Natural Disaster

6 Capítulo 6 - Surpresas


Notas iniciais
O que será do Derick depois dessa? HAUSIDHUAI'

Derick acordou atordoado, com dores fortes na cabeça e sem saber ao certo como havia chegado em casa. Foi levantando o corpo devagar até conseguir sentar na cama, olhou em volta, estava em seu quarto, ao lado da cama havia um balde e em cima da mesa de cabeceira, havia um bilhete. Apesar de estar muito tonto, ele olhou no relógio da parede, eram 14:36. Pegou o bilhete e o leu.

“Derick, eu e o Murilo encontramos a Cath depois do show, e aparentemente ela estava saindo do seu camarim. Mano, ela tava uma fera, e deu a entender que você estava lá dentro transando com alguma garota.Quando eu olhei, tinha uma menina saindo de lá só de calça e sutiã. Eu não quis te perturbar, resolvi ficar te esperando lá fora, o Murilo foi pra casa, mas ai a casa de shows ia fechar as portas e a gente tinha que ir embora. Então eu resolvi entrar lá pra te chamar, você e a Emma estavam apagados no sofá, os dois nus. Eu coloquei uma roupa em você e pedi para a moça da limpeza vestir a Emma. Eu fiquei muito preocupado, vocês não acordavam de jeito nenhum. Eu não sabia o que fazer, chamei o Giulio...Ele queria levar você pra casa dele mas achei que você não tava nada bem, você tinha usado muita porcaria... Me desculpa mano, mas eu tava desesperado e liguei pra mamãe. A Emma acordou e eu botei ela num taxi, já você...Deu a maior confusão, a mãe e o pai chegaram aqui muito nervosos e o pai disse que vai processar a casa de shows porque a gente é menor e não tinha autorização pra tocar lá. Quando a gente chegou, o pai ligou pro Dr. Vieira, que veio correndo te examinar. Toma cuidado quando sair ai do quarto, tá todo mundo na sala e nossos pais estão furiosos.” – Peter.


O garoto ficou paralisado ao ler aquele bilhete, poucas vezes sentira tanto medo quanto naquela hora. Não tinha forças para levantar, se apoiou na mesa de cabeceira, mas parecia que seus braços não respondiam aos estímulos que seu cérebro mandava. De repente ele sentiu algo subindo e chegando à sua garganta. Por sorte deu tempo de pegar o balde que estava ao lado de sua cama. Derick vomitou milhares de vezes até se sentir bem o suficiente para levantar.
Ele então se dirigiu ao banheiro, tomou um banho quente e escovou os dentes. O medo dominava Derick, que caminhou lentamente até a sala. Ao chegar na sala, todos estavam reunidos aguardando por ele. Bárbara pulou em seu colo e ele, com muito esforço, conseguiu se segurar na estante e não cair. A dor de cabeça era intensa e ele mal conseguia raciocinar. Bárbara saiu do colo do irmão e ele pôde ver que o Dr. Vieira ainda estava lá, conversando com a sua mãe. Ao notarem a presença dele, todos se viraram e Ralf foi andando em direção ao filho mais velho.
– Desculpa pai...Eu sou um desastre, eu sei que eu faço tudo errado.. — O pai segurou o filho pela camisa e o acertou com um soco que fez com que ele caísse no chão.
– Pela primeira vez nós concordamos. — Ralf disse alterado enquanto via o sangue escorrer na boca do filho.
– Você enlouqueceu!? – Gritou Lilian enquanto corria para socorrer o filho.
Dr. Vieira, Peter, Bárbara e as empregadas ficaram sem reação. Ninguém esperava que Ralf fosse tomar essa atitude, ainda mais sabendo que Derick estava passando mal. As empregadas levaram Bárbara para o quarto e os outros ficaram na sala. O médico e Peter se juntaram à Lilian para ajudar Derick, juntos o levantaram e o colocaram sentado na cadeira mais próxima.
O pai foi para o seu quarto sem dizer mais uma palavra sequer. Os outros tentaram conversar com Derick para ajudá-lo, mas ele também se calou, saiu da sala e se trancou em seu quarto. O garoto chorou muito e foi para a janela fumar. Fumou apenas um cigarro e leu o bilhete de seu irmão mais uma vez.
A memória de Derick foi voltando aos poucos e ele se lembrou razoavelmente de como havia tratado Catherine antes do show e no camarim. O garoto se sentiu um lixo por tudo que havia dito e tinha certeza de que sua relação com Cath havia sido severamente comprometida. Lembranças de cada segundo que passara ao lado dela vieram em sua mente. A conhecia há muito pouco tempo, mas o medo de que nunca mais falasse com ela o dominava.

Derick decidiu então ligar para ela e se desculpar de alguma forma. Ligou para Cath, porém ela não atendeu. Resolveu então ver se a garota estava online, e, até se animou ao ver que ela estava.
– Oi Cath. – Digitou — Eu preciso falar com você e é urgente, eu te liguei, mas você não atendeu.
– Oi. O que você quer? – Ela foi seca, como nunca havia sido antes. – Não entendi porque estava ocupada.

– É sobre o que aconteceu ontem, sobre a forma como te tratei, eu não devia ter falado contigo daquela forma. Eu tava muito mal, tava fora de mim.

– Aham.
– Me desculpa Cath, eu tava limpo esses dias, eu tava tentando... Mas minha vida tá uma bagunça. Me perdoa?
– Tá ok. Tanto faz.
Ele tinha certeza de que Catherine não havia o perdoado, de que com certeza ainda havia muito a ser feito para que ele pudesse reconquistar o respeito dela. Derick deu um soco na parede de raiva de si mesmo, ao pensar no quanto estava se dando bem com Cath e que havia estragado tudo.
Derick estava com um corte acima da sobrancelha devido à agressão que ele e Giulio sofreram,e, devido ao soco que seu pai lhe dera, estava com a lateral do rosto um pouco roxa e um corte pequeno na boca. Além de tudo isso, estava faminto e com uma forte dor de cabeça devido à ressaca. Foi então para a cozinha e, após uma refeição reforçada, tomou um remédio para aliviar a dor.

O garoto se isolou da família durante o resto do dia e se trancou em seu quarto. Dormiu por muito tempo e só acordou no dia seguinte, com o despertador tocando. Já era hora de se arrumar e ir para a faculdade. Sinceramente, Derick estava muito mal tanto física quanto psicologicamente, porém, sabia que ficaria pior caso não conseguisse o perdão de Cath.
Derick se arrumou o mais rápido que pôde, vestiu uma jaqueta de couro, usou óculos escuros para esconder os machucados e pegou seu skate. Antes que pudesse sair de casa, viu que as rosas do jardim da frente haviam desabrochado. Lembrou-se daquela lista de coisas clichês que mulheres adoram, Catherine não poderia ser tão diferente assim das outras, ele escolheu cuidadosamente a rosa mais bonita para entregar para ela. Era uma rosa vermelha, linda, ideal para demonstrar o tipo de sentimento que ele, mesmo sem saber direito como, já havia cultivado em seu coração.
Voou de skate ansiosamente para ver Catherine sem se preocupar com as pessoas que passavam na rua. De tanto nervosismo, só conseguiu desviar dos transeuntes por pura sorte, sorte essa, que lhe faltou no momento em que mais deveria ter se mostrado presente. Foi andando de skate pelos corredores da universidade para chegar mais rápido à sala de Catherine, mas, antes disso, devido ao excesso de velocidade, esbarrou na professora Eunice. Ambos caíram no chão e os papéis que ela carregava na mão se espalharam pelo corredor.

O garoto, apesar de estar apressado, jamais poderia deixar a educação de lado e ignorar a situação. Derick catou todos os papéis no chão, ofereceu a mão para levantar a professora e pediu desculpas para ela. A mulher, apesar de tudo, não estava enfurecida.
– Tudo bem Derick, mas você não pode ficar andando de skate pelos corredores. – Ela o advertiu em tom normal, sem exaltar a voz, o que deixou todos os alunos surpresos.
– Desculpa de novo, foi a pressa, mas não vou fazer isso novamente. – Mentiu.
– Ok. -Eunice sorriu. – E parabéns, andei vendo umas pesquisas que você fez, são realmente impressionantes, você tem futuro, Derick.
– Obrigado, depois eu passo no seu laboratório, quem sabe a gente não faz uma pesquisa juntos no futuro? – Os olhos da mulher brilhavam.
– Será um prazer, querido.
– Agora eu preciso ir, tenho que encontrar uma pessoa. – Ele deu um beijo na bochecha da professora, pegou o skate e correu em direção à sala de Cath.
Todos os alunos ali se assustaram com a cena, pela primeira vez, Eunice havia esboçado um sorriso para algum aluno. Por incrível que pareça, a professora mais intratável da universidade inteira havia simpatizado com Derick.
Ele correu o mais rápido que pôde, mas logo viu as portas da sala de Catherine se fecharem.
– Merda! – Pensou enquanto colocava a mão na cabeça desesperado. –Mas foda-se a aula, eu vou ficar aqui, na porta dela, até conseguirmos conversar.
Derick então fez como na primeira vez em que a viu, se sentou do lado de fora apenas aguardando a hora que Catherine saísse para poder se desculpar. Horas pareceram milênios, ele estava com muita fome, mas se negava a sair daquela sala.
– E o intervalo!? Que professores são esses que não dão intervalo!? – Pensou com raiva e sentindo uma dor forte no estômago causada principalmente pelo nervosismo. Decorou mais ou menos umas cinquenta formas diferentes de como se pedir perdão, treinou consigo mesmo a melhor delas para que Cath se impressionasse.

Quando se deu conta estava sendo observado por um rapaz. O rapaz era moreno, alto, de cabelos cacheados. Derick achou estranho a forma como o rapaz o olhava, como se o conhecesse de algum lugar, tentou procurar na memória e reconhecê-lo mas isso foi em vão. Talvez o rapaz o conhecesse, mas Derick tinha certeza de que nunca o havia visto. As horas finalmente passaram, e os alunos foram saindo da sala.

O garoto estava tão distraído que demorou a perceber, mas o rapaz que estava o olhando estava com uma camisa da The Rebel Machine. Tudo estava explicado, os olhares principalmente, o rapaz era um admirador de sua banda.
– Bonita essa sua camisa, cara! – Derick disse sorrindo.
– Eu curto muito o som da sua banda, eu tava no último show de vocês.
– E curtiu o show?

– Tava muito bom, mas eu não o assisti todo, porque vi uma garota linda e fiquei o resto do show todo tentando me aproximar! – Derick começou a rir.
– É, eu também tô esperando uma garota... Uma não, A garota.
– A garota!? Você, de uma só!? Bom, das duas uma, ou sua reputação é totalmente falaciosa ou um milagre está acontecendo bem diante dos meus olhos e você está apaixonado pela primeira vez.
– Acho que é a segunda opção. – Derick falou sem graça, olhando para a rosa que carregava. – Um milagre, uma chance de ser feliz de verdade. – O rapaz ficou realmente chocado com as palavras de Derick, parecia que esse Derick bem a sua frente, era totalmente diferente da imagem que sua fama apresentava.
Antes que pudessem estender o assunto, a porta se abriu e os alunos foram saindo. Os dois garotos ficaram apreensivos e Derick escondeu a rosa atrás de suas costas. De repente, Catherine apareceu junto com Ellen e ambas saíram da sala. Ao ver que um dos rapazes parados ao lado da pilastra era Giovanni, sorriu e foi ao seu encontro para cumprimentá-lo. Deu um beijo na bochecha do rapaz e Derick os olhava sem entender nada. Demorou alguns segundos até que caísse a ficha. Catherine era a garota que ele esperava, que o rapaz conhecera no dia do show da The Rebel Machine.

Notas finais
C-O-M-E-N-T-E-M P-O-X-A Ç.Ç