Neighbors

34 Capítulo 34


Notas iniciais
Desculpem-me por não ter postado ontem, eu fiquei sem luz por mais de 4hrs e não estava me aguentado de sono para virar a madrugada ): Porém, aqui está. Espero que gostem.
Ah sim, gente, a fic só tem mais 3 capítulos, já posso chorar e me matar? ): Porém, no mesmo dia posto a continuação, cujo nome é Come Back, Be Here.

Subi os dois lances de escadas em vez de esperar pelo elevador. O fato do único quarto vago do hotel ser o ao lado do que eu estava soou muito irônico para mim. Assim que entrei bati a porta e fui direito para o banheiro tomar uma bela ducha. Quando terminei assaltei o frigobar pegando um dos melhores vinhos. Não costumava beber, mas diante das circunstâncias, o álcool iria ajudar.

Joguei-me na cama com a garrafa já aberta em uma das mãos, sem me dar o trabalho de servir a bebida em um copo, dei o primeiro gole. Junto com ele, senti as lágrimas molharem minha bochecha.

Eu imaginaria milhares de reações diferentes da parte dele, menos essa. Damon sempre disse que queria casar e ter uma família e foi por isso que ele me pediu em casamento, foi por isso que nós estávamos... Estamos noivos, ah não sei mais de nada. E por achar que ele queria isso, não achei que ele fosse reagir tão mal ao saber da minha provável gravidez. Porra, não quero isso agora e isso não é novidade. Eu quero estabilizar minha vida, crescer, viver antes. Ok, eu sabia que levaria uma bronca devido minha falta de responsabilidade esquecendo de tomar as pílulas, mas daí ele simplesmente dizer que eu estava arruinando minha vida e que meu pai não gostaria de saber que eu seria uma mãe solteira extrapolou os limites.

Em minha opinião, a tradução do que ele quis dizer foi que me deixaria se realmente estivesse grávida. Talvez se ele tivesse dado uma tapa com toda força no meu rosto doeria menos. Com isso, acho que ele conseguiu destruir toda a confiança que eu tinha nele. Bom, toda não, mas boa parte dela.

Mal percebi que o som que estava escutando era o próprio ruído de meu choro até que me sentei na cama. Meu celular começou a vibrar em bolso. Ah não, não, não e não. Isobel não poderia saber como eu estava e muito menos o que tinha acontecido.

-Oi – funguei.

-Elena eu não acredito que você ainda está chorando – seu tom de voz dizia que ela estava mais calma.

-Eu estou bem – menti.

-Vocês conversaram?

-Não sei se conversa define bem o que tivemos – murmurei com a voz fanha.

-Conte-me com foi – suspirou.

-Eu contei o que tinha acontecido, e ele primeiro achou que tinha sido por um dia só, mas quando eu disse que havia sido por uma semana ele começou a gritar comigo e depois disse que eu iria arruinar minha vida e depois perguntou o que o meu pai pensaria de mim quando descobrisse que meu pai ia ser mãe solteira – chorei.

-O que?!

-Eu acho que isso quer dizer que ele vai terminar comigo se eu estiver grávida, e bom, eu meio que já fiz isso. – sussurrei.

-Você o que?! – berrou.

-Eu não terminei com ele, mas acho que vou fazer isso.

-Não, você vai se acalmar, pensa no que aconteceu, esfrie a cabeça, depois que estiver mais tranqüila, senta e conversa com ele, aí você faz o que você quiser.

-Mas mãe... – resmunguei – Não quero falar com ele.

-Ah sim, você tem 12 anos Elena, não sabe resolver seus problemas e por aí vai.

-Não é assim, eu sei que se eu for falar com ele, ou vice versa, nós vamos acabar brigando de novo, o que só vai piorar a situação. – disse secando as lágrimas de meu rosto.

-Mas a situação de vocês não pode ficar assim, Elena. O relacionamento de vocês é tão lindo, não pode acabar assim.

-Está dizendo isso para a pessoa errada. – dei um pigarro.

-Ele te ama, não tenho uma sobra de dúvidas disso. Tudo bem, ele reagiu mal, mas você o pegou de surpresa, assim como eu com você. Relaxa, dorme um pouco, sei lá, esfria a cabeça e fala com ele – Isobel disse com convicção.

-Eu falar com ele? Hã-hã. – fechei a cara.

-Vocês estão no mesmo quarto Elena...

-Não mais. – pausa – Reservei outro quarto para mim, que para ironia do mundo é do lado do que eu estava.

-Ok, as coisas estão piores do que eu pensava. – respirou fundo. – Porém o que eu falei ainda está valendo.

-Eu sei – hesitei – vou dormir um pouco, a gente viaja para Paris à noite, logo eu converso com ele durante o vôo.

-Não derrubem o avião, por favor.

-Ok – eu ri.

Desliguei o telefone voltei para minha garrafa de vinho. E depois parti para a segunda. A parede já estava torta quando resolvi parar, até porque estava sendo muito estúpido da minha parte fazer aquilo. Afinal, se realmente estivesse grávida, beber não era a coisa mais certa a se fazer. Cobri meu rosto com o travesseiro e esperei que o sono me encontrasse.

Já estava escuro quando acordei com uma batida urgente na porta. Minha cabeça ainda girava devido ao álcool e estava pulsando de tanto que doía. Levantei meio grogue e abri a porta lentamente, lembrando-me finalmente que não poderia ser mais ninguém a não ser o Damon porque estávamos no hotel.

-O que você quer?

-Você está bêbada? – o choque atravessou seu rosto.

-Não te interessa.

-Sim, interessa.

-Ai não começa – apoiei-me na parede não querendo demonstrar falta de equilíbrio.

-Você tem duas horas para se arrumar para irmos para o aeroporto. – arqueou uma sobrancelha. – Consegue fazer isso sozinha?

-Porque não conseguiria? – perguntei com deboche.

-Você não está conseguindo ficar em pé direito – Damon deu um sorriso irônico.

-Eu sei me virar sozinha – revirei os olhos, o que causou uma dor aguda em minha cabeça.

-Eu já ouvi isso antes – disse e se aproximou de mim – Vem cá.

-Me larga! – me contorci sentindo seus braços a minha volta.

-Elena você vai se atrasar – suspirou – o que significa que vai me atrasar.

-Foda-se, eu vou tomar banho sozinha – disse livrando-me de seu aperto.

Assim que ele me soltou senti como se fosse cair. E lá estava ele me segundo de novo.

-Eu disse – revirou os olhos.

-Damon sai daqui – praticamente gritei.

-Não – ele me segurou com mais força e me arrastou até o banheiro.

-Me larga – choraminguei.

-Fica quieta porra!

-Não – gritei.

-Elena, não é muito maduro da sua parte beber diante dessa situação, muito menos fazer birra depois. – ele começou a tirar minha blusa – Agora fica quietinha e me deixa te dar banho.

-Não vou deixar você me dar banho! – gritei.

-Fica quieta – tornou a dizer dessa vez tirando meu jeans.

-Damon para – reclamei.

-Elena – ele segurou meus braços fazendo com que eu olhasse para ele. – por favor, fica quieta e deixa eu te dar banho.

-Não – fechei a cara.

Ignorando-me, Damon me jogou debaixo da ducha gelada antes de tirar minhas peças íntimas. Comecei a tremer devido a temperatura da água, mas rapidamente me senti mais sóbria — o que só me fez sentir mais raiva. Suas mãos massageavam meu cabelo de maneira ritmada enquanto eu me apoiava na parede do boxe.

-Está frio – reclamei.

-Eu sei – sua roupa estava praticamente toda molhada.

-Damon chega, eu sei tomar banho sozinha – protestei.

-Fica quieta! – disse e começou a ensaboar meu corpo.

Desisti e esperei que ele terminasse de me banhar como se eu fosse uma criança. Quando saí do banho, enrolei-me na toalha e esperei que ele saísse do quarto para que eu pudesse me vestir. Coloquei um vestido e vesti uma jaqueta por cima devido ao tempo ruim, calcei uma sandália alta e antes que eu terminasse de me maquia, ele estava de volta, e dessa vez entrara no quarto sem bater.

-Precisamos conversar. – pausa – Está sóbria o suficiente?

-Sim – disse seca – Porém preferia ter essa conversa quando não estivesse.

-Não quero brigar com você – disse sentando-se na cama.

-Nós já brigamos – o lembrei.

-Não complique as coisas, por favor. – soltou um suspiro pesado – Não quero passar o resto da viajem assim.

-Não estou complicando nada, Damon – guardei o resto das minhas coisas e fui caminhando até ficar de frente para ele.

-Está sim, não queria que você entendesse as coisas dessa forma.

-Então não devia tê-las colocado dessa forma. – dei um sorriso duro.

-Elena, por favor, odeio que você fique assim comigo.

-Ah sim, e eu adoro brigar com você. – explodi – Desde o início, sabia que essa viajem não acabaria bem, porque, pelo que eu me lembre, da ultima vez, foi mais ou menos assim. Tudo as mil maravilhas até a volta, e olha, nem chegamos ao final da viajem. – tentei maneirar o volume de minha voz – Eu entendo que você não estava esperando isso, nem eu estava eu juro, não era minha intenção, mas você não poderia ter reagido de pior maneira – e eu já estava chorando de novo – se você tivesse simplesmente levantado daquela cama e me dado uma surra, eu garanto que teria sido mais doloroso, mas invés disso, você disse que me deixaria se eu estivesse grávida, e... – ele não me deixou terminar.

-Eu não vou deixar você por causa disso Elena, é isso que eu estou tentando de dizer, o que eu quis dizer com mãe solteira é que nós não casamos ainda. – disse colocando-se de pé.

-E nem vamos por um longo tempo – se é que isso um dia venha a acontecer.

-Não estou discutindo isso – cerrou os lábios.

-Mesmo assim, você disse que eu arruinaria minha vida – pausa – Você realmente acha que um filho faria isso comigo?

-Não – sua expressão desmoronou – Sim.

-Decida-se. – funguei.

-Eu quero isso, acredite, mas você não.

-Eu não queria muitas coisas na minha vida, e acredite, com o tempo, elas vieram, entraram na minha vida e não a arruinaram.

-Estou dizendo sobre o seu futuro, eu sei o que você quer, e se você realmente estiver grávida não vai conseguir... Agora.

-Eu sei – chorei.

-Ah Elena – Damon deu um passo em minha direção e me envolveu com seus braços em um abraço apertado. Continuei parada com uma estátua. – Me desculpa, eu não queria que você ficasse assim.

Não respondi, apenas me afastei e sequei meu rosto. Ajeitei meu cabelo rapidamente e fui em direção as minhas malas.

-Depois, ok?

-Você não vai me desculpar?

-Agora não – sussurrei.

-Porque não?

-Eu não consigo – admiti num sussurro.

-Ok – e pelo seu rosto dava para ver que ele realmente estava arrependido.

-Vamos? – mudei o assunto – Não podemos nos atrasar.

-Vou pegar minhas coisas – disse e saiu pela porta sem olhar para o meu rosto.

Notas finais
Comentem, por favor.