National Anthem
4 Capítulo três – Goodbye
Notas iniciais

“You want your independence
But you won't let me let you go
You think that you're the sun
The whole world revolves around you
And everything is drawn to you
But I'll take my time if you want to
I'll give you whatever you need
I would wait a lifetime, and I would wait for you”
Center Of Attention – Jackson Waters
Os raios de sol iluminavam o quarto enquanto uma brisa fria balançava levemente as cortinas do ambiente. Steve acordou naquela manhã que 1° de janeiro sentindo-se incrivelmente feliz, como se seu coração estivesse voltando a pulsar novamente, de uma maneira diferente. Depois de tanto tempo, estava se sentindo completo, apaixonado. Seus olhos azuis brilhavam avidamente, e ao sentir a ruiva em seus braços se mexer levemente, um sorriso de satisfação desenhou-se em seus lábios.
Quando Natasha finalmente despertou, a primeira coisa que conseguiu visualizar ao abrir os olhos foi a imagem de Steve, a seu lado, encarando-a. Mesmo com a visão ainda um pouco embasada, ela percebeu o sorriso na face do loiro. Ao vê-lo ali, com o corpo tão perto do seu, com os braços fortes ao redor de seu corpo, protegendo-a e aquecendo-a, ela sentiu seu rosto se iluminar, seu coração bater aceleradamente, seus olhos brilharem apaixonadamente.
Naquele momento, ela não era a Viúva Negra e ele não era o Capitão América. Sem máscaras, sem mentiras, sem negação, eram apenas humanos, descobrindo um novo sentimento que estava nascendo. Amor. Completamente apaixonados um pelo outro, como um verdadeiro casal, simplesmente juntos, sem se importar com os problemas que teriam que enfrentar.
Os olhares dos dois se encontraram, e ali, expostos ao forte sentimento que os unia, palavras não eram necessárias para descrever tamanha paixão entre Natasha Romanoff e Steve Rogers. Um herói, uma heroína, e uma relação prestes a ser iniciada. Viúva Negra e Capitão América, apaixonados um pelo outro. Não havia mais nada a ser dito.
Olhar com olhar, os dois suspiraram ao mesmo tempo, e o desejo que os acolheu durante toda a madrugada de Ano Novo já estava novamente presente nos olhos azuis cobalto dele e nos olhos verdes esmeralda dela, possuindo timidamente suas mentes, pouco a pouco, esquentando seus corpos cada vez mais e mais.
Um silencio se instalou, e depois de admirar Natasha por um bom tempo, Steve sorriu.
– Escuta, Nat, se você estiver arrependida pelo o que... –ele corou levemente, disfarçando um sorriso divertido. – Pelo o que nós dois fizemos ontem, eu quero que saiba que se quiser esquecer o que aconteceu entre a gente...
– Sabe, Capitão, as vezes você tem a péssima mania de falar demais... –ela o interrompeu antes mesmo que Steve pudesse terminar sua frase, e então, sem mais conseguir esperar, juntou seus lábios nos dele, beijando-o avidamente.
Ofegantes, os dois afastaram-se lentamente um do outro, e seus olhares se encontraram mais uma vez. O rosto de Natasha ainda estava muito próximo de Steve, e ele conseguia sentir a respiração quente da ruiva em sua face. O Capitão não conseguiu resistir e depositou um beijo leve e suave nos lábios dela uma outra vez. Em seguida, a Viúva Negra sentou-se na cama, apoiando as costas na cabeceira, trazendo o lençol consigo e o enrolando em volta do próprio corpo. Steve, por sua vez, mexeu-se levemente sobre a cama, apoiando-se sobre os cotovelos e ficando em uma posição que conseguisse manter seu olhar fixo em Natasha.
– Então isso quer dizer que... –ele sorriu, arqueando as sobrancelhas e dando um sorriso malicioso na direção dela.
Natasha não conseguiu conter um risada, e depois de algum tempo, voltou a olhar profundamente nos olhos de Steve. Mordendo o lábio inferior, ela tentou disfarçar o desejo palpável que se instalava novamente em sua mente.
– Sim, Steve, é isso mesmo –ela fez uma pausa, dando um longo suspiro, parecendo procurar as palavras certas. – Eu... eu realmente quero descobrir o que é esse sentimento entre nós. Quero muito ver aonde isso irá nos levar –declarou em seguida.
– Ótimo, porque eu também estou disposto a descobrir o que há entre a gente –o loiro sorriu levemente, ainda encarando Natasha. – Porque não tentar, Nat? O que nós temos a perder, afinal? –questionou ele.
– Você está completamente certo. Então, vamos tentar –respondeu ela, completamente segura da escolha que estava tomando.
Steve não conseguia pensar em mais nada naquele momento. Tudo o que conseguia imaginar era como seria maravilhoso ter uma relação série com Natasha, e era isso que ele realmente queria. Ele desejava avidamente tê-la a seu lado, queria faze-la feliz acima de tudo. E isso, seria exatamente o que faria. Pois ele a amava, a amava demais, e finalmente percebeu o quão estava apaixonado por Natasha Romanoff. Completamente apaixonado.
Pensando nisso, o Capitão nada respondeu. Ao contrário, simplesmente aproximou-se devagar de Natasha, deixando seus corpos a centímetros de distância. Percebendo a respiração dela se acelerar, Steve estampou um sorriso em seus lábios, segurou o rosto macio de Natasha entre as suas mãos, enquanto ela fechava os olhos, lentamente. E quando menos esperou, a ruiva tomou o controle da situação e o beijou com ímpeto, trazendo-o para mais perto de si.
Passaram longos minutos novamente sentindo o gosto dos lábios um do outro, e então afastaram-se devagar, ofegantes, mas seus rostos ainda próximos, as testas apoiadas uma na outra. Abriram os olhos ao mesmo tempo, seus olhares se cruzaram uma outra vez, causando uma onda de arrepios em ambos.
Natasha desenhou um sorriso em seus lábios, repleto de ironia, e subitamente, apoiou as mãos sobre o tórax de Steve, afastando-se com certa lentidão. Sentindo o olhar do Capitão a seguir, a ruiva finalmente levantou-se da cama, e quando encontrou a camisa de Steve jogada pelo chão, a vestiu rapidamente. Passou as mãos pelos cabelos, tentando inutilmente arruma-los de uma maneira sofisticada. E então, começou a caminhar até a porta, dando passadas leves e sensuais.
Steve não entendeu o que a ruiva estava pensando em fazer, mas antes que Natasha pudesse sequer pensar em abrir a porta, ele indagou, de uma maneira divertida:
– Ei! Aonde você pensa que vai?
Dito isso, o Capitão levantou-se da cama em uma velocidade extraordinária, e começou a aproximar-se lentamente da ruiva parada próxima a porta. Natasha parou imediatamente, não conseguiu conter sua vontade, e logo seu olhar caiu sobre o corpo forte e másculo de Steve, voltando a provocar arrepios em seu corpo e sua respiração se acelerar. Ela mal teve tempo de pensar em algo para falar, pois quando chegou ainda mais perto dela, Steve segurou seu rosto e a beijou com fervor, fazendo com que Natasha cambaleasse para trás, encostando as costas na porta.
Ao afastar-se, Steve conseguiu perceber um sorriso de satisfação brotar nos lábios de Natasha, e enquanto começou a dar alguns passos para trás, perguntou novamente, irônico:
– Aonde você pensa que vai, Nat?
A ruiva não conseguiu conter uma risada, e ainda tentando controlar sua respiração, replicou:
– Eu não tenho culpa se você é insaciável, me deixou cheia de fome.
Dessa vez, foi a vez do Capitão rir, e em seguida, rebateu com certo divertimento:
– Ah, eu sou o insaciável? Não foi isso o que você disse durante a noite, Nat.
Natasha o olhou incrédula, e novamente replicou:
– E ainda é um tarado!
Steve Rogers sorriu com ironia, voltou a caminhar até a cama, sentou-se, e apoiou as costas sob a cabeceira, ainda com o olhar sobre Natasha, que permanecia parada. Ele cruzou os braços acima do peito, observando todas as feições no rosto da ruiva. Ela finalmente pareceu despertar para a realidade, e também sorriu.
– Lhe dou tem cinco minutos. Depois disso, se você não voltar para esse quarto, eu mesmo vou te buscar –brincou ele, fazendo-a rir mais uma vez.
– Que prepotência é essa, Rogers? Desse jeito você acaba com a minha fama –ela rebateu, brincalhona.
Natasha então lançou seu melhor sorriso sedutor para Steve, em seguida deu as costas para ele, e ao ouvir a risada suave dele, aproximou sua mão da maçaneta da porta, abrindo-a com todo o cuidado possível. Deu uma boa olhada no corredor, e quando garantiu que não havia ninguém ali naquele momento, ela deu um passo à frente, deixando o quarto para trás. Em seguida, começou a caminhar até a escada com o intuito de ir até a cozinha.
Mas assim que botou os pés no primeiro degrau da escada, deu de cara com Tony, que vinha na direção oposta. O moreno ainda vestia um pijama moletom, seu rosto estampava sono, e ele carregava uma pequena xícara de café presa entre os dedos. Ao levantar o rosto e perceber Natasha a sua frente, deu um sorriso acolhedor. Entretanto, quando visualizou as vestes da Viúva Negra, seu sorriso automaticamente tomou um tom debochado. A olhou de cima a baixo, estudando-a dos pés a cabeça
Tony arqueou as sobrancelhas, e indagou, de uma maneira irônica.
– Bom dia, ruiva! Já vi que a noite foi boa, hein?
Natasha sentiu seu rosto ferver, e automaticamente, rebateu, com o intuito de mudar de assunto:
– Porcaria, Stark! Quer me matar de susto?!
O Homem de Ferro riu quando percebeu o constrangimento aparente dela, e vendo que ela estava desconversando, ele deu de ombros e voltou a subir as escadas. Caminhou pelo corredor, sendo seguido pelo olhar de Natasha, e quando parou em frente ao seu quarto e de Pepper, abriu a porta com muito cuidado, mas antes de adentrar no recinto, voltou seu olhar mais uma vez para a ruiva, e disse, com ironia:
– Camisa legal, ruiva. Caiu muito bem em você.
Dito isso, Tony não conseguiu conter uma risada enquanto Natasha o fuzilava com o olhar, completamente constrangida com tal situação. Depois disso, o moreno entrou no quarto, deixando Romanoff completamente sozinha novamente. Ela revirou os olhos, amaldiçoando mentalmente Tony de todas as maneiras possíveis. Bufou com certa raiva, e então, voltou a descer as escadas a passos firmes.
[...]
Semanas depois
Estava em seu apartamento naquela noite fria e cálida de janeiro. Caminhava de um lado para outro, tentando acalmar-se, inutilmente. Na sala de estar, Natasha não conseguia pensar em outra coisa senão o resultado que havia recebido a pouco. Parecia não acreditar ainda, não queria acreditar, não conseguia acreditar. Parte de si queria largar tudo e voltar a chorar, mas não. Tinha que fazer aquilo, precisava, antes que mudasse de ideia. Permaneceu forte, agarrando-se ao instinto de parar de chorar. Estava cansada da sensação de impotência que nunca lhe abandonava.
Natasha havia acabado de tomar um demorado banho, seus cabelos ruivos ainda estavam um pouco molhados, e seu corpo, frio. Vestia-se casualmente, uma calça moletom preta junto de uma camisa cinza colada ao corpo. Os pés descalços contra o chão davam-na uma sensação boa. Seus olhos estavam levemente inchados e continham olheiras aparentes por debaixo. Sua aparência demonstrava um enorme cansado. Preocupação, talvez. Até mesmo medo.
Estava nervosa, e a espera estava sendo uma verdadeira tortura psicológica.
Caminhou até a grande janela na sala, e ali ficou por um bom tempo, contemplando o vai e vem de carros, as luzes da cidade, os altos prédios ao seu redor. Seu apartamento era acolhedor. Simples, mas ainda assim, sofisticado, localizado em uma das melhores regiões de Washington. Ela gostava dali, por incrível que pareça, sentia-se acolhida naquele lugar, sentia-se em casa.
Verificou o horário pela terceira vez, depois de ter feito esse mesmo gesto minutos antes.
A ruiva deu um longo suspiro, afastou-se da janela e voltou a caminhar de um lado para o outro daquela sala, remoendo-se cada vez mais e mais, pensando nas consequências que levaria até o fim de sua vida. Culpa. Sim, já sentia-se mil vezes culpada, e provavelmente, iria se sentir mais culpada ainda até o final daquela noite. Daquela maldita noite.
Então, a campainha tocou, despertando subitamente a atenção da ruiva, e automaticamente, fez com que seu coração batesse mais rápido. Ela podia sentir seu tórax subir e descer descontroladamente, a respiração entrecortada. Percebeu que havia chegado a hora.
Caminhou a passos lentos até a porta, mal se aguentando em pé, quando a campainha novamente tocou. Colocou sua mão tremula sobre a maçaneta, suspirou pesadamente, tentando se recompor. Tentando parecer bem, mas ela estava muito longe de estar bem.
Quando a porta foi aberta, seu olhar logo caiu sobre o loiro parado a sua frente. Demorou algum tempo para Steve Rogers perceber que a porta do ambiente foi aberta, mas ao perceber, levantou seu olhar rapidamente, encarando Natasha com certa admiração. Suas mãos suavam, seu coração batia acelerado. O Capitão vestia uma calça jeans escura, acompanhada de uma camisa simples de cor verde escuro e um all star preto.
– Oi, Nat –disse, ao olhar diretamente nos olhos dela. O sorriso de Steve se dissipou ao notar o estado em que ela se encontrava. – Sua aparência não está boa. Você está bem? Está doente? –preocupou-se.
“Não, eu estou grávida e você vai ser pai. Meus parabéns!” –pensou, mas tudo o que conseguiu responder foi:
– Sim, estou. Mas não é nada grave, não se preocupe.
Tal notícia deixou Steve um pouco mais aliviado, mas ainda preocupado, não pelo estado de Natasha em si, pois agora já sabia o porquê dela estar visivelmente mal, mas sim pelo fato da ruiva ter ligado para ele de uma hora para outra e dizer que precisava urgentemente conversar. Demorou pouco tempo para o Capitão deixar o QG da SHIELD e ir para o apartamento da namorada.
Natasha e Steve estavam oficialmente juntos a duas semanas, e tudo estava perfeito. Pelo menos, não mais.
Um silencio se instalou entre os dois, que permaneciam olhando um para o outro, sem dizer absolutamente nada.
– Então, você vai me convidar para entrar ou nós vamos ter essa conversa aqui mesmo no corredor? –perguntou ele, depois de um tempo.
Natasha pareceu enfim despertar com a ajuda da voz de Steve lhe chamando, e enfim, respondeu:
– Ah, claro, me desculpe. Entra por favor.
Antes, o loiro aproximou o rosto de Natasha e a beijou sutilmente nos lábios. Feito isso, Steve finalmente adentrou o apartamento dela, percorrendo com o olhar o ambiente tão conhecido por ele. Sem cerimônia, sentou-se sobre o sofá de uma maneira relaxada. Logo, a ruiva juntou-se ao Capitão, e sentou-se ao lado dele. Deixou o corpo cair levemente para a frente. Apoiou os cotovelos sobre os joelhos, aninhando o rosto sobre as costas das mãos. Ela virou o rosto com o intuito de observá-lo, e Steve também estava a observando, com as costas apoiadas no sofá. Os dois estavam sérios, ou até mesmo nervosos.
– O que houve? Porque temos que conversar? –indagou ele, cansado daquela situação constrangedora.
A ruiva suspirou continuamente, tomando coragem, uma coragem que ela não sabe de onde veio ou de onde ela tirou. Mas surgiu, e agora ela precisava continuar.
– O Fury me deu uma nova missão, junto com o Clint –começou ela.
Ao ouvir isso, Steve fechou a cara quase automaticamente. Era visível o terrível ciúme que ele mantinha por Clint Barton. Os dois eram amigos, mas o Capitão não conseguia superar o ciúme que sentia em relação a namorada. Principalmente quando Barton e Romanoff estavam na presença um do outro. E Natasha sempre percebia o clima pesado que se instalava. Mas os três eram parceiros na SHIELD, sempre trabalhariam juntos, não podiam mudar isso.
– Tudo bem, eu vou me controlar. Prometo –ele respondeu.
Natasha balançou a cabeça negativamente e endireitou o corpo.
– Dessa vez é diferente, Steve. A missão é na Rússia –indagou, fazendo com que o Capitão estremecesse de imediato.
Steve suspirou, e quase sabendo o que viria em seguida, perguntou:
– Quanto tempo?
Então ela respondeu, simplesmente, e agora não tinha mais volta:
– Um ano.
Ao ouvir a resposta dela, Steve conseguiu sentir-se pior do que já estava. Uma missão na Rússia? Por um ano? E ao lado de Clint? Não era uma coisa fácil de superar. Ele não sabia se conseguiria passar tanto tempo longe da namorada.
– E o que você quer fazer a respeito? –perguntou ele.
Romanoff esperou ter mais um surto de coragem, e continuou:
– Eu não sou boa o bastante para você, Steve, e nós dois sabemos muito bem disso. E acho que eu nunca serei. Você me mudou de uma maneira maravilhosa, nosso tempo juntos é sempre incrível, mas eu não posso mudar quem eu sou. E o que eu realmente acho, é que essa nossa relação foi... foi um erro, Steve. Só agora vejo isso. É um erro, sempre foi.
Ao ouvir as palavras dela, Steve sentiu-se arrasado, completamente arrasado, como se estivesse à beira de um precipício, ou pior, sentia uma dor, uma dor sem tamanho. Parecia pior do que levar um tiro. Era a mesma dor que sentiu quando perdeu Bucky, só que multiplicada infinitamente. Ele não sabia como reagir naquele momento, não sabia o que pensar, e lentamente, a dor era substituída por uma raiva. Raiva. Dor. Era tudo a mesma coisa.
Olhava incrédulo para ela, visivelmente magoado, visivelmente chateado, e agora, visivelmente raivoso. O que ela estava fazendo? Não conseguia entender o porquê.
Depois de um tempo encarando-a firmemente, Steve levantou-se do sofá, caminhou de um lado para o outro a frente dela, enquanto Natasha o seguia com o olhar. Partia o coração dela vê-lo assim, mas era preciso. Era o único jeito. Era?
– Então é isso? Você quer terminar? –indagou quando voltou a observa-la.
Natasha não respondeu. Pensou, pensou, pensou. Nunca imaginou que aquilo seria tão difícil de ser dito. Desviou seu olha do dele, e finalmente, disse:
– Sim.
O Capitão riu, e replicou, irônico:
– Porque não me disse logo por telefone? Pouparia meu tempo.
Aquilo havia sido como uma facada no peito de Natasha. Ela então levantou-se, ficando frente a frente com ele. Estava segurando-se para não chorar.
– Steve... –ela tentou falar algo, mas ele a interrompeu.
– Eu já devia saber, não é mesmo? Já devia ter desconfiado que você estava simplesmente me usando...
– Não ouse continuar esta frase! –ela bradou, o interrompendo, mas ele não se intimidou.
– Não precisa mais fingir, Natasha. Acho que está muito claro para mim o motivo de você está fazendo isso. Claro que você quer voltar para ele, não é? É claro que essa maldita missão é só uma desculpa! Porque o que você realmente quer é voltar para ele! Talvez você dois já até estão juntos pelas minhas costas. É. Porque não? Clint teve chance, e você também!
Furiosa, Natasha não se segurou e desferiu um tapa estalado sobre o rosto do Capitão. Ela não imaginava que ele estivesse pensando todas aquelas barbaridades. Agora quem estava machucada era ela, talvez pelo agravante da gravidez estivesse mais sensível. Mas doía escutar tudo aquilo.
Steve passou a mão sobre o local avermelhado em seu rosto enquanto Natasha disfarçava uma lágrima. Então, ele novamente voltou a olha-la nos olhos.
– Não pense que isso não está sendo doloroso para mim também, pois está. E garanto que está sendo muito pior! Mas eu nunca, nunca, te traí com o Clint. Nunca, Steve.
– Porque eu deveria acreditar nisso? Afinal, você foi feita para mentir.
– Porque eu amo você, droga! Sempre amei, e continuarei a amar! Clint foi minha paixão, não nego, mas acabou. Somos amigos, e bons amigos, você deveria saber disso. Porque é você quem eu amo! Você é o meu grande amor, Steve. Que inferno!
– Não, você não ama! Você me usou, Natasha, e agora está me descartando como se fosse nada! Se você me amasse de verdade, não faria isso. Você permaneceria ao meu lado se me amasse de verdade.
– Eu não tenho escolha.
– Sempre há uma escolha.
– Você não entende, não é? Preciso fazer isso, e provavelmente essa é a decisão mais egoísta que eu já tomei em toda a minha vida. Mas você simplesmente não consegue enxergar isso, Steve. Não consegue ver que eu te amo, mas eu entendo. Você está magoado, e isso eu não posso mudar.
Depois de ouvir tudo isso, Steve conseguiu sorrir levemente. Então, aproximou-se dela, envolveu seu rosto com as duas mãos, a olhou firmemente nos olhos, e disse:
– Você pode me magoar quantas vezes quiser, Natasha, não me importo mais. Porque eu te amo, e sempre vou te amar. Não importa o que você faça ou fale, continuarei te amando.
Os olhos dela se encheram de lágrimas, e em seguida, Steve deu um beijo suave, longo e demorado sobre a testa dela. Natasha fechou os olhos, sentindo o toque dele uma última vez. Quando ele afastou-se dela, a ruiva não conseguiu mais segurar as lágrimas, e sim, chorou. O Capitão enxugou-as com as pontas dos dedos, e tentou sorrir, mesmo destruído por dentro.
Logo, beijo-a sutilmente nos lábios, e ao novamente afastar-se, disse:
– Acabou, Nat.
Natasha voltou a chorar instintivamente enquanto observava-o caminhar a passos lentos até a porta. Ele a abriu, e antes de sair, olhou-a uma última vez, visivelmente abalado, e então, a deixou. O apartamento voltou a ficar silencioso, sendo escutado apenas o choro forte da ruiva. Ela caminhou até a porta, trancou-a e encostou as costas sobre ela, indo de encontro ao chão em seguida.
A Viúva Negra esticou as pernas, encostou a cabeça na porta, e levou as mãos até seu ventre, acariciando-o delicadamente enquanto era vencida por suas lágrimas, imaginando tudo o que ainda estava por vi.
Dor. Era o que sentia naquele momento.
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