Narcótico
1 Prólogo
Notas iniciais
2. Decidi criar um projeto para o período do ensino médio e nada melhor que um livro.
3. Neste primeiro capítulo, na verdade um prólogo, fundamentaremos um aspecto importante do protagonista - o vício em drogas.
4. Espero que gostem e que se deliciem com a leitura! Ao final, contribua com o enriquecimento da história comentando, sugerindo ou criticando :)
Brilhante, feliz, veja o meu mundo em novas cores?
[…]
Querido, escute, por favor
Eu não estou drogado, eu não estou drogado
[…]
Not On Drugs – Tove Lo
Euforia. Risos ecoam pela perplexidade da mente – em uma busca perpétua pelo motivo. Exagerado, jogado aos seus pés. A índole infringida, destruindo as amarras do bom comportamento. Tradicional – deixando para trás o eu fracassado emitido pelo espelho.
Já nem sabia as horas, tão pouco sobre si mesmo. Deitado sobre a cama, tomado pelo instinto – onipresente em essência sobre múltiplos pensamentos. Já não era tempo para refletir, não mais. A prerrogativa de ser jovem é a desculpa de sê-lo para abrandar erros, os quais não importam. Não agora...
Perguntara a si mesmo, antes de trancar-se no quarto e conferir seguidas vezes se sua mãe já não se via mais presente, quanto tempo privou-se de tamanho prazer. De pés descalços, contava motivos de tal estupidez. Sobre as correntes rompidas da moralidade, suas roupas jogadas ao acaso impediam-no de tocar o chão. Nu sobre os lençóis, entorpecido tocava-se. As mãos gélidas sobre o corpo fálico – quente e vistoso, causava o dobrar dos dedos dos pés. A playboy ao lado, com uma de suas mais belas capas, trazia uma morena atraente e insinuante, exibindo-se entre matas verdejantes, porém já muito desbravadas.
A nebulosidade narcótica infestava o cômodo de fantasias e desejos que nunca se viram presentes – adormecidos em seu ‘eu verdadeiro’, clamavam para soltarem-se e descobrirem o mundo físico. Tragou. Sob o olhar cândido se via outras perspectivas, como planos paralelos interligados por tênues separações reais – ou irreais – as quais não fazia noção do que eram. Imaginava, no ímpeto de sua loucura, densas cortinas que se propagavam ao infinito pelo equador do plano, ao transpô-las, encontravam-se mais, e mais... E, a cada transposição, o tecido tornava-se sujo e quebradiço, malcheiroso e fétido. Concluiu que em torno de seus passos, crescia um enorme espírito de podridão e desespero.
Entre os lábios, a maconha se extinguia pelo fogo. Ao longe, o motor de um carro – velho e desgastado, no ritmo dos anos oitenta, anunciava a chegada premeditada do indesejado. O enferrujado Volkswagen parou diante da porta principal da casa, tomada por uma invasão de cupins irremediável, e pareceu aliviar-se quando uma grande e gorda mulher o deixou livre de seu peso exorbitante, levando consigo sacolas com os mais variáveis tipos de enlatados.
Ele ouviu o bater da porta e o chamar da mãe. Também se atentou ao miado do gato e aos passos na escada quando queimou os lábios. Previu que seria pego e que fora irresponsável. E então riu.
Riu.
E Chorou.
Notas finais
Até o próximo capítulo!
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