Nem Tudo São Rosas
9 Capitulo 9
Notas iniciais
Durante a madrugada, Ophelia se revirou algumas vezes na cama. Isso despertou minha curiosidade. Vi que alguns dos fios de seu cabelo estavam cobrindo seu rosto e resolvi ajeitar. No momento em que encostei meus dedos em sua testa, um flash de luz invadiu minha visão. No primeiro momento eu me assustei, afinal era tarde da noite, provavelmente madrugada. De onde vira essa luz tão forte?
Logo depois de alguns momentos, a imagem começou a ficar nítida e eu vi um parque florido, que parecia uma praça de centro de cidade, com um grande jardim, só que tudo estava muito vazio. Logo mais a frente eu vi uma menina com um vestido floral bonito, que saltitava e brincava entre as flores. Tinha um homem com ela, e ele estava bem vestido, de esporte-fino e sorria vendo a menina se divertir. Percebi que aquela menina era muito parecida com... Não, ela era a própria Ophelia! Como ela podia estar tão saltitante daquele jeito sendo que tinha acabado de torcer o tornozelo?
De repente, o céu tão belo e azulado começou a escurecer. O lugar perdeu sua cor. Tudo começou a decair em tons de cinza e negro. O homem que acompanhava ela sorridente, perdeu sua alegria, se virou e seguiu andando para longe. Op começou a falar:
—Papai?- O homem não respondia, só continuou a se afastar.
—Papai? Não va embora! Não me deixe aqui sozinha!- falou mais alto, agora parando de esbanjar a alegria que a alguns segundos ela tinha.
—PAPAI! Não me deixe!- E o homem sumiu nas sombras deixando-a sozinha ali. Ela se ajoelhou no chão e com uma expressão triste deixou uma lagrima cair dos dois olhos, que escorregaram pela sua face lentamente. As sombras onde seu pai tinha sumido começaram a ganhar vida, e dela ascenderam vários olhares de brilho azulado maléficos. Os olhares se movimentaram e ganharam formas a medida que se aproximavam. Lobos gigantes, rosnando fitavam ela, como se ela fosse o plano de ataque deles de muitos anos.
Op gritou pelo pai mais uma vez, demonstrando todo seu medo, e os lobos avançaram para cima dela nesse momento. Na mesmo hora eu corri ao socorro dela, não tinha nenhuma arma em mãos, eu nem ao menos pensei no que estava fazendo, só queria protege-la de alguma forma.
—Ophelia!- eu gritei e me joguei na frente dela, a abraçando com força e colocando uma mão de palma aberta na frente, como se eu pudesse parar os lobos. Ela me agarrou e fechou os olhos com força. O que aconteceu a partir de então , nem eu esperava que fosse acontecer. Enquanto encarava os lobos, antes que eles chegassem tão perto ao ponto de nos atacar, o tempo congelou. E todo o ambiente cinzento virou aos poucos borrões, como se tivéssemos jogado tinta em uma substância leitosa. Não sei como, mas percebi que aquilo de alguma forma estava sob meu poder. Pensei uma única vez em ver todo aquele lugar florido e colorido novamente, e como num passe de mágica tudo voltou a ser belo e alegre.
—Op, pode abrir os olhos, os lobos já foram!- falei ainda surpreso com o que eu acabara de fazer. A menina levantou o rosto e me olhou, depois fitou o ambiente ao nosso redor e demonstrou não entender nada.
—O que aconteceu?- Ela perguntou. Eu sinceramente não sabia
—Os lobos foram embora porque você é muito corajosa e colou eles pra correr!- tentei encoraja-la.
—E porque meu pai foi embora também?- ela pareceu triste
—Hum... Acho que é porque você precisa ir pro Acampamento Meio Sangue, onde os humanos não podem entrar.- Ela pareceu entender a explicação rápida que eu dei, mas ainda assim pareceu triste.
—Olha, ele com certeza sabe que você é uma grande guerreira e grandes guerreiros precisam ser treinados. E só o acampamento pode te dar o treinamento que você precisa. Porém, ele ainda vai voltar pra te buscar depois. Pode ficar tranquila.-
Ela sorriu e logo se animou. Dessa vez ela parecia a Op de sempre, muito feliz.
No mesmo momento que ela sorriu aquela luz voltou a tapar minha visão, e quando dei por mim estava no quarto de repouso novamente. Já era manhã e Sophia ainda estava em meus braços. Op parecia muito melhor e minha mão estavam sobre sua testa.
Lá fora, já podia se ouvir o barulho de alguns campistas andando e conversando. Nem pareceu que eu dormi ou que a noite tinha passado, fora que eu estava um pouco confuso com o que tinha acabado de acontecer.
Quiron adentrou o quarto novamente, estava sorridente, como sempre, e nos observou.
—Vocês dormiram assim a noite toda?-
—Creio eu que sim.-
—Vou pedir para trazerem um café da manhã para que Ophelia se alimente aqui, enquanto você e Sophie vão se juntar aos outros campistas para fazer o mesmo. Depois, quero os dois aqui, chamarei o campista Victor e vamos todos discutir o ocorrido de ontem, estamos entendidos?-
—Claro Quiron.-
O café da manhã pareceu uma eternidade, já que eu estava ansioso para que o Bolinho fosse castigado como deveria.
—Olha Dex, você é um ótimo colchão. Eu achei que devia comentar. — virei o rosto para olhar Sophie. Eu estava perdido em pensamentos, até porque eu encarava com raiva o Bolinho do outro lado das mesas.
—Devo encarar isso como um elogio?-
—Acho que sim.- rimos. Era bom ver a Sophie saindo um pouco daquele jeito sério que ela sempre levava com ela.
—Eu não sei porque eu sinto que alguém mais esta envolvido com tudo isso que aconteceu com a Op.-
—Sinceramente? Eu também acho, mas só ela vai poder esclarecer isso.-
—Meu faro diz que com certeza aquela metida da Amanda e suas seguidoras tem algo a ver com isso.-
Dito e certo, na hora que nos reunimos após o café, Op que já gostava de falar, contou tudo com ricos detalhes. Sobre o chalé de Afrodite se render sem antes terem sido atacados (o que não era nenhuma novidade). Sobre a traição de Amanda. Sobre toda a luta contra Bolinho. Contudo, um detalhe que me deixou também bastante irado foi a Amanda ter desfeito de todos os não proclamados.
—Esse tipo de comportamento é totalmente inaceitável! Todos aqui são semideuses e tem seu lado especial e são importantes, independentemente de serem proclamados ou não. E independente de quem quer que eles sejam filhos. O que geralmente se deve ter vergonha são de comportamentos que vão de encontro com as leis do acampamento e com certeza, vergonha de ter um caráter duvidoso.- falou Quiron, olhando fixamente para Bolinho e Amanda que tinha sido chamada após Op contar tudo para nós.
—Mas senhor Quiron nós...- Amanda tentou falar, mas o centauro a interrompeu.
—Não é de hoje que venho observado alguns comportamentos seus e de alguns deu seus irmãos, Amanda. Nós devemos nos unir aqui, e não ser contra os de nosso acampamento. Queira ou não queira, somos todos uma família aqui e por desrespeitar isso já está mais do que na hora de uma punição. Quero o chalé de ambos fazendo uma homenagem de retratação e desculpas a todos os não proclamados no Acampamento. E isso será para hoje a noite!
—O QUÊ?- Os dois gritaram abismados.
—Senhor D, o senhor não pode deixar isso acontecer, Quiron quer nos rebaixar!- falou Bolinho.
Mas o senhor D, que estava tomando uma lata de Pepsi, olhou com desprezo para Bolinho e disse.
—O que deve ser feito, deve ser feito. Vocês erraram e Quiron esta certo. Talvez assim vocês não repitam os mesmos comportamentos.-
Eu olhei para as meninas que pareciam bem satisfeitas com a decisão final tomada por Quiron e Senhor D, e assim que fomos liberados nós três saímos rindo pela porta da frente. Eu carreguei Op para deixa-la em um lugar sobre a grama, sentada e confortável, tendo vista para os campistas que treinavam luta de espadas. Sophie sentou na grama também e eu desabei no lado. Finalmente, a famosa justiça tinha sido feita e eu estava bastante feliz com isso. As garotas também pareciam animadas.
—Ja que meu tornozelo ainda não melhorou, vou ver as lutas daqui. Aí eu aprendo uns golpes e no próximo caça bandeira, aquele Bolinho de nada vai ver só!.-
—Vou ter que repetir isso pelo visto. Vai com calma Op!.-
—Do jeito que você falou tanto isso nos últimos dias, vou começar a contar pra no final da semana saber em qual dos dias você mais disse "vai com calma Op!"- falei brincando com o jeito controlador e maduro de ser da Sophia. Eu admirava muito essa responsabilidade e cuidado todo que ela tinha com a Op, mesmo que sendo um cuidado do "jeitinho" dela.
Depois de alguns minutos eu vi Zack Lions se aproximar, ajoelhando-se na frente de Op.
—Hey menininha, como vai o tornozelo?-
—Oi, esta melhor. Obrigada!- e sorriu pra ele.
—Fiquei sabendo da homenagem que alguns chalés vão fazer pra vocês. Nada mais do que justo!-
—Concordo com você.- disse Sophie com um sorriso no rosto ainda se divertindo com a ideia de ver Amanda e suas Barbies seguidoras nos oferecendo homenagem.
—Você se chama Dexter, não é?- falou ele virando pra mim.
—Sim, isso. Mas pode chamar de Dex.-
—Ah, claro. Então Dex... Eu sei que a gente mal se falou desde que cheguei aqui, mas queria saber se você aceitaria ver a apresentação que as meninas de Afrodite vão fazer comigo. Eu sei que você deve ter muitos amigos aqui, mas eu ainda estou tentando me enturmar. Seria legal estar com alguém como você...- falou ele corando, enquanto passava as mãos pelos fios bagunçados.
—Bem, eu gostaria, mas é que...-
—Ele pode ir sim! Ele é um ótimo guia aqui!- falou Op na minha frente.
Eu queria aceitar o convite dele, mas eu não queria deixar as meninas. E acredito que ele percebeu isso.
—Se você quiser as meninas podem vir junto com a gente. -
Olhei brevemente para elas que acenaram com as cabeças e eu finalmente disse:
—Tudo bem, eu aceito o convite.-
—Nos vemos as duas 19 então? Perto da entrada da estrutura que os filhos de Hefesto estão criando?-
—Pode deixar.-
E ele se levantou e saiu andando ao encontro de alguns de seus irmãos.
A noite chegou rapidamente. Saí com as meninas e nos encontramos com Zack no lugar indicado. Entramos e escolhemos lugares, sendo que logo todas as cadeiras estavam cheias. As apresentações começaram. E para quem não estava a vontade com a ideia da homenagem, as filhas de Afrodite souberam disfarçar muito bem. Fora que elas estavam se apresentando e sendo vistas por todos do lugar. Provavelmente isso ajudou muito. Quanto aos campistas de Ares, esses sim, não estavam nenhum pouco a vontade. Estava nítido!
Ao final, na última apresentação que seria feita pelo chalé de Apolo juntamente com alguns campistas de Hermes filhos proclamados, iria ser um pequeno show, com algumas musicas que eles separaram para cantar. Segundo as conversas que rolavam, eles pediram para participar dá homenagem, de forma gratuita e sem ninguém ter obrigado. Todos já estavam bastante ansiosos, visto que sempre que o pessoal de Apolo fazia algo com musica, o resultado era magnífico! O ambiente se encheu de neblina. E ela tomou o palco e o auditório que havia sido montado para a apresentação. No inicio todos pensaram que fazia parte do show, mas na verdade não era.
Uma explosão de luzes aconteceu em cima do palco e todos os campistas gritaram em susto! Da explosão surgiu uma mulher, ela era alta e bela, com cabelos longos e negros. Ela tinha traços fortes e olhos em tom escuro, porém vívidos. Vestia um vestido formal cor de vinho, longo, e todos ficaram admirando sua beleza, enquanto ela caminhava dentre a fumaça densa formada pela explosão, que ja estava se dicipando.
—Boa noite semideuses. Veio ao meu conhecimento que alguns campistas estiveram desfazendo de uma garota chamada Ophelia, por ela não ser proclamada. Isso é verdade?-
Todos estavam abismados. Até mesmo a própria Op. Antes que qualquer um respondesse, Dionisio falou:
—O que você quer aqui feiticeira?-
—Vim resolver essa pequena questão meu caro senhor do vinho. Ophelia, levante-se, querida.-
Ela se levantou com cuidado. Eu e a Sophie ajudamos ela.
—Pois agora, você tem uma mãe a quem recorrer. Eu, Hecate, senhora dos caminhos e da magia. Sua mãe!-
Todos se curvaram diante dela na plateia. Op parecia estar em estado de choque. Ela não piscava e nem muito menos tagarelava. Eu e Sophie, também ajoelhados em reverência seguramos cada um, uma mão da menina agora proclamada.
—Mamãe?!- ela disse ainda sem crer.
Hecate sorriu, a fitou de cima do palco.
—Sim querida. Na realidade, eu não sou propriamente Hecate, mas um feitiço feito com a aparência dela, enviado para você. E tem mais uma coisa. Eu estou muito contente por você ter tão bons amigos, e quis recompensa-los de alguma forma.
Ela estava falando de mim e da Sophie?
—Conversei com dois Deuses em particular e eles parecem bem orgulhosos de seus filhos também.-
Quando Hecate terminou essas palavras, senti um flash de luz vir de minha cabeça. Logo todos ao redor notaram e começaram a me encarar. Percebi que tinha outro flash de luz vindo da cabeça de Sophie. Os flash viraram fios de luz, que dançaram no ar e formaram símbolos diferentes. Reconheci os dois símbolo. O de Sophie eram as formas do Deus Hipnos, senhor do sono. E na minha cabeça eram as formas de Morpheu, senhor dos sonhos.
Eu não estava acreditando! Meu pai me reconheceu! E ele tinha orgulho de mim!
—Agora que terminei meu trabalho aqui, vou deixar que vocês se divirtam com suas festividades.- e aos poucos a mulher no palco foi sumindo, e nossos símbolos também. Todos se levantaram e começaram a bater palmas para nós. Alguns que estavam próximos nos deram parabéns e Zack que ainda estava ao meu lado me puxou e deu um abraço, seguido de um beijo quente na bochecha que com certeza me fez corar.
—Depois dessa grande apresentação/proclamação. Os campistas de Apolo e Hermes irão fechar as homenagens de hoje com seu show... Bem, é isso ai.- falou senhor D.
E então eles subiram ao palco, eu passei o braço para abraçar as duas garotas, agora com um pai e uma mãe assim como eu e perguntei:
—Felizes?-
—Tem como ser melhor?- Gritou Op, no meio da música que já tinha começado a tocar
—Pelo que o pessoal falou sou filha do Deus do sono?-
—Sim, Sophie! E quase que você virava minha tia. Mas como a genética dos Deuses é diferente, não vou precisar te chamar de Titia Soph.- disse eu rindo
—Sério? Até que eu iria gostar de ter um sobrinho como você. E pelo menos, agora está explicado porque eu durmo tanto.-
Elas me acompanharam na risada, visto que eu já estava fazendo o mesmo, em meio aos campistas que cantavam junto com a banda récem-formanda em cima da plataforma, e nos viramos para curtir o final da apresentação.
Fale com o autor