Notas iniciais
Boa leitura.

Cassie nasceu em San Diego, uma cidade dos Estados Unidos localizada no sul do estado da Califórnia. É uma semideusa filha de Bia e Santiago, um filho de Ares e lutador de UFC. Morou desde pequena na mesma casa em um bairro de classe alta. Ela e o pai nunca tiveram problemas financeiros, já que o homem mantinha um bom salário com sua atividade profissional.

Não teve nenhum tipo de contato com a progenitora divina durante sua infância, e nunca soube quem realmente era. Levava uma vida comum e confortável. Era uma menina amável, sempre alegre e sorridente. Desde pequena costumava acompanhar o pai aos ginásios e academias para os treinos. Enquanto Santiago praticava, Cassie o observava com um brilho incomparável nos olhos castanhos. Mesmo sem entender perfeitamente do que se tratava, ela matinha uma forte paixão pelas lutas que presenciava. Tudo aquilo a encantava; os golpes e movimentos, as vozes altas em provocações contra os parceiros e até o som que os socos e chutes produziam. Porém, mesmo com essa fascinação por algo tão "masculino" Cassie nunca deixou de ser "feminina". Gostava de se arrumar, usar maquiagens e acessórios, pentear os longos cabelos sedoso em frente à penteadeira do quarto e depois correr até o pai perguntando como estava.

Santiago, que sempre cuidou da menina com carinho, não poderia amar ninguém de uma forma mais pura. Era ele que em todas as manhãs antes do colégio ajeitava sua roupa e desamassava o colarinho da blusa; que dobrava as bordas das meias brancas e rendadas que cobriam os pés da menina por dentro do sapatinho preto; que preparava seu café da manhã; que lhe contava histórias antes de dormir; e principalmente, era ele que a protegia do mundo à qual realmente pertenciam.

Cassie nunca amou ninguém mais do que o pai. Eram apegados de uma forma incomparável, conselheiros e amigos, e mesmo depois de crescida ela nunca deixou de confiar no homem. Sempre que precisava tirar suas dúvidas e buscar respostas, era a ele que procurava. Pois era ele que a conhecia tão bem quanto ela própria.

[...]

— Pai? – Cassie chamou, enquanto descia as escadas da casa.

A beira de seus dezesseis anos, a garota já havia desenvolvido um belo corpo e uma inteligência acima do comum. Alta e de pele morena, possuía curvas acentuadas e traços bem desenhados. De rosto alegre e sorriso contagiante, recebia cantadas e brincadeiras constantemente. Nunca havia se preocupado com coisas do tipo, por achar exatamente que não saíram das palavras.

Ao chegar aos dois últimos degrais, saltou, fazendo com que o cabelo castanho preso em um rabo de cavalo no alto da cabeça balançasse de um lado ao outro. Ela correu até a cozinha, sorrindo.

— Não me ouviu chamando? – Perguntou enquanto sentava-se em um dos bancos sem encosto encostados na bancada alta.

— Ouvi, eu ainda não estou surdo – Santiago a respondeu, sorrindo de volta.

Era um homem de trinta e cincos anos bem dotado. Musculoso e bronzeado, de olhos verdes e cativantes. Cabelos escuros assim como o da filha pendiam despenteados para o lado, acima da testa franzida.

— Não tenho tanta certeza – Cassie revirou os olhos. — Mas, então... O cheiro está bom.

— Eu sei que está, foi feito por mim – ele piscou, afastando-se do fogão.

A garota desceu da bancada e arrastou os pés até ele, socando suas costas.

— Quando vamos treinar novamente? – Disse, erguendo a mão em frente ao rosto e fazendo uma careta.

— Ahn... – Ele hesitou, em dúvida — Semana que vem. Estou pensando em tirar umas férias, me ausentar um pouco. Estou ficando velho, baby.

— Mas... Mas... – Ela tentou argumentar.

— Nada de ''mas'' – Santiago sorrio, erguendo seu olhar até a menina. — Hm... Cassie, sabe que eu lhe amo, não sabe?

Ela estreitou os olhos.

— Sei. Mas desembucha logo, o que você quer?

Santiago arregalou os olhos, levando as mãos até o peito fingindo ter ficado chateado.

— Como pode pensar isso de mim? – Perguntou ele, tentando conter o riso.

— Anda pai, eu não tenho a noite toda.

— Está bem, está bem. É que... Eu esqueci a mochila com a carteira, celular, chaves reservas e energéticos na academia. Poderia buscar pra mim?

— O quê? Não! Não mandei você ser tão desligado. Se vire.

— Ah, Caaaaassie! Princesinha do papai, minha garotinha fofa... – Santiago disse, aproximando-se da menina e a cutucando. — Por favor! Eu estou cansado, treinei o dia todo, você sabe...

Cassie revirou os olhos, bufando. Caminhou até a sala e pegou seu moletom jogado sobre o sofá, calçou os sapatos jogados em um canto e voltou a cozinha, onde lançou um olhar irritado á Santiago, dirigindo-se a porta de entrada da casa logo após, sem dizer mais nada.

Ao vê-la sair, Santiago sorriu mais uma vez.

Notas finais
Espero que tenham gostado (já irei postar o segundo capítulo).