Nas Areias Do Deserto
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Aviso:Nesse capítulo irei trazer algumas ideias que podem confrontar alguns conceitos e opiniões.
Capítulo betado pela Morrigan, mais uma vez obrigada!
Boa Leitura, bjs!
Nas areias do Deserto
Era com bastante curiosidade e um pouco de ansiedade que Josh abria as caixas. Nas primeiras tinha encontrado pequenos vasos, pratos e punhais de ouro com pedras preciosas cravadas nas “asas”, bordas e cabos. Olhava maravilhado a riqueza de detalhes que tais peças detinham, todas bem trabalhadas, viu também antigos pergaminhos, muitos incompletos devido a ação do tempo, outros ainda era possível ver as escrituras, mas Josh não sabia interpretá-los pois a escrita era algo que até agora ele não tinha visto. Desistiu de tentar entendê-los, foi então que sua atenção foi direcionada para a estatueta do que ele achou ser um deus antigo, a imagem não se parecia com os as estatuas normais dos deuses egípcios, que continham a cabeça representando algum animal e o corpo humano, essa ao contrário era toda em forma humana, exatamente a de um homem nu, mas o que Josh achou realmente curioso era a elevação no ventre da estatueta, seria uma deformidade da obra ou teria sido proposital? A estranheza do detalhe se dava devido ao culto ao corpo que os povos antigos praticavam então isso era sempre retratado em suas esculturas e pergaminhos.
Rolando a estatueta nas mãos, o garoto percebe algo que lhe deixa espantado, como seria possível? O que significava aquilo? A tatuagem, ou melhor, o símbolo que estava cravado nos ombros da estatueta era exatamente o símbolo do pingente que Josh carregava consigo desde que era um bebê, com o mesmo desenho, o de um anjo segurando em uma das mãos uma maçã e na outra uma serpente, algo que não era comum, pois Josh já havia pesquisado em praticamente todos os livros sobre simbologia, desde que se viu desperto pela a imagem do pingente e a ânsia de saber mais sobre o seu passado, até mesmo sobre a sua família e nunca tinha encontrado nada, nenhuma informação e ali praticamente do outro lado do mundo ele vê exatamente a mesma imagem desenhada detalhadamente em uma estatueta de milhares de anos.
- Joshua onde você está? – Ouviu a voz do professor chamando-o. Rapidamente esconde o objeto no bolso da calça, certamente teria que ir mais fundo nisso.
- Aqui professor, já vamos? – Pergunta olhando o velhinho que acompanhava o seu professor.
- Em breve, antes quero apresentá-lo ao meu mestre e amigo Doutor Hajime Kinjhuwe ele é o curador e diretor geral do Museu do Cairo, quando disse que tinha um amante das artes e da cultura egípcia como acompanhante logo ele quis conhecê-lo.
- Sou Joshua Kadalli, é uma honra senhor. – aperta a mão do senhor Hajime que era um velho que aparentava ter uns 100 anos, que besteira Josh onde que alguém com esta idade iria conseguir este emprego, trabalhando em um lugar tão grande como esse?
- Kadalli... Hm... Seu segundo nome é por parte de quem? Ele não me soa estranho, mas também não é comum. – pergunta o velhinho.
Essa era outra curiosidade de Joshua por nunca ter encontrado referência alguma sobre seu sobrenome. — Não sei Dr. Hajime, as freiras dizem que foi o nome que minha mãe me deu antes dela morrer depois de ter me dado a luz, meu pai eu nunca soube quem era, as freiras também não sabiam sobre minha mãe, apenas duas horas antes de eu nascer que ela tinha batido na porta do orfanato.
- Bem, Hajime esta na hora de irmos, assim que o restante do equipamento chegar você mande me avisar e não se esqueça de lembrar a embaixada dos Estados Unidos sobre a escolta, pois sinto que o nosso tempo esta esgotando, eles não estão muito satisfeitos de nos ver rondando perto de suas fronteiras. – Dita o professor Richard com um pouco de desconforto.
- Certo, deixe tudo comigo e cuide-se. – os dois velhos amigos apertam as mãos, e com uma leve reverência com a cabeça o mais velho se despede de Joshua.
Já tinham rodado cerca de três horas pelo imenso deserto, o manto da noite já estava se estendendo sobre a imensidão de areias outrora douradas que agora se tornavam um grande mar de escuridão, Josh se sentia cansado e sedento, lhe parecia que começava a congelar pois a temperatura estava caindo bruscamente, foi com alegria e alívio que recebeu a notícia que já estavam chegando e pode ver para onde o professor apontava ao longe uma pequena elevação depois de uma duna ao centro pode ver as luzes dos lampiões e fogueiras.
Chegando ao acampamento que tinham quatro tendas dispostas ao longo do sítio que era cercado por algumas ruínas parcialmente cobertas com areia, que pareceu aos olhos do garoto ser de algum templo, foram logo recebidos por três figura bastante animadas.
- Professor... Professor... Ah que bom que chegou... O senhor não faz idéia... Quando vimos já tinha desmoronado em cima de nós. E era grande... Mais o senh... – uma garota baixinha de longos cabelos pretos e pele morena não devia ter mais que 24 anos de idade atropelava as palavras que saiam de sua boca com uma pressa incrível.
- Calma Samanta, assim você vai ter um treco. – interrompeu um homem alto de corpo bastante musculoso aparentava ter uns 40 anos, pele bastante queimada pelo sol, cabeça calva e o outro era um rapaz magro e alto, usava óculos com aros de tartaruga que juntamente com as calças com suspensórios dava um ar meio que nerd a figura pálida do garoto. Os três estavam cobertos de poeira como se tivessem acabado de sair de uma tempestade de areia.
- O que aconteceu aqui? Foram atacados? Vocês estão bem? — pergunta o professor aflito percorrendo os olhos em cada um dos três ajudantes vendo se encontrava algum ferimento.
- Relaxa Richard estamos bem é que fizemos mais uma descoberta. Na verdade acho que foi ela que nos descobriu. E aí não vai fazer as apresentações? – Disse o mais alto olhando para o loirinho.
- Ah sim perdoem os maus modos deste velho, venha aqui meu rapaz. – chamou Josh para mais perto que até então apenas observava com interesse todo o sítio e se perguntando por que só havia quatro pessoas trabalhando nele.
- Olá – acenou para todos com um radiante sorriso que conquistou a todos de cara.
- Pessoal este é o aluno do qual eu tinha falado com vocês, ele ira passar duas semanas conosco aqui no sítio, peço que cuidem dele e se possível satisfaçam todas as suas curiosidades, se bem que, pelo que me lembro elas é são muitas. – disse o professor com a mão no queixo e dando uma típica de suas longas gargalhadas. – Josh esse jovem aqui magro como uma vara e com cara de cientista é o Roberth ele é britânico, tem 23 anos e fez faculdade de história em Oxford, há um ano ele se juntou a nossa trupe... – apresenta o jovem de óculos para Josh e virando-se para o mais velho dos três ele diz – Este é um grande amigo Orácio. Conhecemos-nos há cinco anos na Grécia, desde então ele tem sido um fiel amigo e essa é sua filha Samanta el....
- Tá...Tá... Eu sou a Samanta muito prazer Joshua, – dita a garota impaciente – Agora será que dá para os dois nos acompanharem para podermos logo acabar com isso, quero que veja algo professor é incrível... Venham. — A garota sai arrastando o velho professor pelas mãos e os outros se rendem, acompanhando os dois que já sumiam dentro do túnel recentemente cavado pelo professor e sua equipe.
Joshua sente um arrepio percorrer sua espinha. A cada passo que dava para dentro da escavação um misto de euforia com apreensão começava a brotar dentro de seu coração, ele não conseguia descrever este sentimento, tudo bem que era um amante de novas descobertas, e um curioso por natureza, afinal o seu lema era: o pior dia da minha vida é quando o dia passou e não aprendi nada. Ele gostava de estar por dentro, de saber onde estava pisando, com quem estava lidando, isso fazia parte de sua segurança, pois apesar de ser órfão, não na verdade por ser órfão sempre teve que se sobressair, sempre provando para si mesmo que ele poderia ser alguém, uma pessoa melhor que deixaria sua marca no mundo, queria ser lembrado e não ser apenas mais uma pessoa que passou sem se preocupar com o próximo, ou trazer algum tipo de benefício para a humanidade. Ele sempre viu na arqueologia a porta para isso, pois ali poderia saber mais sobre a humanidade que ele tanto ama e admira, humanidade essa que está sempre evoluindo e que se não for lhe ensinada o caminho correto, esta evolução poderia estagnar.
Entrou pela câmara onde os outros já se encontravam, notando alguns desenhos nas paredes, foi até eles examinado com atenção, notando serem os mesmos semelhantes à estatueta que ele tinha escondido em sua calça, passando a mão por ela levou até o bolso e retirou a estatueta, começando a comparar os desenhos, pegou também o pingente notando que realmente era o mesmo desenho, decidido a conversar com o professor sobre isso resolve ir de encontro aos outros.
A câmara era imensa, detinha muitos tesouros, tanto jóias como jarros e vasos de barro, espelhos enormes do tamanho de paredes com molduras de ouro, e centenas de baús com vários tipos de pedras preciosas, muitas desconhecidas para si, mas se estavam em meio a rubis, esmeraldas, diamantes com certeza deviam ter certo valor. Notou os outros reunidos perto do que parecia ser uma tumba.
- Veja professor – Roberth mostrava algo nas laterais da pedra da tumba. – Não parece ser um sarcófago como os dos egípcios, parece ser somente uma tumba, não parece haver armadilhas de sal pressurizado ou ácido.
- Não acredito é uma múmia professor, vocês acharam uma? – pergunta o loiro eufórico – Meu Deus, não acredito! Eu sonhava com isso desde que eu era um garotinho.
- Credo você sonhava com cadáveres quando era criança... Aff... — comenta Samanta com cara de nojo.
Com as bochechas coradas de vergonha pelo comentário da garota, Joshua se aproxima da tumba, claro que a garota não entendeu o que ele quis dizer, de como era precioso aquele momento, aquele lugar, uma oportunidade para saber mais uma pouco sobre a história da civilização.
- Ei realmente para vocês o que interessa são cadáveres, não repararam em volta, todo esse ouro, prata, diamantes... Argh – Samanta grita furiosa.
“É realmente ela não entende a grandeza do que estamos fazendo aqui” – pensa Joshua.
Riqueza não era o objetivo de Joshua, acostumado com pouco soube viver assim, não que não gostasse de comer bem, ou se vestir bem, ou não sonhava em ter uma bela casa, onde teria uma bela esposa e filhos, ele teria isso sim, mas tudo conquistado por seu esforço, não achava certo mexer naquele tesouro que para ele era algo que não lhe pertencia, então, ele também não concordava que os achados deveriam ser tirados do Egito, nunca concordou com os chamados arqueólogos, que pegavam todos os tesouros que eram encontrados nas pirâmides e templos para serem levados para museus de outros países e quando discutia isso com seus colegas de faculdade eles o chamavam de ingênuo, é talvez ele fosse mesmo, afinal quem mais ficaria feliz em estar em um buraco cheio de terra com um cadáver de mais de 3.000.00 anos, pensou nisso e sorriu consigo mesmo.
- Samanta você esta sendo inconveniente, nos espere lá fora, agora! – ordena o pai da garota. — Joshua nos ajude aqui, vamos empurrar a tampa.
- Sim, professor.
Os quatro homens se posicionam em frente à tumba com as duas mãos em cima da tampa da tampa e aos poucos sentem ela ceder, dando espaço a uma pequena abertura. Com mais um esforço empurram, e a mesma cai na lateral do tumulo se partindo ao meio.
- Argh... Ah! Mas que cheiro horrível... – Orácio diz tampando o nariz e se afastando.
- Professor? Hm... Isso é? Isso é um esqueleto? Não deveria estar mumificado?
- Bem observado Joshua, isso é mais uma prova de nossas suspeitas, repare com cuidado e observe embaixo dele.
Joshua se inclina com cuidado observado melhor dentro do tumulo.
- Isso são... P-penas? E que ossos são esses? Ele foi sepultado com seu animal de estimação? Visto que na época era um costume, não era?
- Bem esse era realmente o costume na época, quando o faraó morria eram todos os seus bens, incluindo escravos e animais sepultados junto com ele. Mas este não foi o caso, suspeito que ele nem mesmo era um faraó, um rei sim, mas de um povo desconhecido para a humanidade até agora. Joshua... Estamos pisando na maior descoberta de todos os tempos, ah nem acredito que minhas suspeitas estavam corretas. – Richard diz nervoso andando de um lado para o outro enrolando os bigodes nos dedos. – E todos pensaram que eu estava louco, ninguém acreditou, quando eu disse que podia encontrá-lo. Foram décadas estudando o aramaico antigo, mapas e a bíblia. Cada menção do lugar, cada dica que o livro sagrado pode me dar eu me apeguei a elas...
- Professor você acha que encontramos? O verdadeiro?! – pergunta Roberth incrédulo com tal constatação.
- Pessoal... Por favor, esse suspense est...
- O jardim do Éden meu caro Joshua! – Interrompe-o bruscamente o professor. O local onde de acordo com a Bíblia teve-se inicio a criação do mundo, onde Deus criou o primeiro homem e também a primeira mulher e onde fora o inicio de tudo.
- Mas professor... Se isso é verdade o que este cadáver tem a ver com tudo isso, por que só olhando para ele o senhor pode afirmar com tanta certeza que aqui era o Éden?
- Roberth, você como o nosso historiador pode esclarecer as dúvidas de Joshua.
- A Bíblia relata que após a expulsão de Adão e Eva do Jardim, o que se deu após eles desobedecerem a Deus e comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus colocou dois anjos cuidando do Jardim, eles deveriam protegê-lo e impedir que os humanos retornassem ao Éden. O que veio depois disso não está na Bíblia que conhecemos, pois o restante se perdeu com o tempo e quando foi achado a igreja católica não permitiu que tal conteúdo viesse a tona, pois iria contra aquilo que ela e as religiões que tem como base o livro sagrado pregam.
- Como assim? E onde está o restante destes escritos? – Joshua estava um pouco impaciente, ele não sabia se era por ser tarde da noite e já estar cansado, ou se era aquela dor em seu ombro direito que começava a incomodá-lo, com certeza um mau jeito quando foram abrir a tumba, tudo que ele queria eram repostas e logo...
- Encontramos os escritos com o sobrinho de um antigo papa. – agora quem falava era o professor — Nele está escrito que os dois anjos que ficaram no Jardim se apaixonaram e assim como Eva, comeram da árvore. Deus os amava e então deixou que eles permanecessem no Jardim, mas como castigo pela desobediência, não poderiam jamais retornar ao céu e perderiam a sua imortalidade, então como sabemos os anjos não tem sexo definido, sendo assim um dos parceiros poderia engravidar, e foi assim que esta nação surgiu, o povo do Éden, uma raça somente de homens que podia procriar.
Joshua se lembra da estatueta em seu bolso e resolve falar com o professor sobre o que tinha descoberto, mas deixaria para quando estivessem a sós, por enquanto trataria de digerir tudo aquilo que lhe fora dito até agora. Isso pra ele que foi criado em um orfanato católico podia ser uma blasfêmia, como assim relacionamento entre anjos? Ainda mais envolvendo sexo e gravidez, a geração de outra vida por um ser que não é mulher muito menos uma fêmea, seria isso realmente possível?!
- Bem... Pelo que eu analisei as penas e os ossos embaixo do esqueleto pertencem às asas dele realmente. – afirmou Roberth, segurando uma pena e passando para Orácio que olhava tudo realmente surpreso.
- Ótimo! Bom trabalho rapazes... Voltemos ao acampamento, pois amanhã será um dia longo e Joshua precisa descansar, ele não está com uma cara muito boa. Se sente bem meu garoto?
- Estou bem professor... Uma boa noite de sono e tudo ficará bem. – Joshua realmente agradeceu aos seus pela sugestão do professor, pois realmente aquela dor em seu ombro estava queimando e doía muito, ele queria comer alguma coisa e se deitar, amanhã veria com mais calma as pinturas nas paredes e a estatueta. Procuraria uma maneira de conversar com o professor sobre o assunto que tanto lhe consumia... Qual a relação entre seu pingente e os símbolos daquele povo recém descoberto?
Notas finais
Desculpa se choquei alguém.
No próximo capítulo nosso querido Joshua conhecerá alguém que mudará para sempre a sua vida...rsrsrs
Bjs e fuiii.....
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