Nemesis

34 Los Angeles Dodgers vs Detroit Tigers


Los Angeles Dodgers vs Detroit Tigers

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12 de Junho de 2012, 08:00 AM

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Newport Beach — Califórnia

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Era mais uma manhã de primavera na Califórnia, com um clima agradável e mais quente que o normal, já que em alguns dias o verão chegaria.

Mary Crystal despertava de seu sono profundo depois de um dia difícil em seu período menstrual.

A garota abriu os olhos, direcionando a visão para cima... para o teto...

As cortinas do quarto oscilavam e a brisa da manhã adentrava ao cômodo, tocando sua pele...

Quando a garota olhou para o lado, viu que Steve não estava ali...

Ela puxou os lençóis para o lado e caminhou descalça, rumo a outra repartição da suíte...

Quando olhou para a mesa, o café da manhã estava pronto.

Na mesa, havia uma pequena cesta com pães, outra com frutas, uma pequena garrafa de café, um tablete de manteiga, uma jarra de suco de laranja, talheres limpos e um pequeno vaso de vidro com...

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Uma rosa dentro...

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Abaixo daquele vaso, um bilhete escrito a mão chamava a atenção dela.

Nele, estava escrito algumas coisas, com uma letra incrivelmente bonita e legível...

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“Fui fazer minha caminhada matinal e ver algo para o almoço. Coma o que quiser. Logo estarei de volta.

Não fuja.”

Steve.

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Mary arregalou os olhos, totalmente impressionada com o que acabava de ver...

Steve deixou seu café da manhã pronto, deixou um bilhete e também...

Uma rosa champanhe...

A garota sorriu plenamente terna...

Como aquele Super Soldado conseguia ser tão atencioso, detalhista, cortês e cavalheiro...?

Como ela poderia lidar com tanta consideração? Que homem faria aquilo por ela que não fosse seu pai? Quando pensava sobre isso, Mary acrescentou mais uma linda qualidade do Capitão à lista interminável de qualidades que havia feito a respeito dele.

E o que dizer sobre aquela rosa...? Não era uma rosa qualquer, mas uma rosa champanhe, difícil de achar em qualquer floricultura.

Será que ele entendia um pouco sobre flores? Por que o significado daquela flor, basicamente era ‘admiração, respeito e gratidão’. Era isso que sentia por ela?

Steve Rogers era um homem tão forte fisicamente, mas tinha um lado artístico magnífico... uma alma de artista escondida... um lado sensível tão oculto que não mostrava a ninguém...

E o mais inacreditável era o fato de cuidar tão bem dela...

O Capitão América era como um raio de sol num dia nublado...

Mary tinha medo de se acostumar com aquilo e sempre esperar por mais gentilezas... mas não devia colocar expectativas em ninguém... por sua própria segurança... no entanto, Steve acabava sempre lhe surpreendendo...

— Seu Super Soldado de araque... pare de me tratar assim, ou vou acabar me apaixonando por você... — A Segundo-Tenente resmungava para si mesma, com um sorriso satisfeito nos lábios...

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Duas horas depois, o Capitão voltava para o hotel, com algumas sacolas, um pouco ofegante e completamente suado...

O loiro trajava uma camiseta de poliéster cinza e calça e tênis esportivos, próprios para corrida.

O loiro deixava as sacolas na repartição da cozinha da suíte e ao voltar, notava que Mary estava sentada na cama, com um livro nas mãos.

— Você está bem, senhorita Ellis...? Como está se sentindo hoje...? – A indagava, mostrando uma expressão preocupada, já que no dia anterior, Mary se sentia muito mal.

— Estou bem... graças a você... – A garota redarguia, com um doce sorriso, puro e cristalino...

Quando Mary Crystal sorria... tudo em volta fica pequeno e insignificante...

O loiro desviava os olhos para o lado, notando que o vaso com a rosa que deixou para ela se encontrava na mesinha ao lado da cama.

Ela parece ter gostado do presente... e isso era gratificante...

Quando a vislumbrou novamente, percebia que Mary vestia roupas curtas, como no dia anterior. Uma regata rosa neutra e um short jeans, além dos longos cabelos loiros estarem presos num rabo de cavalo firme.

— Tomou café da manhã...?

— Sim... tudo estava perfeito e... onde você arrumou aquela rosa!? Embora minhas flores favoritas sejam hortênsias azuis, eu amei a rosa champanhe! – O contestava, curiosa.

— Desculpe, mas não costumo contar alguns segredos tão facilmente, senhorita Ellis. – O Capitão redarguia, com um sorriso de canto confino... e grato por ela ter desfrutado do pequeno esforço que fizera para deixar sua manhã mais agradável.

— Uuh... então o Capitão América possui alguns mistérios...? Parece que não te conheço totalmente...

— Tenho a mesma impressão sobre você... – Ele rebatia, deixando-a levemente impressionada.

— Bem... obrigada pelo café da manhã, pela rosa e pelo bilhete, que vou guardar com muito carinho daqui para frente... e... a propósito, sua caligrafia é perfeita...! – Kiara sorria novamente, deixando-o encabulado por suas palavras tão carinhosas, já que ela não costumava ser assim na maior parte do tempo.

— Me desculpe por deixá-la sozinha... mas precisava me exercitar e comprar a nossa comida... – Steve virava o olhar, um pouco tímido pelos recém-elogios que ela lhe lançava, pretensiosamente.

— Você chegou um pouco tarde... será que foi por causa de alguma mulher...? – A Segundo-Tenente lançava uma piada, fazendo-o sorrir de volta... aquele sorriso juvenil, quase envergonhado, que ele exibia sempre que aprendia algo novo ou era surpreendido...

Kiara odiava o efeito que o menino de ouro da América tinha nela... odiava e amava para falar a verdade... sua inocência e ingenuidade lhe atraiam fortemente...

Era difícil odiar alguém tão gentil e bondoso... embora tivesse horas que desejasse afogar a cabeça dele na privada...

— A única mulher que sairia comigo é a Kate, mas não combinamos nada hoje.

— E combinaram quando...? – A loirinha investigava, com um sorriso travesso, encarando-o com exatidão.

— Marcamos em Nova York. Ela vai estar por lá nas próximas semanas...

— Hmm... quer dizer então que você finalmente vai sair com alguém? Isso é meio inacreditável...

— Não é um encontro, senhorita Ellis... ela apenas me chamou para um café. – Steve dizia enquanto abria as janelas da varanda do quarto, deixando o sol entrar ainda mais.

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— Bem, eu não deveria dividir o meu homem com ninguém, mas vou abrir uma exceção dessa vez.

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Mary Crystal afirmava, soltando aquela risada infantil e levada, não mais com duplo sentido, mas indo direto ao ponto.

Steve lhe lançava um olhar confuso... era uma confusão tímida, tingida de um leve embaraço...

— O que... você... – O Capitão não conseguia terminar... seu rosto já estava vermelho de novo... e era sempre assim... Kiara lançava suas piadas audaciosas e lá estava ele, chocado com o teor delas...

— Calma, Cap... eu estou brincando. Sei que me enxerga como uma irmãzinha mais nova... talvez a irmã que não teve, não é mesmo? Pode sair com a Kate sem dor na consciência. Aliás, eu até apoio. Você precisa liberar esses hormônios sexuais acumulados a quase sete décadas... – A garota afirmava, com os olhos fixos nas páginas do livro que segurava.

Steve olhou para ela... um pouco decepcionado com tais palavras...

Ele nunca a enxergou como uma irmã... nem mesmo por um segundo...

O Capitão balançou a cabeça em desaprovação.

— Ainda bem que não levo suas piadas a sério... – Ele se dirigia ao banheiro, prestes a tomar um banho.

— AAH, EU TINHA ESQUECIDO DE TE MOSTRAR UMA COISA!!! – A garota gritava, desesperada, tirando três papéis impressos de dentro de um envelope na última página do livro.

— O que foi...? – O loiro perguntava, assustado pelo grito estridente da Segundo-Tenente.

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— SE ARRUME PORQUE EU CONSEGUI TRÊS INGRESSOS PARA O JOGO DOS DODGERS CONTRA OS TIGERS QUE VAI ACONTECER HOJE A TARDE EM LOS ANGELES, AAAAAAAAAAAAAAH!!! – Mary pulava na cama Queen Size, feliz e saltitante.

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Steve arregalava os olhos, desacreditado do que ouvia.

— É sério!? Como conseguiu!? – A expressão no rosto do Super Soldado era de alegria e animação... quantos anos fazia que não assistia a um jogo de baseball, ainda mais dos Dodgers?

— Eu ganhei num sorteio daquela estação de rádio que você sempre deixa sintonizada! Eles entregaram na recepção e um dos funcionários do hotel subiu aqui e me deu! – Ela vibrava, com as mãos para cima.

— Qual o horário do jogo!? – Steve perguntava, completamente animado.

— Quatro e dez da tarde! É melhor você se arrumar rápido! Logo o Sam vai chegar aqui para nos levar!

— Estou indo agora tomar um banho! – Steve corria para o banheiro, mostrando que assim como ela, estava super feliz por finalmente ver seu time jogar de novo... embora não conhecesse os novos jogadores e nem estivesse tão atualizado sobre os campeonatos.

Ele abria a porta do banheiro, apressadamente, puxando a camiseta sobre a cabeça, deixando seu torso nu.

Mary espiava de forma descarada, observando atentamente aqueles músculos maravilhosamente trabalhados do peitoral, das costas, bíceps e tríceps...

Talvez Steve Rogers fosse seu abismo particular... céus... que homem lindo era aquele, que tinha vontade de apertar e morder...?

A loirinha lambeu os lábios diante daquela visão incrivelmente divina...

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— Capitão Gostosão América...

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Sam Wilson, pegava Steve e Mary no hotel em Newport, rumo ao Dodger Stadium, o estádio do Los Angeles Dodgers.

O Falcão, vez ou outra fazia algumas missões particulares para a Segundo-Tenente dentro do seu posto como ‘segurança da filha do Presidente’.

Aquele dia, ele não estava muito feliz de ter que assistir a um jogo de baseball de dois times que ele odiava, já que o mesmo torcia para o Colorado Rockies.

Os três chegaram ao estádio, entraram e logo se sentaram em suas poltronas.

Estava quente em Los Angeles... o fim da primavera marcava altas temperaturas e o sol fazia a maior parte dos torcedores transitarem pelo estádio com bonés e óculos solares.

Enquanto o jogo não começava, Kiara resolvia pegar petiscos e bebidas com algum vendedor, na entrada do estádio.

Os dois ficaram sozinhos, esperando pela garota.

A sensação do sol da tarde, a brisa oscilante e o cheiro de cachorro quente despertavam antigos sentimentos nostálgicos em Steve, quando se recordava de assistir aos jogos de seu time no estádio do New York Yankees em Nova York.

Um homem passava vendendo cerveja pela fileira das arquibancadas na sessão onde os dois estavam.

Steve acenava e o vendedor passava por eles, carregando um isopor.

O loiro comprava quatro garrafas, entregando uma nas mãos de Sam.

— O Capitão América escolheu cerveja em vez de Coca-Cola? Estou impressionado... – O Falcão fazia uma piada, se recordando da noite em que se conheceram e Steve pedia uma simples garrafa de Coca-Cola.

— Só hoje... – Steve redarguia, abrindo a garrafa.

O Super Soldado apoiava os pés no assento vazio em sua frente. Não havia ninguém em sua fila, nem na fileira da frente e nem na de atrás. Os três chegaram mais cedo e o estádio ainda se encontrava parcialmente vazio.

O loiro colocava a garrafa no joelho, brincando com o rótulo do vidro molhado...

Pela primeira vez, ou uma das raras vezes desde que acordou do gelo, o Capitão América estava grato de ter despertado... era incrível estar de volta a um estádio de baseball, ainda mais o estádio oficial dos Dodgers, num entardecer quente de Los Angeles no final da primavera... ele sonhava conhecer aquele estádio antes de se tornar um Super Soldado.

E quem diria que quem realizaria aquele sonho, era Mary Crystal Ellis?

O loiro respirou fundo quando se deu conta disso... sentia um aperto no estômago e um leve desconforto toda vez que o rosto da Segundo-Tenente lhe vinha à mente.

Steve desejou (não pela primeira vez) que o álcool daquela cerveja tivesse um forte efeito sobre ele... ainda que fosse apenas por alguns minutos... seria maravilhoso deixar de ser ele mesmo por um tempo e não sentir aqueles efeitos desconfortáveis.

Sam notava o semblante tenso do Capitão... sabia que havia algo errado com ele.

— E aí, Capitão, como estão as coisas ultimamente...? – O aviador perguntava, tentando puxar assunto, justamente porque estava estampado na cara de Steve Rogers: “Preciso conversar com alguém”.

— Meus dias não estão nada normais... tem sido difícil conviver com a senhorita Ellis o tempo todo... – O loiro redarguia, dando mais um gole em sua bebida.

— A Mary é complicada como pessoa... mas extraordinária como uma piloto. Devia vê-la voando... é incrível...

— Você já viu?

— Sim... não é à toa que ela chegou aonde chegou com pouca idade...

— Bem... quem sabe um dia, eu não possa vê-la mostrando suas reais habilidades? Porque no momento, tudo o que tenho são piadas, provocações, discussões banais e reações que nunca consigo entender... – Steve confessava, incomodado e cansado das brincadeiras de Mary Crystal.

— Vocês estão dividindo uma suíte, não é...? – O Falcão indagava, fazendo o loiro engasgar com a bebida.

— Como sabe...!?

— O Coronel Rhodes está a par de tudo isso e nos reportou. Além do mais, ele e o Diretor Fury tem mantido contato frequente.

— Céus... eu não tinha ideia... e pensar que outro dia, ele presenciou uma discussão nada republicana entre mim e a senhorita Ellis... se isso for parar nos ouvidos do Senhor Presidente, preciso imediatamente me desculpar...

— Acho que não há necessidade... – Sam sorriu de canto, malicioso, sabendo que uma das missões dele e Riley, era garantir que Steve e Mary passassem a maior parte do tempo juntos, já que o Presidente dos Estados Unidos havia designado tal missão a Rhodes e aos dois aviadores, mas... o Super Soldado sequer podia sonhar com isso.

— E por que não há necessidade...? – O Capitão perguntava, inocentemente.

— Por nada não... – O Falcão sorriu novamente, virando o rosto para o lado, segurando um riso.

Steve suspirou novamente... era notável que algo estava lhe incomodando.

— Capitão, tem algo de errado...? Olha, a Mary vai demorar pra voltar e já que ela não está aqui, podíamos aproveitar. Sei que há coisas que não se sente à vontade de falar com ela, então se eu puder ajuda-lo, estou aqui...

O Capitão o encarou, com certa perplexidade... como Sam Wilson sabia que precisava desabafar com alguém? Ele era assim tão transparente?

— Bem... eu não sei como dizer isso... normalmente, costumava falar sobre essas coisas com meu melhor amigo... que infelizmente não está aqui... – O loiro massageava as têmporas, totalmente perdido.

— O Sargento Barnes? Eu tô sabendo de tudo. Ele foi preso pela SHIELD uns tempos atrás, certo? A história dele é assustadora e inacreditável... imagino o quão doloroso deve ter sido pra você, ter descoberto que ele estava vivo e sendo controlado pela HYDRA.

— Bem... é estranho saber que você está por dentro de tudo isso, mas sim... foi doloroso saber que ele estava vivo... que foi capturado pela HYDRA, torturado e transformado num assassino de elite... ainda dói, mas estou fazendo o que posso para me recuperar.

— Já foi atrás dele?

— No momento, estou proibido de vê-lo, porém, pretendo reverter a situação em breve.

— Vai dar tudo certo. – O Falcão tocava o ombro do Capitão, mostrando que o apoiava.

Steve sorria ao constatar que podia ter um bom amigo além de Bucky Barnes.

— Agora desembucha... me fala o que anda te afligindo ultimamente. Sei que não é a situação atual do Sargento Barnes, então pode abrir o jogo... é sobre a Mary...?

O Super Soldado se sentia um pouco tímido de expor qualquer coisa do que estava acontecendo com ele nos últimos dias.

Ele olhou ao redor, notando que as fileiras da frente e de trás ainda estavam vazias... ninguém ouviria o que diria a seguir...

— Bem... está um pouco difícil ter de dividir um quarto com uma mulher... não é algo que eu esteja habituado e tem me incomodado de várias formas... – Confessava, um tanto embaraçado.

— Eu imagino... ainda mais por que a Mary te provoca o tempo todo e convenhamos... ela é linda.

— Sim... – Steve concordava, sentindo-se patético por expor suas debilidades.

— Sei exatamente que você faz o tipo tradicional, Cap. Você não estava aqui quando ocorreu a Revolução Sexual nos anos 60. – Sam revelava, deixando-o boquiaberto.

— Revolução sexual? Isso aconteceu no tempo em que estive fora?

— Foi tipo um movimento que ocorreu no Ocidente sobre a liberação sexual, que abrangia maior aceitação do sexo fora das relações heterossexuais e monogâmicas tradicionais, principalmente fora do casamento. Além disso, a pílula anticoncepcional e diversos métodos contraceptivos para homens e mulheres foram essenciais para banalizar relações de sexo com compromisso... – O Falcão explicava detalhadamente os motivos do atual comportamento do mundo ocidental.

— Eu... realmente não sabia sobre nada disso... mas... em minha concepção, talvez isso seja um problema...

— Sei que não vai conseguir ser convencido tão facilmente. É difícil se adaptar a toda essa loucura, não é mesmo...?

— Eu diria que é impossível... – Steve sorria singelamente, quase desistindo do século 21 e esperançoso em voltar para a década de 40.

— Mas agora que te expliquei tudo isso, dá pra entender um pouco melhor a Mary? Ela é só consequência do mundo moderno... não é bem culpa dela, digamos assim...

— Eu já imaginava... o problema sou eu...

— Eu diria que seu comportamento diante de tudo isso é normal... mas... espera aí... você não é um homem normal... é um Super Soldado com tudo expandido quatro vezes mais...

— Acho que sei aonde quer chegar... – Steve mais uma vez virava o rosto, constrangido... e Sam... bem, esse estava disposto a ir direto ao ponto...

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— O soro aumentou a sua libido?

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— Ah... não exatamente... – O Capitão respondia, sem encontrar palavras para explicar... sua expressão era de embaraço e ele coçava freneticamente sua nuca, nervoso e constrangido.

O Falcão sorria, achando engraçado, mas ao mesmo tempo assustador.

— Se esse é o problema, tudo o que precisamos é achar uma garota com força suficiente para aguentar de quatro a dez rounds por dia... só que... pelo resto da vida, já que você não curte relacionamentos descompromissados e quer se casar...

O Super Soldado tinha vontade de sair correndo e se enterrar em algum buraco, apenas para que o mundo não pudesse ver sua expressão envergonhada... céus, era indigno demais...

Sam continuava...

— Deve ser fácil encontrar uma garota assim... podemos colocar um anúncio no Craigslist ou nos classificados do New York Times: "PROCURA-SE CANDIDATAS PARA FUTURA ESPOSA DO CAPITÃO AMÉRICA". – O Falcão brincava, deixando-o ainda mais constrangido.

— Muito engraçado, mas essas candidatas teriam que gostar de mim e não do Capitão América.

— E você não é o Capitão América?

— Nem sempre...

— Certo... mas ainda assim, você precisa de uma parceira forte, que seja no mínimo, tão forte quanto você... esse é o atributo mais importante.

— Até onde sei, não existem Super Soldadas por aí...

— E quem disse que precisa ser uma Super Soldada? Pode ser uma garota que tenha recebido radiação da joia do espaço... – O aviador sugeria, fazendo Steve lhe lançar um olhar impaciente.

— Eu entendi a referência, Sam... – O loiro bufava, desacreditado de tais palavras.

— Ah, qual é!? Quem melhor do que a Mary pra casar com você!?

— Eu e ela não temos nada a ver...

— Aham... sei... algumas pessoas dizem por aí que vocês parecem estar flertando enquanto brigam...

— Essas pessoas estão ficando loucas... – O Capitão revirava os olhos.

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— Todo mundo sabe que rola a maior tensão sexual entre vocês dois...

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Sam revelava, deixando-o sem palavras.

— O-o-o quê!?? – Steve gaguejava, corando violentamente.

Como assim todos tinham essa impressão sobre os dois?

— Está chocado? Mas é tão óbvio... acho que as pessoas mais cegas nessa situação são você e ela. Você, porque parece lutar contra a possível atração que sente pela Mary, e ela, porque acha que tudo é apenas uma brincadeira e que você não a enxerga assim...

— E-e-eu... não tenho certeza sobre nada disso... – Steve voltava a esconder o rosto, sem coragem de encará-lo, mas quando se moveu, dava de cara com Mary Crystal, segurando uma garrafa de suco, um pote de pipoca e uma barra de chocolate.

O Super Soldado segurou um possível grito de susto...

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— Por que tá com essa cara, Cap...? Parece que viu um fantasma...

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A loirinha o indagava, sentando ao lado dele.

Graças a Deus, ela não ouviu uma palavra daquela conversa...

Sam soltava um riso malicioso, olhando fixamente para os dois...

Steve olhava para baixo, retraído e tímido, e Mary se deslumbrava com a visão de todo o estádio... alheia a conversa que os dois tiveram antes dela chegar ali...

— Isso vai ficar divertido daqui pra frente... – O Falcão dizia a si mesmo, baixinho, esperando o jogo começar.

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O jogo acabava, com a vitória dos Dodgers.

Steve e Mary vibravam e Sam... bem, esse simplesmente não ligava, afinal, o seu Colorado Rockies não estava ali...

— O Riley deve estar chegando e é ele quem vai dirigir, então, vamos pro estacionamento?

— Eu quero comprar uma camiseta dos Dodgers! Até hoje não achei nenhuma do meu tamanho, então vocês podem ir na frente. – A loirinha os avisava, já prestes a sair dali.

Ela se inclinava para trás e reajustava seu rabo de cavalo.

— Espera, Mary... o Steve vai te acompanhar e eu vou pro estacionamento, ok!? – Sam empurrava o loiro na direção da garota.

O Capitão notava o sorriso de canto sórdido do Falcão. Era obvio que ele estava jogando-o em cima dela, torcendo descaradamente pelos dois e achando tudo muito divertido.

Mary estava alheia a tudo aquilo e então...

— Tudo bem, então vamos logo, Cap. – A loira o chamava, deixando-o para trás.

Steve esboçava uma careta engraçada, gesticulando e fazendo mímica para Sam, como se não quisesse ir.

O aviador apenas sorria, observando os dois... dando tchauzinho para o loiro.

— É só questão de tempo... – E então, ele virou de costas, rumo ao estacionamento.

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O Capitão caminhava atrás dela, com as mãos no bolso, um tanto retraído depois daquela conversa estranha com Sam.

O sol estava se pondo... em breve anoiteceria...

Ele observava Mary Crystal andando... e atentava para as pintinhas nas costas dela, visíveis por causa do cabelo preso, expondo sua pele...

A regata colada acentuava as curvas de sua cintura... o short jeans curto realçava o volume de suas nádegas, que entrava em consonância com o quadril... além de revelar quão belas eram suas pernas...

Ele descia o olhar para a curvatura simétrica dos tornozelos... tão femininos... tão graciosos... e por fim, no par de tênis esportivos que a garota calçava, denunciando seu tamanho, que provavelmente era 36... ela tinha um pezinho de boneca e isso era encantador...

O Super Soldado chacoalhou a cabeça quando percebeu o nível de seus pensamentos... não tinha a intenção de prestar tanta atenção nos detalhes do corpo esbelto da Segundo-Tenente, mas nos últimos tempos, estava sendo difícil ignorar o que estava diante de si...

Mary se encontrava alheia a tudo o que estava acontecendo... céus, ele estava se sentindo um lixo por isso...

Steve se perdia na estrada de seus próprios delírios a envolvendo... mas desejava pegar um atalho para voltar ao caminho certo em sua mente...

A garota caminhava até uma loja oficial do estádio, mas não havia mais camisetas do seu tamanho, porém, uma pessoa lhe alertava a procurar por vendedores do lado de fora do estádio, e foi o que a mesma fez.

Os dois saíram para o lado de fora, e ali havia muitos vendedores... mas de tudo no geral: De camisetas de times a algodão doce.

Steve via alguns estandes e resolvia olhar os modelos das camisetas, então, um deles lhe chamava atenção: Uma camiseta totalmente azul, com o logo dos Dodgers em branco, e o melhor: do seu tamanho.

Vinte e cinco dólares + um chaveiro.

O loiro deixava o estande com um sorriso satisfeito, já Mary...

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Fazia uma careta birrenta enquanto voltava sem nada nas mãos...

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— Não achou o seu tamanho? – Steve a questionava.

— Não e... espera aí, você achou uma pra você!?

— Sim... tinha o meu tamanho... – O loiro sorria vitorioso, mas aquilo apenas deixava a loirinha ainda mais irritada.

— Mas você nem ia comprar nada! – A garota rebatia, indignada.

— Mudei de ideia quando vi uma camiseta interessante.

— Qual!?

— Toda azul com o logo do time em branco.

— VOCÊ COMPROU EXATAMENTE O MODELO QUE EU QUERIA!? COMO SE ATREVE CAPITÃO ROGERS!? – Mary começava a fazer escândalo, deixando-o levemente envergonhado.

— Se acalme, senhorita Ellis...

— Você fez isso só pra me provocar!? Ou será que queria se vingar!?

— Do que eu me vingaria...?

— De tudo!

— Não tenho culpa se você tem um corpo pequeno e magro e não consegue achar o tamanho... ‘micro P’... – O loiro a provocava, deixando-a ainda mais irritada.

— Micro P!? Esse tamanho nem existe! Você está fazendo piada!? É isso!?

— Eu não me atreveria... não quero morrer... – O Super Soldado replicava, segurando o riso.

Enquanto ambos discutiam por causa de uma simples camiseta, ouviram um grito que parecia a voz de uma criança.

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— Capitão América! Capitão América! – Um menininho, que aparentava ter seis anos de idade o chamava, apontando o dedo na direção do loiro.

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Steve ficava um pouco envergonhado, por ver que algumas pessoas passaram a reconhece-lo no mesmo instante.

Alguns se aproximaram para cumprimenta-lo e agradecê-lo por seus serviços ao país na segunda guerra mundial. Outros apenas sorriam de longe e acenavam com a cabeça ou com as mãos.

Os americanos amavam o Sentinela da Liberdade.

Mas o menininho continuava gritando, eufórico por vê-lo em sua frente.

— Capitão América!!! Oi!!! É o Capitão América, Lily!!! – Ele chamava sua irmã que parecia ter nove anos de idade, que carregava um smartphone e logo começava a tirar fotos do Super Soldado.

— É ele mesmo!!! – Os dois começaram a pular, chamando sua atenção.

A garotinha sorriu e Steve sentiu seu coração derreter diante da admiração que aquelas crianças mostravam ter por ele.

O Capitão América adorava crianças...

A mãe dos dois irmãozinhos estava de longe, os observando, enquanto falava ao telefone.

— Timmy! Timmy! Vamos tirar uma foto!? – A garotinha chamava seu irmãozinho que começava a pular de forma vibrante.

— Foto! Foto!!! – Ele pulava, girava e gritava animadamente.

Mary observava aquela cena, achando encantadora... ela se recordava de quando tinha a idade deles e também amava o Capitão América...

Os dois então se aproximaram e pediram gentilmente para que Steve tirasse uma foto com eles.

— Por favor, tire uma foto com a gente, Capitão!? – Lily, a irmãzinha solicitava, segurando o aparelho.

— Claro... – E então, o Super Soldado se agachou e os dois irmãozinhos o cercaram, um de cada lado.

O loiro é quem tirava a... selfie... já que ele era sempre o responsável pelas fotos em grupo, por causa dos braços longos.

Então, vendo o quão desajeitado Steve parecia ao estar diante de mais um smartphone de uma marca diferente, Mary resolvia assumir.

— Hey, posso tirar a foto pra vocês? – Ela perguntava as crianças.

— Sim!!! – Os irmãos respondiam em uníssono.

E então, a Segundo-Tenente tirava fotos de corpo inteiro, num bom ângulo, enquadrando-os corretamente.

Steve sorria aliviado por ser salvo por Mary Crystal...

Ele ainda estava pegando o jeito com a tecnologia daquela época, mas ainda não tinha aprendido tudo...

A loira entregava o aparelho para a garotinha, que sorria feliz.

Quando Kiara voltou a se aproximar dele, imaginou que ela faria alguma piada na frente das crianças, mas ao invés disso...

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— Isso foi muito legal da sua parte, Steve...

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Mary sorria, impressionada em ver o quão gentil ele era com crianças...

Mais uma linda qualidade para a lista interminável de qualidades do Capitão América que a Segundo-Tenente fazia questão de contabilizar.

Era um tanto estranho ser elogiado por Mary na frente de outras pessoas... ainda que essas pessoas fossem crianças.

Era notório que para elas, Steve era um homem nobre, heroico e fiel ao país... os olhos delas mostravam exatamente isso...

Jamais estragaria aquela visão que tinham dele, só porque sempre fazia piadas envolvendo o Super Soldado nas horas mais indevidas.

Tudo ia bem... as crianças sorriam alegres e satisfeitas e os dois se derretiam diante delas, até que...

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— Você é a namorada do Capitão América!? — O garotinho perguntava, inocentemente.

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Steve olhou para Mary, um pouco assustado e embaraçado com aquela pergunta.

A Segundo-Tenente fitou o menininho, sorridente, com os olhinhos brilhando, esperando por uma resposta...

— Não sou a namorada dele, mas tenho certeza que a mulher que conseguir isso, com certeza será uma sortuda... — Ela piscou para o garotinho, esperando que o mesmo se contentasse com suas palavras, mas...

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— Você devia ser a namorada dele!

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Steve arregalava os olhos, perplexo.

Crianças eram tão ingênuas e inocentes, mas ao mesmo tempo tão sinceras...

Mary Crystal olhou para o Super Soldado, vendo a feição introvertida tão nítida...

— Você acha que devia ser a namorada dele? Mas será que ele me aceitaria...? – A loira perguntava ao garotinho, agachando para ficar na altura dele, virando o rosto e encarando Steve nos olhos, com um sorriso divertido nos lábios.

— Claro que sim! Você é linda, não é, Capitão!? — O menininho perguntava, inocentemente.

Steve engoliu a seco... um nó se formava em sua garganta... mas não podia dizer o contrário ao garotinho, já que, primeiro, ele era apenas uma criança e segundo que de fato, Mary Crystal era uma mulher linda...

— Sim, tem razão... ela é linda... — Steve sorria, discretamente, tentando não deixar seu nervosismo transparecer.

— Então está decidido! Vocês vão namorar! Já é o meu casal preferido! – Agora era Lily, a irmãzinha que afirmava, convicta.

Mary acariciava o cabelo do pequeno Timmy, achando-o encantador... ele e sua irmã eram loirinhos, tinham cabelos lisos, pele branca, possuíam sardas, olhos azuis e vestiam camisetas escrito L.A Dodgers.

— Uau... então acho que devemos começar a namorar hoje mesmo, não é Steve? — Kiara soltava um riso divertido, achando tudo engraçado...

— Quem sabe...? — Ele respondia, não dizendo sim e nem não, apenas porque não queria acabar com o desejo dos dois irmãozinhos.

O loiro pensou que tudo estava resolvido, mas os irmãos o surpreenderam novamente...

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— Pede ela em namoro! – Lily gritava.

— É, pede, pede!!! – Timmy também gritava.

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O Super Soldado esboçava uma expressão perplexa... não esperava que as crianças pediriam por aquilo...

Kiara assentia aos pequenos, mostrando que concordava.

Ela se levantou, se aproximando do Capitão e soltou...

— Vai, Cap... faz o pedido... – A garota piscava, esperando que ele desse o próximo passo, tudo para alegrar as crianças.

— Certo, então... — O loiro se aproximou, esfregando os dedos na nuca, passando a mão pelos cabelos, um tanto sem jeito e envergonhado...

A Segundo-Tenente observava sua timidez, achando um tanto fofo...

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— Senhorita... digo... Mary Crystal... você... quer namorar comigo?

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A loira andou um passo na direção dele e...

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— Sim...

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— Eeeeeeeeeeeeeeeeee!!! — Os dois irmãos gritavam e vibravam de alegria, com os bracinhos para o alto.

Embora o Capitão estivesse assustado diante de tudo aquilo, ele se fascinava pela felicidade das crianças por conta de poucas palavras que eram reais para elas...

Kiara e Steve vislumbravam os pequenos... eles eram tão lindos e adoráveis, até que...

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— Agora se beijem!!!

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— É, se beijem!!! — Os dois começavam a cantar em uníssono enquanto batiam palmas.

O Capitão e a Segundo-Tenente alargaram o olhar e se entreolharam...

Aquelas crianças já estavam indo longe demais...

Kiara respirou fundo, querendo contrariá-las... mas aqueles olhinhos azuis a hipnotizavam completamente...

Ela olhou para o loiro e...

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— Acho que tenho que te beijar, Steve...

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— Você não tá falando sério... está!? — Ele replicava, totalmente chocado... como assim ela iria beijá-lo...?

— Relaxa... – E então, a Segundo-Tenente encurtou a distância entre ambos, ficando na ponta dos pés rapidamente e então...

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Mary dava um beijo suave na bochecha do Capitão...

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Os dois irmãozinhos gritaram e bateram palmas de novo, alegres.

Steve olhava para cima, desconsertado e com as maçãs do rosto coradas... até onde não iriam para manter aquelas crianças felizes?

A loira sorria, travessa e satisfeita. Agora com certeza os dois irmãos não pediriam mais nada, já que tinham chegado ao auge das exigências, só que quando os dois pensavam que tudo tinha acabado...

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— Ah, mas beijo na bochecha não é uma prova real! Se beijem na boca!

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— É, na boca!!!

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Kiara franzia o cenho, fazendo uma careta de espanto, achando aquelas crianças safadinhas demais, muito acima do normal...

— Crianças... isso é um pouco demais, não acham? – A loira perguntava, vendo os olhares desconfiados dos dois.

— Namorados se beijam na boca e vocês não fizeram isso! – Lily, a menininha, redarguia, com os bracinhos cruzados, olhando para os dois com uma expressão birrenta.

— Se beijem! Se beijem!!! – Timmy, o menininho, pulava e gritava ao mesmo tempo, esperando que os dois de fato, se beijassem.

Mary massageava as têmporas... dessa vez, não tinha como ceder.

Só que os dois irmãozinhos começavam a fazer cara de choro...

Ela não queria ver aqueles olhinhos azuis marejados em lágrimas... por que seu ponto fraco também era crianças...

Não tinha outro jeito...

A loira se virou para o Capitão, que lhe lançou um olhar desacreditado.

— Você não está pensando em... — Ele sussurrava baixo...

— Sim, eu estou. E você é o herói dessas crianças, então cumpra o seu papel... – Ela replicava em baixo tom.

Os dois irmãos aguardavam ansiosos, com os olhinhos agora brilhando.

— Desde quando agir como um herói me obriga a te beijar!? – Ele recuou um passo para trás, assustado pela audácia dela.

— Não seja covarde, Steve... – Mary lançava um olhar assombroso na direção dele, com direito a lasers e raios.

— Mas-

— É tudo pelas crianças...! – Ela sussurrava no ouvido dele.

E então, a Segundo-Tenente se virou para os dois...

— Bem crianças, já que vocês insistem, então nós vamos provar que esse namoro é real!

— Ebaaaaaaaa!!! – Os dois vibravam, com os bracinhos pra cima.

A garota virou novamente para o Capitão, que tinha uma expressão emblemática no rosto... era uma mistura de espanto com constrangimento... ainda não acreditava que a Segundo-Tenente faria... aquilo...

Estando de frente para ele, a loira agarrou o rosto do Super Soldado com suas delicadas mãos num movimento veloz, e na ponta dos pés, fazia o que ele não queria de jeito nenhum...

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Mary encostava seus lábios nos dele, num simples, porém demorado e molhado selinho...

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Os dois não fecharam os olhos... os dois não se aproximaram muito... era apenas uma encenação... um simples gesto que tinha como objetivo fazer as duas crianças sorrirem...

O “beijo”, durou exatos três segundos... um simples encostar de lábios... um toque levemente suave...

E então, Kiara separou seus lábios dos de Steve e se virou rapidamente para os dois irmãos, de novo...

— E agora...? – Ela sorria, esperando pela reação deles.

— Uauuuuuuuuuuu!!! Adoreeeeeeei!!! – A garotinha festejava.

— De novo! De novo!!! – O menininho pedia mais um selinho, mas aí já era demais, certo...?

Mary ria diante da alegria das crianças, e Steve estava envergonhado e impressionado ao mesmo tempo... pelo visto, não era só ele que gostava de crianças, a ponto de fazer tudo por elas.

Secretamente, o loiro desconfiava que a Segundo-Tenente interpretava uma personagem caricata quando estavam a sós, porque em público, Mary era outra pessoa...

— Agora que vocês namoram, podiam andar de mãos dadas! – Lily fazia mais um pedido, mas depois daquele selinho, segurar a mão um do outro não parecia ser nada demais.

E mais uma vez, Steve e Mary se olharam...

— Vamos lá, namorado...? – A loira perguntava, olhando para o Super Soldado, estendendo a mão na direção dele...

O Capitão pegava na mão feminina... um tanto hesitante...

Os longos dedos se fecharam em torno da delicada mão... e ele não conseguia explicar a sensação que sentia... era aconchegante...

Tudo já se encontrava fora dos eixos nos últimos dias... e o motivo claramente se chamava Mary Crystal... e agora lá estavam eles, contracenando cenas românticas na frente de duas crianças que acreditavam piamente naquele namoro de mentirinha...

Kiara ainda olhava para ele... claramente atuando uma namorada apaixonada...

O intenso olhar esverdeado dela... provocava um arrepio em sua espinha...

E do nada, a mãe das crianças se aproximava...

— Me desculpem... eles deram muito trabalho? Estava ocupada falando ao telefone e fiquei observando de longe... eles falam feito duas matracas!

— Não se preocupe...

— Os dois são encantadores... – Mary elogiava os pequenos.

— Obrigada por ficarem de olho neles!

— Imagine... – Steve agradecia de volta.

— Meu marido é muito seu fã, Capitão! Daí esses dois acabaram entrando para o fã-clube também! – A mãe esclarecia e isso explicava porque os dois o reconheceram mais rápido que as demais pessoas ao redor.

— Ah... obrigado... – Steve agradecia, um pouco encabulado.

— Vocês formam um lindo casal! — A mulher piscava, sorridente, deixando Steve e Mary constrangidos, que fingiam estar juntos e ainda seguravam a mão um do outro.

Ela pegava na mão de seus filhos e os três acenavam, dando tchauzinho, se despedindo do Capitão e da Segundo-Tenente.

Steve e Mary acenavam de volta... sorrindo para os dois irmãozinhos...

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Os dois permaneceram de mãos dadas, sem perceberem...

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Kiara notava o quão quente, firme e seguro era o aperto da mão dele... e uma sensação incrível de proteção, amparo e defesa lhe acometia...

Steve era o herói das crianças... ele foi seu herói também... não só quando apenas era uma garotinha frágil e doente, mas quando a salvou em Las Vegas...

Mary nem tinha agradecido a ele civilizadamente... seu orgulho muitas vezes imperava e estragava tudo...

Quando teria chance de agradecê-lo por ter salvado a sua vida aquele dia...?

Quando finalmente as crianças foram embora com sua mãe, ambos finalmente notaram que ainda estavam naquela posição, com as mãos entrelaçadas...

Steve largou imediatamente a mão da garota, tentando esconder o embaraço.

— Acho que fomos longe demais com essa mentira... – Confessava, ainda perplexo por ter atuado uma cena tão audaciosa daquelas.

— Relaxa, Cap... é melhor fazer duas crianças felizes do que mostrar na frente deles que não nos damos bem...

— Ainda assim... isso não foi certo...

— Não estrague os sonhos das crianças, Capitão América... você é um herói pra eles.

— Mas não pra você...

— Pra mim... você é só o bonequinho do Fury...

— Pareço mais o seu boneco...

— Seria ótimo se você fosse meu boneco... poderia fazer coisas maravilhosas com seu corpo... – Mary sorria, maliciosa, olhando-o debaixo em cima, e Steve apenas imaginava os piores tipos de tortura ao ouvir "coisas maravilhosas com seu corpo".

— Mas parabéns pela atuação... qual era o nome da personagem? Vanilla Ice Cream? – O loiro tentava fazer uma piada, relembrando das personagens dela, que tinham nome de doces americanos.

Mary apenas fazia cara de deboche.

— Eu sou uma boa atriz... você sabe...

— Sim, deve ser fácil agir como uma namorada apaixonada...

Diante da resposta dele, ela apenas resolveu rebater.

— Está vendo esses casaizinhos felizes ao redor? São tudo fachada...

— Você fala como se todo casal fosse infeliz.

— Sou uma fatalista... – Ela piscava, com um sorriso sórdido e ufano nos lábios.

Embora fosse um sorriso maldoso, ele enchia de cor o som de seu silêncio, enquanto a luz do pôr do sol mesclava num dourado fulgor, o cintilar dos olhos verdes da garota...

Ela arrumava, adoçava e embelezava tudo ao redor... sem nem ao menos perceber isso...

Steve olhou no fundo da íris esverdeada da Segundo-Tenente...

Seu olhar era diferente de todos os outros que Mary se recordava, e então, o loiro resolvia dizer algumas verdades entaladas...

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— Quando achar o amor de sua vida, quero muito ser o primeiro a vislumbrar a sua expressão de menina apaixonada, senhorita Ellis...

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E então, o que restou foi o sorriso que ele sempre parecia usar na presença dela... ligeiramente inseguro, quente e desconfiado, mas à sua maneira, confiante e fascinado...

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Notas finais
Ui, alguém aí acha que o Steve vai ver a expressão apaixonada no rosto da Mary quando ela se apaixonar? Será que ela vai se apaixonar, e se sim, quem será o felizardo (ou azarado)? Deixe sua opinião. O próximo será uma mini-aventura do nosso casal briguento... mais um capítulo apaixonante, com direito a chuva com sol, impressões, concepções e efeitos efervescentes, principalmente por parte do nosso Cap, que deve começar a perceber a intensidade disso quando a Mary fizer algo que o deixe chocado, mas dessa vez, positivamente. O que vai ser isso? Eu não posso dizer porque é spoiler, mas será bem chocante e... lindo... Não esqueçam os comentários... tá osso em galera? Tô esperando e espero retorno hein? Então façam esses dedinhos mágicos trabalharem! Até o próximo!