Neighbors
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Gostaram a nova capa? :3
Acordei sozinha na cama. Sim, Damon realmente estava puto comigo – e eu não o culpava. Espreguicei-me e senti que havia um pedaço de papel sob a cama. Era um bilhete.
“Tenho que arrumar alguma coisa para usar hoje a noite.
E vou comprar camisinhas para você guardar em casa – não estou brincando.
Estarei na sua porta às 18hrs.”
Comecei a rir e levantei caminhando em direção ao banheiro depois de vestir uma blusa. Escovei meus dentes e fui até a cozinha, onde devorei um pacote inteiro de biscoitos de chocolate. Depois me vi sem nada para fazer e completamente sozinha, exceto pela companhia de Sophie. Coloquei a comida da felina no lugar de costume e fui para o sofá onde deitei e cochilei.
Olhei para o relógio – já se passavam das 13hrs – e concluí que deveria começar a me arrumar. Levantei do sofá e fui até o quarto onde guardava minhas coisas de unha e maquiagem. Peguei o necessário e voltei para a sala onde comecei a fazer minhas unhas – uma coisa que não fazia a meses. As pintei num tom de vermelho sangue e as esperei secar para que eu pudesse tomar meu banho. Depois do banho, ainda com os cabelos pingando água, caminhei preguiçosamente até o quarto e comecei a escovar os fios com o secador ligado. Após terminar, com certa dificuldade, fiz uma trança grega e por ultimo cacheei as pontas. Suspirei na frente do espelho e comecei com a maquiagem. Passei uma base leve apenas para esconder minhas olheiras. Escolhi uma sombra perolada repleta de glitter e depois passei o delineador fazendo o contorno de meus olhos. Não exagerei no blush e no lápis, porém caprichei no rímel, deixando meus cílios enormes. Finalizei passando um gloss e parti para o guarda roupas. Dei uma rápida olhada para o relógio de minha mesinha de cabeceira, ele me informava que estava atrasada vinte minutos. Sem me importar, deslizei o vestido que Damon havia me presenteado sob meu corpo e calcei meus sapatos comprados para um casamento que só foram usados uma vez. Dei uma ultima olhada no espelho e não me reconheci. Sacudi a cabeça e sorri para o chão feito uma idiota. Fui até a cama onde havia deixado o presente que comprara para Damon e procurei no meio de minhas coisas alguma coisa para embrulhar a câmera.
Depois do embrulho feito, me sentei na cama esperando que Damon aparecesse. E não demorou até que eu ouvisse o barulho da porta de meu apartamento se abrir lentamente e depois ele estava em meu campo de visão. Damon usava um elegante terno cinza com uma gravata um tom mais escuro. Seus cabelos estavam molhados e desgrenhados, suas bochechas ardiam em cor e seus olhos brilhavam de uma maneira que nunca havia visto antes. Ele tinha um pequeno embrulho nas mãos. Caminhou em silêncio até parar ao meu lado. Coloquei-me de pé num salto e sem hesitar lhe entreguei a caixa.
-Feliz aniversário – sussurrei e depositei um beijo em sua bochecha.
-Eu disse nada de presentes – ele riu.
-Eu sei.
-Teimosa como sempre – Damon começou a desembrulhar a caixa. Mordi o lábio e esperei para ver sua reação.
-Achei que você não gostasse que eu passasse o dia tirando fotos suas – ele abriu um sorriso largo.
-Gostou? – sorri.
-Não – ele fechou a cara – Amei – pausa – Mas odiei o fato de você gastar dinheiro comigo.
-Isso você supera. – ri.
-Espero que você também – ele ergueu a caixinha que trazia nas mãos. – Imaginei que fosse comprar alguma coisa para mim, e naquele dia no shopping me lembrei de você na hora em que vi isso. – peguei a caixinha em sua mão e ergui a tampa lentamente.
Puta merda.
Dentro havia um colar fino de outro trançado de uma maneira delicada com um pingente de coração esculpido numa pedra acastanhada e brilhante. Senti minha meu queixo cair e me debati mentalmente para recompor minha expressão.
-É lindo – sussurrei. Ele sorriu e pegou o colar da caixa e gesticulou para que eu tirasse o cabelo de meu pescoço. Rapidamente o fiz e deixei que ele colocasse o colar em seu lugar.
-Da cor de seus olhos – suas mãos alisavam a pedra do pingente pendurado em meu pescoço.
Ah!
-Obrigada – corei.
-Obrigada você – ele sorriu e se inclinou para me dar um rápido beijo.
-Pronta para ir?
-Sim. – suspirei e ele se afastou para poder me olhar dos pés a cabeça.
-Como você consegue ser tão perfeita? – Damon perguntou franzindo o cenho. Corei e ele riu – Vamos – estendeu a mão para mim e rapidamente me coloquei ao seu lado.
Chegamos ao local do baile meia hora depois do começo. A decoração estava impecável, nos tons de azul bebê e perola. Flores foram espalhadas por todas as superfícies possíveis. Fitas e laços pendiam das colunas coloniais trabalhadas até chegarem ao chão coberto por um tecido fino branco. Damon me conduziu por todo o salão repleto de alunos e professores até chegarmos ao local onde se encontravam as bebidas.
-Champanhe? – ele perguntou.
-Por favor – sorri. Peguei a taça em sua mão e dei um pequeno gole. Era suave e doce.
-Não foi uma boa idéia ter vindo – Damon franziu o cenho.
-Por quê? – quis saber.
-Não gosto de homens olhando para você do jeito que estão olhando – murmurou – todos os homens, corrigindo. Não tem só você de mulher aqui – ele terminou e me vi corando.
-Quer dançar? – ele perguntou mudando o assunto depois de um longo período de silêncio.
-Não é uma boa idéia – mordi o lábio.
-Por que não? – ele fez um biquinho.
-Existe uma grande probabilidade de eu cair andando com esse vestido não quero imaginar dançando – admiti.
-Não vou deixar você cair – ele sorriu e me puxou para perto. – Adoro essa música.
-Também – abri um sorriso largo e deixei que ele me conduzisse pela pista de dança lotada.
Deitei a cabeça em seu ombro deixando que meus passos seguissem os dele de uma maneira lenta e deliciosa. Inalei seu perfume e dei-lhe um breve beijo em seu pescoço. Levei minhas mãos para suas costas e o apertei contra meu tronco. Ergui a cabeça e o beijei lentamente me deixando levar pela letra da música.
-Eu te amo – Damon sussurrou em meu ouvido assim que deixei seus lábios.
O beijei de novo como resposta.
-Eu te amo – ele disse novamente com mais intensidade e instantaneamente abri um sorriso largo e enterrei a cabeça na base de seu pescoço novamente. Ele me abraçou com mais força. – Eu te amo porque você não demora para fazer nada – revirou os olhos imitando o tom de minha voz — Eu te amo porque você não conhecia a cidade – suas mãos afagavam meus cabelos lentamente – te amo mesmo você não sabendo comer comida japonesa – Damon riu – Eu te amo por você ser tão teimosa e ter levado Sophie para casa, te amo porque você teve aquela crise de ciúmes da ruiva sem sal que foi nossa garçonete... – pausa – Te amo por você ter aceitado passar o fim de semana comigo na praia, e amo mais ainda por você ter ficado lendo livros eróticos em vez de aproveitar um dia na praia comigo – ele riu – Eu te amo porque você me beijou depois de eu ter lhe beijado, te amo muito mais por saber que mesmo estando chateada comigo cuidou de mim, e continuou sendo minha melhor amiga – sua voz foi sumindo – eu te amo porque você é a mulher que eu sempre sonhei em ter ao meu lado.
O meu mundo parou. Simplesmente por que eu ouvira da boca do único homem que eu amei em toda minha vida que ele me amava. Amava-me de todos os jeitos – e amava meus defeitos, não só minhas qualidades, se é que eu tinha alguma. A música continuava a tocar no fundo tornando o momento mais intenso e verdadeiro. Suas mãos tocaram meu rosto e senti meu coração disparar. Meu cérebro fazia questão de repetir inúmeras vezes tudo aquilo que havia sido dito imitando seu tom de voz. Eu estou sonhando. Era uma possibilidade a ser descartada, eu não podia inventar o seu perfume e o jeito com que ele mexia em meus cabelos. Eu queria gritar para que todo mundo ouvisse que eu era amada por uma pessoa que eu amava. Seus olhos me fitavam com uma intensidade que eu desconhecia, não seria mentira se dissesse que era capaz de ver através de sua alma olhando dentro de seus olhos naquele momento. Eu poderia ficar ali abraçada com ele ouvindo e repetindo mentalmente suas palavras pelo resto da minha vida.
-Fala alguma coisa, por favor – ele implorou num sussurro quase inaudível.
-Você sabe como eu me sinto – sussurrei mordendo o lábio – Eu não te amo porque você me levou para conhecer a cidade, e muito menos porque você sujou meu apartamento inteiro de farinha – sorri e ele corou – e também não é por que você é lindo e tem os olhos perfeitos... Você me faz feliz, está sempre ao meu lado me fazendo rir, me irritando – eu ri – e cuidando de mim – corei – você me faz me sentir bonita e interessante, consegue me deixar sem graça só com um olhar e me deixa de pernas bambas, como agora, só por estar perto de mim. Eu nunca me senti assim, ninguém nunca mexeu comigo desse jeito – suspirei e abaixei a cabeça – e foi exatamente desse jeito que eu sempre quis que fosse, que um dia eu encontrasse uma pessoa que fizesse um terço das coisas que você faz por mim, e então eu passaria o resto da minha vida ao lado dela... E quando pensei que isso estava o mais distante possível de acontecer, você brotou na minha porta me convidando para conhecer a cidade – fechou os olhos e respirei fundo – Eu te amo, muito – passei a mão por seu rosto – muito. Desde a tarde em que passamos no parque, ou talvez até antes... E eu sei que você sabia – abri os olhos e encontrei os seus em chamas – Eu não queria admitir o que eu sentia, e quando eu finalmente assumi o que eu sentia, tive que passar três meses sem falar com você e negar esse sentimento todos os dias – suspirei – foi horrível – seus braços se apertaram a minha volta – Você não tinha o direito de mexer comigo desse jeito tão rápido – franzi o cenho fingindo irritação – E, no entanto, aqui estou eu falando meus sentimentos em voz alta – sacudi a cabeça negativamente – e eu sei que ficaria aqui falando até sei lá quando, não sei quais palavras usar e se elas realmente existem para expressar isso – meus olhos estavam marejados – Ninguém havia dito que me amava, exceto minha mãe e ouvir isso da sua boca foi a melhor coisa do mundo – corei – principalmente porque eu também te amo – pausa – muito mais do que você imagina – larguei seus rosto e esfreguei meus olhos que ardiam. Naquele momento a música que tocava ao fundo alterou seu ritmo a deixando mais rápida. Damon segurou minhas mãos e em seguida as colocaram em seus ombros. Ele me abraçou e se inclinou para colar seus lábios nos meus fazendo tudo em volta de nós desaparecer. O único som que eu era capaz de ouvir era o de meus batimentos cardíacos acelerados, senti meus ossos virarem gelatina e me senti fraca. Levei a mão até sua nuca o prendendo a mim e deixei que ele me beijasse como nunca me beijou antes.
-Você está chorando?
-Não – minha voz falhou.
Eu estava chorando?
Sim. Chorando por que eu nunca me senti tão feliz na minha vida. Chorando por que ele não estava com raiva de mim depois do que aconteceu na noite anterior – preferia não lembrar, eu estaria com raiva de mim se fosse ele. Chorando por que eu o amava. Chorando por que ele me amava. Deixei que as lágrimas banhassem meu rosto até meu coração se aquietar.
-Ah Elena – ele sorriu e me beijou de novo. Sorri contra seus lábios e o abracei sentindo a melodia de outra música irromper pelas caixas de som. Suas mãos acariciavam minhas bochechas em movimentos circulares. Continuei de olhos fechados mesmo depois de senti-lo se afastar. Segurei sua mão em meu rosto e em seguida a beijei lentamente. Damon secou meu rosto e me deu um beijo na testa. – Sabe quanto tempo eu esperei para ouvir que você me amava estando consciente?
-Hm?
-Você disse que me amava – ele sorriu – Dormindo, na primeira vez que dormimos juntos.
-Ah – corei.
-E você sabia que eu te amava por que eu disse que também te amava.
-Podia ter me dito isso quando eu estava acordada – sussurrei.
Ele não respondeu, apenas pareceu pensar no assunto. Deitei em seu pescoço e deixei minhas mãos em seu ombro querendo que o tempo não passasse ou que eu nunca tivesse que me mexer.
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