National Anthem
27 Capítulo vinte e seis – Tormented
Notas iniciais
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“How can you see into my eyes like open doors?
Where I've become so numb?
Without a soul, my spirit's sleeping somewhere cold
Until you find it there and lead it back home
Wake me up inside (Save me)
Call my name and save me from the dark
Bid my blood to run, before I come undone
Save me from the nothing I've become”
Bring Me To Life – Evanescence
S.H.I.E.L.D.
Silêncio. Era tudo o que ele conseguia escutar.
— Não precisa ficar aqui se não quiser, é provável que ela não acorde agora — disse Bruce em certo momento ao perceber que Bucky continuava ali. Não estranhou esse fato simplesmente por aquele ser o melhor amigo de Steve, e mesmo que Stella não fosse acordar logo, ela precisaria de alguém que confiasse ao seu lado, já que acordaria confusa e assustada, provavelmente.
— Eu não vou sair daqui até ela acordar — respondeu o Soldado, sem olhar para Bruce, mostrando-se direto e mantendo seu olhar fixo em Stella, o que deixou o doutor um tanto aliviado pela resposta que escutou.
Banner não disse mais nada, apenas aquiesceu com a cabeça, sabendo exatamente como Bucky se sentia naquele instante, e a sensação de impotência não poderia ser pior. Jemma mostrava-se quieta demais, escutando com atenção a conversa entre os dois, o que intrigou Fitz, revezando seu olhar entre a cientista e Skye ao seu lado. Logo, Bruce aproximou-se devagar do Soldado, repousando suavemente sua mão no ombro dele em um gesto de compreensão, e assegurou:
— A Stella é uma garota forte e já passou por muita coisa, James, só precisa de um tempo para se recuperar. Mas ela vai ficar bem, não se preocupe.
Por incrível que pareça, aquela foi a primeira vez que Bucky não se sentiu incomodado pelo gesto de apoio tido pelo doutor, e então foi a vez dele aquiescer, querendo fielmente acreditar nas palavras ditas por Bruce. Em seguida, Banner conseguiu esboçar um singelo sorriso antes de dar as costas para Bucky e caminhar para fora da sala, e Jemma o seguiu.
A atenção do Soldado foi pega de surpresa quando Stella apertou sua mão com certa força e passou a respirar mais rapidamente, chegando até mesmo a assustá-lo. Ele a observou com a testa franzida. A ruiva continuava com os olhos fechados, mas apertou sua mão mais uma vez, e aquilo foi tudo o que precisava para ter certeza de que ela estava reagindo, não sabendo ao certo se de uma maneira positiva ou negativa, mas estava. Com isso, Bucky deixou um suspiro incrédulo escapar por seus lábios e chamou por Bruce.
O doutor voltou à sala o mais rápido que conseguiu, também incrédulo, afinal, não imaginava que Stella daria sinais de reação tão rápido assim. Mas o corpo da ruiva era uma caixa de surpresas, tudo poderia ser possível com ela. Ao se aproximar e parar ao lado dela, os dedos de Bruce foram de encontro ao pulso dela, notando estar acelerando pouco a pouco. Do lado de fora da sala, Fitz, Skye e Jemma voltavam a observar tudo com muita atenção, nervosos com a situação, assim como Bucky, que afastou-se de Stella com muita relutância apenas quando Bruce pedira, mas sem deixar de fitar a garota.
Notando que ela voltara a respirar normalmente, Bruce retirou a máscara de oxigênio do rosto dela, deixando-a o mais confortável possível. Afastou suas mãos com calma ao constatar os batimentos cardíacos da garota se elevarem pouco a pouco. Instantes depois, subitamente, Stella abriu os olhos de maneira abrupta, deixando Bucky surpreso, e ele não esperou por mais nada para aproximar-se de novo. Banner então começou a murmurar algo para ela acalmar-se quando a ruiva demostrou um estado de confusão em seus olhos. Mas ela parecia não escutar, estava assustada demais para escutar qualquer coisa. Percebendo isso, Bucky se posicionou ao lado dela e mais uma vez segurou sua mão, dessa vez não obtendo uma resposta de volta.
Os olhos verdes de Stella não possuíam o mesmo brilho de sempre, pareciam perdidos e esbanjavam medo. Logo, soltou a mão de Bucky em um gesto repentino, e ignorando todos os pedidos dele e de Bruce para ir com calma, a garota sentou-se sobre a maca com certa dificuldade. Olhou ao redor, sem conseguir entender o que estava acontecendo. Suas mãos então começaram a tremer e ela deixou um gemido de dor escapar por sua garganta ao sentir uma forte pontada em sua cabeça, mas quando o doutor e o Soldado tentaram se aproximar, Stella colocou-se na defensiva e os afastou.
— Me deixe em paz, fique longe de mim... — murmurou para eles enquanto encarava suas mãos trêmulas, a dor tornando-se mais forte pouco a pouco, incomodando-a ainda mais, e deixando os dois ainda mais preocupados e surpresos, também pelo fato dela não deixar que eles se aproximassem. Bucky ficou intrigado, sem saber o que fazer ao certo.
— Stella... — murmurou em resposta, mais uma vez tentando inutilmente se aproximar da garota, até que Bruce conseguiu perceber algo, e com isso, colocou seu braço na frente de Bucky, o impedindo de prosseguir enquanto ele o encarava com incerteza.
— Espere, ela está em algum tipo de transe, está sonhando com algo — explicou Bruce logo em seguida, e no mesmo instante, Bucky voltou a fitar a garota, enfim notando o porquê dos olhos dela estarem um tanto diferentes do habitual. Para comprovar sua teoria, Banner passou uma das mãos com cuidado sobre o rosto de Stella, e ela nem sequer se mexeu. Logo, com mais cuidado ainda, o doutor tentou aproximar-se enquanto perguntava: — Stella, o que você está vendo?
— Metal. Ele é feito de metal. Vai matar todos. Não posso, eu não consigo pará-lo, preciso fugir dele — resmungou a garota em resposta, assustando os dois com suas palavras.
— Quem é ele, Stella? — perguntou Bruce mais uma vez, notando a garota gemer de dor a cada vez que respondia aquelas perguntas, ainda parecendo presa em uma espécie de universo paralelo, sonhando, em transe.
— Ultron — respondeu simplesmente, fazendo com que um frio percorresse todo o corpo de Bruce, e no mesmo instante, ele deu alguns passos para trás, deixando Bucky ainda mais intrigado com a sua reação. O Soldado estranhou por Stella dizer aquela palavra pela segunda vez, e mesmo que não entendesse o que queria dizer, o fato deixou a situação ainda mais tensa. — Não... Não consigo pará-lo, não consigo — repetiu a garota, os olhos estáticos, e enquanto Stella elevava uma das mãos até sua cabeça em um gesto delirante, Bucky conseguiu ver algumas lágrimas se formando nos olhos dela. Lágrimas de desespero? Ou dor? Não sabia ao certo, mas preocupou-se ainda mais diante disso, e a reação de aversão tida por Bruce também o deixou mais curioso. O que diabos era Ultron?
Porém, o Soldado não conseguiu pensar em mais nada quando Stella gemeu de dor mais uma vez, chorando em seguida, sempre silibando a palavra “Ultron”. Em pânico, a feição mantendo-se séria, Bucky tentou aproximar-se mais uma vez da ruiva quando ela fechou os olhos e gritou, agora levando as duas mãos até a cabeça em um gesto novamente desesperado, comprovando a teoria de que havia uma dor muito forte ali.
Só então Bruce pareceu despertar, e assustado, também se aproximou de Stella, a qual continuava a manter suas mãos na cabeça, sendo vencida pelas lágrimas, gritando de dor sempre que se tornava insuportável. Bucky, por sua vez, não sabia o que fazer para ajudá-la, e odiava sequer vê-la sofrer daquele jeito, a situação estava lhe dando nos nervos.
— Saia... Saia da minha cabeça! — berrou ela em meio as lágrimas, puxando furiosamente os fios ruivos de seu cabelo, já não conseguia mais vencer a dor agonizante que corroía seu corpo, era como se sentisse estar em chamas. Mas muito pior. Bruce preocupou-se ainda mais quando um líquido rubro começou a escorrer do nariz dela, cobrindo a pele alva com a coloração vermelha, e com isso, o doutor chamou por Jemma. Cansado daquilo, de ficar parado ali, Bucky fez um pouco de força para tentar segurar os pulsos de Stella, impedindo-a de puxar os próprios cabelos antes que isso piorasse tudo. Mais um grito de dor, e mesmo de olhos fechados, a garota tentou se livrar das mãos de Bucky em seus pulsos, mas não conseguiu. A dor crescia cada vez mais, e sem forças para lutar contra ele, Stella sentiu-se desfalecer enquanto praticamente implorava, aos prantos: — Saia de perto de mim, saia da minha cabeça! Não... não! Dói... Isso dói muito! Faça parar, por favor, faça parar!
— Ei, Stella, se concentre na minha voz. Vai ficar tudo bem — pediu Bucky, nervoso, tentando inutilmente acalmá-la enquanto segurava seu rosto com certo receio, a obrigando a encará-lo, mesmo que ainda mantivesse os olhos fechados. Mas ele precisou segurá-la com um pouco mais de força quando Stella voltou a se contorcer e gritar de dor, as lágrimas podendo ser confundidas com o suor em sua face, levando-a a um quase estado de loucura. Bucky não viu outra escolha a não ser usar a força que fosse necessária para contê-la, tomando o máximo de cuidado possível para não a machucar em hipótese alguma, só queria vê-la livre daquele sofrimento. Atormentada e exausta, a garota cravou as unhas nos braços que a seguravam, gemendo de maneira dolorosa enquanto arfava de maneira descontrolada. Notando o estado preocupante dela mais uma vez, Bucky olhou de relance na direção de Bruce ao seu lado e manifestou-se novamente, com um pouco mais de firmeza: — Bruce, ela não vai aguentar por mais tempo do que isso. Se você for fazer algo, faça agora!
Bruce enfim pareceu entender e, sem esperar pela ajuda de Jemma, se agilizou para buscar um objeto específico em cima de uma pequena mesa encostada à parede. Logo, o doutor retirou a pequena tampa branca que cobria a agulha de uma seringa que agora carregava em suas mãos. Respirou profundamente ao voltar a se posicionar ao lado de Bucky, e então, segurou um dos braços de Stella e introduziu a agulha sobre a pele dela, inoculando um líquido transparente. Retirou o material pontiagudo com cuidado, e devagar, a ruiva começou a relaxar, os olhos ainda fechados, parando de se debater aos poucos, mas mantendo um singelo gemido, traduzindo a dor que diminuía com lentidão. Banner afastou-se o suficiente para que Bucky conseguisse amparar Stella, antes que ela desfalecesse em seus braços, voltando a dormir logo em seguida.
Apenas ao ter certeza de que Stella estava devidamente deitada de maneira confortável naquela maca, Bucky percebeu que Bruce havia injetado nela algum tipo de calmante ou sedativo, e só assim o Soldado conseguiu deixar um suspiro aliviado escapar, notando que agora ela apenas dormia um sono tranquilo, sem dores e sem choro. Então, ele levou as mãos à cabeça e voltou-se para o doutor, fitando-o com certa dúvida. Jemma chegou ao local logo em seguida, ainda um tanto chocada com a cena que presenciou ali.
— O que foi isso que você injetou nela? — perguntou Bucky instantes depois, e Jemma não pôde deixar de também ficar um tanto curiosa, por mais que desconfiasse que aquilo fosse algum tipo de sedativo. E de fato, era. Conseguiu sua confirmação quando Bruce balançou a cabeça de maneira positiva.
— Isso era um sedativo, vai fazê-la dormir de novo por certo tempo enquanto Jemma fará alguns exames nela. Irei mantê-la monitorada o quanto for necessário, qualquer alteração que acontecer eu vou saber, não precisa se preocupar — afirmou o doutor, deixando Bucky um pouco mais tranquilo em relação a situação de Stella. A simples possibilidade de vê-la sofrer daquela maneira novamente o fazia perder a capacidade de raciocinar direito. Bruce então voltou-se para Jemma e deu-lhe algumas instruções. A cientista concordou com um meio sorriso e logo começou a fazer o que ele havia lhe dito. Banner conteve um suspiro e observou Bucky mais uma vez ao admitir com certo pesar: — Falarei com a Natasha e o Steve o mais rápido possível. Eles precisam saber logo.
O Soldado manteve-se calado, mas aquiesceu, concordando plenamente com as palavras de Bruce. Com certeza, Steve e Natasha precisavam saber o que havia acontecido o mais rápido possível, sabia que a notícia iria devastá-los. Bruce então conseguiu sorrir levemente enquanto mantinha o olhar fixo em Bucky, ainda a sua frente. Ele, por sua vez, voltou a observar Stella de maneira preocupada, sentindo algo muito ruim o incomodar. A sensação de impotência por vê-la naquele estado e não poder fazer nada para mudar isso sem dúvida era a pior coisa que poderia presenciar. Mas havia algo a mais. Algo a mais que o incomodava, e precisava saber o que era. Pensando nisso, Bucky aproveitou que Bruce ainda estava ali e ergueu os olhos na direção dele, encarando-o com certa indiferença, cruzando os braços sobre o peito em um gesto um tanto impaciente.
— Você sabe de alguma coisa que nenhum de nós sabe — constatou Bucky com toda a certeza, sem medo nenhum, mostrando-se direto como sempre. Bruce estreitou o olhar, sem entender direito o que aquilo significava. Entretanto, o Soldado não se deixou descansar e perguntou de maneira direta, colocando Banner em uma situação difícil: — Ela disse algo, eu escutei... O que diabos é Ultron, Bruce?
No mesmo instante, o doutor engoliu em seco, mostrando que realmente estava escondendo algo. Mas por que não podia simplesmente dizer? O que havia de tão escondido ali? Bucky chegou até mesmo a se perguntar se Steve sabia de algo, mas julgou que não, afinal, o Capitão América nunca gostou de segredos. Não seria agora que isso iria mudar. O fato de Bruce continuar a manter tal segredo o deixava intrigado. Logo, Banner olhou ao seu redor, e tendo a certeza de que não havia mais ninguém ali, ele soltou um longo e profundo suspiro, sentindo o olhar constante de Bucky sobre si. Tentou controlar o nervosismo.
— Nada que eu possa lhe contar. Sinto muito, James — declarou Bruce logo em seguida, deixando firme sua posição em relação a tal segredo. E com a resposta dele, Bucky concluiu que realmente havia algo a ser escondido ou acobertado. Hesitante, o doutor aproximou-se mais um pouco e disse aos sussurros: — Isso é coisa do Tony, está sob sigilo, mas logo você saberá o que é. Todos saberão. Apenas peço que por enquanto esse assunto fique entre nós dois.
— Tudo bem — concordou Bucky, deixando Bruce surpreso, pois imaginou que ele não concordaria tão facilmente assim. Mas, por outro lado, agradeceu mentalmente àquilo. Pelo menos não precisaria se preocupar com explicações agora. Não agora. Ainda precisava ter uma conversa séria com Tony a respeito disso, principalmente de como Stella havia descoberto a palavra “Ultron”. Era um projeto sigiloso, então como havia descoberto? O Soldado pareceu perceber toda a inquietação de Bruce, entretanto, apenas concordou e deixou para lá. Por enquanto. Mais cedo ou mais tarde, descobriria o que era. E faria o que fosse necessário. No momento, se preocuparia apenas com Stella, o resto resolveria depois.
— Vou pedir para levarem a Stella a um local mais confortável. Você pode ficar com ela enquanto o Steve e a Natasha não chegam? Preciso conversar com Tony e não poderei ficar aqui — Bruce voltou a se manifestar, enfim despertando a atenção de Bucky, o qual o fitou com certa dúvida até entender suas palavras.
— Eu disse que não sairia daqui até ela acordar. Vou ficar — rebateu o Soldado, e Banner deixou-se sorrir levemente com a reação tida por ele. Logo, o doutor concordou com um meneio de cabeça e, dando as costas para Bucky, começou a caminhar para fora dali. Entretanto, antes que Bruce pudesse seguir seu caminho, Bucky o chamou de maneira rápida, e quando o doutor se voltou para ele mais uma vez, alertou por fim: — Não sei o que escondem, mas seja o que for, só tome cuidado com o que você e Tony estão se metendo. Pode não acabar muito bem, e isso nunca é bom.
— James, está tudo sob controle. Não há nada com o que se preocupar, posso lhe garantir isso — declarou Banner com toda a certeza que conseguiu, por mais que parte de si não acreditasse muito no que ele mesmo dizia. Apenas não sabia o porquê de sentir-se assim. Mas precisava deixar de lado, e assim o fez. Quanto antes falasse com Tony, melhor seria. Bruce esperou que Bucky se manifestasse, mas como ele simplesmente deu de ombros, preferiu deixar para lá, não iria interferir. Era mais sensato assim.
Bruce então voltou a seguir seu caminho, deixando o laboratório para trás e Stella aos cuidados de Jemma, rezando para que a presença de Bucky ali não fosse incomodar a cientista, afinal, ele sabia que o Soldado não sairia do lado de Stella por nada no mundo.
Por sua vez, Bucky o observou sair da sala, seguindo seus passos com o olhar e certa desconfiança. Àquela altura, qual era mesmo o verdadeiro significado da palavra “confiança”? Ele já não sabia mais. Não enquanto estivesse envolvido naquela teia de segredos, e agora que sabia que havia algo ali, não iria ser tão fácil de se livrar de tais segredos. Queria desvendá-los, essa era a verdade. Algo ali estava bem errado, e mal desconfiava que era apenas o começo de algo muito maior. Sua real preocupação era saber se estava preparado para tudo aquilo, e algo também lhe dizia que não estava tão preparado quanto imaginava estar. Era apenas o começo.
“Stay for as long as you have time
So the mess that we'll become
Leaves something to talk about
Hush-hush, don't say a word”
[...]
Nashville, Tennessee
O olhar atento da Viúva Negra examinava cada centímetro dos corredores cinzas que percorria com extrema rapidez, mantendo a feição rígida e ignorando o fato de ainda conseguir sentir dores por causa da bala alojada em seu braço, manchando o tecido escuro do uniforme com uma cor rubra.
Sempre atenta a qualquer movimento suspeito ao seu redor, Natasha seguia seu caminho para fora daquela base da HIDRA depois de enfim conseguir acabar com todos os agentes ali presentes. Ao seu lado, May a seguia na mesma velocidade, também atingida por algum tiro que a pegou desprevenida, sentindo o resultado de vários hematomas em seu corpo, não muito longe do estado da ruiva. Mesmo assim, as duas carregavam um sorriso vitorioso em seus rostos por estarem conseguindo destruir mais uma das infinitas bases da HIDRA. Devagar, iriam acabar com todas, e desejavam isso mais do que tudo.
Naquele momento, Romanoff se sentia de volta ao seu tempo de agente infiltrada, quando Melinda e Clint eram seus parceiros na SHIELD. Viu-se de volta a essa vida, não imaginando que May sentia isso também. A ideia a faz soltar uma discreta risada.
Entretanto, as duas pararam de caminhar no mesmo instante que cruzaram um outro corredor com uma bifurcação e escutaram duas vozes masculinas, carregadas por um sotaque russo, gritando com alguém que parecia ser uma criança, a julgar pelo choro assustado.
Natasha sentiu uma raiva lhe dominar, culpando-se por ter imaginado que todas as crianças mantidas reféns ali já haviam sido resgatadas por Steve e Sam. Pelo visto, estava enganada. Ainda havia mais dois malditos agentes vivos, e com esse pensamento, ela revirou os olhos, se preparando para dar fim a mais dois. Rezava para que fossem os últimos. Não que estivesse cansada ou algo do tipo, apenas porque queria sair daquele lugar o mais rápido possível. Por que sentia que havia algo muito errado acontecendo? Um aperto no peito a dominou, mas ela precisava se concentrar na missão, e com isso, tentou esquecer a angústia em sua cabeça.
Logo, May e Natasha se encostaram na parede mórbida do corredor que seguiam para que os agentes que continuavam a gritar não as vissem antes do previsto. A morena fechou a cara ao observar Romanoff, a qual soube exatamente o que precisava fazer. O sorriso que carregou por alguns milésimos de segundos desmanchou-se em um passe de mágica, voltando a ter a feição séria e mortífera, pronta para matar qualquer um que ousasse se meter em sua frente, e sabia que Melinda concordaria com ela.
— Tire a criança daqui e deixe os agentes comigo. Steve e Sam não terão muito tempo para tirá-las daqui em segurança, precisamos ser rápidas — murmurou May, mantendo seu olhar firme em Natasha enquanto retirava uma pistola do coldre em sua perna e a engatilhava, provocando certo barulho no ambiente. A ruiva se certificou de que os agentes não haviam notado nada, e ao ter certeza disso, voltou sua atenção para a outra ao seu lado, mostrando-se a mais concentrada possível quando May ousou brincar: — Isso me lembra nossa primeira missão juntas. É como nos velhos tempos, Romanoff.
Natasha revirou os olhos mais uma vez e reprimiu uma risada irônica enquanto Melinda arqueava as sobrancelhas e sorria de modo provocativo. A gritaria dos dois agentes tornou-se mais intensa, trazendo as duas agentes da SHIELD de volta ao foco principal daquele momento.
— Então acho que você e eu temos duas concepções muito diferentes da nossa primeira missão juntas, Mellie. Como nos velhos tempos — rebateu a ruiva no instante seguinte, fazendo com que a outra desse de ombros de maneira divertida, odiando o fato de ter escutado aquele maldito apelido depois de tantos anos. E enfim, foi a vez de Natasha retirar a arma do coldre em sua cintura, engatilhando-a logo depois. Ela respirou profundamente enquanto May fechou os olhos por certo tempo. Depois disso, as duas se entreolharam, concordando mentalmente uma com a outra, e fora a vez de Romanoff perguntar: — Está pronta?
Como resposta, a ruiva recebeu um sorriso um tanto irônico, o que, vindo de May, realmente não era nada fácil de ser visto. Mas ela a conhecia muito bem, sabia que sua ex-parceira não era tão fria e insensível como diziam ser, Natasha sempre conheceu o lado mais... atencioso dela. Existia, por mais que negassem.
Elas seguiram devagar pelo corredor que estavam, se aproximando mais ainda da bifurcação. Logo, sem esperar por mais nada, Melinda empunhou sua arma e seguiu com rapidez na direção dos dois agentes, dando cobertura para que a Viúva Negra enfim conseguisse invadir a pequena sala que a criança estava sendo mantida presa. Natasha escutou a chuva de tiros explodir, e nesse instante, foi quando chutou a porta à sua frente e adentrou a sala em questão, agora deixando May por conta própria, mas claro que sabia que ela daria conta, afinal, a Cavalaria nunca decepcionava.
Ao entrar, Romanoff encontrou mais um agente da HIDRA ali, e em um gesto rápido e sem dar chances de defesa, ela atirou na direção dele, o acertando em cheio na testa, fazendo com que fosse ao chão logo em seguida. A ruiva olhou ao redor apenas para garantir que não havia mais ninguém no local, e enfim, encontrou a tal criança, uma menina, que na verdade não era tão pequena quanto imaginava ser. Parecia mais uma adolescente em seus 15 anos de idade.
Com as mãos e os pés amarrados, presa em uma espécie de jaula metálica, chorando e assustada, foi assim que Natasha a encontrou dentro da sala. A garota era branca, de olhos castanhos e cabelos quase escuros, seu rosto possuía vários hematomas roxos e marcas de sangue, vestia uma camiseta e calça brancas, ambas sujas e tingidas por uma cor vermelha em alguns pontos, enquanto uma marcação com um código de barras era vista em seu braço esquerdo, fato que deixou Romanoff intrigada. Notando que a morena a observava com susto, Natasha tratou de sorrir e aproximar-se lentamente na direção dela. Mas para sua surpresa, à medida que a ruiva se aproximava, a garota também se aproximava, querendo sair daquele lugar a todo custo, lutando para permanecer viva, e por alguma razão, confiou em Natasha.
— Não se preocupe, tudo bem? Vou tirar você daqui — garantiu Romanoff, tentando manter o sorriso mais confiante que conseguiu. Percebeu que os tiros do lado de fora cessaram, e as vozes dos dois homens agora se resumiam a gemidos de profunda dor. Imaginou que May realmente estava os fazendo sofrer, e gostou disso, eles mereciam sofrer. Voltando a se concentrar na garota, Natasha chegou mais perto da tal jaula de metal e, com certo esforço, conseguiu quebrar o cadeado que a mantinha fechada. A garota assustou-se mais uma vez, mas a Viúva Negra ergueu as mãos em rendição, mostrando que estava ali para ajudar. Ao ver que a garota balançou a cabeça de maneira positiva, a agente se agilizou e desamarrou as mãos e os pés dela com certa destreza, ajudando a sair daquela jaula e ficar de pé com certa dificuldade, notando que havia mais sangue escorrendo de seus braços. A respiração dela estava agitada e os olhos aterrorizados. — Qual seu nome? — perguntou em seguida enquanto tentava sorrir mais uma vez na direção da garota, puxando assunto para conseguir acalmá-la e sair dali o mais rápido possível.
— Rikki. É apelido para Rebecca — respondeu a garota logo em seguida, sua voz estando rouca o suficiente para preocupar Natasha, falando tão rápido que se atrapalhou em algumas palavras. A ruiva tentou acalmá-la mais uma vez quando novos tiros foram escutados do lado de fora, fazendo Natasha estranhar. Então havia mais malditos agentes ali? Mas não se preocupou, afinal, tinha plena consciência de que May daria conta sem nenhum problema.
— Tudo bem, Rikki, está tudo bem. Sabe onde estão seus pais? — quis saber Natasha, continuando a fazer aquelas perguntas como uma maneira de esperar que a barulheira do lado de fora enfim cessasse. Não poderia sair dali enquanto os tiros continuassem, estaria expondo a vida de Rebecca de forma imprudente. Por um segundo, ao escutar a pergunta dela, a garota engoliu em seco, claramente incomodada em falar sobre o assunto.
— Eles.... Eles os mataram. Mataram todos, toda a minha família. Restou apenas eu e John, meu irmão, mas o levaram para longe. Acho que ele também está morto — informou Rebecca, lutando contra si mesma para não voltar a chorar, sentindo uma leve dor começar a incomodá-la, provavelmente por causa dos ferimentos em seus braços. Romanoff percebeu toda a dor da garota e segurou as duas mãos dela, a consolando da maneira que conseguiu.
— Desde quando eles estão mantendo você presa aqui? — perguntou Natasha novamente, intrigada, querendo saber um pouco mais sobre a história daquela garota. Rebecca sentia seu coração bater ainda mais rápido a cada tiro que escutava vindo do lado de fora. Por algum motivo, não conseguia acreditar que estava totalmente segura. Não até sair dali.
— Já faz alguns anos, depois da morte dos meus pais — disse a garota com certa dúvida, e a resposta dela assustou Natasha, a qual agora imaginava o quanto ela havia sofrido nas mãos da HIDRA. Mas pelo menos, agora tiraria Rebecca dali, e com sorte, a SHIELD poderia ajudá-la, sabia que Coulson faria tudo o que pudesse. A morena voltou a sentir dores por todo o corpo, e com isso, não conseguiu ficar calma por tanto tempo assim. Ela tremia.
— Rikki, eu preciso que você fique calma e me responda uma última coisa, para que assim eu e os meus amigos que estão nos esperando lá fora possamos identificar você e seu irmão. Acha que pode fazer isso? — Romanoff questionou com cautela enquanto Rebecca fazia força para tentar se acalmar, e com isso, a garota fez um sinal positivo com a cabeça, concordando. Natasha sorriu, segurou o rosto dela com as duas mãos e olhou-a nos olhos, transmitindo confiança que sabia que precisaria. Enfim, perguntou: — Consegue lembrar seu nome e do seu irmão completos?
— Sim. Rebecca e John Barnes — redarguiu a garota, e por um segundo, ao escutar aquilo, Natasha sentiu seu sangue gelar nas veias. Havia escutado certo ou estava apenas delirando? Ela já não sabia mais, apenas perdeu a noção de tudo por alguns instantes, fazendo com que Rebecca a olhasse estranho, perguntando se estava tudo bem. O sobrenome da garota ecoou em sua mente, provocando um choque em seus pensamentos. Se era quem dizia ser, precisava avisar a Steve o mais rápido que conseguisse, e logo, sabia que agora possuía uma enorme complicação em suas mãos. Como resolveria aquilo?
— Certo, você.... Deus do céu, Rikki, tem certeza disso? — Natasha quis ter certeza apenas para comprovar suas teorias, que à sua frente, havia sim uma descendente de quem imaginava com desgosto. Com certeza, o destino gostava de brincar com a Viúva Negra. Rebecca afirmou com a cabeça novamente, respondendo à pergunta dela e ainda não entendendo o porquê da reação exasperada dela. Entretanto, Natasha tentou voltar a se manter firme e, ao respirar profundamente, voltou-se para Rebecca mais uma vez, dizendo: — Tudo bem, vou tirar você daqui e vamos resolver esta situação. Vamos proteger você e ninguém mais vai te machucar, pode confiar em mim. Preciso que confie em mim.
Os barulhos de tiros acabaram, provocando certo silêncio do lado de fora, e nessas situações, a Viúva Negra nunca gostava de silêncio. Três batidas seguidas foram escutadas na porta, e com isso, Natasha teve a confirmação de que tudo estava livre, graças à May. A ruiva sorriu de maneira confiante para Rebecca antes de abrir a porta com cautela, revelando a imagem de Melinda, suada, com a respiração desregulada e mais escoriações sobre seu rosto. Mas ela estava viva, o importante era isso. Logo, a agente deixou seu olhar cair sobre a garota ao lado de Romanoff, fazendo com que ela observasse May com curiosidade.
— Você está bem aí, garota? — perguntou May apenas por educação, e um tanto assustada, Rebecca apenas balançou a cabeça positivamente. A agente dignou-se a sorrir torto, e em seguida, voltou-se para Natasha, a qual carregava um olhar apreensivo, mesmo que a garota ao seu lado estivesse completamente segura. Algo a incomodava, estava claro demais. Mas Melinda ignorou tudo isso ao informar: — Não tem mais ninguém no prédio, precisamos sair agora. Steve e Sam já conseguiram tirar as outras crianças daqui, estão apenas esperando por nós.
— Ótimo, então vamos sair logo desse inferno. Ainda tenho mais um problema para resolver com Steve — redarguiu Natasha, provocando certa dúvida em May. Mas ela apenas deu de ombros, e rapidamente, continuou a seguir seu caminho. Romanoff segurou uma das mãos de Rebecca e enfim saiu da sala levando a garota consigo, seguindo May pelos corredores daquela base.
Ao enfim chegaram à saída, Natasha encontrou o Capitão América e o Falcão terminando de embarcarem os outros reféns em um dos jatos da SHIELD, enquanto Melinda logo foi em direção ao outro Quinjet ali estacionado, já pronto para tirá-los dali o mais rápido possível, enquanto Mack iria conduzir o jato com os reféns. Sam aproximou-se de Natasha com a intensão de levar Rebecca até os outros reféns, mas a garota hesitou, e com isso, Romanoff foi obrigada a tentar acalmá-la novamente, dizendo que podia confiar em Sam. Rikki pareceu acreditar, e então, o Falcão esboçou um sorriso na direção dela e a conduziu lentamente em direção ao jato, sumindo pouco a pouco das vistas da ruiva.
Suspirando profundamente, Natasha deixou um sorriso escapar, e olhou para os lados a procura de Steve. O encontrou a alguns metros, falando ao telefone com quem imaginou ser Coulson. Mas pela feição preocupada de Rogers, era algo muito sério.
Movida pela curiosidade e sentindo seu coração doer novamente, Natasha aproximou-se do Capitão e, quando ele enfim terminou a ligação, ela cruzou os braços contra o peito de forma abrupta, praticamente exigindo respostas. Ela, de fato, tinha algo importante para dizer, mas diante do modo que ele estava agindo, o outro assunto poderia esperar.
Steve engoliu em seco, parecendo nervoso, sem saber exatamente como dizer aquilo se nem mesmo ele conseguia controlar toda a preocupação que o dominou naquele instante. Mal sabia como reagir, para dizer a verdade. Angústia, medo, agonia, aflição... Era tudo o que conseguia sentir. E sabia que, no momento que dissesse aquilo para Natasha, ela não reagiria tão bem. Não quando o assunto era Stella, nenhum dos dois reagia bem. Principalmente com algo ruim.
— Fala logo de uma vez, Steve. O que aconteceu? — indagou Natasha ao aproximar-se mais um pouco do Capitão, começando a perder a paciência com aquele maldito silêncio vindo dele.
Steve engoliu em seco mais uma vez, agora segurando as duas mãos trêmulas da ruiva, preparando-se para dizer o que precisava dizer, tentando a todo custo controlar sua respiração agora desregulada, impossível de permanecer calmo.
— O Coulson acabou de me ligar, ele estava estranho no telefone, disse que o Bruce já estava cuidando disso. Algo aconteceu com a nossa filha. A Stella não está bem, Nat — informou finalmente, e por um segundo, Natasha sentiu como se o chão lhe faltasse sob os pés, já não conseguia mais respirar direito, não conseguia mais sequer pensar direito. Sua mente vagava apenas no nome de Stella, imaginando o que diabos havia acontecido. Ela sabia que este dia chegaria, depois de tantos avisos de Bruce, sabia que uma hora Stella iria piorar, e agora se sentia culpada por Steve não saber disso. Mas aquilo não importava agora, apenas precisava vê-la, precisava ter certeza de que iria sobreviver.
— Nós precisamos voltar agora, Steve. Eu quero ver a minha filha! — vociferou a ruiva, deixando bem claro que não iria se acalmar até estar de volta à SHIELD e ao lado de Stella, e não precisava ir muito longe para saber que Steve também queria isso. Entretanto, por mais que estivesse tão nervosa quanto ele, Natasha também sabia que precisava dizer algo importante, algo que não podia esperar. Logo, Romanoff tentou acalmar-se o necessário e ergueu o olhar na direção dele, soltando suas mãos ao mesmo tempo em que afirmava sem muita paciência: — A garota que estava comigo. Ela.... Nós temos outro problema.
— Como assim? — perguntou Steve, tornando a ficar sério e nervoso, sem saber exatamente o que Natasha queria dizer com aquilo.
— O seu melhor amigo. Eu ainda não sei como, mas aquela garota tem o mesmo sobrenome dele, Steve. Aquela garota ali se chama Rebecca Barnes — disse ela por fim, fazendo com que o Capitão se espantasse com a informação que acabara de receber, tentando raciocinar se aquilo era mesmo possível. Natasha não se admirou, ele estava tão confuso quanto ela. E em meio ao caos que estavam desde a notícia sobre Stella, a situação piorou ainda mais.
É claro que Steve sabia que Bucky tinha uma irmã com o nome de “Rebecca”, lembrava-se dela como se fosse hoje, o quanto seu melhor amigo era superprotetor em relação a irmã, parecia que estava fazendo uma viagem ao tempo. Um tempo onde tudo era mais fácil, ou melhor, menos complicado. Mas a dúvida era inevitável. Se Rebecca, a verdadeira irmã de Bucky, havia morrido tempos atrás, quem era aquela garota com o mesmo nome e sobrenome?
Precisava descobrir logo, afinal, nem sabia ao certo se Bucky sequer lembrava que tinha uma irmã. E se não lembrava, Steve teria coragem de fazê-lo sofrer de novo toda a dor de quando a perdeu? Algo ele precisava fazer, só não sabia ao certo o que. Sentia que não teria tanto tempo assim para decidir. Como se já não bastasse todos os problemas, toda a confusão que Bucky ainda sentia de vez em quando, também precisaria lidar com tudo isso. Não sozinho, isso nunca faria.
Rogers fechou os olhos por um instante enquanto Natasha voltava a ficar nervosa, trazendo à tona o que realmente sentia. A preocupação, o medo, a angústia. Agora, tudo o que queria era ver sua filha, não conseguia pensar em nada mais.
“What if this storm ends?
And leaves us nothing
Except a memory
A distant echo”
[...]
Torre Stark
Os passos de Bruce Banner eram rápidos e precisos, e a essa altura, nem sabia mais se estava no caminho certo. Parecia inquieto, como se algo estivesse o incomodando profundamente, e essa inquietação possuía um único nome, uma única palavra. O que era para ser um segredo, não parecia mais tão segredo assim. Em seus pensamentos, Bruce imaginava as piores teorias possíveis, mergulhado em milhões de possibilidades que chegavam até mesmo a serem ridículas, em sua concepção.
Depois do que havia presenciado com Stella, não se admiraria com outra surpresa ainda pior. Mas claro que, antes de qualquer coisa, precisava discutir com Tony o rumo que o sigiloso projeto estava tomando. Um rumo que não pensou, um rumo que o assustava. Valeria mesmo a pena?
— Precisamos conversar — inquiriu Bruce ao adentrar o laboratório de Tony sem ao menos esperar que Jarvis avisasse sua chegada ali. Conhecia o amigo que tinha, não precisava avisar nada, a não ser em algo muito necessário. Mesmo assim, Tony se sobressaltou ao escutar a voz de Banner. Estava tão distraído com o conserto de uma de suas armaduras que nem sequer escutou os passos de Bruce.
— Ei, Brócolis! Eu também queria mesmo conversar com você, mas não precisava me assustar dessa maneira. Até parece que viu fantasma — brincou Tony ao virar-se na direção de Banner e o encarar com certa ironia. Mas ele estreitou o olhar sobre o amigo ao perceber que ele continuava sério, parado na porta do laboratório com os braços cruzados sobre o peito. Com isso, o Homem de Ferro levantou-se de onde estava sentado e passou a aproximar-se de Bruce, brincando mais uma vez: — Você não viu um fantasma mesmo, não é? Porque isso seria realmente muito impressionante até mesmo para mim, já que eu nunca....
— Tony, Eu não vi nenhum fantasma, ok? — ele o cortou antes mesmo que Stark pudesse continuar com seu discurso regado à ironia. Soltou um suspiro apreensivo.
— Como você é sem graça, Banner. Até parece que não sabe brincar — devolveu Tony no instante seguinte, mas o sorriso que carregava em seus lábios desde então se desmanchou à medida que observava o olhar de Bruce com mais atenção. Não demorou muito para que Stark admitisse a contragosto: — Espera.... Eu conheço esse seu olhar aí.
— Que olhar, Tony? Não tem nada de errado com o meu olhar — rebateu Bruce, um tanto sem paciência, fazendo com que Tony revirasse os olhos.
— Esse seu olhar de quando você quer me dar uma bronca, ou me dizer que está havendo algum problema. Um problema muito sério, na maioria das vezes — explicou Stark enquanto saía do laboratório e ia em direção à sala de estar, sendo seguido por Bruce, o qual mantinha o rosto travado e os braços cruzados sobre o peito. Estava nervoso, era fácil de se notar. E então, ao se servir com a quarta dose de whisky só naquele dia, Tony enfim voltou-se para Bruce, agora de pé próximo a enorme janela da sala, e mostrou-se direto: — Desembucha, verdão. O que diabos aconteceu dessa vez?
Um silêncio mortal se fez presente até que Bruce suspirasse de maneira profunda, tomando coragem para dizer de uma vez o que havia acontecido e o que o preocupava. Logo, o doutor ergueu os olhos na direção do outro e, engolindo em seco, disse o que Tony menos esperava escutar em todo esse tempo. Nunca sequer imaginou que isso aconteceria, e escutar tais palavras foi como ter seu cérebro jogado para outra dimensão. Banner tentou utilizar uma maneira mais sutil de dizer aquilo, mas não havia como, e tudo o que conseguiu foi:
— Ela descobriu, Tony. De algum jeito, a Stella descobriu algo sobre o Projeto Ultron.
“I've got no strings to hold me down
To make me fret, or make me frown
I had strings but now I'm free
There are no strings on me”
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