Neighbors
29 Capítulo 29
Notas iniciais
E eu sou uma filha da puta, porque consegui fazer uma coisa que eu detesto, estou enrolando com a história, eles já eram para estar em NYC, já era para ter passado o tempo e etc (chega de spoilers) whatever, acontece que agora a fic vai ficar gigantesca --'
P.S.: Nesse capítulo tem o momento que eu considero mais fofo entre eles, logo leiam com carinho ç.ç
Espero que gostem C:
Os quatro pares de olhos encaravam quem quer que fosse atrás de mim. Senti um arrepio percorrer por toda minha espinha sentindo-me incapaz de olhar para trás. Isobel desviou seu olhar para mesa e vi Alaric a abraçar de um modo acolhedor. Jenna fechou a cara e cruzou os braços. Lentamente segui a direção de seu olhar e confirmei minhas suspeitas.
John.
Não disse nada, apenas o assisti puxar uma cadeira da mesa ao lado e sentar ao lado de Jenna. Encolhi os ombros e me agarrei ao braço de Damon que me lançou um olhar confuso.
-Que coisa mais linda a família toda reunida – ele debochou olhando para todos que estavam sentados a mesa.
-Na verdade a gente já estava indo embora – Jenna foi a única a abrir a boca. Depois Ela vez um simples gesto e o garçom veio trazendo a conta que foi paga por Alaric sem objeções de Damon.
-Por que tão cedo? – seus olhos estavam em meu rosto. – Eu quero saber como está a minha filha. – Damon apertou seus braços a minha volta.
-Minha filha está bem – Isobel lhe deu um sorriso duro. – Se era só isso já pode ir embora.
-Quem é esse? – John disse olhando para Damon.
-Namorado dela – Alaric se pronunciou antes de Isobel. Não fazia menor idéia de minha expressão, porém ao julgar pela de minha mãe não era nada boa.
-Hm, que bom – ele pareceu não estar interessado – Já terminou sua faculdade?
Assenti sem olhar diretamente em seu rosto.
-Na verdade ela já na segunda faculdade – Isobel disse arrogante.
-De?
-Sociologia e está fazendo teatro – Jenna respondeu em seu tom calmo. Na mesa, ela era a única que não havia se alterado, ao que parecia os problemas com o irmão estavam muito acima dos problemas dele comigo e com Isobel.
-É incrível como você cresceu e ficou a cópia exata de sua mãe – John riu. Engoli seco – Criou bem nossa filha – ele se dirigiu a Isobel – Grande merda que ela é. Se sustenta como? – John voltou a falar comigo – Com o dinheiro do marido da sua mãe ou seguiu sua vocação para ser puta?
Meu queixo caiu. Senti a raiva crescer dentro de mim e não permiti que ela se manifestasse em forma de choro. Damon fechou a cara e encarou John com sua expressão intimidadora.
-Cala a boca – Isobel praticamente gritou dando um soco na mesa. Vários olhares curiosos se voltaram para nossa mesa. – Quem você pensa que é para falar assim da minha filha?
-Sou pai dela – ele deu de ombros – que eu saiba você não a fez sozinha – riu – Não que eu me orgulhe de ter feito isso – John apontou para minha com seu desgosto estampado no rosto. – Ainda mais com uma imprestável...
-Pelo menos ela teve a capacidade de me criar sozinha e nunca deixou que me faltasse absolutamente nada – eu o interrompi dizendo entre dentes – principalmente carinho. Você que é um puta covarde que só sabia usar a porra do seu dinheiro com as suas bebidas e gastar seu tempo com aquela filha da puta da amante – terminei a frase já gritando me tornando o centro das atenções no restaurante.
-Olha como você fala da mãe do seu irmão! – trincou os dentes.
-Ele não é meu irmão e foda-se ela – debochei – Ainda mais! Você teve a porra da capacidade de bater na minha mãe por causa dela na minha frente. Que merda você tem na cabeça? Eu só tinha seis anos! Caralho quem você pensa que é para falar dela? – eu ri sem nenhum vestígio de humor – Imprestável? Imprestável é o seu espírito de canalha que afundou a vida da minha mãe! Imprestável é você seu filho da puta, e se você quer saber, — seu rosto foi adquirindo uma tonalidade vermelha forte. Jenna mantinha os olhos nele e todo o restante da mesa, e do restaurante, em mim – se eu sou a cópia exata dela, eu não me vejo sendo uma pessoa melhor... – no instante em que eu terminei a palavra John se colocou de pé com a mão estendida em minha direção. Fechei os olhos numa fração de segundos preparando-me para sentir a dor da tapa em meu rosto, mas Damon foi mais rápido colocando-se na minha frente.
-Se você encostar um dedo nela ou na Isobel eu arrebento sua cara – ele usou seu tom ameaçador enquanto segurava sua mão.
-Vai defender ela também? – ele riu debochando – Está comendo a mãe e a filha? – cerrei os dentes controlando a vontade de voar em cima dele e acabar com todos os dentes que ele tinha na boca.
-Sai daqui – Isobel disse com os olhos cheios de lágrimas. Aquilo foi a gota d’água. Jenna me olhou pelo canto do olho e meio segundo depois estava do meu lado, sem dizer nada ela segurou minha mão e me conduziu para o lado de fora.
-Ou você prefere que eu faça você sair – pude ouvir Alaric dizer a distância.
Respirei fundo vendo tudo que havia se passados nos últimos cinco minutos se repassando em minha mente. Não podia chorar naquele momento, principalmente na frente de minha mãe.
-Elena? – Jenna segurou meu braço fazendo-me olhar em seu rosto. – Você está bem?
Apenas assenti percebendo que todo meu corpo tremia. Fiz questão de sentar por alguns minutos enquanto esperava que o restante de nós saísse de dentro do restaurante.
-Mãe – sussurrei colocando-me de pé. Seus olhos ainda estavam marejados e rosto expressava sua tristeza. Sem dizer nada ela jogou os braços a minha volta e deitou em meu ombro recomeçando seu choro.
Não vou chorar. Não vou chorar. Não vou chorar. – repeti várias vezes mentalmente.
-Desculpa – ela sussurrou abraçando-me com mais força.
-Você não tem que se desculpar, — sussurrei dando-lhe um beijo no alto da cabeça – você não tem culpa de nada – olhei para cima reprimindo a vontade de chorar.
-Vamos embora – Jenna disse puxando o braço de Isobel levemente a fazendo me largar.
- Me desculpa pelo seu pai – Alaric me abraçou na fração de segundo seguinte. Senti as lágrimas molharem meu rosto enquanto eu sacudia a cabeça negativamente.
-Ele não é meu pai – murmurei com voz de choro. – Você é meu pai – o abracei com mais força. Alaric passou a mão por meus cabelos e beijou minha testa.
-Então me desculpa por ter o deixado falar com você daquele jeito – ele abriu um leve sorriso. Assenti limpando meu rosto. – Vou levar sua mãe e sua tia para casa, você e Damon podiam sair para se distrair e dessa vez chegarem antes do sol nascer. – não me contive e dei uma risada.
-Não tenho cabeça para isso hoje – funguei.
-Elena? – a voz de Damon veio de trás de mim. Dei uma rápida olhada e o vi se aproximando.
-Vou deixar vocês conversarem – Alaric se afastou para ficar ao lado de Isobel.
-Elena?
-Oi – murmurei com os olhos fixos no nada. Sabia que não conseguiria não chorar e não mentir para ele se ele me perguntasse se estava tudo bem.
-Olha para mim – Damon disse calmamente tendo meu rosto entre suas mãos. Meus olhos encontraram os seus, o azul parecia muito mais intenso e mostrava as milhares de interrogações em sua cabeça.
-Você está bem?
-Não – sacudi a cabeça negativamente sentindo as lágrimas transbordarem de meus olhos.
Ele secou meu rosto com a ponta dos dedos o que só me fez chorar mais ainda. Sem dizer nada ele me abraçou por um logo período de tempo.
-Você sabe que não é nada que ele falou – ele beijou o alto de minha cabeça. – Não fica assim, por favor, não chora, não faça eu me arrepender de não ter quebrado a cara dele.
-Porque ele falou isso de mim? – solucei – O que eu fiz?
-Elena não chora – Damon implorou – Você não fez nada, ele é um filho da puta fodido que quer foder a vida dos outros, o que ele fez com você e com a sua mãe foi imperdoável – respirei fundo engolindo o choro – Ele disse isso para você porque ele não pensa, você não é imprestável, não é uma merda e muito menos uma puta, muito pelo contrário – ele passou a mão por meus cabelos – Você é inteligente, talentosa, tem um futuro brilhante e é sem dúvida alguma a mulher mais reservada e descente que eu já conheci. – senti o olhar de meus pais fuzilando minhas costas. Sacudi a cabeça positivamente deixando as ultimas lágrimas rolarem.
-Você não sabe...
-Você não tem que me contar nada relacionado a isso se não quiser, e se isso te deixar mal eu prefiro não saber – suas mãos acariciavam meu rosto.
-Depois eu te explico – solucei sentindo o choro crescer dentro de mim novamente.
-Meu amor, para de chorar, você não tem idéia de como eu odeio, odeio, odeio te ver assim – Damon suspirou colocando uma mexa de meu cabelo atrás de minha orelha.
-Já parei – funguei esfregando os olhos. Ele se inclinou e me deu um beijo demorado nos lábios me fazendo esquecer por um minuto de tudo que havia acontecido.
-Eu te amo – ele sussurrou me envolvendo em seus braços me arrancando um largo sorriso.
-Eu amo mais – sussurrei lhe dando um breve selinho.
-Você quer sair? – Damon acariciou minha bochecha. Sacudi a cabeça negativamente. – Se for para ficar em casa eu não quero ver você com essa cara.
-Tudo bem, — funguei – mais tarde a gente saí.
-Ok – ele beijou minha testa e segurando minha mão me conduziu até onde meus pais nos esperavam. Isobel e Alaric se entreolharam e depois olharam para Jenna que respondeu com sorriso sugestivo, em seguida os três estavam nos encarando com a expressão ilegível. Corei e encarei o chão, Damon riu e passou o braço ao redor de minha cintura.
-Vocês vão sair ou vão para casa? – Isobel pareceu não saber a resposta.
-Elena não quer sair – Damon respondeu por mim.
-Ah sim – ela me lançou um olhar de reprovação.
-Vamos então – Alaric disse por fim.
Chegamos a casa quinze minutos depois, avisei que estava subindo e arrastei Damon comigo. Isobel e Alaric sentaram no sofá e começaram a conversar deixando Jenna sozinha. Assim que cheguei a porta do quarto a bati com força e joguei-me na cama. Damon se sentou ao meu lado acariciando a pele fina de minha perna.
-Ei – ele se inclinou para beijar meu queixo. – Não fica assim meu anjo.
-Estou bem – sussurrei.
-Você está tensa – ele disse beijando meus lábios lentamente.
-Muita coisa na minha cabeça – disse beijando seu pescoço.
-Você pensa demais – ele mordeu meu queixo. Passei a mão por seu rosto e a levei até a sua nuca o puxando para mais perto de mim. Damon riu e recomeçou outro beijo me pressionando contra seu tronco, levei a mão por suas costas e lhe dei um leve arranhão o fazendo arfar.
-Então faça um favor para mim – mordi seu lábio inferior – alivie minha tensão.
-Como? – ele riu em minha orelha me causando arrepios. Sorri maliciosamente e me sentei em seu colo na cama. Levantei sua blusa ligeiramente e deixei que ele terminasse de fazer o trabalho. Damon desbotou botão por botão de minha blusa beijando todo o percurso.
-Assim – arfei sentindo seus lábios em meus seios. Ajoelhei-me na cama e segurei os cabelos de sua nuca enquanto o envolvia em outro beijo. Damon levou suas mãos em minha cintura descendo minha saia por completo. No intuito de ajudar, terminei de tirar a saia e a joguei no chão junto com sua camisa. Damon passou a mão pela parte interna de minha coxa me arrancando um gemido e puxou minha calcinha para o lado começando a explorar minha intimidade.
-Ah – arfei e mordi o lábio. Levei minhas mãos no fecho da calça de Damon a abrindo rapidamente. Ele me puxou contra si roçando sua ereção em meu sexo, gemi alto e me adiantei descendo sua peça íntima. Damon riu e mordiscou minha orelha. Deitei na cama o forçando a imitar meu movimento e sem mais delongas ele me penetrou. Um grito escapou por meus lábios devido a surpresa de sua ação, com uma risada maliciosa Damon beijou toda extensão de meu pescoço e se virou na cama, deixando-me por cima dele. Comecei a me mover lhe arrancando um gemido inesperado, inclinei-me e o silenciei com meus lábios. Damon segurou meus braços e com um movimento preciso se virou para se colocar sobre mim novamente.
Um movimento nem tão preciso assim – ele apenas esqueceu que estávamos em uma cama de solteiro.
O impacto de minhas costas no chão de madeira fez um barulho assustador, amorteci a queda com meus cotovelos e mesmo assim minha cabeça se chocou contra o chão.
-Ai porra – praticamente gritei fazendo-o ele interromper o que ele estava fazendo. Damon subiu a calça ainda com a ereção, passei a mão no cabelo esperando que minha respiração voltasse ao normal.
De repente, ouvi o barulho da porta se abrindo.
-Elena! – Isobel nos encarava com os olhos arregalados.
Puta merda.
Damon se encolheu ao meu lado com a respiração ruidosa. Senti todo meu sangue se concentrar em minhas bochechas. Uma dor aguda subiu da ponta de meu cotovelo arrepiando até o ultimo fio de cabelo de minha cabeça como um choque. Passei a mão no local da batida sem tirar os olhos de Isobel.
-Mãe! – arfei tirando o cabelo do meu rosto. Damon me encarou com o rosto num tom de vermelho vivo.
-O que houve aí? – ouvi a voz de Alaric falar se aproximando. Isobel fechou a porta antes de nos lançar um olhar pervertido.
Que tipo de problema mental ela tem? – perguntei mentalmente.
-Damon estava brincando com a gata e ela acabou derrubando as coisas da estante no chão. – a ouvir dizer e ri descaradamente, Damon me encarou com uma cara de espanto. Em seguida ouvi seus passos sumirem no corredor, meio minuto depois a porta de abriu novamente.
-Sejam mais discretos – Isobel riu e jogou um chaveiro em cima de nós – tranca a porta e tentem não fazer barulho. – a fitei, perplexa sentindo meu queixo cair. Ela deu uma rápida olhada para o corredor – Inclusive, Elena desde quando você anda sem calcinha? – a pergunta era para mim, mas ela mantinha os olhos em Damon. – Fui colocar seu vestido para lavar...
-Mãe! – minha voz soou aguda demais.
-Ok – ela riu – Divirtam-se – pausa – em silêncio, até porque não sou obrigada a ouvir e muito menos ver isso de novo – disse e fechou a porta.
Levante-me desajeitada e tranquei a porta no segundo seguinte. Virei e encarei Damon sentindo todo o meu corpo sacudir devido minhas gargalhadas.
-Isso não foi engraçado – Damon sentou na cama colocando o travesseiro sob sua calça na tentativa de esconder sua ereção.
-Eu sei – comecei a rir de novo sentindo uma vontade sobrenatural de ir ao banheiro. –Ai! – eu ri.
-O que foi? – ele ergueu uma sobrancelha.
-Eu preciso fazer xixi – disse indo em direção ao banheiro sem parar de rir.
-Não – antes que eu piscasse, ele já estava ao meu lado.
-Hã?
-Você não está com vontade de ir ao banheiro – ele riu e me puxou contra si – está putamente excitada.
-Damon eu quero fazer xixi – disse me afastando.
-Quer? – ele perguntou descendo minha calcinha abruptamente.
-Ah – gemi sentindo seus dedos em minha feminilidade. Damon jogou-me contra a parede do quarto e começou a beijar meu pescoço novamente.
E não, aquilo realmente não estava com vontade ir ao banheiro. Estava morrendo de desejo. Eu o querida. Ali. Foda-se o resto.
-Certeza? – porra porque a voz dele tinha que ser tão irresistível de se ouvir?
-Damon – gemi seu nome rolando os olhos de prazer enquanto seus dedos ágeis manipulavam meu clitóris. Cravei minhas unhas em seu ombro procurando por equilíbrio – por favor.
-O que? – sua voz estava repleta de petulância. Ele mordeu minha orelha me fazendo gemer e em seguida me silenciou com seus lábios.
-Porra – choraminguei sentindo-me cada vez mais apertada, mas nada relacionado a vontade de ir ao banheiro e sim a desejo sexual.
Damon mordeu meu lábio e me penetrou novamente fazendo um grito abafado escapar por meus lábios. Retomamos o beijo enquanto ele se movimentava ferozmente dentro de mim. Desci a mão por suas costas nua até chegar a seu quadril, subi fazendo o mesmo percurso, mas dessa vez deixando marcas de minhas unhas em todo o trajeto. Meus quadris de moviam por vontade própria de encontro aos de Damon, nossas respirações não passavam de um arquejo. Por fim, ele aumentou ainda mais a velocidade de suas estocadas e chegamos ao ápice juntos.
-Ainda quer ir ao banheiro?
-Não – arfei e dei uma risada.
-Às vezes me esqueço do quanto você é... – beijou meu queixo – inocente.
-Inocente? – arqueei uma sobrancelha.
-Sim – ele riu. – Mas do que você imagina. – não respondi. – Você vem tomar banho comigo?
-Aham – dei um sorriso fraco.
Tomamos banho com o de costume – logo, eu não tomei banho, Damon me deu banho. E era incrível como sentir suas mãos massageando meus cabelos se tornavam cada vez mais irresistível.
-Damon? – o chamei já sentada na cama secando a ponta de meus cabelos.
-Hm? – ele estava vestindo apenas sua calça jeans escura.
-Eu sei que te devo explicações – cerrei os lábios me perguntando mentalmente se queria lhe contar a história. Seus olhos se estreitaram e ele caminhou para se sentar ao meu lado.
-Meu anjo eu já disse que você não tem que me contar nada se não quiser – ele passou a mão por minha bochecha.
-Não quero esconder nada de você, e, querendo ou não, mais cedo ou mais tarde, isso vai vir à tona. – suspirei.
-Elena, eu entendo você, mas isso não diz respeito a nós, só ao seu passado com a sua família e você tem todo o direito do mundo de não contar, principalmente se isso for te fazer chorar.
-Não vou chorar – sussurrei encarando seus olhos azuis de perto.
-Vá em frente – ele incentivou. Respirei fundo.
-Bom, antes de casar com Alaric, minha mãe era casada com outro homem, o que, como ela mesma diz, foi uma paixão de faculdade que não devia ter sido levada a frente.
-E esse cara é aquele filho da puta – Damon completou para mim.
-Sim – molhei os lábios – e por mais que eu deteste esse fato, ele é meu pai. Minha mãe era muito nova quando eles se casaram e eu nasci um ano depois disso. – mordi o lábio. – Não que eu considere ele como tal, mas... – senti-me perdida em memórias. — Ele nunca gostou de mim para ser sincera, qualquer coisa era mais importante do que passar meio minuto comigo, nem nas comemorações do dia dos pais ele ficava comigo, era sempre a minha mãe fazendo o papel dele – dei uma pausa para respirar. – John sempre dava a desculpa de que estava sempre ocupado demais com o trabalho, não tinha tempo para ficar em casa com a minha mãe, não tinha tempo para assistir minhas apresentações na escola... – fechei os olhos procurando em minha mesma forças para continuar. – Mas esse nunca foi o problema de fato, minha mãe sempre atuava como pai e mãe muito bem... Só que ele começou a brigar com a minha mãe por tudo, principalmente por causa de mim – suspirei reprimindo a vontade de chorar. Damon pegou minha mão e deu-lhe um beijo suave, em seguida começou a acariciá-la – e o fato de Isobel não permitir que ele descontasse em mim.
-Ele te bateu? – a expressão de Damon desmoronou.
-Sim, várias vezes – me encolhi – Mas eu só me lembro de duas vezes, uma porque eu entrei no escritório dele sem permissão e outra por eu estar dormindo na cama com a minha mãe e ele chegou cansado e bêbado descontando em mim – sacudi a cabeça afugentando a lembrança – Depois desse dia ele começou a dormir fora de casa, e quando ele aparecia era para brigar não só com a minha mãe, mas com tia Jenna também. Eu passei a ver minha chorar sempre que eu levantava para ir beber água no meio da noite, muitas vezes ela ia dormir comigo e dizia que não era nada, outras vezes ela dizia que tinha tido um pesadelo e que ia ficar tudo bem – abaixei a cabeça – No natal daquele ano, estávamos todos reunidos como de costume, e uma mulher apareceu dizendo que ele tinha outro filho e que minha mãe era uma idiota por não ver aquilo, depois eles começaram a brigar, tia Jenna queria que eu saísse de lá, e eu não quis sair por causa de Isobel e então John bateu nela, não só na minha frente, mas na frente de toda a minha família – mal havia percebido que a umidade em meus olhos havia transbordado.
-Você disse que não ia chorar – os olhos de Damon refletiam a angustia que eu sentia dentro de mim.
-Desculpa – murmurei e deixei as lágrimas rolarem. No instante seguinte eu estava aconchegada nos braços de Damon. – Eu o odeio – solucei – e ele me odeia porque eu destruí o casamento deles.
-Eu também o odeio – ele beijou minha testa – e você não destruiu o casamento de ninguém, ele fez isso sozinho.
-Só de pensar que passei metade da minha vida com medo de estar em um relacionamento por causa disso, por causa do que ele fez com a minha mãe – chorei – Pensar que eu sempre fui uma pessoa vazia e sem muitos amigos, pensar que eu nunca me permitia sentir nada por ninguém...
-Você sente alguma coisa agora? – sua voz era mais baixa que um sussurro.
-Eu te amo – minha voz ardeu em sinceridade. Senti seus braços se estreitarem a minha volta. Permite-me dar um sorriso fraco sentindo seus lábios roçando lentamente contra os meus.
-Eu não vou deixar isso acontecer de novo – ele acariciou meu cabelo e continuou sussurrando – e eu nunca faria isso com você – Damon me deu um rápido selinho.
-Eu sei – funguei abrindo um sorriso autêntico – Eu confio em você – disse antes de deixar que ele me beijasse com adoração.
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