Notas iniciais
Narração de Dexter, parte 1

Eu corria com a garota em meus braços em direção a casa grande. Todos os campistas ao redor da floresta me acompanhavam com os olhos e logo após me seguiram. Depois de um tempo, eu ja estava nas imediações do acampamento seguindo até o centro do lugar onde tinham alguns campistas de Hefesto e Demeter com a bandeira vermelha que acabamos de capturar em mãos. Op chorava de dor e parecia muito assustada. Ela encolhia o rosto em meu peito e apertava o tecido da minha camisa com as mãos.

—Aguenta firme Op, eu já estou te levando para Quiron, ele também é curandeiro. Vai poder te ajudar.-

A pequena tagarela, agora mal falava. Ela fez que "sim" acenando com a cabeça e me fitou com os olhos molhados pelas lagrimas que ainda escorriam. Ela estava com as roupas úmidas e também tremia de frio. Respirava fundo, mas de longe eu via a dificuldade dela em recuperar o fôlego. Lys me viu de longe e quando avistou Op ferida em meus braços correu em nossa direção com um semblante preocupado. Os demais acabaram voltando também sua atenção para nós, o que fez vários murmúrios começarem a ecoar por todos os lados.

—O que aconteceu com ela?- falou Lys avaliando a menina.

—Bolinho aconteceu.- disse eu, deixando bem claro a raiva em meu tom.

—Esse povo de Ares não tem jeito mesmo!- gritou alguém em algum lugar em nossa frente.

—Por favor, alguém sabe onde está Quiron?- perguntei gritando, e logo após isso os campistas abriram espaço para que o grande centauro passasse, galopando dentre eles.

—Então quer dizer que alguém andou implicando com a jovem guerreira aqui?- Ele falou avaliando ela.
—Parece... que sim.- murmurou Op com dificuldade.

Quiron pediu que eu seguisse ele até a casa grande, na área onde os heróis em observação ficavam de repouso. Alguns campistas fizeram uma pequena aglomeração do lado de fora da casa, mas só puderam entrar eu, Lys e Sophie que chegou correndo e driblando as pessoas ali. Quiron se aproximou de Op, que ja estava deitada na cama de madeira, com feições que demonstravam total desconforto por conta de sua condição. Lys pegou uma bandeja de bronze a mando de nosso diretor de atividades com um pouco de ambrosia e néctar e deixou em uma mesinha próxima .

—Coma isso criança, vai te ajudar a melhorar. Sophie, gostaria de me ajudar?-
Ela respondeu que sim, acenando com um único movimento.
—Dê um pouco disto aqui para ela beber. Ajude ela, porque eu preciso que ela fique sem se mexer por uns minutos.-

Sophie segurou a caneca e virou com cuidado o liquido na boca de Op, que tinha acabado de engolir a ambrosia. Aos poucos ela começou a demonstrar uma melhora, visto que a dor estava sumindo de sua face, dando lugar a uma expressão curiosa que eu acreditava ser por causa dos diversos sabores que o néctar formava em seu paladar. Me passou uma ideia rápida na cabeça de perguntar a ela se estava bom, mas, eu precisava delatar a Quiron o que havia acontecido. Ele estava limpando o corte que tinha sido feito nela pelo brutamontes quando eu disse:

—Isso foi feito no mesmo instante que o apito soou. Foi um ataque desnecessário e o campista que fez isso continuou a tentar golpea-la mesmo depois do encerramento da prova.-

—Quem foi o autor dessa agressividade?- Perguntou Quiron intrigado

—O Bolinho.-

—Você se refere ao Victor Vasto?- questionou ele novamente.

—Sim, exatamente ele!-

—Vamos tratar primeiramente da campista ferida para depois chamarmos ele a diretoria. Para resolvermos isso é claro.-

—Não seria melhor esperar a garota ter condições de contar como tudo aconteceu, para depois chamarmos ele senhor?- Lys tinha raciocinado bem, apesar de eu simplesmente ter vontade de ver Bolinho tomar um belo castigo o quanto antes. Mas se éramos para sermos justos, o correto era ouvir todos os detalhes que a Op tinha a nos passar. Para uma melhor julgamento da situação.

De repente, entrou um garoto no quarto onde estávamos. Ele tinha cabelos loiros e lisos, que caiam desregulares em uma franja bagunçada. Os olhos eram interessante verdes, tão claros que chegavam a ser reluzentes.

—Quiron, desculpe incomodar, mas eu soube que tinha uma campista muito ferida. Queria saber se posso ajudar.- falou o garoto.

—Claro Zack, você pode tentar me ajudar com o tornozelo dela.-

Após isso, o garoto desfilou pela corredor e seguiu ate a cama onde Ophelia estava deitada. Ele respirou fundo e fitou os olhos no tornozelo inchado e avermelhado dela. Colocou as duas mãos a uma distância mínima dele e fechou os olhos. Abaixo das mãos dele uma leve luz brilhou, dourada, que ficou um pouco mais intensa após alguns segundos. A luz parecia aquecer a pele da menina, que demonstrou estar mais confortável. Logo a aparência dela estava melhorando e ela começou a relaxar.

—Isso não vai cura-la, mas vai ajudar a se recuperar mais rápido e sentir menos dor.-

—Obrigado.- agradeceu Sophie. Como se fosse a responsável por ela ou a irmã mas velha. Mas do jeito como as coisas iam, isso era praticamente uma realidade. E eu também me sentia como um irmão para as duas, mesmo com pouco tempo de convivência.

—Obrigado também.- Eu disse. O garoto olhou e sorriu para Sophie e logo depois olhou para mim e repetiu o gesto.

Quando percebi estávamos nos encarando e eu também estava sorrindo e um pouco corado. Lys deu uma leve cutucada no meu ombro e eu acordei do "transe."
Zack também percebeu que estava me encarando a algum tempo e abaixou o rosto.

—Precisa de mais alguma coisa Quiron?-

—Não meu querido. Pode se juntar aos seus irmãos novamente.- e o garoto que mais parecia um dos surfistas adolescentes que eu via andando pela praia quando eu morava com meu avô pediu licença, deu as costas e saiu.

—Quem é ele?- Sussurrei no ouvido de Lys.
—Oras, Zack Lions, filho de Apolo. Chegou a alguns meses aqui.-
—Esse é o Zack? — fiquei surpreso por não me lembrar dele. Mas geralmente eu tinha muito mais contato com os campistas do chalé de Hermes e ele nem chegou a passar por lá, visto que segundo a mãe dele o próprio Apolo tinha pedido isso a ela, ja que ele tinha desenvolvido habilidades muito especiais. (Pelo menos essa era a história que todos contavam, mas eu nunca quis ir muito a fundo nisso, afinal histórias era o que não faltavam ali.)

—Acho que senti um clima aqui?- falou ela ainda sussurrando também.
—Para com isso Lys.-
—Que Zeus não permita que o Logan saiba dessas olhadas de trinta segundos que rolaram aqui.-

Revirei os olhos para o que ela disse, dando um riso meio de lado. Uma voz serena e fraca atacou o silêncio do quarto.

—Papai?-

Eu cheguei mais perto de Op e Sophie segurou a mão dela.
—Ela está delirando??-
—Não Dexter, provavelmente sonhando. Ela fez bastante esforço hoje, para uma garota tão nova. Assim que as dores aliviaram ela relaxou o suficiente para dormir. Ou provavelmente alguém a fez relaxar o suficiente para isso.-

Quiron disse isso lançando um olhar para Sophie que nem percebeu e continuou olhando para Op, ignorando o comentário. A menina parecia estar tranquila e dormia profundamente, o que me deixou mais calmo, ja que a pouco tempo atrás ela estava "reclamando" das dores.

—Logo mais vamos soar o toque para que os campistas se recolham em seus chalés. Vocês devem ir.-

—Por favor Quiron, me deixe ficar aqui com ela. Ela é muito nova como o senhor mesmo disse, e caso ela acorde assustada ou precise de algo? Não vai ter ninguém conhecido com ela aqui. Pelo menos que eu fique para dar algum suporte, caso ela precise. -

—Eu também quero ficar!- falou pela primeira vez depois de algum tempo Sophie, no seu famoso tom autoritário, com um pouco de preocupação acrescida.

—Hum... Ok, vou permitir isso essa noite. Mas somente essa noite, tudo bem?-

Assentimos com a cabeça. E ele se ergueu em meio as camas e seguiu pra fora do quarto. Lys me deu um beijo na bochecha e tocou no ombro de Sophie em apoio a situação, sorrindo e olhando dela para Ophelia que agora parecia estar sonhando com algo curioso, visto que fazia uma expressão que dava a entender isso.

Depois que Lys saiu eu me sentei no chão ao lado da bela adormecida e de frente para outra bela que e estava parecendo afim de adormecer também. Eu sorri e estendi um dos braços.

—Sei que não sou o colchão mais confortável desse quarto, porém se você quiser ser pode deitar nessa cama aqui do lado, eu fico segurando a mão dela agora se quis...- e sem relutâncias nenhuma Sophie me abraçou e deitou a cabeça no meu ombro, largando a mão de Op e se ajeitando ali. Eu passei minha mão direita para cima da cama e segurei a pequena e delicada palma da menina que agora franzia o senho e abria um pouco a boca. Ri novamente e então fiquei observando as duas durante a noite.