Nem Sonhando! O Que Fazemos Na Fairy Tail?!?!
3 Um colar, um portal, um despertar
Notas iniciais
Mais um capítulo!
Eu estava indiferente quando lembrei-me do colar que havia comprado naquela tarde. Quando o peguei nada parecia ter mudado: continuava sendo uma corrente com o pingente da Fairy Tail vermelho com o contorno preto. Fiquei curiosa do modo como o chefe da guilda me repreendera e ao colar. Será que ele sabia algo que podia me ajudar?
– Comprei hoje de tarde. — respondi.
– Nunca pensei que algo como isto fosse parar no seu mundo. – cruzando os braços e a meditar sobre, meus olhos ainda continham a dúvida que me preenchia.
– O senhor sabe de algo parecido? – perguntei com esperança.
– É apenas uma história antiga. Muitos até acreditam ser uma lenda.
– Lenda ou não, eu estou bem aqui.
Suspirei com um pouco de tristeza. É obvio que estava adorando viver no mesmo mundo em que eles viviam. Vê-los, conviver com eles, interagir com eles. Era um sonho sem preço algum. Mas como dito anteriormente, não pertenço a esta dimensão. E se nunca mais voltasse? Meus amigos, minha família... Como viveria sem eles? Mesmo que amasse do fundo de minha alma, eu precisava retornar.
– É o que penso. — ele se aproximou de mim. Encarando-me, sua expressão demonstrava que havia compreendido meus sentimentos, porém rapidamente ficou a olhar a paisagem da cidade. — Há uma antiga história/lenda que diz que objetos com certos símbolos ou escritas podem servir de portal para o usuário.
– O senhor quer dizer que... Então, este colar pode ser um esses objetos? Um “portal”?
– Não quero dar falsas esperanças, mas é o que parece. — continuou. — Afinal, nunca vi o símbolo da Fairy Tail em chamas.
– Chamas?! – completamente em pânico, olhei para o acessório com muito desespero. — Perdoe-me, mas não está em chamas. – suspirei aliviada e todas as tensões do meu corpo se foram.
– Não? — o mestre, intrigado, tocou no pingente e ficou muito sério.
– Senhor? – perguntei com preocupação. Lembrando-me dos episódios, Makarov ficava dificilmente com aquela expressão e isso me deixava inquieta.
– Muito estranho... Será que apenas eu consigo ver o fogo que emana do símbolo? Só posso dizer sei que diz a verdade. Para mim, ela é concreta.
Uma coisa me incomodava naquele momento. Após o longo silencio que teve sobre o clima, conseguimos ouvir que a festa que se empenhava em todo do edifício. Mas realmente, o que me incomodava era como tudo aquilo podia ser fruto de apenas um homem? Não havia como. Mesmo que eu estivesse dentro da obra, algo dentro de mim sabia que era impossível para um homem ter este tipo de criação. Apesar que... Talvez fosse isso...
– Uma teoria que pode realmente ser realidade...
– Teoria? – a voz do Mestre me fez ver que meu comentário não fora baixo o suficiente.
– É. Apenas umas suposições.
– E... – incentivando-me com um sorriso, senti que podia continuar.
– Desde muito tempo, sempre acreditei que sonhos nos levam a vários lugares. Minha teoria está relacionada a isso. Talvez Mashima Hiro tenha visto um pouco desse universo num sonho. Por isso, mesmo que eu tenha acreditado que vocês fosse uma invenção dele, vocês sempre existiram. São reais. Eu... fico pensando se tudo o que ele escreveu é verdade.
– Entendo.
– Isso até me deixa curiosa. – meu sorriso tímido surpreendeu-o e voltei a completar meu raciocínio. – E... É só uma suposição, mas eu estava dormindo com o colar no pescoço. Tem alguma ligação?
– Hum... – ele coçou a cabeça. – Muito provável.
– Este corpo... – olhei para minhas mãos.
– O que há com ele? – Makarov levantou uma das sobrancelhas.
– Ele não é meu... Se realmente vim aqui por meu sono, seria impossível trazer meu verdadeiro corpo pra cá. Esse corpo é tão estranho, mas tão, inexplicavelmente, semelhante ao meu...
– ... – ele não disse absolutamente nada.
– O senhor sabe como me levar de volta? – minha pergunta saiu sem ânimo.
– Se sua teoria estiver certa, apenas alguém do seu mundo trazê-la de volta, creio que a despertando. — suspirei cansativamente e olhei para o céu limpo e atraente.
– Bem... Não é tão ruim assim. – soltei um fraco e carismático riso. — Afinal, eu estou na presença de muitas pessoas que admiro. — olhei para Makarov e sorri gentilmente. — O senhor é uma delas. Pode acreditar.
Estava tudo ocorrendo bem. Eu e Makarov estávamos nos dando bem, tudo era como o mais tranquilo sonho, mas o barulho de destruição tomou nossa audição, destruindo aquela paz interior que estava crescendo em meu peito. Rapidamente, nós dois nos dirigimos ao térreo, preocupados com o que poderia estar ocorrendo, quando chegamos e nos deparamos com uma luta entre Natsu e Gray. Nos episódios sempre pareciam empolgantes, mas ali, na presença deles, era algo que não tinhas palavras para descrever. Eu estava admirada!
– Você é um idiota, cabeça de fósforo!
– O que disse, cubo de gelo?! – Natsu estava envolvido por chamas incandescentes, deixando-me ainda mais encantada com a cena.
– Além de burro é surdo, cabeça quente? – Gray estava empolgado para lutar um pouco mais e se preparava para um novo ataque.
– Seu...!!! – o Salamander correu na direção do mago de gelo com o “punho do dragão de fogo” pronto, mas...
– Já chega! — a voz de Makarov os interrompeu e as atenções se voltaram a nossa chegada. O fogo de Natsu e a atmosfera fria de Gray se dissiparam em um instante, voltando os rostos de surpresa para o Mestre de modo que tive que me conter para não rir descontroladamente. — Tentem se comportar! Estamos com uma convidada hoje.
– Convidada? — perguntei.
– Isso mesmo. — o sorriso calmo do Mestre veio com sua aproximação do bar que Mirajane cuidava atenciosamente. — Letícia é uma convidada e isso merece uma comemoração!
– Merece? — fiquei incrédula.
– Vamos! É hora de festa! – ele gritou e com uma caneca cheia de cerveja, tomou-a tão rapidamente e com uma alegria sem igual que não apenas a mim que ele surpreendeu naquele momento.
Mesmo não acreditando no que havia escutado, muitos voltaram ao que faziam antes de nossa chegada. Fiquei impressionada com a superioridade que a voz de Makarov tinha sobre os membros da guilda e infelizmente não tive tempo para admirar sua influência. Cana surgiu atrás de mim, oferecendo uma grande caneca de cerveja e sorrindo completamente bêbada, ou pelo que parecia. Logo recusei, pois era menor de idade e a vi simplesmente a tomar minha parte. Macao se mostrou muito carinhoso, mesmo sabendo que suas intenções eram outras, e me fazia rir de fez em quando. Ele não demonstrava que se importava com minha idade e por ser tão insistente chegava a ser engraçado. Reedus pediu, com um jeitinho carinhoso, permissão para fazer uma pintura minha e eu aceite, mas no último instante, Visitar “raptou-me” sem dar uma explicação adequada. Quando soube que me levava para dançar pra todos, saí de seu lado rapidamente. Suspirei ao ver que ele me perdera entre os membros. Segui onde havia menos gente. Elfman e Lisanna me cumprimentaram quando passei ao lado deles e correspondi de forma tímida, mas educada. Em um canto, olhando a festa que eles faziam, não pude de deixar um belo sorriso escapar. Era muito bela a forma que eles se divertiam e muito mais como a amizade que mostrava no anime era confirmada naquele momento. Happy se aproximou de onde estava aparentemente chateado comigo e não pude não concordar com ele. Fui muito rude com ele. O soco não era um modo muito educado de se cumprimentar alguém.
– Happy... Desculpe-me, eu não queria mesmo te machucar. – seus olhos reluziam um brilho amistoso.
– Mesmo? – gentilmente, acariciei sua cabeça e respondi com toda a calma.
– Claro! — abracei-o cuidadosamente. — Você é o gato falante azul mais fofo do universo.
– Ele é apenas um gato repugnante. – reconhecendo a dona da frase, voltei-me para ela. Charles comentou com sua normal indiferença e Happy logo desfez o sorriso do rosto que dera por meu abraço.
– Ah, Charles. – não gostei da cara tristonha do gatinho e quis protestar. — Ele é um doce. Você não pode negar.
– Bem... — a gatinha corou e desviou o olhar. — Chega a ser irritante. — não aguentei e dei um pequeno riso.
– Letícia?
Olhando para o lado e não esperando ser chamada tão cedo, Lucy, Gray e Natsu se encontravam ao nosso lado e encarando o que fazíamos. Happy voou até Natsu, dizendo coisas como "peixes são ótimos", "ela é muito legal", "a Lucy podia ser igual" e muito mais. Fiquei um pouco surpresa, mas feliz que ele havia gostado de mim, mesmo depois da recepção dolorosa que o recebera. Com a vergonha que sentia, encarei o chão e finalmente notei que estava descalça. Como eu percebera a calça jeans e a camisa que usava eram as mesma que eu estava usando quando adormeci. Não deixei de ficar sem graça com a minha deselegância, mas o que poderia fazer no momento. Eu até fiquei a imaginar o como eles me encaravam naquele visual tão... inesperado?
– Queriam me desculpar. Não pensei antes de dizer tudo aquilo. — sem graça, curvei-me para que eles me perdoassem. Só de pensar que disse coisas tão pesadas, era explicável se eles estivessem com raiva de mim.
– Está tudo bem. Você apenas nos pegou de surpresa. — Lucy respondeu.
– Você é realmente de outro mundo? — Gray parecia interessado e apenas confirmei com a cabeça.
– Ela não tem o mesmo jeito que as pessoas daqui. Ela tem um cheiro estranho, mas é bom. — Natsu comentou e corei com sua última fala. — Ela parece ser uma pessoa muito legal.
– Obrigada... – com um sorriso bobo no rosto já queimando, agradeci aos seus elogios.
– Sente-se melhor? — Erza perguntou bem atrás de mim o que não me assustou muito por já ter tido tantas coisas em um só dia.
– Estou bem melhor. — sorriu timidamente. – É realmente uma emoção estar na sua presença.
– Por quê? – perguntando em dúvida.
– Eu te admiro muito, Erza. Vendo você a cada episódio sempre me surpreendia com sua força e senso de justiça. Você é muito admirada no meu mundo.
– Bem... Fico feliz. – ela comentou tentando ser madura, mas senti que ela não esperava ser tão devidamente elogiada.
– Letícia-san... — Wendy se aproximou e estendeu um apetitoso pedaço de bolo. O que me pareceu ser um do sabor de morango. — Mira-san fez pra você.
– Não precisava. Obrigada. — peguei o pedaço e sorriu. — Podem me chamar de Leh. É assim que todos me chamam.
– Leh-san, então... — a jovem sorriu e retribuir do mesmo modo.
Estava tão feliz. Era como se um sonho fosse realizado e me sentia satisfeita como nunca antes. Provei o bolo e constatei o incrível sabor que ele tinha. Fiquei imaginando se todas as comidas daquele mundo fossem parecidas, já que sempre pareceu que as comidas de animes fossem algo “de outro mundo” — sentiram a ironia? — Um sorriso brotou em meu rosto e senti aliviada com o sorriso que todos devolviam. Juvia cuidadosamente se aproximou e assim eu passei a dividir meu bolo com ela, Wendy e até Erza. Lucy rejeitara a oferta, dizendo que estava de dieta respeitei. Mas era um pena, pois estava uma delícia.
Era tão alegre, mas isso não demorou muito e quando dei por mim...
– Leh! — era uma voz mais que familiar.
Acordei em minha cama. Estava calor e eu suava um pouco. Mirei dois olhos negros me encarando e suspirei cansativamente. Não sei se ficava feliz ou não. Eu finalmente estava em casa.
– Estou te chamando há muito tempo. — a jovem sentada na minha cama reclamou. O que era de se esperar vindo da minha irmãzinha. — O Tih ligou e está querendo falar com você.
– Já 'to indo. – murmurei, espreguiçando-me. Como foi no inglês?
– Bem... — minha irmã se levantou e me sentei. — Vou descer e desenhar um pouco. Não se esqueça de ligar pra ele.
– Que horas são?
– Hora de tomar vergonha na cara e comprar um relógio... — revirei meus olhos ao ver a felicidade no rosto dela apenas por ter me sacaneado. — Sempre quis revidar assim... São cinco horas.
– Tudo isso? – estava surpresa disso, pois eu havia adormecido duas horas atrás.
– Ninguém mandou ser dorminhoca.
Minha irmã logo saiu do quarto e fiquei meditando sobre o que aconteceu. "Será que tudo não passara de um sonho?", pensei. Era um pouco triste pensar daquele modo, mas era esperado que fosse apenas um devaneio de minha mente cansada. Procurando o colar, segurei o emblema da Fairy Tail com força. Eu queria acreditar que não fora um sonho. Mas então, o gosto de morango em minha boca me despertou e com um enorme sorriso, beijei o emblema com toda a felicidade. "Não foi um sonho"!
E logo sai em disparada para ligar para meu melhor amigo.
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