Nem Tudo É De Primeira

3 Nem Tudo É De Primeira


Notas iniciais
EU FINALMENTE DESCOBRI COMO FAZER O MALDITO ESPAÇO ENTRE AS MINHAS ESTRELINHAS!! \(*T▽T*)/ Agora sim eu estou feliz com o visual dos meus capítulos, sem aquelas três estrelas seguidas horríveis ♪(┌・。・)┌ e eu sei q é algo tolo com o qual eu ficar feliz, mas eu tenho um TOC bravo com esse tipo de coisa. Além do mais me senti a HACKER usando html (∩`-´)⊃━☆゚.*・。゚ ᴱ⁵ᵀᴿᴱᴸᴵᴺᴴᴬ⁵ ~> ᴱ⁵ᴾᴬˁᴼ

Seria de se esperar que depois de quase 16 anos experimentando o primeiro dia de aula, o nervosismo devesse sumir. Mas toda vez era a mesma historia: o nó de gelo frio amarrado no seu estômago enquanto caminhava pelos corredores da escola nova, se perguntando se conseguiria dessa vez passar do primeiro ano.

Puxou o seu cronograma de horários, assim como a combinação do seu armário e estava lutando contra sua dislexia (porque não tinha como uma sala ser numero MQCUIAI DAAÇNAVA e a matéria ser 10B3) quando trombou contra duas pessoas. Uma delas, a menor, quase caiu espalhando livros e papeis pelo chão, mas o maior que havia conseguido fazer Percy recuar um passo com o impacto a segurou na hora.

“Wow!” Exclamou o menor, equilibrando-se novamente.

“Desculpe!” Percy imediatamente agachou e recolheu o material que havia caído. “Eu, eu não te vi, desculpe”

“Na boa, cara, acidentes acontecem” E foi só na hora que devolveu os cadernos entupidos com anotações que o semideus reparou nas pessoas que havia trombado.

O menor, que havia quase caído, era uma garota, mas Percy só conseguiu dizer isso após quase seis anos lidando com as filhas de Ares. Isso o surpreendeu por motivos que não saberia explicar – talvez porque a voz dela não era fina como o de uma mulher e sim neutra (isso era sequer possível?). Era pequena, devia bater no seu peito, e com o corpo coberto quase completamente com roupas largas, o que sumia com as curvas que deveriam denunciar o seu sexo. Vestia no estilo heavy metal clássico, com jeans preta rasgada, tênis vermelhos sem cadarço, uma camiseta negra com o slogan de uma banda que Percy não conhecia e uma jaqueta de couro velho por cima. Ainda por cima, usava luvas de couro sem os dedos e uma coleira, ambos com espinhos, o cabelo era raspado no estilo militar. E olhos acastanhados delineados com lápis, embora fosse o único traço de maquiagem em seu rosto.

Resumindo, era uma das garotas que mais causou uma impressão com quem Percy havia encontrado (e não deixe Thalia o ouvir dizer isso). Talvez por isso demorou um pouco mais para ele discernir o rapaz ao seu lado, o que conseguira tirar Percy do seu centro de equilíbrio – provavelmente uma reação natural, já que ele era impossivelmente normal quando parado ao lado daquela figura feminina.

Deveria ser da altura de Percy e tão musculoso quanto, vestia-se com uma jeans escura surrada, tênis brancos que já tiveram dias melhores e uma camiseta verde escuro grande até demais, com as mangas arrancadas. Tinha dreadlocks loiros que batiam abaixo do ombro e usava óculos de sol estilo aviador. Ele era tão clássico que Percy imediatamente procurou por sinais de uma prancha de surfe, mas foi surpreendido pela visão de livros de Shakespeare no lugar.

...Ok.

A garota recolheu seus objetos, olhou para ele e sorriu com todos os dentes.

“Ei, você é o moleque novo!”

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*

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Lina McCoy e Nathan K.G eram os respectivos nomes da dupla e eram irmãos. Surpreendentemente, Lina em seus 56 kg distribuídos em 1,58 metros de altura era mais velha em dois anos (mesma série de Percy). Nathanael tinha somente 15, apesar do corpo de 18. Sem falar que eles não se pareciam em nada.

Só algum tempo depois ele descobriria que isso era porque eles não eram irmãos de sangue e sim por conta do casamento dos pais dos dois. A mãe de Lina, que se engravidou aos dezesseis e viveu por cinco anos com um marido bêbado até ele fugir com sua melhor amiga, se casou com o pai viúvo de Nathan, cuja mulher morreu de câncer deixando para trás o próprio Nathan e mais dois filhos gêmeos de 7, frutos de outro casamento do pai de Nathan. Os dois tinham um irmão de cinco anos em comum de sangue, Joshua.

Então quando o próprio Percy explicou a sua vida (em edição cortada, é claro), como único filho de mãe solteira prestes a se casar pela segunda vez e com um irmão somente por parte de pai, as coisas não ficaram estranhas como sempre acontecia. Os dois irmãos apenas acenaram, como se fosse a historia de vida mais normal de se ouvir.

Foram os primeiros amigos mortais que Percy fez desde muito antes de descobrir a verdade sobre Poseidon.

Aquela primeira semana de aula foi à primeira vez em cinco meses que Percy sentiu a vida voltar a andar.

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*

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Percy estava falado tchau para sua mãe e seu padrasto via Skype quando Nico surgiu.

Literalmente surgiu, bem atrás de si.

Como todo sensato semideus treinado, a sua primeira reação quando viu o vulto negro aparecer pelo reflexo da janela foi girar a cadeira e plantar um sólido chute no seu alvo.

Alvo esse que soltou um alto “Huff!” de ar saindo e caiu com um baque surdo no chão.

Percy já estava a meio caminho de tirar a tampa de Contracorrente quando se tocou do que havia acertado.

Lá estava Nico di Angelo, caído no meio do seu dormitório, de lado com os braços sobre seu estomago e as pernas ligeiramente puxadas para perto do tronco. Amaldiçoava e gemia em grego antigo, numa careta de extrema dor no rosto. Percy teria se sentido culpado se não fosse a adrenalina e o susto correndo por suas veias em alta velocidade.

Então, em vez de um pedido de desculpas, o que saiu foi “Mas que merda, Nico!”.

“... Acho que nunca mais... vou respirar...” O garoto falou numa voz realmente sem ar, tossindo.

Respirando uma vez fundo, o filho do deus mar se adiantou em dois passos largos e ajudou o menor a se erguer do chão. Com ainda pouca delicadeza, depositou-o em sua cama e se afastou, cruzando os braços. Esperou impacientemente o mais novo recobrar o fôlego, tossindo e respirando fundo varias vezes.

Quando Nico puxou o ar mais uma vez e se encostou à parede massageando sua barriga, Percy achou que fora tempo o suficiente. “O que você esta fazendo aqui?”

O garoto não teve sequer a audácia de parecer envergonhado. Apenas o olhou e fez uma careta de desagrado. “É assim que você recebe as pessoas?”

“As que surgem na penumbra atrás de mim, às duas horas da manhã, sim” Retrucou. Recusava-se em sentir culpa – sua reação foi totalmente justificável.

De novo, Nico simplesmente ignorou a deixa e apenas teve o semancol de parecer surpreso. “Duas horas da manhã?”

“É” O filho do mar sentou-se na cama aposta da sua, do seu companheiro de quarto que estava atualmente em uma festa. Graças aos deuses. Ele realmente não queria ter que inventar uma desculpa para o surgimento de Nico, no meio da noite, no quarto deles. “De uma quarta-feira”

O filho de Hades ficou em silêncio por alguns segundos antes de dar de ombros. “Em minha defesa, eu achei que era duas da tarde, não da manhã. O tempo não faz muito sentindo no submundo.”

Foi à vez de Percy ficar surpreso. “Você estava no submundo? Por quê?”

Nico deu de ombros de novo, mas dessa vez pareceu mais desconfortável. “Sei lá, não é como se eu tivesse muito que fazer, em qualquer lugar” Ele cruzou as pernas sobre a cama e desviou o olhar para o chão, empurrando uma mecha de cima dos olhos. Percy pensou em dizer que se ele sujasse sua cama ele teria que limpar, mas resolveu não interromper o menor. “Lá eu pelo menos tenho com quem falar, sabe, com o meu pai e... todo o resto”.

Aquele nó em seu estômago, que sempre se formava quando estava por perto de Nico, voltou com força. Aquele menino tinha o hábito de soltar certos comentários honestos demais ás vezes, o que sempre criava aquele ar tenso. “Você tem pessoas com quem falar aqui” Replicou quietamente.

Nico lançou lhe um olhar sardônico que em outra pessoa provavelmente o teria irritado, mas que com ele só... aumentava a pressão do nó. “Diga uma” O garoto praticamente desafiou.

Estalou a língua e o encarou. “Hazel...”

O outro semideus bufou, desviando o olhar como se Percy fosse indigno de se continuar olhando. “Claro, porque é superdivertido ficar segurando vela enquanto assiste um cara enfiar a língua na boca da sua irmã”.

Percy engasgou na própria saliva ao mesmo tempo em que começou a rir, o que o deixou perigosamente sem ar por uns dez segundos.

Quando se recuperou, havia lagrimas nos seus olhos e seu estômago doía de tanto dar risada. Sem surpresas, notou que havia tombado de lado na cama.

Ergueu a cabeça e viu um Nico confuso, olhando-o com uma sobrancelha erguida. Sorriu com todos os dentes e falou com toda a inocência do mundo. “Então Frank tá mandado a ver, huh?”

Nico imediatamente fechou a cara e fez a pior careta do mundo, algo entre nojo, vergonha e irritação. Mais uma risada explodiu de seu peito e ele caiu de volta no colchão com a dobra do cotovelo em cima dos seus olhos.

“Isso não é engraçado!” O semideus mais novo protestou de algum lugar a sua direita. “Imagina se você tivesse que ver Tyson e... e Ella se pegando... ok, essa comparação não foi nada legal, vou ficar com a imagem mental por um mês... mas é tipo a mesma coisa!”

Percy balançou as pernas como uma criança de seis anos rindo descontroladamente – o que, sejamos honestos, era uma descrição bem justa dele no momento. Virou de lado e tentou falar e respirar, o que estava se tornando uma tarefa incrivelmente difícil. “Meus... deuses, essa... essa foi demais!”

Nico o encarou irritado, mas o domino já estava caindo. Aquilo só serviu para fazê-lo rir mais ainda.

Enquanto Percy se contorcia na cama, tentando respirar enquanto dava risada, ele viu do canto do olho o garoto mais novo dissolver a expressão séria do rosto devagar, até que Nico começou a rir também. Logo era a risada dos dois que impregnava aquele quarto.

Quase vinte minutos depois, quando os dois finalmente conseguiram parar de gargalhar, Percy notou que o nó em seu estômago havia sumido e algo lhe disse que ele nunca mais voltaria a sentir isso por causa do Nico.

Não depois da sua primeira risada 100% honesta em quase oito meses.

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*

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Respirou fundo, sentindo o ar entrar e sair dos seus pulmões num alivio maravilhoso. Desde o incidente no Ártico, Percy havia desenvolvido o irônico medo de morrer sufocado, mas naquela hora ele decidiu que morrer sem ar de tanto rir não era um modo ruim de partir.

Deixando sua filosofia interna de lado, virou a cabeça em direção a Nico, agora completamente relaxado contra a parede ao lado de sua cama. Ainda havia um pequeno sorriso nos lábios do outro garoto.

Apoiou a cabeça em um dos braços. “Então” Falou, atraindo a atenção do mais novo. “Você vai me dizer por que você apareceu às duas da manhã no meu quarto?”

“Eu já disse que não sabia...”

“Eu sei” Percy interrompeu, revirando os olhos. Nico pareceu ligeiramente indignado, o que o fez rir mais uma vez. “Mas você tinha algum objetivo em mente ou só estava de passagem para dizer oi?”

O jovem de outro tempo deu de ombros e cruzou os braços, o sorriso sumindo de seu rosto. “Só... de passagem, eu acho. O submundo é legal e não faltam pessoas para contarem historias, mas depois de um tempo os mortos ficam meio...” O garoto parou, parecendo procurar a palavra certa.

“Mórbidos?” Ofereceu.

Nico lançou lhe um olhar que dizia mais coisas do que um discurso do Mel Gibson. Percy devolveu com um sorriso de 32 dentes.

“... monótonos” Ele terminou com ênfase. Depois voltou a desviar o olhar. Não era de agora que Percy notava que o menor nunca mantinha o olhar fixo por muito tempo. E perguntou-se se era coisa da década de 40, alguma norma de etiqueta ou coisa do tipo.

Ergueu-se da cama com um jogar das pernas, atraindo mais uma vez o olhar caído do semideus mais novo. “Então você está dando uma mudança de cenário.” O menor hesitou um segundo antes de acenar levemente, como se não soubesse bem o que dizer. Percy colocou os dois braços atrás da cabeça e se encostou à parede. “Nada contra você cara, eu fico feliz em ver você...” Ignorou o murmuro É, o chute da alegria me disse isso e continuou. “... mas você não tinha opções melhores para se distrair do que comigo?”

Nico ergueu uma sobrancelha negra. “O que você quer dizer?”

“Eu estou estudando, e ainda por cima estou em época de prova. Foi mal, mas eu estou sem tempo até para falar com a minha mãe.” Disse com sinceridade. Ele queria poder passar um tempo com Nico, afinal havia prometido que seria um amigo melhor para ele, mas Percy realmente estava com a corda no pescoço – em todos esses anos, saindo e entrando em escolas diferentes, as matérias ficaram todas cortadas e desorganizadas para si, sem contar das vezes que teve que cabular semanas de aula por conta de alguma missão do Acampamento Meio-Sangue, de modo que o conteúdo do colegial era agora um mistério que ele tinha que desvendar antes que as provas começassem de verdade.

Se ele ia mesmo ingressar numa boa faculdade, ele tinha que ganhar boas notas, o que significava estudar feito condenado até tarde, sem videogames, sem tv... tortura em seu modo mais puro.

“Isso nunca o impediu de fugir das aulas antes, se eu me recordo bem” O outro semideus falou, erguendo ambas as sobrancelhas.

Percy deu de ombros. “Prometi que seria um bom aluno desse ano em diante”

Nico o encarou, como se estivesse assimilando as informações de que aka Percy Jackson iria se comportar na escola. O que era meio injusto, porque não era como se ele fosse um delinquente porque queria, é só que coisas explosivas ou destrutivas tinham a tendência de acontecer sempre que ele estava por perto. Era parte de ser um semideus. E ele, por seu filho de um dos três grandes, tinha um pacote bônus nessa má sorte.

Os dois caíram em silêncio, com o barulho da avenida ao lado da escola ecoando pelo recinto. Por fim, TDAH de Percy o impulsionou a falar. “Não tem ninguém no acampamento com quem você possa passar o tempo, sem ser Hazel? O Jason, vocês são amigos, não são?” O que foi uma das amizades mais repentinas que Percy já viu, mas resolveu não comentar isso. Não sabia o que havia acontecido com a Argos II enquanto ele estava... fora, mas ele sabia o bastante para entender que não foi nenhuma férias de verão. Além do mais, sua própria experiência mostrava como situações de morte e vida podem trazer as pessoas mais unidas.

Nico mexeu-se na cama meio desconfortável e não olhou nos seus olhos quando respondeu. “É... quase a mesma coisa da Hazel. Piper é legal e tudo mais, mas eu não acho que ela ficaria feliz se um garoto de 14 anos ficasse rondando ela e o namorado dela enquanto eles tentam... sabe, namorar.”

Ah. Era verdade. Piper e Jason haviam firmado o namoro oficialmente alguns meses atrás.

Já estava soltando o nome Leo quando conseguiu se impedir. Daquela nem mesmo ele podia dar marca de burro – Nico não suportava o Leo e isso até um cego a dois quilômetros de distancia conseguiria dizer. Sentou-se contra a parede, sentiu-se meio estúpido por alguns segundos.

Além do mais, ele realizou depois de um tempo, Leo também estava namorando.

Com Calipso.

[O que não era totalmente estranho e constrangedor, pelo menos não mais. Ela não o culpava mais e ele já não sentia tanta culpa. Por outro lado, Calipso culpava a si mesma agora pelo o que havia acontecido, porque ela acreditava que era resultado da sua maldição, mesmo que todo mundo, inclusive o próprio Percy, terem dito que não era.]

Com uma realização instantânea, Percy percebeu que ele era o único amigo de Nico que estava sozinho.

Sentiu um corte de dor em seu peito que fez sua garganta fechar. Com um esforço fenomenal, segurou as lagrimas em seus olhos.

Talvez fosse exatamente por isso que o garoto veio falar com ele quando o próprio se cansou do mundo dos mortos. Quando cansou de ficar sozinho. Talvez ele quisesse uma companhia que não ficasse o relembrando de sua solidão o tempo todo.

Olhou para a janela e viu as pequenas gotas de chuva começar a bater contra o vidro. O cheiro da água entrou em seu sistema e de repente Percy perdeu toda vontade de estudar sozinho naquela noite.

“Já é tarde” Falou, sem ter ideia da hora. “Você... quer dormir aqui? Não acho que Dean vai voltar antes da seis da manhã”. E o mais novo tinha cara de quem poderia usar um pouco de sono, em cima de uma cama decente.

O outro semideus o encarou hesitante por debaixo da franja negra e a cena era tão parecida com aquele momento sete meses atrás, na sua cabine no acampamento, que Percy teve vontade de se adiantar para abraça-lo de novo.

Não se mexeu.

Depois de um tempo, Nico acenou com a cabeça.

Notas finais
♪((└|o^▽^o|┐)) Eu to adorando escrever isso! Espero q vcs estejam gostando tbm! Booooooom, o próximo capitulo vai sair nesse sábado mesmo! Mesmo horário! Espero comentários, viu? |ω・) Quem comentar vai ganhar um emoticon estranho meu tipo esse aqui >> (ノಠ益ಠ)ノ彡┻━┻ ... só para constatar, é um carinha jogando uma mesa.