Nas Areias Do Deserto
3 Capítulo 3
Notas iniciais
No mas boa viagem ...ops leitura!!!
Capítulo betado pela maravilhosa, esplendorosa, magnânima (é assim que se escreve?!) Morrigan
Nas Areias do Deserto
O sol já estava alto quando Josh acordou na tenda que dividia com Roberth, vestiu uma calça bege com suspensórios e uma camisa branca de algodão com mangas e depois de expulsar um escorpião de dentro de suas botas as calçou. Saiu da tenda sentindo um cheiro de café, foi até um fogão improvisado e encheu uma caneca, em seguida saiu pelo acampamento procurando o professor, pois precisava falar com ele. Não conseguia tirar da cabeça os pensamentos de que tinha alguma ligação com o povo do Éden, pois ele percebeu sim que existia uma ligação entre ele e os semi-anjos, decidiu chamá-los assim, massageando o ombro esquerdo, pois aquela dor incômoda ainda insistia em se mostrar presente. O loiro tentava insistentemente juntar as peças do quebra cabeça que teve a noite, sim aquilo não foi um sonho, e sim um louco quebra cabeça, um amontoado de imagens, pra ele não passava disto, imagens de um castelo, de alguém falando uma língua que ele não entedia e um anjo, um lindo anjo de cabelos lilases com grandes asas brancas, sua voz era imponente e grave, sentia um arrepio percorrer todo o seu corpo ao se lembrar daquela voz o chamando.
- E aí pirralho, vai ficar sonhando acordado com essa cara idiota, ou vai nos ajudar com o tesouro. – a voz irritante de Samanta o interrompe de seus pensamentos. Josh virou em sua direção e notou que ela estava saindo da escavação com algumas sacolas e não precisou se esforça para saber o que tinha dentro, ele até se esforçava para gostar da garota, mas quanto mais ele o fazia mais a garota se mostrava arredia, como se nada importasse a não ser o tesouro.
- Bem, não é do meu interesse o tesouro e sim o conhecimento. – Fala orgulhoso, pois não tinha vergonha de expor seus ideais.
- Hahaha... Conhecimento não enche barriga garoto... – afirma Orácio o pai da garota. – Isso sim! – completa, mostrando a Josh um baú cheio de jóias.
- Somos profissionais e não caçadores de tesouros. – o professor estava saindo das escavações quando escutou a discussão, sempre fora uma tarefa difícil encontrar amantes do conhecimento e não de tesouros, ficava triste ao perceber que a ambição de Samanta estava contagiando seu pai também.
- Ora velho amigo, mas riqueza nunca fez mal a ninguém.
- Orácio... Orácio... A riqueza pode até não fazer, mas o amor ao dinheiro é a raiz do mal. – confirma Richard, indo até suas ferramentas e jogando uma colher de pedreiro e alguns pincéis para Josh – Vamos! Mexam-se, chega de discussão, temos muito trabalho pela frente.
Logo todos pegaram os seus devidos materiais e se colocaram a trabalhar. O serviço era minucioso e lento, tudo tinha de ser observado, medido, fotografado e anotado, e assim o tempo foi se passando. Já era fim de tarde quando Josh decide que era hora de falar com o professor e o segue até sua tenda.
- Professor preciso falar com o senhor, é importante. – hesita um pouco, mas se sente mais a vontade com o convite para entrar na tenda.
Com receio tira a estatueta do bolso e o pingente do pescoço e entrega ao professor.
- Bem... Err... Desculpe ter pegado a estatueta sem permissão Richard, não era minha intenção roubar, só queria esclarecer algumas coisas... – interrompe a frase subitamente, pois a dor no seu ombro se torna aguda, como se uma faca estivesse penetrando em sua carne. – Ah! Está queimando! – exclama caindo de joelhos e ofegando com uma das mãos sobre o ombro.
- Josh, meu jovem? Está tudo bem? Esta sentindo mal? O que foi?! – o professor bastante preocupado se aproxima, tentando tocá-lo.
- Me... Meu o-ombro professor... Dói muito... Ah!
- Deite-se, deixe-me ver. – rapidamente o professor deita o garoto sobre um tapete que estava estendido em um canto no chão, rasga a sua camisa com urgência e corre o olhar sobre os ombros pálidos do loiro até parar em algo que o deixa estupefato, claro que ele sabia que seu ex-aluno era especial, mas jamais tinha imaginado o quanto! E mais do que isso, o sonho que tanto buscou e pelo qual sempre fora julgado como louco, perdendo até seu emprego na tão prestigiada Universidade de Harvard, estava agora sendo realizado diante deu seus olhos.
Com cuidado levou a mão até a marca recém adquirida pelo rapaz, a marca que o caracterizava como sendo um descendente direto do povo do Éden e principalmente, um com poder para procriar, pois era isso que ser possuidor de tal marca significava, o anjo segurando a serpente e a maçã, a prova de onde e a quem ele pertencia, sim por que ao aparecer a marca significava que estava destinado a alguém. “Então ele não é o único, existem outros...” – pensa o professor.
- Professor o que houve? O que tem nas minhas costas? O que o senhor fez? A dor esta passando... – com um pouco de dificuldade Josh se levanta e vê o professor correr até um espelho e lhe entregar com certo nervosismo.
Hesitante, o menino posiciona o espelho a um ângulo que lhe permite ver onde antes queimava e que agora parecia estar anestesiado, arregalou os olhos quase deixando o espelho cair de suas mãos realmente espantado com o que vê.
- M-Mas que o que é isso?! Ah meu Deus...
- Acho que você já sabe o que significa isso Joshua...
O loiro lança um olhar de incredulidade para Richard. – Mas eles não existem! Quero dizer... Estão mortos, todos, extintos... É inacreditável... Como o senhor quer que eu acredite que sou descendente de um anjo?! meus pais s...
- Seus pais o quê Joshua? Você os conheceu? Sua mãe pelo que sabemos era estrangeira desse continente para ser mais exato, você tem um sobrenome antigo, que se perdeu na história, incomum, um pingente com o mesmo símbolo em suas costas... E você viu isso aqui? – questiona levantando o espelho mais uma vez e mostrando dois riscos nas costas de Josh, um de cada lado do ombro. – Você está despertando... Em breve surgirão as suas asas.
- ASAS! Oh meu Deus! Asas! Como assim asas?! – indaga apavorado por descobrir-se da linhagem dos anjos e agora teria que andar por ai com asas? E Harvard? E seus sonhos?! Como andaria por ai nas ruas? Como?! Era impossível! Anjos não andam por ai entre os humanos... – Isso é extraordinário... – sussurra.
- Coisas extraordinárias só acontecem a pessoas extraordinárias...
- Professor, por que isso tudo agora? Digo, por que eu estou “despertando”, como o senhor mesmo disse, por que não antes?
- Creio que seja por causa do lugar... Bem... Aqui a energia espiritual é muito forte. É como se fosse uma chave para o seu corpo, abrindo portas que até então eram desconhecidas para você, mas não para como posso dizer... Para o seu eu, sua consciência. E também a marca ter aparecido significa que ele está perto, o seu predestinado...
- Meu p-predes... tinado?
- Sim, o outro anjo que está destinado a você... Ou melhor, vocês estão predestinados um ao outro. É como se a sua alma clamasse pela dele e a dele pela sua...
- Mas professor! Eu não posso passar o resto da minha vida preso a um homem... Quero ter uma família... Esposa... Filhos...
- Ah... Não se preocupe você poderá ter filhos sim, afinal a marca do anjo com a maçã, significa que você, Josh, é a “mãe”, enquanto a marca do pai é o anjo segurando a espada e o escudo.
Nessa hora Josh teve certeza que iria desmaiar por sorte o professor viu quando seu rosto empalideceu e seus olhos foram ficando opacos, tomando logo uma cadeira e sentando o estudante nela.
Foi até uma moringa, despejando um pouco de água em uma caneca e a estendeu a Josh que aceitou agradecido, lá fora a noite caia aos poucos e com ela veio um frio que Josh associou ao momento em que estava vivenciando.
O professou o fitou por um longo tempo e os dois deram lugar a um silêncio reflexivo e tão absorto em seus pensamentos que não se deram conta da figura que até então expiara furtivamente toda a conversa da dupla e agora saia de fininho com a certeza que tinha um grande trunfo nas mãos, planejando como tirar vantagem de tal informação.
- Preciso pensar... – afirmou o jovem se levantado e caminhando para a saída da tenda.
Sob o olhar dos três companheiros do professor que estavam se esquentando na fogueira pegou um cobertor em sua mala que estava no jipe e caminhou para a escavação, pois precisava ficar só.
- Ei pirralho, gosta tanto assim de cadáveres que vai passar a noite com um. – ouviu a voz de Samanta zombando ao longe, mas não se incomodou, tinha coisas mais importantes em sua mente neste momento. Chegando a escavação caminhou até a câmara e foi até as figuras e escritos nas paredes tentando ver se compreendia algo mais. Na verdade tentava achar algo que lhe dissesse que tudo não passava de um terrível engano, ele não queria isso! Não eram essas as repostas que havia buscando com tanto empenho. — Droga! Por que não sou normal?!
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No acampamento todos já dormiam e a fogueira ainda crepitava, dando sinais que em breve iria se apagar, mas ainda iluminava alguns vultos que silenciosamente se aproximavam do acampamento, o mais alto fez sinal para que outros dois fossem verificar as cabanas sendo rapidamente obedecido, ao mesmo tempo o vulto mais alto fez sinal com a tocha em direção ao horizonte escuro, onde ali se encontrava a espreita um exercito de aproximadamente cem homens montados em cavalos de puro sangue Árabe. Sim era um exercito de beduínos, nômades do deserto, homens que vivem do comércio ou de roubos. Costumavam atacar caravanas e fazerem escravos para depois vendê-los a príncipes, marajás e senhores de posses. O líder dos beduínos ao perceber o sinal de seus homens, da à ordem para avançarem, e com a velocidade do vento, com a força e vigor que suas montarias lhes permitiam, eles partem em direção ao acampamento.
Josh acorda com um solavanco e se vê jogado ao chão, atordoado, mal consegue reparar na figura mascarada que o arrasta para fora da tenda juntamente com Roberth. Logo que se vê fora da tenda, percebe espantado a quantidade de homens que os cercam montados em seus cavalos. Ele olha em volta e seus olhar pousa na figura de seus amigos no centro do acampamento, e com brutalidade é arrastado até eles.
Nesse momento abre-se um corredor em meio aos homens e a figura mais imponente que Josh já vira para perto dos arqueólogos. Seu olhar como de uma serpente pronta a atacar passa por cada uma das figuras amedrontadas, então ele desce do cavalo e vai até Samanta, fazendo sinal para que ela se levantasse e no mesmo instante o homem que a segurava permite que ela avance até o líder selvagem dos beduínos das areias do Sahara, Karf Sheikh; Um homem alto, de pele escura, queimada pelo escaldante sol do deserto, cabelos longos, pretos como a escuridão da noite e olhos de um azul profundo e escuro. Com 17 anos havia se tornado o líder daquele bando, após matar o próprio pai depois de tê-lo desafiado pela liderança do grupo, por não concordar com os ideais de seu pai que deveriam ser simples comerciantes a serviço do rei de Mubak, o reino a qual aquelas terras que pisavam naquele momento e escondiam imensos tesouros pertencia.
Por que ele deveria servir a um rei fraco e indigno que nem era parte daquele povo? Ele nem mesmo era filho do antigo rei, era? Não! Ele sim seria um rei melhor e para isso juntava tesouros e mais tesouros, pois aprendeu que a riqueza compra qualquer coisa, e a riqueza iria lhe trazer aquilo que ele mais desejava: o reino de Mubak, assim como a família real e todo o seu povo aos seus pés.
E olhando para aquela garota, ele percebeu que realmente o dinheiro comprava tudo! Até mesmo a fidelidade.
- Samanta. Minha querida... Agradeço pelas informações tão preciosas. Um tesouro escondido nessas ruínas... Quantos passaram por aqui e nunca se interessaram por elas... Que ingênuos. – afirmou, desviando seu olhar para Richard. — E bem aqui, temos um velho que ousou perseguir seu sonho! E eu o parabenizo por isso... – sua voz era mansa e seus gestos eram precisos como os de uma raposa.
- Karf Sheikh... Vejo que conhece Samanta. – sim o professor sabia muito bem quem era a figura rígida e imponente a sua frente, pois até mesmo na capital do Egito sua fama era conhecida.
- Professor... Professor... Acha mesmo que eu permitiria que o senhor e sua equipe escavassem por esse deserto sem a minha supervisão? Velho sonhador... Deixei que fuçasse por ai porque eu sempre tive conhecimento do que existia por essas terras, só não sabia a localização exata e era ai que o senhor entrava afinal o deserto é assim... Por onde andamos sempre acabamos por tropeçar em algum tesouro. – Karf disse a última frase com seus olhos analisando a figura de Josh, falava tudo isso de uma maneira cínica e seus lábios se entornavam para um lado na tentativa inútil de esboçar um sorriso.
- Então você Samanta não passa de uma espiã?! Como ousa nos trair, e principalmente ao seu pai? — Roberth se manifestou, estava indignado com toda aquela situação, mas o que o preocupava era a razão para aqueles homens estarem ali.
- Que isso meu caro Roberth... Acha mesmo que não conheço minha família? Samanta é casada com o meu sobrinho. – disse se levantando, sacudindo a poeira das roupas e apontando na direção do líder dos beduínos com a cabeça. — Sim eu sou o tio de Karf e me aproximei do professor por que ele era o único que poderia nos levar ao verdadeiro tesouro do povo do Éden e ajudar a desvendar os seus segredos.
- Orácio... C-como pode... – os olhos do professor expressavam uma decepção tão grande que fez as entranhas de Josh dar nó. – Eu realmente acreditei que era meu amigo, que juntos traríamos a luz do conhecimento ao mundo, uma nova ideologia para o amor, para harmonia entre os seres humanos e você me diz que... Que... Tudo era mentira?! Quando chegamos aqui, tudo o que você me disse sobre mudarmos o mundo... Tudo era mentira?! – perguntava o professor, não com voz alta, mas como um murmúrio, que Josh pode notar toda a decepção no tom que ele usou.
- Richard pare de sonhar, você já está velho, nunca conseguirás mudar o mundo e nem ninguém. As pessoas não mudam, as situações são imutáveis, quanto a mim, usarei parte deste tesouro para mudar a minha vida e quanto ao anjo ele apenas nos trará mais sorte, ele será apenas um complemento e quem sabe gerará guerreiros extraordinários quando Karf o tomar.
Nessa hora foi como se de repente Josh não estivesse mais no deserto, pois o frio que ele sentiu percorrer por sua espinha era como se tivesse sido transportado para o pólo sul, seria possível Orácio estar falando dele? Mas como?! Como ele sabia? – “O professor deve ter dito”. - pensou aflito.
- Do que está falando Orácio? – o professor foi ríspido ao perguntar, pois não podia acreditar que eles haviam descoberto sobre Josh, só ele e o estudante sabiam do segredo de Josh então não teria...
- Devia tomar mais cuidado quando quiser ter uma conversa particular com alguém Richard, as paredes têm ouvidos... Hahaha! – se manifesta Samanta que não parava de se esfregar no homem ao seu lado como se fosse uma cobra. – Eu escutei quando o pobrezinho do anjinho queria conversar sobre o seu passado e o segui até a sua tenda professor. – ela começa a serpentear até o garoto, falando com uma voz esganiçada como se estivesse imitando uma garotinha. — Ah eu não sei quem sou... Estou tão sozinho... O que é esta marca? Eu sou predestinado?! E todas essas baboseiras, quem diria hein? Que tudo o que procuramos estava tão perto? – segura o queixo delicado de Josh entre seus dedos que em um movimento rápido o desvia de suas mãos.
- Bem chega de conversa. Homens! Peguem tudo de valor e comecem a carregar os camelos que trouxemos para isso, Orácio amarre o “anjo”. Você será responsável por ele durante a viajem de volta ao nosso acampamento e vocês três matem esses dois e queimem tudo. – ordenou Karf.
- O quê?! Não! Não, pelo amor de Deus não faça isso! – gritava Josh desesperado, as lágrimas corriam por seu rosto. – Eu vou com vocês! Faço o que quiserem, só deixem o professor e o Robeth partirem em paz!
Karf então estreita seus olhos e se aproxima do garoto. Olha-o como se examinasse um animal muito raro e chega perto do rosto de Josh sussurrando ao seu ouvido:
- Mas você vai fazer tudo que eu quero... Afinal que escolha tu tens? Rápido todos! – grita e logo se levanta deixando a grande capa esvoaçando com o vento, dando a impressão de serem asas de um demônio.
Então uma explosão no centro do acampamento assusta a todos, e mais que depressa inicia-se uma correria. Por um momento Josh se vê esquecido até sentir mãos fortes o puxarem para um canto quando ele vira o rosto e se depara com Roberth o arrastando até atrás de uma tenda juntamente com o professor.
- O que aconteceu?
- Eu joguei algumas dinamites que usávamos nas escavações na fogueira, toma! – entrega uma mochila para Joshua. – Ai dentro tem seu passaporte, alguns pergaminhos juntamente com algumas anotações minhas e um livro que pode te ajudar a traduzi-los. Escute! Pegue um cavalo e fuja! Não olhe para trás até chegar ao Cairo e quando chegar lá fuja do país não entre em contato com ninguém, volte para o convento onde foi criado e lá você estará seguro.
Josh não conseguia se concentrar direito no que Roberth dizia, o barulho no acampamento era ensurdecedor as dinamites ainda pareciam estar estourando e vários homens gritavam em uma língua que ele não compreendia. Podia ouvir Karf e Samanta gritando seu nome e ditando ameaças.
- M-Mas e vocês, vamos juntos, professor... Por favor, eu não vou conseguir sozinho, não sei nem qual direção tomar. – Josh queria convencê-los a irem com ele, mas tudo que dizia parecia inútil.
- Josh não há dúvidas que você tem uma missão a realizar neste mundo, então é necessário que sobreviva, encontre o seu anjo predestinado e tenho certeza que a sua vida passará a ter sentindo, você verá que pode muito mais do que você imagina. – o professor o abraça com carinho e o beija na testa. – Tudo o que vivi em toda a minha vida foi por este motivo, protegê-lo neste momento crucial, não se preocupe, pois morrerei feliz sabendo que você ficará bem, agora vá! Vá!
Neste momento Roberth chega com um cavalo e ajuda Josh a montá-lo e quando garoto levanta o rosto para se despedir do amigo vê com horror Orácio o cortar a garganta com uma espada, o professor dá um forte tapa na traseira do cavalo que com o susto começa a cavalgar rapidamente pelo deserto dando ao garoto somente tempo de olhar por cima do ombro e ver o professor ser jogado no chão por Karf e Samanta. Josh não queria ver a morte do seu mentor, a pessoa que sempre o tratara com amor de um pai e que lhe ajudou a descobrir quem ele era. Iria honrar o sacrifico de seus amigos e viveria, fugiria e seria livre. Tornou a olhar para frente e então sentiu uma dor forte no braço direito. Quando passou a mão, sentiu algo úmido reparando que era sangue, estava ferido, mas estava decidido a não sucumbir ali, sozinho naquele lugar. Apertou as rédeas do cavalo fazendo o animal aumentar a velocidade e juntos sumiram na imensidão árida daquela noite gelada sobre as áreas do deserto.
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- Mas que inferno, será que só tem incompetentes por aqui? Recolham o tesouro, esperamos amanhecer e vamos segui-lo. Ele não irá longe, não conhece o deserto e está ferido. – Karf estava furioso, detestava quando não tinha as coisas sobre o seu controle e a fuga do “anjo” não estava em ajudando em nada, porém isso não seria problema, um garoto da cidade não duraria um dia naquele deserto que era a sua casa, o seu mundo. Eles o perseguiriam ao amanhecer, neste meio tempo o “anjo” já estaria fraco pela perda de sangue devido a um ferimento superficial, como tinha pedido para seu tio fazer, admirava a pontaria do velho, um tiro no braço não o mataria pelo menos não tão rápido, mas tardaria a sua presa e isso tornava a caçada mais interessante. Não que estivesse se interessando pelo garoto, nem de homens gostava, mas se ele era mesmo descendente daquele povo místico que todos os povos do deserto conheciam a lenda, certamente já seria mais uma arma para ajudá-lo a conquistar aquilo que mais desejava: o reino de Mubak.
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Amanhecia no deserto do Sahara, o sol subia mostrando a todos os seres daquela região o quão impiedoso poderia ser a hora em que o sol chegava. O dia era o seu momento, então o astro rei brilhava com mais intensidade e queimava com seus raios tudo o que tocava. Josh não sabia quanto tempo estava cavalgando, ele não sentia mais seus braços, segurava as rédeas somente com uma mão. Sentia o sol escaldante queimando seu rosto e sua mente não conseguia mais raciocinar. Os pensamentos não se organizavam em sua cabeça, ele não sabia em que direção ir ou qual era o seu destino, seus olhos no começo pregavam peças, hora ele via nascentes de água, outra hora via pessoas caminhando... Nessa hora o único pensamento passou por sua mente fora que o anjo de seus sonhos aparecesse ali e o salvasse, pois não queria mais estar só, mas agora seus olhos queriam fechar, suas pálpebras teimavam em pesar e não podia desmaiar, tinha que prosseguir... A última coisa que se lembrava é de ver uma caravana ao longe e de sentir o chão contra seu rosto enquanto areia entrava em sua boca.
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Enquanto isso em um palácio a quilômetros de distancia, um homem de cabelos incrivelmente lilases, algo nunca visto em alguém nascido naquele país, pele nem branca e nem morena, mas de um pardo que dava uma beleza singular ao corpo perfeitamente escultural, como que se tivesse sido moldado por capricho de Deus, com olhos de um azul profundo como cobalto, se remexeu entre os lençóis de linho sobre a imensa cama em um dos quartos do colossal palácio. Tudo indicava que acabara de acordar, mas não tinha dormido bem à noite, pois esta lhe foi povoada de pesadelos. Estava cansado... Havia várias noites que vinha sonhando com um anjo loiro, pequeno... E no sonho tal anjo sempre estava em perigo e ele, Shion Sheikh, rei de Mubak não conseguia salvá-lo.
- Tsc... O que significa esses sonhos... Será que eu não sou mais o único como eu pensava? Tudo indica que sim, pois a tatuagem começou a queimar e isso só pode significar que ele está perto... – pensou o jovem rei. Shion tinha 32 anos e há dezessete era o rei de Mubak, uma nação próspera e rica. Sua ascensão ao trono se deu logo após a morte de seu pai e não fora muito bem quista entre as nações do deserto e muitos até tinham desfeito suas alianças com a nação do rei bastardo como era chamado, por ser filho ilegítimo do antigo rei, pois o antigo rei era um homem bom e justo, muito amado pelos seus súditos. Fora em uma de suas viagens que encontrou o pai de Shion prestes a morrer no deserto e jurando ao mesmo que cuidaria da criança e protegeria depois do jovem pai ter revelado a verdade sobre o pequeno, sobre ele ser descendente de um antigo povo que não mais existia e deveria ser protegido. E assim o fez, o rei o criou, o amou como um verdadeiro filho e mesmo depois de se casar e ter um filho de sangue jamais deixou de amá-lo, confiando assim o seu reino no leito de morte.
Resolve se levantar e vai até a janela observar o dia, sentia falta de seu irmão e precisava conversar com alguém... Já fazia um mês que Shin tinha partido para nação de Zarpara para formar uma aliança, e até agora não tinha dado noticias. Suspirando ele se dirige a uma sala ao lado do seu quarto onde as criadas já o aguardavam, com uma reverência, duas delas se aproximam e começam a despi-lo, logo ele entra com cuidado na enorme banheira feita de granito e pedras preciosas, decidido a relaxar, se deita de costas em frente a uma criada que começa a lhe esfregar as costas e a outra massageia seus cabelos.
Notas finais
Espero que estejam curtindo assim como estou curtindo escrever, quero saber as opiniões, pode ser??
Bjs e agradeço os reviews de coração, até a próxima!!!!
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