Quando eu fui convidada para o Acampamento, eu não imaginava que passaria por isso. Bem, meu pai sempre disse que eu era especial, mas sabe como é, né? Os pais sempre dizem isso, principalmente quando seus filhos tem TDAH e dislexia, e são burros como eu.

Mas imaginar que aquela senhorinha, que eu sempre cumprimentava na rua, achando que era moradora de rua e por isso sempre estava no ponto de ônibus era uma sátira?

Nunquinha.

Por isso eu gritei quando ela abaixou as calças largas de moletom e me mostrou aquelas pernas peludas e, ugh, nem um pouco bonitas, tenho que dizer. Desculpa deus dos Sátiros, ou seja lá como se chama, mas essas perninhas não estão nem próximas de serem bonitas, ouviu?

Ainda gritei vários: Ai meu deus! Enquanto arrumava a minha mala, e nossa, como demorei pra fazer. É difícil ter de escolher entre tantos shorts, qual levar, sabia? E ainda deixei muitos pra trás, me desculpem queridos. Volto depois para usá-los, juro.

Mas enfim, quando arrumei minha bagagem, a senhora estava Tiff dormindo na sala. Ela dormiu mesmo e eu fiquei: acordar ou não acordar?

Eu a chamei, e chamei, e quase a derrubei do sofá para acordá-la. Ela me olhou com cara feia e disse.

—Acha que vai ser uma semideusa assim? – Insira aqui um tom muito raivoso e uma cara muito feia, não que a senhora Tiff fosse bonita, mas né.

—Desculpa senhora Tiff, mas estou muito animada! Sabe, adoro sair pra andar, sair pra conhecer, ou apenas sair, ou apenas conhecer, e também gosto de – e ela me cortou aqui.

—Chega de falar criança, e vamos logo, temos que chegar antes do anoitecer, ou ficará perigoso – ela foi se levantando e indo para a porta como se fosse dona da casa.

Eu bufei, e depois percebi que não tinha me despedido de meu pai, como ele iria saber pra onde eu fui?

—Para tudo senhora Tiff, eu tenho que avisar meu pai! – Praticamente gritei, e corri até o telefone preso na parede.

Por ter problemas de dislexia, tive de aprender a decorar os números para poder ligar para meu pai. E apenas sei o seu número mesmo, não preciso decorar nenhum outro, quem era a polícia? Ninguém.

Enfim, o telefone ficou chamando, e eu me apoiei nervosa na parede, até a ligação cair. Fiz um bico e tentei de novo, enquanto a senhora Tiff batia o pé-casco no chão.

Choraminguei quando caiu pela última vez, e a Sátira revirou os olhos.

—Ai senhora Tiff, não posso sair se meu pai não deixar!

A senhora Tiff tomou o aparelho, bateu ele no gancho, e depois foi batendo os cascos com força até a cozinha, pegando um dos post-it e trazendo até mim. Como ela sabia onde estavam?

—Escreva para onde vai e vamos embora – mandou ela, e logo me deu uma caneta que estava sobre a mesa de centro.

Assenti com um bico, levemente irritada pela forma como ela me tratava, mas ignorei porque tinha mais coisas a fazer. Enquanto escrevia, ela me dava sermão, o que deixou meu bilhete com a letra horrível e desregular. Desculpe papai, eu estava tentando.

—Semideuses não usam tecnologia, atraem monstros, e agora já devemos ter atraído a grande maioria dos que vivem nessa região, sabia? Mas por você não ser muito forte, acho que conseguiremos fugir a tempo.

Eu abri a boca em indignação, ela saiu andando, e eu fiquei bem confusa sobre ir ou não. Fiz outro bico, e a ouvi gritar por meu nome.

Sai correndo atrás dela, com minha mochila balançando nas costas e fazendo um barulho engraçado devido a todas as tranqueiras que joguei nela.

Então tomamos um ônibus desconhecido por mim, o que achei bem estranho, e descemos no centro da cidade.

A senhora Tiff já estava quase dormindo, e eu a balancei até acordar, e ela me deu um tapa na mão. Onde mesmo que eu li que os Sátiros eram fofinhos e gentis? Acho que foi no livro infantil errado, porque a senhora Tiff só faltava me comer com os olhos.

Descemos e fomos para o metrô, e cara, nunca andei de metrô, mas foi: Wow! Emocionante!

—Isso é tão legal senhora Tiff, quando chegamos no Acampamento Mágico? – Perguntei pra ela enquanto estávamos paradas na porta, e as pessoas entravam apressadas, empurrando a gente.

—Não fale alto criança – ralhou ela, olhando para os lados como se alguém fosse pular e nos atacar.

Ri da cara que ela fez, e continuei me segurando na porta pra não cair, com ela agarrada ao meu braço, porque ela conseguia ser incrivelmente menor do que eu, e olha que sou bem pequena e magrinha.

Aproveitei uma parada pra enrolar meu cabelo em um rabo de cavalo, porque está muito quente, e bufei com mais gente entrando no vagão.

—Senhora Tiff, por que não vamos pro meio do vagão que está mais vazio? Já reparou que todos entram e ficam por aqui, e não circulam? Isso não faz sentido nenhum! E como ninguém está vendo essas suas pernas? É quase um bode falante gente, como vocês não estão vendo isso? – Perguntei, e olhei pros outros passageiros que pareciam incomodados com alguma coisa.

Quando olhei para a senhora Tiff, ela estava mais vermelha que um pimentão e me fez sair naquela estação mesmo, quando a porta estava para fechar.

—Ué, não tínhamos que descer só na última? – Perguntei enquanto era arrastada, e ela revirou os olhos me puxando pela escada e me fazendo acompanhar seus passinhos rápidos de Sátiro.

—Com você não calando a boca, corremos o risco de sermos atacadas – ela bufou e apertou o elevador para deficiente.

Franzi o cenho enquanto olhava as pernas dela bem curiosa, e fiquei me perguntando se eram de verdade mesmo. Arrisquei puxar um pelo, e quando ela grunhiu de dor, eu dei dois passinhos para o lado e sorri pra ela, disfarçando.

Entramos no elevador, e eu apertei o botão que ela tanto mandava, parecia desesperada, a Sátira. Tenho quase certeza que o feminino de Sátiro não seja isso, mas vou continuar usando porque é engraçado.

—Para onde vamos agora? – Perguntei quando as portas se abriram, e ela saiu andando na frente, olhando para todos os lados.

Me perguntei se ela tinha filhos, porque ela me parecia uma mãe bem ruim. Continuei seguindo-a de perto, e chegamos a uma nova plataforma.

—Faremos um caminho mais longo, pegando trem, porém mais seguro – ela avisou, sentando-se em um banco, e eu a imitei, deixando a mochila nas minhas pernas.

Ficamos olhando para o nada por um bom tempo, e eu comecei a me incomodar. Sabe, sou um pouco hiperativa, e não gosto de ficar parada. Por isso saio para andar. Foi uma sugestão do meu pai, e como nunca me perco, foi a melhor solução.

Me levantei depois de um tempo, e a senhora Tiff já estava dormindo no banco. Me pergunto se isso é velhice ou coisa de bode, mas deixo pra lá porque noto que tem uma máquina de refrigerantes mais à frente.

Deixei minha mochila no banco, e olhei rapidamente para a Sátira para ter certeza que ela estava dormindo e não brigaria comigo, e fui a passos largos até o local.

Remexi meu bolso até achar duas moedas e inseri na máquina. Aqueles barulhos característicos começaram, e eu me abaixei para puxar o refrigerante, quase me entalando pra pegar o bendito, até conseguir.

Quando me levantei vi que tinha um homem esperando para usar, e dei passos tímidos para o lado, enquanto abria meu refrigerante. Senti que os olhos dele ainda estavam sobre mim quando o trem chegou.

Me apressei para acordar a senhora Tiff, e enquanto colocava minha mochila nas costas e jogava a latinha no lixo, notei que ainda era observada pelo homem. Senti um calafrio quando notei que os olhos daquele homem brilhavam em uma cor diferente, ameaçadora, e segurei o braço da Sátira com força.

—O que foi agora criança? – Perguntou ela agora irritadiça, e eu apontei para o homem que tinha os olhos vermelhos.

Ela franziu o cenho, e eu automaticamente a coloquei atrás de mim, quando o homem começou a se contorcer. Sua roupa começou a rasgar, e pelos começaram a nascer de sua pele.

—Ele é um lobisomem?! – Perguntei incrédula, e as portas do trem começaram a emitir o som de alerta.

—Pra dentro agora! – Mandou a senhora Tiff, e ela saiu correndo e me puxando, quando a fera, agora totalmente lobo, pulou em nossa direção.

Conseguimos entrar e a porta se fechou atrás de mim. Assim que me virei para ver, dei um grito, com o lobo batendo contra o vidro, e dei alguns passos para trás, esperando que as portas não voltassem a abrir.

Porém o trem começou a se mover, e eu suspirei aliviada, vendo o lobo ficar para trás, antes da senhora Tiff me puxar para me sentar em um banco. Notei que os passageiros me olhavam torto, e eu não entendi.

Eles não tinham acabado de ver que fui atacada por um lobisomem?

—Senhora Tiff, porque ninguém parece assustado, só eu? – Perguntei curiosa, bem baixinho para ela, e a senhora apenas ergueu o olhar, antes de abaixar novamente.

—Porque humanos não podem ver o nosso mundo, a névoa não os permite – explicou, e eu abri a boca surpresa. O que teriam visto então? Um cachorrinho? Ou simplesmente não viram nada?

Mas como a senhora Tiff me encarava brava, não ousei perguntar, e fiquei quietinha por um bom tempo, apenas vendo a paisagem mudar e eu ir para cada vez mais longe de meu pai.

Em dado momento da viagem, a senhora Tiff, que na verdade não estava dormindo, se virou para mim, e segurou minha mão.

—A culpa foi minha por não estar de calças, acho que devo chamar muita atenção dos monstros – Disse ela em um tom de remorso, e eu franzi o cenho, balançando a cabeça em negação. – De agora em diante, não se afaste de mim, e se notar alguém suspeito, me diga.

Assenti, e assim que o fiz, ela sorriu e relaxou, a ponto de dormir em segundos. Mas era uma velha mesmo! Ao menos parecíamos melhor do que antes, e eu sorri para ela, enquanto me concentrava no caminho.

Reparei pela primeira vez que surgiam monstros onde passávamos, e aquilo fez meu coração bater com força. Cheguei a ver uma fera gigante que parecia um leão com rabo de serpente, mas que não notou minha presença e continuou brincando em meio ao parque.

—Que perigo! – Sussurrei ao perceber que haviam pessoas que não o viam, mas desviavam automaticamente do mesmo. Deveria ser efeito da névoa, certo?

Demorou um bom tempo, mas chegamos onde quer que estivessemos indo. A senhora Tiff acordou e me puxou para a estação, e me obrigou a ficar parada a sua frente enquanto ela vestia calças de moletom. Quando foi que ela as colocou em minha mochila?

Enfim, ela anunciou que iríamos andando a partir dali, e eu olhei aflita para o relógio da estação. Era quase quatro horas da tarde, e depois das seis tudo escurecia.

Mordi o lábio inferior nervosa, mas a segui da mesma forma, esperando que chegássemos antes do pôr-do-sol, porque eu estava começando a achar aquele lance de monstros sério.

Caminhamos por um tempinho na calçada, até a senhora Tiff entrar em um beco, e eu a segui. Aquilo estava tipo Harry Potter, e eu não me surpreenderia se ela tocasse em uns tijolos e me levasse para o Beco Diagonal.

Mas infelizmente ela apenas pulou uma cerca baixa, e eu a imitei, e voltamos a andar.

Aos poucos a quantidade de prédios e casas ia diminuindo, sendo substituídos por árvores. Quando dei por mim estávamos dentro de uma floresta, e eu me senti arrepiar.

Acelerei o passo para me aproximar mais da senhora Tiff, e ela mexia com a mão dentro de seu casaco de moletom, resmungando e parecendo procurar algo.

Ia perguntar se ela precisava de ajuda, quando ouvi um uivo. Alto e claro, mas que ao mesmo tempo pareceu ecoar pela floresta inteira.

—Droga de lobos chatos – ela resmungou, e tirou de seu moletom uma presilha um tanto grande, mas extremamente simples e rosa. – Tome, precisamos nos defender caso eles voltem.

Ela me entregou enquanto andava, e eu olhei em descrença para aquele objeto minúsculo. O que eu iria fazer com uma presilha?

Se ainda fosse um grampo, dava para fingirmos estar em filme de espião infantil e arrombar cadeados, mas uma presilha?

—Quando for a hora, você a pressiona, e ela se transformará em uma adaga.

Abri a boca impressionada, e estava a ponto de testar, quando ela me impediu, segurando minha mão. Me lançou um olhar de alerta, e eu assenti, me controlando, e voltando a acompanhá-la.

Conforme íamos mais a fundo na floresta, os uivos se tornavam mais frequentes e próximos, o que me deixava aflita, olhando para os lados e apertando a presilha com tanta força que ela estava começando a marcar a minha mão.

—Isso que da mexer com filho de Licaón – resmungou ela, enquanto me mandava apressar com sua mão.

Eu franzi o cenho, e me perguntei quando eu havia mexido com essa pessoa, e ela me lançou um olhar sério, antes de rir.

—Não sabe quem é? Acha que aquele lobo era o que? – Perguntou em tom de riso, e eu sorri envergonhada. Aquilo era tipo matéria básica de semideuses? Porque eu não fazia a mínima ideia. – São filhos de Licaón, um rei cruel e eles também eram, matavam estrangeiros que entravam em sua cidade, sabe?

Abri a boca em surpresa, sentindo outro calafrio seguido de um uivo, que me fez estremecer.

—Eles foram amaldiçoados por Zeus a se tornarem lobos – explicou ela, gesticulando com sua mão como se não fosse nada. – E podem até ficar humanos por algumas horas, mas logo se transformam novamente.

Assenti, e entendi quando que eu “provoquei” um, choramingando mentalmente ao pensar que poderia ter mais deles por aí, apenas esperando para fazer lanchinho de mim.

—Ele tinha por volta de cinquenta filhos – soltou ela, e eu engasguei, antes de arregalar os olhos.

—Cinquenta filhos?! – Praticamente berrei, sentindo meu coração disparar, e o sol aos poucos a abandonar o céu.

—Calada menina! Quer que eles nos achem?! – Ela mesma falou tão alto quanto eu, e antes que eu pudesse responder, uma série de rosnados se fez presente.

Olhei para os lados, e não vi nada, mas quando você não vê nada, é pior. É tipo filme de terror que a pessoa sabe que está em uma casa amaldiçoada, mas não sabe onde está o fantasma.

Aqui eu não sei onde estão os filhos de Licaón, e creio que esteja sentindo o mesmo terror que as pessoas dos filmes de terror. A senhora Tiff começou a correr, e eu a imitei.

—Ainda falta muito, temos que nos apressar! – Avisou ela em um tom mais baixo, e eu comecei a ouvir o som deles.

As folhas sendo remexidas, o som de seus passos pesados, e quando olhei para trás, tinha tipo uns cinco atrás de mim. Praguejei baixinho, e comecei a tentar fazer minha presilha funcionar, resmungando quando a mesma não se abriu e os lobos pareciam cada vez mais perto.

O sol começou a se por, e eu comecei a ver menos do meu caminho, e mais dos lobos que rosnavam para mim. Choraminguei baixinho, achando que seria meu fim.

Senhora Tiff tomou a presilha, e a forçou, até que se transformasse em uma adaga, e ela me deu. Eu arregalei os olhos. O que eu ia fazer com aquilo? Nunca matei nem formiga na mesa!

Olhei para os lobos, e era impossível eu lutar contra eles sozinha, mas estavam tão próximos de mim.

—Por aqui! – Chamou a senhora Tiff, e eu obedeci, mudado o caminho, e quase caindo naquela pequena ladeira.

Tive que me equilibrar o máximo possível, e vi os lobos pararem no começo, parecendo confusos em nos seguir, e um por um, começaram a descer.

—Aproveita que eles estão separados! – Gritou a senhora Tiff, e eu arregalei os olhos, antes de apertar mais a adaga em minhas mãos.

Avancei contra o primeiro, mas quem disse que eu tive coragem de atacá-lo? Recuei no último instante, desviando por pouco dele, e balancei a adaga no ar, com medo dele se aproximar.

Senhora Tiff gritou para mim, e eu vi que o segundo lobo se preparava para pular. Olhei confusa de um para o outro, não sabendo quem seria o primeiro, quando o segundo pulou em minha direção. Consegui pará-lo com minha lâmina, e ele a mordeu.

Cai no chão com o seu peso, e me forcei a empurrar a lâmina para que ele não conseguisse me morder. De alguma forma a adaga passou por seus dentes, e se afundou na carne de sua boca.

Arregalei os olhos com a cena, mas assim que a lâmina afundou um pouco mais, o lobo começou a se tornar amarelo, e desintegrou como areia. Abri a boca em descrença, me sentando e me esquecendo que havia mais lobos a minha volta.

O primeiro pulou, e eu não iria ter tempo para reagir, quando alguma coisa o acertou. Ele caiu para o lado oposto, e virou areia. Pisquei, antes de sentir uma mão em meu braço, me forçando a me levantar.

Eu achei que fosse a senhora Tiff, mas me assustei ao ver que era uma garota um pouco mais alta do que eu. Ela tinha o cabelo escuro em cachos perfeitos, e assim que fiquei de pé ela puxou a espada que estava presa ao chão.

Então ela tinha me salvado.

Abri a boca para agradecer, quando o terceiro lobo desceu e pulou na direção dela e a derrubou. Porém em pouco instantes ele se transformou em areia por ser atravessado pela espada.

Quando o quarto avançou, eu tomei a iniciativa, e o cortei antes que atacasse a garota, e o quinto por sorte o acertei, enquanto balançava minha arma.

Parei sentindo meus braços doerem, e arfando. Havia feito muito esforço, e nossa, meu coração estava a mil.

—Não fiquem aí paradas, eles podem voltar, sabiam? – Gritou a senhora Tiff, que agora tinha um Sátiro mais novo ao seu lado, que gesticulava para nós nos apressarmos.

—São cinquenta! – Lembrei, e a adaga voltou a ser uma presilha. A encarei na palma de minha mão, e depois vi a outra garota correndo sem esperar por mim.

Choraminguei enquanto os seguia, sentindo que estava começando a suar cada vez mais, e meu cabelo já deveria estar todo embaraçado, mesmo preso.

Enquanto seguia a garota, reparei em suas roupas largas, e fiquei me perguntando se ela era mais forte do que eu.

—Er, obrigada por me salvar – disse, mas falhei em alguma sílabas. – Se não fosse por você, eu teria ido pro brejo – ri, e ela sorriu pra mim.

—Da próxima vez não fique gritando quando está sendo perseguida – aconselhou ela, e senti minhas bochechas pegarem fogo. Culpa minha, admito.

Senhora Tiff gritou alguma coisa, e eu sorri, começando a ver a entrada do acampamento, iluminada por tochas. Senti que finalmente estaria em segurança, e lancei um rápido olhar para minha salvadora.

—Eu sou Ophelia, mas meu pai me chama de Op – me apresentei pra ela, e a mesma assentiu, enquanto parecia pensar se falaria seu nome ou não.

—Sophie – falou após alguns segundos, e eu sorri novamente.

Finalmente passamos pelos arcos do portão, e meus olhos se maravilharam com o que eu vi a minha frente. Não demorou muito para que vários adolescentes se aproximassem curiosos, e um homem mais alto e rechonchudo também, que tinha cara de desinteresse.

—Essas são as novas semideusas? Hah, parabéns por chegarem até aqui – disse, e deu de ombros.

Não podia esconder o quanto estava animada, e acho que meu sorriso denunciava tudo. De repente os campistas começaram a se afastar, e um homem extremamente alto – que depois percebi ter o corpo de um cavalo apareceu.

—Bem vindas ao Acampamento Meio-Sangue – ele anunciou com um sorriso gentil, e eu alarguei mais o meu.

Finalmente eu achei a minha casa.

Notas finais
Agradecimentos especiais a Moça M, e a equipe Delphos Alados.