Nature and Gods.
12 A floresta negra.
Notas iniciais
Seus olhos estavam bastante pesados e seu corpo muito doído, porém o frio intenso do local a forçara a acordar e se mover antes que morresse congelada.
O vento soprava por entre o que ela julgava serem folhas e o único barulho familiar para ela era o piado de uma coruja que provavelmente á observava do alto de alguma arvore.
Mas foi apenas quando finalmente abriu os olhos, que a jovem Nylane percebeu que ainda estava perto do rio onde se atirara junto de Alex para escapar de uma fera assustadora.
Checou então sua correntinha de pescoço e percebeu que ainda a possuía, mas ao procurar pela faca que levava sempre consigo na cintura, não a encontrou; olhou também depois para os lados para procurar pelo amigo, mas não conseguiu enxergar nada mais do que a fraca luz da lua permitiu.
— Alex! Alex!!! — Gritou duas vezes antes de perceber que talvez não fosse a melhor ideia chamar a atenção em um lugar aparentemente tão perigoso.
Cansada e faminta, se sentou sobre uma pedra e tentou pensar sobre o que deveria fazer.
— Sou uma azarada de merda mesmo. Estou sozinha, molhada e com fome; provavelmente perdida na floresta mais assustadora da região que por algum motivo maluco possui um lobo do tamanho de um cavalo. Será que existe alguém mais fodida que eu neste lugar? — Resmungou Nylane ao bufar e olhar para a escuridão da floresta à sua frente.
— Bom, pelo menos você está viva. Muitos não podem dizer o mesmo. — Respondeu uma voz feminina suave que surgira do nada.
— Quem falou isso!? — Exclamou e perguntou a ruiva ao dar um pulo e olhar para os lados assustada.
— Você não pode me ver, mas eu posso te ajudar por pouco tempo. — Sussurrou a voz que agora parecia se assemelhar mais com a de uma garota adolescente.
— Mas quem é você e onde você estar? — Perguntou a de cabelos curto ao colocar a mão no bolso e procurar pelo seu canivete portátil.
— Eu não lembro de meu nome e você não pode me ver; mas me escute! Você deve sair logo deste lugar, pois as feras que aqui habitam irão lhe devorar assim como fizeram comigo. — Alertou a feminina voz soando um pouco mais fraca que anteriormente.
— Fera? Você fala do lobo gigante? Você é um fantasma!? — Questionou Nylane ao apontar a lamina do canivete em diferentes direções e tentar distinguir de qual lado a voz parecia vir.
— Não, eu não falo dos lobos gigantes. Eles são sim perigosos, mas não são as piores criaturas que vivem por aqui. Você deve temer os semelhantes muito mais do que os diferentes; pois foi esse o erro que eu cometi. E sim, sou o que se chama de fantasma. — Respondeu a voz feminina ficando cada vez mais fraca.
— Cacete!!! Se isso for uma brincadeira eu vou te cortar toda, está me ouvindo? — Ameaçou a jovem assustada já se tremendo.
— Não é brincadeira! E não tenho muito tempo sobrando. Pois apesar de este lugar emanar energia espiritual o suficiente para me permitir falar com você, eu não tenho força suficiente para manter minha voz por muito mais tempo. Então me escute e fuja... — Sussurrou a misteriosa voz uma última vez antes do ar ficar bem mais gélido do que antes.
Nylane então não pensou duas vezes e começou a correr pela margem do rio.
— Se eu seguir o rio corrente acima conseguirei achar a saída deste lugar. Tenho certeza que consigo! — Comentou para si mesma em uma falha tentativa de se acalmar.
Porém, depois de dois minutos de corrida, o seu pé falhou e gerou uma torção maldada na base da perna esquerda, lhe causando uma dor agonizante.
— Droga!!! Eu e minhas malditas ideias! O Alex tem todo o direito de me espancar da próxima vez que eu inventar uma aventura como essa novamente... — Reclamou a garota que agora mancava dolorosamente pela margem do rio.
— Pelos deuses, o que me falta acontecer agora? — Perguntou revoltada antes de seus olhos avistarem uma grande criatura branca se aproximar para beber água no rio.
De início Nylane julgou ser um enorme cervo, mas ao observar melhor percebeu que se tratava de um branco cavalo.
— Um cavalo, será que é selvagem ou de alguma fazenda próxima? — Perguntou a ousada com um toque de esperança na voz.
Porém sua esperança se mostrou mais zombeteira do que a ruiva esperava, pois somente quando a mesma fixou o olhar na cabeça do belo animal, foi que ela percebeu um belo e único chifre espiralado que aparentava ser bastante afiado e descomunal.
— Só pode ser zoeira. — Comentou ao ficar paralisada diante da visão do belo animal.
O unicórnio apenas bebia água, mas o seu pelo era de um branco tão belo que parecia brilhar sobre a fraca luz da lua que iluminava toda a floresta.
Nylane ficou tão encantada pela beleza do mágico animal que sequer percebera o enorme lobo que se aproximara por trás dela, sentindo-o somente quando o rosnado da fera já estava indicando um provável ataque.
O medo logo se apoderou da azarada garota que apenas conseguiu se virar e encarar, não apenas um, mas dois lobos gigantes; sendo um completamente negro e outro branco com pequenas manchas amarronzadas.
— Vou morrer... — Sussurrou fraca enquanto seu coração batia forte e seus olhos se enchiam de lágrimas.
Porém, segundos antes do lobo negro tentar saltar para finalizar a indefesa humana, um enorme urso negro e de olhos vermelhos surge das sombras e urra fortemente, assustando então os lobos que ao sentirem o cheiro da estranha fera, deram meia volta e fugiram velozmente.
Nylane então encarou o negro urso e percebeu que apesar de enorme ele era magro e seus olhos vermelhos brilhavam de uma maneira tão esquisita que nem parecia ser real.
Foi então, que quando ela pensou que deixara de ser comida de lobo para virar alimento de urso, que o estranho ser começou a se transformar; e da figura alta e peluda com olhos vermelhos e brilhantes, saiu um garoto pálido, belo e de olhos escarlates, vestindo roupas antigas e com caninos afiados como os de uma fera pronta para o abate.
Toda aquela cena foi forte demais para a cansada garota que não suportava mais nenhuma surpresa maluca naquela noite, o que a fez fechar os olhos e deixar seu corpo cair pesadamente pelo solo sujo e cheio de odores estranhos da floresta negra.
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