Notas iniciais
1. Primeiramente uma nota: os asteriscos presentes na citação no início do capítulo remete-se a um gemido presente na música. 2. Estive escrevendo este capítulo madrugada a dentro e decidi postá-lo o mais fresco possível. 2.1. Considero-o o melhor até agora. Talvez seja neura de autor - tentar se superar a cada capítulo. 3. Neste capítulo há sexo e cenas explícitas, se não procura por isso peço para que não leia. 3.1. Tentei não soar muito vulgar ou genérico, a questão é que não sou habituado a escrever sobre este tema. 3.2. Se perceber algum erro GRITANTE avise-me nos comentários e ajude a enriquecer o enredo. 4.0. Neste capítulo aprofundaremos algumas relações. 4.1. Boa leitura! 5. Dedico este capítulo em especial a uma pessoa: Princess Lalfeyson! pela presença em cada capítulo e pela recomendação MARAVILHOSA! Obrigado mais uma vez. 5.1. Além disso, gostaria também de agradecer a cada leitor que se disponibiliza a ler esta história. Dou meu melhor para disponibilizar conteúdo de qualidade e enredo interessante. 6. Contribua com este projeto comentando, acompanhando ou favoritando.

1, 2, 3

Não só eu e você

Fiquei a cento e oitenta graus

E estou presa no meio

Contando

1, 2, 3

Peter, Paul & Mary

Mandando ver a 3

Todo mundo ama ***¹

[...]

3 – Britney Spears

I

Analisou suas curvas sendo exploradas pelas aguas escaldantes jorradas pelo chuveiro. O vapor tomava todo o ambiente, tornando sua visão entorpecida. Da fresta da porta pôde admirá-la no anonimato do corredor estreito que ligava a sala à cozinha. Observou seus dedos deslizarem por seu colo avantajado, seguindo até a cintura, terminando por arranhar suas coxas em frenesi. Elevou a cabeça permitindo ao observador estudar todo o perímetro de seu pescoço – e desejar beija-lo incessantemente. Os cabelos em ouro caíam encharcados sobre os ombros úmidos, sendo alguns fios arrastados pela água até o meio das costas. Ensaboou todo o abdômen e se preocupou quão escorregadio poderia tornar-se o box. No ímpeto dos desejos do espectador e na ânsia por poder tocá-la e possuí-la, viu-se o levar de suas mãos a virilha. Como aquilo soou erótico e perverso aos olhos dele; tão que o levou a tocar-se ali mesmo, já sob os olhares curiosos de quem descobrira ser observada abaixo do chuveiro.

II

Com cortes contínuos e precisos, dividiu o legume em variadas rodelas desuniformes. Sobre o fogão, água fervente pulsava ao passo que sofria os efeitos físicos derivados do aquecimento da chama do fogão, no qual funcionavam apenas duas bocas – ainda assim de forma afetada pelo mau uso acumulado. De suas ações exalava o cheiro dos alimentos, os quais se misturavam no ar dando origem ao típico aroma convidativo de uma cozinha comum – não que a daquele apartamento se enquadrasse nessa definição, todavia era um dia atípico. Com um movimento único, despejou os ingredientes antes preparados na água aquecida, observando-os submergir; tampou-a não mais permitindo que o vapor produzido através do aquecimento do liquido pudesse se espalhar pelo ambiente.

Não fazia frio. Não o bastante para ser preciso agasalhar-se – as janelas, agora fechadas, inibiam a entrada do ar frio originado em uma frente que pairava sobre aquele lugar. Trajava qualquer camiseta velha do mais novo amigo – uma que não cheirava a álcool ou tivesse qualquer mancha suspeita. O pano descia até a altura das coxas e estava rasgada um pouco a direita da gola; no peito se era possível ler, em letras gastas e gritantes, Sepultura. Por baixo do tecido acinzentado, sentia a renda vermelha acariciar sua pele. Atentou-se ao nome desconhecido estampado na peça superior.

– Não os conhece? – Questionou apoiado na guarnição da porta do cômodo, ainda com os cabelos molhados.

– Não. – respondeu de imediato – Parece remeter-se a alguma cultura, ou algo assim... – pensou por um rápido instante – Talvez uma banda. – finalizou.

– Sepultura. – Repetiu os dizeres. Seguiu a geladeira onde procurou por algo que pudesse beber, deparando-se com um vidro de água. – Brasileiros. – Desistiu de sua bebida – Ouso dizer que são os melhores no que fazem.

– E o que fazem? – Questionou interessada, ainda com os lábios rosados.

– Metal. – Apoiou-se sobre o balcão. – Com algumas influências do Black e do Death.

– Pela camiseta logo vejo que você é... – Teve sua fala interrompida.

– Headbanger? Não. – Completou, mesmo não sendo exatamente aquilo que seria perguntado. Ainda assim sanaram-se suas dúvidas. – Apenas admiro boas músicas. Além disso, confesso que muitas delas, das músicas que conheço deles, apenas ouço pelos bares ao longo das estradas. Ganhei esta peça de um parceiro de noitada. – Deu-se um olhar desconfiado por parte da mulher. – Já a lavei muitas vezes. Não há perigo algum. – Finalizou arrancando-lhe poucos risos.

Instantaneamente soou em sua mente alguns instrumentais. E poucas interpretações permearam suas lembranças. Sentiu as vibrações das caixas de som na pele, causando uma estranha sensação de nostalgia.

Mas ainda não se lembrava nitidamente sobre antes

(Daquela noite.)

– E pode me citar alguma? – Aproximou-se dele. – Sempre busco algo que me acrescente – Estava a poucos passos de seu peitoral. Ainda menos de seu sexo.

– Two-Faced Mask. – Apreensivo estava. A sua frente, em entrega, questionou por uma última vez:

– Diga-me sobre o que fala... – Suplicou, já podendo sentir a respiração de seu alvo.

– Algo como se pudemos confiar naqueles que nos cercam. Em como podem nos mentir e nos enganar. Sobre como há duas mascaras. Se estamos realmente a salvo... – Terminou já com os lábios juntos aos delas.

III

Sentiu seu frescor e sua natureza. O perfume doce vindo de sua pele sedosa e quente. Convidativa. Identificou sua respiração em contato com sua pele – apressada e irregular. Levou suas mãos até o pescoço dela, onde com toda a força de seu desejo beijou-a intensamente. Cobiçou seu sexo. Sua dignidade; seu eu por completo. Ansiou por completa-la, por satisfazê-la. Mesmo ali, no silêncio do apartamento vazio, ecoavam de seus corpos os gritos de seus instintos.

– Desculpe-me por mais cedo. – Recebeu como resposta um pedido por silêncio. Levou seu indicador aos lábios do amante.

– Apenas me dê seu melhor. – Pediu antes de beijá-lo por mais uma vez; um beijo molhado de entrega e submissão. Sentiu a renda de sua calcinha em seu joelho, admirando a umidade ao passo que descia com suas mãos pelo cóccix da garota.

Notou o cabelo dela ainda úmido. O seu, em mesmo estado se encontrava. Os pelos arrepiaram-se em um prazer contínuo. Apercebeu as unhas da companheira arranharem suas costas por debaixo da camisa e tocar em seus fios no alto da cabeça. Por sua vez, agarrou-a pelo quadril tocando seu posterior, encaixando-a sobre suas pernas. Levou a boca até seu pescoço, permitindo-se saborear o arder de sua pele. Ao sentir as carícias dele se viu desejada; com os lábios entreabertos, apreciou a desenvoltura do cúmplice.

Ruy degustava a essência feminina; o sabor de morango permutava seu paladar. Permitiu-a tirar sua camisa, despindo-a em troca. Os seios fartos contataram seus tórax e ele pôde beijá-la. Tocou-a subitamente arrancando-lhe um pedido de quero mais. Deitou-a sobre a mesa, afastando o que antes pertencia a uma cozinha convencional. Inquieta estava sobre as cobranças de seu sexo e fantasias carnais. Viu-o sobre si e puxou-o a sua fertilidade. O beijou demoradamente enquanto derrubava suas calças com os pés contorcidos e frígidos, possibilitando o contato com seu pênis quente e ereto.

Sentiam seus sexos em um tato mútuo.

Levou sua mão até a base onde, com movimentos orquestrados encaixou-o afastando o tecido de sua calcinha. Sentiu seu corpo molhado e quente, levando o ouvido a sua boca onde ouviu um pequeno urro de prazer. Beijou seus seios à medida que se introduzia em sua dignidade. Sussurrou suas fantasias no ouvido submisso se sua dama, rindo em uma mistura de deleite e luxúria. Sentiu as mãos delas em suas nádegas, arranhando-as ao passo que as forçava contra si mesma em sinal de querer mais. Recebia-o em si sem qualquer objeção; sem ao menos se importar sobre ele saber ou não seu nome.

Seus cabelos ainda permaneciam umedecidos. Não mais pelos banhos e sim pelos movimentos rápidos e contínuos característicos de uma boa foda. Não havia sentimento; não além de qualquer emoção decorrente do reconhecimento que ambos nutriam. Pouco se conheciam, mas viam-se compatíveis através de sensações ininteligíveis. Algo além do entendimento – talvez presente em seus subconscientes, ou até mesmo em alguma esfera espiritual ou estratosférica. Não importava como se complementavam. Não para eles, que se viam entorpecidos pelo cheiro de sexo e secreção. Iluminados por seus desejos onde não era necessário ser racional. Onde o prazer era o único objetivo.

Contorcia-se a sua frente, em paralelo profanava palavras sujas em baixo tom, atiçando-o em seu desempenho. Conhecera cada centímetro de seu corpo, repousando as mãos curiosas sobre seus peitos agora enrijecidos. Torcia-os causando uma mistura de dor e satisfação. Aumentava o ritmo da pulsação enquanto sentia-a raspar suas costas e sua nuca; puxar seus cabelos em sinal de descontrole.

Roçou os lábios em seu rosto, descendo por seu pescoço curvando-se sobre ela. Abraçou-a aumentando seu ritmo. A voz dela se viu mais presente: forte e ininterrupta, adquirira um tom mais agressivo e pornográfico. Levantou-se, admirando seus cabelos negros.

E seus olhos marcantes e bem delineados.

Os lábios preenchidos em vermelho-luxúria. O braço repousado sobre os seios fartos, dando alusão à vergonha e ingenuidade. Sublimidade do feminino. A perplexidade em seu rosto expressada por seus traços suaves e bem definidos. Fitava-o com o brilho do olhar de forma carinhosa e receptiva. Não mais gemia – agora o contemplava fielmente. Desejou-a como nunca. Em uma mistura de angustia e felicidade, não queria o término daquele momento – temia pelo orgasmo.

Receava em perdê-la.

Por não sentir mais sua pele em contato consigo.

Beijou-a apaixonadamente, sentindo eu seus pés o jeans que antes ela vestia. Prendeu-se a ela por medo de não tê-la novamente. Sobre o colchão naquele lugar vazio, era afagado por ela em seu ombro enquanto pressentia o final da transa. Lentamente a preenchia, completava seu corpo delicadamente. Não mais havia apenas instinto. Olhou-a fixamente em uma ligação amorosa. Amistosa. Sentiu o liquido quente e espumoso se esvair de seu pênis e viu-a vibrar por ter alcançado o deleite. Por tê-la feito mulher mais uma vez.

Retirou-se dela e viu sua virilidade escorrer por suas pernas. Caída sobre a mesa, contorcia-se querendo mais. Levara suas mãos até a boceta, exigindo por mais foda. Carecendo por sua rola. Por seus movimentos. Por sua masculinidade.

Deixou-a na loucura pelo sexo, só. Nua sobre o móvel esperava por mais, mesmo vendo o companheiro abandonando-a pelo vão da porta. Levou o dedo a boca saboreando o ardor das recentes lembranças. Viril, caminhou nu em seu apartamento ainda ereto. Sentado naquela única poltrona, rodeado pelo silêncio noturno – a não ser pela respiração ofegante de sua sacerdotisa – se pôs também a relembrar os momentos que se seguiram.

Notou o arder dos arranhões em suas costas, desprezando-o em seguida devido ao relaxamento proporcionado pelo prazer. Deslizou os dedos sobre os já em cicatrização localizados no abdômen, desejando senti-los novamente.

(Arranhe-me Sara)

(Possua-me)

(DOMINE-ME!)

Ouviram-se os passos leves de alguém que seguia até ele. Não abriu os olhos por já saber quem se tratava, apenas sentiu sua chegada. Já não mais despida, cobria-se com a camiseta antes jogada por Ruy em sua cozinha. Sentou-se a seu lado, sobre o braço direito do estofado, escorando-se nele ainda fadigada. E ainda querendo ser dominada. Ruy podia senti-la ainda sem calcinha; intuição talvez. Com o indicador e o médio apoiado em sua têmpora, almejou cair em sono profundo, no entanto, inexistente.

– Bárbara. – Atravessou o silêncio com sua voz irritantemente feminina. – Não Sara, como me chamou ao pé do ouvido.

Não precisava que ela lhe dissesse o que havia acontecido, já havia percebido há poucos instantes. E perguntava-se, abraçado a ela, o porquê de ter gostado mais de estar com Sara do que com Bárbara.

E a razão de Bárbara estar viva ao seu lado e Sara morta em seu apartamento.

Notas finais
A. E aí, gostaram? Espero que sim. B. Para quem não entendeu, o título do capítulo se remete ao sexo a três entre ele, Sara e Bárbara. B.C. O mesmo vale para a citação inicial. C. Espero pelos comentários de vocês. Abraços!