Nem Tudo É De Primeira

2 Nem Tudo É De Primeira


Notas iniciais
Essa fic teve uma resposta tão positiva logo no primeiro capitulo! Eu estou ridicularmente feliz !! (≧m≦) ヽ(≧Д≦)ノ Por conta disso me sinto mais motivada a continuar esse Pernico que virou o meu projeto mais longo até agora (╬ Ò ‸ Ó)

(culpa...)

Quando Nico parou de chorar, ele o fez tão silenciosamente quanto o começou. Se Percy não estivesse abraçando-o e sentindo os soluços baixos tremendo pelo corpo menor pelos últimos dez minutos ou mais, ele provavelmente não teria notado.

Pelo bem do orgulho do outro garoto, Percy fingiu que o escuro escondia mais do rosto avermelhado e marcado por lagrimas do que realmente fazia e o deixou se afastar para enxugar a face freneticamente com as mangas da jaqueta. E pelo bem da alma do outro garoto, ele apenas acenou e sorriu quando o mais novo falou entre suspiro incerto, as palavras fracas como um sussurro.

“Desculpe”

(ainda não era o suficiente, ele ainda não sentia nada

seus sentimentos entorpecidos)

“Está tudo bem” Pôs as mãos sobre os ombros magros. “Só não suma de novo”

Houve uma pausa, um tremor ligeiro tomando conta do corpo menor. Sua consciência ainda destroçada, enterrada no fundo da sua cabeça sussurrou: você é como o mar, tão frio.

Com um aperto gentil das mãos e um empurrão gentil em direção ao banheiro da sua cabine, Percy o mandou tirar aquelas roupas sujas e tomar um banho pra variar. A prova do cansaço do moreno foi ele não ter lhe lançado um olhar cheio de incredibilidade e irritação com o qual Percy havia se acostumado. Ao em vez disso, ele apenas caminhou na direção mandada e fechou a porta atrás de si.

Percy já tinha separado uma muda de roupa sua quando ouviu o chuveiro ser ligado e debateu consigo mesmo por apenas um segundo antes de arrumar um dos beliches ao lado do seu. Graças a encantamentos de limpeza, os lençóis e cobertores eram aprova de poeira e mofo (apesar de não serem aprova de sangue, acido, veneno e baba de cão infernal, como dizia a experiência de Percy) de modo que não teve problemas em organizar o colchão ao lado do seu que nunca foi usado. Terminado isso, pegou a muda de roupas e se encaminhou em direção ao banheiro, batendo de leve na porta. “Eu vou deixar algumas roupas no pé da porta, ok?” Falou e ouviu um grunhido inexpressível como resposta por cima do som da água.

Quando Nico saiu, quase meia hora depois, Percy já estava na cama e quase dormindo. Entretanto, o vapor quente deslizou da porta do banheiro até o filho do deus mar e adentrou em seus pulmões, o que o fez pular acordado e atento, como toda água o fazia fazer. Teria dedicado um pouco de mau humor sobre isso se não tivesse sentido (mesmo porque não dava para ouvir Nico andar, até onde Percy sabia) o garoto mais novo se aproximar em passos incertos até o meio do quarto e parar, sem saber o que fazer.

Percy esperou na cama de olhos fechados, tenso e acordado, por vários segundos. Quando ficou claro que o filho de Hades não ia se mexer, ele falou naquele tom baixo e tranquilo que as pessoas usam mundialmente quando estão em um ambiente de descanso. “Eu arrumei uma cama, se você quiser...” Não abriu os olhos.

Por um momento, tudo o que ele ouviu foi sua própria respiração e o som da água do lago batendo contra a areia. O vento uivando do lado de fora preguiçosamente. Aquela era uma boa noite.

(tão frio e imóvel, que arrasta e destrói e volta para casa sem pensar no estrago que fez)

Então ouve o som suave de alguém subindo em cima do colchão e se enrolando no cobertor. Uma outra respiração, mais silenciosa e macia do que a sua, começou a preencher aquela cabine sempre vazia demais. Percy virou na cama de barriga para cima.

Depois do que pareceu uma hora, Percy sentiu que teve o suficiente. Ele virou na cama e esticou o braço, tocando gentilmente nas costas do semideus mais jovem, sentindo os pequenos tremores do corpo e os soluços trancados.

“Eu já disse que está tudo bem, Nico”.

Mesmo no escuro, Percy conseguiu ver a cabeleira bagunçada acenar de um lado para o outro. “Eu... me desculpe”

(culpa... a culpa é sua!)

O jovem filho do deus mar fechou os olhos, sentindo suas próprias lagrimas queimarem por debaixo das pálpebras. Com um suspiro e um sorriso (porque ele tinha que começar a sorrir de novo ou ele nunca pararia de chorar), ergueu os dedos e bagunçou mais ainda os fios negros do filho de Hades. “Não há pelo que se desculpar.”

Um soluço. “Percy...”

“Está tudo bem, Nico.”

Uma mão menor e gelada pousou sobre a sua.

“Eu não te culpo.”

Os dedos menores apertaram os seus.

"Foi uma decisão dela."

.

*

.

Depois daquilo Nico voltou um pouco diferente.

Nada muito grande ou escandaloso, somente detalhes pequenos: alguns minutos a mais na mesa, mais palavras trocadas gradativamente, menos ombros tensos e olhares de esgueira. Uma vez Percy o viu sorrir de verdade, aquele sorriso solto e confortável de adolescente, enquanto conversava com Hazel.

Uma vez alguém lhe disse que a tragedia só tem dois resultados: Ela pode separar ou ela pode unir.

Na primeira vez, ele lembrava bem o que a tragedia fez com Nico.

Talvez dessa vez ele tivesse escolhido o outro lado.

Então ele mandou o seu bom senso que dizia Hey, talvez não seja uma boa ideia fazer amizade com o filho do Deus dos Mortos, o mesmo cara que já te traiu uma vez e que jurou mata-lo quando tinha dez anos porque você deixou a irmã dele morrer se ferrar, simplesmente porque ele podia.

Percy não tinha fantasmas entre os mortos e estava determinado a não ter entre os vivos também.

.

*

.

Quando as férias acabaram, Percy decidiu que iria ir à escola. Sua mãe apenou o olhou e beijou sua testa e seu padrasto hesitou por alguns segundos, mas concordou também.

Depois de alguns dias, conseguiram achar um colégio que o aceitasse.

Tudo graças a carta de recomendação de um tal de Prof. Brunner.

.

*

.

“Obrigado por trazer a carta” Percy falou, encostando-se ao batente de sua janela enquanto que seus tênis deslizaram pelo metal da escada de incêndio. Nico, parado no meio da plataforma, deu de ombros enquanto brincava com o seu anel de caveira.

O filho de Hades havia simplesmente surgido do lado de fora da sua janela naquela tarde e entregado um envelope bege com a assinatura que ele conhecia muito bem. A cena em si era tão familiar que Percy teria rido, se não estivesse tão cansado.

Ultimamente ele estava sempre cansado.

“Ela é sua, de qualquer forma.” Ele disse e se o filho do mar não conhecesse aquele garoto, ele teria tomado aquele tom de voz como indiferente. Mas ele o conhecia (ao menos um pouco) e tudo sobre Nico agora gritava nervosismo.

Então ele esperou.

O garoto olhou para cima e encontrou seu olhar, o que o fez desviar os olhos para o chão de novo. Ele suspirou e parou de rodar o anel no dedo. Com um ar tão triste quanto o de uma criança perdida, Nico deu um passo para frente e o encarou com firmeza. “Era verdade?”

Percy ergueu as sobrancelhas. “O que?”

“O que você me disse no outro dia” O filho de Hades manteve um rosto sério.

Talvez em outro momento, ou com outra pessoa, Percy não teria entendido de primeira. Ele era um cara que falava muito para muitas pessoas (o que já havia lhe rendido muitos problemas) e podia ser lerdo para processar certas informações, muito embora não fosse o que chamaríamos de burro. Ele só era... muito desligado a maior parte do tempo.

Por estranhos motivos, sua mania de ficar a deriva sempre sumia quando falava com Nico. Se era por causa da aura carregada do menino ou coisa do tipo, Percy não sabia e naquele momento não estava com energia para descobrir por que. Então ele seguiu a linha do outro rapaz e foi direto.

“Sim.”

A expressão resistente de Nico vacilou e ele viu um brilho de emoção transbordar pelas beiradas daquele garoto. Então ele abaixou a cabeça e abraçou a si mesmo e murmurou num tom tão baixo que, se Percy não estivesse focado somente nele, não teria escutado.

“Obrigado”

O filho do mar sorriu pequeno e bagunçou os cabelos negros, porque aquilo estava pesado demais para as duas horas da tarde de um sábado. Nico recuou um passo e o olhou com um misto de surpresa, incredibilidade e irritação. Percy apenas apontou com o polegar para dentro e falou. “Minha mãe fez duas fornadas de biscoitos. Quer ajudar a terminar?”

O menino hesitou e um não quase saiu por seus lábios, mas no ultimo segundo ele pareceu mudar de ideia. “Azuis?”

Percy conseguiu rir. “Existem outros?”

E Percy o levou para dentro, onde sua mãe e seu padrasto estavam montando com uma perfeição sem sentido uma pilha de biscoitos azuis com gotas de chocolate derretido. Sua mãe, sendo a pessoa incrível de sempre, quase não piscou os olhos quando Percy empurrou Nico em uma das cadeiras. Em vez disso, ela sorriu aquele sorriso doce de sempre e pôs três cookies frescos na frente do jovem filho de Hades e passou uma mão carinhosa nos fios bagunçados recentemente por Percy – esse que fez questão de não comentar sobre avermelhado do rosto de Nico enquanto ele pegava desajeitadamente um dos biscoitos.

Paul demorou um pouco mais para assimilar que, aparentemente, era normal por ali que um garoto de aparência esfomeada com uma espada negra presa na cintura surgisse no meio da tarde para comer um lanche. Mas Percy e Sally gostavam dele por um motivo. Nem um minuto a mais, o homem simplesmente sorriu e cumprimentou Nico com naturalidade, enquanto enchia um copo de suco de uva para o garoto.

E a expressão de alegria simples que ficou presente no rosto de Nico pelo resto da visita fez Percy se sentir satisfeito consigo mesmo pela primeira vez em quase três meses.

Notas finais
Pequeno, eu sei, desculpem _:(´□`」 ∠):_ Por conta disso eu vou postar o proximo capitulo quarta-feira (mesmo horario) e não sábado, embora sábado tbm vai ter um capitulo postado ᕦ(ò_óˇ)ᕤ Bom, comentem o que quiserem! Quem comentar ganha um cookie azul da mãe do Percy!