Neighbors
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Uma dor de cabeça aguda me acordou de maneira violenta. Damon ainda estava deitado comigo, a respiração suave e a camisa ligeiramente aberta. Sorri sozinha ignorando todas as partes do meu corpo que doíam e beijei seu pescoço. Ele soltou um suspiro pesado ainda dormindo e deu um breve sorriso sem abrir os olhos, esperei que ele levantasse, mas ele continuava dormindo. Levante-me da cama ajeitando meu vestido que havia subido até metade de minha cintura me deixando seminua. Fui até o banheiro e escovei os dentes duas vezes tentando tirar o gosto ruim deixado pelo álcool, em seguida entrei para a ducha deixando que a mesma desfizesse os nós de meu cabelo. Assim que terminei senti meu estômago embrulhado – e lá vamos nós, eu mesma não me lembrava da ultima vez em que ficara de ressaca e aquela seria uma daquelas.
Vesti meu pijama preferido e voltei para o banheiro para lavar o rosto na tentativa de me livrar da sensação de enjôo. Sentei-me no chão frio do banheiro esperando por algum alívio. Cinco. Dez. Quinze. Vinte minutos se passaram e nada mudara. Apoiei minha cabeça na parede branca coberta de ladrilhos e passei a mão na testa para me livrar do suor causado pela náusea. Minutos depois eu estava agachada diante da privada vomitando violentamente.
Ah que ótimo – pensei comigo mesma enquanto limpava minha boca – lá se foi o meu dia.
Lavei o rosto depois voltei a sentar-me onde eu estava. Ouvi um barulho na porta e limitei-me a virar a cabeça para dar uma espiada. Damon.
-Elena? – num piscar de olhos ele estava ajoelhado ao meu lado tocando meu rosto levemente com a ponta dos dedos – Está tudo bem?
-Hã-hã – gemi fechando os olhos sentindo a náusea duplicar devido o meu ato de falar.
-O que você está sentindo? – seus olhos azuis estavam repletos de preocupação. No momento em que pensei abrir a boca para falar senti algo se revirar em meu estômago e tornei a vomitar. Dessa vez Damon segurou meu cabelo longe de meu rosto e sustentou todo o peso do meu corpo.
-Sai daqui – arfei sentindo-me fraca – você não tem que ver isso – protestei fazendo certo esforço para me colocar de pé.
-Nem começa – Damon revirou os olhos e me prendou contra sua cintura. Ele pegou uma pequena quantidade de água e lavou meu rosto cuidadosamente, em seguida prendeu meu cabelo em rabo de cavalo. – Se sente melhor?
Fiz que não com a cabeça e deitei em seu peito sentindo-me pesada demais.
-Você bebeu muito – disse com reprovação. Assenti de olhos fechados. – Quer tomar algum remédio? – sacudi a cabeça negativamente. – Quer deitar? – não respondi. Damon me ergueu com facilidade e me carregou até a cama. Enrolei-me na colcha e coloquei o travesseiro na cara escondendo-me da claridade.
-Que horas são? – perguntei com o pior de minha voz.
-Nem 9hrs ainda – suas mãos acariciavam meu braço. – Vou pegar um copo de água para você.
-Não – choraminguei – Não quero. Fica aqui.
-Elena você precisa beber água.
-Não quero vomitar de novo.
-Mas você está vomitando porque está desidratada – ele beijou as costas de minha mão — Vou pegar a água – e antes que eu terminasse a discussão ele já havia saído do quarto. Continuei e olhos fechados e com o travesseiro na cara. Minha cabeça latejava no mesmo ritmo da minha pulsação me deixando ligeiramente tonta. Suspirei e tentei desligar minha consciência.
-Elena? – Isobel sussurrou tirando o travesseiro de cima de mim.
-Hm – gemi.
-Vem tomar um banho – ela puxou ligeiramente meu braço.
-Não, eu já tomei – murmurei – não quero levantar.
-Sua tia está vendo algum remédio para você – ela brincou com uma mexa fina de cabelo que estava solta.
-Não precisa.
-Olha sua cara Elena, você está mais branca que papel e aposto que está tonta porque ainda não comeu nada – não respondi. Odiava o fato de minha mãe me conhecer tão bem. – E eu realmente espero que isso seja só ressaca.
-Hm – gemi a ignorando.
-Trouxe a água – Damon disse anunciando sua presença – e o remédio.
Depois de tomar o remédio e um grande copo de água, cai no sono novamente. Quando acordei estava sozinha no quarto ouvindo o som de risadas ruidosas e o volume alto da TV. Esfreguei meus olhos e senti uma pontada aguda na cabeça. Ok, querer me livrar do enjôo e da dor de cabeça era pedir demais. Escorreguei meus pés para fora da cama e me arrastei para fora do quarto ainda apertando os olhos devido a claridade. Desci a escada com um cuidado exagerado e só ergui os olhos quando já estava no piso plano.
-Ela está viva – Alaric exclamou rindo. Damon estava sentado ao lado dele, a TV ligada em um jogo de futebol qualquer que não tinha a atenção de ninguém. No outro sofá estava minha mãe e Jenna conversando sobre coisas inimagináveis.
-Oi – dei um sorriso fraco.
-Está melhor? – Damon segurou uma de minhas mãos e me puxou para seu colo.
-Aham – suspirei.
-Para de manha Elena – Alaric riu – Trate ela sim e você vai ter não uma, mas duas gatas em casa. – ele se virou para Damon enquanto falava.
-Já estou acostumado – Damon riu e me deu um beijo na bochecha puxando minhas pernas para cima do sofá. – Quer comer alguma coisa? – fiz que sim com a cabeça e depois bocejei.
-Na verdade ninguém almoçou ainda, estávamos esperando você acordar para sairmos. – Jenna se intrometeu na conversa.
-Vou tomar um banho então – murmurei e bocejei novamente.
Subi as escadas sentindo todos os olhares em mim, fui direto ao banheiro onde tomei um banho rápido que me ajudou a acordar. Em seguida voltei ao quarto e vesti minha saia branca com alguns detalhes em renda e uma blusa fina de mangas compridas num tom de marrom claro. Calcei a sandália mais simples e limitei minha maquiagem a um gloss cor de boca. Penteei meus cabelos e peguei minha bolsa que havia deixado jogada por cima da cômoda. Antes de sair, dei um beijinho em Sophie que estava enroscada na prateleira de ursinhos.
-Já? – Isobel riu quando me viu descendo as escadas.
-Aham – suspirei e me joguei no espaço vago do sofá.
-Aonde você quer ir? – Alaric perguntou para mim.
-Tanto faz – franzi o cenho.
Damon trocou de roupa e menos de uma hora depois estávamos no restaurante que eu, minha mãe e tia Jenna costumávamos freqüentar todas as vezes que eu vinha visitá-la. Alaric e Damon estavam absortos em uma conversa que estava além do entendimento do meu cérebro feminino, tia Jenna fazia papel do homem da casa escolhendo o que íamos comer e eu estava cochichando coisas aleatórias com minha mãe.
-O que vão querer para beber?
-O que vocês pedirem, eu bebo – disse apoiando-me sobre meus cotovelos na mesa.
-Champanhe – Alaric respondeu dando lhe um sorriso amigável.
-Então eu vou querer água – disse desanimada ainda sentindo o vestígio da dor de cabeça da ressaca me assombrando. Damon riu e arrastou a cadeira para poder passar um de seus braços a minha volta. Deitei a cabeça em seu ombro e soltei um suspiro pesado com um sorriso de canto de boca surgindo em meu rosto.
-Como você agüenta essa manha o tempo todo? – Alaric riu olhando para Damon. – Meu Deus, desgruda Elena – ele me puxou. Resmunguei e me agarrei no braço de Damon.
-Para de miar garota – Isobel riu.
-Não estou miando – resmunguei.
-Na verdade está sim – Damon sussurrou em meu ouvido.
-Não – protestei em um gemido, assim como eu costumava fazer quando criança.
-Está caçando jeito de eu contar para o seu namorado o seu apelido – Jenna disse com um sorriso torto nos lábios.
-Não! – ah puta merda alguém nesse planeta ainda lembrava daquilo?
-Todo dia que eu ia buscar ela na aula de francês... – Alaric começou.
-Nós íamos embora felizes – disse lha dando um sorriso duro. Jenna deu uma gargalhada.
-Você acha que ela fala miando porque ainda não a viu falando francês – Isobel disse se dirigindo a Damon.
-Mãe – choraminguei.
Ver a família é muito bom até o momento de relembrar sua infância e resolver que seria legal contá-la para seu namorado – não contar sua infância, contar seus apelidos. Reprimi a vontade de dar língua que crescia dentro de mim.
-Não vou rir de você – Damon beijou minha bochecha já rindo.
-Cala a boca – disse fazendo um biquinho fazendo todos rirem. – Ai para vocês eu não tenho mais quinze anos – fechei a cara.
-Você pode ter quarenta que vai continuar sendo minha gatinha francesa – Alaric disse reprimindo uma risada. Ergui uma sobrancelha. Procurei por alguma pessoa na mesa que não estivesse rindo olhando para a minha cara.
-Vocês estão enjoados da minha cara é só falar que eu vou embora – dei um sorriso duro – Não precisa me fazer me sentir mal, ok?
-Para com isso – minha mãe me deu um beijo na bochecha. – Se eu quisesse que você fosse embora te trancaria do lado de fora de casa.
-Sua sinceridade me comove.
Continuamos a conversa descontraída até que a comida chegasse, e quando isso ocorreu não paramos de falar para comer. O clima agradável se estendeu até eu tocar no assunto de morar em Nova York com Damon, porém para minha surpresa Alaric não fez nenhuma objeção, só disse que queria que fossemos responsáveis e que viajássemos para visitá-lo com mais freqüência pelo fato de ser mais perto. Aliviada a tensão, escolhi a sobremesa – bolo de chocolate com calda e morango. Comemos em silêncio por um minuto até que a expressão de pavor no rosto de minha mãe prendeu minha atenção.
-Mãe? – chamei limpando o canto de minha boca com o guardanapo.
Ela não me respondeu, apenas olhava fixamente para algo/alguém atrás de mim. Alaric acompanhou seu olhar e imitou sua expressão.
-Mas que surpresa! – uma voz masculina estranhamente familiar vinda de trás disse – Olha quem está aqui!
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