Nem Tudo É De Primeira

7 Nem Tudo É De Primeira


Notas iniciais
Olá, povo! Desculpa o atraso e desculpa por não ter postado nem no sábado e nem na quarta, mas um monte de coisa aconteceu. Semana passada eu fui viajar de última hora e eu ainda nem tinha terminado esse capitulo e eu só voltei no domingo. Então eu planejei postar na quarta, mas na segunda a luz aqui em casa acabou e quando voltou tudo o que eu tinha escrito naquele dia tinha sumido, então eu passei o resto do dia tentando reconstruir o capitulo, o que significa que para quarta eu não fiz nenhum progresso. Então na quarta eu tentei começar a escrever, mas minha mãe me deixou uma lista de afazeres que me tomou metade do dia e quando eu terminei não tinha mais energias para escrever. Dai na quinta eu assisti a temporada 3 de Sherlock e tive uma crise de bloqueio de escrita pq fui tomada por Johnlock! Feels. Escrevi praticamente tudo isso na sexta e nessa manhã de sábado (q também acabou a luz por uma hora e eu quase fui até a companhia de eletricidade estrangular alguém), então me perdoem por incoerências grandes no texto, pq eu não tive tempo de revisar isso.

Percy achou que conseguiria dar uma volta em Nova York em paz.

É claro que ele estava enganado e é claro que ele acabou num beco escuro sendo atacado por um monstro. Sinceramente, eles ao menos podiam variar um pouco nas armadilhas. Sério. Depois de ser atraído pela vigésima quinta vez para um beco escuro, a coisa meio que perdia o ar sinistro e assustador.

“Vocês deveriam achar um hobby, sabe!” Gritou para um ponto acima da cabeça da líder de torcida atualmente com a roupa em ruinas, deixando visível a perna de burro e a perna de bronze. Embora o rosto dela estivesse bem longo da sua forma sedutora, era sempre bom prevenir olhar diretamente para aquela criatura. “Tricotar, colecionar tampas de garrafa ou quem sabe dançar de verdade já que vocês adoram usar essa roupa!”

A empousa rosnou, mostrando suas presas do tamanho de um punho humano. “Meu hobby é matar semideuses, Percy Jackson, e sua cabeça fará parte da minha coleção!” Então ela avançou com as garras esticadas.

Ok, muita consideração levando em conta que ele só estava tentando ajudar.

Pulou para trás evitando o golpe no último segundo e imediatamente virou o braço, fazendo um longo arco com Contracorrente que deveria decepá-la, mas ela habilmente saltou para longe com uma velocidade incrível para alguém com pernas desproporcionais. Percy imediatamente avançou, abaixando sua espada sobre o monstro, mas ela novamente desviou pulando para o lado. Instintivamente, ele virou o golpe que fez uma subida vertical em direção a empousa e dessa vez ele sentiu que acertou alguma coisa.

Entretanto, a criatura de Hécate não virou pó de enxofre como deveria. Ela simplesmente deu uma volta no ar e pousou no chão com um alto baque, virando para sibilar para ele, a língua afiada dançando entre as presas enormes enquanto ela abraçava o próprio peito. Mas antes que Percy conseguisse atacá-la de novo, ela soltou um grito estridente. “Seu pervertido!”

A palavra entrou no seu cérebro como uma estaca no meio de um monte de engrenagens, parando absolutamente tudo.

“Hã?”

“Tarado, sem-vergonha!”

“Hã?”

Foi então que num momento de puro descuido ele virou os olhos diretamente para a empousa agachada no chão e notou pela primeira vez porque ela estava abraçando o peito.

Ele havia acertado algo sim.

A blusa e o sutiã que ela usava, num corte que fez a parte da frente abrir completamente.

Percy desviou os olhos na velocidade da luz enquanto sentia um calor absoluto subir pelo seu pescoço, porque a parte de cima das empousas era absolutamente igual ao de uma mulher normal e isso meio que fez todo o seu cérebro entrar em pane. Meu deus, meu deus, meu deus!

Isso o fez esquecer momentaneamente que ele estava lutando contra um monstro e que tecnicamente ela não era uma mulher e, não, ele não era um pervertido sem-vergonha. Então quando Percy lembrou e voltou os olhos para o seu inimigo, já era meio tarde demais e o rosto pavoroso do demônio estava a poucos centímetros do seu num sorriso macabro, sua garra já a meio caminho de decepá-lo.

Então é assim que o grande Percy Jackson morre? Foi a ultima coisa que seu maldito cérebro o forneceu antes dele fechar os olhos para receber o golpe.

Ouviu-se o grito agudo da empousa e o som de algo pesado caindo no chão.

“Maldito filho de Hades!”

Hã?

Abriu os olhos surpreso e se descobriu ainda vivo – o que foi uma boa noticia geral – com um Nico di Angelo parado na sua frente com sua espada negra desembainhada, a empousa agachada no chão a poucos metros de onde eles estavam agarrando o toco sangrento do que antes era o seu braço direito. Ele estava com as roupas negras habituais, mas faltando a velha jaqueta de aviador e por algum motivo, isso o incomodou mais do que seria normal, o que ele mais tarde atribuiu ao seu estado mental meio desequilibrado. Ele podia provar constatando que sua primeira pergunta a Nico, em vez de ‘O que você está fazendo aqui?’ ou ‘Como você chegou aqui tão de repente?’, foi “Você pôs a jaqueta pra lavar?”.

O filho de Hades o olhou como se achasse que tinha ficado louco por meio segundo, antes de repentinamente empurrar Percy para o lado ao mesmo tempo em que ele saltou para o outro. No segundo seguinte, um demônio da sedução nada feliz pousou onde eles estavam momentos atrás, abrindo cinco sulcos no concreto com as garras.

Ela rosnou e logo pulou atrás de Nico, quase arrancando a cabeça do semideus com a mão restante. “Sua cria dos mortos, vou fazê-lo se arrepender de ter cruzado o meu caminho!”

Nico olhou o demônio de cima a baixo e deu um sorrisinho sardônico. “É, eu acho que já me arrependi.”

Se Percy não estivesse ocupado em tentar recuperar Contracorrente, que havia escorregado da sua mão e parado embaixo de uma caçamba de lixo, ele provavelmente teria rido. Ele viu a empousa rugir raivosa antes de atacar Nico, que facilmente desviou o golpe com a espada negra e conseguiu dar um belo corte de cabelo no demônio.

Ela parou e segurou os fios vermelhos agora batendo no seu ombro, com choque absoluto no seu rosto pavoroso antes de virar puro ódio. “Como... como você se atreve?! Pode arrancar o meu braço, mas não ouse tocar no meu cabelo!!” Ela esganiçou, o rosnado furioso escoando pelo beco.

“Jura? Eu acho que ficou bem melhor agora!” O filho de Hades exclamou.

A empousa soltou um rugido feroz e se lançou como um foguete em direção de Nico. O jovem de outra década conseguiu desviar dos primeiros golpes com relativa facilidade, mas o demônio aparentemente ganhou velocidade e força em sua raiva e rapidamente começou a superar Nico. Então o semideus virou a espada negra para bloquear um ataque vindo da esquerda, mas a empousa virou o corpo num movimento circular nos ultimos segundos e mudou o lado do golpe. O menor pego de surpresa tentou desajeitadamente mudar a defesa, um segundo tarde demais e os três viram Stygian ser lançada para cima.

Clang!

Em puro instinto, Percy correu em direção aos dois.

Viu-a erguer a garra restante para apunhalar o outro semideus e tudo o que ele pensou foi que ele tinha que distrai-la de algum modo agora. Puxou um pedaço de lixo qualquer do chão com um movimento do pé que aprendeu no futebol e jogou na empousa. Ao mesmo tempo gritou com todas as suas forças. “Ei, cabeça de bilhar! Não é melhor usar peruca para esconder a careca?!”

Era uma caixa de leite velha o que ele jogou e acertou o alvo em cheio na cabeça, soltando uma meleca amarela que mesmo de onde ele estava deu para sentir o cheiro. O demônio virou na sua direção na velocidade da luz e expos todos os dentes enormes, um brilho mais do que mortalmente mortal nos olhos vermelhos como fogo.

É, ele conseguiu a atenção dela.

A criatura se jogou em sua direção. No momento seguinte ele sentiu Contracorrente surgir em seu bolso e num movimento fluido de anos de prática, ele a destampou já num movimento semicircular. Ela pulou para cima, escapando do seu golpe, mas ele tinha conseguido o que queria.

Sem perder tempo correu até Nico. “Ei, você está bem?!”

O garoto fez uma careta de dor quando Percy segurou o seu braço e uma analisa rápida descobriu o porquê. Um corte longo do ombro até a dobra do cotovelo sangrava, deixando a roupa escura de Nico ainda mais escura conforme o sangue se espalhava. O menino empalideceu quando viu o ferimento como se só agora tivesse o notado e cambaleou de volta ao chão.

Percy amaldiçoou em grego antigo e estava procurando algo para estacar o sangue quando Nico de repente arregalou os olhos. “Percy, cuidado!”

Virou mesmo ajoelhado no chão, erguendo Contracorrente para se defender, mas foi lento demais. No momento seguinte sentiu uma mão impossivelmente forte e áspera agarrar o seu pescoço e um bafo de carne podre invadiu o seu nariz.

A empousa com o rosto a meros centímetros de distancia sibilou, mas então de repente ela parou e sorriu de um modo...

... encantador.

Num piscar de olhos, era novamente a líder de torcida charmosa que estava dando em cima de Percy, só que agora seminua deixando de mostra a pele morena completamente perfeita emoldurado por longos cabelos negros sedosos e lindos, com olhos cor de mel de cílios longos e maquiagem perfeita e naquele exato momento Percy não se lembrou exatamente porque ele tinha dispensado ela. O cheiro dela era como rosas frescas, com toque adocicado incrível e a mão macia como seda em seu pescoço dedilhava sensualmente sua nuca.

Ah, ele sabia o que isso significava, mas não era possível que uma garota tão linda como ela poderia querer...

Os lábios vermelhos como sangue sorriram um sorriso sedutor. “Um herói como você merece um beijo, não acha?”

Ele sorriu, talvez meio estupidamente, mas não tinha como evitar, ela era tão linda e queria bei-

“Percy!”

Uma parte sua se agitou. Voz familiar...

A garota ronronou diante de si. “É só um garoto de rua, querido. Você não ia me beijar?”

Sim, ele ia... Chegou mais perto e-

“Percy!”

Essa voz...

Nico?

Nico!

A magia se quebrou ao seu redor como vidro.

Arregalou os olhos e pulou para longe, o feitiço desaparecendo junto com a linda mulher diante de si que voltou a ser o demônio que estava tentando matá-lo e num movimento rápido e feroz puxou sua espada – ainda presa firmemente em sua mão apesar de tudo – para cima cortando fatalmente o monstro em dois. A empousa abriu a boca para gritar, mas antes de conseguir produzir qualquer som ela explodiu em um monte de pó amarelo.

Caiu no chão de bunda, sentindo a respiração acelerada conforme a adrenalina corria por suas veias. Fechou os olhos por um momento e respirou fundo, tentando se acalmar do pânico da sua eminente morte de segundos atrás.

Sentiu alguém cutucar de leve seu braço. Abriu os olhos e virou o rosto para o lado, encontrando o Nico incrivelmente pálido, mas com uma expressão preocupada. “Você está bem?”

Percy acenou levemente com a cabeça, respirando fundo uma ultima vez. “Como... como você não caiu no encanto da empousa?” Indagou, limpando o suor da sua testa com a manga da sua camiseta.

Era impressão sua ou Nico parecer empalidecer mais ainda? Seus olhos caíram momentaneamente no ferimento do garoto, preocupado com a perda de sangue, mas notou como a hemorragia já tinha parado o que mostrava que não era tão grave assim o machucado. Ergueu novamente os olhos para o rosto esbranquiçado, vendo o menor hesitar com um nervosismo palpável ao seu redor, por motivos além da sua compreensão. O filho de Hades engoliu em seco e abriu e fechou a boca algumas vezes antes de finalmente falar num tom de voz meio incerto. “Eu... eu só não achei ela... muito...atraente.”

Percy riu, a adrenalina o fazendo ficar meio leve demais da cabeça. “Isso é sequer possível?”

Nico deu de ombros, ainda parecendo completamente desconfortável. “Você estava para ser morto diante de mim, eu tinha... prioridades maiores do que me focar na... garota bonita sua frente.”

Ele considerou isso por alguns segundos e aceitou a explicação com um dar de ombros interno. Ele sabia que o garoto tinha uma força de vontade forte (uma palavra mais bonita para teimosia) e somando isso com o perigo eminente de um amigo a poucos centímetros de distancia, Percy podia entender como ele escapou do encantamento facilmente.

Ergueu-se do chão num movimento rápido e se virou para ajudar Nico. “Vamos, é melhor tratarmos logo esse ferimento.”

O garoto aceitou a sua mão e ele facilmente sustentou o peso do semideus menor até o hospital mais próximo, mas durante todo o percurso ele não pode não se perguntar por que Nico lhe pareceu tão imensamente aliviado quando lhe estendeu a mão.

.

*

.

Bem, ele descobriu a resposta mais ou menos uma semana depois.

Percy não gostava de pensar que ele era lento. Não fisicamente falando (Anos lutando contra monstros o ensinaram a correr muito bem) e nem mentalmente também (ele estava longe de ser um gênio, vejamos bem, mas sabia pensar rápido. Sempre achava uma solução para um problema, nem sempre a melhor ou a mais pratica, mas achava), mas sim socialmente.

Ele não gostava muito da ideia de que ele não era capaz de colocar certas peças juntas ou somar uma coisa com a outra e chegar rapidamente na conclusão certa. E ele odiava admitir que isso se devia ao fato de que ele geralmente ou não notava as deixas ou notava, mas não pensava em reunir as informações e isso o deixava inconsciente sobre certos detalhes das pessoas com quem convivia. Ele era melhor com emoções mais imediatas, como tristeza ou raiva, e conseguia captar com relativa facilidade padrões e causas – ele se entristece quando a conversa é sobre família – mas ele não conseguia juntar outros detalhes que notava – ele tem varias fotos de todos os membros da sua família – ele quase nunca menciona o pai – para chegar à conclusão mais aprofundada. Ele precisava que ou alguém lhe dissesse – Percy, esse assunto é delicado para ele – ou fosse confrontado com a conclusão diretamente – domingo é Dia dos Finados, eu vou ao cemitério.

Percy detestava pensar que era lento para essas coisas, porque ele era alguém com a boca grande e que sabia o quanto palavras podem machucar, mesmo sem intenção.

Mas ele era e, mesmo que odiasse, ele admitia – mesmo que só para ele mesmo.

Então, quanto ele descobriu a verdade sobre o Nico, Percy passou literalmente 24 horas tentando lembrar-se de tudo o que ele já havia dito ao garoto que poderia tê-lo magoado sem que ele soubesse e embora os resultados não tivessem sido muito assustadores, o filho do deus mar ainda sim passou o resto da semana remoendo sobre um sentimento familiar de culpa – na qual ele colocaria a responsabilidade pelo seu chilique anos mais tarde – e de profunda frustração e raiva consigo mesmo.

Por que ele tinha que ser tão lento?!

.

“Isso é tão injusto!” Exclamou de repente Penny, assustando todo mundo na mesa. Ela apontou um dedo acusador para a cara de Percy, que parou com a meio caminho de morder seu hambúrguer. “Eu vou a algumas festas e engordo três quilos enquanto que você come numa só refeição três vezes o que eu comi as férias inteiras e não engorda nem uma grama! Isso. Não. É. Justo!” Esganiçou cheia de indignação.

“Eu não comi tanto assim.” Se defendeu Percy, recuando da mira da unha azul no meio dos seus olhos. Penny cruzou os braços e olhou de maneira enfática as três bandejas do Burger King na sua frente, o que o fez corar levemente. “I-isso é porque Dean perdeu a aposta! Se fosse eu tivesse perdido, pode apostar que ele estaria comendo tanto quanto eu!”

“É verdade.” Suspirou dramaticamente Dean do seu lado, olhando para o recibo como se estivesse escrito como e quando ele morreria. “É verdade.”

Lina e Nathan riram sobre suas comidas terrivelmente saudáveis do Subway.

Penny lançou o seu longo cabelo ruivo para o lado e apoiou os cotovelos sobre a mesa, encarando-o com olhos azulados semicerrados. “Nem vem que não tem. Eu já te vi comendo no refeitório, seu prato parece aqueles de desenhos animados que faz uma montanha de comida. E você come isso três vezes ao dia, todos os dias, mas mesmo assim você não engordou um quilo sequer desde que nos conhecemos.” Ela se inclinou para frente sobre a mesa e Percy automaticamente se inclinou para trás. “Percy Jackson, você tem algum segredo para manter a forma que esta mantendo de mim?”

“Não!” Exclamou o semideus. Viu o rosto arredondado de Penny se franzir em descrença. “Não! Eu juro que não, Penny! E-eu-eu sempre comi assim.” Explicou desajeitadamente, corando mais ainda.

Lina gargalhou e largou o seu sanduíche de frango para agarrar a cintura da sua namorada e puxa-la de volta a cadeira. “Querida, é melhor parar antes que tomates venham paquerar o Percy.” A ruiva se sentou, cruzando os braços e ainda parecendo emburrada. Lina riu e beijou sua bochecha num grande smack! “Você tem que desencanar dessa besteira de dieta, você é linda.”

“Meu medico disse que eu estou muito acima do meu peso e que é melhor eu perder uns dez quilos antes-“

A morena revirou os olhos e a calou com um beijo suave. Dean assoviou e Percy soltou junto de Nathan um longo e malicioso “humnnn” rindo logo em seguida. Lina ignorou todos eles, falando somente para uma Penny vermelha até a raiz do cabelo. “O que está acima do peso é o nariz daquele babaca. Eu quero minha namorada com curvas e não uma tabua de passar.”

A ruiva revirou os olhos, mas sorriu ainda com o rosto vermelho e se inclinou para beijar a namorada, que prontamente a inclinou para trás correspondendo com toda a energia de Lina McCoy.

Nathan, sentado ao lado do casal, soltou um som falsamente enjoado. “Eu realmente tenho que assistir minha irmã trocar saliva no almoço?” A morena soltou uma mão da cintura de Penny e fez um sinal positivo, ainda beijando a outra garota e todo mundo caiu na gargalhada.

Foi então que Percy sentiu um formigar leve na sua nuca, dizendo que tinha alguém firmemente encarando na sua direção. E embora ele não costumasse julgar situações de maneira apressada, um sentimento protetor automático o invadiu e ele se virou preparado para mandar seu olhar de lobo para quem é que fosse que estivesse olhando feio para o seu grupo de amigos, quando se deparou com dois olhos escuros arregalados.

Se não fosse pelo sino década de 40 soando por sua cabeça, ele provavelmente teria rido da cara chocada de Nico, congelado a uns cinco metros da sua mesa com um pacote do McDonald´s na sua mão.

Oh, merda, porque ele sempre tinha que acabar nessas situações estranhas?

Abriu e fechou a boca algumas vezes, engolindo e experimentando algumas palavras antes de se resolver com um sorriso 50% forçado. “Ei, Nico.”

O garoto piscou os olhos e desviou sua expressão chocada do casal para Percy, como se só agora tivesse o notado. O filho do mar viu o menor engolir em seco, com um rosto incrivelmente fragmentado de emoções – choque, surpresa, medo e-? – até que de repente Nico trouxe de volta sua expressão cuidadosamente ilegível.

Os nós dos seus dedos fechados, entretanto, estavam brancos. “Olá, Percy.”

Desaprovação o inundou, lutando furiosamente contra sua simpatia. Por que isso tem que ser tão chocante? São só duas pessoas que se gostam! Gritou sua parte revoltada, sendo leal aos seus amigos mortais, mas a sua empatia e sua própria lealdade a Nico retrucaram razoavelmente Vejamos, ele veio de uma época onde segurar a mão de outro homem significava ser fuzilado.

Tudo o que Percy conseguiu resumir das suas emoções é que ele esperava ansiosamente que sua expressão não demonstrasse o que estava sentido, porque se estivesse ele provavelmente pareceria estar com dor de barriga.

Do seu lado, Dean ergueu-se como um coelho ouvindo algo inesperado. Virou na cadeira e quanto viu Nico, sorriu abertamente. “Ei, você de novo!” Falou num tom obviamente alegre demais pelo reencontro de uma pessoa que você só viu uma vez.

Felizmente não era para o semideus mais novo, que apenas olhou cuidadosamente para mortal. Mesmo assim, isso o fez ficar incrivelmente irritado e desconfortável, porque ele já tinha explicado para aquela criatura que não era para ficar dando em cima dos seus amigos – claro que isso só entrou na cabeça de cima.

Então quando se ergueu da cadeira, fez questão de se erguer pisando no pé de Dean.

“Ai!”

Percy o ignorou.

Sorriu tentativamente para Nico, que voltou a encará-lo com a guarda erguida. Isso o fez sentir um nó de mágoa no seu estômago. “Passeando no shopping?”

O filho de Hades acenou hesitante. “S... sim, você hun, também?” Ele não perdeu o modo como os olhos negros se desviaram para lado rapidamente, onde ele sabia que Lina e Penny ainda estavam se beijando e ele também não perdeu como os ombros pequenos estavam tensos.

Percy abriu a boca para responder quando de repente alguém socou a parte de trás do seu joelho e ele desabou para trás, batendo os cotovelos na mesa e soltando uma exclamação assustada e de dor. Virou imediatamente para Dean, já que o golpe veio daquela direção. “Por que você fez isso?!” Indagou irritado.

“Por que você pisou no meu pé?!” Replicou de volta o outro garoto, ainda massageando o peito do seu pé.

O semideus quis revirar os olhos. “Porque-“

“Oh, pelo amor de Deus, vocês duas querem parar com isso?!” Interrompeu a voz de Nathan, agora com um mal-estar verdadeiro. “Vocês não estão só traumatizando o amigo do Percy, estão me traumatizando também!”

Percy se virou para ver Lina se afastar de uma Penny corada num profundo tom de vermelho, para avançar em cima do irmão tentando beija-lo na bochecha. O loiro imediatamente pulou no lugar, tentando escapar das mãos da morena. “Urgh! Nem vem, você acabou de trocar de saliva!”

“Não precisa ter inveja, irmãozinho! Sua maninha te ama muito também!” Lina se ergueu da cadeira e agarrou o pescoço do irmão, que soltou um guincho horrorizado e ergueu a bandeja do Subway para se proteger dos lábios da morena. “Vem cá, não seja tímido! Eu vou te dar um grande e melado beijo também!”

O grito de terror de Nathan pareceu tão genuíno que teria enganado muitos. Tentando controlar sua própria gargalhada, o filho do deus mar se adiantou para tentar ajudar seu amigo. “Lina, estamos em espaço público, se comporte!”

A garota pulou para longe das suas mãos, rindo loucamente. “Nunca!” E conseguiu empurrar a bandeja das mãos de Nathan e plantou um sólido beijo na bochecha do irmão, que franziu o rosto inteiro como se estivesse sendo torturado.

“Não!”

A mortal então o soltou e ele desabou na mesa, soltando gemidos de dor e nojo. Dean do seu lado caiu da cadeira de tanto rir quando Lina gargalhou diabolicamente. “I´m the devil of love!”

Ela agarrou o rosto de Penny, que estava ficando cada vez mais vermelha devido aos risos, e a beijou na bochecha antes de avançar e agarrar Percy que distraído não conseguiu escapar, beijando-o também no rosto. Depois deu a volta na mesa e se jogou em cima de Dean no chão, que tentou fugir em vão, abraçando a cabeça do garoto contra seus seios e apertando um beijo barulhento na têmpora do mesmo. “Não! Beijo de mulher! Urgh! Peitos, que nooojo!” Guinchou o rapaz, tentando escapar da amiga ainda que rindo descontroladamente.

Lina plantou mais dois beijos longos em Dean antes de soltar o jovem, que desabou sem ar no chão, e se lançou para frente. Percy só realizou o que ela estava planejando tarde demais, seu bom-humor sendo substituído imediatamente por pânico. “Lina, isso não-!”

A jovem mortal pulou sobre Nico, que arregalou os olhos assustados e fez uma menção automática em direção a sua espada, mas mesmo um semideus treinado foi lento demais para um ataque de amor de Lina McCoy. A garota o engolfou num abraço de urso que mandou o menor uns dois passos desequilibrados para trás e beijou seu rosto pálido com a mesma vontade que fez com os outros. O filho de Hades petrificou como uma rocha, seu corpo ficando imediatamente tenso e duro – seu rosto se modificou instantaneamente.

E a reação do semideus foi tão forte que Percy estava se preparado para vê-lo empurrar Lina e a confusão que iria vir quando, de repente, os olhos dos dois se cruzaram. Os orbes negros sobre as sobrancelhas franzidas se encontraram por acaso com seus esverdeados arregalados e talvez seus pensamentos estivessem visíveis na sua expressão ou talvez tenha sido alguma coisa diferente, mas por algum motivo que ele não soube dizer, no momento em que Nico o encarou o garoto dissolveu sua expressão tensa em algo embaraçado e então corou violentamente.

Ergueu as sobrancelhas de leve e o filho de Hades desviou o olhar, ainda vermelho.

Antes que algum pudesse reagir, Lina terminou de beijar o garoto que ela na metade do tempo se referia como ‘O peguete do Percy’ (ele já tinha desistido de tentar faze-la parar) e na outra lutava para pronunciar o nome italiano direito e se virou para a mesa, ainda prendendo-o em um abraço que pela expressão de Nico poderia ser muito bem uma cadeia cheia de espinhos venenosos. “This is my power, humans! Love! Now fear me!” Ela exclamou e apertou o jovem semideus mais ainda.

Percy deu um passo alarmado para frente, pois tinha a honesta preocupação que Nico fosse explodir daqui a pouco.

“Lina-“

“I will make you all kneel before me with my love!” Sua amiga continuou falando para o seu público imaginário, ignorando-o e se afastando a cada passo seu, agarrada ao filho de Hades como uma criança de cinco anos agarrada a um ursinho de pelúcia. Nico estava petrificado, corado até a raiz dos cabelos com o nó dos seus dedos esbranquiçados onde ele segurava o pacote do McDonald´s. Seus olhos negros voltaram-se para si e pareciam pedir socorro.

Eu estou tentando, tentou dizer de volta, mas é como tentar agarrar um coelho. “Lina, por f-“

“I will show you my power and everyone will learn what the love is capable of! Love to everyone!” Então ela se voltou sorrindo para o menor e disse: “Be womans or mans, we will love them and make them love us, right Nico?”

Percy o viu ficar tenso, a vermelhidão sumindo do seu rosto.

Oh, merda. Num passo largo ele se adiantou e agarrou a amiga finalmente, fazendo-a soltar Nico de vez. O garoto se afastou rapidamente, passando a mão pela sua roupa amassada enquanto que Lina soltou um guincho digno de um hamster quando ele a ergueu facilmente pela cintura, deixando-a longe do chão por uns bons dez centímetros. “No, you fool! You think you can defeat me?! Release me now!”

“Você vai parar de abusar de pessoas que mal conhece?” Indagou, evitando as esperneadas loucas da garota.

“Never!”

“Então você não me deixa escolha a não ser te entregar para as autoridades locais.” Disse com resolução e se encaminhou para a mesa com a amiga esperneando sobre o ombro, ignorando os outros três rindo descontroladamente.

Pôs a garota sentada ao lado de Penny (limpando lagrimas de riso) e fez a ruiva circular a sua cintura. Imediatamente ela colou na namorada, abraçando-a e jogando uma perna sobre seu colo, mas ainda olhou de olhos semicerrados para o filho de Poseidon. “You may have caught me this time, son of Jack, but there will be revenge!” Então ela se virou e puxou o rosto de Penny, começando a beija-la de novo.

Nathan soltou um som estrangulado. “Qual é!”

Dean rolou para baixo da mesa, rindo.

Percy refletiu filosoficamente sobre o fato de seus amigos semideuses, pessoas de dois mundos diferentes que lutavam com monstros diariamente e salvavam o mundo de uma a duas vezes por ano, eram consideravelmente mais normais do que seus amigos mortais.

Virou para Nico, que não havia se mexido um passo sequer para mais perto da mesa (e ele realmente não podia culpa-lo, poida?) e sorriu tentativamente. O garoto desviou o olhar atento e ligeiramente assustado de Lina para Percy, não parecendo mais disposto a conversar do que alguns minutos atrás, antes de ser atacado pela morena. Internamente o filho do deus mar começou a montar seu sermão para seus colegas de escola. “Ehn, desculpe pela... ela meio que, eh, bem, desculpe.” Falou desajeitadamente.

Nico não disse nada, apenas passou a sacola bege de uma mão para outra, ainda de olhar fixo em sua direção como se temesse outro ataque.

“Jesus, eu não sou obrigado a comer do lado disso!” Exclamou Nathan atrás de si após um alto e constrangedor gemido de Lina. Ouviu-se o som da cadeira recuando e o loiro surgiu do seu lado com a bandeja na mão. “Eu vou jogar isso fora. Você” Disse, acenando para o filho de Hades. “Isso é lixo, não é?”

Nico piscou os olhos para o amante de Shakespeare, surpreso. Acenou hesitantemente, sem se mexer. O rapaz sorriu uma vez e acenou com a cabeça para a direita. “Tem uma lixeira no final do corredor e eu poderia usar uma companhia longe desses supostos adultos cheios de hormônios.”

O filho de Hades abriu a boca para falar, mas quando se ouviu um segundo som do casal na mesa e absolutamente tudo mundo corou constrangido Nathan disparou para frente, arrastando o semideus para longe dali apressadamente. E Percy soltou a respiração que ele não sabia que estava segurando – naquele grupo ele só podia contar com K.G mesmo.

Virou-se sobre os calcanhares, agarrou um daqueles papeis para embrulhar sanduíches do Burger King e a tacou sem cerimonias em Lina. A garota saltou no lugar, separando-se da namorada e levou a mão à mancha de molho barbecue na sua testa. Então fez uma careta de desagrado para si. “Isso foi necessário?”

“Foi” Exclamou, sua irritação crescendo cada vez mais agora que tinha tempo. “Vocês – isso incluiu você também Dean!” Chutou a perna que o estava cutucando por debaixo da mesa sem nenhuma gentileza e o palavrão de dor do outro garoto satisfez ao menos um pouco da sua zanga. “Vocês simplesmente não podem- não é assim q... vocês ao menos podiam me escutar quando eu digo pra parar! Não é assim- a vida não é como-” Tentou falar, tropeçando sobre suas próprias palavras que queria explodir com sua raiva, o que o deixava mais irritado ainda, o que piorava ainda mais sua gagueira e criava uma bola de neve. Ele conseguia se sentir vibrar. Tanto McCoy como Wilson recuaram diante sua expressão.

Você está exagerando, comentou uma voz interna, que ele definitivamente ignorou porque ele estava extremamente irritado.

“Ei, wow, calminha ai, querido!” Penny disse, erguendo-se da sua cadeira e pondo uma mão sobre seu ombro. “Porque o estresse de repente? Lina e Dean não são mais novidades pra você, você sabe como eles são.” Uma bufada indignada veio de trás da ruiva, mas Lina não ousou sair da proteção da sua namorada.

Percy suspirou fundo varias vezes, lutando para retomar controle o suficiente para falar com calma. Gesticulou os dedos da mão tensos e fechou os olhos por alguns segundos, se concentrando em não gritar. “Olha, quando eu disse para pegar leve ao redor do Nico, eu falei sério. O Nico, ele-...” Parou e respirou fundo. Viu a cabeça de Dean espichar para fora do seu abrigo devagar e não lhe poupou um olhar feio. O outro rapaz deve a decência de parecer envergonhado. “O Nico veio de um... lar extremamente conservador, rígido com esse tipo de coisa, praticamente... pensamento nazista e embora ele não tenha um comportamento preconceituoso...” Falou lentamente e então parou de novo suspirando fundo mais uma vez, sentindo a beirada da sua raiva se afastando conforme as palavras iam saindo. Deslizou a mão do rosto e encarou firmemente Lina e Dean, que o encaravam de olhos levemente arregalados. “Olha, eu estou dizendo que o Nico passou por muita coisa esses últimos tempos e ele ainda está... se ajeitando as coisas atualmente, então eu só estou pedindo a vocês dois: não força a barra, ok?”

Lina e Dean piscaram os olhos surpresos e então os dois pareceram serem tomados pela culpa, já que as expressões confusas e cuidadosas foram substituída por uma meio sem-graça e embaraçada – do tipo que você não consegue parar de piscar e engolir saliva, pois de repente sua boca está muito seca, com as sobrancelhas subindo e descendo como se a pessoa não soubesse bem que expressão deveria colocar no rosto.

A morena pareceu se decidir mais rápido, adotando uma fisionomia honestamente arrependida enquanto se erguia do seu lugar atrás de Penny, os ombros puxados para dentro humildemente. “Desculpa, Percy, eu não tive intenção de constranger ninguém.” Falou, segurando delicadamente o seu ombro.

O filho do mar resistiu por apenas um segundo, mantendo a postura séria mais para firmar o que tinha dito do que por real irritação. Mas logo relaxou, dando um tapinha na mão pequena. “Você teve sim.” Replicou de tom leve.

A mulher revirou os olhos. “Ok, eu tive.” Respondeu com um sorriso pequeno e rápido, rapidamente substituído por uma expressão sincera enquanto ela o olhava firmemente nos olhos. “Mas eu não sabia que tinha cutucado ferida. Desculpa.”

Bem, Percy não era famoso por guardar rancor. Sua raiva se dissolveu num instante e ele se viu dando um sorriso pequeno para a amiga. “Tudo bem, só não... dá a louca de novo, beleza?” Disse, sentindo a tensão sair do seu corpo.

Penny riu. “Ai você já esta pedindo demais, Percy.”

Lina balançou suas mechas inexistentes dignamente, antes de quebrar num sorriso também.

“Desculpe ai também, cara.” Falou Dean, erguendo-se do chão e parando na sua frente. O rapaz o encarou timidamente, coçando de leve a nuca. “Eu... eu não sabia que tinha coisa mais pesada no assunto, foi mal...”

Estranhamente, ele ainda se sentia ligeiramente irritado com o amigo de cabelo cor de areia, devido à imagem dele dando em cima de Nico se repetindo na sua cabeça (as duas vezes) ao lado da sua pedindo para ele não fazer aquilo. Entretanto sacudiu esse sentimento para longe, porque não tinha fundamento continuar ressentindo com Dean quando ele estava pedindo desculpas. “De boa, cara, mas vê se não...” Fez um gesto confuso com a mão. “Sabe?”

O garoto mortal riu uma vez, hesitante, como se estivesse testando as águas e quando Percy quebrou num sorriso de lado, o rapaz pareceu relaxar. Ele sorriu e socou de leve seu braço, voltando a falar naquele fluxo continue de sempre. “Valeu, Percy. Quero dizer, eu realmente não tive intenções de magoar ninguém, claro que eu notei que o Nico era enrustido, mas eu nunca pensei que a coisa-“

O que Dean falou lhe veio como um tapa e seu cérebro parou de funcionar, derretendo seu sorriso e petrificando o seu corpo.

“... porque você sabe, né? Tipo, a gente não pensa muito nessas horas e eu-“

“O que?” Interrompeu, sua voz subindo dois oitavos a mais do que o normal.

Wilson pulou no lugar e piscou os olhos para si, surpreso. “O que foi?”

Encarou o amigo, a expressão em branco.

“Enrustido?” Repetiu devagar.

Dessa vez recebeu o olhar curioso dos três. O jovem de cabelos areia inclinou a cabeça de leve para o lado, olhando-o confuso. “É, enrustido, sabe, quem ainda não saiu do armário e tal.”

Oh, claro.

...

Não, não estava claro.

“Você... quer dizer...?”

Dean ergueu uma sobrancelha e respondeu no mesmo tom lento. “... Sim.”

“Não, não, eu quis dizer... você quis dizer-”

“Sim.”

“Não, tipo, você quis dizer...“

Lina soltou um som que poderia ser uma risada. “Percy?”

Olhou para ela, então olhou para Dean e então olhou para Penny e viu que os três estavam com a mesma expressão curiosa e divertida no rosto. “... vocês estão me dizendo que todos vocês estão me dizendo que...”

McCoy e Wilson começaram a rir.

Seu cérebro não registrou isso.

“Percy, eu não acredito que você-“

“... vocês estão me dizendo que o Nico é gay?”

Lina sentou-se à mesa, abrindo a boca para falar mesmo ainda rindo descaradamente, mas então seus olhos castanhos se desviaram para a esquerda e toda a diversão da garota sumiu. Um segundo depois, simultaneamente Dean e Penny também pararam de rir e um silêncio estático caiu.

Nathan atrás de si pigarrou.

Notas finais
Eu queria declarar que... meus OCs são baseados em amigos meus. É, isso mesmo, gente. Isso existe na vida real.