Neve e Confissões: O Natal dos Nara

3 Capítulo 3: Revelações e Novos Amores


Na manhã de Natal, a atmosfera na residência dos Nara transbordava expectativa. Enquanto Sai, ainda despertando, admirava a silhueta de Ino — cujas curvas eram apenas parcialmente ocultadas pelo desalinho da colcha —, em outro quarto, Shikamaru acariciava o rosto de Temari. Ele sussurrava uma singela declaração, mas foi surpreendido por um "eu te amo" vindo da mulher de pulso forte; um golpe de ternura que o fazia crescer para além de seus próprios limites.


O silêncio matinal foi rompido por uma voz familiar vinda do quintal, despertando os que ainda relutavam em sair da cama:


— Mãe! Mãe, chegamos!


Kurenai tocou delicadamente o ombro de Sakura. A médica deu um leve salto ao ouvir o chamado e, num impulso, disparou pelo corredor ainda em trajes de dormir. Desceu as escadas apressada, passando por um Iruka confuso que lutava com as trancas tecnológicas da porta. Ao ganhar a varanda, Sakura sentiu as pernas fraquejarem por um segundo, mas correu pelo chão levemente escorregadio para envolver a filha em um abraço terno.


— Onde estão o Shikadai e o Inojin? — Sarada perguntou ansiosa, desvencilhando-se do abraço.


— Ainda dormem — respondeu Sakura, vendo a menina desaparecer porta adentro.


— Feliz Natal, Sakura — desejou Sasuke. Sua voz era baixa, carregada daquele desconforto típico de quem não possui boas memórias com a data.


Sakura voltou-se para o marido e o abraçou apertado.


— Chegaram cedo, devem estar com fome. Vamos entrar, preparamos tanta comida gostosa... — Ela tentava conter a emoção enquanto o guiava para casa.


— Sakura! — chamou Sasuke, com um tom mais suave. — Trouxe algo para você. Na verdade, foi ideia da Sarada.


Ele entregou a ela um globo de neve. No centro, havia um pequeno quadro personalizado: de um lado, uma foto antiga de ambos ainda nos tempos da Academia; do outro, um registro do último verão com a família reunida.


— Espero que tenha gostado...


— Eu amei, Sasuke. É simplesmente perfeito.


— Sarada estava ansiosa para voltar, então pegamos o trem da madrugada — explicou ele, antes de completar com uma rara honestidade: — Mas quero que saiba que voltei por você. Mesmo que eu não aprecie esta data, você era a primeira pessoa que eu desejava abraçar hoje


Sakura conteve as palavras, sentindo que a voz falharia se tentasse falar. Sasuke, percebendo a hesitação da esposa, tocou seu rosto com carinho.


— Vamos organizar a comemoração de Ano Novo em nossa casa — propôs ele.


— Assim, tão de repente?


— Cada convidado pode trazer algo para comer.


— Sasuke, você nunca gostou dessas datas...


— Eu não tive uma família para comemorar quando era pequeno. Hoje sou adulto e tenho a minha; tenho você e Sarada. Então, peço que me ensine o que eu ainda não conheço. Quem sabe no próximo Natal viajamos nós três ou, se você concordar, nós quatro.


— Quatro? Não vai me dizer que tenho um enteado escondido? — Sakura brincou.


— Não, sua boba... — Sasuke esboçou um sorriso discreto, tocando levemente a barriga de Sakura, que sorriu de volta com doçura. — Vamos entrar, você deve estar com frio.


Dentro de casa, os convidados cercaram Sasuke com abraços. Mesmo sem jeito, ele tentava interagir como podia. Iruka e Kurenai tomavam café da manhã, observando os mais jovens à distância.


— Somos uma vila de traumatizados — comentou Iruka, entre uma garfada e outra no bolo de chocolate.


— Somos sobreviventes, tentando mudar por amor aos nossos filhos — corrigiu Kurenai, observando a própria filha com esperança. — Será uma longa caminhada, mas desejo que nossos netos e bisnetos recebam um amor fraterno genuíno.


— Netos? Eu não pretendo deixar descendentes — murmurou Iruka, quase para si mesmo.


— Se até o Gai se casou com a Tenten, não perderemos a esperança — brincou Kurenai, deslizando a mão pelo braço do diretor da Academia, que ficou visivelmente encabulado.


Perto dali, Shikadai e Inojin trocavam olhares furtivos, disfarçando enquanto ouviam Sarada contar sobre os bonecos de neve e o parque de diversões, onde comprara lembranças para os amigos — incluindo um par de brincos florais para Mirai.


Shikadai sempre fora reservado, um mestre em ocultar emoções sob uma fachada de tédio. No entanto, Inojin possuía o dom de enxergar além das sombras do Nara; com sua arte e sensibilidade aguçada, o Yamanaka despertava nele sentimentos que Shikadai ainda tentava processar.


Naquela manhã, após receberem de Sarada uma caixinha contendo um par de anéis reguláveis, Shikadai sentiu que era o momento. Aproveitando a reunião de todos na sala, ele puxou Inojin para perto e tomou sua mão, sentindo o coração acelerar. Buscou coragem no olhar encorajador de Mirai e, especialmente, de Sarada — que guardara seus encontros secretos e apoiara o relacionamento desde o primeiro dia.


— Nós temos algo a dizer — anunciou Shikadai, a voz firme contrastando com o frio na barriga.

O silêncio instalou-se instantaneamente. Temari e Shikamaru trocaram olhares nervosos, sentindo o peso do anúncio que viria.


— Nós... nós estamos apaixonados — completou Inojin, a voz suave, mas decidida, selando a confissão.


A reação foi imediata. Sakura e Kurenai se entreolharam surpresas, mas logo sorriram em aprovação. Temari respirou fundo, processando a informação, enquanto Shikamaru soltou um longo suspiro característico.


— Que problemático... não quero imaginar o que poderia ser os barulhos vindo do quarto... tão pouco o uso do joystick clássico durante as partidas do game — murmurou o estrategista com um sorriso torto. Em segredo, ele recordou a conversa profunda que tivera com Ino na noite anterior, refletindo sobre as escolhas do passado e a coragem de seguir o coração. — Mas, se vocês estão felizes, quem sou eu para julgar?


Ao ver o brilho de felicidade no rosto do filho, Temari abriu um sorriso genuíno, se lembrando do olhar penetrante de Sai a encarando e completou:

— O amor é o que importa. Se vocês se amam, têm o nosso apoio. Independente de preconceitos ou dedos apontados, saibam que sempre terão em suas famílias e amigos um porto seguro.


Com a tensão dissipada, o clima de celebração retornou. Os casais se aconchegaram — Eu disse que daria certo. Eu e seu paí sempre te amaremos, filho! — Ino e Sai envolviam o filho com afeto.


O grupo seguiu a liderança de Iruka em direção à árvore de Natal. O "Amigo Oculto" começou logo em seguida, regado a risadas, adivinhações e uma renovada esperança no futuro.


Naquele Natal inesperado, entre segredos revelados e novos começos, a família Nara compreendeu que a felicidade reside, muitas vezes, em abraçar o inesperado.


— Pessoal, um minuto! — Sakura chamou a atenção de todos, elevando o tom de voz com entusiasmo. — Quero avisar que a celebração de Ano Novo será na minha casa!


Um coro de vozes animadas preencheu a sala. Sem perder tempo, Kurenai pegou o celular da filha e já começou a criar o grupo de mensagens, adicionando os amigos para garantir que o próximo encontro fosse tão memorável quanto aquele...

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