Nem Tudo É De Primeira

21 Nem Tudo É De Primeira


Notas iniciais
Primeiro, eu gostaria de pedir desculpas pelo sumiço de (Holy shit!) 4 meses. Aconteceram muuuuitas coisas na minha vida, incluindo um dos meus maiores bloqueios de escrita. Eu não vou perder o tempo de vocês contanto tudo o que aconteceu que me deixou longe dessa história (porque senão nunca sairíamos daqui) e tbm não posso prometer que vou conseguir voltar a postar tão regularmente quanto antes, mas estou de volta de qualquer forma. Aliais, terminei de ler Sangue do Olimpo, então tive que fazer algumas mudanças na história e agora isso aqui é oficialmente uma especie de UA (mais detalhes ler no sumário).

Dean sentia como se seu cérebro tivesse congelado. Uma parte sua que ainda estava consciente sabia que ele estava encarando e que o menino de cachos castanhos tão fofos estava começado a se mexer desconfortável, mas o resto do seu ser estava travado.

Porque hoje...

Por que hoje completa um ano que a namorada do Percy morreu.

E isso estava fazendo sua cabeça rodar.

Abriu a boca uma vez, tentando pensar em algo para pensar, mas não, aquela não era a melhor idéia, então ele voltou a fecha-la com um estalido. Engoliu em seco e esfregou as mãos repentinamente suadas na jeans que usava, se esforçando para voltar ao normal e tentar engajar uma conversa de verdade.

Mas...

Mas a frase continuava se repetindo dentro da sua cabeça [hoje completa um ano que a namorada do Percy morreu.] sem parar e Dean estava se relembrando de todas as vezes que ele e a Lina e mais uma penca de pessoas da escola ficaram empurrando Percy para cima de diversas meninas e merda, merda, merda, onde diabos ele estava com a cabeça? Ele era um completo-

“Imbecil!”

O amigo do Percy saltou de susto com sua explosão repentina, mas Dean estava ocupado demais sendo esmagado por uma absoluta e total vontade de se socar até a inconsciência e em seguido se enterrar no buraco mais fundo que fosse fisicamente possível. Apertou a base de suas mãos contra seus olhos com força, tentando enfia-los para o fundo do seu crânio para que ele pudesse ver o que tinha de errado dentro dele.

Sem muito sucesso.

“Porra! Porra, seu imbecil! Idiota! Anta quadrada! Você tinha que ser o babaca de sempre e ferrar a vida do universo, não tinha?!” Agarrou os próprios cabelos e começou a puxa-los com força, acabando por arrancar dois tufos de fios areias. Não satisfeito, voltou a puxar seu cabelo com a mesma determinação de antes. “Meu deus! Dean Wilson, você é o rei dos idiotas!”

“Wow, wow! C-calminha ai!” Exclamou o amigo do Percy, a voz alarmada e de repente ele se aproximou e afastou suas mãos do seu couro cabeludo com uma força surpreendente. “V-você vai se machucar desse jeito!”

Um lado seu se derreteu com a preocupação genuína daquele menino de cachos castanhos e barba rala adorável, mas a outra explodiu de indignação. “Que eu me machuque! Que eu fique careca! Eu não mereço ter cabelo depois de ser tão estúpido!” Declarou exaltado, ignorando a pontada no seu coração ao se imaginar careca. Eu mereço! Pensou furiosamente e tentou se soltar, mas o outro garoto era bem mais forte do que aparentava.

“Não tinha c-como você saber, tinha?!” Retrucou Grover, parecendo nervoso, mas determinado. “Percy não gosta de discutir esse assunto. Por Pã, ele não gosta nem de pensar sobre ele! Então não tinha como você saber, certo? Não é sua culpa.”

Olhou arisco para o rapaz menor, insatisfeito e emburrado, mas parou de tentar se fazer careca a força. O dono dos olhos nozes hesitou por um momento antes de soltar suas mãos, voltando um passo para trás. Grunhiu frustrado e encostou a testa contra o batente da porta, fechando os olhos em desgosto consigo mesmo. “A questão não é se é minha culpa ou não. É só que... eu provavelmente o machuquei deus deve saber quantas vezes só porque eu sou um idiota insensível que não nota nada até ter enfiando o pé nela...” Falou amuado e parou. Começou a bater a cabeça contra a madeira de leve, soltando um “Idiota” a cada tuq! abafado.

Sentiu algo tocar de leve o seu ombro. Dean sobressaltou e voltou a abrir os olhos, virando o rosto instintivamente em direção do toque. O amigo do Percy havia se aproximado ligeiramente e o olhava com simpatia, uma ruga pequena entre as sobrancelhas castanhas.

Suspirou uma vez profundamente e se afastou da parede. Passou uma mão pelo cabelo, fazendo uma ligeira careta ao sentir a região dolorida, mas prosseguindo em ignora-la. “Você quer... entrar?” Indagou, gesticulando para o quarto atrás de si. “Você pode esperar o ... Percy aqui. Uma hora ele vai voltar.”

Grover retirou a mão do seu ombro, ganhando uma expressão em duvida. Mas então o menino sacudiu a cabeça, recusando. “Não, eu vou acha-lo.” Disse e foi a primeira vez naqueles vinte minutos que sua voz não tremeu ou hesitou. Um tom determinado e firme.

Automaticamente uma onda de apreciação e admiração o invadiu apesar de tudo, e Dean olhou para aquele garoto magro e baixinho sobre outra luz. Afinal de contas, racionalizou internamente, ele é o melhor amigo do Percy.

Percy.

Seu raio de bom-humor foi imediatamente varrido ao pensar sobre seu colega de quarto mais uma vez. Deslizou a mão pelo cabelo mais uma vez antes de cruzar os braços, evitando deixar seu olhar cair dos olhos nozes para o chão, mas falhando espetacularmente. “Como...” Tentou uma vez, mas sua boca parecia seca. Pigarreou e trocou o peso de pé. Olhou para o outro rapaz e falou de novo, tentativamente. “Como foi que... a namorada- a namorada do Percy...”

“Annabeth.” Forneceu suavemente Grover, uma expressão gentil no rosto. “Como ela morreu?”

Dean engoliu em seco e acenou uma vez, fracamente.

O jovem de cabelos encaracolados suspirou e desviou os olhos para o lado, um peso invisível caindo sobre seus ombros. Estendeu-se um silêncio de quase um minuto inteiro antes dele se pronunciar de novo, o jogador o tempo todo absolutamente calado. Ainda sem olhar para ele, Grover respondeu numa voz baixa. “Foi num acidente de carro. Um amigo nosso estava... no volante e perdeu o controle. O ... airbag dela não abriu.”

Havia uma conotação nas palavras do outro rapaz que fizeram Dean pensar que aquela talvez não fosse a verdade. Pelo menos não 100%. Talvez as ligeiras pausas que ele deu em algumas palavras-chaves como ‘acidente’ ou ‘airbag’, talvez pelo fato dele não ter olhado para ele em nenhum momento ou o jeito que aquele discurso parecia gravado, limpo de emoções.

Mas a tensão nos ombros magros do garoto e o ligeiro tremor no seu lábio inferior o asseguraram que ele sabia o suficiente e ele não insistiu no assunto. Havia a indiscutível sensação na base do seu âmago que lhe dizia silenciosamente: Esse assunto não é da sua conta.

E mesmo sem os detalhes verdadeiros, agora- agora tantas coisas faziam mais sentindo em relação a Percy. O modo como ele recusava gentilmente, mas sem deixar espaços para dúvidas, qualquer garota (ou garoto, sejamos francos. Dean não fora o único a tentar.) que se aproximava de si, o modo que ele evitava não tão discretamente ficar a sós com Lina e Penny, o sorriso meio quebrado que ele dava toda vez que Dean trazia à tona o assunto namoro (e sua vontade de se bater por isso ainda não havia sumido).

E também, pensou sentindo algo se retorcer dentro de si, os seus pesadelos.

Dean fechou os olhos por um momento antes de reabri-los decidido. “Posso te dar uma carona?” Perguntou.

Grover piscou os olhos para si, parecendo surpreso. “Carona?”

Acenou com a cabeça enquanto recuava para dentro do quarto e fisgava sua chave no meio do bolo de roupas em cima da sua cama. “Eu tenho um carro.” Disse, virando e balançando o molho no dedo. Olhou para o outro garoto hesitante e fez o seu melhor para parecer confiante. “É de grande ajuda para procurar alguém pela cidade.”

“Huh, v-você quer dizer...” O menor mexeu as mãos nervosamente uma contra a outra.

Dean fingiu não perceber o nervosismo do outro, se ocupando em sair e trancar a porta do seu dormitório. Jogou as chaves para cima e as pegou a meio caminho, e então lançou o seu melhor sorriso despreocupado em direção ao jovem de cabelos encaracolados, embora dentro estivesse ligeiramente preocupado que ele dissesse não a sua companhia. Ele queria procurar o Percy também. A preocupação que o vinha atormentando desde o momento em que seu colega de quarto saiu pálido e trêmulo no meio da noite aumentou espetacularmente agora que sabia o motivo.

Claro que ele podia ir sozinho se por acaso Grover não quisesse companhia, mas não custava tentar unir o útil ao agradável, certo?

Grover ainda parecia incerto.

Dean suspirou internamente, ligeiramente decepcionado. Ultimamente, ele não acertava uma. Pôs uma mão sobre o coração e ergueu a outra ao lado do rosto, numa imitação vaga da posição de juramento. “Prometo que vou me comportar.” Falou.

O toque de um sorriso surgiu sem querer no canto da boca do outro garoto e, apesar do nervosismo ainda não ter sumido, ele pareceu relaxar e qualquer sentimento de decepção dentro de Dean foi varrido. Um sorriso honestou abriu sobre seus lábios. “Por aqui.” Indicou com a cabeça.

.

*

.

“Então.” Dean começou e parou. Isso era tão incaracterístico de si que ele teve de franzir para si mesmo.

Grover que andava ligeiramente atrás o olhou curioso, embora parecendo um pouco ofegante. Com um salto interno, Dean se lembrou de Percy comentando que o outro garoto tinha um problema muscular nas pernas que fazia o simples ato de andar difícil e ele provavelmente não estava facilitando as coisas ao manter a sua velocidade normal – da qual todo mundo reclamava, porque aparentemente não era todo mundo que tem “à disposição física de um canguru pegando fogo sendo perseguido por um jacaré alado” (palavras de Lina, é claro, só que censuradas, porque aquelas pobres pessoas no parque são virgindades auditivas roubadas por Lina McCoy o suficientes.)

Desacelerou o mais discretamente que pode, se obrigando a entrar num ritmo de caminhada mais lento, igualando o passo com o outro rapaz. Grover imediatamente soltou um suspiro silencioso de alivio e lhe lançou um olhar agradecido que lhe comunicou que sua gentileza não havia passado despercebido.

Dean sorriu, mas não comentou. “Entããão... como você e o Sr. Percy se conheceram?”

“Na... na escola mesmo.” Respondeu o menor após uma leve hesitação.

“Oh, todas as boas começam assim.” Disse com um sorriso de lado. “Acho que é o único ponto positivo de ir estudar.”

“Hmn.” Grover colocou as mãos dentro da jaqueta que usava, um sorrisinho estranho nos lábios. “Você poderia dizer isso.”

Dean o olhou indagador, mas o outro rapaz não elaborou. Em vez disse, ele perguntou. “E vocês? S-se conheceram no dormitório? Eu não sei c-como funciona colégios internos.”

“Nos esbarramos no corredor, mas a diretoria escolhe os colegas de quarto, então a gente meio que já estava destinado a se conhecer.” Replicou e piscou um olho para o outro rapaz. Grover riu uma vez e o seu sorriso cresceu. “E vocês? Quanto tempo vocês são amigos?”

Grover deu uma pausa e então respondeu com um quê de surpresa. “Seis anos.” O outro garoto parou de andar por um momento e olhou para ele com um brilho alegremente espantado. “Seis anos. Wow. Acho que isso faz de Percy meu amigo mais antigo ainda... por aqui.”

A pausa no final fez a alegria no rosto do jovem de cabelos encaracolados empalidecer de alguma forma e Dean teve uma desagradável sensação de que Grover ia dizer outra coisa em vez de ‘por aqui’. Desviou os olhos, sentindo-se um tanto quanto intrometido por ter trazido o assunto à tona e quando se deparou com a porta da garagem, ficou aliviado pela desculpa que o destino lhe deu para desviar o assunto. “Por aqui.” Disse, acenando para a porta de metal. “Os alunos tecnicamente não podem usar essa saída, mas o segurança é amigo do meu pai e me deu uma chave extra. O que é melhor, já que dá direto na minha vaga.”

Grover o seguiu em silêncio, sem interromper sua tagarelice e Dean quis bater a testa contra a parede – com força, mas imaginou que isso não ajudaria a melhorar a imagem que estava dando ao melhor amigo do Percy, então se esforçou furiosamente no que estava fazendo. Destrancar a porta, pegar seu carro e sair da escola.

Assim, com essa tarefa em mente, seu filtro mente e boca foi vaporizado e embora ele soubesse que isso não fosse uma boa ideia, não tinha muito o que ele pudesse fazer. “... não que a diretora saiba, Deus proíba isso. Aquela mulher é assustadora, colocaria Hitler no chinelo, pode acreditar. Se um dia ela descobrir, provavelmente vou perder a audição com o tamanho do sermão que ela vai me dar, sem falar da minha mãe.” Abriu a porta para a garagem e deu espaço para o Grover passar, ao mesmo tempo em que apertava o alarme do seu Citroen C4 vermelho lindo e maravilhoso. O outro rapaz passou com um olhar meio desconcertado e isso deveria ter sido o seu sinal para fechar a boca, mas no final só fez piorar as coisas. “Não acho que ela saiba. Nem meu pai, na verdade. Pensando bem, Will não falou nada sobre ter sido pedido do meu pai, ele só veio e me deu a chave e acho que isso não deve ser muito legal. Pensando bem, talvez eu devesse ter recusado, mas é uma vantagem tão boa e pensando bem eu acho que estou falando ‘pensando bem’ demais, não é? Mania minha, acho que talvez seja um tanto quanto irritante, mas é um vicio, tipo mania, não tem muito o que fazer sobre isso, eu acho. Bem, quero dizer, meus amigos já disseram-“

“Meu deus, cala a boca!”

Dean saltou no lugar e viu Grover se assustar antes de se virar brandindo a chave do carro como uma espada. “Eu estou armado!” Gritou (num tom totalmente másculo).

Lina McCoy o olhou totalmente não impressionada, de braços cruzados.

Dean a encarou por um segundo, congelado como um animal pego num flash de luz repentino, com a ponta arredondada da chave ainda voltada para o rosto da garota. Lina ergueu uma sobrancelha em estilo Spock e empurrou deliberadamente sua mão para o lado e ele diria, para alguém com 1, 56 de altura, ela tinha um impressionante olhar desdenhoso por de cima do nariz.

“Eu estava do outro lado da garagem e fiquei de saco cheio.”

A surpresa durou mais do que deveria devido ao choque, então Dean lutou furiosamente contra o sangue que queria subir ao seu rosto e faze-lo corar. Porque se ele corasse na frente da Lina, então o resto do ano estava condenado – a garota jamais o deixaria em paz.

Pigarrou e se ajeitou o mais dignamente que pode. “McCoy, o que você está fazendo aqui?” Indagou formalmente como se os últimos segundos não tivessem ocorrido, tirando a franja do rosto num movimento elegante. Viu do canto do olho Grover entreolhar os dois parecendo entre o nervoso e o curioso.

Lina ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços, ainda não comovida. “Você estava fazendo dando uma de Dean de novo, então eu fui obrigada moralmente a tentar salvar a pobre alma que havia caído nas suas presas.” E ao dizer isso, ela se virou para o garoto menor ao seu lado e sorriu abertamente, ignorando o seu protesto. “Grover, não é? Essa coisa te sequestrou? Se quiser, eu tenho spray de pimenta.”

“Ei!”

Grover sorriu pequeno. “Não, obrigado L-Lina. Dean se voluntariou a me ajudar a ... procurar pelo Percy. Ele saiu e ainda não voltou.”

Ela lhe lançou um olhar de lado, de cima para baixo. “O assunto é sério? Porque senão eu o desaconselharia a entrar num local fechado a sós com esse cara ai.”

Dean soltou um som indignado. “Disse a que foi expulsa de um clube stripper por conduta imprópria.” Retrucou.

Lina nem sequer tentou negar a acusação. Em vez disso ela puxou um colar dourado escondido debaixo da sua regata branca e mostrou o anel prateado nele com uma expressão de you´re-so-stupid no rosto, em inglês e tudo. “Hu-huh, compromissada, honey. Só sou pervertida para cima do meu love, o resto do mundo simplesmente não é sexy o suficiente para ganhar dela.” Ela falou num tom fato obvio que fez Dean sorrir um pouco apesar de sua indignação.

“Para a sua informação, eu fiz o juramento de me comportar, então sua preocupação é totalmente desnecessária.” Informou o jogador de futebol abrindo a porta do carro. “Wilsons não quebram suas promessas. E falando nisso, eu tenho que ajudar meu caro colega aqui a procurar nosso outro caro colega, então se você nos dá licença “. Fez um movimento de dispensa com a mão para a morena e se virou para Grover, abrindo-o a porta do carro para ele.

“Hey, hold still, tiger.” Lina deu um passo e entrou no caminho dos dois. “Vocês não vão me perguntar porque eu, uma saudável jovem adolescente, estaria na garagem da escola num pleno sábado quando eu poderia estar com a minha incrível e deliciosa namorada no quarto dela com ar condicionado?” Ela indagou, girando sobre os calcanhares e apoiando cada um dos seus braços em um ombro de cada menino.

Dean revirou os olhos. “Huh, não. Agora podemos ir?”

“Porque eu estou sendo uma boa amiga, como a pessoa maravilhosa que sou.” Lina continuou como se não tivesse ouvido. Grover sorriu pequeno, não parecendo se incomodar e como diabos ele estava conseguindo isso, Dean não tinha a mínima ideia, mas provavelmente pagaria 50 dólares para descobrir. “E eu recebi notícias incríveis que eu senti que você deveria saber, meu caro Dean Wilson, e eu, como uma incrível e magnifica boa amiga, vim aqui para lhe informar dessa maravilhosa notícia que-”

“Você poderia parar de enrolar e dizer de uma vez, mulher?” Dean a interrompeu.

Lina fez bico e se virou para eles, tirando os braços de seus respectivos ombros. “Sem graça!” Quando não reagiu, a menina revirou os olhos e respondeu normalmente. “A mãe do Percy me ligou dez minutos atrás e me pediu para te avisar que o Percy ia ficar em casa esse final de semana.”

Houve uma ligeira pausa e então.

“O que!?”

A menina sobressaltou ligeiramente com a explosão dos dois e lhes lançou um olhar intrigado antes de se afastar. “Ela disse alguma coisa sobre ele estar doente ou coisa assim, mas nada muito grave, então não era para se preocupar.”

Grover parecia preocupado de qualquer forma, uma ruga já formada no meio das suas sobrancelhas.

Dean olhou confuso para a amiga. “Por que ela ligou para você e não pra mim?” Indagou.

“Ela tentou, mas o seu celular estava desligado ou, mais provavelmente, descarregado já que você não deve tê-lo posto para carregar desde a última vez que você saiu, tipo, três dias atrás?”

“... palpite de sorte.”

Lina o lançou um olhar muito parecido com a encarada Penny Você É Muito Imaturo E Eu Esperava Mais De Você o que era muito injusto, porque não é como se ela tivesse moral para falar dele. “Um dia você vai ser atropelado ou sequestrado ou assaltado e largado pelado no meio do deserto e você vai morrer de fome e sede e você não vai poder pedir ajuda porque esqueceu de colocar o celular na tomada na noite anterior e eu vou olhar na sua cova e dizer um profundo e longo eu te disse.” Ela pronunciou com um olhar sério.

Dean bufou desdenhosamente e isso o trouxe um sorriso aberto da adolescente. “Bom, eu vou indo. Só queria dizer isso.” A garota falou e piscou um olho para Grover, que devolveu com um sorriso seu tímido – embora ainda com um toque de preocupação redirecionado a outros pensamentos – antes de girar sobre os calcanhares e partir para a saída da garagem. “Bye, docinhos de leite!”

Houve um momento de silêncio. Então Dean suspirou fundo pela boca e soltou devagar o ar. “Ela é legal- Lina, quero dizer, não vou mentir e dizer que ela não é assim normalmente, porque normalmente ela é bem pior, mas... sabe, uma boa pessoa apesar de não, huh, bater muito bem da cabeça.” Comentou ligeiramente sem jeito.

“Hm.” O som foi neutro e Grover não parecia tê-lo escutado de verdade. A expressão de aflição no seu rosto havia florido com força e ele havia voltado a esfregar as mãos de maneira nervosa.

Inclinou a cabeça de lado em direção ao outro garoto. “O que foi?”

Os olhos castanhos saltaram para si e o menor ganhou um ar hesitante. “Nada, é só que-“ Mas então ele se interrompeu, ficando num silêncio agitado.

“Só que o que?” Indagou curioso e ligeiramente preocupado. Grover havia ficado aflito no momento em que Lina disse que Percy estava na casa da mãe dele e ele não estava conseguindo entender porque.

O menor mordeu o lábio por um instante. “É-é que... quando eu decidi p- procurar o Percy, a casa dele foi o primeiro lugar que eu fui visitar.” Explicou ainda agitado. “Como- como ele não estava lá, eu pedi... pra a Sra. Jackson me mandar uma mensagem de í- texto caso o Percy aparecesse. Mas...”

“Ela não mandou.” Completou.

Grover o olhou nervoso, acenando uma vez. “E- eu não sei se– se isso é porque ela se esqueceu ou se ela decidiu contra. E eu não s-sei o que é pior, porque Sally nunca se esquece de nada e ela não gosta de deixar ninguém preocupado, então... “ Ele deixou a frase no ar, a expressão preocupada em seu rosto se acentuando mais ainda.

Dean não respondeu. Ambos ficaram quietos por alguns segundos antes do jogador de futebol suspirar e fazer uma menção para o carro, abrindo um sorriso um tanto quanto forçado pelo bem de quebrar a tensão. O menor não devolveu o sorriso, mas acenou agradecido enquanto deslizava para o banco do passageiro.

Fechou a porta e manteve a mão na maçaneta por um momento.

Percy, seu filho da mãe, é melhor que você esteja bem ou Deus me ajude.

.

*

.

“Chegamos” Anunciou Grover.

Dean se inclinou para o lado e espiou o prédio ao lado.

Era um edifício normal, sem nada para fazê-lo se destacar do mar de prédios que era Nova York. Tons de marrom e cinza, provavelmente uns dez andares com quatro apartamentos por andar. Um lugar econômico. Barato. Bem, seria hipocrisia dele dizer que estava acostumado a ver uma moradia tão... apertada como essa, porque ele tinha consciência que sua situação financeira era um pouco melhor do que a maioria dos seus amigos.

Ok, a condição financeira dele era bem melhor.

Ok, ele vivia na Upper East Side em um tríplex de três andares inteiros! E daí? Essa era uma das maravilhas de se viver num colégio interno – uma vez lá dentro, você é apenas mais um estudante, destinado a sofrer pelas mesmas coisas que todos os outros e não importava para qual tipo de casa você ligava de noite.

E o lugar era legal, com um visual velho que dava um ar aconchegante. Não ameaçador ou intimidador, como esses prédios grandes que parecem se erguer sobre si.

Era uma casa.

Saiu do carro e esperou Grover sair antes de trancar as portas com o alarme. Os dois garotos ficaram lado a lado por um momento, observando a fachada do prédio.

O dia estava encaminhando para as duas horas da tarde.

Por fim, Grover deu um passo para frente e começou a caminhar em direção a porta. Dean o seguiu sem dizer nada.

A subida foi em total silêncio. Grover parecia acima de tudo preocupado e o jogador de futebol não poderia culpa-lo, estando ele mesmo um pouco nervoso e sem estar por dentro de todos os detalhes (e ele sabia que tinha mais nessa história que ele não sabia e que ele não tinha direito de saber.). Agora que sabia o motivo da agitação do Percy, Dean se arrependia violentamente por ter decidido não seguir o amigo e ao mesmo tempo estava aliviado que pelo menos ele estava a salvo.

E um pouco culpado, porque havia uma parte sua que queria ir embora agora mesmo e deixar o resto com Grover. Luto, de qualquer forma ou nível, era uma das poucas coisas com o qual ele não sabia lidar e o deixava – surpreendentemente talvez – com medo. Ele nunca havia perdido ninguém próximo de si, então era um sentimento que ele nunca havia experimentado de verdade e com tudo o que ele tinha visto, era um dos quais ele não queria nunca experimentar.

Mas era meio inútil, porque Dean sabia que um dia ele iria. Uma das coisas inevitáveis da vida que o fazia arrancar os cabelos durante a noite.

“É aqui.”

Uma mão gentil no seu braço o fez parar. Olhou para Grover uma vez rapidamente antes de se virar para a porta adiante. Madeira. Maçaneta redonda. Olho mágico. Nada demais. O outro rapaz se adiantou e bateu na madeira três vezes, os ombros erguidos numa linha tensa.

Houve um barulho de cadeira arrastando do outro lado e uma voz feminina respondeu, num tom apressado. “Não queremos comprar nada!”

Grover olhou ligeiramente surpreso para porta e respondeu apressadamente. “N-não. Sou eu, Sally!”

Houve uma pausa onde não se ouviu nada. Então passos suaves começaram a se aproximar da porta e um momento depois o som de chaves sendo giradas ecoou no corredor e a porta foi aberta revelando uma mulher em seus trinta ou quarenta anos com cabelos negros ligeiramente ondulados caindo sobre os ombros e olhos castanhos, vestindo jeans e regata branca.

Sally Jackson sorriu gentilmente, fazendo as rugas ao redor dos seus olhos ganharam um significado a mais do que idade. “Olá, Grover.”

O outro rapaz sorriu de volta para a mulher, ainda que um pouco nervoso. “O-oi, Sra. Sally, eu- ah! Esse, esse é o Dean.” O menino deu um passo para o lado, fazendo um gesto confuso em sua direção e deus, a sua vontade de enterrar seus dedos naqueles cachos beges de repente voltou com força total (cabelos encaracolados são os mais macios, sabia?). “É um- um amigo do Percy e- hm.”

Sério, tão fofo. Urgh, já tem namorada. Isso tão injusto!

Olhou para a mulher mais velha e deu o seu sorriso charmoso-e-educado-mas-não-se-preocupe-eu-sou-gay e estendeu sua mão. “Dean Wilson. Colega de quarto do Percy.”

Realização iluminou o rosto da mulher. “Oh. Prazer em conhece-lo pessoalmente, Sr. Wilson.” Aceitou sua mão educadamente, o sorriso de mãe-conhecendo-amigos-novos-do-filho nos seus lábios. “Percy falou sobre o senhor.”

Seu sorriso cresceu sem precisar forçar. “Só coisas boas, espero.”

“Você realmente acordou o meu filho com um balde de gelo no meio do outono?”

Dean congelou, seu sorriso meio que sumindo enquanto uma sensação de apreensão nervosa invadiu-o.

“Huh... sim?”

Sally acenou seriamente e até Grover pareceu nervoso por ele. O jogador de futebol engoliu em seco.

Mas então ela falou, tão seriamente quanto antes. “Boa tática. Vou manter em mente.”

Dean piscou para a mulher mais velha e então desatou a gargalhar, agradavelmente surpreso. Então Percy tinha uma mãe maneira. Bom, o padrasto dele sendo um professor e o pai biológico praticamente ausente, ele provavelmente só tivera a mãe de quem tirar exemplo de um bom humor.

Sally sorriu um sorriso conspirador e Dean começou a ver que, embora Percy tenha tido que havia puxado a aparência do pai, ele definitivamente puxara a personalidade da mãe.

.

*

.

“Vocês estão aqui pelo Percy.”

Ela falou, mais para uma afirmação solidaria do que uma pergunta. Os dois meninos se entreolharam antes de se virarem e acenaram ao mesmo tempo. No mesmo instante, Sally ganhou uma expressão gentil e carinhosa no rosto, só que triste também e Dean de repente se lembrou da sua própria mãe no dia que seu avô fora diagnosticado com Alzheimer.

[Está tudo bem, meu filho. Mamãe já vai parar de chorar.]

“Sra. Jackson?”

Sally olhou para eles por um segundo antes de dar um passo para o lado e fazer um gesto de convite.

[Vovô está doente e os médicos não podem fazer nada.]

Grover foi o primeiro a se mexer, entrando no apartamento com um ar familiar, imediatamente sumindo pelo interior. Dean, antes de entrar, olhou para a mãe de Percy que lhe deu o mesmo sorriso de antes, fazendo as rugas dos seus olhos dobrarem e escondendo com habilidade os olhos úmidos.

[“Mamãe?” Chamou baixinho e mãos pequenas seguraram as maiores, trêmulas e geladas.

Sua mãe sorriu gentil e triste.

“E a mamãe também não.”]

.

*

.

“Me desculpe por não ter te chamado Grover.” Sally falou suavemente. “Eu achei... que ele precisava de um tempo.”

Grover trocou o peso de pé, parecendo nervoso e preocupado com a mulher diante dele. “S-sim. Não se preocupe com isso.”

“Ele está no quarto dele. Não saiu o dia inteiro, nem para comer.”

O menino de cachos olhou para uma das portas do lugar, a ruga de preocupação se acentuando no seu rosto. “Eu posso...?”

Sally sorriu e se afastou para onde deveria ser a cozinha, dando a resposta dela sem dizer nada.

Grover se aproximou da porta e antes de bater olhou para Dean que se sentia cada vez mais deslocado naquele lugar, como se esse nível de intimidade ainda não lhe fosse permitido, mas que ignorou isso no momento porque ele também estava preocupado e queria ao menos ver o seu colega de quarto maluco.

Deu um passo para frente e parou ao lado do outro rapaz, olhando-o de volta com firmeza. Grover não disse nada, apenas acenou e então se virou e bateu três vezes na madeira.

“Percy?”

Notas finais
Entãooooooo eu terminei de ler o livro e não estou muito feliz com o final do Nico. A existência de Will Solace me irritou profundamente porque eu realmente acho difícil que Nico iria superar sua paixão de 4 anos em uma semana onde ele mal teve tempo de dormir e então logo em seguida se apaixonar por outra pessoa quase desconhecida em uma meia hora onde eles mais lutaram do que falaram um com o outro - eu sentia que o tio Rick faria alguma coisa assim, só para não deixar uma ponta solta sem casal, mas ainda sim estou irritada porque, para mim, a amizade do Nico com a Reyna podia muito bem ter sido o ponto chave do Nico. Ter namorado(a) não é sinônimo de felicidade eterna! GRRRR (enfim, essa é a minha opinião, é claro. Quem curtir o final, por favor, não se sinta ofendido.) Bjs e até