Nana: Shin Side Story
2 Capítulo 1 - LONELY BOY
I'm left in misery
The girl I love's gone across the sea
I'm all alone
I ain't got no home...
Sex Pistols
Em meu 14º aniversário eu finalmente vim morar com meu pai e irmão no Japão. Apesar de nunca ter recebido um telefonema ou uma carta em 5 anos no internato, não podianegar que mantinha uma pequena esperança que as coisas iriam mudar, que seria a chance de fazer certo dessa vez. Não recebi abraços de boas-vindas, algum recado por consideração ou algo do tipo, apenas um espaçoso quarto equipado com tudo que um garoto adolescente podia querer. Apesar de a empregada enfatizar o quanto meu pai deveria ter gastado, eu compreendi o real significado e me senti mal. Era como se todo aquele quarto tivesse tudo o que eu precisava para não incomodar ele, todo esforço usado para que eu ficasse o mais longe possível, para, nem ao menos, trocar uma palavra sobre o que faltava. Quanto mais observava , mais e mais eu queria gritar, o ódio, naquele momento, já tinha possuído cada membro do meu corpo e estava prestes a me sufocar. Já era tarde demais pra mim, percebi que viver toda sua vida com sentimentos como aquele te torna diferente dos demais, até mais forte eu diria, mas um pouco mais solitário. Foi aos 14 que prometi nunca mais amar alguém, foi nesse dia que perdi o que restou da minha inocência.
Uma semana após me mudar ainda não tinha encontrado o meu pai em casa, apenas meu irmão. O seu período escolar era rígido, por isso, o único momento que tínhamos juntos era no café da manhã. Nos primeiros dias, ele não demonstrou nenhum interesse por mim, mas quando percebeu que meu japonês não era um dos melhores começou a me questionar sobre tudo: o que eu gostava, que livros que eu lia, minha vida no internato. Quanto percebi que seu súbito interesse em mim nada tinha ver com afeição e que, na verdade, eu servia mais como um palhaço para suas brincadeiras, Era divertido falar vagarosamente para ele pensar que eu não era fluente, até o dia em que ele desistiu e nunca mais conversamos ( se é que se pode chamar aquilo de conversa), mas sua feição de superioridade me incomodava e seus olhares frios me lembravam dos dele.
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