas as crianças ali pulavam em volta dela. Tentavam descobrir seu nome, sua idade, de onde vinha, e muitas outras coisas. Quando as irmãs conseguiram acalmar a criançada, eu me aproximei da ruivinha.

- Olá — Cumprimentei-a, mas ela nem teve o trabalho de me olhar. Sorri um pouco desanimado e depois suspirei. — Eu me chamo Jellal Fernandes e você?

…

Nada novamente. Entretanto não desisti, com o passar dos dias continuei tentando puxar assunto com a mesma. Sinceramente, eu já sabia seu primeiro nome, Erza, mas queria que a própria me dissesse.

Num dia não tentei dizer nada. Sentei ao seu lado e fiquei ali em silêncio. Ela me olhava pelo canto dos olhos, provavelmente estranhava minha atitude.

- O que você quer? — A surpresa me invadiu naquele momento, não imaginava que esse meu plano desse certo. Sorri.

- Seu nome.

- Você já deve saber meu nome, não tem por que dizer.

- Quero ouvi você falando.

Ela fez uma careta de desgosto.

- Erza... — Disse em um sussurro quase inaudível. Senti meu sorriso abrir mais ainda.

- Só Erza? — Perguntei, ela meneou a cabeça como se respondesse sim.

Observei-a por alguns segundos. Uma brisa suave passou por nós balançado os fios vermelhos. Eles estavam tão vívidos assim como no dia que a vi pela primeira vez. Levei minha mão até uma mecha segurando entre meus dedos. Aquele castanho avermelhado me fitou intensamente.

- Scarlet. — Erza me olhou curiosa. — Por causa do seu cabelo, Erza Scarlet.

Pela primeira vez, eu a vi sorrindo enquanto sussurrava o novo nome.

- Erza Scarlet. — Murmurou Jellal abrindo um sorriso de canto.

Então foi ele quem deu o sobrenome para sua ruiva, e o melhor, foi duas vezes que ele fizera isso. Scarlet e Fernandes. O azulado não conseguia parar de sorrir. Uma felicidade explodiu dentro de si ao ter esse pensamento.

Voltou a ler. Pouco tempo depois Erza havia sido adotado por um casal recém casado. Nas próximas páginas, Jellal percebeu o quanto já gostava da ruiva, desde pequeno ele já nutria um sentimento especial por ela. Afinal, estava tudo escrito naquelas folhas seguintes que tinha como tema principal a saudade que sentia por Erza e o desejo de encontrá-la. Depois de muito tempo, Jellal a encontrou. Eles estavam na faculdade.

Mais uma noite mal dormida. Fora minha preocupação com o seminário com data prevista para amanhã, tinha ela. A menininha de cabelos ruivos, Erza Scarlet. Sempre estava sonhando com ela, desde o dia em que ela partiu, mas hoje o sonho parecia diferente. Um presságio. Tinha a sensação que logo a encontraria novamente.

Só não imaginava que fosse tão cedo.

Lá estava ela. Seus cabelos tão intensos como sempre estavam mais longos. O tapa olho não se encontrava mais lá. Um sorriso gentil enfeitava aqueles lábios rosados. Seus olhos daquele tão avermelhado mostravam um brilho de alegria. Erza cresceu e se tornou uma linda mulher, mais linda do que imaginei.

Caminhei em sua direção, ou melhor, corri. Não podia deixar essa oportunidade passar, não deixaria. Depois de tanto anos desejando encontrá-la, finalmente consegui.

Seu corpo delicado ficou tenso quando a abracei por trás. Ouvi-a soltar uma exclamação de surpresa, mas depois Erza começou a tremer levemente. Sorri quando nossos olhares se encontraram.

- Je-Jellal? — Perguntou-me num sussurro, pelo visto ela ainda não acredita que eu estivesse ali também.

- Senti sua falta Erza.

Lágrimas caíram tanto dos olhos dela quanto dos meus.

Nas outras folhas seguintes, Jellal descobriu que os pais de Erza eram extremamente exigentes e por isso precisou raptar a ruiva para irem ao parque de diversões.

Era final de tarde, umas 16h quando discretamente joguei algumas pedrinhas na janela da minha ruiva. Um medo preencheu meu corpo pensando na possibilidade do pai de Erza me pegar ali. Felizmente, esse temor logo foi embora, já que ela abrira a janela.

- Jellal?

- Desça, quero te levar a um lugar.

- Você enlouqueceu? Meus pais não vão deixar…

- Você já está na faculdade, não precisa pedir permissão, mas de qualquer jeito eles não precisam saber.

Uma carranca surgiu no rosto delicado da minha ruiva. Sorri e estendi meus braços para ela. a qual suspirou e pulou com um sorriso em seu rosto.

- Onde pretende me levar?

- Ao um parque de diversões.

Dito e feito. Assim que chegamos, Erza me puxava para todos os brinquedos que queria. O riso alegre da ruiva contagiava-me.

21h30

Tínhamos exatamente meia hora antes do parque fechar. Tempo suficiente para mais um brinquedo. O mais clichê de todos para um casal. Roda gigante. Era nele que ia pedir Erza em namoro. Entramos numa das cabinas e esperamos até começar a girar. A ruiva olhava pela janela maravilhada com a vista, já eu suava frio. Segurava uma caixinha de veludo em mãos. Tinha perdido muitos dias procurando a aliança certa, e nem era a de casamento ainda.

Suspirei.

Era agora ou nunca. Sentei ao seu lado fazendo com que ela me encarasse. Meu corpo estava tenso, Limpava minha mão em minha calça. Respirava com um pouco de dificuldade. Erza preocupada perguntou se eu estava passando bem. Disse que sim e pedi para esperar um pouco. Tratei de me controlar para depois me virar para a ruiva ao meu lado.

- Erza faz bastante tempo que nos conhecemos certo?

- Sim, desde pequenos, mas você está realmente bem Jellal? Está suando muito.

A parte de me controlar não tinha dado muito certo, mas continuaria mesmo assim. E desconto aqui, por favor. Estava preste a pedir em namoro meu primeiro e único amor na minha vida. Obviamente eu estaria nervoso.

- Estou bem Erza. — Confirmei sorrindo. — Você sabia que desde pequenos eu sou hipnotizado por você? — Ela tinha ficado surpresa com minha declaração. — Quando a vi pela primeira vez senti como se você tivesse me encantado com esse seu cabelo vermelho tão poderoso. Quando você foi embora, meu mundo se tornou preto e branco, a única cor que me importava tinha indo. Erza, eu estou apaixonado por você e gostaria de saber se você me aceita como seu namorado… Você aceita? — Perguntei tirando a caixinha de meu bolso e abrindo-a mostrando duas alianças de prata.

Erza não sabia se sorria ou se chorava. Ela estava emocionada. Um bom sinal. De repente sinto seu peso contra meu corpo. Seguro sua cintura fina por reflexo e arregalo meus olhos sutilmente quando reparo que os lábios dela estavam sobre os meus num beijo singelo. Separamos não muito, apenas o suficiente para uma troca de olhares.

- Claro que eu aceito Jellal.

Mais um beijo, dessa vez, não tão singelo assim.

Conforme Jellal lia aquelas memórias narrada por si, ele se comovia por cada linha. Afinal estava ali toda sua vida como um bom livro querendo ser lido. Continuou lendo até chegar numa cena que prendeu toda sua atenção: o pedido de casamento.

O rosado acordou bem disposto naquele dia. Levantou sem pestanejar, tomou seu banho matinal, fez sua higiene e foi para cozinha. Preparava seu próprio café da manhã, podia não parecer, mas Natsu sabia cozinhar. Lucy era escritora e muitas vezes ficava presa em seus projetos que acabava esquecendo certas tarefas dosméticas. Para não morrer de fome nessas épocas da loira, Natsu aprendeu a cozinhar.

Fez panquecas e pegou um suco da geladeira. Encheu seu copo e preparou-se para comer. Saboreava o prato feito por si com gosto. Não queria se gabar, porém aquilo estava delicioso. Pegou o suco pronto para bebê-lo…

- NATSU! — Gritou Jellal abrindo a porta da cozinha de supetão. O copo com suco voou para longe com o susto do rosado.

- Mas que droga… — Olhou assustado para o azulado sem fôlego.

- Natsu preciso da sua ajuda. — Pediu sentando na frente do amigo com o diário em suas mãos.

- Você ficou lendo isso a noite toda?

- Sim, mas não importa, preciso da sua ajuda!

- Tá, tá… Ajuda com o que?

Jellal sorriu radiante.

- Para reconquistar minha ruiva.

Notas finais
E ai, o que acharam? *----*
Não foi nesse capítulo que Jellal se resolveu com Erza, mas no próximo eles se resolvem xD
Ainda mais porque é o último capítulo também x.x
Mas não fiquem triste, por que resolvi fazer um especial com três capítulos de Never Be The Same, só que o especial irá focar o casal NaLu >
Ai quem sabe, se minha imaginação deixar, eu lance um segundo especial com o casal Jerza como principal novamente o/, mas não prometo nada. Entretanto posso garantir que virá mais uma Jerza para vocês :D
Bom, espero que tenham gostado...
Beijos e até o próximo capítulo que tem previsão para ser lançado na quarta que vem o/