Natural Disaster

19 Capítulo 19 - Dizer, e de todas as formas


Notas iniciais
Capítulo novinho saindo do forno! Espero que gostem e COMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENTEM!!! *-*

Derick havia levado Catherine a uma casa de shows, a Arena Cyclone, na qual estava sendo realizado um festival de bandas de rock. Esse festival era realizado anualmente e durante toda a semana se apresentariam as bandas underground mais expressivas.

Punk Revision Festival era um evento mediano, conhecido entre os rockeiros e jovens em geral, porém não muito divulgado entre as “pessoas normais”. Era promovido por uma revista a qual possuía o mesmo nome do festival e as bandas se apresentavam durante toda a semana.

A Arena Cyclone era uma casa de shows com capacidade para no máximo 2.500 pessoas, era retangular e bem dividida. Havia duas entradas com catracas e seguranças, um local relativamente bem organizado, exceto pela ausência de preocupação com entrada de menores de idade sem autorização ou identidades falsificadas, não havia muita fiscalização, e, por conta disso, muitos menores de idade estavam presentes.

Após a entrada, na parte sem cobertura havia um gramado com alguns quiosques que ficavam abertos durante os shows onde era possível comprar comida, água, cigarros, cerveja, camisas e bottons do evento. Na parte coberta havia uma divisão de dois andares, no inferior ficava a pista normal e, no andar de cima, o camarote, onde era possível assistir ao show sentado caso desejasse. O local era bem planejado, e inclinado para que as pessoas mais longe do palco ainda pudessem enxergar bem todas as apresentações.

Catherine estava em frente à Arena Cyclone, tremendo de nervosismo segurando-se em Derick, ainda não havia entendido o que estava fazendo ali, afinal, o garoto sabia que ela não era nenhuma apaixonada por Rock n’ Roll e, além da The Rebel Machine, ouvia poucas outras bandas nesse estilo.

– É o Derick! – Gritou uma garota de mais ou menos vinte anos correndo em direção ao casal, fazendo com que várias outras pessoas do entorno olhassem para os dois e também corressem.

– Galera, no fim do evento eu venho aqui na porta e falo com vocês, agora eu to com pressa! — Derick apenas acenou e entrou rapidamente no carro com Cath, antes que fossem alcançados pelos jovens que o admiravam.

– Derick... – Ela sussurrou enquanto sentava no banco do carona, porém ele nada respondeu, apenas a olhou, se sentando ao lado dela.

O motorista deu uma volta no quarteirão para ter certeza de que não havia mais nenhum jovem enlouquecido atrás do carro, e, então, deixou os dois nos fundos de Arena Cyclone. Nos fundos havia uma entrada, para membros da organização do evento, participantes da banda e pessoas autorizadas. Era por ali que os dois entrariam e um dos organizadores do evento entregou a Derick dois crachás para identificar o casal e os dois pudessem adentrar o local.

O garoto colocou o crachá em seu pescoço e depois o de Catherine nela, feito isso, segurou uma das mãos da garota e colocou em seu pulso uma pulseira de papel florescente. Cath apenas aguardava, totalmente confusa, qual seria a próxima atitude dele, para onde ele iria levá-la e o que aquilo estava querendo dizer.

– Derick, a sua banda não vai tocar só no final de semana? – Catherine perguntou, porém teve o silêncio como resposta, Derick não dava uma palavra sequer.

Finalmente entraram em Arena Cyclone e Cath pôde ouvir que o evento acontecia a todo vapor. O garoto deu um beijo em Catherine e ela sorriu, mesmo sem entender nada, ele apenas disse no ouvido da garota:
– Confia em mim. – Ela fez que sim com a cabeça e Derick então pediu a um dos seguranças que conduzisse Cath para o local combinado. – Eu já volto.

A garota não entendeu nada, apenas acompanhou o segurança, subiram um lance de escadas e ela chegou ao segundo andar, no camarote, porém em uma parte cercada, ainda mais restrita ainda, como uma área vip. Pôde reconhecer dois músicos famosos de bandas já estabelecidas do Rock nacional e viu algumas outras pessoas, todas muito bem vestidas, aparentemente produtores musicais e empresários.

O segurança a colocou em um lugar excelente, em uma cadeira acolchoada, bem confortável, com uma mesa bem de frente para o palco, com uma visão privilegiada. Além da comodidade, garçons passavam a toda hora servindo os convidados enquanto os shows aconteciam.

Ela assistia a tudo maravilhada, encostou-se na grade de proteção do camarote para observar as pessoas da pista. Aquilo era um mundo novo, que ela sequer desconfiava que existisse, pelo menos não daquela forma tão pacífica. Aquele som pesado corria solto, e as pessoas pareciam celebrar a juventude, a vida, divertiam-se realmente, pulavam, gritavam, libertavam-se.

Cath pôde então relaxar e esquecer toda sua cisma com ambientes daquele tipo, drogas, álcool, e apenas se deixava levar pelas músicas. Estava animada, quando sentiu alguém cutucar seu braço esquerdo.
– Oi, viemos te fazer companhia, desculpa a demora! – Ela reconheceu rapidamente, era Peter, acompanhado por Murilo e Giulio. A garota deu um sorriso e os cumprimentou enquanto os garotos se sentaram naquela mesa, mas ela não entendia uma coisa: Onde estava Derick? Ele a deixara sozinha, outra banda já estava para começar o próximo show do dia e o garoto não dera o menor sinal de vida.

De repente, as luzes do local se apagaram, e apenas o palco foi se iluminando. Encostada na grade, a garota estava ansiosa para ver o que iria acontecer. Derick apareceu com sua Gibson Les Paul* preta pendurada e inclinada para baixo, ao lado de seu corpo. Veio andando lentamente e de cabeça baixa até chegar ao centro dianteiro do palco onde estava seu microfone.

Com a entrada de Derick e de outros músicos no palco, a platéia foi ao delírio. Agora seria a hora da banda Sworn Chain, que não era muito famosa, se apresentar, mas o garoto iria realizar uma participação naquele show. Derick havia feito um acordo com os membros do grupo, que não hesitaram em tocar uma música com ele de última hora na abertura do show, seria bom para promovê-los, dividir o palco com um membro da The Rebel Machine.

Adrian, vocalista da Sworn Chain pegou um dos microfones para se comunicar com o público:
– E ai galera, como vocês estão? – As pessoas gritavam animadamente. – Nós somos a banda Sworn Chain e hoje vamos abrir o show com um convidado especial, como vocês estão vendo, nosso camarada, Derick Becker, vocalista e guitarrista da The Rebel Machine! – A platéia foi ao delírio, todos estavam empolgados para ver a apresentação.

Após o termino da introdução de Adrian, Derick pegou o microfone para dizer algumas palavras. Uma luz se acendeu direcionando-se ao camarote, exatamente na mesa onde estavam a The Rebel Machine e Catherine.
– Estou muito contente de estar aqui hoje com vocês e peço que escutem de coração aberto essa canção. – Ele estava nervoso em cima do palco, coisa que nunca havia acontecido antes e a platéia parecia respeitar isso, fazendo silêncio para ouvir o que ele tinha a dizer. – Eu pedi aos meus amigos da Sworn Chain pra tocar hoje por um motivo. Há pouco tempo eu conheci uma garota, que me incentivou a enxergar o mundo de uma forma menos imatura e irresponsável, que me dá vontade de me consertar, fazer as coisas certas, parar de fazer coisa errada... – Derick respirou fundo para poder prosseguir. – E a cada dia que ela ficou longe de mim, era como se meu coração não tivesse mais forças pra bater. A primeira vez que ela me viu em cima do palco, não foi um bom momento, e eu preciso consertar isso. E essa música eu fiz pra você, Catherine. – Ele disse apontando o dedo indicador em direção a Cath. – Eu te amo, metida.
A garota lá de cima do camarote o olhou com um sorriso largo, e os olhos molhados. Tinha a pele bem branca, mas as bochechas agora estavam rosadas e a pernas tremendo involuntariamente. A platéia gritava de tanta surpresa, ninguém jamais havia imaginado Derick em cima do palco fazendo uma declaração como aquela. Catherine mal podia acreditar no que acabara de ouvir, permaneceu ali então na grade e não desgrudou os olhos do palco. Sentia frio na barriga e as mãos suando, estava extremamente ansiosa.

Câmeras fotográficas, filmadoras e celulares se erguiam no meio do público, aquele momento não poderia ser esquecido. Derick posicionou sua guitarra, olhou para os outros membros da Sworn Chain e após três marcações do baterista, a música se iniciou com o dedilhado da guitarra do garoto e apenas sua voz firme e serena: I need you right here, by my side... You’re everything I’m not, in my life”. Após essas duas frases, os outros instrumentos entraram e Adrian começou a fazer a segunda voz e a música foi prosseguindo.

A música se seguia lenta até o trecho: “And we will make it out alive, I promise you this love will never die!” onde Derick soltou sua voz e a música ganhou uma energia ímpar impulsionando para o refrão gritado, desesperado: “No matter what, I got your back!” Os olhares do casal haviam se cruzado desde a primeira nota da música e não puderam mais se desgrudar até o final. O garoto expressava de forma afável com o canto, com os acordes na guitarra e com seu fulgor em cima daquele palco, todo amor que jurara sentir por Cath naquele mesmo dia mais cedo.

Ao fim da música, o nervosismo de Derick já havia cessado, porém a platéia parecia cada vez mais encantada. Ele agradeceu pela atenção do público, que havia ficado submerso na canção desde seu início até o fim. Depois agradecimento, resolveu aproveitar o microfone para fazer as últimas considerações e se despedir.

O garoto largou sua guitarra e equipamentos em um canto qualquer do backstage e correu para o camarote. Ao terminar de subir as escadas sorria, mas não sabia se de ansiedade para ver Cath ou de felicidade mesmo. E ela estava lá, mordendo os lábios, encostada na grade, com a voz trêmula:
– Você está pegando muito pesado! – Derick a calou com um beijo e todos ali presentes naquela parte do camarote gritaram, bateram palmas e fizeram muito barulho. – Eu não posso evitar, eu amo você. – Ela sussurrou no ouvido dele.
– Namora comigo? – Derick disse olhando nos olhos dela.

– Não importa o que eu fale com a boca, a droga do meu coração só sabe dizer sim pra você. – Ela disse recostando sua cabeça no peito do garoto e o envolvendo em seu abraço.

Derick a segurou em seus braços rindo e os dois olharam para os lados. Estavam todos observando e tirando fotos, o celular do garoto não parava de vibrar em seu bolso, eram mensagens e ligações, todos curiosos e para fazer mil perguntas. Um dos músicos famosos que estava na mesma área do camarote em que Cath estava era o famoso cantor e pianista Maurizio Albertini, um homem de rosto sério, cabelos grisalhos, olhos esverdeados e aproximadamente 50 anos. Dotado de uma voz potente e grave era membro da banda Dungeon, uma das mais aclamadas bandas de Classic Rock do país. Derick não só o reconheceu como também ficou tímido ao notar que ele havia assistido sua apresentação e caminhava em sua direção.

– Tanta emoção assim por causa de uma pequena? Essa é a melhor parte da juventude, as belas garotas nos enchem de inspiração! – Casal sorriu simpático. — Maurizio Albertini, muito prazer. – O homem disse os cumprimentando com um aperto de mão. – Será que teria interesse em gravar alguma canção comigo?

– Si-i-i-im – Gaguejou o garoto como de costume sempre fazia quando ficava nervoso. – Claro que sim.

– Vou pegar o seu contato com a produção do evento e nos falamos. – Maurizio despediu-se dos dois e se foi.

Derick estava com uma felicidade incomensurável e todos ali comemoraram. Seria uma ótima oportunidade para divulgar seu trabalho como músico, Maurizio era um ícone. Após passada a euforia, a banda Sworn Chain continuou com sua apresentação. O casal assistiu a todas até o fim, Cath parecia gostar e estava cada vez mais familiarizada com aquele estilo musical anotando até nomes de algumas canções para ouvi-las com calma em um outro momento.

No final do evento, apesar de ser cedo Cath estava exausta. Derick a deixou no carro para cochilar enquanto falava com alguns fãs, como havia prometido mais cedo. Tirou fotos, autografou camisas e uma guitarra. De repente, eis que surge um rosto familiar, Stephanie vinha em sua direção, com um olhar de desprezo e revolta.
– Se afaste dela. – Ela disse sem hesitar, o encarando com um olhar rancoroso.
– Por que? – Ele disse sem entender.
– Não vai dar certo. – Stephanie disse de forma rude, virou e foi embora.

Notas finais
* Gibson Les Paul: Marca e modelo de uma guitarra. (Minha preferida, confesso) * Música que Derick canta para Cath: No Matter What - Papa Roach (Boa demais, fala sério, muito muito muito linda, vale a pena conferir o resto da letra!)