A iluminação da manhã percorreu um lento caminho pela parede de pedra de seu escuro quarto na Mansão Malfoy. A pequena fresta que a cortina pesada abrira, no entanto, era o suficiente para incomodá-lo por uma vida. Seu perfeccionismo quase extremista o incutia a jogar as cobertas e fechá-la ou, simplesmente, buscar a varinha para tanto, mas seu empenho em continuar deitado e tentar dormir pelo resto da manhã estava ganhando.

Não pregara o olho durante a noite toda. Pensava em Granger, neles como um par, nela em Azkaban, em si próprio se culpando por um trabalho mal sucedido, ainda que houvesse aquela voz fina e irritante que o dissesse que, talvez, ela fosse culpada. Para ele, como profissional, não deveria importar nem minimamente. Tal convicção o dominava e o trazia ao espírito necessário do advogado que sempre existiu em si. Era o seu trabalho defendê-la, não fosse Malfoy, seria outro – menos eficiente, com bastante certeza.

Porém, o fato de Granger talvez estar jogando com sua mente era algo pelo que não esperava e considerava perturbador. Gostava de estar no controle, era a característica mais predominante de ambos nessa arena de personalidades fortes que insistiam em manter, ainda que o mundo estivesse ruindo à volta dessa estabilidade mal construída. Algo que pensara em meio às reviradas na cama e não lhe saía da cabeça era: gostavam da estabilidade, mas desfrutavam da mesma apenas em raros momentos e isso era frustrante.

Tão frustrante, ele ponderou, quanto tentar desvendá-la tornou-se algo quase impossível. Apreciava de modo bastante significativo o modo como ela o encarava, como parecia depender dele para manter a tão almejada estabilidade, ser parte disso lhe parecia importante de um modo estranho e questionável – afinal, ela devia alcançá-la por si e para si mesma. Porém, não tinha certeza sobre a linha que separava essa depedência do jogo ao qual ela sempre se mostrava disposta a participar. Tudo podia ser um jogo, da mesma forma que nada. Assim, contrariando tudo que considerava líquido e certo sobre si mesmo, não sabia o que esperar da castanha ou de onde “isso” viria.

Era quase agonizante, tanto quanto deitar-se na cama que já lhe parecia estranha e fria. Estava acostumado à rotina confortável e, ao mesmo tempo, nem tão íntima que estabeleceram. Desligava às luzes que ela ainda deixava ligada até sua chegada, deitava-se sem muito alarde – quando não havia sexo envolvivo – e era acordado de madrugada para ouvi-la – e Granger sempre falava muito. Não havia gestos carinhosos, ainda que ela tenha perturbadoramente se declarado apaixonada, mas sentir o cheiro dela no ambiente era parte do seu dia, da mesma forma que o corpo quente próximo ao seu se fazia essencial em sua falta.

Então, revirando-se no ambiente recentemente hostil do que foi seu quarto pela vida toda, fechou os olhos decidido a ignorar a fresta clara na janela, bem como o fato de que não aparecer no escritório o deixaria um caos pelo resto da semana. De qualquer forma, o mundo ainda continuaria girando, mesmo que com mais pragas do que o normal devido à sua ausência. Draco gostava do caos. Além disso, precisava descansar e pensar, pois ordem em sua cabeça era o que alimentava o apreciado caos ao redor.

Contudo, o ruído da maçaneta de bronze girando lentamente soou alto em seus ouvidos e precisou conter-se para não amaldiçoar a alma que impedia seus planos procrastinatórios. Fingindo continuar a dormir, ouviu os passos, estranhando a falta do ruído dos saltos altos de Narcissa, a qual comemorara o fato de dormir em casa novamente. A senhora deixara claro que aproximar-se de Granger daquela maneira não era saudável e Draco não discordava, mas jamais daria razão a ela em voz alta, pois era melhor que Narcissa pensasse que tudo estava sob controle – o mínimo esperado de um Malfoy.

Uma bandeja de prata fora colocada sobre a mesa e um perfume de lavanda muito diferente daquele que Narcissa usava tomara o ambiente. Assim, suspirou enfadado e abriu os olhos para vê-la voltar-se a ele. Locke parecia muito constrangida por estar ali, o que era bastante característico de sua personalidade. Apesar de ter ganhado confiança nas últimas semanas, ainda era uma garota em um mundo adulto e pesado demais. Como ele, Granger e Potter um dia foram nos tempos de Guerra. A garota de cabelos dourados e blusa bege florida assustou-se por encontrá-lo acordado em meio ao breu que era seu quarto.

— O que está fazendo aqui? – Perguntou em tom rouco e mal humorado, o que a fez encolher quase impercepivelmente.

— Zabine me mandou? – A garota ajeitou os óculos, desajeitadamente segurando a alça da pasta de couro que trazia ao redor dos ombros, sem muita convicação na resposta baixa.

— Os trouxas descobriram sobre nós? – Ela negou. – Perdemos um cliente milionário? – A negativa novamente. – Granger fez merda? – O silêncio habitou o quarto por um momento, após Locke morder os lábios e desviar o olhar. – Então, não tem motivo relevante para Zabine ter te deslocado até Wiltshire.

— Eu… Posso me sentar?

— Não.

Mesmo o fato da garota estar prestes a encaminhar-se em direção à mesa redonda próxima à janela, onde a prória havia colocado a bandeja que, obviamente, sua mãe mandara, esperando que ele estivesse pronto e disposto a trabalhar naquela manhã ensolada e inconveniente, como estava se tornando, não o impedira de declinar à pergunta. Ela ainda era uma estagiária e ainda gostaria de dormir, além de dispensar ordens.

— Zabine me mandou à Mansão Black, na verdade. – Ela começou de uma só vez, ganhando sua atenção. – Para que a Srta. Granger assinasse algumas requisições do escritório e do próprio Tribunal, sabe como eles são rigorosos em ter tudo documentado. Enfim, ela me recebeu, mas parecia… Apática. Como se não tivesse dormido, eu não sei, simplesmente cansada de tudo, até mesmo desse processo, que pode mandá-la para Azkaban, caso ela não se empenhe, o que me parece muito… Incomum para alguém como Hermione Granger.

— Hermione Granger, você diz. – Ele ajeitou-se contra a cabeceira na cama, mantendo a carranca mal humorada. – O que acontece é que ela não é um monumento para ser admirado, como foi por muitos anos. É o que a cansa, porque as pessoas esquecem que há um ser humano por trás do nome.

O próprio Draco a tratara apenas como aquela que mantinha um nome, embora soubesse como ter de carregar o fardo de algo que é considerado mais importante do que a si próprio pode ser pesado e difícil. A saúde mental da castanha nunca importara a ninguém, desde que ela suprisse as expectativas que Hermione Granger deveria ultrapassar em bons dias. Ela não fora mais do que aquele nome por muito tempo e estava reaprendendo aos poucos a viver sendo apenas si mesma e não o que os outros sempre esperaram dela, porque mantivera isso por muito tempo e fora conduzida, voluntariamente, até onde estava agora.

— E eu não discordo, mas… — Ela molhou os lábios em um suspiro. – O que eu realmente quero dizer é: ela é diferente. Aquela mulher sempre foi aquilo que almejei ser, foi ela quem me motivou a escolher que profissão seguir porque sempre foi uma inspiração, ainda que não tenha sido tudo vindo dela, ainda que não tenha sido sua intenção, entende? Eu vejo a mulher por trás do nome e vejo como ela está definhando a cada dia que passa e… Me sinto impotente por não poder fazer nada porque ela, claramente, não deixa ninguém se aproximar. Ninguém, além de você.

Locke nunca elaborou tantas palavras em tão pouco tempo, provavelmente era algo que estava na sua mente há mais tempo do que Draco poderia calcular. Estava muito claro que a garota idolatrava Granger, da forma atrapalhada de agir quando perto da castanha até a preocupação velada sobre o caso. Ela pesquisava e lia mais do que qualquer um sobre, tentando encontrar algo que pudesse ajudar aquela que lhe era uma inspiração. Porém, a menina estava errada em apenas um ponto, sem entrar no mérito de como parecia prestes a ter uma síncope se não falasse o que estava ali para falar.

— Só o que pode salvar Hermione Granger é Hermione Granger. – Locke abriu a boca para argumentar, mas ele levantou a mão para impedi-la. – Eu não estou me referindo a Azkaban. Não há nada que possamos fazer para salvá-la de si mesma, se ela não quiser ser salva, se ela não estiver disposta a carregar o peso desse nome de uma forma aceitável, que não esteja a sugando e a tornando essa pessoa, como você mesmo disse, apática e cansada do que o mundo pode oferecer, ainda que lhe seja o melhor.

O silêncio predominou por alguns momentos no quarto. Tudo que se podia ouvir era o som dos pavões albinos de Lucius Malfoy, ainda tratados com tanto zelo por Narcissa, se manifestando metros abaixo dali, quebrando a tensão imposta por Locke e mantida pelo claro semblante decepcionado que a tomara. Draco ainda se surpreendia com a forma como as pessoas pareciam botar fé em certas coisas ou pessoas, por exemplo ele mesmo ou o próprio fato de Granger ainda ter salvação. No momento, ele duvidava disso com bastante convicção.

— Então, isso é tudo? – Ela ainda insistiu. – A sentença do Décimo Tribunal será o fim da linha, de uma forma ou de outra? Não tentará fazer nada para ajudá-la…

— Locke, volte para o escritório. – Ele a cortou em tom finalizatório, pois tudo o que menos precisava era ouvir as exigências de uma garota de 20 anos, supostamente mais perceptível em relação aos problemas de Granger. A estagiária não sabia um terço do que acontecia sobre a castanha e, se soubesse, talvez ficasse ainda mais decepcionada com a imagem de ídolo construída pela mídia em torno do mito da heroína. – Tenho certeza que há muito o que fazer lá. Avise Zabine de que irei trabalhar em casa hoje.

Ela se surpreendeu pela repentina expulsão. Mandá-la fazer algo era apenas uma das formas de fugir das perguntas que ele mesmo alimentara com o passar das horas e que ganhara seu auge com a chegada da precoce e inconveniente estagiária. Locke era eficiente e discreta na maior parte do tempo, vê-la falar sobre Granger daquela forma era uma espécie de alívio à forma como vinha se comportando sobre a mesma nas últimas semanas, mas também trazia à tona seu inferno pessoal, algo com que não queria lidar quando tudo que almejava – ênfase nisso – simplesmente dormir.

— Eu… Acho que esperava mais de alguém como você.

O ruído dos passos duros, finalmente, se fez presente no ambiente. Locke nunca batia de frente com ele à ponto de demonstrar tanta raiva. Aliás, a garota nunca ficava nervosa o suficiente para que seu rosto aparentasse o vermelho que aparentava no momento em que lhe deu às costas, bem como não se deixava abalar por um caso à ponto de marejar os olhos em indignação. Porém, ainda a chamou em tom baixo, impedindo-a quando já se encontrava sob o batente da porta aberta.

— Depositar expectativas em pessoas como nós não é uma boa ideia. – Ela não o encarou. – Granger e eu.

Pois eles eram uma bagunça prestes a estourar no que não dizia respeito ao aspecto profissional da equação. Gostavam da estabilidade e, apesar de lutar para tanto, não parecia justo que não a tivessem. Sempre fora, simplesmente, mais forte do que eles e do que estava em suas mãos. Eram o que terceiros pediam, o que esperavam, o que fabricavam. Draco estivera acostumado a isso certa vez, quando tudo que queria era agradar seus pais, Granger tentara seguir o mesmos passos, nenhum deles encontrou o pote de ouro no fim. Não soava como o caminho errado até que os resultados colhidos não se mostravam positivos.

Não tentara dormir novamente, as palavras de Locke sobre Granger ecoavam em sua mente como um fantasma inoportuno, com que estava acostumado, mas que tentava ignorar à todo custo, apesar do fato de fazer parte de sua vida constante e perturbadoramente. Assim, foi com mal humor que jogou os cobertores para o lado e, finalmente, levantou-se. O choque dos pés contra o chão de pedra de fria foi um alívio supérfluo e rápido em meio a turbulência do que seria aquele dia. Se recusava a ir ao escritório e lidar com os mais variados tipos de problemas quando não tinha condições de lidar nem com os próprios, por isso não demorou a buscar a varinha após a higiene matinal e conjurar qualquer processo que não fosse minimamente semelhante ao de Granger.

Narcissa agora mantinha a Mansão Malfoy arejada, com as altas janelas abertas e livres de cortinas pesadas, as quais antes deixavam o ambiente carregado de tensão juntamente com os grandes candelabros de ferro providenciados por algum antepassado amante de arquitetura gótica. Não era especialmente fã de como a casa se encontrava agora, totalmente diferente do que fora quando mais novo, mas era uma mudança bem vinda após a escuridão significar pacto com trevas durante tanto tempo, ao menos para sua família.

Pela janela do grande salão viu que sua mãe distribuía ordens aos elfos domésticos, que corriam de um lado a outro pelo espaçoso jardim para atender às vontades da mesma, a qual apreciava cuidar de suas flores e plantas como qualquer outra mulher da alta sociedade que não tinha com o que gastar as horas de seu dia. Ela contara que, quando criança, detestava qualquer coisa que estivesse ligada à jardinagem e botânica, desprezava a atividade considerada inferior, mas manter a sanidade em um lar como aquele, mesmo já sendo uma mãe, era uma tarefa complicada, mas necessária.

Percebeu que, se fosse outra questão, a mulher estaria batendo à porta de seu quarto juntamente com Locke, cobrando explicações sobre porque estava enclausurado em seu antigo quarto em pleno dia de semana, pronta a dar um conselho que, talvez, pudesse ser útil. Talvez, pois nem sempre Narcissa se mostrava coerente com a situação na qual estava metido. Porém, ela também sabia conceder espaço e tempo para pensar, algo que Locke precisava desenvolver com o tempo, principalmente sabendo tratar-se de Granger em si e não apenas de seus problemas jurídicos, afinal era declarado que, após todo o acontecido a eles, Draco tomava suas próprias decisões, independente da concordância ou não da mãe.

Assim, em meio a bufo, seguiu pelo corredor repleto de luxuosas tapeçarias conservadas da Idade Média em direção ao escritório do pai. Não era um local que frequentava tão assiduamente, detestava a maioria das coisas que o lembrava Lucius e estar nos lugares que ele habitava antigamente o fazia pensar na semelhança que ligava ambos, além da genética que os tornava tão parecidos quanto irmãos. Evitava pensar que sua personalidade em muito lembrava a de seu pai e que lutava todos os dias contra isso. Porém, às vezes, era até mesmo esclarecedor refletir sobre estar efetivamente fazendo isso da forma certa e não apenas o dizendo a si mesmo.

Sentou-se à grande mesa de carvalho escuro, acomodando-se na cadeira de forma confortável, agradecendo por sentir o tecido macio do conjunto de moletom que usara para dormir, bem como os pés contra o tapete macio. Adorava usar ternos e escolhia os mais caros, mas esse era um dos dias que quase lhe exigiam tal informalidade. Espalhou o primeiro processo sobre a mesa e o leu rapidamente, conjurando os livros de que precisava e arranhando a pena em anotações esporádicas no canto das páginas amareladas. Sua mente sempre funcionara de forma equilibrada no que dizia respeito ao Direito Mágico, como um farol onde se apegava na escuridão de tempestades perigosas.

Precisava distrair-se, encontrar algo que tirasse o foco de Hermione Granger e todo o turbilhão de problemas que trouxera com ela quando adentrara sua vida sem pedir, mas com sua permissão. Não se enganava nessa questão, Draco deixara que ela tomasse espaço, se deixara importar, apreciava isso mais do que gostaria, ainda que a tivesse abandonado na noite anterior, pois a relutância o seguia em uma contrapartida muito cara. Funcionara pela maior parte da manhã e parte da tarde, tendo apenas nomes muito diferentes de Granger flutuando em sua cabeça, porém, a fome fizera sua parte, já que dispensara o café levado por Locke a seu quarto, tão perturbado estava por tanto jogado sobre si.

Dessa forma, o elfo não demorara a trazer o queijo e o vinho pedido e, tão rápido quanto, correr para contar à sua mãe que já não estava mais ocupado. Narcissa bateu à porta do escritório de forma contida, provavemente considerando se ele realmente gostaria de conversar naquele momento, mas tudo que podia fazer, confortavelmente esparramado sobre o sofa próximo à janela era aceitá-la e mergulhar-se em mais tinto enquanto analisava o rosto sereno, da mesma forma que se sentia examinado pelos olhos minuciosos. Quem não a conhecesse, jamais perceberia a forma como ela poderia julgar qualquer um sem uma segunda olhadela.

— O que acha de cordeiro para o jantar? – Ela iniciou em tom ameno, examinando detidamente o arranjo de peôneas brancas sobre uma das mesas.

— Não tenho planos para jantar, sinto muito. – Claramente, ganhou a atenção da mulher que, com um suspiro, voltou-se completamente à sua figura.

— Eu supus que ela fosse lhe fazer bem. – Confessou em tom baixo, pisando em ovos enquanto Draco cortava com bastante paciência o queijo, evitando encará-la. Não era como se discutir sobre Granger com sua própria mãe fosse uma atividade prazerosa. – Sempre os tomei por tão parecidos que… Nada soava melhor do que um completando o outro. Mesmo depois de todas essas acusações, eu os vejo juntos e… A forma como a olha?

— Mãe...

A viu balançar a cabeça, detestando e dispensando a interrupção. Estar em análise sempre lhe fora muito incômodo, embora tivesse muito talento para analisar e perceber o que, geralmente, não se encontrava na superfície. Não era um livro aberto e não gostava que as pessoas soubessem o que, realmente, se passava por sua mente. Fora assim quando criança, quando adolescente e na fase adulta ainda conservava essa característica. Ele tinha suas convicções pessoais, mas detestava expressá-las, bem como ser forçado a tanto.

— Então, chegou aqui ontem, parecendo ter visto um fantasma, perturbado como poucas vezes o vi, dizendo que precisava pensar quando, claramente, ganharam no tribunal usando Potter. Tudo devia estar em seu lugar, Draco. — Sua mãe determinou. – Essa moça pode ser, sim, tudo que sempre precisou em sua vida, mas também pode levá-lo à ruína sem muito esforço.

Draco não discordou, pois um filme com imagens de suas brigas com Granger passava por sua mente, assim como a forma com que ela parecia jogar com a sanidade de ambos. Ela o beijava e Draco sentia cada gesto premeditado sob seus dedos habilidosos, mas também considerava a fragilidade que a tomava nos momentos mais inesperados e o modo como parecia precisar dele justamente nesses momentos, algo que sempre detestara. A castanha era a personificação da indepedência, por isso via a sinceridade do ato não planejado, que sempre implicava na forma como ela acariciava sua nuca distraidamente ou entrelaçava suas pernas sem notar no meio da noite.

Chegara perturbado, pois tudo o que mais detestava era não ter conhecimento do que acontecia ao seu redor ao mesmo tempo que a castanha e seu amigo eleito pareciam ir além das palavras para se entenderem. Gostaria de poder esclarecer como aquela relação se dava, bem como o que se passara com Granger na noite da morte de Weasley, pois ainda tinha em mente que ela não contara tudo, mas não podia simplesmente pressioná-la por respostas que não lhe cabiam. Narcissa tinha toda a razão, mas parecia ser tarde demais para considerar os contras daquela relação. Ele estava nela, ainda que não a conhecesse inteiramente, ainda que houvesse várias facetas de Granger a serem desvendadas. Apenas não era algo que gostaria de mudar, o questionamento o acompanhou durante toda a noite e a conclusão chegara com muita facilidade, apesar de tudo.

— Hermione não me faz mal, mãe.

— Eu realmente espero que não, querido. – Ela não foi dura dessa vez. – Espero que saiba o que está fazendo.

Draco levantou-se, desistindo de fingir estar comendo e encaminhando-se à escrivaninha sob o olhar julgador de Narcissa e sua intenção única de protegê-lo. Juntou todos os documentos espalhados sobre a mesa, sem preocupar-se com um feitiço, determinado a ocupar qualquer espaço de tempo que o estivesse impelindo a ver Granger. Por fim, encarou como a mulher parecia pensativa ao encarar seus gestos e lhe concedeu um sorriso quase misericordioso ao percebê-lo.

— Convide tia Andrômeda para o cordeiro. – Deu de ombros, passando por ela. – Ela precisa se distrair, de qualquer forma.

Narcissa ficou para trás e Draco encaminhou-se à seu quarto, lacrando os processos com um feitiço e colocando todos em um único maço para enviá-los ao escritório. De qualquer forma, teria de se dedicar ao processo de Granger e a própria Granger, apesar de o exame perante o grande espelho do closet lhe mostrar claramente como encontrava-se em cacos, as olheiras da noite anterior denunciando a insônia que o acometera. Por isso, decidido a resolver ao menos algo que estava a seu alcance, no momento, tomou um demorado banho quente e praticamente jogou-se na cama, sem preocupar-se com roupas, além da cueca. A fresta na cortina que permitia a entrada de luz foi fechada e o sono viera fácil com a escuridão, anulando seus pensamentos e intenções por, pelo menos, mais algumas horas.

Porém, ainda alimentava receosos sentimentos do que poderia vir a seguir quando chegara a Mansão Black. Tudo encontrava-se escuro e o feitiço que aquecia o ambiente ainda podia ser sentido, o que o dizia que Granger encontrava-se ali. As cortinas estavam abertas, as luzes da cidade produzindo sombras a partir dos ostentosos móveis que decoravam o ambiente. Não precisara nem mesmo ameaçar encaminhar-se ao andar superior, a sombra de Granger, acomodada de costas para a entrada da sala de visitas, imóvel como uma estátua, se fazendo notar somente pelos característicos cachos e ombros estreitos, bem desenhados.

Estranhou o fato da castanha encontrar-se em completa escuridão, ela não havia dado sinais de recuperação de seus traumas em momento algum, mas obrigou-se a aproximar-se em meio a um suspiro cansado. Granger devia ter certo objetivo ao empreitar tal desafio a si mesma, provavelmente testando seus limites. Ela ouviu seus passos, virando o rosto parcialmente, aguardando em silêncio. Ambos queriam continuar a mantê-lo até afogarem-se nas próprias palavras sufocadas, sabia, certo como líquido. Mas também tinham consciência de que significaria o início do fim e, talvez, fosse o mais correto, em meio a toda a turbulência pela qual passavam.

— Eu estive na inconstância por muito tempo. – A voz dela quebrou o silêncio em um quase sussurro quando Draco apoiou-se no encosto so sofá e abaixou-se para manter seus rostos quase da mesma altura. – Ainda tento ultrapassá-la. E posso estar sacrificando o que quer que somos, mas… Eu preciso de alguma constância. Preciso de você ao meu lado, mas não à qualquer custo, entende? Não quando sinto que estou pagando com minha sanidade.

Draco ponderou toda a nebulosidade que os envolvia, além do que os unia. A defendia, profissionalmente, mas era mais do que isso. Desconfiava de sua inocência, apesar de isso não estar nada ligado ao fato de defendê-la. Queria conhecê-la e confiar nela, mas percebia ser mais difícil do que pensava, pois não sabia o que era um jogo e que era verdade. Granger sofrera um aborto, de um filho dele, o que era mais do que tivera com qualquer outra mulher, um laço que nunca poderia ser cortado, pois, embora não tenha durado e ele sequer soubesse da existência, tivera de lidar com as consequências de um psicológico completamente danificado por tanto, como o dela se encontrava. Profundamente.

— Eu estive aqui, em todos os momentos. Isso é constância. – Suas vozes estavam no mesmo tom. – Apenas não posso manter nós dois sãos o tempo todo. Quando sinto que os questionamentos começam a ter mais espaço em minha mente, quando eu não consigo encará-la sem pensar que está jogando comigo… Então, é quando preciso me afastar. Essa é a maior constância que posso conceder, porque… É assim que consigo voltar após controlar minha própria sanidade.

Próximo como estava, sentia o perfume dela mais concentrado do que o normal. Aquele aroma de frutas silvestres misturado a algo que lhe parecia avelã, mas que jamais teria certeza, pois nunca perguntaria. Era fascinado pelo cheiro da pele dela, mas gostava de jogar com si mesmo em relação às possibilidades do que poderia sê-lo. Granger sempre continuaria um mistério, independente do assunto. Isso não era novo, mas era uma conformidade a qual estava acostumando-se com o passar dos dias. Por isso, não resistiu a aproximar o próprio rosto da nuca exposta, aspirando o perfume de olhos fechados, sentindo-a arrepiar-se e encolher-se minimante.

— Nós dois pagamos com a sanidade. – Ela respirou mais profundamente quando sua boca arrastou-se pela lateral do pescoço. Podia imaginar os olhos fechados e os lábios cheios abertos minimamente, apesar do tom reflexivo. – É um jogo justo?

— Não, nunca será. – Draco determinou, pois sentia que sempre saberia menos do que gostaria ou poderia idealizar sobre ela. — Mas parece ser nossas peças de maior valor, não?

Ela deixara claro que sempre seria um jogo, independente da fase de suas vidas onde se encontravam. Não tinha uma opinião os benefícios ou malefícios disso, por isso a voz de Narcissa soou alta como um alarme em sua mente: “ela pode levá-lo à ruína”. Considerando aquela nova fase, no entanto, Draco nunca achou o aviso tão propício, mas ele estava disposto a apostar suas fichas no imprevisível. Um relacionamento com Granger era isso e ele costumava ser aquele que pisava em territórios seguros e conhecidos, mas não dessa vez.

— Você sempre irá voltar? – Ela perguntou ainda de costas.

— Sempre. – Seu tom foi tão temeroso quanto o da castanha, pois nunca foi de fazer promessas. Ou cumpri-las.

Então, ele deu a volta no sofá, ligando com um gesto calmo o abajur de luz esverdeada no processo, pois queria vê-la. O semblante da castanha encontrava-se leve, apesar do que sabia se passar dentro dela – o caos mencionado por Locke. Seus olhos, por sua vez, pareciam avermelhados demais sob a pouca iluminação, marejados, mas brilhavam quando se levantou para encontrar seus lábios novamente. Suas mãos primeiro foram ao pescoço fino e alvo, sentindo sem pressa a textura da pele macia e dos cachos acastanhados, antes de suas línguas se encaixarem de forma lenta, como se estivessem somente se conhecendo, embora já fizessem os movimentos esperados. Parecia fazer tempo demais desde que a beijara pela última vez.

Assim, seus gestos não eram novos, mas a sensação sim. Antes, concentrava-se no corpo feminino e no que ela sentia, mas agora uma avalanche de impressões desconhecidas passavam por sua mente enquanto a beijava. Era uma reação física às unhas dela contra suas costas sobre a blusa de lã, ou como Granger respirava lentamente enquanto suas línguas se encontravam, como se estivesse tudo sob controle quando o próprio Draco sentia estar se afogando pela falta de ar, ainda que seu coração batesse disparado contra o peito e os ouvidos em um eco quase ensurdecedor.

Assim, quando separaram-se, ainda precisou de alguns segundos para tentar recuperar o fôlego perdido, pois ela sempre causara isso nele, mas nunca fizera tanta falta, nunca temera que ela o afastasse em nome de sua sanidade. Draco a mantinha, se esforçava para tanto, descobrira que ela tirava a sua de forma enlouquecedora. Era justo que continuassem na mesma via, mas não no mesmo lugar. Ainda sentia os lábios formigando pelo contato, bem como a respiração quente de Granger contra seu rosto, excitando-o com beijos e mordidas contra a mandíbula.

— Eu também senti sua falta.

Ela o encarou, com sua boca vermelha e inchada, um sorriso quase imperceptível, que aparecia mais quando seus olhos eram examinados de tão perto quanto estavam. Seus braços a rodearam pela cintura, as mãos alcançando toda a pele quente, arrepiada ao toque frio até encontrar a barra do sutiã. Sorriu, dessa vez mais lascivo do que em qualquer outra, pois eram capazes de mudar o clima rapidamente. Granger respirou mais fortemente, em expectativa, colando seus corpos completamente. Apreciava quando ela estava nua e vulnerável sob a camiseta larga, mas era excitante vê-la em lingeries, ainda que suas roupas fossem as mais confortáveis possíveis.

A língua dela massageou a sua forte, mas lentamente. Não havia apressamento ali, de nenhuma das partes. Sentia os cachos contra uma das mãos, conduzindo-a da forma que queria, mas a outra passeava por toda a extensão de sua cintura e quadril, até que a mulher levantou a barra da própria camiseta para tirá-la. Granger sempre se mostrara mais apressada no sexo e não tinha nenhum problema com o fato, principalmente se levasse em consideração a falta de bojo de seu sutiã de renda preta. Por isso, rapidamente a virou de costas para si, encaixando as nádegas firmes em uma semi-ereção que não precisara de muito para estar ali.

Seus lábios encontraram a curva do pescoço, percorrendo um caminho certamente torturante para a castanha, que já engolia em seco os gemidos que vinham à garganta, arfando fortemente ao sentir sua mão encontrar a renda do sutiã e abaixá-lo apenas o suficiente para liberar o seio. Granger apoiou-se contra seu corpo, a cabeça em seu ombro e os olhos fechados enquanto manuseava o mamilo da forma leve que sabia ser apreciada pela castanha. Sentiu as unhas contra o braço que a mantinha junto a si e um gemido baixo retumbar contra seu corpo. A imagem de Granger, com a alça do sutiã já rendida no braço, era mais do que podia suportar, mas ela tinha intenções muito mais comprometedoras ao conduzir sua mão em direção a própria intimidade.

Ele sorriu, satisfeito com o que causava nela, e a tocou sobre o tecido fino do short claro que ainda vestia, movimentando os dedos de forma calma até conseguir um gemido em meio ao chupão, que provavelmente estaria ali no dia seguinte. Granger ofegou sob suas mãos e Draco sentou-se no sofá, trazendo-a para seu colo, as costas contra seu peito e as pernas abertas ao lado das suas, completamente relaxada sobre si. Sua mão infiltrou-se sob o short, percebendo que não havia nada além disso porque era um hábito Granger ficar em casa sem calcinha, algo que o excitava ao extremo.

— Você… Você se lembra quando contei sobre… — Granger engoliu em seco ao senti-lo explorar as dobras molhadas de sua vagina. – Me tocar pensando em você?

Oh, ele lembrava muito bem! Ainda sentia a sensação de seu pau duro ante à confissão da castanha. Saber que a mulher sempre alimentara certa fantasia em relação à ele fizera bem a seu ego mais do que pensara à época e, principalmente, agora. Assim, pausara seus dedos sobre o clitóris feminino, sentindo-a encolher-se em prazer enquanto sua respiração encontrava o ouvido, bem como sua língua e a voz rouca de prazer não satisfeito.

— Você quer tocar-se para mim, Hermione? — O breve sorriso e os olhos mareados de lascívia o deram a resposta. – Quer tocar-se para mim sentindo o meu pau contra a sua bunda?

Granger substitiu sua mão pela dela, remexendo-se levemente em seu colo, de acordo com o movimento dos próprios dedos. Sempre achara muito excitante observar mulheres se masturbando. A delicadeza com que dedilhavam a própria intimidade, a concentração máxima em tudo que estivesse ligado ao próprio prazer, a expressão satisfeita que sempre acompanhava as feições. A castanha respirava fundo sobre ele, ritmicamente, enquanto Draco corria os dedos por suas coxas e quadris, subindo até encontrar a lateral dos seios e explorá-los sem muita pressa. Não se preocupou em tirar a peça, pois a mulher parecia muito confortável na posição em que estava e a sentia pressionando seu pênis cada vez mais, ainda que muitas camadas de tecido os separassem naquele momento.

— Eu não estava brincando. – Ela gemeu brevemente. – Eu sempre observei suas mãos… Imaginando-as como ficariam no meu corpo, exatamente como agora. E então eu pensava em sua boca e sua língua… Beijando tudo que eu apreciava. E sua voz… Ela me dizia todas essas palavras sujas.

Draco sorriu, deliciado pela confissão, sempre imaginara se Granger estava realmente falando a verdade sobre aquilo. Ela estava tomada pela bebida e podia ser um teste. Agora, via que não era, as fantasias dela sobre ele eram tão antigas quanto seus desejos em relação a figura um dia austera a inalcançável que ela representava. Agora, sentia o perfume cada vez mais intenso, sentia o corpo dela contra o seu, confortável e familiar, e a forma como ela se movia sem nehum pudor.

— Você vai gozar? – Sua mão cobriu a dela, ouvindo-a gemer audivelmente. – Vai gozar pra mim, Granger?

Granger apertou o seu braço, no entanto, mantendo-o pausado sobre a intimidade e respirando fundo por alguns momentos. Ela gostava de ter o controle até mesmo no sexo e, sinceramente, não se importava com isso. Não com ela. Pois a imagem da castanha, com seu rosto corado e expressão leve, satisfeito por um recém orgasmo era mais interessante do que poderia mensurar, algo que não gostaria de esquecer, ainda que tudo aquilo tivesse fim em algum momento. Era um contraste bonito com a mulher que a castanha aparentava ser fora dali, com suas regras e manias tradicionais, as roupas comportadas e a expressão julgadora à qualquer transgressão contra aquilo considerado correto.

— É que… — Um arrepio ultrapassou o corpo dela, que engoliu em seco. – Eu não quero que acabe tão rápido.

Assim, ele fez com que ela se sentasse e retirou o sutiã de seu corpo, sem cerimônias. O formato da cintura marcada em contraste com os quadris o deixara louco desde a primeira vez. Por isso, a ajudou a se ajeitar, dessa vez de frente para si, seus corpos muito colados e as respirações misturando-se, bem como os olhos em constante contato. Lhe parecia mais íntimo do que as outras vezes, tanto quanto lento em comparação, mas o diferente não era incômodo enquanto sondava os seios macios e Granger tremia em seu colo.

A boca dela o arrebatou mais uma vez e, de repente, não conseguia pensar no próximo toque, apenas na língua lenta e conhecida trabalhando contra a sua. Granger acariciava sua nuca, ciente de como as unhas femininas mexiam com ele àquela altura, mas mantinha uma das mãos contra suas costas e costelas, arranhando-o sem pressa. Manteve-a próxima a si pela cintura, sentindo o leve movimento contra seu pênis até que encontrou o caminho que o levaria das costas nuas às nadegas, sob o short curto. A castanha soltou seus lábios em estalo, ofegante, ele sorriu satisfeito, pois sabia como aquilo o afetava. Suas mãos, no entanto, apertaram ainda mais a carne macia, pressionando-a contra si até que ela estivesse efetivamente fazendo os movimentos que apreciava.

Hermione Granger rebolando sobre si era quase uma obra de arte. Seus cabelos já encontravam-se completamente soltos, caindo ao redor dos ombros em uma cascata bagunçada que denunciava o que faziam, assim como os lábios inchados que ela usava para deslizar por seu pescoço e os olhos castanhos que o encaravam em malícia sem nenhum esforço. “Estava, realmente, muito fudido”, pensou ao colocá-la deitada no sofá, as pernas rodeando sua cintura e a boca capturando-o novamente enquanto a mesma abaixava suas calças lentamente, no mesmo ritmo do beijo, que parecia sempre despertar novas sensações.

Ela apertava-se contra ele, os quadris erguendo-se para que suas intimidades se encontrassem, como se seus corpos não estivessem juntos o bastante. Então, o gemido baixo se fez presente, juntamente com as mãos em seus cabelos, incentivando-o a continuar usando a língua contra seu seio. Os olhos fechados e a boca levemente aberta denunciavam como tudo que passava pela mente feminina dizia respeito ao efeito do trabalho dos dois em relação ao corpo de cada um. Seus dedos, novamente, voaram para a vagina, percebendo o tecido molhado do short fino e os músculos interiores das coxas tremendo em ansiedade, tanto quanto ele. Queria estar dentro dela e rápido.

— Tira a camisa. – Ela sussurrou, no que sorriu, observando a castanha imitá-lo ao deslizar o short rapidamente pelas coxas.

Granger gemeu de forma abafada quando seus corpos, finalmente, se encontraram. A tensão percorria suas veias, fazendo com que o sour escorresse lentamente por suas costas e pelas pernas dela, apertadas contra suas costelas. O ruído de seus corpos era tudo que preenchia o ambiente enquanto o aroma do perfume dela o impregnava, sua língua provando-a onde fosse possível e as unhas dela contra sua nuca úmida. A mulher mantinha os olhos fechados, o que não o incomodava minimamente, pois a forma como os lábios sussurravam seu nome quase ecoava em seus ouvidos, lhe provocando um efeito diferente, tanto físico quanto psicológico.

As respirações chocaram-se violentamente. Pela intensidade, não a velocidade. Seu corpo quis ir mais rápido, mas ela o segurou, movimentando-se sobre si, no mesmo ritmo de suas línguas, os pés contra o sofá, dando equilíbrio a eles enquanto tudo que podia fazer era observá-la ondulando sobre si. Percebeu como ela ofegou mais fortemente, a expressão contorcendo-se no prazer concentrado que buscava de forma tão empenhada, o gemido e a intimidade apertando-o como um aviso de que deveria ir com ela. E foi. Sem esforço, sem que precisasse estimumá-la, apenas como uma reação necessária e esperada dos corpos de ambos.

Ainda precisou de algum tempo para assimilar o que havia acabado de acontecer. Sentia todos os seus poros arrepiados, mesmo quando deitou-se ao lado dela no sofá, desfrutando de pouco espaço, pois a castanha parecia incapaz de movimentar-se, apenas respirando fundo, de olhos fechados e cachos embaraçados contra seus dedos ao tentar ajeitá-los de forma aceitável, embora considerasse aquela aparência completamente inesquecível. Então, ela o encarou diretamente, os olhos castanhos enfadados e profundos, não apenas pelo sexo, ele tinha certeza.

— Não faça mais isso. – Os dedos dela pentearam os seus cabelos, delicadamente. – Apenas... Não vá para a casa daquela forma.

Era quase embaraçoso como ela o olhava sem quebrar o contato em momento algum, impelindo-o a fazer o mesmo, embora soubesse que tal intimidade não era algo que estivesse acostumado ou que tenha almejado em algum momento de sua vida. Porém, diante de todas as expectativas, lá estava Draco desfrutando de uma intimidade da qual não pensava em fugir assim que ela pegasse no sono, pela primeira vez. Assim, apenas inclinou-se para beijá-la, sem segundas intenções, apenas um toque de lábios que servia como uma promessa, pois burlá-la não estava em seus planos.

— Precisamos ir para a cama.

Pois usar outros lugares da casa para transar era ótimo, mas dormir neles não era uma opção, visto que não tinham mais 20 anos e o sorriso pomposo dela lhe dizia que entendia o que queria dizer. Granger levantou-se lentamente, buscando as roupas de ambos com a mesma paciência até que, por fim, colocou-se de pé e estendeu uma das mãos à ele, um sorriso pequeno estampando o rosto delicado, agora corado e corrompido pela malícia. Ela subiu as escadas à sua frente, pela primeira vez sem se importar com a semi escuridão que os rodeava, a sombra de ambos refletida na parede que seguia os degraus. Decidiu deixar os questionamentos para outro momento que não fosse aquele em que tudo estava em paz.

— Sabe que temos uma audiência amanhã, não é? – A lembrou quando a mulher ajeitou-se sobre seu corpo novamente, já na cama de lençóis macios, explorando seu pescoço com os lábios e seu pau com a mão.

— E, justamente por isso, pretendo deixá-lo muito relaxado.

A boca dela o cobriu e Granger cumpriu sua palavra. Draco dormiu pesada e relaxadamente tudo que havia perdido para a insônia na noite anterior. A presença dela o deixava mais tranquilo. Sentia o corpo fresco e perfumado pelo banho há algumas horas, completamente à vontade contra o seu, e não podia lamentar mais ter de se levantar justamente àquela hora. O sol ainda nem havia se mostrado do lado de fora, devido ao céu nublado, mas a iluminação da manhã já clareava o quarto.

Suspirou enfadado e entrelaçou as pernas às dela, seus lábios se encontrando de forma despreocupada. O corpo dela era todo inebriante, poderou ao deslizar a mão sobre a bunda macia. Já não realizava com muita facilidade que poderia não tê-lo em algum momento. Granger retribuiu de forma sonolenta e logo ajeitou-se novamente contra os travesseiros, recuperando-se das atividades que adentraram a madrugada. Draco, por sua vez, colocou-se de pé e conjurou uma roupa decente, diferente daquela despojada com a qual havia chegado à Mansão Black. Ajustou a gravata perfeitamente ao pescoço, perante o espelho do banheiro e vestiu terno e agasalho enquanto saía, deixando-a dormindo pesadamente.

A característica sensação da aparatação o envolveu rapidamente após adentrar a lareira própria para isso e não demorou a que seus pés batessem contra a grama desbotada e lamacenta do ermo lugar. Amaldiçoou completamente a chuva da noite anterior e percorreu o caminho até a cerca baixa de pedra, ultrapassando o portão sem grandes percalços. A porta de madeira no fim do ladrilho encontrava-se fechada, mas era possível perceber certa iluminação amarelada por uma das janelas do primeiro andar, bem como a fumaça perdendo-se em meio ao nublado do céu pesado de nuvens. Assim, em um suspiro resignado e colocando todo seu orgulho de lado, os nós de seus dedos encontraram a madeira irregular da porta, que não demorou a ser aberta pela figura pequena, ruiva e surpresa.

— Olá, Sra. Weasley.

Notas finais
Olaaaaar, morees!! Vocês ainda estão respirando calmamente após esse capítulo? Então, vocês viram né? Não quer dizer que Draco tenha superado suas dúvidas, apenas me parece que o que ele nutre por ela é maior do que isso. Acho que nesse finalzinho deu pra ver isso com bastante clareza, sem contar que ele está real oficial acostumado à rotina de casal/não casal que dorme junto né? Fofis!! E Narcissa?!! Apesar de ter idealizado Draco com alguém como Hermione, ela ainda não quer ver o baby sofrer né? Mães! Vocês acham que ela tem razão or not? Ela pode levá-lo à ruína? Dissertem. Mentiiira, só me digam mexmo! Maaaas, se quiserem podem dissertar sobre essa NC enooorme que fiz com muito carinho, cuidado e excitação pra ficar A CARA de Draco e Hermione. Consegui? Fazia mais de uma semana que não tinha uma hem!! e.e Eles mereciam né? aaaaand... Draco na Toca! Vocês não esperavam, né? Espero que não! kkkkkkkkk Enfim, os comentários de vocês sempre arrazando a cada capítulo. Muito, muito obrigada mexmo, vocês são uns amores que sempre me incentivam a fazer esses capítulos enormes e NC's cada vez mais quentes. Espero vê-los novamente!! PS. Não esqueçam de ler e comentar a continuação de Black and Blue, Helium, que já foi postada!! Beijão, até a próxima! ♥