Neighbors

5 Capítulo 5


Fechei a porta de meu quarto ao sair e voltei à sala com duas toalhas brancas fofinhas. Uma eu deixei em cima do sofá para que pudéssemos secar Sophie depois do banho, outra joguei em cima de Damon que me deu um breve sorriso antes de tirar sua camisa encharcada. Ah, puta merda ele é muito gostoso – pensei e mordi o lábio inferior, esperando que ele não estivesse olhando para mim. Eu o admirei por minha visão periférica, tentando não chamar a atenção. Balancei a cabeça negativamente afugentando pensamentos impróprios. Peguei Sophie que brincava no tapete da sala e a levei até o banheiro.

–Então... – Damon estava atrás de mim. Me assustei levemente com sua proximidade inesperada. – Como vamos fazer isso?

–Você segura ela assim – disse ilustrando. Ele substituiu minhas mãos, eficiente. Já com Sophie dentro da pia regulei a água para que ela ficasse morna, assim comecei a ensaboar ao mesmo tempo em que a água molhava mais uma vez os pelos da felina. Sophie lutava com Damon o que era hilário, tentei tirar toda a sujeira o mais o rápido possível, mas quanto mais eu esfregava mais sujeira saíra. E depois, finalmente, finalmente, finalmente terminamos.

–Vai secando ela com a toalha que eu vou pegar meu secador – disse e dei uma corrida até meu quarto pegando o secador e voltando no mesmo minuto. Assim que o liguei Sophie mudou seu temperamento.

–Acho que ela não curte muito esse barulho não – Damon riu.

–Já está quase acabando neném – disse e passei a mão por seus pelos sentindo se estavam secos. Ao que parecia, sim. Desliguei o secador e a gatinha pareceu se acalmar. A peguei no colo e dei um beijinho no focinho. – Que coisa mais linda – disse usando falsete fazendo carinho atrás da orelha de Sophie.

–Elena?

–Hm? – virei minha cabeça em sua direção.

–Amanhã vai fazer sol...

–Amém! – disse aliviada. Eu gostava de chuva, mas ficar trancada em casa estava me dando nos nervos.

–Você vai querer sair...?

–Claro – abri um largo sorriso. – Aonde vamos?

–Então, pensei em fazermos um piquenique no Centennial Olympic Park – Damon disse passando a mão em seus fios rebeldes.

–E vamos levar a Sophie – eu podia jurar que meus olhos estavam brilhando.

–Sim – ele riu.

–Claro – revirei os olhos – ela não poderia ficar sozinha em casa, ela é muito pequena ainda.

–Inclusive a gente pode aproveitar e levar ela no veterinário depois, ver quantas vacinas ela precisa tomar, se ela está bem, essas coisas...

–Ótima idéia – suspirei. – Tenho que arrumar um lugar para você dormir bebê. – disse a gatinha.

–Posso pedir uma coisa? – Damon perguntou.

–Diga.

–Só não a deixe na sua cama – ele deu uma pausa – essa noite. Ela não é vacinada e pode ter alguma coisa que passe para você.

–Por que tanta preocupação comigo? – soltei sem pensar. Ah, caralhos me fodam, eu e minha mania de falar tudo que me vem na cabeça. Damon arqueou a sobrancelha e encarou o chão. Um longo minuto se passou e eu me vi corando durante todo esse tempo; o silêncio entre nós era enervante.

–O que acha de pedirmos uma pizza? – ele perguntou rompendo o silêncio. Amém. E fiquei grata por ele não ter respondido minha pergunta.

–Uma boa, estou com fome – disse soltando o ar preso em meus pulmões. Mal havia percebido que estava tanto tempo sem respirar.

–De que? – ele perguntou pegando o celular em seu bolso.

–Hmm – pensei – Quatro queijos?

–Não pode ser calabresa?

–Hm, Damon, eu sou vegetarDamona – encolhi os ombros.

–Você comeu sushi! – ele me acusou.

–Eu ser vegetarDamona não quer dizer que eu nunca vá comer carne – dei de ombros – e era peixe, é bem relevante.

–Estranha – ele fez uma careta. Eu ri. – Que seja.

–Espera! Tenho uma idéia melhor! – disse tomando seu celular de suas mãos. Ele ergueu uma sobrancelha.

–Você não sabe cozinhar, certo?

–Não me orgulho disso.

–Eu posso te ensinar – abri um sorriso largo me divertindo – isso é, se você quiser.

–Querer, eu quero – Damon abriu meu sorriso preferido – só não sei se é uma boa idéia – ele riu.

–Ah, por favor — também ri.

–O que vamos fazer? – ele arqueou uma sobrancelha e pôs a mão no queixo.

–Cupcakes?

–Vai dar muito trabalho – ele resmungou.

–Ah deixa de ser preguiçoso porra!

–Ah ta bom, o que eu tenho que fazer?

–Vou separar as coisas e você pode começar peneirando a farinha enquanto eu bato a manteiga, o açúcar e os ovos. – disse e fui até a geladeira pegar os ingredientes. Os coloquei sobre a mesa e me virei para Damon. – Anda, pode começar. São três xícaras de farinha, e as quero bem peneiradas, depois pode fazer isso com o chocolate em pó.

–Hmm, onde eu faço isso?

–Na sua cabeça – fiquei séria – Na vasilha né?

–Em qual?

–Essa – disse passando uma das pequenas, branca e redonda.

–Ok.

Deixei que ele fizesse o que eu mandei – sim, mandei – e fui ajeitar minha parte. Estava completamente absorta em pensamentos adiantando a massa dos cupcakes, cantarolando uma de minhas músicas preferidas da Demi Lovato. Olhei sobre o ombro, Damon estava fazendo tudo certinho, que fofo, sorri para mim mesma.

–Tem um bichinho na farinha! – Damon fez uma careta.

–Isso é normal, por isso pedi para você peneirar – disse e me virei para ver o que ele estava fazendo. Ele tinha a farinha na mão e estava prestes a assoprar – Nã- não terminei de dizer. Meu rosto ficou coberto de uma fina camada branca de farinha.

–Ops – ele encolheu os ombros.

–Não tem problema – dei um sorrisinho. Peguei a tigela na qual fazia minha mistura e joguei sobre a cabeça dele. A massa escorreu de seu cabelo para sua blusa e acabou por sujá-lo por inteiro. Dei uma gargalhada e terminei assoprando uma grande quantidade de farinha em seu rosto.

–Você é uma piranha muito da escrota – ele disse sério limpando seu rosto parcialmente.

–Desculpa – eu ri alto.

–Ah que isso, claro que eu desculpo – ele riu. – Um abraço?

–Não! – me escondi do outro lado da pequena cozinha.

–Por favor, como um pedido de desculpas!

–Sai daqui! – eu não sabia se corria ou se simplesmente ria.

–Elena vem cá, dá um abraço – ele veio em minha direção. Saí correndo pela casa deixando vestígios de minha passagem por todo o lugar, entrei no banheiro, mas não fui rápida o suficiente para fechar a porta antes que ele também entrasse. Damon jogou os braços a minha volta e me apertou contra seu corpo, me lambuzando de massa por inteira.

–Me larga! – tentei escapar de seus braços, mas minha gargalhada fazia todo o meu corpo tremer e perder as forças. Ele bagunçou meus cabelos o sujando completamente de farinha e por fim me soltou. – Filho da puta! – eu ri e dei-lhe uma tapa com vontade em suas costas.

–Aai! – reclamou e em seguida riu, eu o acompanhei relaxando e encostando-me na pia. – Sujamos a casa toda.

–Não, você sujou a casa toda – eu o acusei.

–Por culpa sua.

–Hã-hã, nunca vi ninguém assoprar farinha – revirei os olhos para a idéia.

–Qual parte de não saber cozinhar você não entendeu?

–Isso não tem nada relacionado a você não saber cozinhar, e sim você ser lerdo – sacudi minhas mãos me livrando do excesso de farinha. Damon me encarava sério.

–Anda, entra debaixo do chuveiro – ele disse me agarrando mais uma vez e me jogando dentro do Box.

–Por favor, não – eu ri – É sério, para.

–Não estou fazendo nada – Damon disse sem soltar minhas mãos. – Gosta de água gelada?

–Não! – gritei. Ele pegou o chuveirinho e jogou uma grande quantidade de água no meu rosto. – Não! Para! — eu gritava e ria ao mesmo tempo.

–Só um pouquinho! – ele encharcou toda minha roupa com a água fria. Tentei me livrar de suas mãos, mas Damon me apertava com força. Tomei o chuveirinho de suas mãos e o molhei por completo em questões de segundos.

–Para! – ele riu.

–Ah, agora eu tenho que parar né?! – debochei.

–Por favor! – implorou.

–Não – eu ri.

–Ah é?! – ele me envolveu em seus braços de ferro e abriu o chuveiro sobre nós na temperatura mais fria que havia. Contorci-me tentando me afastar da água, mas só tive sucesso quando ele mesmo não agüentou mais e acabou fechando a água. Parei de rir por um instante para respirar. Estava me sentindo como uma criança de novo, e era uma sensação maravilhosa. Olhei para minha roupa encharcada. Minha blusa branca estava completamente transparente deixando totalmente visível meu sutiã de renda vermelha. Ah puta merda.

–Agora também vou deixar você arrumar toda a bagunça sozinho – resmunguei abraçando meu corpo na esperança de me esconder.

–Hã...hm, ta – ele disse e percebi que tinha os olhos em meus seios. Caralho, ele podia ser mais discreto, eu agradeceria.


– Que horas posso te acordar amanhã? – ele disse caminhando até porta quando tudo estava em seu perfeito lugar e sem farinha.

–Hora nenhuma – debochei – deixa seu número salvo no meu celular e quando eu acordar, te ligo.

–Tudo bem – deu uma risadinha e pegou meu celular fazendo o que eu pedi. – Salva o seu aqui – Damon disse e colocou seu iPhone em minhas mãos. Salvei meu número e devolvi. Ele me encarava com uma expressão ilegível, seus enormes olhos azuis intimidavam os meus, Damon pegou uma mexa solta de meu cabelo e a colocou no lugar, atrás de minha orelha. Fiquei ruborizada.

–Você é tão, tão, tão, tão... – ele deu uma pausa e abriu um largo sorriso de me tirar o fôlego – mas tão linda. Sua mão direita acariciou minha bochecha. Abaixei a cabeça com um sorriso bobo no rosto – Tchau Elena – disse e depois depositou um beijo demorado na minha bochecha. Esperei que ele entrasse em seu apartamento – assim como no dia anterior – para fechar a porta.

O que foi aquilo? Puta merda, por que não estou sentindo minhas pernas? Por que estou arrepiada dos pés a cabeça? Por que ainda estou com esse sorriso idiota nos lábios? Ah caralho...