Nemesis
35 Entre gotas e raios solares

Entre gotas e raios solares
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13 de Junho de 2012, 09:10 AM
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Newport Beach — Califórnia
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Era mais uma manhã na Califórnia e o sol estava brilhando agradavelmente através do céu azul claro.
Steve voltava para o hotel em que ele e Mary dividiam, ainda em Newport Beach. Ambos se preparavam para partir no dia seguinte, agindo em conjunto com Natasha e Clint que estavam atrás de pistas que levassem ao paradeiro de Alexander Pierce.
O Super Soldado e a Segundo-Tenente iriam para Tijuana no México, pois a SHIELD acabava de descobrir que alguns membros da S.T.R.I.K.E. transitavam disfarçados por aquele local.
Era o último dia de folga do Capitão América, e se as coisas dessem certo na próxima missão, ele finalmente voltaria para Nova York.
Tony, Banner e Thor já estavam na torre dos Vingadores, trabalhando em conjunto com outras pessoas.
Com a volta de Steve, Natasha e Clint, a equipe estaria reunida novamente. E era nisso que o loiro estava focado.
O Capitão andava pelo corredor do hotel, trazendo algumas coisas nas mãos.
Ele colocou as sacolas que carregava na dobra do cotovelo, enquanto a mão livre procurava no bolso de sua calça as chaves do quarto.
Steve destrancava a porta e ao entrar, notava que Mary ainda estava deitada.
O Super Soldado fazia uma cara de reprovação ao vê-la ali, estirada na cama.
Ele caminhou na direção da janela, afastando as cortinas, deixando a luz do sol entrar no cômodo inteiro, iluminando o local.
O loiro observava a Segundo-Tenente, com um lençol cobrindo todo o seu rosto e então...
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— Quanto tempo você vai fingir que está dormindo?
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— Como você sabe que eu estou fingindo!? — A garota tirava o lençol do rosto, exibindo um sorriso travesso.
— Por que eu sei... – Steve colocava as sacolas na outra repartição do quarto, ao lado do frigobar.
— Normalmente, eu não mentiria sobre dormir, Cap.
— Mentiria sim.
— Ótimo... então quero saber quando você está mentindo também...
— Eu nunca minto pra você.
— Mentiroso... – A loirinha exibia uma feição divertida, em resposta, pulando da cama.
Ela já havia acordado, feito sua higiene matinal e apenas esperava seu doce cavalheiro lhe trazer comida.
— Achei que você me traria café da manhã na cama. – Ela o provocava.
— E por que eu deveria? Não está se sentindo melhor?
— Sim...
— Então sirva-se sozinha. – O loiro se afastava, deixando a cozinha só para ela.
— Nossa... cadê aquele cavalheirismo e cordialidade de antes?
— Quando achar que devo ser assim com você, eu serei. Fique tranquila. – Respondia na lata.
— Sei... — Mary pegava o pequeno vaso onde estava a rosa que ele havia lhe dado a dois dias, trocando a água do recipiente.
Ela olhou para o loiro, concentrado, olhando pela varanda da suíte e então, resolvia importuná-lo, já que um de seus hobbies favoritos era acabar com a paciência de Steve Rogers.
— Sabe, Cap... uma rosa nunca é só uma rosa e possui alguns significados...
— Que significados? – Ele se virava para ela, a observando da varanda do quarto.
— Uma rosa dentro de um vaso serve para decoração, uma rosa no jardim realça a beleza da natureza, uma rosa no cabelo destaca o encanto feminino e uma rosa presenteada a uma mulher soa como uma declaração de amor. – Ela piscava, fazendo um biquinho fofo.
— De onde você tirou essa lógica? – Steve arqueava uma sobrancelha, numa expressão ingênua.
— Ah, não faça essa carinha de inocente pra mim... eu mordo... – Ela sorria, segurando a rosa, o provocando explicitamente.
O Capitão então resolvia se aproximar, olhando atentamente para Mary Crystal.
Ao ficar frente a frente com a garota, ele apenas a encarava...
— Senhorita Ellis, você está...
— Incrível? Linda? Irresistível!?
— Bêbada às nove da manhã...?
Ela revirava os olhos. Dessa vez suas provocações não estavam surtindo efeito. Era tão chato quando ele não se intimidava.
— Eu só estou brincando...
— Eu sei. É por isso que não levo a sério a maioria das coisas que diz a mim. – Steve virava de costas, deixando-a com uma carranca no rosto.
— Ok, senhor protagonista de todos os meus sonhos eróticos...
Steve já parecia mais imune as afrontas infantis de Mary Crystal. Talvez fosse o tempo e a convivência que serviam como vacina anti-infantilidade.
A garota então desistia por ora, resolvendo preparar seu café da manhã.
Ela voltava para a cama segurando um copo de suco de laranja e duas torradas num prato.
O Capitão observava aquilo, achando um tanto errado da parte dela. Aonde estavam seus modos?
— Que eu saiba, uma cama não pode ser usada como mesa de café da manhã. Você vai sujar os lençóis com farelo de pão. – A repreendia, fazendo a garota revirar os olhos.
— Para de agir como um velho. Eu como onde quiser!
— O que esperar de uma mulher de 24 anos que se comporta como uma criancinha de 5? – O loiro a observava da varanda do quarto, com os braços cruzados.
— Céus, Cap, sabe por que você é tão chato e ranzinza!? Por que você está com está com todos os seus hormônios travados e não extravasa! Espero que você comece a sair com a Kate logo e quem sabe vocês não possam dar muitos passos ousados e marcarem alguns encontros num motel!? Quando você liberar toda essa tensão, vai se sentir melhor e parar de me tratar mal! – Ela dizia, mordiscando sua torrada logo depois.
— Pare de trazer à tona a minha vida sexual mais uma vez, senhorita Ellis. Deixe de ser inconveniente! – Ele replicava, não se intimidando com aquelas palavras.
— Por quê!? Depois que se tornou o Capitão América, você se manteve virgem por escolha, não é!? Mas pode ser diferente agora! Apenas tente e vá ser feliz!
— Embora não tenha que lhe dar satisfações da minha vida, sinto lhe dizer que não estou pronto para isso e peço para desistir de me convencer. – Steve ponderava, convicto, com uma expressão firme no rosto.
— Ui... que homem de convicção... parabéns por manter seus ideais intactos no século 21.
— Sabe o que eu acho engraçado, senhorita Ellis? Você sempre diz que a forma de extravasar e relaxar é fazendo sexo, mas não a vejo saindo com nenhum homem. Então por que me manda fazer o que não faz na prática?
Mary Crystal olhou para Steve com um semblante sério, durante quatro segundos...
— Sabe guardar segredos?
— Sou ótimo pra segredos... – Ele estreitava o olhar, desconfiado.
A garota resolvia fazer a maior revelação, que claro, o deixaria totalmente chocado.
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— Você não é o único inexperiente aqui. Estamos na mesma situação, Cap. Eu também sou virgem.
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Ele a olhava, num misto de desconfiança e perplexidade.
— Tá de brincadeira, né!? – A contestava, achando que aquilo era só mais uma piada.
— Não estou não. – Ela sorria, infantilmente travessa.
Kiara fazia tal revelação bombástica, sem nenhum constrangimento, causando uma expressão absurda em Steve.
— Mas...-
— Qual o problema? Por que sou obrigada a seguir modas e me atirar nos braços de qualquer zé ninguém? Eu mereço alguém muito digno pra um momento tão importante e especial em minha vida, não acha?
— Sim, mas... você é uma garota tão desinibida... livre de tantas coisas...
— Você me julgou muito mal, Capitão, e isso é bem estranho vindo de você.
— Bem... é realmente errado de minha parte, mas eu pensei que-
— Não, pensou errado. Sou muito desconfiada pra simplesmente bancar a garotinha idiota que se apaixona pelo primeiro cara que aparece, ou até mesmo cair por algum homem que tenha tantas coisas em comum comigo, anos de convivência, amizade, ou qualquer outro motivo forte que faça uma mulher ceder. Eu não cedo... nunca...
— Nunca...? – Ele arqueava uma sobrancelha.
— Talvez um dia, mas acredito que vá demorar muito... se é que vai realmente acontecer...
— Por quê...? – Steve estava curioso. Queria entender a lógica dela.
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— Meu corpo é um templo sagrado... não é qualquer um que pode entrar...
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— Você parecia moderna e ousada o suficiente para já ter chegado nesse estágio... -
— Pra já ter iniciado minha vida sexual? Não, e acredite, não é por insegurança. Enquanto algumas garotas por aí gostam de berrar aos quatro cantos que fazem o que bem entendem com seu corpo porque são donas dele, prefiro preservar o meu santuário para uma pessoa digna o suficiente de mim. Não vou abrir as pernas pra um monte de caras só pra parecer descolada e moderna. E assim como você, tenho um incrível autocontrole.
— É meio inacreditável, senhorita...
— Não devia ser. Além de ninguém ter despertado meu interesse, se entregar a uma pessoa de corpo e alma, requer muito mais da minha saúde mental e emocional do que essas mulheres modernas que fazem passeata nas ruas com os peitos de fora dizem por aí. Não quero macular o meu emocional, tampouco minha mente, tendo várias experiências que me deixarão traumatizada e principalmente, farão com que me arrependa no futuro.
— O que quer dizer com isso?
— Eu posso achar o cara certo e estar com uma bagagem horrível por ter me relacionado com outros antes, só porque a sociedade contemporânea diz que tenho que sair com vários homens para achar o certo.
— Continuo não entendendo... – Steve se mostrava ainda mais confuso.
— Eu quero dizer que posso estragar um relacionamento saudável com a pessoa certa por estar machucada por causa de outros relacionamentos. Acredite ou não, sou bem criteriosa e exigente. Não vou me entregar a um cara que não preencha todos os requisitos da minha lista. – Ela revelava, deixando boquiaberto.
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— Você... tem uma lista...? – Steve estava completamente... chocado...
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— Pode parecer ridículo, mas sim, tenho...
— Certo... eu ouvi tudo até aqui e confesso que estou surpreso... você... realmente está falando sério ou está brincando comigo?
— Não estou brincando, Cap... – E então, a garota mostrava seriedade e austeridade em sua expressão. Era algo bem chocante e impactante, e ele estava abismado por perceber que Mary parecia ter uma visão semelhante à dele, sobre aquele tipo de assunto.
— Isso é incrível, mas... chocante...
— Fazer sexo por fazer não é o mesmo que fazer amor... isso é o que eu penso e ninguém me fará mudar de ideia.
— Mas e se não achar a pessoa certa, senhorita...? Você tem um plano B?
— Se eu não achar a pessoa certa, vou permanecer igual a você: Virgem com mais de 90 anos de idade! – E então, a loira sorria sordidamente maligna, fazendo mais uma piada.
Diante de tais palavras, o Super Soldado resolvia a contestar novamente.
— Se tem esse tipo de pensamento, por que me mandar sair e fazer o que você não faz? Porque isso se aplicaria a mim e não a você? – Ele se referia ao fato de Mary sempre dizer para ele libertar seus instintos sexuais com qualquer uma.
— Eu só faço isso pra te provocar, mas não recomendo. Aliás... eu tenho certeza que você nunca iria aderir a essa ideia. Você é careta demais pra isso, vovô Rogers.
O loiro resolvia não responder.
Steve passou a manhã sendo distante, formal e talvez até um pouco desajeitado, mas convencido de que quanto mais conhecia Mary Crystal, mais se via perdido e rodando em círculos.
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Ao entardecer, Steve e Mary resolviam sair juntos para uma caminhada aos arredores de Newport Beach. O clima estava agradável e perfeito para a prática de exercícios.
Eles correram por um parque perto da praia. O sol estava tão quente, que resolveram se sentar debaixo de uma árvore para se refrescarem.
Enquanto o loiro permanecia sentado na sombra, Kiara voltava com duas garrafas de água.
Enquanto ela se aproximava, Steve notava o cabelo loiro brilhando de modo resplandecente diante dos raios solares...
A garota estava com uma regata, shorts curto, e um tênis de corrida, totalmente suada.
O Capitão se encontrava com uma camiseta própria para corrida, colada ao corpo, uma calça mais larga de poliéster e tênis de corrida também.
Os dois ficaram ali por cerca de meia hora, jogando conversa fora, no entanto, enquanto se mantinham distraídos, um grupo de homens vestidos com trajes típicos das periferias de Los Angeles, transitava pelo local e ao ver os dois ali, resolviam se aproximar.
Kiara ligou seu sinal de alerta no mesmo instante.
Não era típico que grupos como aquele estivessem ali, em Newport Beach.
Ela atentava para o cordão de alguns deles, que mostrava que faziam parte de uma gangue conhecida da Califórnia.
Steve, que tinha seus instintos aflorados e sabia reconhecer o perigo de longe, já resolvia se levantar, encarando-os com seriedade.
— Olha só que casalzinho bonitinho...! – Um deles os provocava, enquanto os demais sorriam de modo ousado.
— Senhorita Ellis, fique atrás de mim. – Steve sussurrava, puxando a mão da Segundo-Tenente para trás dele.
Era obvio que aquele grupo de mais de dez homens parecia estar induzido por substâncias químicas e atrás de confusão.
O Capitão analisava a postura de todos. Eles lembravam aqueles valentões que os perseguia quando ainda era apenas um asmático de 40 quilos.
— Aí, belezinha... larga esse mané e vem passear com a gente, o que acha? Garanto que não vai se arrepender. – Outro deles olhava diretamente para Mary Crystal, secando-a debaixo em cima.
Steve pensava que a loira sairia de trás dele e já armaria a maior briga, mas diferente do que estava esperando, a garota segurou firme a mão dele e sussurrou baixo, perto de seu ouvido...
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— Cap, vamos fugir...
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Steve virou o rosto em sua direção, desacreditado de suas palavras.
— O quê...?
E então, antes que ele pudesse argumentar, Kiara agarrou a mão dele e puxou o braço do Super Soldado com força, no ímpeto de...
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Correr...
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Num piscar de olhos, Steve e Mary começavam a correr apressadamente, fazendo com que o grupo de homens passassem a persegui-los.
A garota puxava Steve dali e ambos correram por cerca de cinco minutos em alta velocidade.
A gangue, não conseguia acompanhar o ritmo de um Super Soldado e uma garota com radiação da joia do espaço.
A dupla era incrivelmente veloz...
Mary continuava puxando o braço do Capitão, forçando-o agora a subir uma enorme escada numa célere velocidade.
Ao terminarem de subir as escadas, os dois deram de cara com uma paisagem incrivelmente linda e deslumbrante...
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A praia de Newport do alto... ao entardecer...
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O sol no auge daquela tarde, o mar resplandecente, a brisa fresca vinda do leste, as árvores ao redor... tudo formava um cenário perfeito e digno de filme...
Kiara descansava as costas no pequeno muro de pedra, olhando para o lado contrário da praia.
Ela respirava aliviada e ofegante...
Steve virava de trás para ela... passando a mão pelos cabelos e...
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Começando a rir...
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— Por que está rindo?
— Acho que essa é a primeira vez que eu fujo de uma briga... – Ele se voltava para a garota, com um sorriso puro, simples e sincero.
— Como assim? – A loira arqueava uma sobrancelha.
— Bem... eu sou o Capitão América, esqueceu...?
Mary Crystal arregalava os olhos...
— Meu Deus... é verdade... como eu não parei pra pensar nisso!?
— Nunca gostei de fugir de brigas, mesmo antes de me tornar um Super Soldado e não tinha ideia de como era a sensação...
— Sempre tem uma primeira vez em tudo na vida. – Mary sorria de volta.
— Mas por que você me fez fugir? Eram apenas doze homens...
— Você tá zoando comigo!? Aqueles caras faziam parte de uma das gangues mais violentas de Los Angeles! Não é sensato entrar num embate contra eles.
— Ok, senhorita... não vou contestar sua decisão de me fazer fugir... – Steve ainda segurava o riso.
— Teria sido mais divertido ter quebrado a cara deles, mas não seria inteligente. – A Segundo-Tenente replicava, cansada.
— Essa foi uma experiência marcante pra mim... eu não sabia mais como era... fugir...
— Sério? Essa é uma das minhas especialidades. Fugir, me esconder, sair correndo sem motivos, passar despercebida, me isolar, sair sem falar nada quando convém... – A loira revelava mais segredos que ele não sabia sobre ela.
— Fugir sem falar nada com ninguém, eu já presenciei.... – Ele sorria, se referindo a quando Mary fugiu para Las Vegas.
O semblante da Segundo-Tenente se transformava em algo mais sério quando o mesmo mencionou “Las Vegas”.
— Por falar nisso, Cap... tem algo que quero dizer sobre a noite em que você me salvou em Las Vegas.
— E o que seria...?
Kiara tinha suas filosofias de vida, e ela sempre se recordava de algo quando uma situação séria acontecia...
Conheça todas as teorias e domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana...
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— Queria pedir desculpas por ter feito você se machucar quando me resgatou e... te agradecer por ter salvado a minha vida. Eu não consegui dizer isso antes, porque fiquei muito chateada comigo mesma e envergonhada por ter colocado sua vida em risco, então... me desculpe e obrigada...
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O Capitão se surpreendia pelas palavras de Mary Crystal. Não esperava ouvir um pedido de desculpas e um agradecimento ao mesmo tempo, ainda mais aquele dia...
A Segundo-Tenente mirava o chão, um pouco embaraçada. Era notável certo rubor em suas bochechas.
Steve deduzia que não devia ser fácil vencer o orgulho e pedir desculpas, muito menos agradecer, mas ao menos ele podia vislumbrar o lado humano dela, que na maioria das vezes, era camuflado por sua personalidade irônica e sádica.
O Capitão se aproximou dela, dois passos, fechando o espaço entre os dois...
O coração de Kiara ficava em sua garganta. Ela não se sentia à vontade depois de tudo.
Os olhos do Super Soldado a examinavam cuidadosamente e então... ele sorriu, caloroso, erguendo as sobrancelhas, totalmente encantado pelas palavras da loirinha.
— Desculpas e agradecimento aceitos. – Steve respondia, curto e direto, mas seu doce sorriso a deixava nervosa.
Mary pigarreava, tentando arrumar um assunto que a tirasse daquela situação.
— Você sabia que os membros de algumas gangues de Los Angeles organizam eventos de corridas de carro? Eu já fui em alguns. – Revelava, sabendo que o deixaria chocado.
— Além de ser parente de um mafioso, já esteve envolvida indiretamente com esse tipo de pessoas? Você é a filha do Presidente. Devia seguir as leis.
— Eu conheço muito bem as leis americanas, e quanto mais você as conhece, mais tem facilidade de quebrá-las. – Mary sorria de canto, sentindo sua confiança voltando e Steve... bem, esse só suspirava impaciente, depois de ouvir mais uma das bizarrices da garota.
Ela era inconsequente, inteligente, maliciosa, desconfiada e ele era só um bobo que não entendia nada sobre o mundo moderno...
— Não sei como vez ou outra, ainda sou pego de surpresa pelas coisas que me diz...
— Ok, senhor devagar e sempre sei o que é melhor pra todo mundo... quer um chiclete? – A Segundo-Tenente erguia uma pequena caixa na direção dele.
— Não, obrigado.
— Você é um tédio, sabia...? – Mary guardava a caixinha em seu bolso, depois de começar a mascar a goma de mascar.
Os dois observavam o cenário a frente, mas atentavam para as nuvens carregadas que começavam a aparecer, do lado direito.
— Vai cair uma tempestade. – A Segundo-Tenente afirmava.
— Sério?
— Claro, Cap! As nuvens estão se movendo muito rápido. O clima na Califórnia é diferente do clima de Nova York. Você não está habituado a esse lugar como eu.
— Estamos muito longe do hotel. Acha que daria tempo de chegar antes dessa tempestade?
— Impossível. A gente vai se molhar... – A garota sorria, como se pegar chuva fosse algo perfeitamente normal.
— Não estou acostumado com isso...
— Eu sei. Sua vida não tem muita adrenalina...
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Steve e Mary saíram do local, e após quinze minutos, o céu estava tomado de nuvens carregadas de um lado e o sol estalando do outro lado.
Faltava poucos dias para o verão começar, mas as típicas chuvas da estação mais quente do ano, começavam a dar as caras na costa oeste dos Estados Unidos.
Os dois caminhavam com pressa por uma estrada cheia de árvores, no intuito de cortarem caminho para chegarem no hotel, mas... algumas gotas começavam a cair do céu...
Eles apressaram o passo quando sentiram os pingos ficarem cada vez mais fortes.
Aos poucos a chuva ia ficando gradualmente mais pesada, deixando suas roupas molhadas.
Os dois corriam o mais rápido que podiam, mas já era tarde... ambos estavam encharcados...
Kiara ria, sem fôlego após correr tanto, totalmente molhada. Aquela altura, não fazia mais sentido fugir da chuva.
Os raios solares se misturavam com os pingos de água... era algo incomum pro Super Soldado, afinal, o clima do estado de Nova York era bem diferente do clima da Califórnia.
Steve observava Mary parar no meio da estrada, andando totalmente devagar.
— O que você está fazendo!? – O loiro a contestava, num grito, vendo a garota rodopiar com os braços abertos, ficando ainda mais encharcada com a chuva.
— Me molhando!
— Mas você vai ficar gripada se continuar nessa chuva!
— Pare de chamar minha atenção! Você não é meu pai!
— Está se comportando como uma criança, senhorita Ellis!
— Talvez porque seja legal ser criança!
— Mas você não é uma!
— Pare de bancar o velho rabugento e me deixe ser feliz! – Mary o ignorava, aproveitando a chuva.
O Super Soldado a observava em sua alegria tão vivaz... como se nada mais importasse...
Mary carregava um olhar doce, o andar de moça e sonhos de criança... ela era uma pequena flor ácida que acreditava na felicidade de ser ímpar...
Ambos sentiam o cheiro da grama molhada...
A chuva escorria pelo rosto da Segundo-Tenente e uma tomada de luz clareava a terra...
As gotas pingavam dos galhos e das folhas das árvores, reluzindo com o brilho do sol... era um cenário incrível...
Mas Steve se encontrava impaciente demais para simplesmente parar e admirar tudo.
Ele suspirou, irritado. Aquela cena o lembrava de quando sua mãe dizia para não pegar chuva, já que ele tinha doenças respiratórias fortes e não podia de forma alguma ficar gripado, então, tudo o que o loiro fez, foi correr na direção dela e num movimento célere...
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Levantar Mary Crystal do chão, colocando-a em seu ombro, a tirando dali a força.
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— Hey, me solta!!! – Ela gritava, de modo destrambelhado.
— Não! – O Super Soldado redarguia, com sorriso firme nos lábios.
Sua camiseta levantava, grudando em sua pele, mas revelando a curva das costas torneadas e parte do abdômen definido.
Se ela não o obedeceria por bem, obedeceria por mal.
— Se você não me soltar, vou te jogar no chão, Cap!
— Tente. — Ele a carregava em seu ombro, convencido de que a loira cederia, mas...
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Steve se esquecia que Mary não era uma garota fraca e então, ela deu um giro de 180 graus em seu ombro, com força, jogando-o facilmente no chão.
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A Segundo-Tenente caia de pé, sorrindo sórdida e atrevida, dando risada da cara dele.
O Super Soldado se encontrava caído e com uma expressão assustada no rosto.
Mas antes que Kiara pudesse se dar por vencida, um sorriso de canto florescia nos lábios do Capitão, que interpretava aquilo como... um desafio...
— Você acabou de cometer um erro, porque agora, vou te levar pro hotel a força... – O loiro se levantava, ameaçando tirá-la dali de novo.
— Não mesmo!!! – Mary Crystal começou a correr rapidamente para longe, nervosa e risonha.
Ela era rápida, mas o Super Soldado também era.
Os dois corriam na chuva, segurando o riso, numa divertida perseguição.
A única coisa audível ali, era o barulho da tempestade e a sola de seus tênis colidindo no asfalto da estrada molhada.
Feito chuva torrencial, Mary o deixava encharcado e inquieto, feito criança querendo correr na rua pra brincar com ela.
Depois de três minutos a perseguindo, Steve conseguia alcança-la, e então, ele a envolveu em seus braços, prendendo-a por trás.
O atrito fazia com que os dois caíssem no chão encharcado...
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Kiara virou bruscamente em sua direção, enquanto Steve caia por cima dela, segurando seu peso nos antebraços...
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Um sorriso rebelde surgia nos lábios da Segundo-Tenente...
Ambos se entreolhavam enquanto a chuva caia... torrencialmente...
O olhar esverdeado da garota escureceu quando notou como Steve estava posicionado sobre ela...
O cabelo loiro e úmido grudava em sua testa e os pingos escorriam por sua pele clara... era uma visão um tanto maravilhosa, se Mary pudesse descrever.
Ela também vislumbrava os músculos bem definidos por baixo da camiseta colada no torso masculino...
Aquele par de olhos azuis a mirava de forma deslumbrante... era mágico e incrivelmente esplêndido....
Mary nunca havia conhecido o poder de um olhar... até os olhos de Steve Rogers encontrarem os seus... e daquele modo... o poder de seu olhar a fazia ter a vontade de...
Sair correndo...
O Super Soldado mantinha um ar dominante, mas sua doce natureza amortecia aquela experiência estranha...
O olhar azul céu parecia guardar profundos sentimentos, como antigas memórias presas num baú de lembranças, imagens de um passado distante, trechos de uma canção antiga e versos de um poema romântico escrito há milhares de anos...
Os dois eram como personalidades em guerra... de tão opostos...
A chuva continuava caindo e os raios solares tocavam o rosto da loira, que ainda se mantinha imóvel embaixo dele... narcotizada...
A feição surpresa, cavalheiresca e inocente do Capitão América despertava sensações estranhas em Mary... porque em poucos dias, ela andava achando que ele parecia mais sedutor que o normal...?
Não era como costumava ser... seus olhos azuis, que reluziam como duas lindas safiras, a perfuravam... mantendo-a retida no chão...
Por um momento, Mary reparava no ensolarado sorriso tímido de Steve...
Sua imaginação estava ficando um pouco... selvagem...? Por que ele se encontrava incrivelmente... incrível...?
As gotas grossas e quentes os encharcavam por inteiro...
Estática e sentindo tudo fora de órbita, Mary apenas escorregava seu olhar para baixo... observando atentamente a malha da camiseta do Super Soldado grudada em sua pele... acentuando os perfeitos músculos do abdômen definido... completamente molhado...
Ao sol daquele quase verão, com um calor abrasador, a tempestade caia, lavando tudo ao redor...
Steve mirava o pequeno corpo da garota e seu rosto... intercalando...
A chuva batia de leve naquela pele clara e tão nívea... orvalhando gotas de pérolas em suas invisíveis pestanas de sereia...
No verde oceano de seus olhos, ele gostava de olhar... e se perder... mergulhar e se afogar...
Steve também se perdia no vão da curva dos lábios de Mary... aqueles lábios macios, molhados e delicados...
Ventava... uma brisa suave... e um doce perfume podia ser sentido...
Ali estavam os dois, trocando olhares... e naquele cruzar de olhos, tantas coisas se passavam... e que ambos não tinham ideia...
A chuva suavizava o contorno de tudo... o mundo ficava suavemente desfocado e o loiro sentia-se derreter nele...
Quanto mais Steve a olhava, mais tinha a certeza que Mary era como uma tempestade... uma chuva de espelhada... forte e densa, da qual a maioria das pessoas fugiria para não se molhar... mas ele apreciava a sensação de suas gotas e o desafio de encará-las... seduzindo sua razão...
Suas concepções sobre Mary Crystal pareciam mudar a todo o tempo... ela era intensa como as ondas do oceano e leve como a brisa da manhã... ela sabia ser doce como mel e bela como a mais rara e encantadora das flores, mas sempre fazia questão de estragar tudo e tirá-lo sempre do sério...
O sorriso dela iluminava tudo ao redor... como raios de sol que surgiam em meio as nuvens no céu... sua beleza emanava primor e delicadeza... como a mais bela das pétalas de rosa que se banhavam sob as gotas da chuva... ela era um enigma não resolvido... um mundo desconhecido... uma ilha inabitada... uma galáxia longínqua e repleta de estrelas brilhantes...
Ela era luz incandescente, fogo... brilho... e intensidade...
Era como se ele brincasse de ser gota junto com ela... escorrendo, evaporando e voltando a ser brisa...
Mary era um perfeito mistério e ele aceitava contemplar aquele caos... aquelas imperfeições... apenas para admirar cada detalhe quando a mesma esbanjasse seu melhor lado...
O cintilar das gotas da tempestade ao encontro da suave luz do sol que ainda se esgueirava pelas nuvens, os despertava para a realidade, mostrando que o mundo ainda girava...
Kiara percebia o estado de torpor de Steve... e ela sorria, porque era notório que o Capitão se encontrava absorto diante de si...
Mary era como uma verdadeira chuva de cristal... tão antiga quanto charmosa... caia de mansinho e tão reluzente... e mesmo se fazendo de teimosa, acalmava...
Deixava o ar mais suave e gostoso de respirar... gostoso de sentir...
— Já parou para pensar que você seria um excelente jogador de futebol americano por me agarrar assim...? – O provocava, pelo fato de tê-la capturado tão forte, que os fez parar no chão, naquelas condições.
— Não é uma má ideia... – Steve retorquia, sorrindo de canto, convencido.
Um sorriso levava a outro sorriso, uma voz abafada pela chuva induzia a um sussurro, um olhar tímido se tornava sedutor e Steve Rogers se transformava num mestre...
Um mestre em atrair, sem nem ao menos saber disso...
— Não foi divertido...? – Ela perguntava, o encarando profundamente.
Ele conseguia sentir o hálito fresco de menta por conta do chiclete que ela mascava a poucos minutos.
— Não tão divertido... – O Super Soldado redarguia, tentando mascarar a ansiedade em sua voz.
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— Você fica tão gostoso quando está perturbado, Cap...
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A loirinha o provocava, e ele podia sentir uma onda de calor percorrer por seu corpo, colorindo as maçãs de seu rosto...
— Eu não deveria me sentir encabulado por isso, afinal, as suas cantadas são todas artificiais... – Afirmava, convicto, mas omitindo suas emoções.
— Por que diz isso?
— Pela nossa conversa hoje de manhã... eu com certeza não tenho nem metade dos atributos da sua lista, não é, senhorita Ellis...?
— A minha lista de homem ideal?
— Sim...
— Hmm... quem sabe...? Será que você tem...? – Mary deixava subtendido, fazendo o mesmo apenas se sentir ainda mais desconfortável...
Era uma sensação sufocante... seu estômago parecia dar cambalhotas e borboletas dançavam em suas entranhas...
Ele não devia se sentir assim... algo estava errado e aquilo não fazia sentido...
Era parecido quando se apaixonou por Peggy... mas por quê...?
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Embora fosse um absurdo e não entendesse o porquê... Steve ansiava estender a mão, tocar o rosto de Mary Crystal e puxá-la para mais perto...
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Mas algo estalava de modo violento em sua mente e no mesmo instante, o Super Soldado se levantava de cima da garota, virando o rosto para que ela não fitasse sua expressão patética.
— Caramba, você estava demorando tanto pra levantar, que achei que a gente faria aqui mesmo...
A Segundo-Tenente fazia outra piada de cunho sexual, mas o loiro resolvia ignorar.
— Vamos voltar pro hotel logo... – Steve caminhava na frente, impedindo-a de olhar para seu rosto.
Mary não perguntou nada, porque simplesmente não percebia nada de anormal... estava alheia aos efeitos efervescentes que o Super Soldado sentia...
Para ela, Steve apenas estava irritado por pegar uma chuva...
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Os dois voltavam para o hotel e Kiara achava que o Capitão estava mais sério que o comum.
A garota havia tomado banho primeiro e o deixado ir logo em seguida.
Quando o Capitão saiu do banheiro, notava algo que o fez alargar os olhos no mesmo instante...
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Mary Crystal estava vestida com a camiseta dos Dodgers que ele havia comprado no dia do jogo, no estádio em Los Angeles.
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— Hey, por que está vestindo minha camiseta!? – Ele bradava com certa raiva na voz.
— Correção: Minha camiseta! Perdeu, Cap! – A loirinha retrucava cinicamente enquanto enxugava seu cabelo com uma toalha.
— Pode esquecer! Essa camiseta é minha e eu a quero de volta!
— Qual é!? Ela ficou maravilhosa em mim! – Mary dava uma voltinha, mostrando que a peça de roupa ficava enorme nela, e parecia mais um vestido do que uma camiseta.
— Não tenho culpa se não achou o seu tamanho aquele dia!
— Ah, Capitão Rogers, é só uma camiseta... pare de ser tão materialista e compartilhe suas coisas... – Ela o ignorava, ainda torcendo o cabelo úmido na toalha.
— Estou esperando, senhorita... – O loiro cruzava os braços, olhando fixamente para ela.
— Vem pegar... – Ela sorria, sádica e cínica.
— Estou falando sério.
— Ok... se a quer de volta, tudo bem... – E então, a Segundo-Tenente começava a puxar a enorme peça de roupa por cima de seus ombros, porém, quando Steve percebia como ela se encontrava vestida por baixo, virava o rosto no mesmo instante.
Mary estava sem sutiã...
— Mudei de ideia. Pode ficar com ela! – Ele se afastava, temeroso de olhar na direção da garota.
— Ué, por que não quer!? Está com medo de ver uma mulher nua na sua frente!?
— Termine o que você estava fazendo, Mary Crystal! — Ele replicava irritado, saindo de perto.
Kiara estava sem sutiã por baixo da blusa larga que dava acesso a um aberto decote...
Como uma garota que se dizia virgem, agia tão desavergonhada na frente de um homem que não era nem seu amigo?
O Capitão respirava fundo, se recordando da conversa que tivera com Sam no dia do jogo dos Dodgers... era difícil se manter perto dela, e as coisas pareciam estar ainda mais estranhas no decorrer dos dias...
Mary tinha um jeito único... irritantemente único... e ele se privava de observá-la o máximo que podia...
Seus instintos de Super Soldado pareciam ter se expandido... por que tudo nela andava lhe intrigando ultimamente?
Se forçar a pensar que Mary Crystal não era bonita, não ajudava... e quanto menos olhava para ela, mais sua audição se atentava para o timbre doce de sua voz, marcada pelo leve sotaque Italiano...
O Capitão chacoalhou a cabeça e passou a mão pelos cabelos loiros, levando-os para trás, num gesto de impaciência.
Ao se virar novamente para o quarto, o loiro reparava que Mary escovava seus longos cabelos, cantarolando a mesma música que sempre o deixava irritado.
A voz dela era linda, amena e afinada... parecia um anjo cantando...
Ele não conseguia se impedir de observá-la...
Seu corpo nunca correspondeu daquela forma... a ponto não se lembrar de como respirar corretamente...
Steve tentava o seu melhor para se manter calmo, mas não era possível com aquele delicioso perfume flutuando sobre o quarto como uma nuvem doce...
O perfume dela...
Seu olhar pousava nos pés da garota... impossibilitado de subir e não fita-la novamente...
Os músculos do Capitão se encontravam rígidos, tensos e pareciam se contrair levemente...
O que havia de errado com ele?
Mary Crystal, alheia a tudo o que acontecia internamente com Steve, continuava cantando despreocupadamente.
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— Take me down to the paradise city, where the grass is green and the girls are pretty… oh, won't you, please, take me home… yeah yeah! (Me leve para a cidade paraíso, onde a grama é verde e as garotas são lindas... oh, você não poderia, por favor, me levar pra casa?)
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— Por que você sempre canta essa música quando está perto de mim?
— Por que ela me lembra você.
— Eu? O que essa música tem a ver comigo?
— Bem... o Guns fez uma referência bizarra sobre você na letra dessa música... – Revelava, divertidamente.
— Eles o... quê!? – Steve mostrava-se chocado. Guns N’ Roses não era aquela famosa banda de Hard Rock que todos os jovens adoravam?
— Várias bandas falam de você...
— E o que eles falam de mim...?
— Em vez de me perguntar, devia ouvir as músicas. Elas são muito boas! – Mary sorria doce e divertida e o loiro virava o rosto novamente, evitando encará-la nos olhos.
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Definitivamente, algo estava errado...
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Após aquele diálogo estranho, Kiara saia do banheiro com a camiseta dele dobrada.
— Desculpa se te irritei. Eu não vou roubar sua camiseta, então estou te devolvendo. – A Segundo-Tenente colocava a peça de roupa ao lado dele na cama, se preparando para sair da suíte.
Steve franziu o cenho.
— Aonde você vai?
— Vou no salão de festa que fica nesse mesmo andar. Tá afim de ir também?
— O que vai fazer lá?
— Tem um piano de calda nesse salão. Pensei em praticar um pouco. Não quero ficar enferrujada.
— Ah... então é isso...
— Bem, se você não quer me acompanhar, então eu vou sozinha mesmo. Tchauzinho! – E então, a garota batia a porta por fora.
Quando Mary finalmente saiu, Steve se jogou na cama de braços abertos...
Ele soltava uma respiração densa e reprimida, como se não tivesse respirado direito o dia todo...
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O que estava acontecendo afinal...?
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Passado um tempo, já incomodado pelo fato de a loira estar mais de uma hora e meia longe, Steve resolvia se certificar se ela realmente estava fazendo o que disse que faria, ou se havia fugido... e se ela tivesse fugido, ele com certeza iria atrás e eles discutiriam pela centésima vez aquela semana...
Ao cruzar o lado esquerdo do corredor, o Super Soldado ouvia o barulho de um piano em execução.
Então Mary não estava mentindo...?
O Capitão então avistou a porta do salão, segurou a maçaneta e puxou para baixo...
Ao entrar no local, avistava a loira sentada num banco.
Ela começava a tocar uma bela canção em tons melancólicos...
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Tracy Bonham — Whether You Fall.
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Whether it's the sunshine whether it's the rain, (Se isso é a luz do sol ou é a chuva)
Doesn't make a difference 'til you complain, (Não faz diferença até você se queixar)
Whether it's the water coming in from the roof, (Se é a água entrando pelo telhado)
Does it piss you off that you're not water proof? (Te deixa bravo se você não é à prova d'água?)
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Whether you fall means nothing at all, (Se você cair não vai significar nada)
It's whether you get up… it's whether you get up… (É quando você se levanta, é quando você se levanta)
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A garota não havia percebido que Steve estava ali. Estava muito concentrada.
Mary executava a canção de forma extremamente melodiosa e lírica, se pudesse julgar.
O salão possuía paredes de vidro e os fracos raios solares entravam no local, deixando o ambiente alaranjado...
Ele atentamente observava o rosto dela...
Seus olhos estavam fechados e a Segundo-Tenente apenas tocava através da memória que seus dedos possuíam sobre as posições das teclas...
Ela jamais ficaria enferrujada porque era uma exímia pianista...
Kiara cantava tão bem, que podia jurar que a mesma era alguma artista disfarçada...
Seu mélico timbre era... apaixonante... e por mais que já soubesse sobre isso, era um pouco diferente, agora que o Super Soldado estava se sentindo estranhamente intrigado sobre tantas coisas envolvendo Mary Crystal.
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And you hate the silence as it fills up the room, (E você odeia o silêncio à medida que preenche o quarto)
And there's not much to say to your blushing groom, (E não há muito pra dizer ao seu noivo corado)
Maybe all eyes are on you as you finish the race, (Talvez todos os olhares estejam em você, quando você acabar a corrida)
And the world sees you struggling for last place… (E o mundo vê seu esforço pelo último lugar)
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Whether you fall means nothing at all, (Se você cair não vai significar nada)
It's whether you get up… it's whether you get up… (É quando você se levanta, é quando você se levanta)
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Kiara tinha uma alma e dom de artista... ela era para a música assim como Steve era para o desenho...
Quando a Segundo-Tenente terminava a canção, finalmente notava a presença dele ali.
— Olá, Cap... resolveu sair do quarto!?
— Essa música... tem alguma história que explique a letra? – Steve caminhava na direção dela em lentos passos.
— Não sei... mas eu gosto dela... até me lembra você.
— Eu? Por quê?
— Eu realmente não sei... apenas me faz pensar em você... – Mary sorria de forma cristalina, pura e íngreme...
O Super Soldado sentia dois batimentos cardíacos falharem, totalmente desconsertados...
E então, quando a garota confessava que pensava nele ao som daquela música...
O Capitão se via indefeso, perdido e vulnerável... o que aquilo significava...?
Quando sentia o caloroso olhar esverdeado queimar sua pele, um gélido arrepio lhe eletrizava...
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Mary Crystal tinha uma constelação no olhar... e Steve sempre foi apaixonado por estrelas...
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