Neon
5 Conversas...
Notas iniciais
Autora POV
—Ei, por que você ta chorando, Luna?-pergunta o garotinho loiro a menininha morena encolhida no chão, próxima ao sofá.
—O Neji!-ela diz choramingando.
—O que aquele maluco te fez? Ele te bateu? Por que se sim, eu vou acabar com a raça dele. Não se bate em mulher de jeito nenhum, principalmente em criança.
—Você fala como se não fosse criança também-ela diz limpando as lágrimas do rosto.
—Eu sou mais velho que você, sua boba! Já tenho doze anos e sem falar que já te segurei nos braços quando você nasceu- ele riu e assanhou os cabelos dela- então, o que Neji te fez?
—Ele arrancou a cabeça da Senhorita Morgana!-ela fala voltando a chorar.
—Mas por que ele fez isso?
—Por que ele é mal, Naru! Ele é cruel, ruim, desumano, maquilefelico e ruim de novo!
—Maquilefelico- o loiro repete a palavra rindo e recebe uma palmada no braço.
—Para de rir, Naru! Eu tô sofrendo.- ela fala chorando.
—Desculpa Luna, desculpa- ele diz a abraçando- Não chora, ta? Eu vou te ajudar.
—Vai ajudar como? Você vai bater no Neji até ele mudar de cor? Vai passar a cara dele no asfalto quente?-ela pergunta com os olhinhos brilhando.
—Ãhn...não-ele diz-isso não foi uma coisa muito violenta pra uma criancinha meiga e simpática de apenas cinco aninhos falar?
—Não. O irmão merece- ela fala fazendo carinha de má- Mas se você não vai bater nele e nem passar com um carro por cima dele, como você vai me ajudar?
—Eu vou concertar a Senhorita Crotildis pra você.
—Você? Concertar a Senhorita Morgana? Mas por que, se você também vive arrancando a cabeça das minhas bonecas?
—Vivia! Isso é passado.
—Você arrancou a cabeça da Barbie zodíaco a três dias atrás- ela fala levantando uma sobrancelha.
—É um passado recente, ora! E outra você disse que tava sofrendo... Eu não gosto de te ver sofrendo. Você quer ou não minha ajuda?
—Quero! Quero sim! Mas... Como vamos colocar a cabeça da Senhorita Morgana de novo?
—Huum...com fita adesiva.
—Fita adesiva?!
—É! Vai dar certo, confia em mim- ele diz indo atrás da fita adesiva.
—Tudo bem então.
Hinata preparou a boneca e Naruto o material, depois de tudo pronto eles se encontraram na mesinha da sala.
Ambos sentados no chão, colocaram as mãos sobrea mesinha de centro da sala.
—Vamos começar a cirurgia, Doutor Naru-a pequena disse colocando a boneca e a cabeça em cima da mesa. Naruto uniu as duas partes e passou muita fita ao redor.
—Prontinho, Luna! A cabeça da Senhorita Catarine ta pregadinha no corpo!-ele disse sorrindo abertamente e mostrando a boneca que tinha a cabeça um pouco torta para Hinata.
—É Morgana, seu bobo!-ela fala pega do a boneca torta- Ta perfeito, Naru! Obrigada-ela diz e da um beijo na bochecha do loiro.
—Hehe... Não foi nada, pequena Luna.
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—Minha madrinha sabe se cuidar sozinha e nós precisamos conversar... Luna.
—Precisamos? Não acho que precisamos. Quer conversar sobre o que? O valor do dólar, aquecimento global, Guerra na Síria, diferenças religiosas, talvez.
—Estou falando sério Hinata. Poderíamos ir para a sala? Não quero acordar o Koji-ele falava sério, olhando-a nos olhos perolados vazios.
—Claro, por que não?-ela diz e solta a mão do filho sem que ele acordasse e sai do quarto, sendo seguida por Naruto- O que você quer conversar, Doutor Uzumaki?-pergunta se jogando no sofá da sala.
—Eu quero saber como você entrou nessa vida.
—Você quer saber como eu comecei a me prostituir?-ela pergunta direta e ele assenti- Não te interessa. Não é da sua conta.
—Claro que é da minha conta! Hinata... Você se prostitui!
—Sim, e qual o problema? Que eu saiba prostituição não é crime no Brasil.
—Não, prostituição não é, mas cafetinagem e exploração sexual de menores de idade são sim!
—Exploração? Não estou sendo explorada, Naruto. Faço isso por que quero e como disse antes, não é da sua conta.
—Este assunto passou a ser de meu interesse a partir do momento em que eu...-ele começa a falar e trava- A partir do momento em que eu transei com uma menor de idade!- ele fala nervoso, bagunçando os cabelos.
—Qual o problema? Foi só uma transa Naruto. Te garanto que ninguém vai te denunciar por pedofilia, Senhor "25 anos"- ela sussurra a ultima frase.
—Não é quentão de ser denunciado ou não, Hinata. O fato aqui é que você deveria esta na escola estudando, e não na Estação da Luz se prostituindo!
—Ah, falou o Doutor Uzumaki!-ela diz se levantando já perdendo a paciência-Fique sabendo Doutor, que a vida não foi tão boazinha comigo como ela foi com você. Eu tive que largar os meus estudos aos quatorze anos pra cuidar de uma mãe doente, um pai drogado e um filho pequeno e sozinha, por que o desgraçado do pai dele estava preso.
—O pai do Koje estava preso?-ele pergunta surpreso, ignorando todas as outras coisas que ela falou.
—Ele esta preso... Trafico de drogas- ela fala de braços cruzados.
—Quem é o pai dele, Hinata?
—Não te interessa, Naruto-ela diz simplesmente.
—Quem é o pai do Koje, Hinata?-o loiro pergunta novamente, mais firme dessa vez.
—Deidara Yamanaka-ela diz revirando os olhos.
—Não estou acreditando que você envolveu-se com o cunhado do Gaara, Hinata! Você sabe que o Sabaku é o homem mais poderoso e perigoso desta parte da cidade... Por isso ele estava aqui com a Ino no outro dia!
—Bingo!-ela disse irônica. E revira os olhos depois- Eu achava que o tão amado e benevolente Doutor Naruto Uzumaki não guardava rancor dos irmãos bastardos.
—Mas não guardo mesmo. Não se deve culpar uma pessoa pelos erros de outra. Quem errou foi meu pai, não iria crucifica-los por um erro que foi de Minato. O que eu não aprovo é o caminho ao qual eles decidiram seguir. Ambos usam a desculpa de que entraram para esta vida de traficantes para vencer a pobreza, mas pobreza não justifica falta de caráter. Eu também sou filho do Minato, e você sabe que quando ele e minha mãe morreram eu era muito pequeno e só tinha a Kurenai como família. Ela me sustentou e me ensinou a ser um homem de verdade, a cumprir com minhas obrigações, e nós não tínhamos muito dinheiro. A mãe deles casou outras vezes e alguns desses maridos eram pessoas de bem e estruradas financeiramente, não havia necessidade de eles envolverem-se com o Gaara, mas Ino resolveu se apaixonar por ele e Deidara sempre foi mal caráter, rico ou pobre tenho certeza que suas escolhas não seriam tão diferentes das que ele fez.- o Uzumaki fala mexendo nos cabelos.-Como você se envolveu com ele?
—Cortesia do papai drogado, Naruto-ela fala desinteressada em continuar com aquela conversa.
—Pai drogado? O Seu Hiashi? Impossível!-Naruto disse pasmo- Meu Deus, o que mais eu perdi durante esses sete anos longe?-ele pergunta sentando-se no braço do sofá.
—Hump, nem queira saber. Agora que já conversamos você poderia ir embora?-ela é direta.
—Não. Ainda não terminamos, eu quero saber como você conheceu aquele homem asqueroso, o tal de Tolene.
—Tonere-ela o corrigi- Como soube que era eu? Durante todo esse tempo eu já atendi alguns conhecidos, mas nunca nenhum me reconheceu. Nem mesmo o Suigetsu.
—Convenhamos que o Sui não seja nenhum exemplo de perspicácia.
—Não posso contestar- ela diz em tom de deboche — Mas você não me respondeu.
—Você também não me respondeu. Como conheceu o Tonere?
—Você primeiro.
Ele suspira e começa a respondê-la:
—Demorei certo tempo para perceber. Sabes como é, era uma experiência nova para mim, então eu não estava muito atento a algumas coisas-ele diz levemente corado coçando a bochecha-Quando comecei a prestar atenção de verdade, percebi os seus olhos. Eles são inconfundíveis, mesmo com lentes. O seu cabelo e o seu pseudônimo também lhe entregaram.
—Qual o problema com o pseudônimo?-ela pergunta com uma sobrancelha arqueada.
—Eu lhe chamava de Luna quando éramos crianças-ele sorri nostálgico — Eu era o único que lhe chamava assim... Por que escolheu Luna como "nome de guerra"?- ele finaliza fazendo as aspas no ar com os dedos.
—Foi Tonere quem escolheu. Por causa dos olhos, e tal- ela mentiu.
—Hum... Mas agora é sua vez de me responder, onde conheceu esse tal de Tonere?
—Ele me ofereceu uma oportunidade de ganhar dinheiro pra poder ajudar minha mãe e criar o Koje, eu aceitei e pronto. The end. Não é a história emocionante e dramática que você esperava, é?
—Então você é grata a ele pelo que fez por você?-ele pergunta tentando entender toda a história.
—Grata?! Você ta louco? Aquele imbecil fodeu a minha vida. Por mim ele passaria o resto da miserável vida dele atrás das grades, sendo mulherzinha dos outros presos.
—Então por que não o denuncia?!
—Eu sou uma prostituta, Naruto. A irmã do Tonere tem muita influencia na polícia. Em quem você acha que vão acreditar?
—Mas você ainda pode sair dessa vida. Poderia voltar a estudar e encontrar um emprego...hum, normal.
—Você não escutou a parte em que eu disse que tinha um pai drogado e um filho pequeno pra criar não?-ela pergunta com a voz sem emoção como sempre-Não posso voltar a estudar, Naruto. Principalmente agora com minha mãe internada com chance de sobreviver minúsculas.
—Você tem dezessete anos, Hinata. Ainda tem a vida toda pela frente, tenho certeza que conseguiria um emprego de meio período. Assim você poderia trabalhar e estudar sem problemas.
—Que saco, você é insistente pra caralho, ne?-ela fala sentando no braço do sofá, de frente para o loiro- Eu não quero voltar a estudar, Naruto. Você acha que com esse "meio emprego"- ela faz as aspas no ar- Seria o suficiente pra pagar as contas da casa, a creche do Koje e a Shizune pra cuidar dele enquanto eu estiver fora? Oh, é claro... Eu ainda tinha esquecido do papaizinho. Eu iria fazer o que com ele? Joga-lo no meio da Cracolândia? Vai por mim, eu não me importaria, mas acho que minha mãe não seria muito a favor.
—Você também dificulta as coisas, Hinata. Sabe que eu posso lhe ajudar, não é?
—Eu não quero o seu dinheiro, doutor. Eu não preciso dele. Tudo que eu quero de você é que fique de boca fechada e não fale disso pra ninguém-ela fala seria, dura.
—Tudo bem, Hinata. Não se preocupe que não direi nada a ninguém-ele diz depois de um suspiro cansado- Sua mãe sabe? Digo... Ela sabe que você faz isso?
—Não, claro que não. Ela nunca permitiria.
—Eu me pergunto como raios você entrou para essa bagunça toda.
—Vai continuar se perguntando, por que não é da sua conta e eu não quero mais falar sobre isso-diz irritada- Já acabamos ou o doutor Uzumaki tem mais alguma pergunta?
—Não, Hinata. Não tenho mais nenhuma pergunta para lhe fazer -ele fala se levantando- Na verdade até tenho mais algumas, mas como sei que você não me responderia mesmo, então vou deixar para um momento em que você esteja um pouco mais... Acessível.
—Ótimo, muito inteligente da sua parte, não poderíamos esperar nada menos do orgulho de São Luis -diz irônica, fazendo o loiro soltar uma leve risada- Vamos, faço questão de te levar até a porta.
—Muito gentil de sua parte.
—Diponha.
—Só mais uma perguntinha- ele fala assim que chegam a porta.
—Tava demorando. Achei que tinha dito que não perguntaria mais nada por que eu não iria responder, e tal.
—Eu tinha dito que não faria mais nenhuma pergunta por enquanto... Eu só quero saber se você vai ao hospital amanhã ver sua mãe.
—Vou. Assim que deixar Koje na creche eu passo lá.
—Ótimo. Então nos vemos por lá -o loiro diz sorrindo -Boa noite Hinata- fala pegando-a de surpresa e dando-lhe um beijo na bochecha.
—Continua o mesmo grudento de sempre, Uzumaki-ela diz passando a mão na bochecha beijada, "limpando" o lugar, fazendo o loiro rir.
—Acho que não posso mais dizer o mesmo de você, certo Hyuuga?-ela faz uma careta pra ele e ele ri- Boa noite Hinata- finaliza saindo da casa da morena e indo para a sua.
Ao chegar em casa, Naruto percebe que sua madrinha já tinha ido dormir, então ele se encaminha para o seu quarto, chegando la fecha a porta, retira os sapatos, coloca a blusa dentro do cesto de roupa suja e se joga na cama, de bruços.
—O que terá acontecido por aqui durante esse tempo?- se vira na cama e encarando o teto-Todos estão mudados, alguns irreconhecíveis. Povo louco, Senhor!-ele fala mexendo nos cabelos e fechando os olhos.
O loiro já estava prestes a dormir, quando seu celular começa a tocar.
—Quem ligaria a essas horas da madrugada?-ele enfia a mão no bolso da calça, que ainda vestia, e tira o aparelho, escorregando o polegar pela tela e atendendo a ligação- Alô -era um número desconhecido.
—Continua com a mesma formalidade de antes, não é Naruto?
—Desculpe, mas... Com quem falo?-pergunta o loiro confuso.
—Depois que se forma em medicina ele não lembra mais dos amigos. Só podia ser esse Otário mesmo- a voz máscula fala risonha do outro lado da linha.
—Sasuke?!
—Nossa, ele lembra!
—Há quanto tempo, amigo. Por onde você tem andado?-pergunta o loiro.
—Você sabe que depois que terminei minha pós-graduação voltei para a casa dos meus pais, não é?
—Sim, sim. Voltou para Fortaleza, e não deu mais noticias-fala rancoroso, o Uzumaki.
—Cara eu passei um ano e meio isolado dentro de casa só estudando para um concurso que eu queria muito passar.
—E passou?-Naruto pergunta levantando-se da cama e indo até onde sua toalha ficava pendurada.
—Passei. E foi por isso que te liguei. Fui transferido para o Rio de Janeiro e soube pelo Lian que você tinha voltado depois que se formou, então consegui o seu numero com ele e pensei em te ligar pra marcarmos de sair qualquer dia desses, Itachi está morando aqui a uns dois anos e ele tem uma boate, nós poderíamos ir lá qualquer hora dessas.
—Claro, Sasuke, marcamos sim... apesar de que você sabe que eu odeio boates e lugares barulhentos.
—Claro que eu sei, Doutor oitenta e seis anos. Fala serio Naruto, durante os cinco anos e meio em que moramos juntos você não ia a nenhuma festa com a desculpa de que tinha que estudar para a faculdade, mas e agora que você ta formado, qual a sua desculpa?
—Hum... o trabalho?-ele pergunta incerto, tirando a calça jeans branca e jogando no cesto de roupas sujas- Tudo bem, não tenho desculpas para lhe dar agora. Prometo que marcamos um dia de irmos a boate do seu irmão, assim que eu tiver uma folga a noite nós combinamos de ir
—Otimo, mas..hum- o Uchiha limpa a garganta antes de falar- Na verdade eu não te liguei só por isso não...
—Então pelo o que mais foi? Fala Sasuke.
—Eu queria conversar com você, Naruto. É importante e precisa ser pessoalmente.
—Nossa, sobre o que é?
—Como eu disse precisa ser pessoalmente. Você poderia vir aqui no meu escritório?
—Claro, mas... no seu local de trabalho?
—Sim, é que... é um assunto de trabalho e aqui teríamos mais privacidade pra falarmos disso. Olha Naruto, é algo importante, mas prefiro tratar disso pessoalmente.
—Tudo bem então, me fala onde você está trabalhando que eu posso ir amanhã a tarde, pois estarei de folga.
—Amanha ótimo! Quanto mais rápido melhor-Sasuke fala- Bom você sabe onde fica a sede da PF?
—UAU! Você é policial federal?!- pergunta surpreso.
—Não entendi a surpresa. Não achava que eu iria passar no concurso? Eu te disse que passaria- era possível notar que ele estava rindo, por causa de sua voz.
—Não é isso, Sasuke. Você sabe que não-diz indo ao banheiro- Só estava me perguntando o que a Policia Federal iria querer comigo- o loiro fala coçando a barba que começava a crescer e apoia-se na pia do banheiro.
—Não é algo com você, especificamente, mas é algo em que precisamos de sua ajuda. Te explico direito amanhã.
—Tudo bem, então nos vemos amanhã.
—Sim, até amanhã, otário- Sasuke fala rindo.
—Idiota-Naruto diz antes de desligar e deixar o celular em cima da pia, terminando de se despir e entrando no box, debaixo do chuveiro- Policia federal, não é? Tudo bem então...
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