Neve e Confissões: O Natal dos Nara

2 Capítulo 2: Confissões à Meia-Noite


— Por favor, aproximem-se e sirvam-se! — O tilintar do metal do garfo contra o cristal da taça de Temari ecoou pela sala, interrompendo as conversas paralelas.


Enquanto os convidados se acomodavam à mesa, Shikamaru lançou um olhar significativo a Iruka, pedindo silenciosamente que o mestre conduzisse as reflexões da noite. Temari, sempre atenta, postou-se ao pé da escada e chamou por Shikadai e Inojin. Segundos depois, o filho surgiu no corredor, as pontas dos cabelos ainda gotejando.


— Lavar o cabelo a essa hora, Shikadai? Você está pedindo para ficar doente — ralhou ela, o tom materno oscilando entre o carinho e a severidade.


— Foi um acidente, acabei molhando um pouco e decidi lavar logo tudo — resmungou o rapaz, com o típico tom "problemático" da família Nara.


— E o Inojin?


— No banheiro. Já ele desce.


Na sala de jantar, Shikamaru estendeu um copo de refrigerante ao filho.


— A Mirai caprichou no visual hoje, não acha? — comentou o conselheiro em tom baixo. — Não entendi por que não a chamou para subir com vocês.


— Estávamos jogando o lançamento que o Inojin trouxe. Nem passou pela minha cabeça que ela estava aqui e outra... ela é mais velha que eu — Shikadai deu de ombros, servindo-se de um pouco de comida enquanto iniciava um papo casual com a filha de Kurenai. Shikamaru apenas torceu o nariz, achando a distração do filho um tanto inacreditável.


- Meu filho tem muito o que aprender sobre as mulheres, em especial as mais velhas. Não sabe o que está perdendo...


Inojin apareceu logo em seguida, analisando as opções do banquete. No canto da mesa, Sai observava com um sorriso curioso enquanto Temari, de forma quase instintiva, montava o prato de Shikamaru. — É fascinante como ela dita o ritmo dele, — pensou o artista, coçando a nuca de forma distraída.


Ao notar que as cadeiras estavam todas ocupadas e Inojin permanecia de pé, Iruka fez menção de levantar, oferecendo seu assento ao aluno. Educado, o jovem Yamanaka recusou prontamente, respeitando a posição do diretor. A solução veio de Ino, que afastou sua cadeira e bateu nos próprios joelhos. Sem hesitar, Inojin — uma cópia quase exata da mãe — aninhou-se no colo dela, recebendo um abraço apertado e um beijo na bochecha.


Com a audiência finalmente atenta, Iruka pigarreou. Honrado pela confiança de Shikamaru, ele começou a falar sobre a dualidade do Natal, relembrando as festas de luz e os invernos mais solitários que moldaram sua trajetória., mas como a data trás a memória reflexões e renovação, Iruka destacou que os cidadãos da folha são dotados em esperança e sempre buscam o melhor para si e para com os outros. Uma vilã formada por refugiados que acolhe a todos que necessitam.


As palavras de Iruka ecoaram, fazendo com que os presentes se entreolhassem, reconhecendo nos sobrenomes a força dos clãs ali representados. Entre eles estava Temari; embora não fosse natural da Folha, tornara-se parte fundamental da vila após o casamento com o líder do clã Nara. A mesa era um retrato de fartura: pratos cheios, conversas animadas e risos que preenchiam o ambiente.


O clima de celebração foi interrompido por um momento de ternura quando Sakura recebeu uma mensagem. Era sua filha, desejando-lhe um feliz Natal com fotos ao lado do pai, cercados por bonecos de neve. Os olhos de Sakura marejaram e ela se rendeu a um breve choro de saudade, sendo prontamente acolhida pelo abraço caloroso de Kurenai.


O Natal na residência dos Nara seguia seu curso entre conversas, lembranças e a saudade daqueles que já não estavam mais presentes. O tempo passou de maneira tão prazerosa que o cansaço começou a surgir; muitos já bocejavam, Iruka cochilava no sofá e Mirai se rendia ao sono no colo da mãe.


— Deixem a louça na pia, eu organizo tudo já já! — gritou Temari, descendo as escadas com as chaves dos quartos. — Senhora Kurenai, Sakura e Mirai, fiquem no quarto de hóspedes. Sai e Inojin... digo, Ino, fiquem na sala de leitura. Sensei Iruka, pode ocupar o quarto próximo à cozinha; é pequeno, mas a cama é confortável. Inojin e Shikadai ficam no quarto dos meninos. Estamos todos acomodados! Tomem suas chaves e recolham-se quando quiserem.


— Temari! — chamou Sakura. — Vamos organizar essa louça agora. Assim, ninguém precisa acordar cedo amanhã.


Temari aceitou a ajuda, enquanto Kurenai guardava os alimentos na geladeira.


— Vou inflar o colchão para deitarmos, meu amor — disse Sai, beijando a mão de Ino antes que ela seguisse para a lavanderia onde colocaria alguns panos de molho.


Pela pequena janela da lavanderia, Ino avistou Shikamaru sozinho no jardim, observando a neve cair. Impulsionada por um sentimento inquieto, ela saiu à francesa.


— Shikamaru, podemos conversar? — perguntou Ino, com a voz trêmula, esfregando os braços contra o frio.


— Claro, Ino. Mas o que houve? Você está congelando, vamos para dentro.


— Não! — Ela respirou fundo. — Eu... eu invadi sua mente hoje. Foi um acidente, eu juro! Mas vi coisas... sentimentos que você nunca confessou.


Shikamaru empalideceu. — Que problemático... isso é complicado.


— Eu sei. Mas eu precisava saber. E, para ser sincera, eu também senti. Algo que abafei por anos. Mesmo no mesmo time, nunca demonstramos carinho ou interesse público... mas houve um tempo em que te olhei diferente. Hoje, eu desenterrei isso — confessou ela, com o rosto corado.


Um silêncio pairou, quebrado apenas pelo som suave da neve.


— Ino... eu sempre te admirei. Sua força, sua determinação. Mas achei que estava fora do meu alcance. Então nos casamos com outras pessoas e esses sentimentos ficaram para trás — disse Shikamaru, abrindo o coração.


— Talvez não seja tarde demais para um gesto sincero — sussurrou Ino. — Posso te dar um abraço de feliz Natal?


Eles se envolveram em um abraço apertado. Sob a luz pálida da lua e o cair da neve, o carinho transformou-se em urgência. O que começou como um abraço terminou em um beijo carregado de emoção e arrependimento.


— O que nós fizemos? — murmurou Shikamaru próximo ao rosto dela.


— Nos beijamos... e eu quero mais — Ino respondeu, entregue.


O sorriso ladino de Shikamaru ressurgiu e ele a beijou novamente, tirando-a do chão. O desejo acumulado por anos transbordou ali, antes de finalmente se afastarem, recompondo-se.

Ino entrou rapidamente para o banheiro, enquanto Shikamaru permaneceu no quintal por alguns instantes, deixando o frio acalmar a pele. Ao entrar no quarto, encontrou Temari pronta para dormir.


— Não durma ainda — pediu ele, com um brilho malicioso no olhar.


Na sala de leitura, Ino, já em sua camisola de seda, retirou o livro das mãos de Sai. O marido a aguardava na poltrona. Sem demora, a loira despiu o pijama dele, enquanto Sai levantava sua camisola, puxando-a para seu colo. O clima de Natal transformava-se em uma noite de paixão em todos os cantos da casa.


Um barulho vindo do quarto dos meninos chamou a atenção de Temari. Ela vestiu o robe para verificar, mas Shikamaru a impediu, segurando seu braço com um sorriso audacioso e apontando para a cama.


— Quer mandar em mim, Senhor Nara? — provocou ela.


— Cala a boca. Hoje você vai fazer tudo o que eu disser, sem questionar.


Os olhos de Temari brilharam com o desafio e a promessa, enquanto ela se entregava ao marido...