National Anthem
7 Capítulo seis – Danger
Notas iniciais

“Time to change has come and gone
Watched your fears become your God
Overwhelmed, you chose to run
And here you stand before us all
It's your decision, it's your decision
It might seem an afterthought
Yes, it hurts to you know you're bought
And say it's over, it's over”
Your Decision – Alice In Chains
Treze anos depois...
Washington, D.C.
Ela nunca gostou do cheiro de hospitais. Tão frio e gélido, um cheiro mórbido.
Nada dura para sempre, é o que dizem, e ela tinha sempre isso em mente, ela sabia disso, ela tinha total certeza disso. De fato, isso a apavorada certas vezes, não podia negar. Mas Natasha Romanoff havia comprovado esta teoria da pior maneira possível. Pior, sem dúvidas, a pior maneira possível.
Natasha não reconhecia a si mesma, não conseguia enxergar toda a sua máscara de “assassina sem sentimentos”. Porque ficara tão abalada com a morte de Nick Fury? Entretanto, havia algo errado, e quase como um sexto sentido, ela sentia que aquilo não estava certo, conseguia sentir o sabor irritante do perigo percorrer cada centímetro de seu corpo, deixando-a em estado de alerta.
O dia já havia amanhecido e ela continuava naquele hospital, não saíra nem para tomar um banho e trocar de roupa. Steve Rogers e Maria Hill revezaram turnos durante toda a madrugada, e assim, Natasha teve companhia durante toda a noite. Isso sem contar os vários agentes da SHIELD que apareciam vez ou outra em busca de qualquer informação fosse. E em uma dessas visitas, a ruiva mostrou-se um tanto curiosa quando encontrou Melinda May em um dos corredores.
De fato, May e Romanoff já se conheciam de outros tempos, depois de terem participado de muitas missões em campo, e Natasha havia sido peça fundamental para Melinda ter ganhado o apelido que tanto odiava: “a Cavalaria”. Por incrível que pareça, May chegou com várias perguntas na ponta da língua, e intrigada, a ruiva respondeu cada uma, não imaginando o porquê dela ter tantas dúvidas sobre Fury. As duas conversaram por um bom tempo, e Melinda parecia muito mais amigável na presença de Romanoff, e isso deixou chocado os agentes que a acompanhavam.
Grant Ward. Natasha já havia escutado a respeito dele, porém, tudo o que sabia sobre ele era que “tornou-se um ótimo e determinado agente nível 7”. Ele, vestido com aquele terno e gravata, portando-se como um verdadeiro soldado, encarou a ruiva com certa indiferença, mas ela pareceu não se importar. Mas ela, a garota que acompanhava May e Ward, ela nunca viu em toda sua vida. Segundo Melinda, Skye era seu nome, ou apelido, não sabia ao certo. E também não se deu o trabalho de perguntar.
E os minutos correrem, o “tick tock” do relógio não parava um segundo sequer.
Foram precisas horas para finalmente o corpo dele ser liberado, fato que deixou Natasha ainda mais mexida. Furiosa, talvez. Furiosa pelo simples fato dele agora estar morto. Tudo o que ela mais queria era ter o ajudado, mas não conseguiu. Encontrou. A culpa. Crescendo lentamente nos olhos verdes esmeraldas, dentro dela.
Estava tão abalada com tudo o que acontecia ao seu redor que praticamente havia criado um universo paralelo em sua mente, tão perdida em seus pensamentos que ignorou completamente a presença de Steve e Hill, não que eles se importassem com isso pois também estavam chocados com o que presenciaram. Mas Natasha permaneceu fria como gelo por fora, não deixando transmitir nenhum traço de sentimento visível.
A sala estava quieta e silenciosa, e agora lá estava ela, a Viúva Negra, com o emocional abalado, completamente em choque enquanto encarava o corpo inerte e sem vida de Nick Fury em cima daquela maca, coberto com um mero pano branco. Natasha estava se fazendo de forte, controlando-se para não chorar, controlando-se de uma maneira absurda para permanecer de pé, sentindo as pernas fraquejarem a cada segundo.
Natasha nunca sequer imaginou que presenciaria aquele momento, mas claro que com tantos inimigos que Nick possuía, algum dia sua morte viria acontecer. Entretanto, talvez ela não estivesse tão pronta quando imaginou estar para assistir a morte de seu chefe, a morte do grande diretor da SHIELD, a morte do homem que a tirou da KGB e a tornou quem é hoje. Não desse jeito, não pensava que Nick morreria desta maneira, não pelas mãos dele.
E claro, assim que ficou sabendo de todas as informações sobre como Fury havia sido assassinado, ela soube, de cara, com quem estava lidando.
Então, tanto tempo se passou, ela ainda consegue recordar cada detalhe, cada maldito detalhe daquele momento. Como esquecer a missão Odessa? Não havia como, ela não conseguia esquecer, e com a dolorosa morte de Nick Fury, ela realmente não conseguiria esquecer tal fato nunca. Depois da missão mal sucedida e de quase ter sido morta em campo, Natasha o caçou por meses, percorreu cidades e mais cidades a procura dele, mas não o encontrou de jeito nenhum. Tudo o que encontrou foi uma história de fantasma, e era isso que ele tornou-se, um fantasma.
Mas agora era diferente, pois o maldito Soldado Invernal voltara, e desta vez, Natasha não o deixaria escapar, não mais. Queria mata-lo. Deus do céu, ela desejava mata-lo! Mas tinha consciência de que era impossível. E no momento, Natasha tinha alguém mais importante para se preocupar. Sua filha. Precisava protege-la mais uma vez, custasse o que custasse.
– Natasha –a voz de Steve fora a única maneira dela voltar à realidade. – Hill precisa leva-lo agora –informou ele, permanecendo ao lado dela, e tal informação fez com que a Viúva Negra automaticamente retirasse sua mão trêmula de cima do corpo de Fury.
Ela enxugou as poucas lágrimas, ainda assim, nada respondeu, simplesmente soltou um longo suspiro e deu as costas para Steve, passando por Hill e caminhando a passos fortes para fora da sala. Mas antes que pudesse deixar o lugar completamente, o Capitão a alcançou no meio do corredor.
– Natasha, espere! –chamou ele, com a voz tão firme que Natasha parou de caminhar no mesmo instante que o ouviu. Steve a encarou com certo desespero quando ela virou-se para ele com um olhar nada amigável.
– Porque o Fury estava no seu apartamento? –indagou ela antes mesmo que o Capitão pudesse dizer uma palavra sequer.
Steve estreitou os olhos para ela, claramente sem saber o que responder. Ele deu de ombros, erguendo os braços em sinal de nítido nervosismo.
– Eu não sei –mentiu, mas conseguiu perceber que ela não engoliu aquilo.
Ignorando todas as questões não resolvidas entre os dois, aquela seria uma longa conversa. Isso, claro, se não fosse pelo fato de Brock Rumlow aparecer no exato instante, avisando que Steve precisava o acompanhar até a SHIELD naquele momento mesmo. Ele pediu alguns minutos, mas Rumlow pareceu irredutível, fato que ele estranhou. Ainda assim, o Capitão acatou as ordens do agente com certa indiferença.
Rumlow concordou, mas quando Steve voltou-se mais uma vez para Natasha, tudo o que ela conseguiu dizer antes de voltar a caminhar em direção a saída fora:
– Você mente muito mal.
Rápido, Steve conseguiu reconhecer uma fria ironia nas palavras dela, mas não teve tempo suficiente para rebater, já que Natasha encontrava-se longe, deixando o lugar para trás.
Sentindo sua cabeça rodar e seu estômago embrulhar a cada passo que dava, a Viúva Negra parou em um beco sem saída ao lado do prédio hospitalar em que se encontrava momentos antes. Tentou controlar sua respiração descompassada, e quando encostou-se na parede suja do lugar, fechou os olhos para controlar a ânsia de chorar. Precisava ser forte. Seria forte.
Logo, ao ver que parecia melhor emocionalmente, Natasha deu uma boa olhada ao seu redor para ter certeza de que não havia sido seguida e que não havia ninguém na sua cola. Depois, a ruiva retirou seu celular do bolso e discou um número conhecido, seguro.
– Oi, Tasha –não deram-se sequer dois segundos para Clint Barton atender a chamada. Por certo momento, ela sentiu-se mais aliviada em ouvir a voz calma de seu parceiro.
Ela engoliu em seco.
– Clint, nós temos problemas. Sérios problemas –disse, o medo estampado em sua voz, e com certeza o Gavião Arqueiro conseguira reconhecer todo o nervosismo que ela sentia.
– O que houve? –perguntou ele, temendo a resposta que receberia.
– O Fury... –fez uma pausa, tentando procurar as palavras certas. – Clint, o Fury foi assassinado –ela respondeu simplesmente, quase de imediato. Não havia mais nada o que falar.
O silêncio do outro lado da linha foi a prova certa de que Clint estava abalado com tal informação. Natasha conseguia escutar a respiração pesada dele enquanto o próprio tentava por seus pensamentos no lugar, digerindo o que acabara de ouvir.
– Como? –perguntou mais uma vez depois de um certo tempo de um silêncio constrangedor para ambos.
– Rápido, forte, com um braço de metal e usando armamento soviético. Isso te lembra alguma coisa? –indagou a ruiva, sentindo cada parte de seu corpo se contorcer em uma raiva sem tamanho.
Clint suspirou, furiosos consigo mesmo, e respondeu, bravo:
– Merda! É ele, não é? O desgraçado voltou! Que inferno, Natasha! Nós devíamos ter desconfiado, nós devíamos... porcaria, agora o Fury está morto pelas mãos dele! Não quero nem pensar no que vai acontecer daqui para a frente...
– Clint, me escuta! –ela o interrompeu o mais rápido que pôde, e novamente, tornou a escutar a respiração descompassada dele do outro lado da linha. – Não sabemos o que vai ser daqui para a frente, e é por isso que precisamos agir –informou no momento em que desencostou-se da parede e começou a caminhar em direção à rua, deixando para trás o beco em que se encontrava.
– Porque mataram o Fury, Natasha? –a firmeza na voz de Clint fez a ruiva estremecer.
– Está uma enorme confusão aqui, e eu acho... Eu acho que a HIDRA está de volta, Clint –respondeu rapidamente.
– Tudo bem. E o que nós vamos fazer? –perguntou ele ao soltar a respiração, acalmando-se lentamente, tentado começar a manter o foco no que faria para contornar esta situação.
Enquanto caminhava por entre as ruas agitadas de Washington, rapidamente, Natasha voltou para o lugar que estacionou seu carro, e depois de olhar ao redor mais uma vez na intenção de ter certeza que não estava sendo seguida, ela abriu a porta de adentrou no veículo.
Então, ela respondeu, com a voz série e completamente inabalável:
– Eu tenho um plano.
Mesmo com todo o desespero e toda a tristeza que sentia naquele momento, Clint não conseguiu disfarçar um suave sorriso com as palavras de Natasha. Logo, ele rebateu:
– Ótimo. Estou ouvindo.
Precisavam agir, e precisavam agir o mais rápido que pudesse ser, antes que fosse tarde demais.
[...]
Nova Iorque
Um silêncio constrangedor e monótono se instalava na sala de estar da Torre Stark, onde Tony, Logan, Pepper e Clint estavam reunidos, ainda chocados com a informação que acabaram de escutar. Pelo visto, a morte de Nick Fury havia atingido a todos, até mesmo o Homem de Ferro, que nunca foi com a cara do diretor da SHIELD, ficou um tanto triste em saber que ele fora assassinado, e ainda que Clint não tenha revelado quem foi o responsável por tal atrocidade, Tony tinha suas suspeitas. E como tinha suas suspeitas. Várias, para falar a verdade.
– Pelo amor de Deus, falem alguma coisa! Esse silêncio... Está me matando! –dado certo momento, a voz doce de Pepper pôde ser escutada, despertando a atenção de todos no ambiente.
A ruiva se sobressaltou, nervosa, levantou-se do sofá em que estava sentada e começou a caminhar pela sala em um claro sinal de desespero. Lado a lado, Logan e Clint trocaram olhares, sem saberem mais o que fazer para tentar acalma-la. Tony estava mais afastado dos dois, sentado no outro lado do sofá, e por sua vez, soltou um longo suspiro enquanto voltava a encostar as costas no encosto do sofá. Aquela situação tensa estava o consumindo de uma maneira avassaladora, e tudo o que ele queria era manter sua família em segurança.
– Pep, amor, tenta ficar calma. Por favor –tentou parecer tranquilo ao dizer aquelas palavras, mas foi impossível. Tony já havia perdido as contas de quantas vezes pedira para Pepper manter a calma.
Ela bufou de raiva, e ao voltar-se para o marido, indagou seriamente:
– Como eu posso ficar calma, Tony? Não vou conseguir me acalmar sabendo que meus filhos correm perigo mais uma vez! Toda essa situação que nós estamos... Acaba comigo!
Dito isso, Pepper deixou a sala, caminhando a passos firmes em direção ao seu quarto. Tony levantou-se com a intensão de ir atrás dela, mas Logan a impediu, alegando que talvez sua mãe precisasse ficar um tempo sozinha, e ele sabia que o único lugar em que Pepper conseguiria acalmar-se seria na solidão de seu quarto. Por incrível que pareça, o Homem de Ferro concordou com o filho, e então voltou a relaxar o corpo sob o sofá.
– Que fique claro, eu ainda acho esse um péssimo plano –admitiu, finalmente cortando o silêncio, despertando e atraindo a atenção de Clint para si. – Fugir não é a única opção, Barton –completou em seguida, e o Gavião não conseguiu esconder toda a sua indiferença com as palavras que ouviu.
– Tony, eu não sei você, mas prefiro seguir o plano da Tasha de fugir ao invés que colocar todos aqui em perigo mais uma vez. E você saber muito bem do que eu estou falando... –contrapôs ele com toda a certeza que tinha, e Tony, ainda que a contragosto, teve que concordar.
– Eu ainda não consigo acreditar que o Fury está morto –manifestou-se Logan, falando tão baixo que era quase impossível escuta-lo.
– Não se preocupa. Você não é o único, filho –rebateu Tony, até mesmo um tanto abalado com o fato, olhando de relance para Logan, que agora estava sentado ao seu lado. Em seguida, o moreno voltou-se mais uma vez para Clint, e disse: – Se desta vez, fugir é a única opção, então que seja.
O Gavião concordou com um meneio de cabeça, suspirando aliviado e relaxado. Logo, ajeitou-se melhor sob o sofá, e depois de encarar os dois Stark’s a sua frente, disse:
– O objetivo aqui é manter as meninas e o Logan seguros, Tony. Então, se seguirmos o plano direito, tudo vai ficar bem. Nada de ruim vai acontecer e nós dois faremos com que nada de ruim aconteça. Funcionou nos últimos anos, funcionará agora também.
Mais uma vez, Tony teve que concordar com as palavras ditas por Clint. Tudo ficaria bem, só precisavam seguir o plano. Era a decisão certa a se tomar.
– Certo, vamos seguir o plano então –acatou, e pode ver seu filho dar um leve sorriso. Novamente, depois de encarar Logan e Clint, completou: – Levarei a Pepper e os meus filhos para uma pequena viajem à Paris. E a minha vontade era de carregar a Stella junto comigo, mas não sei porque diabos você não quer.
– A Tasha fez questão que a filha ficasse comigo. Claro, não é porque ela não confia em você, Tony, não é isso –o Gavião fez uma breve pausa, e ao ver que Tony mantinha o olhar firme sobre si, logo resolveu continuar: – Eu vou sumir do mapa com a Stella. Nós vamos desaparecer por um tempo, e assim que a situação for resolvida, voltamos.
Nervoso e com o coração apertado, Logan levantou-se do sofá em um sobressalto, caminhando apressadamente em direção a grande janela da sala de estar da Torre, tentando distrair todos os seus pensamentos enquanto observada todo o vai e vem de carros nas ruas da cidade. Sentia-se impotente, como se seu mundo estivesse prestes a desabar e ele não pudesse fazer nada para impedir. Apenas, fugir.
Tony observou o filho por alguns minutos, mas logo voltou sua atenção para Clint mais uma vez.
– E como pretende fazer isso? –perguntou, escancarando preocupação em sua voz.
Barton suspirou pesadamente, e respondeu:
– Pensei em começar pelo Canadá. O ambiente não é hostil, nós podemos escolher uma boa cidade, desconhecida, calma, longe de qualquer perigo. Serão apenas dias, semanas, no máximo. Então, vamos ficar bem.
– Tudo bem. Você escolhe a cidade, e eu garanto a passagem de ida e volta. O resto vai ter que ser por sua conta, Barton –disse, ainda não gostando de tudo aquilo. Mas que outras opções teriam? Rapidamente, ao olhar profundamente nos olhos de Clint, Tony completou: – Confio em você. Só... promete que vai mantê-la segura, tá? Permaneça vivo, Gavião. Não quero ter que presenciar seu enterro.
Clint sorriu, achando um tanto engraçado a maneira que o Homem de Ferro se preocupava com as pessoas que faziam parte de sua vida. De sangue ou não, aquela era a família de Tony agora, como uma grande família de super-heróis. Mesmo com toda a confusão que acontecia ao redor, eles sempre encontrariam uma solução para salvar seus herdeiros. Sempre.
– Eu cuidei da Stella por todos esses anos, e não vai ser agora que isso vai mudar –admitiu ele, e desta vez fora a vez de Tony disfarçar um leve sorriso. Em seguida, rapidamente voltando a ficar sério, sentindo o clima voltar a ficar tenso, Clint pediu: – Tony, avise ao Bruce sobre tudo o que está acontecendo, ok? Ele precisa saber, provavelmente também tem pessoas para proteger.
– Bem pensado. Farei isso hoje mesmo, antes de irmos embora... –respondeu, mas antes que pudesse finalizar a frase, o barulho do elevador despertou a atenção dos dois heróis.
As portas se abriram, revelando duas garotas carregadas de sacolas de diversas lojas, e isso fez com que Logan automaticamente virou-se na direção das duas, podendo sentir um alívio tremendo quando o olhar de Stella cruzou com o seu, provocando uma onda de arrepios no garoto. Ela sorriu, e pôde perceber que ele fez o mesmo, fato que acabou acelerando o coração de ambos.
Devagar, Logan voltou a caminhar na direção de Tony e Clint enquanto os dois levantavam-se do sofá em um sobressalto a medida que Stella e Louis adentravam no recinto. Depois de colocarem todas as sacolas sob o chão, as duas começaram a se aproximar, assim como Logan. Mas o sorriso no rosto de Louis se dissipou completamente quando ela percebeu o olhar preocupado de Clint, Logan e Tony. Um frio percorreu todo o corpo da garota, e ela sentia que algo estava muito errado.
– Ei, iron girl! Como foi o passeio? –perguntou Tony, tentando disfarçar o nervosismo enquanto mudava de assunto. Em vão, pois Louis e Stella já haviam entendido que algo estava errado.
– Pai, eu não tenho mais nove anos de idade para você me chamar com esse apelido –replicou a garota, praticamente fuzilando Tony com o olhar.
– Desculpe, querida. É a força do habito –defendeu-se ele, e Louis estranhou o fato do pai não ter respondido com uma ironia na ponta da língua. Definitivamente, havia algo errado.
Nervosa, Stella trocou olhares com Clint, que simplesmente sorriu com confiança para ela. Assim, a garota sentou-se sobre o sofá, relaxando o corpo, mesmo que sua mente ainda estivesse torturando-a com os mais diversos pensamentos. Não disse uma palavra sequer.
– Tudo bem, o que tá pegando? –perguntou Louis, seriamente, cansada de todo aquele teatrinho que estava sendo produzido para mascarar um problema bem maior. Ela não aceitava aqui de jeito nenhum.
– Ah, nada! O papai só estava tentando me forçar a fazer um intercâmbio pela Europa, que claramente, eu não quero –disfarçou Logan, tentando disfarçar o nervosismo em sua voz enquanto voltava a sentar-se no sofá, posicionando-se ao lado de Stella, e o gesto fez a garota sorrir.
Louis bufou de raiva, colocando as mãos sobre a cintura, e automaticamente, voltou-se para o irmão com um olhar furioso, indagando:
– Não minta para mim, você sabe que não funciona!
Logan revirou os olhos enquanto Stella, por sua vez, soltava uma risada tensa, disfarçando todo o medo e desespero que sentia naquele momento. Ela sabia, ela sentia que algo estava errado. Conseguiu perceber isso no mesmo instante que seu olhar cruzou com o de Logan, e comprovou suas teorias ao perceber as feições preocupadas de Clint e Tony.
Pensando em tudo isso, Stella simplesmente aproximou-se mais um pouco do corpo de Logan, sentindo o calor dele contra o seu, transmitindo paz, aconchegando-se no peito dele enquanto corria os olhos sobre Clint e Tony. Logan, por sua vez, tentando faze-la relaxar, apoiou um dos braços sobre os ombros dela e a trouxe para mais perto, depositando-lhe um beijo suave sob a testa em seguida.
Logo, Louis voltou a encarar Tony e Clint com certa raiva, ansiando por respostas. O Homem de Ferro e o Gavião Arqueiro trocaram olhares nervosos, e então, o moreno deu mais um longo suspiro enquanto a visão de Clint caía lentamente sobre Louis, parada a sua frente, brava.
– Louis –começou Tony, e ela percebeu a voz dele ficar séria, ainda mais tensa. – Senta. Nós precisamos conversar –completou em seguida, e mantendo o olhar no pai, ela sentou-se do outro lado do sofá, obedecendo a ordem dele, sentindo seu corpo inteiro ficar tenso.
Tick Tock, o tempo está correndo, o relógio não para. Quanto tempo mais será preciso esperar?
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