Nem Tudo É De Primeira
6 Nem Tudo É De Primeira
“Você vai definitivamente me dar à receita dessa torta, Sra. Jackson” Lina disse enquanto devorava o seu quarto ou quinto pedaço, soltando um som de puro deleite. “Pelo amor divino, isso não é uma torta de maça normal! O que você põe aqui?!”
Sally riu, o rosto corando. “Que exagero, Lina. E, por favor, me chame de Sally.”
“Não, ela tem razão, sra... quero dizer, Sally” Falou Nathan, que também estava por volta do terceiro pedaço. “Nossa mãe faz torta de maça, mas aquilo parece papelão perto disso aqui.”
O sorriso brilhante de sua mãe fez o próprio Percy sorrir, porque em sua opinião ela nunca recebeu elogios o suficiente na vida. Ficou satisfeito consigo mesmo por sua decisão de convidar Lina e Nathan para o seu aniversario.
“Percy, tem alguém batendo na porta.” Paul falou da cozinha, onde ele estava terminando de preparar mais aperitivos.
Num pulo, o jovem filho do deus mar se ergue da cadeira e se dirigiu para a porta. Quando abriu, no batente estava parado a dupla mais inesperada que ele já vira – Tyson, seu meio-irmão vestindo roupas mortais, em pé (o que fazia sua cabeça quase passar da altura da porta) ao lado de Nico, vestindo roupas inteiramente pretas (para variar).
E os dois estavam a uns dois metros de distância, claramente desconfortáveis e Percy não teve duvidas que os dois subiram todos os lances de escada em completo silêncio, porque algo lhe dizia que eles haviam se esbarrado lá em baixo.
Ele teve que rir. “Trocando idéias?” Tyson sorriu de maneira hesitante e Nico lançou lhe um olhar mortal, o que o fez rir mais ainda. Deu um passo para dentro, dando espaço para os dois entrarem. “Entrem, meus caros colegas, vocês são os últimos a chegar.”
Seu meio-irmão entrou e, como ele já tinha meio que previsto, o ergueu do chão num abraço de urso que quase quebrou todas as suas costelas.
Uma das melhores sensações da vida de Percy.
“Ei, grandão! Também estou feliz em te ver!” Falou sem ar, tentando retribuir o melhor que podia o abraço.
“Feliz aniversario, irmão!” Exclamou o ciclope com toda a alegria do mundo. “Eu trouxe um presente para você!”
Dando uma última apertada, que provavelmente entortou sua coluna, Tyson finalmente o soltou sorrindo aquele sorriso aberto e inocente de sempre e o entregou um embrulho azul do tamanho do seu punho antes de disparar para abraçar sua mãe – só que, é claro, vinte vezes mais gentil. Massageando suas costelas, voltou-se para Nico, que havia dado um minúsculo passo para dentro do apartamento e olhava nervosamente ao redor, como se não soubesse bem o que fazer e Percy se perguntou em quantas festas aquele menino havia sido convidado ao longo dos seus anos.
Aproximou-se, o que atraiu os olhos do outro semideus imediatamente para si e filho do mar viu um brilho de incerteza neles, segundos antes de abraça-lo. Sentiu o menor ficar tenso de surpresa entre seus braços, sem devolver o gesto.
Houve uma pausa. "... então, cara, as coisas vão ficar muuuito constrangedor para mim se você, sabe, não me abraçar nos próximos seis segundos."
"H-...hm." Foi a resposta do Nico e, sério, vergonha fervorosa e violenta em 5, 4, 3, 2-
Sentiu dois braços pequenos envolverem sua cintura, o apertando em um verdadeiro abraço e Percy sorriu, satisfeito. Respirou fundo e se indagou brevemente quando foi que Nico deixou o enxofre de lado e começou a cheirar a maça?
“Obrigado por ter vindo” Disse então e se afastou do menor com o maior dos sorrisos. “E por ter usado a porta dessa vez.”
O outro semideus revirou os olhos antes de finalmente sorrir de volta para Percy. “Não perdi nenhum prato especial, perdi?”
O filho do mar riu enquanto circulava o ombro do amigo com um braço e o puxava para dentro. “Só a torta de maça, que Nathan e Lina comeram sozinhos.”
Ouviu-se um som indignado do lado direito deles, o que os fez virar para encontrar uma Lina McCoy sentada de perna de índio sobre o sofá, seus coturnos embaixo da mesa de café. Estava com o seu prato no colo, com outro pedaço de torna e mais vários salgadinhos que Paul estava distribuindo pela sala.
“Isso não é verdade!” Exclamou, abocanhando uma garfada.
A cara-de-pau.
“Ah, é? Esse já é o seu sexto pedaço, se eu não me engano.”
“E?”
“Lina, uma torta daquele tamanho só da para ser dividida em uns oito ou nove pedaços!” Riu enquanto via sua amiga engolir uma coxinha de frango junto da torta. “Isso é nojento!”
A garota abriu a boca semi-cheia de comida para falar algo quando ela pareceu finalmente notar Nico, parado sem jeito sobre o braço de Percy. Ergueu uma sobrancelha fina, os olhos castanhos brilhando de curiosidade enquanto ela engolia a comida em sua boca. Uma única analise dos pés a cabeça do garoto pareceu responder as perguntas não pronunciadas da jovem. “Você deve ser o famoso Nico.”
O próprio moreno ergueu ambas as sobrancelhas. “Famoso?”
“Oh, yeah baby.” Lina sorriu, mordendo uma bolinha de queijo. “Todo mundo na escola está especulando se você é ou não é o amante secreto de Percy, que vai fazê-lo sair do armário até o final desse ano.”
Percy pode sentir o menor queimar sob seu braço. “O-o que?”
O próprio Percy somente revirou os olhos. “Ótima primeira impressão você está causando, McCoy.” Lina dispensou seu comentário com um abanar da mão, engolindo outra coxinha, muito embora seus olhos ainda estivessem analisando Nico de maneira curiosa.
E quando Percy saiu para pegar um copo e um prato para Nico, parando brevemente para observar Tyson e Nathan conversando animadamente sobre engenharia e para guardar o presente do seu irmão no quarto, ele voltou para encontrar o mesmo sentado na beirada do braço do sofá ouvindo Lina falar sem parar, com uma expressão meio em pânico. Quando parou diante dele, Nico imediatamente ficou de pé de novo e se aproximou de si, exalando nervosismo e constrangimento – uma reação normal para pessoas não preparadas psicologicamente para Lina – e Percy teve que rir enquanto lhe entregava a comida. O filho de Hades socou de leve seu braço, com um olhar cheio de aviso, antes do mesmo também quebrar num sorriso honesto.
Ele quase não notou a expressão de Lina, de quem havia acabado de resolver um grande e intrigante mistério. E o sorriso sabido da garota.
Surpreendentemente, o filho do mar não ligou porque ele sabia que a amiga não era alguém que tinha o habito de cultivar pensamentos ruins das pessoas, fosse quem fosse. E também porque a cara de Nico ao morder uma barrinha de mente apimentada era muito mais divertida de se ver.
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“Algum problema?” Percy perguntou, depositando o seu prato na pia, junto de uma pilha grande demais, considerando que havia tipo, umas sete pessoas ali.
Virou-se para Nico, que estava sentado na mesa da cozinha há pelo menos uns vinte minutos em silencio, cutucando os restos de cupcake com um garfo. O garoto ergueu os olhos por um momento, encarando-o com um turbilhão de sentimentos rodando nas íris negras tão rapidamente que Percy não teve tempo de entender nada, antes do menor abaixar a cabeça de novo e dar de ombros. Como se ele achasse que o mais velho não tivesse visto nada.
Sem nem pensar, ele se aproximou e sentou na cadeira oposta a de Nico. Ficaram em silencio até que o filho de Hades não conseguiu mais ignora-lo. O jovem suspirou e largou o garfo, que bateu na mesa com um cling!, e apoiou a cabeça em ambas as mãos de modo que não dava para ver o seu rosto. Seus ombros estavam tensos. “É a Hazel.”
Percy automaticamente ficou tenso também. “Aconteceu alguma coisa?” Perguntou preocupado.
Nico negou com a cabeça devagar. “Não do tipo que você está pensando.” E se ele parecia carregar o peso do mundo nos ombros, Percy não comentou. Apenas inclinou a cabeça de lado, surpreso e intrigado. “Vocês brigaram?”
O outro semideus riu, mas o som não tinha alegria nenhuma e doeu aos seus ouvidos muito mais do que ele tinha esperado. “Não. Brigar envolve falar e Hazel...” Ele suspirou de novo, desabando os braços sobre a mesa e depositando a cabeça sobre eles. Sua voz saiu abafada quando voltou a falar. “... não disse nada.”
Percy ficou em silencio, deixando as palavras de Nico afundarem em sua cabeça. Não perguntou qual fora o assunto da discussão, porque se ele não havia lhe dito era porque não queria compartilhar essa informação, e Percy sabia respeitar a privacidade alheia.
Então, sem saber o contexto do problema, muito menos o tópico ou mesmo a razão (todos sinônimos da mesma coisa, uma voz irritante apontou) o filho do deus mar decidiu que não tinha como alguém esperar que ele conseguisse achar algum conselho decente para dar. E talvez Nico soubesse disso e ele só queria alguém para desabafar com, sem esperar soluções ou conselhos milagrosos, só querendo que alguém o escutasse para que ele tirasse ao menos um pouco daquele mal-estar no peito – e isso ele conseguia entender, por que quantas vezes ele já havia tido essa exata sensação?
No final, Percy chegou à conclusão que tudo o que ele podia fazer agora era ser o bom amigo que havia sido prometido ser, e ficar ao lado de Nico apoiando-o e ouvindo tudo o que o outro semideus quisesse dizer. Só queria achar um meio de contar isso, só para que o seu silêncio não fosse confundido com constrangimento ou desconforto.
Eles já haviam passado desse ponto a essa altura, pelo menos era o que Percy queria acreditar.
Seus olhos caíram na mão branca com dedos longos e finos espalhados pela mesa e sem pensar (ele estava fazendo isso em volta de Nico com cada vez mais frequência, notou uma parte do seu cérebro) Percy estendeu o seu braço através da mesa da cozinha e depositou a sua própria mão em cima da menor e mais fria.
O menino pulou no lugar e ergue a cabeça rapidamente, a expressão completamente surpresa. Ele olhou para a mão juntas dos dois e depois para Percy, repetindo o processo varias vezes até que o filho do mar respondeu a todas as perguntas silenciosas sendo lançadas em sua direção com um aperto nos dedos gelados e um sorriso pequeno.
O filho de Hades piscou os olhos e franziu levemente as sobrancelhas, examinando sua expressão com cuidado como se estivesse procurando alguma coisa. Pelo modo que ele abaixou o olhar para mesa alguns minutos depois, uma decepção leve pairando sobre seus ombros, Percy assumiu que o menor não encontrou na sua expressão o que ele queria e ficou inclinado por vários segundos a perguntar o que ele estava querendo ver.
Mas então Nico sorriu um sorriso minúsculo, um leve repuxar dos lábios para cima e aquela aura triste foi rapidamente substituída por uma agradecida. No mesmo instante, o garoto menor apertou seus dedos de volta com uma força de ferro e ele inclinou a cabeça para frente, apoiando-se na mesa mais uma vez. Só que dessa vez com a mão de Percy entre seus braços cruzados e a testa descansando levemente sobre as costas dos seus dedos.
E se aquilo era bem mais intimo do que qualquer interação sua com qualquer um dos seus outros amigos – homens ou mulheres – Percy não conseguiu se fazer se importar ou mesmo sentir constrangimento. Não quando sentia a mão pequena e gelada tremer enquanto apertava a sua, como se ela fosse à única coisa impedindo Nico de se afogar.
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Depois da tortura que foi ouvir todo mundo cantar Parabéns Para Você em plenos pulmões, com Lina fazendo questão de ser a mais estridente possível, e depois de ter conseguido evitar ter a cara enfiada no bolo por Nathan, as pessoas começaram a ir embora. Os irmãos foram os primeiros, depois foi Tyson (que prometeu visita-lo no Acampamento no próximo verão) e por ultimo, Nico.
O garoto se despediu de sua mãe e Paul na cozinha enquanto os dois terminando de arrumar as coisas e veio para a sala onde Percy está desembrulhando o presente de Nathan (que consistia em um laptop novo da empresa do pai dele). Ele mais sentiu do que viu o outro semideus parar do seu lado e ergueu a cabeça.
Nico deu um sorriso estranho e rápido. “Eu, hm, eu vou indo.”
“Oh, ok.”
Levantou-se da mesa e acompanhou o menor até a porta, só que quando chegaram ao batente o filho do deus dos mortos parou e virou na sua direção parecendo repentinamente nervoso. Ergueu levemente as sobrancelhas para a expressão meio ansiosa no rosto do amigo. “O que foi?”
O garoto trocou o peso de perna, não o encarando nos olhos. Enfiou então a mão no bolso da jaqueta de couro que usava e puxou de lá uma caixinha branca toda esculpida, delicada e bonita, e que emitia uma leve aura quente. Olhou intrigado para aquilo e fico ainda mais intrigado quando Nico lhe ofereceu o objeto timidamente, ainda sem olha-lo nos olhos. “Nico...?”
“É o seu presente de aniversario.” O garoto murmurou e era impressão sua ou ele estava corando por debaixo da franja negra?
Sorriu e aceitou o presente, pesando-o cuidadosamente nas mãos. Olhando de mais perto, dava para ver que os detalhes eram ainda mais complexos e intrincados do que pareceram de primeira, com círculos e mais círculos se cruzando para formarem desenhos delicados. Parecia ser feito de madeira, embora fosse difícil de dizer já que era morno como se estivesse o dia inteiro no sol e liso feito mármore.
“É um Animus” Nico explicou antes que ele pudesse perguntar, olhando para o objeto na sua mão. “São nativos do rio Lete, junção de fragmentos de certas memorias felizes esquecidas pelas pessoas.”
“Junção de memorias?” Repetiu confuso. “Nativos? Essas pedras surgem desse jeito no rio?”
O moreno revirou os olhos, o seu embaraça sendo esquecido na hora. “Não é a caixa, Percy, é o que está dentro da caixa.”
“Oh.”
Sentindo-se meio estupido, o filho do deus mar abriu o cubo branco com um mínimo de receio. Ele ainda lembrava-se do rio Lete, foi quando ele conheceu o Bob (E lá veio a facada de culpa e tristeza no seu peito) junto de Thalia e Nico, e o seu poder era o suficiente para manter o semideus longe dele. Se aquele tal de Animus vinha do rio Lete, ele não teria o mesmo efeito do seu habitat?
Suas duvidas foram varridas da sua cabeça quando abriu a caixa e de dentro uma criatura do tamanho da sua palma pulou para fora e começou a circular a sua cabeça velozmente. Pulou para trás com o susto e virou a cabeça tentando seguir o que fosse aquilo, mas só se deparava com um rastro de neblina verde indicando para onde a coisinha havia ido. Deu uma volta inteira em si antes de Nico o parar, rindo. “Você nunca vai conseguir assim, Percy. Animus são criaturas agitadas, pra você ver um você deve ficar parado.”
Piscou os olhos para o garoto sorridente diante de si e experimentou o que lhe era dito. Ficou completamente imóvel, prestando atenção por movimentos no canto do seu olho e ignorando o filho de Hades rindo mais ainda da sua concentração.
Devagar, como se fosse tímido, uma criatura feita de nevoa verde começou a surgir na sua visão periférica. Resistiu à tentação de virar o rosto para ver logo o que era aquilo e continuou parado, esperando ela avançar. Enquanto ela se aproximava cada vez mais de si, Percy notou que ela parecia mais nadar no ar do que voar. E foi só quando uma criaturinha deu um salto mortal de debaixo do seu queixo para parar diante dos seus olhos que ele finalmente entendeu o porquê.
Era um peixinho.
O que fazia sentido, já que vinha de um rio, mas mesmo assim surpreendeu Percy.
Ele arregalou levemente os olhos e encarou aquele bichinho minúsculo com a boca aberta.
Ele era lindo.
Parecia uma mistura de kinguio com um peixinho dourado, só que verde e feito de pura nevoa, o que o fazia ondular no ar e refletir a luz do apartamento.
Ergueu a mão devagar, querendo tocar, mas hesitou lembrando-se do o animalzinho fugindo toda vez que tentava segura-lo. Então resolveu estender a palma numa oferta para que o peixinho examinasse o quanto quisesse e só o tocasse se ele quisesse. Percy observou com algo parecido com nervosismo o Animus circular em volta do seu braço por vários segundos, indo e voltando no ar em movimentos repentinos, até finalmente avançar devagar e roçar de leve nos dedos estendidos de Percy.
Que ficou completamente maravilhado com a sensação, porque o peixe era solido e era exatamente assim que o semideus sempre imaginou que seria a sensação de segurar uma nuvem. Frio, fofo, macio e suave. Fez uma concha com a mão, sorrindo ao ver o pequeno animal de aconchegar na palma já confiando completamente em si.
Sem desviar os olhos do Animus, Percy esticou a mão com a caixinha branca e a apoiou no ombro de Nico, puxando o garoto para um abraço de um braço só. “Mano, valeu, Nico, de verdade, muito obrigado!”
Ouviu o menor rir levemente enquanto circulava sua cintura com ambos os braços magros.
(E se Nico o abraçou com mais força do que o normal, e se ele não o soltou mesmo depois dos cinco segundos padrões nas normas não escritas de socialização, Percy não se importou. Ele também não o soltou.)
“Qual é o nome dela?” Perguntou, ainda hipnotizado pelo peixe de nevoa em sua mão.
“Ela?”
“Parece ‘ela’ pra mim, não acha?”
Sentiu a risada de Nico vibrar por seu corpo, do ponto onde os dois estavam colados. “Eu não sei, supostamente eles não tem sexo, mas se você diz...”.
“Hmn... não, é ‘ela’ definitivamente”. Trouxe sua palma em concha para mais perto do seu rosto. “E o nome?”
Nico fez então menção de solta-lo e Percy deixou o seu braço deslizar do ombro menor até cair do seu lado e pela primeira vez naqueles últimos momentos ele desviou o olhar do peixe na sua mão, para o garoto na sua frente. O filho de Hades se afastou com um sorriso suave no rosto, feliz e em paz e com aquele outra coisa que ele não conseguia pôr o dedo no que era, mas que parecia sempre brilhar no rosto do menor quando ele o olhava e-
“É seu, Percy, você decide.”
O filho do mar encarou aquelas orbes negras.
Ele teve a sensação de que Nico falava de outra coisa além do peixe de nevoa.
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