National Anthem

28 Capítulo vinte e sete – Deconstruction


Notas iniciais
Oi, suas lindas e lindos! Faltando exatamente UMA SEMANA PRA GUERRA CIVIL, voltamooooos! Aguenta coração, #TeamCap! Depois de mais um longo e irritante hiatus, enfim estamos de volta com mais um capítulo. Vocês não imaginam o quanto eu e a Pri estávamos sentindo falta da NA tanto quanto vocês estavam. É realmente um alívio poder retomar essa história que Pri e eu tanto amamos. Pedimos desculpas pelo hiatus e deixamos aqui nosso agradecimento por vocês não terem desistido nem de nós nem da história. Isso tudo é por vocês, nossos leitores maravilhosos! Antes de me aquietar aqui, algumas explicações. Alguns leitores já vieram me perguntar por MP se iremos incluir Guerra Civil no enredo da fic. E infelizmente, por mais que eu queira colocar isso na NA, a resposta é não. Primeiro porque primeiro teremos o desenrolar de Era de Ultron na fic, e também porque é provável que Guerra Civil seja o enredo principal da segunda temporada da NA. Mas... é provável também aparecer algumas menções à Guerra Civil, com certeza não vou conseguir resistir depois que assistir o filme kkkkk Bem, esse capítulo tá enorme, com muita treta, cheio de informações, e ainda com uma surpresinha especial no final. Portanto, leio com muita atenção, okay? Então esperamos que gostem, e nos vemos nas notas finais. Boa leitura, meu povo!

“This is the end, my beloved friends

No, I'm not what you think that I am made of

I'm a story, I'm a break up

Just a hero on a bridge that's burning down

So who's gonna save us now?

When the ashes hit the ground

Can you see my scars? Can you feel my heart?

This is all of me for all of the world to see”

Scars – Boy Epic

A calmaria momentânea foi interrompida. Passos marcantes roubavam o silêncio do ambiente e ecoavam pelos corredores polidos do departamento médico da SHIELD, despertando a atenção dos poucos agentes que ali estavam. Natalie Pierce caminhava em silêncio, atenta a tudo ao seu redor, tentando ao máximo não deixar olhares curiosos caírem sobre si, por mais que gostasse de chamar atenção por onde passava. Ela tinha total certeza que aquele não era o momento certo para chamar atenção. Principalmente, precisaria ser ainda mais discreta se quisesse conquistar a confiança de Phil Coulson, e não lhe daria fatos ou razões para que ele desconfiasse de sua boa índole fingida. Assim manteria seu disfarce e iria conseguir alcançar seu objetivo de estar ali.

Chegando ao local que enfim desejava, Natalie diminuiu a velocidade de seus passos à medida que se aproximava do grosso vidro à prova de som que a separava da garota ruiva deitada na cama hospitalar daquele lugar. Mas Stella Romanoff não estava sozinha, e o homem ao lado dela fez Pierce soltar um sorriso venenoso. Mesmo com ele de costas para ela, parecendo estar preocupado demais para se importar com o que acontecia ao seu redor, Natalie não precisou de muito esforço para confirmar suas suspeitas de que aquele era quem procurava. De que aquele era sua caça, sua procura de tantos meses, o verdadeiro motivo de estar fazendo tal coisa. Bucky Barnes. Aquele era sim o Soldado Invernal. Tão próximo a ela. Tão disponível para matá-lo ali mesmo. Claro, ainda que não pudesse fazer isso, não podia negar que a vontade de dar um fim a tudo agora era realmente tentadora aos olhos dela. Depois, sim. Mas não agora.

A loira aproximou-se um pouco mais do vidro, tendo a certeza de que não havia sido notada. Stella continuava desacordada, presa a vários fios que a mantinham viva. A face pálida da garota não parecia muito normal e era um pouco assustador. Se não soubesse, com certeza acharia que aquela garota ruiva já estava morta. Entretanto, uma cena lhe chamou mais atenção. Ao lado de Stella, o tal Soldado estava sentado em uma espécie de poltrona acolchoada. Bucky mantinha os olhos fixos na garota, uma de suas mãos estava sobre a dela, sua postura tensa demonstrava uma preocupação palpável que rondava o ambiente. Aquela era mesmo uma cena que Natalie não esperava ver, e de fato, acabou lhe agradando muito.

Com os lábios repuxados num sorriso cínico e sem desviar sua atenção do que se passava à sua frente, ela retirou o celular do bolso e com certa rapidez, iniciou uma ligação. Assim que escutou a voz do outro lado da linha, respirou fundo e logo seguiu com as informações necessárias, aos sussurros, sempre se mantendo atenta ao que acontecia ao seu redor. Uma precaução mais do que necessária, imaginava.

— Contato visual confirmado — afirmou a loira, sem rodeios, mostrando-se direta e sem perder tempo no assunto que tanto lhe tirava a paciência. Então, praticamente conseguindo visualizar o sorriso sórdido de Daniel Whitehall, antes de continuar, ela deu mais uma olhada ao seu redor apenas para ter a certeza de que continuava sozinha ali. Voltando seu olhar para o Soldado de costas para si, Natalie não perdeu mais tempo ao completar: — Você estava certo, Daniel. Ele está mesmo na SHIELD desde que o perdemos de vista.

A risada sarcástica de Whitehall fora escutada por Natalie logo em seguida, dando-lhe a certeza de que tudo estava acontecendo conforme ambos haviam imaginado. Se continuassem naquele ritmo, sem dúvidas conseguiriam alcançar seus objetivos bem antes do esperado. E isso com certeza era algo que Natalie queria.

Tão previsível, não? Considero isso uma vitória para nós — respondeu Daniel, sua voz soando fria e irônica, não era difícil perceber isso. Soltando um suspiro relaxado, e depois de certo tempo enquanto Natalie continuava a escutá-lo, ele enfim continuou a falar: — Agora você já sabe o que fazer, Natalie. Não precisa esperar por mais nada. Faça o que você faz de melhor, e não erre desta vez.

— Sabe, às vezes você poderia confiar um pouco mais em mim, Daniel. Isso me deixa realmente desapontada — zombou a loira em resposta, mantendo sua voz em tom baixo, não conseguindo esconder todo o seu divertimento em relação à situação que se instalava ali, ainda que não quisesse chamar atenção. Daniel bufou em retorno, e dessa maneira, Natalie prosseguiu sem muita demora: — Relaxa, vai ser fácil! O Soldado está vulnerável agora. Com toda certeza essa garota é nossa chance de chegarmos até ele, Daniel.

Ótimo, então aproveite-se dessa vantagem — respondeu ele com um orgulho palpável e assustador. Mais uma vez, era como se Natalie conseguisse visualizar o brilho mórbido nos olhos de Daniel. Um brilho que, definitivamente, não era nada comparado à sede que a loira tinha para dar um basta em tudo aquilo. E com certeza ela não hesitaria quando o momento enfim chegasse. Talvez esse fosse um dos principais motivos para que Whitehall depositasse tanta confiança em Natalie Pierce. Ela era diferente de todos os outros agentes.

— Claro que farei isso, você me conhece — ela replicou automaticamente, beirando uma excitação fora do comum, precisando manter a postura para que ninguém lhe escutasse. Era essencial que Natalie saísse dali sem ser vista ou reconhecida, e por mais que não demonstrasse, estava com o coração acelerado apenas em imaginar ser vista no lugar que estava. Se fosse reconhecida ali, seria mais um problema que teria que lidar, e atrasaria seu verdadeiro objetivo. Entretanto, não queria se preocupar com aquilo agora, e voltando a ter total atenção na cena que observava pelo vidro à sua frente, Natalie soltou a respiração de forma abrupta e questionou: — Quer que eu acabe logo com isso?

O telefone ficou em silêncio e Whitehall calou-se por certo tempo, parecendo avaliar tal pergunta. Mais um suspiro orgulhoso foi escutado por Natalie depois de alguns minutos de uma longa e agoniante espera.

Ainda não. Sei o quanto você quer acabar logo com isso, mas ainda é muito cedo. Eu mesmo farei isso quando tiver a chance ideal — a resposta de Daniel fez Natalie revirar os olhos em discordância. Por mais que ele tivesse razão, a loira não queria admitir perder a chance de acabar com tudo por si mesma. No fundo, seu medo era que Whitehall a fizesse perder uma chance perfeita para completar sua missão. Ele pareceu praticamente adivinhar os pensamentos dela, e com isso em mente, completou seu raciocínio: — Precisamos ter algo antes, você sabe disso — antes que ela pudesse lhe contestar, Daniel a chamou mais uma maldita e irritante vez: — E Srta. Pierce?

— O quê? — inquiriu a loira, sem paciência, cruzando os braços sobre o peito enquanto tornava a olhar para os lados, mantendo sua descrição e começando a notar a certa movimentação de agentes e médicos da SHIELD ao seu redor. Natalie sorriu falsamente quando um deles passou por ela com uma feição duvidosa. Nada podia dar errado ali.

Eu ainda os quero vivos. Não esqueça. Elimine a garota ruiva quando achar necessário e quando ela não nos for mais útil, mas o Soldado e o Stark eu quero vivos — afirmou Whitehall, mostrando-se firme, não dando chance para que Natalie pudesse esquecer os verdadeiros objetivos de tal missão. Afinal, era disso que ele precisava, e era para isso que ela estava ali.

— Entendido. Vou me lembrar disso — ela concordou, reprimindo a raiva momentânea que lhe atormentou por um breve e decisivo instante. Mesmo não gostando, tudo o que precisava fazer era seguir com o plano, e logo conseguiria acabar com tudo aquilo. E quem sabe até conseguiria sua vingança. Iria valer a pena, Natalie sabia disso.

Impaciente, a loira enfim encerrou a ligação, guardando novamente o aparelho telefônico em seu bolso. Ela respirou fundo e deu uma última olhada em Stella, notando a garota ainda sem nenhuma reação. Natalie então percebeu que aquela era sua vingança. Era dessa maneira que faria todos sofrerem. A constatação lhe fez sorrir mais uma vez, mas não por muito tempo, pois logo ao escutar passos se aproximarem, desmanchou o sorriso perverso que carregava e deixou sua feição torna-se tensa, fingindo estar preocupada com a situação enquanto dava alguns passos para trás, calmamente se afastando do vidro que a separava de seus dois alvos.

Os passos começaram a ficar ainda mais próximos, e Natalie novamente fingiu se assustar ao virar-se em direção ao corredor e dar de cara com Clint Barton. O Gavião ainda vestia seu uniforme de agente e parecia tenso, carregando uma preocupação palpável em seu rosto enquanto caminhava devagar. Ele percebeu a presença de Natalie apenas quando chegou ao mesmo lugar que a loira estava, e diferentemente dela, seu susto não foi nem um pouco fingido. Isso porque era óbvio que Clint não imaginava ter companhia ali.

— Agente Barton — Natalie cumprimentou, despertando a atenção de Clint e fazendo-o estreitar o olhar sobre ela. A loira engoliu em seco ao mesmo tempo em que esboçava um sorriso mentiroso demais para ser verdadeiro. Mas parecia real. Apenas parecia.

Clint riu fraco, descrente, não conseguindo motivos para desconfiar de nada. O Gavião olhou para os lados antes de voltar a encarar Natalie. Cruzando os braços sobre o peito e mantendo a postura rígida, ele simplesmente esperou, sem saber ao certo o que pensar.

— Agente Pierce? O que faz aqui? — inquiriu algum tempo depois, se aproximando do vidro enquanto, ao mesmo tempo, Natalie se afastava um pouco, dando espaço suficiente para Clint postar-se à sua frente, ainda a encarando com uma indiferença recém adquirida.

— Estava de passagem e aproveitei para ver como ela estava — respondeu a loira, erguendo o rosto na direção do vidro e dando a entender que estava se referindo à Stella. Logo, Natalie soltou um suspiro profundo enquanto Clint continuava sério, encarando-a de maneira constante. Ela então tentou se explicar melhor: — Fiquei impressionada com o que aconteceu, todos aqui não param de falar sobre isso. É realmente uma lástima por ela.

De alguma maneira que não imaginou, Natalie percebeu que havia tocado no ponto fraco de Clint, pois ao terminar de falar, notou o olhar dele se amenizar enquanto abaixava a cabeça por um instante. Quando voltou a encará-la, o olhar do Gavião não era mais o mesmo. Parecia ainda mais preocupado. Ainda mais perdido. Mas sua postura continuou firme como uma maneira de não perder sua essência. Muito menos parecer vulnerável.

— É, acredite, todos ficaram impressionados. Mas a Stella é forte, tenho certeza que ela vai se recuperar e vai ficar bem — rebateu Barton, exalando confiança, e não conseguindo deixar de olhar para a ruiva pelo vidro, esboçando um singelo sorriso.

Natalie sorriu, balançando a cabeça de maneira positiva, assim concordando com Clint. Ela fez um esforço para conseguir manter seu sorriso falso quando ele voltou seu olhar para a loira. Se cometesse um deslize ali, o mínimo que fosse, sem dúvidas teria o problema que tanto queria evitar. Seus próprios pensamentos a deixaram com dor de cabeça, imaginando coisas.

— Também tenho certeza que ela ficará bem, agente Barton. Confie nisso — respondeu Natalie em seguida, olhando para Stella por um mero segundo, e não conseguindo deixar de sentir uma fúria a invadir quando visualizou Bucky ao lado dela, ainda de costas para si. A loira desviou seu olhar do vidro ao sentir que não iria mais ser capaz de manter sua mentira. Por sorte, Clint parecia estar tão distraído que não percebeu nada errado. Aproveitando-se disso, aquele era o momento ideal para sair dali. E foi o que ela fez. — Acho que já está passando da minha hora de ir, ainda tenho muito o que fazer. Vejo você por aí — disse a loira, sorrindo compreensiva na direção de Clint. Ele a encarou mais uma vez.

— Até mais, agente Pierce — despediu-se o Gavião, também esboçando um leve sorriso na direção dela. A loira tocou o ombro de Clint, dando a entender que ela lhe entendia, e enfim passou por ele, dando as costas e começando a sair dali.

Mas antes que pudesse se afastar, Natalie notou outra loira vindo na direção contrária a ela e precisou mais uma vez fingir um susto ao dar de cara com Carol Danvers observando-a com a feição séria e fria, não sendo muito receptiva em seu modo de agir.

— Olá, agente Danvers — cumprimentou Natalie ao sorrir, e Carol simplesmente aquiesceu movimentando a cabeça, não dizendo nenhuma palavra sequer. Pierce então passou por ela, seguindo seu caminho enquanto Carol se aproximava de Clint e os dois observavam os passos apressados de Natalie.

— Você confia nela? — questionou Carol, ainda sem olhar para Clint, parado ao seu lado, praticamente adivinhando que havia algo errado com Natalie Pierce.

— De maneira nenhuma — a resposta de Barton veio quase automaticamente, fazendo com que Carol não conseguisse esconder um sorriso pelo o que acabara de escutar.

“You got no place to hide

And I'm feeling like a villain

Your heart hits like a drum

The chase has just begun”

[...]

De volta aos corredores da SHIELD, Steve seguida os passos apressados de Natasha em direção ao departamento médico. Ambos mantiveram um silêncio constante durante todo o percurso até ali, quietos demais, disfarçando tudo o que suas mentes pensavam sobre aquele momento. O tempo parecia se arrastar, como se eles nunca fossem conseguir chegar a tempo se algo ainda pior tivesse acontecido. E quando Steve e Natasha enfim chegaram ao local, diminuíram a velocidade de seus passos à medida que se aproximavam dos dois ali presentes.

Clint permanecia sentado em um banco, encarando o vidro à sua frente. Ao seu lado, Carol mantinha as pernas cruzadas e a cabeça baixa. Enquanto isso, Bucky estava de pé, inquieto, caminhando de um lado para o outro de maneira incessável. Os três estavam tão distraídos que notaram a presença de Steve e Natasha apenas quando eles se aproximaram. Barton e Danvers colocaram-se de pé no mesmo instante, mas tudo o que receberam de Natasha foi um sorriso singelo, pois no momento seguinte, a ruiva estava de frente para o vidro que a separava de sua filha.

O Capitão olhou rapidamente para Stella, sentindo seu coração se apertar ao ver o estado que ela se encontrava, mas antes de ficar ao lado de Natasha, decidiu fazer algo também importante. Logo, Steve cumprimentou os outros dois companheiros e se aproximou do melhor amigo, fazendo Bucky o encarar com certa dúvida, percebendo que havia algo a mais ali. Ele estranhou, mas não se manifestou. Steve fez um sinal para Bucky, que entendeu no mesmo instante, e acompanhou os passos do loiro até que ambos estavam mais afastados do grupo, em uma área quase sem movimento algum.

— Precisamos conversar. Surgiu algo — o Capitão afirmou, tentando não se mostrar tão direto, mas não parecia estar conseguindo até então.

— O que aconteceu? — questionou o Soldado, achando estranha demais aquela conversa. Steve o encarou com apreensão, ainda sem falar absolutamente nada, tentando encontrar as palavras certas no momento. Começando a ficar sem paciência, Bucky arqueou as sobrancelhas ao insistir: — Não me esconda nada, Steve.

Rogers soltou a respiração de maneira profunda, ainda encarando o amigo nos olhos, sem saber ao certo como iria dar continuidade àquela conversa, afinal, nem sequer sabia ao certo se Bucky lembrava que tinha uma irmã. No fundo, ele queria acreditar que sim.

— Bucky, você lembra que tinha uma irmã? Lembra da Rebecca? — perguntou Steve, deixando o amigo sem reação por um segundo, até que ele conseguiu apenas balançar a cabeça de maneira positiva. — Nessa missão, quando invadimos a base da HIDRA, nós encontramos alguém. Uma garota... — o Capitão fez uma breve pausa, engolindo em seco enquanto continuava a encarar Bucky, e enfim conseguiu dizer: — Encontramos uma neta da Rebecca. A garota é sua sobrinha-neta, Bucky.

Assim que escutou isso, Bucky deu alguns passos para trás, quase perdendo o equilíbrio. No mesmo instante, sua mente foi consumida por um turbilhão de lembranças. Boas, ruins, verdadeiras, mentirosas.... Seu cérebro estava sobrecarregado por tantas informações que ele sequer conseguia administrar. Rebecca. Becca. Sua irmã. A garota tão parecida com ele. A garota que ele tanto protegia no passado. Lembrou de todas as vezes que a proibiu de se alistar no Exército. Lembrou do dia que ela saiu de casa para viver sua vida. Lembrou do dia que ela se formou na faculdade.... Tudo o que um dia lhe roubaram, todas aquelas lembranças que um dia lhe tiraram, agora estavam todas ali, de volta, como uma verdadeira tortura.

No passado, tivera tanto orgulho de sua irmã. Steve mesmo conseguia lembrar disso. O subconsciente de Bucky despertou, lhe mostrando que talvez ele sentia falta disso. Sentia falta dela. Sentia falta do tempo que lhe roubaram. Ele sentia falta de tudo. Apenas não conseguiu admitir isso para si mesmo. E ainda que negasse, a ideia de se reconciliar com seu próprio passado ainda parecia surreal e irônica.

— O quê? — ele inquiriu, ainda atordoado pelo o que acabara de ouvir e sem ter certeza de que havia mesmo escutado tal coisa. Steve notou toda a confusão nos olhos dele, a mesma confusão que viu quando estava prestes a cair do aero porta-aviões, e ver isso lhe deixou em dúvida se tinha mesmo feito a coisa certa ao contar a verdade. — Não. Não pode ser verdade. Isso é impossível! — protestou o Soldado enquanto levava as mãos à cabeça e mais uma vez voltava a caminhar de um lado para o outro.

— Eu sei que parece irreal, acredite em mim — expôs o Capitão enquanto se colocava a frente de Bucky, obrigando o amigo a encará-lo e parar de andar para os lados. Olhando-o firmemente em seus olhos, Steve tentou amenizar a situação, mesmo tendo quase total certeza que iria falhar: — Mas eu precisava te contar isso. Tente apenas conhecê-la. Você é a única família que ela tem, Buck. É uma parte do seu passado.

Impassível, Bucky continuou a observá-lo por um tempo quase infinito, percebendo sua respiração ficar irregular. Seu corpo estava tenso, não era difícil perceber. Ele estava sem reação, e por mais que estivesse nervoso pela situação, Steve conseguiu entender perfeitamente o comportamento desnorteado do Soldado. A verdade era que o próprio Steve também ainda não havia conseguido processar a informação. Talvez os dois apenas precisassem de um tempo para se acostumarem com a novidade. Mas naquele instante, Bucky não parecia disposto a querer isso.

— Não. Sinto muito, Steve. Não posso fazer isso — contrapôs Bucky depois de um longo e angustiante momento de silêncio, sem saber direito o que estava fazendo. Sua mente teimava em dizer que aquilo era errado, que poderia o fazer bem, que ele deveria fazer algo em relação à sua sobrinha-neta.... Mas ele não queria se render a tais pensamentos que já estavam lhe incomodando. E pensando nisso, Bucky desviou seu olhar de Steve, respirou fundo, a fim de controlar sua tensão, e murmurou secamente: — Ela ficará melhor sozinha.

Aquilo não surpreendeu Steve. Sua esperança era que o amigo mudasse de ideia depois de algum tempo. Talvez conseguisse mudar de ideia, ou talvez não. Ainda assim, eles precisariam encontrar uma maneira de lidar com a situação. Porém, era difícil conseguir pensar em algo plausível diante das circunstâncias que se encontravam. Rogers fez um grande esforço para deixar o assunto Rebecca Barnes de lado e voltar a ter sua total concentração em sua filha. Outro motivo para estar tão tenso. Nem sequer sabia direito o que havia acontecido com ela, e a sensação de impotência o atingiu como um tiro forte e dolorido. Logo, Steve prestou atenção quando Bucky balançou a cabeça negativamente e lhe deu as costas, voltando para onde estavam os outros. Não demorou muito para que ele fizesse o mesmo e o seguisse.

“These battle scars,

Don’t look like they’re fading

Don’t look like they’re ever going away

They ain't never gonna change”

[...]

As horas se arrastaram de maneira torturante. De cabeça baixa, Clint continuava sentado no banco de madeira daquele corredor, a feição séria e tensa. Havia se levantado dali apenas para se despedir de Carol quando ela fora chamada por Coulson e para cumprimentar Sam, o qual havia se juntado ao grupo a alguns minutos. Ao lado do Gavião, Bucky estava ainda de pé, encostado na parede e com os braços cruzados sobre o peito, sua expressão parecendo cansada e contida demais. Do outro lado e ainda próximos aos outros dois, Sam e Steve estavam de frente um para o outro, mantendo uma conversa quieta a respeito de algum assunto que parecia importante, mas vez ou outra, o Capitão não conseguia deixar de observar Stella, desacordada por um tempo já fora do normal. Natasha, por sua vez, permanecia parada de frente para o vidro, persistindo a observar a filha e não desviando sua atenção em instante nenhum. Estava em silêncio e se dependesse dela, iria insistir em ficar assim.

Natasha nunca gostou de qualquer tipo de hospital, e Stella também não. Essa era uma das características de sua filha que ela tanto achava curiosa, lhe dava a certeza que Stella também havia puxado algumas de suas manias. E ver a garota naquele estado não melhorava em nada sua relação com hospitais. Romanoff tentava ficar esperançosa, mas não conseguia conter seus pensamentos mais tenebrosos, e seu corpo tenso era uma prova verdadeira de que ela estava aflita com a situação. Mostrar-se avessa a qualquer tipo de sentimento foi a maneira que ela encontrou para continuar com sua sanidade intacta. Se é que isso era possível. Apenas a hipótese de Stella não sobreviver àquilo já deixava a Viúva Negra fora de si. Era doloroso demais sequer imaginar isso.

Entretanto, a atenção da ruiva fora desperta apenas quando Steve se aproximou e se posicionou ao lado dela, também observando sua filha desacordada pelo vidro à sua frente. Natasha engoliu em seco, e aquele foi o único momento em que ela desviou o olhar de Stella e lentamente passou a encarar o loiro ao seu lado. Steve sentiu o olhar dela sobre si e logo virou o rosto para vê-la. A troca de olhares entre os dois foi mais forte do que o esperado, e em silêncio, nenhum deles precisou dizer uma palavra sequer. Seus olhares firmes um no outro já traduziam tudo o que seus corações queriam dizer. A tensão no ambiente era incontestável.

— Que droga. Isso tudo é culpa minha — declarou Natasha ao enfim desviar seu olhar do dele e abaixar a cabeça em pesar. — Eu devia ter feito alguma coisa, devia ter estado aqui com ela, devia.... Ter prestado mais atenção. Nossa filha não merece isso, Steve — ela argumentou, enquanto meneava a cabeça negativamente, ainda sem conseguir levantar seu olhar.

Steve respirou fundo, desaprovando de imediato as palavras de Natasha. Logo, o Capitão aproximou-se mais um pouco e ergueu a cabeça de Natasha, segurando-a gentilmente pelo queixo e assim fazendo com que ela voltasse a encará-lo com os olhos verdes cheios de angústia. Ele não duvidava que seus olhos azuis também estivessem carregando a mesma angústia que ela lutava em disfarçar. Mas com Steve.... Natasha não conseguia disfarçar nada e se sentia completamente desarmada com cada gesto dele.

— Pare de falar tantas besteiras, Nat. Nada disso é sua culpa, entendeu? — impôs ele, mostrando-se firme em relação à ela, que apenas concordou movimentando a cabeça em um gesto rápido. Steve achou estranho o fato da ruiva ter desviado o olhar mais uma vez e ter afastado a mão dele do rosto dela. — Natasha... — voltou a chamar, querendo que ela o encarasse mais uma vez apenas para lhe dizer que tudo ficaria bem. Ele não tinha certeza que tudo ficaria bem, mas precisava manter isso em mente. Caso contrário, iria acabar enlouquecendo completamente. E sem dúvidas não era disso que precisava agora.

Natasha engoliu em seco outra vez e soltou a respiração de maneira abrupta enquanto afastava-se um pouco, ficando a uma distância segura de Steve. Tal fato fez com que ele estreitasse o olhar sobre ela, novamente não entendendo o que aquilo significava. Romanoff olhou para os lados, olhou para Stella de maneira rápida, olhou de relance para os outros três ali presentes, notando que estavam distraídos e não prestavam atenção à conversa.... E enfim, seus olhos um tanto perdidos voltaram a encontrar Rogers. A confiança que ela sentiu era indescritível, e fez com que seu coração pesasse ainda mais.

— Steve, é culpa minha, sim. Eu sabia que esse dia chegaria uma hora ou outra, sabia que havia algo errado com a Stella — assumiu Natasha com a voz embargada ao cruzar os braços sobre o peito em um gesto completamente firme.

A tensão no ambiente tornou-se mais presente quando Steve escutou as palavras dela. O Capitão logo conseguiu entender o porquê de Natasha ter ficado tão evasiva inesperadamente. Percebeu também o porquê dela não ter ficado muito confortável com a proximidade dele. Ela estava escondendo algo, e só agora ele entendera isso. Talvez estivesse muito distraído e não houvera percebido antes. Mas agora estava ali, perceptível a todo momento. Não conseguia descrever o que se passava em sua mente.

— Espera, o quê? Eu não sei.... Por Deus, Natasha! — insinuou ele, não conseguindo conter seu descontentamento à medida que seu olhar adquiria certa raiva. A ruiva fechou os olhos quando Steve colocou as mãos sobre a boca e deu alguns passos para trás. Mas depois de segundos, ele voltou a se posicionar à frente dela, fazendo-a abrir os olhos em súbito quando a segurou pelo braço. — Você realmente sabia disso?! — bradou o Capitão, despertando a atenção e assustando levemente os outros três presentes no ambiente.

Sam e Clint não se manifestaram. Bucky encarou Steve com a testa franzida, sem entender a reação exasperada do amigo, mas logo ignorou e voltou a se emergir em seus pensamentos, assim como Barton e Wilson.

— Sim, eu sabia! Que inferno! — rebateu a ruiva, puxando seu braço das mãos dele e percebendo seu tom de voz se alterar, começando a chamar atenção dos poucos agentes que passavam ali. Steve cruzou os braços e a encarou incrédulo enquanto Natasha bufou de raiva. Logo, ela tentou se acalmar um pouco, e amenizando sua voz, enfim prosseguiu: — Eu só estava tentando protegê-la, Steve, e sinto muito por não ter dito nada a você.

— A Stella não é apenas sua filha, Natasha, eu tinha o direito de saber o que estava acontecendo com ela — afirmou Steve logo em seguida, não conseguindo conter toda a raiva que lhe dominou por instante ínfimo.

— Eu sei disso, ok? Acredite, eu sei, e por isso lhe digo que não deveria ter escondido isso de você. Foi uma estupidez e uma idiotice, principalmente por você descobrir o que está acontecendo com a Stella dessa maneira — declarou Romanoff, tentando amenizar a situação. Ela não queria brigar naquele momento, não com Steve. Não com tudo que estava acontecendo. — Foi um erro, e admito isso — declarou por fim, aproximando sua mão e tocando o braço de Steve com delicadeza.

— Pelo menos você admite que foi um erro. Um erro muito grande, para ser sincero. — insistiu Steve, começando a ficar mexido com a súbita aproximação dela. Estava tão confuso que mal conseguia manter seus olhos em Natasha. Então, o Capitão respirou fundo outra vez, e devagar afastou a mão fria da ruiva ainda em seu braço enquanto aproximava-se mais um pouco, ficando a uma distância necessária para que apenas ela pudesse escutar suas palavras com clareza: — Depois do que aconteceu entre nós dois ontem à noite, eu pensei... Eu pensei que finalmente havíamos conseguindo nos entender, mas enquanto isso você estava mentindo na minha cara, sem o menor pudor. Como se já não bastasse os segredos que esconde, ainda mente. Foi um jogo muito baixo, Natasha.

A Viúva Negra perdeu o equilíbrio ao escutar suas palavras. Demorou alguns instantes para conseguir absorver o que ele tinha dito. Parte de si concordava que, de fato, eles haviam se entendido na noite passada, mas ainda não tiveram a chance de conversar sobre tal fato, e ela havia estragado tudo. Mais uma vez, sentiu a maldita culpa lhe invadir.

— Steve, não fala assim — pediu ela, mostrando-se sincera, mas Steve apenas arqueou as sobrancelhas e continuou na mesma posição. Sua postura severa denunciava a mágoa que ainda rondava seu coração. Mas Natasha não desistiria tão fácil, e pensando dessa maneira, ela tentou contornar a situação ao dizer: — Nós conseguimos nos entender ontem à noite. Podemos recomeçar.

— Como você fala em recomeçar se já estava me escondendo coisas? Escondendo informações sobre a saúde da nossa filha! — redarguiu o Capitão, dessa vez não conseguindo conter sua voz. A raiva e mágoa pareciam o dominar por completo.

Apesar da situação, Romanoff revirou os olhos impaciente quando Steve virou de costas para ela e abaixou a cabeça, sem saber mais como conseguir manter seu olhar em Natasha.

— Eu não tive escolha! — admitiu a ruiva depois de um momento de silêncio, voltando a despertar a atenção de Steve. Ainda hesitante, ele torna a ficar de frente para ela, encarando-a com o olhar perdido e parecendo estar com a feição mais calma. Natasha esboçou um meio sorriso nervoso enquanto tentava se explicar melhor. — Você estava tão feliz por ter encontrado seu amigo desaparecido, estava tão empolgado em ter a Stella por perto de novo. Eu não poderia estragar isso, Steve, não enquanto Bruce mantivesse a situação dela sob controle. Então fiz minha decisão, e não me arrependo de ter feito, apenas para ver o sorriso no seu rosto. Céus.... Tantas vezes eu quis te contar, mas não consegui! — assumiu, mostrando-se direta, e por um breve instante notou o olhar de Steve se amenizar. Mas ainda assim, ele permaneceu quieto e sem reação.

— A escolha não era sua, era minha. Eu sou pai dela, Natasha, me preocupar com ela sempre vai ser minha prioridade — esclareceu Steve, firme demais em suas palavras.

— Agora consigo ver isso, e mais uma vez, eu sinto muito — Natasha repetiu, novamente querendo amenizar a situação. — Você é um pai maravilhoso para a Stella, eu não tenho motivos para tirar sua razão, mas espero que me perdoe. Eu não vou conseguir enfrentar tudo isso sem você, Steve — disse por fim, se aproximando mais um pouco e deixando suas mãos encontrarem as dele. Ela hesitou, mas não desistiu e não desistiria.

Romanoff sentiu uma leve esperança nascer em seu peito ao notar ele entrelaçar seus dedos com os dela. E desta vez, Steve não tentou se afastar. Mas ao contrário do que ela imaginava, sua esperança desapareceu quando, lentamente e mantendo contato visual com Natasha, o loiro começou a soltar as mãos dela e dar alguns passos para trás.

— Esse não é o melhor momento para falarmos a respeito de nós dois, Natasha. A nossa filha precisa de nós mais do que nunca. Esse é o meu foco principal agora, e deveria ser o seu também — impôs com firmeza, fazendo-a desviar o olhar e abaixar a cabeça em concordância. Mas ainda assim, Natasha se sentiu aliviada por enfim dizer a verdade. Talvez só agora eles conseguiriam se entender definitivamente. Era algo bom.

Ele continuou sério e a observou por mais um tempo antes de enfim dar as costas para Natasha, voltando para perto dos outros três. Então a ruiva tentou relaxar seu corpo e voltou a observar Stella pelo vidro. Sua filha estava dormindo tão serena que Romanoff fez um grande esforço para disfarçar uma singela lágrima que ousou escorrer em seu rosto. E aquele fora um claro sinal do quanto Stella conseguia mexer com Natasha.

Mas todos os pensamentos de Natasha se dissiparam no mesmo momento em que sua atenção foi desperta com a chegada de Bruce Banner. O doutor mantinha um sorriso breve e acolhedor em seu rosto enquanto se aproximava dos cinco ali presentes. Ao lado dele, Jemma Simmons parecia tensa, e ambos estavam devidamente paramentados com típicas roupas hospitalares. Clint colocou-se de pé no mesmo instante que o viu, postando-se ao lado de Natasha quando ela se aproximou de Bruce.

Bucky e Sam, por sua vez, se colocaram um pouco mais atrás de Steve quando Banner se aproximou do Capitão a passos lentos. Natasha e Clint logo se juntaram a eles enquanto Jemma os deu espaço suficiente para conversarem. A tensão e o nervosismo eram perceptíveis.

— Bruce, como ela está? A minha filha vai ficar bem? — indagou Steve antes que Natasha pudesse sequer pensar em perguntar algo. Era óbvio que o loiro não estava conseguindo conter todas as dúvidas que rondavam sua mente.

Bruce e Jemma trocaram olhares nervosos antes do doutor olhar para todas as pessoas presentes naquele corredor. Ele respirou fundo.

— Tenho que ser sincero com vocês. Estou mantendo a Stella sedada apenas para que ela possa descansar, mas a situação é grave — declarou ele com seriedade. O silêncio tornou a situação ainda pior. Bruce então buscou as melhores palavras para enfim tentar explicar o que de fato estava acontecendo, e olhando para o Capitão, disse: — Sabemos que a Stella herdou o soro de super soldado que você tem no seu corpo, Steve, e apenas agora ela está tendo os efeitos disso. O soro começou a afetar o sistema nervoso e imunológico dela, e está atacando as células de defesa do próprio corpo. Por isso os desmaios e os delírios, foram como uma maneira de tentar expulsar o soro do corpo dela. E como não está conseguindo, é provável que as células de defesa estejam entrando em mutação. Tony e eu estamos fazendo tudo para deixá-la confortável, mas não podemos mais perder tempo, ou ela não vai resistir.

Sem perceber, Steve e Natasha acabaram ficando lado a lado e deixaram que suas mãos se entrelaçassem com força. Sam e Clint ficaram chocados, enquanto Bucky apenas abaixou a cabeça, temendo pelo o que poderia acontecer com Stella.

— A notícia boa é que talvez tenhamos conseguido encontrar uma maneira para deixá-la saudável de novo e acabar com a provável mutação — a voz de Jemma finalmente pôde ser escutada, subitamente despertando a atenção de cada um ali presente.

Bruce sorriu por um instante, apoiando Jemma quando ela soltou a respiração de maneira nervosa. Natasha encarou Steve ao mesmo tempo em que ele também a encarou. Logo, os dois pareceram concordarem mentalmente em escutar o que a cientista tinha para dizer. E a verdade era que todos ali estavam apreensivos para escutar o que Jemma iria falar. Bucky estreitou o olhar sobre ela, observando as feições no rosto dela como uma forma de tentar prever o que iria escutar. E falhou miseravelmente. Estava tão nervoso que acabou se deixando levar pelo momento, sem deixar de lado sua postura fria e rígida de ser.

Logo, Steve e Natasha voltaram seus olhares para Jemma.

— Estamos escutando, agente Simmons — disse Romanoff enquanto o Capitão apertava sua mão com um pouco mais de força, ainda sem desviar seu olhar de Simmons e ansioso pelo o que ela poderia lhe dizer. Fariam tudo o que fosse necessário. Só precisavam de opções.

“If you start running away

Then there'll be no where to hide

I will find you in a burning sky

Where the ashes rain in your mind”

[...]

Pelo vidro que o separava do outro lado da sala de interrogatórios e com as sobrancelhas erguidas em pura surpresa, Phil Coulson observava a garota de cabelos escuros. Já fazia algum tempo que Rebecca Barnes estava confortavelmente sentada em uma cadeira. Rebecca. Ou Rikki, como preferia ela. Com as mãos apoiadas sobre a mesa, ela batia suas unhas contra o material metálico da mesa em um claro sinal de nervosismo. Seu olhar assustado se mantinha firme em Skye, que sentada em outra cadeira à frente da garota, insistia em ter um sorriso sincero, assim tentando transmitir a máxima confiança que conseguira.

Do outro lado do vidro, Coulson não conseguia tirar os olhos de Rikki desde que ela havia chegado a SHIELD depois de ter sido resgatada por Steve e Natasha. Depois de Simmons ter cuidado dos machucados da garota e Fitz ter realizado uma avaliação psicológica, agora era a vez de Skye tentar conseguir mais informações a respeito dela. E tal conversa já estava demorando mais do que o necessário. Mas Phil não se importou, afinal, Rebecca estava assustada e parecia confiar em Skye. Ele acabou agradecendo mentalmente por isso.

— Eu ainda não consigo acreditar nisso — afirmou Coulson depois de longos minutos em silêncio. Ao lado dele, May disfarçou um sorriso travesso, achando um tanto engraçado toda a curiosidade e a surpresa dele a respeito da garota. — É tão surreal. Não parece verdade. Como sequer imaginaríamos encontrar alguém da mesma família do Soldado Invernal?! — inquiriu logo em seguida, e May deu de ombros.

Coulson soltou um suspiro nervoso, ainda sem tirar os olhos do vidro, e a cena de Rikki soltando um breve sorriso quando Skye segurou sua mão fez com que o Diretor ficasse ainda mais surpreso diante da situação adversa que se encontrava. Definitivamente precisaria dar um jeito de resolver tudo.

— Ele já sabe? — perguntou à May, se referindo ao fato de Bucky saber ou não sobre a existência de sua sobrinha-neta. Phil engoliu em seco, tenso, mais uma vez avaliando as diversas possibilidades que rondavam sua mente.

— Não sei ainda. O Capitão Rogers se encarregou de contar a ele — ela explicou em resposta, pausadamente, também se deixando observar Rebecca e Skye.

— Claro, é compreensível — disse por fim, buscando uma maneira de tentar compreender a situação um tanto complicada que tinha em mãos. O Diretor precisaria de tempo para conseguir lidar com tudo que estava acontecendo. Seu medo era não conseguir. Então, ele pensou por mais um tempo, virou-se na direção de Melinda, e quando ela o olhou firmemente nos olhos, Phil sorriu com sinceridade ao impor: — Vamos cuidar disso, May. Vamos cuidar dessa garota e nunca mais a HIDRA irá colocar as mãos nela.

Melinda soltou um suspiro orgulhoso, sabia que no final de tudo, Coulson iria tomar a decisão mais correta e sensata. Sem dúvidas, essa era a principal característica que ela tanto admirava nele, e até mesmo o principal motivo por ter tanta confiança no diretor. Entretanto, antes que May conseguisse a chance de responder algo, batidas na porta despertaram a atenção de ambos. Os dois viraram-se a tempo de verem Bobbi Morse adentrar a sala com uma feição um tanto assustada.

— Senhor, desculpe interromper, mas temos visitas — as palavras dela despertam a curiosidade do Diretor, e ele não demora muito para sair da sala. As duas o seguem logo em seguida. May havia tentado perguntar o que estava acontecendo, mas Bobbi simplesmente não conseguiu responder, fato que a deixou ainda mais preocupada.

A surpresa de Melinda e Coulson fora inevitável no mesmo momento que eles chegaram a um corredor mais restrito e encontraram Thor os esperando. Ele estava de costas, e o deus asgardiano estava vestindo trajes humanos o suficiente para visitar a SHIELD. Ao notar que Phil finalmente estava ali, Thor virou-se na direção dele, mantendo uma feição bem séria.

— Agente Coulson. Preciso da sua ajuda — afirmou Thor, e sua voz mostrou-se carregada em apreensão e seriedade. Algo até mesmo fora do normal. Phil e Melinda trocaram olhares, cientes de que definitivamente teriam mais um grande problema em suas mãos.

“This is your last warning, a courtesy call

There's a rumble in the floor

So get prepared for war

When it hits, it'll knock you to the ground”

Notas finais
*Essa é Rebecca Barnes, a irmã do Bucky, no passado: http://zip.net/bntbkD *Essa é Rikki Barnes, a sobrinha-neta: http://zip.net/bls9DT Gostaram da surpresa? Nosso Barbie Asgardiano finalmente deu as caras na NA! Gente, eu a-do-ro o Thor, não nego isso. E algo me diz que ele ainda vai aparecer mais por aqui... Mas enfim né, curtiram o capítulo? Ou amaram? Ou odiaram? EITA ODIN! Queremos muito saber a opinião de vocês, então não nos escondam nada nos comentários e contem tudinho o que acharam, okay? E não se preocupem, a maioria dos próximos capítulo já estão prontos, então não teremos hiatus na NA tão cedo de novo. Também não se preocupem, porque nem eu nem a Pri temos a intenção de abandonar a fic. Podemos demorar a aparecer, sumir por um tempo... mas desistir da história nunquinha. Ainda não temos data certa pro próximo capítulo, mas não pretendemos demorar. Então nos vemos no próximo, amores. Até lá, e aproveitem Guerra Civil! ♥ Bjs!