Namoro por Aluguel

36 Drama, drama e mais drama


Notas iniciais
OLÁÁÁÁÁÁ M EU POVO LINDO E CHEIROSO! Como vocês estão? Sim, eu sei que faz muito tempo que não posto :( Dei uma desanimada de escrever e essa vida de faculdade e trabalho está me matando. Mas chega de desculpas, eu vim agradecer Obrigada a todas as leitoras que comentaram e vieram nas mensagens perguntar se estava tudo bem e conversar comigo. Vocês me animaram e eu saí desse hiatus sem fim e tomei coragem pra escrever de novo. Sério meninas, vocês são demais. Obrigada à Ani Yellow, à KK e à tantas outras meninas que me fogem o nome agora, mas saibam que cada uma de vocês me inspirou e me fez retomar essa história.

Para minha grande surpresa, ao chegar na faculdade Miguel já se encontrava sentado junto à uma das mesas da cantina. O lugar estava vazio, exceto por nós e por uma moça que comprava café.

— Oi. — Disse eu, sentando na cadeira à sua frente.

— Eu cumpri o combinado, cheguei mais cedo e estou aqui.

Contive o reflexo de virar os olhos.

— É Miguel, eu percebi.

— Fiquei surpreso quando me mandou aquela mensagem ontem. — Disse ele, me encarando. — Depois de gritar comigo, achei que não quisesse mais me ver.

— Eu não gritei com você, só expressei o que eu estava sentindo.

Um micro sorriso surgiu em seu rosto, fazendo meu coração parar por um segundo. Ignorando esse fato estranho, continuei a minha fala.

— De qualquer modo, peço desculpas se te ofendi.

Miguel deu de ombros.

— Tudo bem, eu meio que mereci.

— Você totalmente mereceu, Miguel. Você quebrou o nosso acordo, estava em um momento frágil por conta do seu tio e toda aquela história da Amanda. Eu entendo, talvez o seu subconsciente tenha me usado para você se sentir melhor e...

— É aí que você se engana, Ana Clara — Ele disse, me interrompendo. — O fato de nós termos nos beijado não tem nada a ver com a confusão que foi aquele almoço. Era algo que já estava na minha cabeça há algum tempo.

Fiquei sem reação.

— Somos amigos, você sabe disso. — Eu disse, tentando ser lógica. — Há uns meses, nós nem conversávamos. Isso não faz sentido.

— Ana, você também quis aquilo. Não é como se eu tivesse te beijado à força.

Instintivamente, olhei ao redor para ver se alguém havia escutado, mas por sorte não havia ninguém.

— Quer saber de uma coisa? — Indaguei, enquanto colocava minha mochila nas costas. — Eu quis sim, mas se eu soubesse o quão arrependida eu ia ficar, não teria feito. Agora com licença, a aula está prestes a começar.

— Não pode ficar brava porque eu te disse a verdade, Ana. — Miguel disse, também colocando sua mochila e andando atrás de mim. — É uma pena que esteja tão arrependida assim, porque eu certamente senti algo diferente.

Parando de andar, virei-me de modo que conseguisse encarar o rapaz.

— Uau, Miguel. Quantas vezes essa mentira já saiu da sua boca? Acho que toda garota dessa faculdade já deve ter achado que você se sentiu diferente.

— E quantas vezes você já mentiu pra si mesma? Porque eu sei que você também sentiu!

Naquele momento, eu não sabia bem o que fazer. Sentia vontade de sair correndo, ao mesmo tempo em que queria arremessar um sapato na cara de Miguel. Entretanto, ele não estava errado. De fato, eu senti algo diferente, que vinha me incomodando todos os dias antes de dormir. Ainda sem saber o que fazer, tomei uma atitude irracional e me aproximei de Miguel, beijando-o.

Por um momento, foi como se tudo ao meu redor desaparecesse. Não me importei com os alunos chegando para a aula, nem mesmo com o que a minha consciência berrava para que eu me afastasse. Presa naquele instante, só sentia seu perfume amadeirado e as mãos macias que se apoiavam na minha cintura.

Quando nos afastamos, eu não sabia o que dizer. Apenas andei rapidamente para a minha sala, sem olhar para trás.

* * *

— Ana, você não pode reclamar do problema e depois beijar a boca do problema! — Melissa disse um pouco alto demais, atraindo a atenção de um casal que tomava café no Mocca.

— Mas não foi você que me deu o conselho oposto ontem? — Indaguei

— Amiga do céu, eu falei pra você estabelecer se isso ia virar parte da “amizade” de vocês ou não. Não pra sair beijando ele e depois ficar se lamentando de novo pra mim!

— Eu não estou me lamentando, dessa vez não estou arrependida.

Melissa me olhou incrédula por alguns segundos, depois começou a dar risada.

— Posso só te falar uma coisa?

— Claro. — Falei, enquanto passava um pano no balcão.

—Eu te avisei

Antes que eu pudesse repreendê-la, ela saiu e foi atender um cliente que havia acabado de chegar.

“Talvez ela esteja certa” Pensei “Isso tinha tudo pra dar errado mesmo”

— Um café, por favor. — Disse o cliente em minha frente, afastando o meu momento de reflexão.

O dia foi bem cansativo no trabalho, mas com sorte era a semana de pagamento (e quem é que não fica animada na semana de pagamento?). Ao fim do expediente, Melissa e eu estávamos arrumando as xícaras no armário quando ouvimos o sino da porta tocar.

— Ah não, eu tinha pendurado o aviso de que estávamos fechados. — Ela sussurrou.

— Pode deixar, vou lá avisar.

Saindo da cozinha, já tinha começado a falar que o expediente tinha acabado quando fui interrompida.

— Eu não vim para tomar café. — Disse o cliente, que reconheci pela voz ser Miguel. — Posso te levar para casa? Acho que precisamos conversar mais um pouco.

— Eu meio que não queria mais conversar sobe ainda hoje, estou bem cansada.

— Achei que você fosse estar em crise por que me beijou de novo e…

— Eu quis aquilo, Miguel. — Falei, fitando-o. — E não tem de novo, da outra vez foi você quem me beijou.

— Estamos quites então. — Ele falou, exibindo um sorriso.

Não pude evitar e também sorri.

— Senti falta disso. — Admiti. — Sabe, só nós dois falando bobagem e dando risada.

— Eu também.

Saindo de trás do balcão, caminhei até perto dele. Respirei por alguns segundos antes de falar o que vinha me atormentando já havia um tempo.

— Acho que não posso mais fazer isso. — Falei. — Essa mentira, esse contrato.

Ele me olhou, um pouco espantado.

— Eu estou cansada, Miguel. Eu minto para a minha família o tempo todo sobre para onde vou, minto para a sua sobre algo que nem existe, minto pra mim mesma falando que está tudo bem. Mas não está!

— Ana…

— Deixa eu terminar, por favor. — Falei. — No começo eu realmente não me importei, era uma troca de favores. Vou admitir que ficar na sua presença foi um pouco irritante, mas depois ficamos amigos e deu tudo certo, né?

Dei uma risada, mas continuei o assunto.

— Enfim, agora eu estou me sentindo estranha. Eu não sei mais onde te encaixar, não sei o que estou sentindo, eu não sei de nada! A única coisa que eu sei é que aliando essa mentira à toda essa confusão de sentimentos não é mais saudável ficar se passando por sua namorada.

— Ana… — Ele me interrompeu de novo, pegando as minhas mãos.

— É sério Miguel, fingir só vai me machucar. Eu sinto algo mais por você.— Admiti

Por alguns segundos, ele apenas me encarou. Parecia digerir tudo o que eu tinha dito. Me dei conta de que ainda estávamos na cafeteria e que Melissa provavelmente estava na cozinha ouvindo tudo e provavelmente dizendo “Eu sabia!”

— Chega de fingir então. — Continuei, visto que ele não havia me respondido.— Acho melhor cada um ir para um lado, só nos vermos na sala de aula. Eu te ajudo a bolar uma mentira para explicar o “término” pros seus pais e…

— Você não precisa fazer isso, Ana. Podemos fazer ser real.

— O que? — Perguntei, pois parecia que meus ouvidos haviam se enganado.

— A gente pode ser real. — Ele repetiu, afastando com a mão um mecha de cabelo que estava no meu rosto. — Sem contrato, sem mentira. Só eu, você e um relacionamento de verdade.

— Tem tudo pra dar errado, você sabe bem disso.

— Mas e se não der? Você mesma disse que tem sentimentos, eu venho sentindo a mesma coisa.

— Miguel Belafonte falando sobre sentimentos. Quantas meninas já caíram nessa armadilha? — Indaguei.

— É real, Ana Clara. Acredite em mim.

Não respondi. Dentro de mim estava tudo ainda mais confuso. A minha razão mandava que eu me afastasse e esquecesse tudo, mas a emoção se defendia e tentava me fazer pensar em como seria se tudo desse certo. Miguel já não era mais um simples amigo fazia tempo, eu só não havia admitido a mim mesma.

— Por favor, vamos dar uma chance pra nós dois. — Ele disse.

Em um misto de incerteza, medo e alegria eu respondi.

— É, podemos tentar.

Antes que eu me desse conta do que havia dito, ele já se encontrava junto de mim, unindo-nos com um beijo.

— Pode sair daí, Melissa. — Falei quando nos afastamos. — Eu sei que você já ouviu tudo mesmo.

Melissa apareceu na porta da cozinha, batendo palmas de empolgação.

— Obrigada aos dois por pararem de palhaçada e finalmente admitirem o que sentem.

— Mel! — Repreendi.

— É sério, eu não aguentava mais esse lenga- lenga.

— Sempre sincera. — Miguel disse, dando risada.

Ficamos os três conversando por alguns minutos. Quando nos demos conta, já passava do horário de voltar para casa.

— Eu levo vocês. — Miguel disse.

— Ah não, eu já chamei o carro de aplicativo. — Melissa falou. — Não quero ficar de vela para ninguém.

Assim que o carro chegou, saímos os 3 e tranquei a porta do café. Miguel se apressou e abriu a porta de seu carro para eu entrar.

— Que cavalheiro. — Falei, em tom de riso.

Ele riu também, mas seu semblante mudou enquanto ele fechava a porta.

— O que aconteceu? — Perguntei

— Só uma coisa que me lembrei agora… Acho que temos outro problema

— O que?

— A minha mãe descobriu que nós não somos de verdade.

Me encarando com um certo nervosismo, ele fechou a porta e foi para o lado do motorista enquanto eu digeria a informação.

Chama o SAMU, eu não estou nada bem.

Notas finais
Ficou meio curtinho, mas fiz com todo o amor ♥ Perdoem os erros, esse tempo se escrever me fizeram "perder a mão", aos poucos espero ir retomando como era antes. Deixo aqui registrado que talvez demore um pouco o próximo capítulo, mas que não vou desistir! Um dia eu termino essa história e já tenho algumas coisas planejadas para que ela não tenha muitos capítulos (acho q mais uns 5 e termino). Obrigada de coração à cada uma de vocês ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.