Notas iniciais
Ora ora, quem é vivo sempre aparece. Me desculpem por toda a demora, 2018 foi tenso kkkk. Eu não tinha horário livre para escrever e, quando sobravam uns minutinhos, abria a tela do Word e as palavras simplesmente não vinham. Não foi algo específico dessa fic, foi um cansaço geral mesmo, não conseguia escrever para nenhuma história. Queria agradecer à todos os leitores que não abandonaram a fic, que me mandaram reviews e mensagens perguntando se eu ainda estava viva (kkkkkkk) e quando eu iria atualizar a fic. Sem mais delongas, aí vai o capítulo. Eu estou meio enferrujada, então creio que a qualidade não é igual a de quando eu escrevia quase todos os dias, mas saibam que eu me esforcei bastante por vocês ♥ Nos vemos nas notas finais. P.S: Já faz bastante tempo, então caso queira ler o cap anterior para dar uma relembrada nos acontecimentos, fiquem à vontade. Eu mesma tive que reler umas 5 vezes para a história não ficar com furos kkkkk Bjs e nos vemos nas notas finais

Terça feira, na faculdade...

Eu conseguia sentir o olhar de Miguel me fitando, mesmo estando de costas para ele. Não nos falávamos desde o ocorrido e esse problema de comunicação era em grande parte por minha culpa. Meu celular permanecia desligado desde aquele dia, bem como os meus “atrasos” para chegar à faculdade também eram friamente calculados.

A verdade é que eu estava por um fio. Cansada de fingir, cansada de mentir para todos. Além do mais, ele não saía da minha cabeça desde aquele dia e isso me assustava. Sentia uma vontade imensa de cortar todos os laços e esquecer que Miguel e eu já tivemos alguma interação nessa vida. Mas é claro que a gênia aqui tinha que ter assinado um contrato para manter um namoro fake.

Palmas para você, Ana Clara.

Meus pensamentos foram interrompidos ao ouvir o professor chamar o meu nome.

— Senhorita Ana Clara, é a vez do seu grupo apresentar o trabalho. — Disse o professor — Tudo pronto?

Claro, como se essa bagunça toda não fosse suficiente, ainda havia um seminário em grupo para apresentar. De que adianta um trabalho com 5 pessoas sendo que somente eu e outra colega nos dedicamos?

— Sim — Respondi, pegando o pen drive em minha bolsa. — Vamos lá.

* * *

Quando a aula acabou, juntei apressadamente meus materiais e segui em direção ao corredor, ignorando o fato de que Miguel estava me seguindo.

— Ana. — Ouvi ele chamar. — Por favor, me escute.

Como eu continuei a caminhar, ele aumentou o tom de voz.

— Pare de agir como uma criança! Vamos conversar

Os alunos que ainda estavam no corredor começaram a nos encarar, curiosos. Eu conseguia sentir meu rosto ardendo de vergonha.

— Eu só quero conversar! — Ele gritou enquanto andava mais depressa.

Bruscamente, interrompi a minha caminhada e deixei que ele se aproximasse mais de mim. Quando estava perto o suficiente, o puxei (talvez um pouco agressivamente, diga-se de passagem) para dentro de uma das salas vazias.

— Você quer conversar? — Indaguei, cruzando os braços — Então desembucha logo!

— Olhe, me descul...

Antes que ele pudesse terminar a frase, o interrompi de propósito.

— Você não pode simplesmente me beijar, Miguel. Nós não somos namorados, ou por acaso se esqueceu daquela droga de contrato?

— Ana... — Disse ele, tentando novamente completar a frase.

— Eu estava lá como uma amiga, tentando te ajudar depois de um dia ruim. Mas é claro que você, fazendo jus à sua fama de galinha, teve que estragar tudo — Senti seu olhar indignado ao dizer essa palavra — O meu nome não vai pra sua listinha de garotas da faculdade que caíram a seus pés, disso você pode ter certeza.

Miguel, que antes parecia disposto a pedir desculpas, mudou completamente sua abordagem.

— Qual é, não aja como se eu tivesse agarrado a pobre donzela e beijado à força! Pelo o que me lembro, foi algo que partiu de ambas as partes. — Ele revidou, enfatizando o “ambas”.

— Foi você quem disse aquela frase idiota. “Seria legal ter alguém como você” — Citei a frase que ele havia dito, com desdém na voz. — Você precisa de um pouco de amor próprio, isso sim.

Era como se minhas palavras o tivessem atingido em forma de um soco na barriga.

— Sabe qual é a diferença entre nós dois? — Miguel disse, encarando-me. — É que eu pelo menos tenho a coragem de admitir que, naquele momento, eu senti alguma coisa que me levou até você. Pode ter sido toda a fragilidade causada por aquele almoço nos meus pais ou sei lá. Mas eu entendo que foi algo instintivo. Você, pelo outro lado, prefere se fazer de vítima ao invés de tentar entender os motivos que fizeram você ir até mim.

Ele interrompeu o discurso, caminhando em direção à porta. Antes de ir, virou-se para mim e disse.

— Ah, e o contrato ainda está valendo. Me procure quando for capaz de lidar com si mesma.

Continuei na sala por cerca de dez minutos, embasbacada. Sentia ódio de Miguel, ódio de mim mesma pelo momento em que assinei aquele contrato, ódio por tê-lo beijado e, acima de tudo, ódio por não conseguir tirá-lo da minha cabeça. O que estava acontecendo comigo? Cansada dessas perguntas sem respostas, saí da sala de aula e fui até o Mocca Café, rezando para que o trabalho afastasse esses pensamentos.

* * *

Meu plano de afastar os pensamentos havia dado errado. Uma vez que contei o ocorrido para Melissa, ela tocava no assunto a cada cinco segundos.

— Eu sabia que ia dar errado. — Disse ela enquanto organizava as xícaras de café na prateleira— Francamente Ana, essa história toda de namoro falso é um roteiro de comédia romântica prontinho para virar filme.

Franzi o cenho.

— Para simplificar tudo, eu acho que vocês deveriam entrar em um acordo de que podem se beijar sempre que der vontade.

— Melissa!

— Eu só estou sendo prática, ué. — Ela disse, desviando do pano de prato que eu arremessara nela.

— Isso não será um problema, porque eu nunca vou beijar ele de novo. Nunca senti vontade antes, porque mudaria depois desse acontecimento de domingo?

— Ai Ana, eu amo o modo como você acha que engana a si mesma.

Antes que eu pudesse repreendê-la, um cliente entrou na cafeteria.

— Salva pelo gongo. — Sussurrei à minha amiga, que deu um sorriso vitorioso.

Passei o resto do dia me revezando entre os atendimentos, a limpeza da cafeteria e a checar meu celular à cada notificação recebida. No fundo, eu estava tão acostumada com as conversas com o Miguel que esperava para que ele mandasse alguma de suas piadinhas sem sentido (que eu sempre respondia com um gif de deboche). É claro que isso não iria acontecer tão cedo.

Durante o jantar, eu podia sentir o olhar de minha mãe tentando decifrar o que estava acontecendo. Ela sempre percebia qualquer sutil mudança de comportamento dentro de nossa casa.

— Ana, está tudo bem? Parece meio diferente hoje.

Após beber um gole de suco, respondi:

— Só estou cansada. Faculdade e trabalho, sabe como é.

Por sorte, meu irmão começou a contar sobre os acontecimentos do dia em sua escola, me livrando das possíveis perguntas da minha mãe.

* * *

Na cama, a cena de domingo à noite se mesclava à discussão de hoje de manhã, tirando-me o sono. Mesmo sabendo que ia me arrepender depois, peguei o celular, abri o aplicativo de mensagens e digitei.

“Pode chegar mais cedo na faculdade amanhã? Precisamos conversar”

A resposta veio na mesma hora

“Claro, desde que seja civilizadamente”

“Combinado. Me espere na cantina”

Miguel mandou um emoji de uma mão fazendo “jóia”.

Digitando...

Ele pareceu reconsiderar o que tinha escrito.

Digitando...

A mensagem de “digitando” sumiu novamente, como se ele tivesse apagado algo que fosse me mandar.

Bloqueei a tela do celular e fui dormir.

Notas finais
E aí, o que acharam? Novamente, me desculpem se ficou muito "lenga lenga", eu queria chegar jogando altas bombas e resolver muita coisa nesse capítulo, mas achei que ia ser muito "do nada". Enfim, to com altas ideias e ainda tenho uma semana de férias antes da faculdade começar, então vou me esforçar e tentar escrever o próximo capítulo antes que o bloqueio criativo me ataque novamente kkkkkk. Obrigada por quem não desistiu e bjs da tia Zia ♥