Natural Disaster

7 Capítulo 7 - Segredos


Notas iniciais
Capítulo FOFO pra vcs!!! :BBB Espero que gostem!

O garoto se desesperou e guardou a rosa em sua mochila, ajeitou o óculos escuro, respirou fundo e fingiu não se importar com a cena. Derick ficou parado, não conseguia dar um passo sequer, o medo do que aquele encontro do rapaz com Cath significava o tomou por completo. Ainda mais porque a garota ignorou sua presença ali, era como se ele fosse invisível, como se não existisse para ela.

Olhou à sua esquerda e viu algumas garotas encostadas no corredor o olhando. Aproximou-se delas num impulso, eram três, olhou para uma ruiva, que achou a mais atraente e a beijou, completamente do nada. Derick sabia que nenhuma daquelas garotas iria recusar um beijo seu e também sabia era uma forma de chamar a atenção de Catherine. Um beijo daqueles, em pleno corredor, ao menos que ela fosse cega, ela notaria.

Quando terminou de beijar a garota, Derick olhou para os lados e Catherine já havia desaparecido. Sentiu mais raiva ainda, sentiu-se ridículo por querer tanto chamar a atenção de alguém que, pelo que parecia, nem ligava para sua existência. Saiu dos braços da garota ruiva, deixando-a confusa, e, socou a parede num ato de fúria e falta de controle. Sua mão estava doendo muito e tudo que ele queria era beber e esquecer Cath.
Por mais irresponsável que fosse com as outras coisas, Derick levava seus estudos a serio, gostava da faculdade e era completamente apaixonado pelos laboratórios, por conta disso, resolveu não faltar no turno da tarde. Não estava com muita fome, por isso, comeu apenas um salgado e um refrigerante em uma das lanchonetes do campus. Foi à enfermaria e passou mais alguns remédios no rosto, pois ainda estava com muita dor.
Já era hora de ir para o laboratório e, apesar de saber que teria que olhar para a cara de Catherine, ele tinha de ir. Ao chegar entrar no laboratório, viu logo Cath e o professor Andrew na bancada, se sentiu pior por saber que ela parecia inatingível, não demonstrava um sinal sequer de que havia se abalado com o beijo que ele dera em outra garota na frente dela. A garota então resolveu chegar perto para cumprimentá-lo, como se nada houvesse acontecido:
– Nossa, você está lindo Derick! – Ela disse rindo ironicamente. Num ato gerado principalmente pela birra, o garoto ignorou as palavras de Cath e também fingiu que ela não existia. Pegou o caderno e foi para a bancada mais afastada, não trocou uma palavra sequer com ninguém durante a aula, apenas se concentrou em seu estudo e nas indicações dos professores. Mesmo que assumisse essa postura indiferente, dava para notar o quanto Derick estava triste, que algo estava errado.
Diversas vezes durante a aula, outros alunos, professores e monitores vieram perguntar ao garoto se ele estava se sentindo bem. Ele estava com um semblante triste e não conseguia disfarçar e Catherine o observava de longe sem se atrever a falar com ele, mas todos viam que os olhos dela não desgrudavam da ultima bancada.

As horas foram se passando e a aula de laboratório finalmente terminou. Na porta da sala do laboratório, estava Giovanni novamente, esperando pela saída de Catherine. Derick se adiantou e foi o primeiro a sair do laboratório. Sem saber da relação existente entre Cath e Derick, Giovanni o cumprimentou normalmente:
– E ai cara, como é que foi com a garota? – As expressões do rosto de Derick ficaram mais rudes e ele fechou o punho. Sua vontade era de agredir Giovanni, pois, para ele aquilo soou como uma provocação. Apesar disso, fingiu ignorar e continuou andando, resolveu não se meter mais em conflitos, já estava com problemas demais para arrumar mais um.

Nesse meio tempo Cath saiu do laboratório e notou o clima tenso entre os dois garotos, Derick estava apoiado na parede fumando compulsivamente e Giovanni o encarava sem entender o motivo pelo qual Derick estava naquele estado. Catherine cumprimentou Giovanni com um beijo no rosto e os dois começaram a conversar.

Propositalmente Derick prestava atenção na conversa dos dois e, cada vez que Giovanni chegava mais perto de Catherine, ele dava um jeito de atrapalhar, fazendo um barulho ou assoprando a fumaça do cigarro nos dois. Quando tentaram mudar de lugar para conversar melhor, o garoto juntou alguns conhecidos e seguiu Giovanni e Cath, fazendo uma algazarra no local, a fim de que os dois não tivessem privacidade nem tranquilidade suficiente para conversar direito. Atrapalhou umas três ou quatro investidas de Giovanni, que naquele dia tinha um compromisso durante a noite e então, como não tinha muito tempo, teve de ir embora sem conseguir nada com Catherine.

A garota ficou irritada com a atitude infantil de Derick e resolveu confrontá-lo:
– Você acha que eu sou idiota, garoto!? – Ela o olhou da cabeça aos pés.
– Posso ser sincero? – Ele a puxou para perto, colando seu corpo no dela, o que fez com que Cath corasse. – Acho. – Ele falou sorrindo de canto, como se estivesse debochando dela.
– Devo ser mesmo pra falar com um babaca como você. – Ela se soltou dos braços dele, porém ele a puxou de volta para perto de si.
Os dois corações batiam em um ritmo alucinante e os dois olhares não se desgrudavam:
– Você é linda. – Derick sussurrou e num impulso beijou Catherine apaixonadamente.
A garota foi pega de surpresa, por isso, não teve chance de reagir, quando se deu conta, já estava perdida e completamente entregue a ele. Os dois se beijaram e naquele momento, apesar de serem muito orgulhosos para admitirem, já sabiam o quanto se pertenciam e que era totalmente inútil fugir. O clima de conflito do início do beijo foi totalmente atenuado pela atração que ambos sentiam um pelo outro, aquele momento fez com que ambos esquecessem a realidade em volta deles e com que o universo se reduzisse àquele beijo.
Após o beijo, Derick segurou suavemente o rosto de Catherine e se permitiu se perder nos lindos olhos verdes dela. Cath, que sempre fora uma garota de muitas certezas encontrava-se sem fala e pela primeira vez na vida sem saber o que fazer principalmente porque não sabia se aquele beijo havia significado para Derick tanto quanto havia significado para ela.

Ao sair do transe em que os olhos da garota o colocaram, Derick olhou assustado para os lados e pôde ver o olhar de espanto de todos naquele corredor. Eram mais ou menos umas dez pessoas, que olhavam para o casal como se aquele beijo tivesse sido um espetáculo imperdível e eles tivessem acabado de presenciar um acontecimento histórico. Catherine mal conseguia encarar os espectadores, estava sem graça e confusa demais, seu primeiro impulso era fugir. Desejava sair daquela situação o mais rápido possível, porém, suas pernas não deixavam, era como se aquele beijo tivesse arrancado-lhe as forças e a capacidade de resistir à tentação de estar nos braços de Derick. A situação era constrangedora? Era, mas a pior parte daquilo tudo era decifrar o que de fato havia acontecido ali.

O local estava silencioso e todos aguardavam ansiosamente alguma reação do casal. Ficariam ali para sempre feito estátuas? Derick a beijaria de novo? Catherine iria fugir? Era o que todos desejavam saber. Derick decidiu fazer o que sentia, apesar de apenas saber um esboço do que estava sentindo. Ele segurou a mão direita da garota, e foi a conduzindo pelo corredor em direção ao laboratório de Microscopia, o qual ele tinha certeza de que estava vazio.
Os dois se sentaram nos bancos da bancada mais afastada da porta e apenas se olhavam, como no primeiro dia em que se conheceram, um esperava o outro tomar a palavra. O nervosismo de Derick era notável, e então, Cath resolveu iniciar o diálogo:
– Se você tá achando que eu sou essas suas amigas, que você pega quando quer, transa a hora que tá afim, que ficam correndo atrás de você que nem cachor... – Ela falava com firmeza e rigidez, mas sem alterar o tom de voz, quando foi interrompida pelo dedo indicador de Derick encostando em seus lábios.
– Calma. – Ele chegou mais perto dela que piscou os olhos, desconfiada. – Já disse para se acalmar. – Cath respirou fundo e relaxou.
O garoto pegou sua mochila que estava na estante embaixo da bancada, a abriu e retirou de lá a rosa que pegou em seu jardim e havia planejado entregar para ela como pedido de desculpas essa manhã. A garota o olhou sem entender o que aquilo significava. Derick estendeu a mão e entregou a rosa à Catherine.
– Eu peguei no jardim hoje de manhã, não está tão bonita como estava hoje cedo, mas... Eu ia te entregar mais cedo...Eu tava muito chapado no show, fiz um monte de besteira e eu precisava me desculpar com você.
– Você tem noção de como você me tratou? Você estava bêbado, drogado e sei lá o que mais, mas eu estava sóbria e não foi nada legal. Você me chamou para ir ao show da sua banda, foi super legal comigo durante a semana, a gente estava se dando bem e do nada você faz aquilo que fez... Eu não tenho que passar por isso.. – Ela se levantou do banco, pegando sua bolsa, porém as mãos de Derick a seguraram.
– Fica, por favor. – Ela olhou para ele e pôde notar que os olhos dele estavam molhados, como se quisesse chorar.
– Por que você tá assim? – Cath se preocupou.
Derick olhou bem nos olhos da garota e começou a contar o que havia ocorrido com ele e Giulio, a forma como seu pai o tratara e como aquilo tudo havia o desestabilizado a ponto de fazê-lo sentir vontade de usar drogas novamente. Enquanto falava, as feições de Catherine mudaram, já não parecia mais séria ou com raiva, parecia triste com tudo o que o garoto havia contado, parecia compreendê-lo.
– Entendeu? Eu sou dependente dessas porcarias...não agüentei... Eu não fiz aquilo por mal, pra magoar você... Eu nunca faria. – Derick abaixou a cabeça, envergonhado.
Cath assentiu com a cabeça, como se houvesse assimilado:
– Não fica assim...- Ela levantou o rosto de Derick na direção dos olhos dela. — Me responde uma coisa sinceramente?
– Pode falar. – O garoto parecia sem graça.
– Pra quê você usa essas coisas? Você é um cara legal, você é lindo, você tem uma inteligência absurda, você é super rico, o que é que falta? Eu não entendo, pra quê você foi estragar sua vida com isso? – Derick respirou fundo e respondeu:
– Eu não sei, eu só pensava em me divertir e meu pai sempre foi muito rígido comigo então eu comecei a considerar essas coisas como válvulas de escape. Eu sou um idiota mesmo... Eu também queria impressionar meus amigos... Mas agora é sua vez... – Respirou fundo. – Me responde uma coisa sinceramente?
– Até duas.
– Eu sei que eu só faço merda quando uso essas coisas, mas eu sei que pra você é mais que isso. Esse assunto te tira do controle, por quê?
– É que... – Catherine se esforçou para segurar o choro. – Isso acabou com a minha vida. – Derick a abraçou forte, como se quisesse protegê-la de todo sofrimento. – Meu pai nunca foi um cara legal, na verdade ele sempre foi irresponsável, só queria saber de beber, de mulheres, era grosso e, quando eu era criança, ele sumia por semanas deixando minha mãe e eu sozinhas. Até que um dia... — Cath já não podia conter as lágrimas. – Um dia ele começou a usar coisas mais pesadas... Vendeu a nossa casa, as nossas coisas..,Minha mãe o deixou, eu era muito pequena e minha mãe tinha que se virar pra trabalhar e pra cuidar de mim... Meu pai depois de um tempo descobriu onde nós estávamos e bateu tanto na minha mãe... Quando eu cheguei da escola e a vi daquele jeito... Eu pedi com todas as forças do meu coração para morrer.
– Desculpa. – Disse o garoto enquanto acariciava o rosto de Cath. – Não fica assim...
– Derick, meu pai nunca foi um exemplo, mas... Eu via minha mãe chorar de desespero quando ele aparecia...A gente teve que fugir pra essa cidade antes que meu pai acabasse com a gente... Minha avó faleceu porque não aguentou ver o filho assim... Foi muito difícil, a gente não tinha mais nada, havia dias que nem o que comer nós tínhamos, mas minha mãe me ensinou a não desistir...Eu estudei em escolas ruins e tive que aprender quase tudo por conta própria, nós tivemos de nos esforçar muito para reconstruir nossa vida...Depois de muito trabalhar minha mãe abriu o salão de beleza e a gente conseguiu melhorar um pouco...Mas eu nunca vou me esquecer do que nós passamos...
– Agora eu entendo...- Derick beijou a mão de Cath, emocionado. – Você não vai mais passar por isso, eu prometo... Não chora... – Ele disse secando as lágrimas do rosto dela. — Eu quero ser alguém melhor Cath... Me ensina?

Catherine apenas sorriu e aquele sorriso foi suficiente para que o Derick entendesse como as coisas deveriam ser dali em diante. Ver a garota se abrir daquela forma e expor seus sentimentos foi realmente tocante para ele, daria o seu melhor para que Cath fosse feliz. Os dois beijaram-se mais algumas vezes e, como já era hora de aparecer algum monitor para fechar o laboratório, os dois resolveram sair dali logo.
Derick resolveu deixar Catherine em casa e eles se dirigiram para o ponto de taxi. Vieram o caminho todo abraçados até que chegaram em frente ao prédio. Ele resolveu saltar do carro, pois ainda pretendia passar algum tempo com a garota e dar mais alguns beijos não seria nada mau.

– Não precisava ter me trazido aqui né... – Cath disse com um sorriso no rosto.
– Mas eu quis. – Derick disse a trazendo para perto de seus braços. – Tá cheio de gavião em cima de você... Se eu ficar dando mole...
– Ué, achei que você era o gostosão da faculdade, não sentia essas inseguranças bobas... – Ela respondeu irônica.
– É que você me tira do sério, garota!
– Eu!? Achei que fosse aquela ruiva, que você agarrou na minha frente hoje mesmo. – Ela respondeu seria.
– Ah, você viu!? Porque parecia que eu era invisível pra você hoje... Você me ignorou bonito!
– Queria que eu te recebesse com um beijo depois do que tinha acontecido?
– Tá... – Derick concluiu que ela tinha razão. – Mas você bem que tava gostando de dar assunto pra aquele cara lá, eu só tava tentando chamar sua atenção...
– E por que quer tanto minha atenção?
– Porque eu te.. – Ele travou e tentou disfarçar. – Eu te acho muito legal... – Cath sorriu e ele a beijou intensamente. Derick podia não dizer com palavras, mas, cada olhar, cada sorriso, cada toque, cada beijo o denunciava. Seus sentimentos eram óbvios, por mais que negasse a si mesmo...

Notas finais
C-O-M-E-N-T-E-M P-O-X-A Ç.Ç