Notas iniciais
Meg e Hiago revelam segredos bastante profundos um para o outro.

A situação que a jovem feiticeira Lisa encontrou ao retornar para o quarto de sua irmã, acompanhada de sua melhor amiga Ciri, foi nada menos que inacreditável.

Meg estava sentada confortavelmente na poltrona enquanto seus pés descansavam por sobre o colo de seu primo Hiago, que lhes aplicava uma meticulosa massagem, mesmo não aparentando estar nem um pouco feliz com aquilo.

Porém, ao indagar sua irmã e descobrir o motivo que levara os seus parentes a aquele estranho ato de afeto entre dois primos que nunca se deram muito bem um com o outro, Lisa simpatizou com a causa do jovem bruxo prodígio, e ao procurar e encontrar um velho livros de feitiços, falou — Eu conheço uma magia que pode nos ajudar! —

— Uma magia? Qual? — Perguntou Hiago esperançoso que a prima a quem ele mais gostava pudesse ter uma solução mais rápida e eficaz que toda aquela situação à qual ele estava se submetendo.

— O encantamento Terferi. — Respondeu Lisa ao abrir o velho livro de feitiços e procurar a página certa em seu interior.

Porém, ao ouvir a resposta de sua querida prima otimista, a pouca esperança de Hiago se esvaneceu aos poucos, enquanto Meg começara a rir gostosamente.

— O que faz o encantamento Terferi? — Perguntou Ciri, sem entender o motivo das risadas da loira e da expressão de desesperança do apático bruxo.

— Ele é um feitiço bastante eficaz para se encontrar pistas sobre um objeto perdido. — Explicou Lisa ao finalmente encontrar a página exata onde estavam as palavras e o método necessários para utilizar a magia.

— Verdade, irmã. Pena que você esqueceu de adicionar outro fato sobre este feitiço. O de que ele é completamente inútil na maioria dos casos! — Exclamou e ironizou Meg com a sua voz de garota sábia e que se considera superior a todos.

Ciri então ficou confusa e ao olhar para a loira esnobe e estudiosa, perguntou — Mas por qual motivo ele é inútil na maioria das vezes? —

Hiago então inspirou e suspirou fundo antes de responder — O motivo é que o Terferi te leva para um local bastante amplo onde o objeto esteve ou estar próximo; porém nunca para o local exato. —

— E isso por acaso não ajuda? — Perguntou Ciri novamente, ainda sem perceber o problema.

— A questão é que a distância em que o objeto se encontra quase sempre é muito grande. Por exemplo, se a faca estiver guardada em um porão de uma determinada casa, ou se esteve ali em algum momento, o Terferi te levará no máximo até a rua ou ao bairro próximo daquele local; ás vezes apenas na cidade, dependendo da sorte do bruxo. — Explicou Margarete de maneira clara e direta para a amiga de sua irmã.

— Ou seja, se eu for depender da minha sorte.... Eu estou perdido. — Comento Hiago, apático e desiludido.

Mas antes que Ciri pudesse concordar com a lógica da loira, Lisa segurou em sua mão e falou — Mas vocês não vão depender da sorte de chatos e pessimistas como vocês dois! Pois a Ciri e eu vamos dar um jeito de fazer este feitiço dá certo! Eu mesma já o utilizei uma vez para encontrar uma boneca minha que eu havia perdido no jardim. —

— Verdade! — Concordou Meg por um breve momento — E o feitiço te levou para o meio de uma floresta, onde o gnomo que roubou a sua boneca morava há uma distância de mais de 500 metros. — Relembrou a irmã da otimista com a sua memória impecável.

Lisa, porém, não deu importância a fala de Meg, e ao estirar língua para a própria irmã, indagou — O importante é tentar! Você vem comigo, Ciri? Assim que recuperarmos a adaga de tio, nós poderemos voltar e esfregá-la no rosto chato e entediante de minha irmã. —

Ciri logo concordou com a cabeça, mas antes mesmo que a leal bruxa de cabelo curto pudesse falar algo, Hiago comentou — Eu adoraria ajudar prima, mas dei minha palavra em um feitiço de juramento que serviria Margarete pelo resto do dia. —

Lisa apenas compreendeu e ao sair do quarto de mãos dadas com sua fiel amiga, falou — Sem problemas, primo. Farei todo o possível para voltar logo! — E desapareceu pelo longo corredor do dormitório.

— Escuta, você não me fez nenhum juramento mágico. — Indagou Meg ao olhar, confusa, para o seu incógnito primo.

— Não, não fiz. — Respondeu Hiago de imediato — Mas ela não precisa saber disso. — Completou com um sorriso enigmático no rosto.

Margarete logo entendeu a estratégia de seu esperto primo, porém confusa, perguntou — Você prefere ficar aqui comigo massageando os meus pés ao invés de acompanhar a prima que você tanto ama e que está lhe ajudando de graça? —

Hiago então ponderou as palavras diretas de sua prima, mas ao olhar diretamente nos olhos da sábia, respondeu — Não sou do tipo que troca o método mais seguro pelo duvidoso. Além do mais eu posso gostar muito mais da Lisa do que você, mas não te odeio tanto assim. —

As palavras do bruxo soaram muito mais sinceras do que a esperta garota poderia esperar; deixando a loira um pouco mais corada que o normal. Porém ao dar uma disfarçada com uma tosse falsa, comentou — Pelo visto você realmente precisa de ajuda. —

Hiago sorriu mais uma vez e ao parar um pouco a massagem que estava fazendo, segredou — Sim, eu realmente preciso. Mas devo admitir que gostei de massagear e acariciar os seus pés. Eles são bem mais bonitos e fofinhos do que eu esperava. — Comentou ao acariciar levemente o pé esquerdo da jovem bruxa.

Meg apenas se rendeu à uma risada sincera e ao colocar a sola do pé esquerdo no rosto do primo, zombou — Nossa, primo. Eu não sabia que você era podólatra! Me diga, quais outras perversões bizarras ocorrem dentro desta sua cabeça enfadonha? —

O jovem feiticeiro apenas continuou a sorrir e ao segurar o pé de sua prima e abaixá-lo, colocando-o no colo novamente, respondeu — Eu não possuo fetiches específicos, prima. Nem de pés eu gosto muito. Apenas quis salientar que os seus são bem bonitos. —

Margarete então aceitou o elogio, mas antes que pudesse falar algo, Hiago questionou — Meg, posso lhe fazer uma pergunta? —

A inquisidora frase fez a garota sábia temer pelas variáveis, porém, como estava a sós com seu primo, resolveu ceder e falou — Talvez, mas devo lembrá-lo que você ainda precisa de minha ajuda. —

Hiago apenas riu com a resposta estranha de sua prima, mas ao colocar a mão por sobre as pernas da mesma e acaricia-las delicadamente, perguntou — Você acha que a Ciri gosta da Lisa? —

Meg logo suspirou aliviada ao perceber que a pergunta não a envolvia, e ao ajeitar os seus óculos como sempre, olhou para a porta por onde sua irmã saíra e falou — Eu creio que sim, senão ela não andaria ao lado dela por todos estes anos. Você não andaria ao lado de pessoas que você não gosta, andaria? —

O de cabelos negros apenas balançou a cabeça em um ato de incredulidade e ao segurar a perna de sua prima com mais força, enfatizou — Eu estou falando no sentido romântico e sexual de uma relação! —

Margarete então quase engasgou de verdade e ficou extremamente vermelha, mas ao fingir uma tosse falsa uma vez mais, comentou — Olha, eu nunca vi elas fazendo nada.... “Significativo”. —

— Bom, você também não é de acompanhar muito as pessoas, é? — Indagou Hiago com certa segurança em sua dedução.

— É, nisso você está certo. — Concordou Meg — Mas se isso for verdade é uma pena para a Ciri; pois eu não acho que a minha irmã tenha interesse em... —

— Garotas? — Completou Hiago sem demonstrar emoção acusadora alguma.

— É, garotas... — Murmurou Meg bastante corada e até envergonhada por sua própria condição.

Hiago logo percebeu o desconforto de sua prima com aquele tema, mas para não a deixar mais inibida do que ela normalmente já era, comentou — Bem, eu já vi a Lisa beijar uma garota numa festa uma vez. —

— Sério? — Perguntou Meg curiosa e espantada com a nova informação.

— Sim, e foi a Rapunzel. Elas estavam um pouco bêbadas, mas não foi nada demais na minha opinião. — Completou com uma voz séria e sem significados ocultos.

— E você ainda aceita e namora com ela? — Indagou Meg curiosa.

Hiago apenas balançou a cabeça em concordância e ao suspirar tranquilamente, contou — O namoro com a Rita é mais sexual do que afetivo. Não que eu não goste dela, afinal ela é minha melhor amiga e é muito linda e bastante atraente, mas... —

— Mas? — Perguntou Meg esperando pela continuação da frase.

— Mas eu não me acho digno de alguém como ela. Na verdade, eu não me acho digno de ninguém. — Segredou o bruxo com a maior sinceridade com que já falara em toda sua vida. —

Meg então retirou os pés de cima do colo de seu primo, e ao olhar diretamente para as mãos do mesmo, perguntou — Você por acaso sabe o quanto que muitas das bruxas desta escola estão loucas para poder “ficar” com você? —

Hiago então sorriu novamente, e ao olhar diretamente para o computador de sua prima que jazia ali a espera de um simples feitiço para ser reiniciado, respondeu — Elas querem “ficar” apenas com os genes do meu pai. Ou você acha que eu não sei sobre o que elas realmente pensam de mim? —

Margarete então apenas se manteve em silêncio, pois até ela, que era extremamente isolada e antissocial, sabia que todos encaravam o seu primo como o filho que perdeu para o pai.

— É, aparentemente você também sabe. — Concluiu Hiago sem sequer pestanejar.

— Sim, eu sei. — Afirmou Meg sem amenizar — Mas a questão é, qual é o problema com isso? —

— Qual é o problema com isso? — Repetiu Hiago totalmente descrente — Realmente alguém prodigiosa e perfeita como você não veria problema algum nisso. —

Meg então não se conteve mais e ao se jogar por sobre o colo de seu primo e agarrar o colarinho de sua roupa, exclamou — Pelo menos as pessoas ainda querem foder com você! —

A respiração do jovem bruxo cessou por um breve momento enquanto sua prima ainda controlava as suas emoções e desabafava — Você não sabe o que é estar realmente só, Hiago, sem ninguém ter interesse em você e viver ofuscada pela sombra da sua irmã bonita, legal e atraente! Você não sabe... —

— Não, eu não sei. — Concordou Hiago sem demora. — Mas eu sei o que é viver sobre a sombra de um pai que destruiu a sua vida. Além de que eu também sei sobre uma pessoa que já gostou muito de você, tanto no sentido sentimental, quanto no sexual. —

Meg então cedeu um pouco de seus sentimentos em uma única lágrima que escapara de seu olho esquerdo, que após desaparecer com o uso de magia, deixou uma trilha molhada por sobre a pele macia da bochecha da loira.

— Quem? — Perguntou a sábia bruxa sem hesitar.

Hiago porém permaneceu em silêncio por alguns segundos, antes de colocar as mãos por sobre os ombros de Margarete e responder — Um garoto, triste, entediante e raivoso. Ele sempre quis ser como o pai dele e ter uma esposa bela, sábia e talentosa.... Mas a única prima dele que se encaixava neste perfil nunca gostou dele, e a outra não se comparava a ela; pois no fundo ele sabe que ele não merece nenhuma das duas. Já que a única garota com quem ele tem coragem de se abrir é a melhor amiga, que lhe dá muitas felicidades e prazeres a ponto de distraí-lo o suficiente para que uma estupida relíquia de seu pai fosse roubada enquanto eles fodiam juntos. —

As palavras do jovem bruxo atingiram profundamente os sentimentos da solitária Meg; que lutando para conter as próprias lágrimas murmurou — Você está mentindo... —

— Não estou. — Rebateu o garoto sem hesitar. — Se duvida de mim use o Insirus e veja por você mesma. —

Meg hesitou alguns segundos enquanto reunia forças para murmurar ou pensar na possibilidade de conjurar o tal feitiço de invasão e leitura de lembranças, porém ao dar uma audível fungada e tomar coragem para fazê-lo, sussurrou — Que assim seja. — E beijou o seu primo profundamente enquanto invadia e investigava os sentimentos e lembranças do triste bruxo.

Logo tudo que Hiago falara se tornou um fato. Meg transitou pelas lembranças feliz do primo, mas logo parou nos traumas e sofrimentos do seu passado.

A sábia bruxa, viu imagens de seu primo sozinho e chorando, com seu olho esquerdo sangrando e lavando parte de seu rosto com cor vermelho rubi; avistou também os momentos de prazeres entre Hiago e Rita e até sentiu um pouco de inveja do primo por conseguir se relacionar com uma jovem tão bela e talentosa.

— Você deveria ficar com ela, já que ela preenche todos os seus requisitos. — Falou a bruxa ao romper o beijo e balbuciar uma baixa frase.

— Sim, mas veja quem era a minha primeira opção antes dela. — Falou Hiago antes de reconectar o feitiço e mostrar uma cena onde ele desenhava magicamente Margarete em um pergaminho com a sua varinha enquanto admirava um retrato presente em uma pasta de fotos no computador repleta de imagens da sábia feiticeira.

— Isto tem que ser uma ilusão. — Sussurrou Meg totalmente descrente do que avistava.

— Se for então você está assumindo que eu sou melhor com magia do que você. — Zombou Hiago ao sorrir vitorioso — Mas já que você dúvida tanto assim, faça uma dupla checagem. — Completou ao pegar o seu celular e entregar nas mãos pequenas e confortáveis de sua desconfiada prima.

Margarete não hesitou por muito tempo e logo abriu a galeria de fotos no aparelho do jovem bruxo, e logo após avistar pastas com fotos de sua tia, sua irmã Lisa e da feiticeira Rita, a garota avistou a última pasta da galeria, esta, com seu nome e com bem menos fotos que as outras.

— Por que a minha tem bem menos fotos? — Perguntou ao devolver o celular para a mão de seu primo.

— Porque com as outras eu tenho fotos comigo, enquanto com você eu tenho apenas duas. — Respondeu Hiago ao acessar o telefone móvel novamente e mostrar duas imagens onde Margarete e Hiago apareciam juntos com o restante da família.

Meg logo percebeu que tudo aquilo realmente fazia sentido, e ao tentar disfarçar a sua confusão, perguntou — Como você tem tantas fotos minhas? —

Hiago apenas riu da pergunta da bruxa sábia e ao guardar o celular em seu bolso mágico, respondeu — A maioria eu roubei dos seus perfis, outras não posso contar. — Finalizou ao expressar um sorriso sarcástico com os lábios.

— Pervertido! — Exclamou Margarete ao fingir uma expressão de raiva e desprezo.

— Bom, você pode julgar como quiser, mas o fato é que eu não menti. — Replicou Hiago sincero.

O silencio então se instaurou no ambiente, sendo apenas cortado pela respiração dos dois jovens preenchidos por sensações e sentimentos complicados.

Até que, sem nem mesmo sair do colo de seu primo, Meg perguntou timidamente — Hiago, você ainda gosta de mim? —

A pergunta teve um efeito aprofundador no silêncio do local, sendo finalmente superada pelo longo suspiro de Hiago que respondeu — Não tanto quanto antes, mas o suficiente para você ainda aparecer em alguns dos meus sonhos ou pesadelos. —

— Que tipo de sonhos seriam esses? — Perguntou Meg se rendendo a um sorriso travesso, nunca antes visto com tanta sinceridade em seu rosto.

— De vários tipos. Eróticos, tristes, assustadores.... Em alguns você aparece e me salva antes de toda a minha vida mudar. —

Margarete conseguiu sentir fortemente toda a dor e sinceridade contida naquelas palavras, e ao deixar finalmente suas lágrimas escaparem, a sábia bruxa abraçou fortemente o seu primo, enquanto sussurrava — Perdão, eu sempre tive ódio e inveja de você pelo motivo de apesar de tudo que aconteceu as pessoas ainda preferem e valorizam você muito mais do que à mim. Tchunf! Eu fui uma idiota... — Finalizou a loira ao sentir dor e remorso por tudo que já houvera falado antes.

— Tudo bem. — Sussurrou Hiago ao retribuir o forte abraço — Eu também fui um idiota inúmeras vezes. —

— Você ainda é. — Zombou e provocou Meg ao olhar no rosto branco e apático de seu primo — Pelo menos agora é um idiota que eu odeio menos. —

— Hahahahaha... — Gargalhou Hiago mais feliz que antes — Bem, eu também te odeio bem menos depois do beijo. —

Meg logo corou bem mais que antes, e ao dar uma risadinha nervosa, comentou — Eu também. Pelo menos agora posso dizer que beijei o meu primeiro garoto, mesmo ele sendo um verdadeiro esquisito. —

Hiago apenas aceitou a zombaria de sua teimosa prima, e ao acariciar carinhosamente o rosto da mesma, perguntou — Foi o seu primeiro beijo? —

Margarete avermelhou ainda mais, mas ao suspirar e ajeitar os seus óculos novamente, respondeu — Sim, mas se você começar a me zoar por causa disso, pode esquecer a ajuda. —

— Hahahahaha... — Riu Hiago novamente — Não se preocupe, eu fico feliz e honrado em ser a sua primeira decepção. — Provocou antes de dar outro beijinho desta vez na bochecha da menor.

Meg se sentiu muito mais quente do que estava quando seu primo invadira seu quarto naquele mesmo dia, e em um impulso completamente impensado, perguntou — Você se importaria em também ser o meu primeiro arrependimento sexual? —

Foi então que o rosto de Hiago ficou quase tão vermelho quanto o de sua prima, e sem quase conseguir conter a rápida ereção que já se formava, o jovem bruxo murmurou — Você sabe que incesto é um tabu gigante na maioria das famílias né? Além de também ser considerado crimes em alguns lugares. —

Margarete, porém, apenas pressionou sua vulva contra a ereção do feiticeiro, e ao explicitar intenso desejo em seu olhar, perguntou — Então você teme ser um criminoso? —

Hiago então apenas sorriu ao ouvir a estranha pergunta, mas não resistindo ao olhar suplicante e cheio de desejo de sua orgulhosa prima, respondeu — Se for por você, não. — E a beijou novamente enquanto percorria as suas hábeis mãos pelo corpo quente e macio da jovem e sábia feiticeira.

Notas finais
Continua...