National Anthem
6 Capítulo cinco – Time
Notas iniciais
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“I'm thinking it over
And if I'm feeling like I'm evil,
We've got nothing to gain
Don't tell me listen to your song
Because it isn't the same
I don't wanna say your love is a waiting game
What if the way we started made it
Something cursed from the start?”
Waiting Game – Banks
Antes...
Era mais um começo de manhã. Mais um começo de uma manhã gélida em Washington. Sua rotina começava mais uma vez.
Os passos firmes de Steve Rogers ecoavam por todo o corredor reluzente do Triskelion, que dava acesso à sala de Nick Fury. Ele ainda estava a longos metros de distância da sala do diretor da SHIELD, mas parecia não se importar com tamanha demora que teria para chegar em seu destino.
Janeiro.
Naquela mesma semana, faria um ano exato desde o término de seu relacionamento e da partida de Natasha Romanoff para uma missão secreta ao lado de Clint Barton e Bruce Banner.
Claro que ele nunca soube o que era essa tal missão em que Natasha estava envolvida, mas mesmo que sua curiosidade o matasse e mesmo que o fato do Hulk estar participando disso tudo o intrigasse tanto, talvez ainda estivesse muito magoado para se importar. Talvez ele até estivesse tentando esquece-la.
Não. Não conseguiria, porque já havia tentado, e obviamente não deu muito certo. Pelo contrário, fez com que ele sentisse mais ainda a falta dela em sua vida.
Mesmo depois de tanto tempo, aquilo ainda doía em Steve, porque no fundo, sabia que ainda a amava. Sabia que ainda estava apaixonado pela Viúva Negra. Mas talvez ele estivesse magoado demais para assumir que os sentimentos por ela ainda estavam ali. Vivos.
Steve continuou a caminhar, sempre observando o vai e vem de agentes ao seu redor, sempre atento a tudo o que acontecia por perto, até mesmo conseguia escutar conversas entre algumas pessoas, o que lhe causava certo desconforto. Às vezes, conseguia distribuir alguns sorrisos acolhedores para quem lhe desejasse “bom dia”, e ele, claro, retribuía.
Dado certo momento, ainda um tanto longe da sala de Fury, o Capitão América viu-se obrigado a parar de caminhar, e consequentemente deixar de seguir seu curso de destino, quando sentiu seu corpo forte ir de encontro ao corpo de outra pessoa. Se chocaram. Sem perceber, ele sentiu o baque de Natasha Romanoff contra si, fazendo com que ambos dessem alguns passos desajeitados para trás.
E depois de tanto tempo, depois de um ano sofrendo, lá está ela a sua frente. A razão de sua dor, mas ainda assim, a razão de seu coração parecer ter voltado a bater. Steve não conseguiu negar para si mesmo a corrente elétrica que alcançou seu corpo ao sentir o rápido toque da ruiva. Era como se, naquele momento, ao vê-la ali, parada a sua frente sem dizer uma palavra sequer, uma chama se ascendesse novamente em seu coração. O sentimento que tinha por ela voltava a alcançá-lo, lentamente.
Natasha, por sua vez, não sabia como reagir. O espanto ao vê-lo era evidente em seu rosto, e seus olhos não conseguiam se desviar dos dele. Estava estática, completamente sem ação. Seu coração já começava a bater descompassadamente. Ela sabia, ela sentia que tudo tinha voltando. Todo o sentimento que tinha guardado apenas para ele, estava de volta, em questão de segundos.
– Natasha? –perguntou o Capitão depois de algum tempo, ao finalmente conseguir se libertar do encanto causado por Natasha. Estava surpreso ao vê-la, não ia negar, pois ele sequer imaginava que iria revê-la tão cedo. Não de novo.
Steve havia sim sentido a falta de Natasha Romanoff em sua vida, mas por ter passado tanto tempo sem ela, tanto tempo pensando nela, estivesse magoado demais para assumir tal fato. A pergunta: ele seria capaz de perdoa-la algum dia? Aliás, mesmo depois de tudo, Steve ainda não conseguia entender o porquê dela ter terminado tudo entre eles. E infelizmente, essa era uma pergunta para qual ele ainda não tinha resposta alguma. Ainda.
– Steve. Oi! –comemorou ela, ao soltar uma leve risada alegre e aproximar-se mais um pouco do Capitão, dando-lhe um abraço desajeitado e constrangedor, que ele automaticamente retribuiu.
E fora ali, só ali, nos braços dele novamente, que Natasha conseguiu perceber que também havia sentido a falta de Steve em sua vida. E também, percebeu que ainda o amava, o amava muito, não que fosse algo difícil de se ver, claro.
Por um breve momento, os dois ignoraram todas as mágoas e todas as dores e renderam-se ao sentimento que voltava a surgir em seus corações, mesmo que negassem a todo custo. Afastaram-se um do outro assim que sentiram que aquilo, aquele gesto de carinho, parecia inadequado. Mas só parecia, porque no fundo, ambos sabiam que ainda havia algo mal resolvido ali, entre eles.
Passaram então a se encararem profundamente, olhando firmemente nos olhos um do outro, fazendo com que aquele momento de paz durasse quase uma eternidade. Como se nada mais importasse.
– Há quanto tempo você voltou? –finalmente, o Capitão perguntou, depois de um novo e constrangedor momento de silêncio entre os dois.
Natasha hesitou por alguns segundos, não sabendo como seria a reação dele ao saber que já fazia um certo tempo que ela estava de volta.
– Alguns dias –respondeu ela, conseguindo notar a surpresa nos olhos de Steve.
– Todo esse tempo e nós nunca nos falamos –ele comentou, com um singelo sorriso nos lábios, e após arquear as sobrancelhas em um claro sinal de dúvida, perguntou mais uma vez: – Natasha, você estava... Você estava me evitando?
– Claro que não, Steve. Que pergunta mais... –replicou quase automaticamente, disfarçando seu nervosismo com um leve sorriso. Mas o sorriso de Natasha desapareceu assim que ela percebeu o olhar irônico de Steve sobre si. Então, revirou os olhos, e assumiu: – Tudo bem, talvez eu estivesse mesmo te evitando.
O Capitão abaixou a cabeça, disfarçando uma risada divertida. Em seguida, ao tornar a observar a ruiva a sua frente, notou que ela também sorria, encarando-o com certa admiração. Só então, Steve conseguiu perceber que ela parecia diferente, não pelo cansaço aparente em seus olhos, muito menos pelos cabelos um pouco mais curtos, mas sim pelo semblante dela. Ele não conseguia explicar, era como se Natasha estivesse mais confiante de si, mais forte.
– O que foi? –perguntou ela, depois de conseguir perceber que Steve continuava a observa-la firmemente.
Logo, ele pareceu despertar ao escutar a voz de Natasha novamente.
– Ah, não é nada –respondeu, mas a ruiva pareceu não acreditar muito. – É só que você parece diferente, Natasha. Está mais feliz, mais... Radiante –completou, e pôde ver o brilho nos olhos verdes dela, e então conseguiu comprovar suas teorias. Ela estava diferente, mas o que havia mudado? O que havia acontecido em todo esse tempo?
A Viúva Negra engoliu em seco, completamente surpresa com as palavras dele, e por um certo momento, sentiu uma culpa a invadir. Talvez fugir não tivesse sido uma boa ideia, talvez ela tivesse subestimado Steve, e talvez teria mesmo que contar a verdade. E queria.
“Não!” sua mente gritou, fazendo com que ela rapidamente esquece tais ideias. Manteria seu segredo, custasse o que custasse. Natasha não estava pronta para revelar que agora tinha uma filha, e principalmente, que Steve era o pai. Talvez ela nunca estaria pronta para revelar tal informação. Mas afinal, por quanto tempo ela conseguiria manter essa mentira?
– Obrigada, eu acho –respondeu ela, a voz falha, visivelmente constrangida.
Steve sorriu e Natasha o encarou firmemente, perdendo-se no azul dos olhos dele.
– O Fury está me esperando. Tenho que ir –ele informou, e a ruiva balançou a cabeça positivamente, compreendendo as palavras ditas por ele. Então, Steve aproximou-se mais um pouco, e depois de ficar a centímetros de distância dela, depositou um beijo suave sobre a testa de Natasha, fazendo com que ela automaticamente fechasse os olhos, sentindo o toque dele, segurando-se para não chorar. – Foi bom ver você, Natasha –dito isso, o Capitão afastou-se em uma velocidade absurda.
E mais uma vez, Natasha viu-se sozinha enquanto acompanhava os passos fortes dele caminhando pelo extenso corredor, tentando pôr os pensamentos em ordem e raciocinar sobre o que acabara de acontecer ali.
Agora...
Suas pernas queriam fraquejar, mas ela não parou de correr um segundo sequer. Segurou todo o seu cansaço, e mesmo que sua respiração estivesse mais acelerada do que nunca, o medo era aparente em seus olhos verdes. O pequeno vestido lilás que ela usava ressaltava sua pele branca como a neve, e os cabelos lisos e ruivos estavam revoltos, balançando levemente a medida que caminhava.
Olhava para todos os lados e não o encontrava. Por onde passava, aqueles agentes sempre a encaravam com certa dúvida, percebendo o desespero dela, mas ninguém sequer parava para ajudar. Aquilo parecia não estar mais incomodando-a de nenhum jeito. Queria apenas acha-lo, apenas isso. Não lembrava-se direito como havia se perdido dele, mas agora, não sabia mais o que fazer.
Depois de mais algum tempo de correria, a pequena garota acabou entrando em um outro corredor com diversas portas, não muito extenso, completamente vazio. Passou então a diminuir o ritmo de seu caminhar a medida que percorria o corredor. Sempre olhando para trás, tendo a certeza de que não havia ninguém ali. Distraída, ela não percebeu quando quase fora atropelada por alguém.
Percebeu que parou de andar no mesmo instante que sentiu seu pequeno corpo ir de encontro a um homem. Envergonhada, ela abaixou a cabeça, evitando contado visual com ele.
– Desculpe –disse ela, depois de finalmente levantar a cabeça e olha-lo.
A garota franziu a testa em um claro sinal de divertimento ao ver o uniforme tão “colorido” que ele vestia. Reparou nos olhos azuis e nos cabelos loiros e alinhados dele.
– Precisa de ajuda? –sua voz era suave como veludo, e fez com que ela relaxasse levemente, controlando seus batimentos descompassados.
– Estou perdida. Tenho que encontrar o tio Clint –respondeu ela, doce, quase automaticamente, observando aquele homem a sua frente com certa curiosidade.
– O Gavião? –perguntou, e ela afirmou com a cabeça. – Posso encontra-lo para você –completou em seguida, dando um passo à frente para aproximar-se mais um pouco, mais a pequena recuou.
– Ele me disse para não confiar em estranhos –ela disse, tímida, e Steve não conseguiu deixar de sorrir levemente, surpreso por encontrar uma criança que não o reconhecesse com seu uniforme azul e vermelho. O Capitão América era um estranho naquele momento.
Então, Steve abaixou-se, ficando na altura dela enquanto apoiava um dos joelhos sobre o chão frio. Dessa vez, quando ele novamente se aproximou, ela não recuou, e o Capitão pareceu gostar disso.
– Qual o seu nome? –ele tornou a perguntar, tentando ser o mais carinhoso possível, e conseguiu, pois ela lhe deu um sorriso antes de o responder.
– Stella –a resposta foi direta, e Steve sorriu mais uma vez.
– Tudo bem, Stella, está tudo bem. Você pode confiar em mim, ok? Eu levarei você até o Clint, não se preocupe –explicou pausadamente, e ela compreendeu cada palavra dita por ele, percebendo que poderia confiar plenamente nele.
Dito isso, Steve voltou a ficar de pé e a pegou no colo com um movimento rápido e até mesmo carinhoso. Logo, Stella apoiou os pequenos braços nos ombros do Capitão, e relaxou enquanto ele a tirava dali, indo a procura de Clint.
[...]
Os passos dele eram firmes, contínuos, fortes. Clint Barton caminhava apressadamente pelos corredores do Triskelion, quase correndo por entre os agentes que vinham na direção oposta, despreocupados, fazendo o que tinham que fazer e seguindo suas vidas. A respiração dele era descompassada, seu coração batia acelerado, não pelo cansaço, mas sim pela preocupação de não saber onde ela estava.
Já havia percorrido todos os lugares e todas as salas daquele andar, e nada de encontrá-la. Àquela altura, o Gavião Arqueiro viu-se extremamente desesperado, pois sabia o quão perigoso era perdê-la de vista.
– Onde essa garota se meteu? –perguntou para si mesmo, e claro que não obteve resposta.
Ele olhou ao redor, quase entrando em desespero. Logo, voltou a caminhar mais apressado ainda em direção a sala de Nick Fury. Clint não queria atrapalhar a conversa que Natasha estava tendo com o diretor da SHIELD naquele momento, mas percebeu que não tinha escolha, já que não encontrava a garota em nenhum lugar. E de fato, ele já estava realmente preocupado.
Rapidamente, chegou no seu destino, e ao parar de frente para a porta da sala de Fury, deu um longo suspiro enquanto colocava sua mão sob a maçaneta da porta. Entretanto, antes ele que pudesse abrir a porta e adentrar na sala, algo o impediu de fazer tal coisa.
Quando olhou para o lado, Clint conseguiu ter uma visão que nunca pensou em ter, e ele não negou que gostou do que viu, até alegrou-se com tal cena, tirando o fato de que Natasha o mataria quando soubesse do ocorrido.
No final do extenso corredor, Steve Rogers caminhava pacientemente na direção de Clint, que a essa altura, não sabia mais o que fazer, apenas observava a cena. Nos braços do Capitão estava uma garotinha ruiva, seus olhos verdes claramente assustados, mas por mais incrível que parecesse, não estranhava o fato estar sendo segurada por um “estranho”.
Entretanto, no momento em que percebeu que ela estava bem e segura, Clint esqueceu completamente de todas as explicações que daria a Natasha, e finalmente, conseguiu relaxar, soltando a respiração abruptamente em um longo suspiro. Logo, o Gavião afastou-se da porta que o separava de toda a fúria da Viúva Negra e passou a caminhar na direção de Steve.
Em questão de segundos, Steve e Clint pararam no meio do corredor, frente a frente um com o outro.
– Acho que você estava procurando por ela, não é? –perguntou o Capitão, com um sorriso divertido no rosto enquanto encarava Clint.
Ainda no colo de Steve, o olhar da garotinha iluminou-se ao visualizar Clint, e ela sorriu, estendendo os pequenos braços na direção dele. O Gavião não conseguiu conter uma risada com todo o divertimento nas palavras de Steve enquanto pegava a garota carinhosamente dos braços dele. Automaticamente, ela passou os bracinhos ao redor do pescoço de Clint, aninhando-se no colo dele, sentindo ele a segurar com certa firmeza.
– Você quase me matou de susto. Graças a Deus você está bem, pirralha! –brincou ele enquanto depositava um leve beijo carinhosos sobre a testa dela.
O Capitão sorriu com a cena, ainda que não soubesse quem era aquela garota e o que ela era para Clint, sentiu-se incrivelmente bem com a presença dela em seus braços. Mas porque havia sentindo algo tão bom quando a pegou em seu colo? Algo em sua mente dizia que ele tinha que protege-la, mesmo que indiretamente, precisava mantê-la segura. Não sabia o porquê, mas faria isso. Teria uma nova missão pela frente.
– Como... Como você a encontrou? Onde ela estava? –perguntou Clint com certa curiosidade, chocado com tudo o que acontecia ali.
Steve então deu um longo suspiro, e em seguida, explicou:
– Eu a encontrei por acaso. Dei de cara com ela em um dos corredores, estava assustada e parecia perdida, e me disse também que estava procurando por você. Eu... Não tive coragem de deixa-la sozinha. Então peguei ela nos braços e sai a sua procura. Imaginei que você estivesse na sala do Fury e vim até aqui. Pelo visto foi a escolha certa.
– Já estava desesperado porque não conseguia encontrá-la em lugar algum. Obrigado, Steve –disse ele, aliviado por tê-la em segurança novamente. Ainda assim, teria que dar uma boa desculpa para Natasha, e só de pensar em explicar tudo isso, seu estômago já se embrulhava.
Como explicar a ela que Steve encontrou-se por acaso com sua filha?
– Não foi nada. Fico feliz em saber que ela está segura agora – respondeu ele, olhando profundamente nos olhos verdes da garota nos braços de Clint. Então, sorriu, e ainda observando-a, completou: – Você é uma garota muito corajosa, Stella. Não é todo mundo que confia em mim.
Ela sorriu e abaixou a cabeça, envergonhada. Clint olhou de relance para Stella, e riu levemente ao ver as bochechas pálidas ficarem vermelhas. O Gavião acariciou o rosto da pequena ruiva em um gesto carinhoso, e expôs:
– Não se importe, ela é um pouco tímida com estranhos. Não é mesmo, Stella? –perguntou em um tom divertido, e sorriu quando ela balançou a cabeça positivamente e escondeu o rosto no ombro dele. Os dois riram com o gesto envergonhado de Stella, e Steve até achou aquilo um tanto engraçado. – Mais uma vez, obrigado, Steve –ele agradeceu novamente, lançando um olhar sério na direção do Capitão, que sorriu, amigável.
– Desculpe perguntar, Clint, mas... Ela é sua filha? –Steve logo tornou a perguntar depois de certo tempo, aterrorizado com a ideia de que talvez Stella fosse a filha do Gavião Arqueiro com.... A Viúva Negra. Não, não seria possível. Mesmo com toda a semelhança de Stella com Natasha, não havia como aquela criança ser filha dela, principalmente com Clint. Ou seria possível? A confusão era perceptível nos olhos do Capitão.
– O que? Não! Não mesmo, que ideia –contrapôs Clint rapidamente, soltando uma leve risada em um claro sinal de nervosismo. Ele percebeu que Stella já havia dormido em seus braços, e enquanto a balançava devagar, explicou: – A Stella é minha sobrinha, Steve. Estou cuidando dela por um tempo... hum, enquanto a mãe dela está... Ausente.
– Oh, claro. Por isso o Fury te transferiu para Nova Iorque? –perguntou Steve, aliviado por saber que aquela não era a herdeira do Gavião Arqueiro. Ainda assim, era família, e ele gostou de saber disso.
– Exato. Ficarei um tempo com ela em Nova Iorque até as coisas se ajeitarem –respondeu ele, e em seguida, completou: – Inclusive, nós já estamos de partida. Vim apenas me despedir da Tasha já que ela me deu uma grande ajuda com a Stella, se é que você me entende.
– Entendi –respondeu o Capitão após soltar uma risada divertida, e Clint o acompanhou. – Vocês vão pela SHIELD? –quis saber.
– Ah, não, não. O Tony também vai levar os filhos para Nova Iorque, então ele mesmo se disponibilizou de nos levar –a voz de Clint estava tão firme que era impossível notar todo o nervosismo dele. – Acho que essa foi a primeira vez que eu não contestei uma decisão do Cabeça de Lata –brincou, fazendo Steve rir novamente.
– Bem, boa viagem para vocês então –desejou Steve, e depois de perceber que já estava praticamente atrasado, completou: – Agora eu tenho que ir, estou atrasado, como sempre.
– Claro! E mais uma vez, obrigado pela ajuda –respondeu o Gavião mais uma vez, enquanto observava Steve afastar-se lentamente.
Steve sorriu, e antes de dar as costas para Clint e seguir seu caminho de destino, replicou com certa ironia:
– Pare de me agradecer tanto, Barton, isto está me dando nos nervos.
Clint não conseguiu segurar uma nova risada diante das palavras irônicas e brincalhonas de Steve. O Gavião pensou em dar uma resposta à altura, mas como percebeu que o Capitão já estava longe, e mesmo sabendo que Steve não escutaria aquilo, tudo o que pode dizer foi:
– Até mais, Capitão.
Dito isso, Clint conseguiu visualizar Steve sair de suas vistas, sumindo de uma vez naquele extenso corredor. Em seguida, ele deu um longo e pesado suspiro, pensando como conseguiria contar para Natasha o encontro ocorrido entre Stella e Steve. Nenhum dos dois tinham sequer noção de que eram pai e filha, frente a frente pela primeira vez em anos, mas quais seriam as consequências de todas essas mentiras?
Enquanto pensava em tudo isso, Clint retirou seu celular do bolso da calça jeans e rapidamente digitou uma mensagem para Natasha.
“Já estamos a caminho do aeroporto para encontrar o Tony. Vejo você lá.
– C.”
Após isso, o Gavião ajeitou Stella sobre seu ombro de uma maneira carinhosa, tomando cuidado para não acorda-la, e finalmente começou a caminhar pelo corredor, deixando a SHIELD para trás.
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