Neurótica

45 Final - Parte II


— Sra. Weasley, primeiramente gostaria de agradecê-la por se dispor a comparecer a este tribunal. Eu não sou pai e… Nunca precisei me colocar em uma situação do tipo, mas acredito que entendo o que colocou de lado para estar aqui. – Juntou as mãos às costas quando a senhora assentiu, claramente emocionada ao ter o filho mencionado. Poderia ser mais pessoal para ela do que pensou, afinal não sabia exatamente o tipo de luto que vivera, se ainda o estava vivendo e como. – Eu insisti por trazê-la aqui hoje como uma das pessoas que mais conhecem Hermione Granger e há mais tempo. Vocês tem um contato desde que ela apenas uma criança, certo?

— Se me recordo bem, Hermione e Ron deveriam ter doze anos, talvez treze. – Ela olhou às pessoas que praticamente prendiam a respiração nas galerias. – Passamos algumas férias juntos. Harry também estava sempre presente.

— Como alguém que acompanhou o crescimento de todos eles, seu amadurecimento e… Passou por muito pelos ideais em que todos acreditavam, a senhora acha que a relação de Ronald e Hermione percorreu um caminho natural até eles se casarem? – Ela franziu o cenho. – Digo, era esperado que eles seguissem por esse caminho porque todos imaginavam que Granger e Weasley ficariam juntos no final como sua filha e Potter ficaram?

— Eles se conheciam desde crianças e… Acho que passaram por mais do que eu mesma passei, com… Tudo que aconteceu a cada ano, com toda a ameaça de Voldemort a Harry… Eles nunca soltaram as mãos uns dos outros. — Ela suspirou, abaixando os olhos de forma magoada. – Isso os levou ao casamento eventualmente.

— A senhora acha que se amavam o suficiente?

— Certamente eles acreditavam que sim. – Dessa vez, não a interrompeu, apenas aguardou. – Mas não havia… Um casamento não se baseia em saber que o outro daria a vida por você, se fosse necessário, como de fato fizeram por muito tempo. Casamento é um eterno sacrifício de ‘ser’. Ronald e Hermione ‘eram’ por si mesmos e nunca deixaram de ‘ser’ para se tornar um pelo outro. Eles estavam lá, como um amigo que aplaude suas conquistas, verdadeiramente feliz por seu sucesso. Estavam lá como… Uma companhia quando todos os outros afazeres mais importantes estavam concluídos. Eram amigos que se casaram, não por conveniência, pois estavam apaixonados, era possível ver em seus olhos o deslumbramento, a confiança de que… Estavam fazendo a coisa certa, mas… Não eram mais do que isso. Esse era o tipo de amor deles.

Por um momento, Draco imaginou como seria ter essa percepção do que era Ronald e Hermione desde o início, como seria ter visto ambos cresceram como um casal, sem qualquer conhecimento do eles se tornariam no futuro, sendo o amor que a própria mãe dele descrevia. Como alguém que a encontrou na tragédia, quando o castelo de cartas muito frágil que construíram em torno dessa amizade oficializada em certidão, não podia dizer muito a respeito do que eles poderiam pensar quando resolveram que a amizade que tinham era o suficiente para manter um casamento. Porém, sabia que o desagradaria refletir sobre o deslumbramento e paixão do casal, quando ainda havia tudo isso, da mesma forma que o desgostava ter consciência de tudo pelo que a mulher passara com o ruivo e Potter.

— Esse tipo de amor que fala, baseado mais em uma amizade do que no que sentiam romanticamente um pelo outro, os levou à crise que Granger relata? – Esforçou-se para manter-se conciso.

— Levaria a qualquer um, Sr. Malfoy. – Ela meneou a cabeça, os cabelos ruivos desbotados pelo tempo e talvez a falta de cuidado acompanhamento o movimento ressentido. – Mas em especial a meu filho e Hermione. Eles eram amigos, mas… Podia-se dizer que não eram muito tolerantes um com o outro. E tolerância, talvez, seja o que leva um casamento adiante.

— Apenas a falta de tolerância levaria o Ronald e a Hermione que conheceu, que viu crescer e amadurecer, ao ponto em que chegaram? – Ele não precisaria reformular, dizer todas as doloridas palavras a ela, viu nos olhos dela antes de abaixar a cabeça e os olhos para o colo, negando veemente com a cabeça. Permitiu-se respirar aliviado pela inquirição estar chegando onde queria, do modo como queria. – Por isso aceitou estar aqui hoje?

— Meu filho tinha defeitos, muitos. Defeitos que, inclusive, o levaram a fazer o que fez com Hermione. – Draco franziu o cenho ligeiramente, sem saber se a senhora se referia à traição ou a provocação do aborto, de todas as piores coisas, mas resolveu não interrompê-la, considerando que tal opinião teria algum efeito benéfico sobre o júri. – Eles erraram um com o outro, como as pessoas que escolheram ser um para o outro quando se encontraram estafados do casamento, erraram com a maneira de lidar, com o que escolheram demonstrar, não somente para si mesmos. Quem é casado há tanto tempo quanto eu, apenas sabe se algo está errado ou não. Eu sabia que havia algo os incomodando, algo os… Empurrando para longe do que foram, principalmente como amigos. Mas isso foi tudo… Eles foram empurrados para longe de si mesmos, do que poderiam ser como casal. É o que eu vejo sobre Ronald e Hermione.

— Não acha que tenha resultado… Nisso? – Perguntou condescendentemente. – Granger está sendo julgada como uma assassina…

— Isso não é resultado apenas de um casamento mal fadado, mas… — Ela suspirou, contendo algumas palavras. – Das escolhas feitas por Hermione durante a vida. Quando escolhemos percorrer determinado caminho, as consequências do mesmo podem vir como sequelas. Essa é a de Hermione. Pode não ser a forma mais correta, pode… aprofundar ainda mais a mágoa que sei habitar nela, mas… Não é possível voltar no tempo, reformular alguns passos, corrigir o que deveria ter sido de outra forma.

— Com isso você se refere a…?

— Ron e Hermione. – Draco levantou uma sobrancelha clara, bastante surpreso pela insinuação de que eles deveriam ter percorrido caminhos diferentes, embora agora fosse tarde demais, mas não se ouviu um murmurar nas galerias. A plateia não quereria perder um ponto fora de ordem que a mãe de Ronald Weasley falasse.

— Mas ainda assim não a julga culpada?

— Protesto, Meritíssima. – A voz do Promotor cortou o silêncio quase absoluto no Décimo Tribunal. Voltou-se para encarar o homem, apesar de seus olhos estacarem sobre Granger. Ela respirava profundamente, de forma compassada, mas suas feições encontravam-se tão concentradas na ex-sogra, de forma tão pesada e tão dolorida, que por um momento não soube lê-la. Não deveria ser exatamente fácil ter sua vida quase que inteira sob o escrutínio de uma mulher conhecida pela sinceridade, não deveria ser fácil ter seus erros apontados publicamente pela Sra. Weasley, ainda que a intenção ali fosse causar uma boa impressão ao júri. – A testemunha de Malfoy está categorizada como de caráter, mas isso não engloba emitir opiniões pessoais a respeito da culpabilidade da ré.

— Achei que isso envolvia diretamente o caráter de minha cliente, Meritíssima. – Retrucou ao voltar-se para a juíza de olhos baixos, a qual sustentava lábios estreitos e olhos sérios sobre todos, compreendendo a importância do momento.

— Protesto mantido, o tribunal tem o entendimento de que a opinião da testemunha sobre a culpabilidade é pessoal e não deve contaminar o julgamento do Júri Popular. – Ela encostou-se à cadeira. – Dê prosseguimento, caso queira, Sr. Malfoy.

Colocou os olhos sobre Granger novamente, sobre o júri completamente absorto, ouvindo atentamente cada palavra da mulher mais interessada em que o real culpado fosse realmente responsabilizado e, por fim, sobre a própria Sra. Weasley, que encontrava-se de olhos baixos, concentrada em qualquer que fosse o desenho que o reluzente mármore estampava no chão. Edgecombe acabara de interrompê-lo e poderia seguir por tal linha, irritando-o com perguntas provocativas à senhora, poderia inquirir mais, creditar o que ela dizia de forma tão convicta que seu depoimento não sairia da cabeça dos jurados até que tivessem votos suficientes para que sua cliente fosse absolvida, mas um inesperado e imediato espírito minimamente honrado fez com que a dispensasse.

— Sra. Weasley, tenho certeza de que se Granger pudesse falar nesse instante, diria que sente muito por seu filho, apesar de tudo. – Encarou o juíza. – Eu não tenho mais perguntas.

— Sei que diria, Sr. Malfoy.

Enquanto a via deixar a sala de audiência lotada que era o Décimo Tribunal naquele dia, teve a certeza de que agira corretamente. Ele jurara que não a colocaria entre perguntas indesejáveis, até mesmo vetara algumas sugestões de Blásio no sentido de detonar a personalidade de seu filho, mas isso era tudo que faria por qualquer Weasley em sua limitada vida de contatos com eles, pois Ronald poderia merecer que a própria mãe tivesse de falar sobre seus defeitos estando juramentada, mas não a Sra. Weasley e sua devoção cega à família. Granger ainda era parte dessa devoção, percebeu muito cedo e não teve escrúpulos em se aproveitar, mas encontrara um limite aceitável para suas próprias restrições.

— Daremos seguimento ao julgamento, agora com as alegações finais de cada parte, visto que o Promotor Oficial não manifestou interesse em inquirir a testemunha da defesa. – Ela entregou algumas folhas a seu assistente, acomodado logo ao seu lado. – Começaremos com o Sr. Edgecombe, com a acusação.

Após o testemunho da mãe de Ronald, Draco sentou-se de forma quase tranquila logo ao lado de sua cliente enquanto o Promotor se aproximava dos jurados para iniciar suas alegações. Ainda tinha em si aquele sentimento de que as coisas poderiam mudar muito rapidamente e fugirem de seu controle de forma inesperada, mas quando estava ali, agindo, ganhando a atenção do Júri e das galerias, consciente de que cada palavra sua produzia determinado efeito naquelas pessoas, levando o depoimento da Sra. Weasley à direção que queria, atento aos olhares quase decididos de cada jurado, andando com aparente confiança, produzia em si mesmo a sensação de que nada poderia dar errado no fim do dia.

Sabia que poderia estar entrando numa armadilha produzida por sua própria mente, condicionada à autoconfiança que driblava em automático o pessimismo natural que o habitava, era um sentimento que não seria capaz de negar a si mesmo. Caso contrário, não desempenharia do modo que deveria, não a defenderia tão convictamente, apesar de não estar convicto de todo, como acontecia com todos os outros clientes, não faria seu trabalho direito – porque deveria lembrar a si mesmo que era seu trabalho, seu ringue, onde dava o melhor de si, ainda que seu melhor nunca estivesse englobado por muito escrúpulos morais e éticos, tanto pessoais quanto profissionais.

— Gostaria de lembrá-los, Senhores do Júri, que não estão aqui sozinhos. – Iniciou Edgecombe após os habituais cumprimentos e agradecimentos à Juíza, a plateia e, excepcionalmente, à imprensa ali presente. – Não, vocês estão aqui como representantes de todos os bruxos e bruxas de nossa comunidade. São os porta-vozes do mundo externo, aqueles que estão aqui para externar a vontade do mundo fora das paredes do Décimo Tribunal e do Ministério da Magia, porque… Nós sabemos, vocês também sabem, a sociedade não é feita aqui dentro. Somos um reflexo do mundo lá fora, muito distante, muito pomposo e, às vezes, doloroso demais. Cada um de nós tem suas devidas funções e vocês desempenharam muito bem as suas até agora: estando aqui, ouvindo minhas alegações e as de meu colega, Sr. Malfoy, observando com atenção à ré que estão para julgar culpada ou inocente, à procura de sinais que poderiam indicá-la uma assassina. Mas, eu devo lembrá-los, Senhores do Júri, que um assassino nem sempre tem a face que anseiam. Muitas vezes, o inimigo está na porta ao lado, dormindo em nossas camas, dividindo nossa comida e uma vida inteira. – Ele postou-se perante o corpo de jurados, um tanto voltado às galerias, provavelmente afim de angariar apoio dali também. – É o que acontece aqui e devo alertá-los: Hermione Granger não tem a aparência vil da assassina que esperaram encontrar durante todos esses dias em que foram bombardeados com informações sobre seu comportamento questionável e incondizente, embora por tudo demonstrado aqui tenha praticado um homicídio. Marital, hediondo, frio. Ela não tem uma cara suspeita, não se porta como culpada, não chora em arrependimento, não mostra medo de ser condenada… Porque é cruel. Cruel e linda. Eu não quereria estar no lugar de vocês no dia de hoje, ninguém da comunidade bruxa desejaria estar aqui julgando uma mulher como Hermione Granger, que não aparenta nada além de feições orgulhosas e uma reputação ilibada. Ela era uma heroína, não? Bonita, inteligente e letal com seus inimigos de Guerra… Todos nós desfrutamos de sua letalidade, porque antes estava direcionada ao lado certo. Antes Hermione Granger nos defendia do mal imposto por nós mesmos, de ideologias esmagadoras, preconceituosas, de injustiças contra os nossos. Hermione Granger era, sim, a nossa heroína. Enchíamos as nossas bocas de orgulho para falar de seus feitos, para exaltá-la e apontar como ela era boa, tanto durante a Grande Guerra quanto em sua profissão, aqui mesmo, desempenhando o papel de acusadora dos mal feitores, como estou fazendo agora. – O Promotor, então, meneou a cabeça em negativo, aparentando condescendência e desapontamento, o primeiro pela posição em o Júri se encontrava, o segundo para ilustrar como também estava desapontando por todas as supostas provas que tornavam Hermione uma assassina. – No entanto, esse tempo ficou para trás, Senhores do Júri, é hora de encarar esse fato, admitir que ela decepcionou a todos nós, porque Hermione Granger tomou para si nossa confiança cega, até mesmo essa devoção de que tínhamos ao redor de sua imagem heroica, e tentou nos usar para blindar a si mesma da responsabilidade pelo ato maléfico que cometeu. Devem esquecer a imagem de líder implacável, de defensora dos injustiçados que essa mulher construiu com tanto afinco nos últimos anos… — Ele levantou ambas as mãos, os dedos apontando para o alto em convicção, certo de que seu discurso provocava dúvida nos rostos julgadores daquela tarde amena de início de ano. Viu Hermione remexer-se desconfortavelmente na cadeira ao seu lado, o rosto, pela primeira vez, apresentando certo temor. Os lábios encontravam-se contraídos e havia uma pequena ruga de preocupação próxima à sobrancelha direita, contraindo toda a face. Não poderia esperar menos, o discurso inflamado de Edgecombe ganhava cada vez mais a atenção dos espectadores daquele espetáculo. – E a olhem, agora, como aquela que os usou como um muro para driblar a responsabilidade de ter matado o próprio marido, um herói de Guerra tão bravo quanto ela, de forma tão vil. Maldições Imperdoáveis como a Imperius não são para heróis, meus senhores. Maldições Imperdoáveis são para os que não respeitam a vida, a individualidade do outro, são para aqueles que, como Granger, têm a intenção de se safar do que fizeram. E ela premeditou tudo de forma esplêndida para que nenhuma culpa recaísse sobre suas costas, afinal… Quem poderia atribuir um assassinato a uma heroína? Nenhum de nós! – O Promotor sorriu desgostoso e bufou em indignação ao mesmo tempo em que Blásio levava o olhar a Draco de forma preocupada. – No entanto, tudo nos leva a ela. Uma mulher misteriosa vai à residência dos Weasley no mesmo momento em que Granger se ausenta do trabalho para ir a um pub desconhecido e remoto. Hermione Granger mente, como provado pelo depoimento de Zach Fitzgerald, quando afirma que chegou à sua casa apenas após a morte de Ronald. Ela estava lá, meus senhores, e suas digitais pelo banheiro ensanguentado e na própria varinha utilizada para lançar a Maldição Imperius que o levou a cortar os pulsos provam isso! Não foi um suicídio, a perícia comprovou, como ela queria que todos pensassem. Vocês viram as irregularidades nas marcas da faca… Viram que Ronald Weasley cortou os pulsos contra a própria vontade, porque a Maldição o levou a isso e, provavelmente, ele tentou lutar contra seu efeito enquanto também lutava por sua própria vida. No entanto, era tarde demais para reagir: ela tinha motivos e planejou tudo perfeitamente. A briga relatada pelo vendedor de doces? O divórcio corroborado pela própria advogada, que fez os documentos e afirma que o Sr. Weasley iria pedir naquela noite? Apenas embasa o fato de que Granger estava no ápice de sua fúria contra o marido, o que justifica toda a crueldade utilizada no modo como ela decidiu matá-lo. Hermione poderia ter se decidido pelo Avada Kedrava, já que estava disposta a ultrapassar a barreira dos escrúpulos usando uma Maldição Imperdoável. Avada, como bem sabem, seria rápido, certeiro, indolor. Porém, vocês viram, ela queria que ele sofresse, queria que Ronald sentisse que estava sendo assassinado por tudo que fez a ela, lentamente. A própria Sra. Weasley afirmou que o filho tinha defeitos, mas quem de nós não têm? Ele a machucou, é claro que Granger estaria magoada pela perda de sua criança, é claro que Granger estaria furiosa pelo aborto… Sua fúria vem sendo curtida desde então. Em fogo ameno, premeditado pela docilidade da heroína que aprendemos a amar e colocamos em um pedestal. Tanto poder assim não deveria ser dado de bom grado a uma mulher tão letal, como vocês bem podem ver. E isso, meus senhores, não é apenas decepcionante, mas ultrajante, porque apenas prova que ela não pensou duas vezes ao desprezar toda a confiança e boa reputação, construída pela fé e esperança de vocês em alguém que acreditaram ser bom, ao planejar o homicídio do próprio marido com requintes de crueldade. É tudo que tenho para vocês nessa tarde: meu desencanto com a figura que Hermione Granger representava a todos nós, no passado. Espero que se lembrem e coloquem na balança de suas consciências, depois de tudo demonstrado e provado aqui. Obrigado por seu tempo.

Draco sentiu a respiração quase travada esvaziar seu corpo quando Edgecombe voltou ao seu lugar. As alegações finais dele encontraram um tom extremamente certeiro contra Hermione. Ele adivinhara, e talvez não com muito custo, que o orgulho ferido da sociedade pelas relevações sobre a castanha pudesse pesar na decisão dos jurados. A inflamação do discurso, para o loiro, havia subido tons demais, mas acreditava que o Promotor colocara a semente da dúvida que abalara um certo de nível de certeza atingido com o depoimento da Sra. Weasley.

Agora, o que estava recente na mente do Júri era, justamente, a decepção que atingiu a todos sobre a humanidade da inabalável heroína de Guerra, o que poderia afirmar com muita propriedade, pois o sentimento o atingira muitas vezes nas últimas semanas. Em seu caso, no entanto, outros fatores o levavam de volta à lealdade que ela demandava sem muita dificuldade devido ao fato de ganhá-lo sem qualquer empecilho quando quisesse, exatamente como naquela manhã. E, além disso, a conhecia além da decepção alardeada por seu oponente. Hermione Granger era muito mais do que isso, embora pudesse demonstrar ao júri somente um ínfimo do que eram todas suas densas camadas de complexidade humana – da suposta falta de arrependimentos sobre Ronald à imperfeita sensibilidade escondida sobre a vontade de parecer perfeita aos olhos de todos.

Assim, consciente de que seu trabalho era lembrar ao corpo de jurados que sua cliente era uma deles e confiante do erro cometido por Edgecombe, o único em sua série de acertos naquela tarde, percebido tanto pela Sra. Smith, sentada logo atrás deles na bancada, quanto por Blásio, o qual rapidamente lhe rascunhou um bilhete completamente garranchado contendo uma única palavra; e Parvati Patil, acomodada nas galerias, mas perto o suficiente para que encarasse o olhar triunfante da, ainda, Promotora de ascendência indiana ao captar o deslize do colega, Draco levantou-se sem consultar suas anotações.

Subitamente, toda a insegurança que o tomara desde o instante em que abriu os olhos na manhã do julgamento o abandonou. Para todos os presentes, ele continuava a ser o imbatível Draco Malfoy, desdenhoso, insensível e repleto de comportamentos questionáveis, alguns deles inaceitáveis até mesmo para a mulher que o contratara para defendê-la. Ali, não havia a série de incertezas sobre seu envolvimento com Hermione, nem o fato de saber, racionalmente, estar apaixonado por ela. No Décimo Tribunal, havia ele e os jurados… E era tudo de que precisava.

— Não há dúvidas de que o Promotor pintou um monstro sobre a imagem de sua antiga colega. – Iniciou em tom de diálogo, após os cumprimentos aos jurados, às galerias e à juíza, nada de louvores à imprensa. – Mas monstros não existem, senhoras e senhores. Eu consigo enxergar o apelo pelo qual o Sr. Edgecombe decidiu enveredá-los hoje e, como ele mesmo disse, cada qual tem uma função e ele nada pode fazer além de cumprir seu dever. No entanto, devo recordá-los de que os interesses sobre a imputação de um crime dessa magnitude sobre alguém como Hermione Granger podem ser bastante escusos. Não é corrupção, afinal como poderiam acusá-la disso tendo ela lutado contra as mazelas do sistema desde que nos lembramos? Não é improbidade, pois a Promotora Hermione Granger sempre se mostrou eficiente quanto às contas do Ministério, solícita às exigências oficiais e cumpridora das regras mais banais, aquelas que poderiam ser desprezadas, inclusive, por nós mesmos. Vocês sabiam que Hermione Granger, a vilã pintada por Edgecombe, tinha um cartão ministerial devido à posição que ocupava, e que podia usá-lo para despesas pessoais como transporte e alimentação? Talvez uns poucos, mas nem todos sabiam e, certamente, ninguém tinha o conhecimento de que ela nunca o utilizou, em todos os anos como uma exemplar funcionária do Ministério da Magia. É legal, ela poderia fazer desse cartão o que bem entendesse, poderia gastá-lo nos restaurantes mais caros do mundo bruxo e quem pagaria seria vocês, mas Granger escolheu não fazer. E é exatamente devido à escolhas desse tipo, que demonstram sua parcimônia, responsabilidade e honestidade… Escolhas que ela fizera durante toda sua vida, como a Sra. Weasley ressaltou com expertise, que Hermione Granger está sentada naquele banco injustamente acusada de homicídio marital. – Draco franziu o cenho, como que indignado. – Hermione não poderia ser acusada e processada por algo menos chocante, pois a imagem do ídolo, o autêntico ídolo ao redor do qual as massas se movimentam, deve ser totalmente desconstruída para que ele caia. Essa é a maestria do sistema em que vivemos e contra o qual minha cliente sempre lutou. Isso é ultrajante, senhores jurados. O fato de Hermione Granger, a heroína de Guerra, demonstrar ter defeitos, mostrar sofrer com problemas cotidianos? O fato de vocês saberem sobre um aborto daquela que deveria ser e ter tudo que bruxos menos geniais não são e não têm? Isso não é decepcionante. Não deveria ser, ao menos, porque é o que a torna a heroína que uma sociedade inteira idolatrou por tempo suficiente para achar que conhecia. Essa é a beleza da coisa, a sutileza para a qual você deve estar atento, caso contrário pode ser esquecida em momentos conturbados como este. Granger não seria Granger sem as pequenezas relatadas no decorrer dessas audiências. Os problemas familiares, tanto com o marido quanto com a cunhada, a depressão, a fúria pelo aborto, o orgulho que ela mantém aqui e manteve por todas essas semanas ao ser atacada por tudo e todos por ser exatamente o que é, sem louros de Guerra, sem aclamações pelos feitos durante sua invejável carreira… Ou seja, mais parecida com todos do que esperavam. Porquê isso deveria ser inaceitável? Porque o pedestal em que a colocaram deveria imunizá-la desses obstáculos fúteis para a grandeza? Porquê Hermione deveria ser superior a isso? Porque um herói só deve demonstrar a face ostentosa de glórias e altruísmo, sem sentimentos e tempo para individualidades? – Draco meneou a cabeça lentamente, juntando as mãos às costas e suspirando. – Não, senhores. Para o espanto de todos, a heroína surgiu entre iguais e todas essas questões, resultados de suas escolhas, apenas a tornaram a Hermione Granger que conhecemos, apenas desenvolveram a resiliência, a habilidade de passar por problemas, cotidianos ou não, e superá-los. O ponto aqui, no entanto, é que Hermione Granger não é comum, como bem sabem. Não é anônima, não pode lidar com as adversidades como todas as outras pessoas. Se fosse, senhores e senhoras do Júri, nós nem estaríamos aqui hoje tendo de dizer o óbvio. Se o marido dela não fosse Ronald Weasley, se a cunhada influente não estivesse se sentindo tão magoada e traída não estaríamos aqui hoje, pois não se trata do suposto assassinato de um herói e não é sobre justiça. Não. Todos nós esperamos por justiça, minha cliente se dispôs a buscar por ela como profissão, mas ninguém se beneficia da justiça conveniente, aquela que escolhe seus alvos e não se satisfaz até que sejam atingidos sem pena. – Ele percebeu que alguns jurados quase prendiam a respiração, como se esperassem qual seria o próximo passo de suas alegações, o que não era ruim por nenhum ponto de vista. Eles estavam interessados na versão da ré, em sua versão. – O que estamos fazendo aqui hoje não é uma busca pela justiça que a sociedade anseia, como o Promotor Edgecombe afirma. Não, isso é a discussão pública de problemas familiares, alegremente dirigidos pela imprensa bruxa, com jornais e mais jornais explorando e lucrando sobre a imagem de Granger, Potter e a família Weasley. Esse é o retrato de um sistema falido contra o qual minha cliente lutou, afinal sequer haveria investigação do QG se ela fosse anônima ou se esse departamento não estivesse sobrevivendo por aparelhos e necessitando de publicidade e dinheiro para seus membros. – Draco levantou as mãos, dando de ombros. – E não estou dizendo que houve corrupção, sequer faço questão de adentrar o problema, pois quem sempre apontou irregularidades não fui eu. Se procurarem na memória certamente irão lembrar de episódios em que esse papel foi desempenhado de forma competente por Hermione Granger, como não poderia deixar de ser. Meu foco aqui é o esforço dos Aurores em empurrar uma investigação que não teria fôlego para continuar se não houvesse sido pressionado pela imprensa e não estivesse em condições de falência, afinal… Que provas objetivas, realmente incrimadoras, eles encontraram contra ela? Há uma mulher, tudo bem, mas eles nem foram capazes de descobrir sua identidade! Há um jovem bêbado e drogado afirmando que Granger mentiu sobre o horário em que chegou em casa. Um contrato de divórcio do qual ninguém tem conhecimento, além da advogada de Lilá Brown, uma mulher vingativa e ressentida por Hermione ter tudo o que ela nunca teve. E também uma secretária que não possui nenhum documento provando a saída de Hermione do trabalho naquela tarde, apenas o seu testemunho de bom grado. Tenham a certeza de que ela será promovida assim que Granger estiver atrás das grades de Azkaban. – Draco bufou, como que em indignação e desprezo. – Uma briga de casal no dia anterior à morte de Weasley e um casamento inteiro escrutinado em busca de comportamentos incriminadores por parte de Granger não são provas, é desespero, senhores. Parvati Patil, a Promotora inicialmente designada, que está entre nós hoje nas galerias, sabia disso e não foi adiante. – Relatou como se tudo fosse muito simples, exatamente como deveria parecer em um Tribunal de Júri. – Granger e Weasley podiam não se amar no final, podiam estar ressentidos, magoados, furiosos um com o outro… Essa ruína era apenas deles. Granger lidando com a depressão, com o aborto ocorrido a tanto tempo e trazido à tona novamente como se fosse nada, desmoralizada pela traição do marido e por sua amante grávida… Era a queda dela e de mais ninguém, ainda que seja a heroína de uma geração. Obrigá-la a passar por isso publicamente foi covarde e insensível, pois não há nada que a coloque na cena do crime aquele dia. O próprio Harry Potter se dispôs a confessar e lidar com os efeitos de uma traição para que sua amiga não fosse injustamente acusada e julgada. Se houve um crime, aliás, deveria ter sido encarado com a seriedade e honestidade que Ronald Weasley, como um herói de Guerra, merecia por parte do Ministério e da imprensa. O que viram, porém, foi uma oportunidade de dar continuidade ao sistema, levando o ídolo ao declínio com provas insuficientes e o poder exacerbado de gente parcial sobre o caso, bem como a inconformidade de alguns com a genialidade e o poder da mulher responsável por estarmos vivos hoje. – Draco preparou-se para finalizar, o tom de voz calmo, sem exaltações desnecessárias para o momento, encarando os jurados com firmeza e insistência, embora tivesse de controlar a insolência natural para não faze-los recuar. – A justiça ainda pode ter lugar neste tribunal, senhoras e senhores. Existem aqueles que manipularam para que parecessem estar em busca dela e aqueles que verdadeiramente podem exercê-la. Diante de tudo dito e demonstrado aqui hoje, me recuso a acreditar que optarão pela justiça conveniente, fácil e vingativa, que alguns desejam. Obrigado pela atenção.

Quando terminou, Draco sentia que seu pulmão queimava em falta de ar. Só então percebeu como se encontrava com a respiração pesada, lidando inconscientemente com essa questão física ao passo que sua concentração estava completamente voltada às palavras corretas que deveria usar e aos sentimentos que estas tinham de causar aos jurados, os quais pareciam verdadeiramente divididos agora. A necessidade de culpar Hermione por sua humanidade, talvez, os estivesse corroendo por dentro, embora a moralidade os conduzisse à realidade de que estavam julgando sua heroína por algo impensável quando relacionado à figura dela.

Meneando a cabeça aos jurados, voltou a sentar-se, percebendo com um olhar detido que a castanha não aparentava mais a tensão em seus músculos faciais, certamente mais confiante do que estivera ao final do discurso da acusação. Draco não imaginou que Edgecombe poderia atingi-la tão facilmente, mas era compreensível que ficasse nervosa. Tratava-se seu destino e ambos, Defesa e Promotoria, falavam dela como se não estivesse ali e, por um momento, ninguém a encarava realmente, pois as palavras pareciam ter mais vida do que a imagem da mulher, vestida na sobriedade do negro e com cabelos presos em um coque discreto. Claramente, era mais interessante divagar sobre o que os dois advogados propunham sobre ela, do que realmente enxergá-la.

Ele poderia apelar para a realidade dela em seu discurso, tentaria alertá-los de que era como qualquer um, em alegrias e adversidades, apesar da falta de anonimato, mas ainda continuariam vendo-a pelo ponto de vista de outro alguém intermediário, de forma não muito diferente do que os jornais haviam feito em todos os anos anteriores, com ou sem seu aval. Bem, ponderou vendo o bem desenhado perfil respirando fundo enquanto olhava insistentemente para a juíza Griswold, que discutia algo com seu assistente, ao menos sua forma de vê-la e descrevê-la poderia livrá-la de Azkaban, não o contrário.

— Bom, acredito que, se nenhuma das partes quiser acrescentar algo, o Júri está autorizado a entrar em quarentena para determinar a sentença da ré, Hermione Granger, de acordo com as provas e alegações aqui defendidas por cada parte. – A senhora juíza levantou os olhos para os jurados e para as galerias. – A quarentena se trata do tempo que os jurados dispõe para discutirem entre si o caso exposto. Após o período de três horas, que é o tempo restante até o fim dos serviços de hoje e o mínimo de tempo razoável estipulado pela lei, cada jurado será separadamente levado à sala secreta, onde depositará sua decisão sobre a culpabilidade ou não da ré em urna enfeitiçada. Por questões de segurança, a urna só pode ser aberta perante às partes assim que constar os votos de todos os jurados do caso, e seu Chefe pronunciará à decisão diante do tribunal.

— Tenho algo a acrescentar, meritíssima. – Informou Draco, levantando-se, mas não se movendo do lugar, atrás da bancada. – Neste momento, minha estagiária, Arabella Locke, acaba de entrar com uma ação em nome de Hermione Granger contra o Ministério da Magia Britânico na Corte Internacional de Justiça Bruxa em Haia, afim de reconhecer as anomalias presentes no inquérito que levou a este processo. Caso provado, como alegamos, a falta de imparcialidade do QG dos Aurores e da própria equipe do Departamento de Execução das Leis da Magia na condução do caso Weasley, angariamos um pedido formal de desculpas deste órgão, bem como a possibilidade de escolha de Granger por retomar ao seu antigo posto como Promotora Oficial ou, caso não queira, uma indenização proporcional aos anos trabalhados e aos danos morais sofridos após seu afastamento injustificado.

— Meritíssima, isso é inadmissível! – Edgecombe bateu as mãos contra a mesa, levantando-se no mesmo instante em que todos nas galerias se colocavam de pé em burburinho e levando-o a esconder um sorriso satisfeito. Era exatamente o que queria do homem. – Malfoy está praticamente minando o poder de condenação do Tribunal do Júri ao anunciar aqui seus planos para a próxima instância. É como se estivesse pulando esta instância, desconsiderando a decisão dos jurados sobre a culpa da ré e, de quebra, coagindo-os a dar o resultado que ele espera. Peço que ele seja devidamente punido nos termos do regimento do Décimo Tribunal.

— Não se trata de uma ação para rever a decisão dos jurados, seja ela qual for, Meritíssima. A questão aqui é o tratamento inaceitável dado pelo Ministério a uma funcionária exemplar, o modo como o afastamento a anulou perante a sociedade e influenciou os resultados do QG a as ações posteriores do Departamento em que ela própria trabalhava. – Narrou com indignação, percebendo ganhar novamente as atenções das pessoas. – Não estou desafiando nenhuma autoridade, mas exercendo o direito de defesa de minha cliente ante a clara injustiça ocorrida aqui. Trata-se de mera ação de litigância de má-fé, a qual o Ministério ficou muito aliviado em ratificar minha desistência ao perceber que não poderia obter a justiça esperada e um resultado imparcial. Há juízes, meritíssima, que, ao contrário da senhora, se mostram muito satisfeitos em preservar o status poderoso do Ministério da Magia frente a ameaças às suas estruturas.

— Meritíssima, é claro que Malfoy está tentando distrair a todos da questão principal…

— Já ouvi o suficiente, Sr. Promotor. – A juíza Griswold levantou uma mão e encarou Draco em uma feição reprovadora, sob os óculos de grau equilibrados na ponta do nariz. Todos haviam percebido sua jogada, afinal estava mesmo tentando chamar atenção para a condução do caso, fazendo questão de lembrar a todos, o refresco que fora Hermione Granger ao sistema enferrujado do Ministério e como seu comportamento, durante o cargo, não se mostrava nada menos que ilibado. – Bom, se a ação teatralmente anunciada pelo Sr. Malfoy se tratasse do que estamos julgando aqui, eu poderia decidir por sua punição e substituição pelo Sr. Zabine, o qual o advogado de defesa habilmente colocou como codefensor. No entanto, não é questão deste tribunal julgar demandas envolvendo o próprio Ministério, muito menos a condução de um processo que nós mesmos estamos participando de forma ativa. Dessa forma, quem se pronunciará sobre a ação de litigância de má-fé deve ser a Corte Internacional, independentemente dos resultados aqui obtidos. Malfoy, é claro, poderá recorrer da decisão de hoje em Haia, mas possivelmente em ação apartada, o que não interfere na decisão dos senhores jurados. – Ela voltou-se ao Júri. – Devem escolher livremente, segundo as provas e argumentos apresentados pelas partes, nada além disso, exatamente como fariam caso não tivessem a informação sobre a nova ação. Prossigam às instruções.

O martelo foi batido e todos se levantaram, provavelmente duros de tensão e exaustão, como era seu caso. Esperaram que o Júri fosse conduzido à sala secreta pelo Meirinho, desaparecendo pela porta que também levava à sala particular da juíza, a qual se retirara em seguida sem encarar mais ninguém – sabia que a irritara ao extremo, mas a mulher não poderia ser uma ameaça àquela altura e, tecnicamente, não fizera nada de errado. No instante seguinte, o ruído alto de conversas preencheu o ambiente, imprensa e civis nas galerias ávidos por comentarem suas opiniões a respeito dos argumentos de cada parte. No entanto, estava tão farto de tudo que, sem qualquer olhar aos espectadores, evitando pensar que havia chances de mexer qualquer outra peça naquele jogo, seguiu para a sala adjacente logo após juntar suas coisas com rapidez.

— Estarei em meu escritório. – Draco pronunciou assim que estiveram sozinhos na sala adjacente, surpreendendo os presentes. – Certamente, os jurados não vão decidir nada rapidamente e consta no regimento que podem pedir a extensão do prazo até amanhã.

Detestava o prazo que os jurados detinham para discutir o caso entre si. Não precisavam de maioria absoluta, mas era o momento em que as pessoas podiam convencer umas às outras sobre suas opiniões e, bem sabia, havia pessoas inflamadas o suficiente para que todo seu trabalho escorresse pelo ralo, não apenas naquele caso, mas normalmente. Uns não gostavam dele por sua história, outros não demonstravam simpatia por seus clientes, e às vezes a causa era realmente perdida, por ser repulsiva demais ou pela abordagem desdenhosa demais. Não importava, o prazo razoável defendido por estudiosos bruxos renomados, podia em muito prejudicá-los, principalmente se tratando de um caso tão repercutido, polêmico e que provocara tantas fragmentações no mundo bruxo – familiares, jurídicas e morais.

— Não se preocupe. Emily e eu ficaremos aqui, avisamos quando eles tiverem uma decisão.

Blásio deixara de lado a inimizade latente para defender Granger de forma inquestionável ao ter a oportunidade, ponderou, talvez fosse mais profissional que o próprio Draco ao se deixar levar pela figura atrativa e inevitavelmente admirável que era Hermione Granger, a heroína em declineo. A mulher, por sua vez, acomodara-se novamente na poltrona, escondendo o rosto entre as mãos num suspiro, não emitindo nenhum sinal de que sairia dali nas próximas horas: encontrava-se em um um pico de tensão que nem a aparência bem montada e intocável conseguia afastar. Queria pegar sua mão e dizer que aquilo que passaria e terminaria da forma que queriam, mas a cada vez que se via indo até ela era como se estivesse próximo a pular num abismo de sentimentos confusos e futuro incerto, como fizera naquela manhã, o que sempre fora inadmissível para alguém como ele – ainda que nenhum dos dois houvesse de pronunciado.

Draco já se encontrava a algum tempo em sua própria sala no escritório do Beco Diagonal. Tinha em mente que poderia encontrar algo relativamente útil para fazer enquanto esperava, mas muito cedo percebera que isso não seria possível. Sua mente voltava a todo momento à imagem de Hermione completamente exausta de tudo aquilo, segurando-se na aparência sóbria e altiva do negro, sobre saltos altos e postura combativa, ainda que a estafa estivesse tomando cada poro de seu corpo. Não ficaria surpreso se ela torcesse para ser jogada direto em Azkaban, se isso significasse que tudo aquilo acabaria mais rápido. O processo era traumatizante e estigmatizante para qualquer um, mas para Hermione fora pior, pois ela estivera no topo, no lugar de Edgecombe, condenando pessoas, e desabara muito rapidamente para um lugar nebuloso em que não gozava de liberdade alguma, embora não estivesse presa, e estava a mercê do julgamento cruel de toda uma sociedade manipuladamente decepcionada.

Encontrava-se deitado no sofá de couro negro que havia ali, mais confortável do julgara ao comprá-lo, notou, sem se preocupar em tirar o terno, uma das mãos tapando os olhos fechados, mas os sentidos extremamente alertas, pois ao mesmo tempo em que sentia a espera durar uma eternidade, tinha a impressão de que o avisariam a qualquer segundo que o Júri já tinha uma decisão. Por isso, ouviu quando a porta fora cuidadosamente aberta e fechada, sem qualquer comentário do visitante. Não preocupou-se, o escritório estava fechado e somente pessoas autorizadas poderiam estar ali.

Porém, estava sempre tão envolto pela presença de Granger em um ambiente, no modo como ela se locomovia e a maneira que mostrava-se expansiva, mesmo quando não dizia nada, como no Tribunal ou naquela maldita manhã, que a sentiu antes mesmo de abrir os olhos, os passos lentos e o perfume suave, mas elegante, a denunciando. Conhecia a maneira de agir de Emily e Locke, a primeira andava de maneira rígida em constante formalidade, a segunda era espalhafatosa até mesmo no andar, enquanto Granger era sutil. Principalmente quando desejava sutileza acima de tudo, considerou abrindo os olhos para vê-la parada ao meio da sala, indecisa se aproximava-se ou mantinha distância. Draco sentou-se no instante em que ela dava um passo à frente, incerta, mantendo as mãos às costas.

— Há uma ordem de pagamento em Gringotes. – Ela molhou os lábios. – Seus honorários serão depositados assim que o resultado sair, ainda hoje.

— Porquê? – Hermione o encarou em confusão. – Porquê está se despedindo?

— Não posso ir sem que, o que quer que tenhamos, realmente acabe. – Ouviu o murmúrio que soava doloroso aos ouvidos. – E você não pode continuar a me evitar, como se… Como se fosse uma estranha, uma cliente qualquer que vê nas audiências ou em reuniões mensais. Isso não basta. Nós somos… Fomos mais do que isso. Não preciso enumerar como foi importante para mim durante todo esse tempo, não é estúpido. Você viu, sentiu…

— Hermione, apenas…

— Não. – Ela respirou fundo e aproximou-se, estacando à sua frente decididamente. – Nós dois precisamos de um ponto final. Se eu for condenada hoje, precisamos saber que acabou aqui. Precisa ficar claro porquê, em algum momento, terá que seguir em frente e isso não poderá ser um empecilho. – A mulher completou em tom mais baixo. – Noto como o puxo para baixo, Draco. Percebo como empurro todas as barreiras que construiu para se proteger e se tornar quem é. Sei que irá reconstruí-las assim que se ver livre de mim, como também sei que demorará muito tempo para que outra pessoa as ultrapasse novamente. Eu vejo e também sinto você, Draco.

Esse, é claro, era o cerne do problema. Draco não estava preparado para um fim definitivo, para lidar com a realidade de que a tivera uma última vez, para o fato de que Granger levaria e, provavelmente, enterraria com si em Azkaban tudo que tiveram enquanto ele não poderia ir muito longe estando repleto dela. Voltaria a ser ele mesmo, é claro, quebrado do jeito que estava, embora fosse quase profissional em encontrar os pedaços do homem incompleto que se tornara após o fim da Guerra.

No entanto, não era tão simples assim, afinal na primeira vez não havia nenhuma mulher envolvida, ninguém de carne e osso, ainda que longe, para lembrá-lo de que poderia nunca mais ter com outra pessoa o que tivera com Hermione Granger. Para além do desejo físico, era ela o enigma pessoal que se propusera resolver ao se dar conta de como era a mulher mais desafiante e fascinante que conhecia. Quando estava com ela, via-se completamente absorto, envolvido além do normal pela figura altamente atraente, pela mente afiada e a língua atrevida. Era impossível não reconstruir barreiras quando a única capaz de penetrá-las e destruí-las fora alguém como ela.

— Não irei me despedir de você, Granger. – Declarou em tom baixo, levantando-se inquietamente, vendo-a suspirar contrariada por sua teimosia. Supôs que deveria estar lhe custado muito o ato altruísta que era estar ali e despedir-se para impelir ambos a seguirem em frente, depois do fim. – É o que quer, eu sei, mas não farei. O que aconteceu essa manhã? Não foi uma despedida.

— Pare de repetir para si mesmo que as coisas darão certo, que tudo acabará como queremos. – Ela pediu, farta. – Não estamos em um romance, não é esperado um final feliz, principalmente em se tratando de duas pessoas tão ambíguas quanto nós. Não quero você…

A viu juntar os lábios novamente, interrompendo-se, embora soubesse exatamente onde quisesse chegar. Não queria vê-lo quebrado, mas esse era seu estado mais constante, talvez isso fosse o que Hermione não pudesse perceber tão facilmente. Por outro lado, não gostava que a mulher mostrasse sua face mais fatalista, embora isso tivesse se revelado em diversos momentos durante aquele maldito processo. Não uma nem duas foram as vezes em que tivera de fazê-la voltar a razão, para algo tangível, mostrando-lhe um caminho seguro em que pudesse apoiar-se numa realidade onde ele estava ao seu lado. Granger não era autossuficiente como gostaria e Draco não dispunha de autocontrole o suficiente para evitar a proximidade, a colisão fora inevitável e o fim mostrava-se previsível, afinal ambos conheciam as possibilidades sobre como aquilo poderia acabar.

— Não estou repetindo um mantra. Sofro de excesso de confiança e disponho de um senso de negação muito palpável, poderia ignorá-la o quanto fosse necessário para que isso não interferisse em minha atuação hoje. Enquanto estivesse perante o Júri, não queria ter em mente tudo o que está dizendo neste momento, não queria entrar lá com a sensação de que já tivesse perdido. Não o caso, mas… Você. – Da janela com vista para o Beco Diagonal divagou de forma distraída, antes de virar-se à castanha ainda prostrada no meio de sua sala. A aparência completamente montada, com o coque bem feito, a maquiagem perfeita, as roupas impecáveis e tudo o mais contrastavam com a heroína em pedaços que só se revelava de verdade à ele. – Sei que será o ponto final, se for condenada. Não estou me enganando, como provavelmente vem pensando.

— Você irá lidar com isso? – Os olhos castanhos pela primeira vez lacrimosos o encararam com incrível firmeza para o momento. Sorriu levemente, desviando o olhar para o chão por um momento. A insistência que o penetrava em ondas de castanho escuro o inquietava. Tinha certeza que, de tudo que poderia carregar consigo na lembrança daquele dia, a cor dos olhos dela, veemente preocupada com seu futuro, sua sanidade e seus pedaços, seria o que o marcaria com maior intensidade. Por isso, voltou a olhar, forçando uma confirmação silenciosamente amarga. Percebeu os lábios dela tremerem e os olhos piscarem, afim de espantar as lágrimas das feições coradas antes de a mulher atravessar a sala rapidamente e o abraçar. Não houve ressalvas. Nem dele, nem dela. Apenas vontade ávida do toque sem desejo, da proteção da presença, do tato que não poderia desfrutar publicamente. – Não quero ser presa, Draco.

— Eu sei.

Ela não se tornara mediocremente conformada, afinal de contas. Alguém que estivesse, não se mostraria tão inconformado com o destino que outros lhe impunham de forma arbitrária, apenas aceitaria, pois se supusesse que merecesse. Mas não Hermione Granger, porque ela não merecia um destino como aquele e tinha consciência disso, ambos tinham. Não a sentiu derramar as lágrimas que segurara por todo aquele tempo, apenas visivelmente relaxar o corpo contra o seu e aproveitar o tempo que ainda tinham juntos antes que o mundo pudesse desmoronar em torno deles, segundo sua visão fatalista. Assim, enquanto o sol baixava lá fora e seus corações se aquietavam do lado de dentro, enquanto sentia o cheiro dela tomando-o por completo, os minutos se passaram sem qualquer interrupção, exceto aquela em que a puxara para sentar-se no chão de madeira, logo ao lado da janela cortinada e esperar. Pernas entrelaçadas e respirações embaralhadas, como foram muitas vezes depois do sexo. Não havia nada de erótico, no entanto, ambos vestidos, temerosos e silenciosos.

Em sua mente, tudo que dissera à Sra. Weasley semanas antes, aparecia vividamente. Não seria justo com Granger naquele momento, nem mesmo com suas barreiras possivelmente prestes a serem reconstruídas. Poderia abrir a boca, dizer o que nunca dissera a mulher alguma, fazê-la sentir que fora retribuída e então… Poderia não haver nada depois, além da recordação azeda que ambos levariam consigo até o fim, ainda que alguma superação os houvesse alcançado. Além disso, seria como um prêmio de consolação à uma mulher que perdera tudo. No final ouviria um ‘eu te amo’, mas isso não deixaria as coisas melhores. Àquela altura, de nada valeria amá-la como julgava amar, pela primeira vez consciente de desfrutar da sensação de verdade.

Quando o Patrono da Sra. Smith irrompeu a sala, em um feitiço azulado e brilhante, iluminando o cômodo que já se encontrava à meia luz, anunciando que o Júri se decidira, antes de completamente findadas as três horas, ainda se encontravam praticamente na mesma posição. Draco mantinha as mãos ao redor da cintura fina, a cabeça logo ao lado da comprida janela e os olhos fixos na parede oposta. Hermione já havia tirado os sapatos e mantinha as pernas encolhidas, quase que completamente enrolada junto à ele. Faria um bonito quadro, pensou, embora melancólico e finalista. Tragédias só soavam românticas e poéticas na literatura, teve certeza. Ninguém se mexeu por alguns momentos. A sentiu tensionar, o movimento breve chamando a atenção para o perfume suave dos cabelos lavados naquela manhã.

— Nós temos que ir. — Murmurou, vendo-a assentir levemente, mas sem empenhar qualquer esforço para se levantar. Passou os dedos pelo pescoço limpo, sentindo-a engolir em seco, correndo pele por pele até a nuca. O suspiro foi audível e pesaroso, quase podia vê-la fechar os olhos e impedir que a garganta se fechasse em embargo. Granger detestava chorar, mas de qualquer forma, aquele não o momento em que se debulharia em lágrimas e estragaria todo o teatro em que estavam. Ela levantou a cabeça, olhando-o, tão temerosamente, que só pôde beijá-la superficialmente antes de juntar suas testas. – Realmente temos.

— É melhor sabermos logo.

Ambos se colocaram de pé, rearranjando os possíveis vincos nas roupas e voltando ao salto alto, no caso dela. Se fosse Hermione, provavelmente estaria incomodada com o quanto a encarava, inconscientemente tentando gravar na mente a imagem da mulher, que em muito lembrava a Promotora, embora estivesse além da profissional implacável: era assim que gostaria de se lembrar dela, caso os Jurados houvessem decidido por Azkaban. Dessa maneira, eles juntaram as mãos e aparataram de súbito já nas lareiras ministeriais, onde dois guardas os aguardavam e os conduziram em direção à sala adjacente, sem que precisassem passar pelos repórteres em vigília na porta do Décimo Tribunal.

— Acha que fomos bem na Corte Internacional? – Questionou Hermione, assim que estiveram sozinhos, mas foi Zabine quem respondeu à frente.

— Se Locke não for ouvida inicialmente, ela se fará ser. – Deu de ombros e continuou em seu tom monótono, os olhos no jornal que tinha em mãos, apesar de não ler nada. Tentava disfarçar a tensão, mas era visível que, tanto quanto todos ali, encontrava-se ansioso. – Está determinada e não tem a reputação um pouco conturbada… Como as nossas.

O negro soltou um sorriso jocoso em direção à mulher e um guarda os avisou que deveriam se colocar em seus lugares no Tribunal novamente. Não percebeu que seus dedos ainda se encontravam juntos e entrelaçados até que Hermione os soltou e encaminhou-se para a porta logo atrás de Zabine. Ainda encarou a mão suando frio por um momento e a limpou na calça social, recusando-se a um tão ato imaturo publicamente. Quase sentia-se novamente como o garoto que teve suas ações milimetricamente analisadas e julgadas logo após a Grande Guerra. Revirou os olhos e esperou pacientemente que o Júri voltasse à sala do Tribunal e então que a juíza Griswold se acomodasse em seu pequeno púlpito, mantendo-se de pé.

— Como de praxe, os jurados deliberaram, depositaram seus votos na urna ministerial e alcançamos um resultado, verificado segundo o Feitiço de Inconspurcação e, por isso, confiável aos olhos do Ministério da Magia. — A senhora anunciou solenemente e percebeu Granger fechar as mãos em punho, provavelmente tentando não tremer enquanto a juíza estendia a varinha e com um feitiço silencioso uma taça rústica construía-se exatamente no meio do Tribunal, levando a todos a prender as respirações. Como a Taça Tribruxo, uma chama mágica, que entremeava as cores branco e azul claro, habitava seu conteúdo. Porém, diferente da taça de sua infância, esta não era ornamentada com firulas elegantes. Era de madeira maciça e escura, construída em tamanho médio, com bordas na largura de três dedos, exatamente como o pé. Estudiosos diziam-se que tratava-se de uma relíquia datada do século III, mas era apenas uma probabilidade. Ninguém sabia com certeza quem era seu dono, por qual motivo fora feita e enfeitiçada e, muito menos, quando isso acontecera. – Agora, aguardamos até que o Feitiço de Inconspurcação esteja concluído para que o chefe do Corpo de Jurados leia a sentença da ré, Hermione Granger.

Já presenciara o processo inúmeras vezes, várias delas com Hermione Granger sentada exatamente onde Edgecombe estava naquele instante, como sua eterna e quase imbatível rival. Era solene e demorado, mas teve a impressão de que durou o dobro de tempo quando as luzes do Tribunal se abaixaram minimamente e as chamas da urna ficaram mais fortes. Todos encaravam com concentração o pequeno, mas chamativo objeto sobre o pedestal ornamentado em ouro, doado por um iminente membro do Departamento de Execução das Leis da Magia há anos. Compensava o fato de a urna ser totalmente desprovida de qualquer atrativo, pois em todos os quatro lados havia desenhos relacionados à Justiça Mágica e sua história entalhados pomposamente.

Olhou para o lado, percebendo o brilho quase fantasmagórico que as chamas mágicas produziam nos olhos brilhantes de Hermione, vendo-a prender a respiração tanto quanto a temerosa plateia nas galerias. Ao redor, Zabine levantava uma sobrancelha para o envelope branco em papel grosso que a taça expelia diretamente em direção a bancada dos Jurados e a Sra. Smith juntava as mãos junto ao queixo, acomodada logo atrás deles, pois não tinha nenhuma formação jurídica. Tinha noção de que se encontrava anormalmente sério, tenso, os músculos da garganta pressionados em ansiedade, quando o Chefe do Júri adiantou-se para abrir o envelope lacrado com cera – o único capaz de fazê-lo devido ao feitiço que guardava a urna. Então, quando a voz do homem, levemente trêmula, anunciou seu conteúdo, Granger ofegou, segurando-o fortemente pelo antebraço como se as pernas não mais a segurassem.

— Pelo crime de homicídio qualificado, o Corpo de Jurados do Décimo Tribunal de Justiça do Ministério da Magia Britânico declara a ré, Hermione Granger, inocente.

She's a Killer Queen

Gunpowder, gelatin

Dynamite with a laser beam

Guaranteed to blow your mind

Anytime

— Queen

Notas finais
Como eu disse a alguém nos comentários: o capítulo seria dividido em dois, mas postado simultaneamente - aposto que estão me estranho. Porém, como eu concebi como uma só essa leva de capítulos, acredito que não seria justo com ninguém segurar um capítulo já escrito e com o resultado que tanto queriam saber: Hermione inocentadíssima, mai frends! Tenho que sublinhar que nessa cena final entre eles eu estava ouvindo Shallow enquanto corrigia e quase chorei. Amo tanto escrever essas cenas onde há sentimentos, mas muita contenção :( Acho que faz muito parte do que eles são aqui. O que Hermione fez pode ser considerado um grande gesto romântico para seus padrões ou não? Afinal, nenhum deles é disso, mas ela correu atrás, ainda que estivesse o tempo todo tentando se despedir? É paradoxo que chama?? Enfim, me digam o que acharam do pisar em ovos fatalistico desses dois! E a questão jurídica, amig@s? Quem ficou nervoso? Quem achou que Draco arrasou e quem achou que poderia ter sido melhor? Me senti fazendo textão no facebook, mas adoro toda a fase de pensar sobre COMO colocar em palavras uma defesa que ficasse a cara do Draco com o que eles precisavam. Suei! Mas no meio de sangue, suor e lágrimas, teve Locke implicitamente brilhando! Ela não era a inimigaaa!!! Já pensando no spin-off dessa rainha ;) E o depoimento da Sra. Weasley sobre o casal Ronald e Hermione. Tínhamos que terminar lembrando o início, não é? Afinal, tudo girou em torno dessa morte, do relacionamento deles, dos traumas que isso gerou em Hermione, da personalidade que ela adotou... Me digam, me digam ^^ E, por fim, um trechinho que é a CARA de Hermione . Assim que ouvi sabia que tinha que colocar! Enfim, acho que é isso por enquanto. Me digam suas impressões sobre esse final, sobre esse capitulozão dividido em duas partes, sobre todos esses acontecimentos e esse misto de sentimentos de Draco, Hermione e toda essa sociedade louquíssima que criamos ;) Termino agradecendo, como sempre, aos comentários anteriores. Sem vocês, sempre me incentivando, com certeza Neurótica não teria chegado até aqui. É a continuação da despedida, infelizmente, mas a opinião de todos será importante até o fim! Quem acompanha Neurótica até aqui sabe ;) Abração, feliz 2019, vejo vocês no epílogo ♥