Nana: Shin Side Story

3 Anarchy In The School


I'm antichrist, I'm anarchist Don't know what I want

But I know how to get itI wanna destroy the passerby

Anarchy In The UK — Sex Pistols

A Nischimachi International School era um lugar tranquilo à primeira vista: era uma escola elitista mista, formada por alunos japoneses e de todas as nacionalidades possiveis. Tinha, principalmente, estudantes que, como eu, eram descendentes de japoneses. Apesar disso, nunca cheguei a fazer realmente amigos lá — naquele ponto, as feridas que carregavam me entorpeciam de tal forma que não conseguia enxergar nada além da minha propria angustia. Às vezes penso o teria sido da minha vida se eu tivesse sido forte o suficiente para deixar tudo para trás e fazer, ao menos, a experiência da minha vida escolar normal — talvez eu poderia ter entrado em um clube, de matemática talvez. Ou me apaixonado por uma garota com um belo sorriso, uma paixão inocente e deliciosa — mas tudo não passa de fantasias utópicas agora.

A primeira constatação do período da escola foi aquela que, talvez, tenha formado de forma definitiva meu jeito de ser: eu sou bonito. Até aquele ponto, não sabia realmente do meu efeito nas pessoas, não compreendia que um ser tão frágil por dentro poderia atrair olhares tão fundos e cheios de desejos. Por algum tempo, aquilo passou a ser um jogo proprio, uma forma de diversão secreta e indiscreta: contar quantas meninas me olhariam ao passar pelo corredor, quantas teriam coragem de me encarar quando perceberem que eu as também encaro. Alguns meninos também me olhavam, e diria que dentro do meu jogo insaciável era minha parte favorita. Diferentes das meninas, eles nunca abaixavam a cabeça, me encaravam de uma forma tão intensa que apenas nossos olhares podiam captar o desejo por trás do gesto ( mas nunca reciproco, pois nunca passou disso: olhares). Algumas meninas chegaram a se declarar, dizia a elas que não estava interessado e simplesmente saía. Logo, a fama do "cold Shin" se espalhou e dificilmente alguém se referia à mim, o que facilitou minha estadia. Nada me divertia, nada me empolgava ou me interessava, e apesar disso passava a maior parte do dia na escola, era minha melhor desculpa para não ficar em casa.

Pode parecer estranho, mas eu não lembro muito bem do que aconteceu naquele dia antes de eu a conhecer. Parece que as lembranças se dispersaram pois nada além disso é tão importante como a vi pela primeira vez, mas o que se sucedeu foi tão intenso que me recordo de cada detalhe: os olhares trocados, a sua gentileza ao me convidar pro seu apartamento após sofrer a maior humilhação do meu pai. Por essa situação, me pergunto se a confundo com o anjo por ela ter me salvado, me acolhido no momento mais vulnerável da minha vida, pois toda vez que a chamei de anjo ela me respondia ironicamente "Eu sou o teu demônio, Shin, e você é o meu doce anjo". Ei, Hachi, isso é normal para alguém tão jovem, não se lembrar de nada além daquilo que te fez sofrer?


Notas finais
*A escola citada realmente existe.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.