National Anthem
10 Capítulo nove – Destiny
Notas iniciais
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“Blue jeans, white shirt
Walked into the room
You know you made my eyes burn
It was like James Dean, for sure
You so fresh to death and sick as ca-cancer
You were sort'a punk rock
I grew up on hip hop
But you fit me better than my favourite sweater”
Blue Jeans – Lana Del Rey
Stella e Louis encontravam-se em frente ao cinema enquanto a chuva ainda teimava em cair. Naquele momento, as duas permaneciam paradas na pequena fila ao mesmo tempo em que tentavam entrar em consenso para escolherem qual filme assistir. O movimento nas ruas era pequeno por conta da chuva que caía, mas ainda assim, ainda haviam pessoas circulando por Nova Iorque.
– Ok, essa realmente foi uma péssima ideia –admitiu Stella em certo momento, deixando claro que não estava nem um pouco feliz com aquela situação. Entretanto, quando Louis subitamente virou-se na sua direção lançando-lhe um olhar confuso, ela resolveu explicar melhor, e constatou: – Louis, nós ainda nem escolhemos sequer um filme para assistir! Me diga como a noite pode ficar pior do que isso?
A Stark riu diante das palavras ditas por Stella. Estava na cara que a ruiva ainda estaria chateada com Logan por ele ter cancelado o jantar, dando a desculpa de que havia ficado preso no trabalho, afinal, aquela não era a melhor situação para comemorar um aniversário de namoro. Mas ela não sabia o que dizer para fazer com que a amiga se sentisse melhor, porque claro, homens nunca fora um assunto discutível para Louis.
– Ei, eu não tenho culpa se o seu namorado desmarcou nossos planos –informou a morena.
– E eu não tenho culpa se o meu namorado trabalha demais –rebateu Stella rapidamente.
– Deixa de ser paranoica, Stella! A noite é uma criança, ok? Nós ainda temos tempo para escolher um filme –indagou Louis, risonha, mas ao perceber que Stella permaneceu séria, encarando-a com certa indiferença, a morena tentou contornar a situação: – Nós vamos nos divertir, tá? Confia em mim, nenhuma dor de cotovelo é tão forte assim.
Stella rapidamente percebeu que Louis estava sendo irônica, como sempre fora, e tal fato não conseguiu deixar a ruiva esconder um pequeno sorriso de satisfação. Ao que parecia, a noite não estava sendo um completo desperdício. Mas, ela não queria dar o braço a torcer ao admitir que estava se divertindo, e pensando nisso, simplesmente replicou de uma maneira um tanto engraçada:
– Cala a boca, Louis!
Dito isso, as duas encararam-se por alguns segundos, mas não aguentaram por muito tempo, e logo, ambas caíram na risada, esquecendo completamente todos os problemas que rondavam suas vidas, e apenas aproveitando o momento de tranquilidade que estavam tendo apesar de tudo. Stella sorriu em seguida, e depois de dar um pequeno empurrão na Stark, voltou sua atenção mais uma vez para a lista de filmes em exibição à sua frente. Louis, por sua vez, também sorriu, e enquanto esperava a amiga escolher um filme, apenas voltou seu olhar para a rua, admirando a chuva que teimava a cair e acompanhando o vai e vem de pessoas.
Mas uma cena deixou-a intrigada. Do outro lado da rua onde estava o cinema, havia um renomado restaurante, sempre bem frequentado, sempre cheio. Ainda assim, não foi esse o fato que deixou Louis confusa. O que realmente a deixou confusa fora a visão que teve de um certo casal que estava deixando o local. Ela analisou as características do homem que acompanhava aquela mulher morena e exuberante, e ao olhar com mais cuidado, sua feição perdeu todo o divertimento de alguns segundos atrás.
Isso, claro, porque Louis reconheceria o irmão em qualquer lugar que fosse. Aquele homem que estava saindo do restaurante com um sorriso sedutor no rosto, acompanhado daquela mulher desconhecida, era Logan Stark, e ela sabia disso. O reconheceu logo de cara, e em questão de segundos, sentiu uma raiva lhe dominar por completo. Entretanto, a raiva que sentia se multiplicou quando Louis conseguiu ver Logan segurar a mão daquela morena que o acompanhava, em seguida, a puxou firmemente, e beijou-a.
Seus olhos se arregalaram diante da cena, e ela automaticamente cobriu a boca com uma das mãos, abafando todo o nojo que sentia. Logan estava beijando uma outra mulher, e ele estava gostando daquilo. Por quê? Por que seu irmão faria uma coisa dessas? Logo, tentando poupar a dor que a ruiva ao seu lado sentiria, em um movimento rápido, Louis virou-se na direção dela, mas já era tarde demais, pois Stella presenciou toda a cena, e naquele momento, encarava o namorado com lágrimas nos olhos.
Seu mundo parecia estar desabando, e sentia seu coração ser despedaçado, pedaço por pedaço. Stella Romanoff não sabia o que pensar. Raiva, decepção, desprezo, para ela tudo era uma coisa só, um sentimento que a dominava pouco a pouco. Ela fechou os olhos, comprimiu os lábios, tentando segurar as lágrimas, e virou o rosto na direção oposta, negando-se a acreditar no que acabara de ver.
Louis, controlando a raiva que também sentia, mesmo sem nunca ter passado por uma situação daquelas, conseguiu perceber toda a dor que a amiga sentia. Odiava vê-la daquele jeito, e pensando nisso, a Stark puxou Stella para longe dali, e ela estava tão chocada que simplesmente deixou ser guiada por Louis em direção ao carro, o qual havia estacionado perto dali. Olhando de relance uma última vez para Logan, a morena conseguiu perceber que o irmão havia visto as duas.
[...]
Desolada. Se pudesse nomear uma palavra para o que sentia naquele momento, não conseguiria. Ainda não podia acreditar. Ainda não queria acreditar. Raiva. Sentia uma raiva sem tamanho. Uma raiva que nunca pensou sentir. Talvez, em parte, não era apenas raiva. Seria também revolta. Revolta por ter sequer pensado que aquilo daria certo. Sentia-se estúpida por ter confiado em Logan, e sentia-se mais estupida ainda por sequer ter pensado que ele a amava de verdade. Amava?
A verdade era que Logan Stark havia quebrado profundamente o coração dela. Feriu-a de uma maneira maior ainda, e quem diria que um ato impensável daquele poderia resultar em algo tão maior desse jeito? Ela rezava, implorava para que pelo menos algo, por qualquer vestígio que fosse, tivesse sido real. Tivesse sido verdadeiro. Mesmo pelo o que fez, Stella não podia negar que ainda o amava. Querendo ou não, Logan havia sido o primeiro amor de sua vida. O primeiro, e único, provavelmente. Mas não podia apenas esquecer o que havia presenciado momentos antes.
Ainda chovia, e Louis dirigia sem rumo pelas ruas de Nova Iorque, enquanto escutava um choro sofrido. Ao seu lado, no bando do passageiro, Stella remoía seus pensamentos ao mesmo tempo em que sentia fortes lágrimas rolarem por sua face. Entretanto, percebeu que aquilo não era culpa dela, e se alguém era culpado ali, esse alguém era Logan. Rapidamente, Stella enxugou as lágrimas, fechando a cara e permanecendo séria, sem dizer mais nenhuma palavra sequer. Louis a encarou de relance, estranhando o súbito silêncio no interior do veículo.
– Para o carro –minutos depois, a voz de Stella ecoou, despertando a atenção de Louis.
A morena diminuiu a velocidade do carro, e ao encarar Stella com certa dúvida, perguntou:
– O que?! Por quê?!
Stella bufou de raiva antes de rebater firmemente:
– Louis, para esse carro agora!
No mesmo instante, o veículo freou abruptamente, e quando teve certeza de que estava parada, Louis retirou o cinto de segurança e voltou a encarar Stella, tentando entender o que estava acontecendo ali. Mas a morena não conseguiu ter uma resposta, pois Stella abriu a porta do carro e saiu do veículo, não se importando com a chuva molhando seu corpo e suas roupas.
– Stella! O que diabos você está fazendo?! Stella, por Deus, volta para o carro! –berrou Louis a todo instante, mas a ruiva apenas deu de ombros, ignorando-a completamente.
Então, Louis também saiu do carro, caminhando rapidamente na direção de Stella, tentando alcança-la enquanto ela continuava a andar. Logo, a Stark percebeu que havia parado o carro em frente a um bar. Pequeno, simples, mas realmente acolhedor e sofisticado, e ao que parecia, a ruiva teria gostado do tal lugar.
– Vai para casa, tá? Eu preciso ficar sozinha, Louis –informou Stella, sem sequer mover o olhar.
Louis gritou pelo nome dela, em vão, e parou de caminhar no mesmo instante em que Stella adentrou no ambiente, sumindo de sua vista. Era óbvio que não havia mais nada que ela pudesse fazer para impedir a decisão da ruiva. E Louis simplesmente ficou ali, parada na chuva, confusa, sem saber o que fazer.
[...]
Assim que adentrou no lugar, Stella foi recebida por uma música ambiente que ecoava naquele momento, e ela automaticamente reconheceu a melodia, pois aquela era a mesma música que tocava quando Logan a pediu em namoro. Parecia uma ironia do destino. Foi tudo tão lindo, e agora, tudo estava acabado, sabia disso, é claro que sabia. Ainda assim, teria uma séria conversa com Logan. Mas apenas quando estivesse pronta para isso, o que com certeza não era agora.
O lugar estava quase vazio, calmo, com pouquíssimas pessoas no recinto. Ainda parada à entrada, Stella correu o olhar pelo ambiente, reparando em cada detalhe. Possuía uma decoração rústica, sem deixar um certo modernismo para trás. No lado direito, haviam algumas mesas, vazias, e do outro lado, um extenso balcão com alguns bancos, também vazio, ocupados apenas por uma pessoa qualquer.
Stella pensou um pouco, decidindo se permanecia ou não ali. Ainda assim, ela queria aquilo, óbvio que não tinha a intenção de se embebedar naquela noite, mas quem sabe aquilo poderia lhe fazer bem, e quem sabe até poderia fazê-la esquecer a dor que, no momento, massacrava seu coração. Esqueceria Logan por pelo menos uma noite fosse.
Balançou a cabeça negativamente, afastando qualquer pensamento de sua mente. Logo, Stella soltou um longo suspiro ao mesmo tempo em que retirava a jaqueta que usava por cima do vestido, enxugando o excesso de água no tecido e em seus braços. Então, movida por uma coragem absurda, a garota caminhou em direção ao balcão, apossando-se de um dos diversos bancos vazios, enquanto a maldita música ainda ecoava em seus ouvidos.
A ruiva mais uma vez comprimiu os lábios, segurando a enorme vontade que sentia de chorar. Um choro não de tristeza, mas agora um choro de raiva, a raiva que a consumia por inteiro. Stella apoiou as duas mãos sobre o balcão, ajeitou-se melhor no banco em que estava sentada, e passou a encarar o movimento nervoso de seus próprios dedos, ignorando completamente o desconhecido ao seu lado.
Mesmo assim, ela não conseguiu se segurar e olhou de relance para o homem do seu lado, segurando aquele copo de bebida com uma força mais do que necessária. Stella também reparou nas vestes dele, e perguntava-se o porquê do tal homem estar usando uma camisa com capuz e estar escondendo seu rosto por debaixo de um boné escuro. Sua feição era séria, intimidadora, chegando até mesmo a ser irritante.
– Posso ajudar, senhorita? –perguntou gentilmente o barman do outro lado do balcão. Stella levantou o olhar para ele, e sorriu levemente. – O frio lá fora está grande. Posso lhe servir um café? –propôs, e a garota sentiu-se animada com a hospitalidade do lugar.
Ela esperou alguns segundos, e ainda olhando para aquele senhor, perguntou:
– Me desculpe, mas, será que... você teria algo mais forte no momento?
O barman sorriu, entendendo exatamente o que ela quis insinuar. Então, o senhor piscou o olho na direção de Stella, atendendo ao seu pedido, e em seguida virou de costas, tentando procurar algo que fosse um pouco mais forte do que café.
Enquanto o observava, Stella passou as mãos sobre os cabelos molhados, prendendo-os em um rabo de cavalo mal feito. Depois disso, a ruiva correu os dedos por seu rosto, enxugando as singelas lágrimas que teimavam em cair. Novamente, ela suspirou devagar, soltando a respiração com muita calma. A raiva parecia mais uma vez estar dando lugar a tristeza, e a música que tocava no lugar não parecia ajudar muito.
Entretanto, o movimento do homem ao seu lado fez com que Stella despertasse sua atenção. Ele empurrou o copo de bebida antes preso em suas mãos na direção da ruiva, fato que a deixou intrigada. Receosa, a garota moveu as mãos trêmulas até o copo de vidro, segurando-o com certo cuidado.
– Por que você fez isso? –perguntou Stella, sem sequer encara-lo, ainda com os olhos observando o líquido de cor âmbar dentro do copo entre seus dedos.
O desconhecido deu de ombros.
– Acho que você precisa disso mais do que eu –admitiu ele, e Stella não pôde negar que sentiu um arrepio involuntário ao escutar a voz forte e grossa dele.
Mas foi no exato momento em que o homem virou o rosto na direção dela que Stella constatou que seu mundo mais uma vez desmoronou, e foi como se ela conseguisse sentir seu coração voltar a bater descompassado, como se algo tivesse mudado drasticamente. Sua respiração se acelerou mais uma vez.
Sem conseguir desviar o olhar, Stella continuou a encara-lo, e percebeu que ele também continuava a encara-la. Mas o desconhecido permaneceu sério, não havia nenhum traço sequer de emoção em seu rosto.
Quem era ele?
A situação só piorou quando Stella estreitou o olhar na direção dele, e por trás da sombra do capuz que o encobria, ela conseguiu ver. Conseguiu ver aqueles lindos olhos, de um azul tão intenso, penetrante e sombrio, fato que praticamente a deixou sem ar. O que estava acontecendo ali? Por que Stella estava sentindo aquilo? Ela não tinha ideia do que passava em sua mente.
Quando um relâmpago colidiu, iluminando todo o lugar, Stella conseguiu ver as características do sujeito ao seu lado, e ela pareceu gostar do que viu. “Não!” Ele poderia muito bem ser um assassino, por que não? Aliás, ele podia ser qualquer um. Não podia fazer aquilo. Não podia se render tão fácil assim. O que diabos estava acontecendo com Stella Romanoff? A ruiva o observou mais uma vez. O desconhecido possuía cabelos escuros, relativamente longos, e aqueles olhos azuis. Era bonito de se ver, não podia negar. Por que ela sentia que o conhecia?
Ele era forte, bem feito de corpo, mas algo em sua face era sombrio, e triste. Sentindo seu rosto ficar vermelho, Stella finalmente pareceu despertar do transe em que se encontrava, e em um movimento brusco, virou o rosto na direção oposta, quebrando o contato visual. O desconhecido pareceu fazer o mesmo, passando a encarar qualquer lugar menos Stella.
– Você está bem? –perguntou seriamente, tentando a todo custo não observa-la.
– Peguei meu namorado com outra no dia do nosso aniversário de namoro, então estou longe de estar “bem” –admitiu a ruiva, disfarçando uma risada nervosa, segurando-se para não chorar novamente. Então, fora a vez dela perguntar: – E você? O que aconteceu para ficar tão sério desse jeito?
Por um segundo sequer, a sombra de um singelo sorriso iluminou o rosto dele, e finalmente, o desconhecido voltou a olhar para ela mais uma vez, e Stella fez o mesmo. Seus olhares se cruzaram em mais uma explosão de... sentimentos. Ela viu-se arrepiada de novo apenas pelo simples fato dele estar encarando-a.
– A má pessoa que eu costumava ser me deixou assim. Talvez seja essa minha sina –rebateu ele, voltando a ficar sério, e Stella viu-se mais envolvida ainda.
Com medo de saber mais a respeito dele, a garota simplesmente esboçou um pequeno sorriso na direção do desconhecido, e ao perceber que ele continuava a observa-la, atento, Stella apenas elevou a mão fria na direção dele, apresentando-se:
– Eu sou Stella.
Ele admirou-se com a coragem dela, mas ainda assim, também elevou sua mão na direção dela, apertando-a com certo cuidado, provocando uma onda de choques no corpo de ambos. A pele dele era áspera, quente, ela conseguiu sentir.
– Sou James... Eu acho. É um prazer conhece-la –fora a vez dele dizer, e Stella riu levemente diante da reação que teve.
A garota o observou por mais um tempo, ainda sentindo o olhar sério dele sobre si. Não sabia se ficava desconfortável ou se gostava daquilo. O desconhecido então tornou a virar o rosto, passando a ignorar a ruiva a seu lado. Stella estranhou, mas quando tentou dizer mais alguma coisa, sentiu uma presença atrás de si, e automaticamente sentiu sua respiração falhar de uma maneira não muito boa.
– Stella –a voz de Logan ecoou na mente da garota, despertando-a mais uma vez.
– Vai embora. Me deixa em paz, Logan –pediu ela, sem mover-se um centímetro sequer, permanecendo na mesma posição, ignorando-o.
– Não vou embora até nós conversamos –rebateu ele ao mesmo tempo em que cruzava os braços acima do peito.
– Como você me achou? –perguntou Stella.
– Não importa –desconversou o loiro.
Sentindo a raiva mais uma vez apossar sua mente e seu corpo, Stella levantou-se em um impulso, ignorando tudo o que havia acontecido momentos atrás, e encarou o loiro à sua frente com certa dúvida.
– Que droga, já disse para ir embora! –ela repetiu, alterada, mas Logan permaneceu no mesmo lugar. – O que você quer? Me machucar mais ainda? Será que você consegue? –perguntou mais uma vez, com ironia, encarando o namorado com mais lágrimas em seus olhos.
– Amor, não faz isso... –murmurou Logan no mesmo momento em que aproximou-se mais um pouco de Stella e tentou segurar uma das mãos da garota, mas como ela esquivou-se, ele resolveu esclarecer: – O que você viu... foi o término de uma coisa, não o começo.
– E isso era para fazer eu me sentir melhor? Nossa, meus parabéns, você está no caminho certo, Logan –protestou Stella, e conseguiu ver o namorado soltar a respiração com certa raiva.
A ruiva revirou os olhos diante do silêncio de Logan. A dor que ela sentia naquele momento era enorme, quase não conseguia aguentar-se em pé. Ingênua, ela apaixonou-se por Logan, e como todas as outras, fora apenas um divertimento para o playboy egocêntrico que sabia muito bem que não importava-se com seus sentimentos. Era como se tivesse arrancado seu coração com as próprias mãos.
Entretanto, antes que Stella pudesse caminhar até a saída do lugar, Logan foi mais rápido e puxou-a de volta, segurando-a firmemente pelos pulsos. Ela tentou afasta-lo, mas estava quase imobilizada por ele.
– Eu disse que nós precisamos conversar, e nós vamos conversar, Stella. Você querendo ou não –impôs Logan, assustando a garota, que tentava a todo custo afasta-lo.
– Você está fora de si, e eu estou machucada demais para conversar agora –rebateu, e o loiro a segurou com mais força, encarando-a com uma raiva palpável – Logan, você está me machucando. Me solta –pediu ela, e mais uma vez, Logan a ignorou. – Me solta! –exigiu, desta vez mais forte, atraindo a atenção de algumas pessoas naquele ambiente.
Mas ao contrário do que ela pensou, Logan continuou a ignorar os pedidos dela, e não a soltou de maneira alguma. Continuou ali, segurando-a de uma maneira firme ao mesmo tempo que Stella sentia novas lágrimas molharem sua face assustada e perplexa.
– Acho melhor você fazer o que ela está pedindo... –a voz firme de James pôde novamente ser escutada por Stella, que logo passou a encara-lo com certa dúvida.
– E eu acho melhor você cuidar da sua vida, porque da minha namorada cuido eu! –rebateu Logan, rapidamente soltando os pulsos de Stella e caminhando na direção de James, que por um impulso, levantou-se de onde estava sentado, encarando o loiro com um ódio mortal, mas a feição de Logan também não estava longe disso.
Percebendo que aquilo não acabaria bem, Stella correu na direção dos dois, colocando-se no meio de Logan e James, afastando ambos um do outro, mas com certa dificuldade, conseguiu.
– Chega! Vocês dois! Já chega! –berrou Stella, e ao virar-se para o namorado, esbravejou: – Vai embora, Logan! Me deixa em paz! Agora!
O Stark bufou de raiva.
– Isso ainda não acabou. Me ouviu bem? Ainda não acabou! –informou Logan firmemente, e depois de encarar a namorada por um longo tempo, caminhou a passos fortes até a saída, deixando o lugar em seguida.
Stella fechou os olhos, controlando as lágrimas enquanto tentava por seus pensamentos em ordem. Se recompondo, a garota soltou a respiração, surpresa com o comportamento agressivo de Logan. Nunca havia o visto daquele jeito, e realmente algo estava muito errado. Ainda assim, ela tentou esquecer tudo isso quando virou-se na direção de James, mas não o encontrou. De relance, conseguiu perceber que ele havia saído pela porta dos fundos, e não esperou nenhum segundo sequer para ir atrás dele.
Quando chegou do lado de fora, Stella percebeu que ainda chovia forte, mas ela ignorou completamente as gotas que mais uma vez molhavam suas roupas. Correu o olhar por todos os lados, procurando-o, e o encontrou já um pouco longe, caminhando por entre a chuva sem direção certa.
– Droga! –atentou-se Stella ao mesmo tempo em que começava a correr ao encontro dele, tentando alcança-lo. – James, espera! –ela exclamou, tentando chama-lo, mas ele deu de ombros, ignorando-a e continuando a seguir seu caminho.
Porém, a ruiva não desistiu, e ainda que estivesse praticamente encharcada pela chuva, continuou o seguindo. Entretanto, enquanto corria na direção dele, Stella acabou sendo invadida por milhões de pensamentos, e todos esses pensamentos envolviam o sujeito desconhecido que acabara de conhecer. Aliás, a palavra certa não era conhecer, mas sim reconhecer. Ela estremeceu com a hipótese, seria muita coincidência, não era possível, afinal, Bucky Barnes estava morto.
Estava mesmo?
Não. Ele não estava morto segundo seu pai, e Stella sabia muito bem disso depois de escutar todas as histórias de Steve. O Soldado Invernal era o ex-melhor amigo de seu pai, o homem por quem o Capitão América rodou o país para acha-lo, e não conseguiu.
Soldado Invernal... James... James. Os olhos azuis. A feição sombria. O rosto sério. O porte forte. A estrela vermelha no braço metálico. Um assassino. HIDRA. E enquanto repassava essas informações em sua mente, Stella finalmente caiu em si. Era ele. Sem dúvidas, era ele. Logo, a garota passou a correr com mais velocidade, tentando alcança-lo a todo custo.
Ao perceber que havia chegado a uma distância até razoável, Stella subitamente parou de correr, parou de caminhar, e apenas ficou ali observando o caminhar rigoroso de James. Sem saber muito bem o que estava fazendo, ela arriscou, o chamando, perguntando com toda a força que conseguiu:
– Bucky?!
Automaticamente, James parou de caminhar no mesmo instante em que ouviu o chamado dela. Ele abaixou a cabeça, sentindo as grossas gotas de chuva molharem seu rosto, sendo invadido por vários pensamentos. Flashes. Lembranças. Memórias. Tudo estava voltando, tudo estava o massacrando. Com a respiração desregulada e o coração batendo em disparada, o moreno virou-se devagar, com a surpresa estampada em seu rosto, e estudou minimamente aquela garota ruiva parada no meio da chuva, assim como ele.
James encarava Stella com indiferença enquanto passou a caminhar rapidamente na direção dela, aproximando-se com uma agilidade sem tamanho que até ela assustou-se, mas ao contrário do que esperava, não recuou um centímetro sequer.
A resposta foi óbvia. James Buchanan Barnes era seu nome.
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