National Anthem
5 Capítulo quatro – Survive
Notas iniciais

“Welcome to your life, there's no turning back
Even while you sleep, we will find you
Acting on your best behaviour
It's my own design, it's my own remorse
There's a room where the light won't find you
Holding hands while the walls come tumbling down
When they do I'll be right behind you
Nothing ever lasts forever”
Everybody Wants To Rule The World – Lorde
As ruas de Washington estavam quase vazias naquele frio final de tarde. Pequenos flocos despencavam do céu, formando um fino e branco tapete de neve sobre o chão. Carros estacionados ali perto eram cobertos por uma camada de gelo. A baixa temperatura fez com que as poucas pessoas que ainda circulavam pela cidade andassem completamente agasalhadas, seguindo o caminho de casa após um longo dia de trabalho. Podia-se dizer que era uma sexta-feira tranquila.
Bem no centro da cidade, localizado numa movimentada avenida, um de prédio aparência rudimentar chamava atenção por sua singela decoração de Natal em meio a tantas outras decorações natalinas de outros prédios, esses, muito mais engenhosos e sofisticados. Luxuosos, por assim dizer.
No interior de um dos apartamentos do referido prédio, um garoto em seus cinco anos de idade, com cabelos loiros e olhos claros, permanecia em pé de frente para uma janela, observando atentamente todo o vai e vem de carros. Parecia ter um olhar levemente preocupado, e parecia também estar ansioso, ou esperando por alguém.
Dado certo momento, o garoto conseguiu visualizar um Audi R8 estacionar em frente ao prédio, e logo, um sorriso alegre e aliviado estampou-se em seu rosto. Seu olhar parecia ter se iluminado. Ele esperou, e quando percebeu a porta do apartamento ser aberta, o pequenino não conseguiu se conter e correu rapidamente até o homem parado na soleira da porta.
– Papai! –comemorou o garoto, indo em direção ao moreno à porta.
Os braços de Tony Stark já estavam abertos para receber o garotinho que corria em sua direção. Logo, Tony abaixou-se um pouco, apoiando-se em um dos joelhos e ficando na mesma altura que seu filho. O baque do corpo do garoto contra o seu fez com que o moreno perdesse um pouco o equilibro, quase caindo para trás. A risada dos dois pôde ser escutada, e ali, poderia sim dizer que tudo estava bem. Ou pelo menos, estaria tudo bem.
– Ei, campeão, eu senti sua falta –respondeu ao levantar-se. – Sabe, o papai teve um dia muito agitado salvando o mundo com o Jarvis e o Capicolé. E o seu dia, quer me contar como foi? –ele conversava enquanto caminhava para dentro do apartamento com o garoto em seu colo.
– Aham! Sabia que a tia Natasha fez biscoitos para a gente? Eu guardei alguns para você a para a mamãe, mas o tio Clint disse que você não merecia e comeu os seus –respondeu o pequeno, em uma naturalidade absurda.
Tony não conseguiu conter uma risada ao escutar as declarações do filho, e ao adentrar e fechar a porta do ambiente, respondeu:
– Ah, é mesmo? Então acho que o Légolas precisa levar uma lição.
– Demais! –o garoto animou-se, depois de desvencilhar-se dos braços do pai e voltar a ficar em pé no chão.
Depois de algum tempo, uma ruiva surgiu na sala de estar, despertando de imediato a atenção dos dois. Natasha lançou um sorriso amigável para Tony a medida que aproximava-se dele. Sua feição parecia cansada, preocupada, mas ao mesmo tempo estava conseguindo permanecer forte para o bem de todos. Sabia que precisavam dela.
– E ai, ruiva! –recepcionou rapidamente o moreno, depois de sentar-se sobre o sofá da sala sem nenhuma cerimônia e despejar um sorriso debochado para Natasha, que ainda o encarava, ironicamente, ignorando todas as provocações. – Eles dois se comportaram? –perguntou em seguida, ajeitando-se melhor sobre o sofá, ficando em uma posição que pudesse observar seu filho sentado sobre o chão enquanto mexia em algum objeto tecnológico.
Natasha suspirou, se sentou em uma poltrona de frente para Tony, a alguns metros de distância dele, e respondeu:
– Não deram trabalho nenhum, nem se preocupe.
– E as meninas, onde estão? –Tony logo voltou a perguntar.
– No quarto. Clint está tentando fazer as duas dormirem, elas estão exaustas depois de tanto correrem pelo apartamento –explicou ela, não conseguindo conter uma leve risada.
– Eu avisei que a Louis era agitada, não avisei? Igualzinha a mãe –replicou o moreno, em meio a uma risada, e Natasha não teve como negar. – Pelo menos isso o Logan não herdou da Pepper. Acho que não daria conta de duas crianças hiperativas –completou ele, ao voltar seu olhar para o garoto sentado no chão.
– Pepper tem razão. Às vezes eu acho que a Louis ainda é mais calma que a Stella, Tony –ela admitiu, soltando uma risada sem humor ao lembrar de todas as vezes em que sua filha colocou aquele apartamento de cabeça para baixo. – Essa menina é impossível –sorriu.
Tony encarou Natasha com certa curiosidade, até mesmo admiração. Era visível todo o amor incondicional que ela mantinha pela filha, todo o carinho entre as duas, e naquele momento, ele pareceu finalmente conseguir entender o porquê de Natasha ter feito tudo o que fez para manter a real identidade de Stella em sigilo absoluto. Tony odiava-se por sempre olhar para Steve e sentir que estava omitindo a verdade de seu amigo. Mas se esse era o desejo da Viúva Negra, então que fosse. Não podia negar que, se necessário, faria a mesma coisa por seus filhos.
– Então ela não nega que é sua filha –brincou ele, depois observar seu filho novamente. Em seguida, após um longo silêncio, Tony tornou a ficar sério, e ao voltar seu olhar para Natasha uma outra vez, perguntou: – Você se arrepende?
Romanoff o encarou. Sabia exatamente ao o que ele estava se referindo. Deu um longo suspiro, encostou as costas na poltrona em que estava sentada, e começou a observar o movimento nervoso de suas próprias mãos. Parecia estar pensando no que responder, porque na verdade, não havia o que responder. Tentando não mostrar-se surpresa com tal pergunta, Natasha finalmente levantou o olhar e fixou-se em Tony.
– Não. Tudo o que fiz, e tudo o que faço, é para o bem da minha filha. Para protege-la. Então, não, eu não me arrependo de estar escondendo a verdade do Steve, e não me arrependo das decisões que tive que tomar. Se fosse necessário, faria tudo de novo sem nem pensar duas vezes –respondeu ela, enquanto Tony a escutava atentamente.
Logo, Natasha percebeu que aquela era a primeira vez em que estava conseguindo se abrir com alguém, sendo que esse alguém era Tony Stark, mas tal informação parecia não importar naquele momento. Não para ela. Sentia-se mais leve, como se toda a dor que ainda carregava em seu peito se dissipasse lentamente, mesmo que apenas por alguns meros minutos de duração.
Tony, por sua vez, perguntava-se se Pepper teria a mesma coragem que Natasha, e rapidamente percebeu que sim. Pepper Potts teria toda a coragem do universo para proteger sua família, e com certeza, essa era uma das principais características que ele tanto admirava nela. A bravura de sua esposa. E em boa parte, Natasha possuía esta mesma bravura, e talvez fosse isso que deixasse a Viúva Negra tão conhecida.
– Não posso discordar de você, Natasha. Faria a mesma coisa se estivesse no seu lugar –depois de certo tempo, Tony admitiu, ainda olhando firmemente para a ruiva.
Quando os gêmeos de Pepper nasceram, Natasha já estava no fim de sua gravides. E ao longo do crescimento das crianças, isso fez com que Stella, Louis e Logan rapidamente se tornassem amigos inseparáveis. Consequentemente, acabou unido Pepper e Natasha ainda mais. Eram quase uma grande família.
Estava na cara que Tony Stark e Natasha Romanoff seriam capazes de tudo, do possível e do impossível, para manter seus filhos, seus herdeiros, em completa segurança.
– Tudo bem, eu desisto! –a voz forte e firme de Clint Barton pôde ser escutada no ambiente, despertando a atenção dos heróis ali presentes. – Sua filha é dura na queda, Tony, não dormiu de jeito nenhum. Diferente da Stella, que a essa altura já está apagada –completou, arrancando singelas e animadas risadas de Tony e Natasha.
Clint não conseguiu resistir e logo virou o rosto para a garotinha em seu colo, lançando um sorriso lateral em sua direção, fazendo-a rir. Nos braços dele estava Louis Stark, uma linda garota com cabelos e olhos escuros, idênticos aos do pai. Louis mantinha o olhar fixo em Tony, que percebeu o olhar da filha sobre si em questão de segundos.
– Oi, princesa! –recepcionou Tony, ao aproximar-se rapidamente de Clint e pegar a garotinha em seus braços. Louis automaticamente apoiou-se nele e descansou o rosto sobre o ombro do pai. – Antes que eu me esqueça, obrigado, a vocês dois, por terem cuidado das crianças enquanto eu e a Pepper estávamos fora –disse em seguida, ao observar de relance Clint e Natasha.
– Não precisa agradecer por isso, não foi trabalho nenhum. Muito pelo contrário –respondeu Clint ao sentar-se no sofá e observar Natasha por algum tempo.
– E a missão? Como foi? –perguntou Natasha, tentando ignorar parte de seu coração que insistia em se preocupar com Steve.
Clint e Tony trocaram olhares. Ainda com Louis aninhada em seus braços, o moreno voltou a acomodar-se sobre o sofá, ao lado de Clint, e respondeu:
– Teria sido mais rápida se não fosse pelo Steve. Ele inventou de proteger um dos reféns no meio do fogo cruzado e acabou levando um tiro.
Ao escutar tais palavras, Natasha automaticamente pôs-se de pé em um sobressalto, encarando Tony com certa dúvida. Sim, ela continuava a preocupar-se com ele. Continuava a temer perdê-lo, mesmo que ele já não a pertencesse mais. O amor que mantinha por Steve ainda estava ali, mesmo em meio em toda a dor, o sentimento tão forte que nutria por ele ainda estava ali, intocável.
– Um tiro?! Mas ele está bem? Foi muito grave? Ele perdeu muito sangue? Como isso aconteceu? –perguntou nervosamente, as palavras quase saindo uma em cima das outras.
Tony riu, sarcástico, e logo tratou de acalma-la:
– Relaxa, ruiva! O tiro foi só de raspão, o seu Capitão está completamente bem.
Romanoff suspirou longamente, aliviada por tal informação. Então, voltou a sentar-se sobre a poltrona, e, visivelmente constrangida, respondeu instintivamente:
– Ele não é o meu Capitão, Tony.
– Mas é o pai da sua filha –ele rebateu.
– Não importa –replicou ela.
– Claro que importa –contrapôs Tony, encarando-a firmemente, enquanto Natasha quase o fuzilava com o olhar.
– Tony! –interferiu Clint, já prevendo que aquilo daria início a uma longa confusão. – Chega, vocês dois! Nós temos assuntos mais importantes no momento, e que precisam da nossa atenção. Então, por favor, será que podemos nos focar ao verdadeiro objetivo de estarmos aqui hoje? –completou em seguida, mostrando-se firme e sem paciência.
Natasha suspirou lentamente enquanto Tony desviava seu olhar para um canto qualquer da sala. No fundo, os dois sabiam que Clint tinha razão. Eles estavam ali por um motivo muito mais importante, e uma briga, naquele momento, não os levaria a canto nenhum.
Pensando em tudo isso, Tony rendeu-se, assim como Natasha. A ruiva logo acomodou-se melhor sobre a poltrona em que estava sentada enquanto o olhar de Clint caía sobre si.
Logan, que ainda estava sentado sobre o chão, voltou-se para o pai, escutando-o atentamente. Tony, por sua vez, depositou um beijo suave sobre a testa de Louis, ainda em seus braços, e quando viu que tinha a atenção da filha, pediu:
– Filha, porque você e o seu irmão não tentam dormir um pouco até a mamãe chegar, hein?
A garota automaticamente sorriu, já entendo o que Tony queria, e sem dizer uma palavra sequer, levantou-se do colo do pai e caminhou lentamente na direção de Logan, que naquele momento, já estava de pé, sem entender muito bem o porquê de não poder participar da conversa. Sem escolhas, tudo o que ele pode fazer fora seguir a irmã até seus respectivos quartos.
Tony os observou com um sorriso nos lábios, e quando os dois finalmente sumiram no corredor, ele voltou-se para Clint e Natasha, pronto para discutir o assunto que tinha em mente.
– Tudo bem, vamos começar logo –indagou o moreno, dando um longo e contínuo suspiro ao encostar as costas sobre o sofá.
Natasha e Clint trocaram olhares, dando sinais de que também já estavam prontos para começarem aquela importante conversa.
– Primeiro de tudo... –iniciou Tony, ganhando a atenção de Clint e Natasha, e depois de observar os dois por certo tempo, perguntou: – Clint, como foi que você ficou sabendo disso?
Barton suspirou, também observou os dois heróis a sua frente, e respondeu:
– Você sabe muito bem que o Fury tem os métodos dele de ficar sabendo das coisas. Foi ele quem... me avisou sobre os dois agentes infiltrados, e foi ele quem me avisou que eles eram ex-KGB, assim como a Tasha. Queriam as crianças, e farão de tudo para consegui-las.
– Eles sabem. Sabem sobre a Stella, sobre o Logan, sobre a Louis –percebeu Natasha, visivelmente preocupada, e ao olhar na direção de Tony, completou: – Descobriram nossos filhos, Tony. Temos que agir, e rápido.
Tony logo concordou com um meneio de cabeça. Só de sequer imaginar algo ruim acontecendo a Stella e seus filhos, seu sangue já fervia. O Homem de Ferro seria capaz de matar qualquer um que colocasse a segurança de sua família em risco.
– Eu não entendo –frisou o moreno, em estado de alerta. – Sei qual o motivo de virem atrás do Logan, pelo Extremis que corre nas veias dele, isso é um fato. Agora... porque a Louis? E porque a Stella? –perguntou, ao novamente voltar a visualizar Natasha.
Romanoff deu uma leve risada sem humor. Deixou o corpo cair levemente para a frente, apoiou as mãos sobre os joelhos, e encarando as próprias mãos, respondeu:
– Simples. Porque são nossos filhos. São os herdeiros dos Vingadores.
Stark e Barton concordaram de imediato, trocando olhares nervosos. Natasha logo os observou, em busca de qualquer resposta que fosse, ou até mesmo, de algum apoio, que ela sabia que teria.
– Tasha, quando eu liguei para você ontem à noite, acho que parte de mim já sabia que nós teríamos que tomar precauções –admitiu o Gavião após um breve e constrangedor momento de silêncio.
– E o que você tem em mente? –perguntou Natasha, tentando a todo custo manter-se focada.
– Talvez... mudar as crianças de cidade? Por um tempo. Pelo menos até nós termos certeza do que realmente estamos lidando aqui –respondeu Clint, depois de dar um longo suspiro, e ao aproximar-se mais um pouco de Natasha e Tony, completou: –Vocês sabem muito bem que isso pode ser apenas o começo. E é isso que me preocupa.
– Descobriram sobre a Stella, Louis e Logan agora. E depois, qual vai ser o próximo passo? –a Viúva Negra tornou a perguntar, observando seus companheiros com a feição visivelmente preocupada.
– Não sei, mas eu não quero esperar para ver –fora a vez de Tony responder.
– Qual o seu plano então? –Clint logo tratou de perguntar, parecendo estar nervoso com aquela situação.
Tony os observou, olhando profundamente nos olhos de Natasha e Clint. Pensou por algum tempo, tentando construir um bom plano para tal problema. Quando uma ideia passou-lhe por sua mente, ele não conseguiu conter um singelo sorriso. Já era um começo.
– Vamos tira-los da cidade. Os levaremos para Nova Iorque –disse, e ao ver que os dois o encaravam com confusão, ele revirou os olhos. Automaticamente, perguntou: – Ok, qual é o prédio mais famoso daquela cidade?
Natasha e Clint se entreolharam, começando a entender a ideia a Tony. E não puderam negar, foi uma boa ideia. Pelo menos, por agora. Logo, os dois voltaram-se para o Homem de Ferro, e ao sorrirem levemente, responderam em uníssono:
– A Torre Stark.
– Que, venhamos e convenhamos, é o local mais seguro para eles agora. E se a única solução, no momento, é afasta-los de Washington e Malibu, então que seja, porque tudo o que eu quero é vê-los em segurança. Sem contar que isso será apenas temporário –completou o moreno.
Natasha o escutou atentamente, parecendo estar concordando com tal ideia. Queria que sua filha ficasse segura, e talvez, com Stella fora de circulação por um tempo, ela conseguisse finalmente ter uma séria conversa com Steve, mesmo que ainda não estivesse pronta para contar toda a verdade. Mas, querendo ou não, teria que contar.
Pensando em tudo isso, a ruiva voltou-se mais uma vez para Clint, procurando pela opinião dele naquele plano. Como resposta, o Gavião balançou a cabeça positivamente em sinal de aprovação, e logo Natasha teve a certeza de que aquilo era o certo a ser feito.
– Depois de toda a confusão que causamos em Nova Iorque... agora você quer voltar? –indagou Clint, fazendo com que Tony solta-se uma breve risada.
– Quando nós nos casamos, Pepper já tinha pensando em voltar para a Torre. Acho que toda a história com o Killian deixou ela um pouco traumatizada, sabe? Então, esse tempo em Nova Iorque fará bem a ela, fará bem a nós dois. E principalmente, aos meus filhos também –explicou ele, calmamente.
– Tudo bem, seguiremos o seu plano então –respondeu ela após voltar-se para Tony, que concordou rapidamente. Em seguida, a Viúva Negra perguntou: – Quando você vai leva-la?
Tony pareceu não entender tal pergunta.
– Como assim? Você não vai conosco? –ele perguntou.
Natasha suspirou antes de responder:
– O Fury me quer em uma nova missão aqui. Tenho que ficar, mas o Clint poderá ir e cuidar da Stella por mim, junto com vocês. Eu irei visita-la todo final de semana, e assim que a situação melhorar, Clint e eu a traremos de volta.
– É um ótimo plano –disse Clint, entretanto, antes que pudesse falar mais alguma coisa, Tony o interrompeu.
– E o Steve? –perguntou o moreno, fazendo com que Natasha imediatamente voltasse seu olhar para ele.
– Tony... não faz isso, por favor –pediu calmamente, olhando-o firmemente nos olhos. A culpa estava estampada em seu rosto, mas Tony pareceu não se convencer.
– Ele tem o direito de saber sobre a filha, Natasha. Odeio ter que mentir na cara dele, ele não merece isso, e você sabe que já passou do tempo de contar a verdade –contrapôs automaticamente, de uma maneira firme.
De uma maneira súbita, Natasha levantou-se da poltrona onde estava sentada, aparentemente mexida com as palavras de Tony. Ela não podia negar que queria contar, queria entregar de vez a verdade para Steve, queria abrir o jogo. Mas ainda havia uma parte de si que continuava insegura em relação a isso.
Novamente pensando nisso, Romanoff observou Tony com um olhar sério, e respondeu:
– Tony, todo maldito dia em que acordo eu me sinto culpada por estar mentindo para ele, ok? Não pense que isto não está sendo difícil para mim, porque está!
Dito isso, a ruiva começou a caminhar à passos firmes em direção ao corredor, e antes de ir até o quarto de Stella, ela voltou-se novamente para Tony e Clint, ainda na sala de estar, encarando-a com certa contradição.
– Ele saberá sobre a Stella, mas não agora. Não agora.
Então, ela logo voltou a caminhar na em direção ao quarto da filha, deixando um clima tenso pairar por todo o apartamento.
Fale com o autor