Namoro por Aluguel

34 Como já dizia um filósofo: Vai dar merda


Notas iniciais
OIEEEEEEEEEEEEEEEEEEE ♥ Gente do céu,eu não posto desde novembro '-'. Fiquei bem espantada quando vi,pois achei que tivesse no máximo uns 30 dias sem nada novo. Então,me perdoem. Me sinto horrível pela demora,mas a vida anda muito corrida e com muitos compromissos que,quando sobra um tempinho livre,eu durmo/vejo séries/me organizo Me perdoem ♥ E gente,tenho que dizer que senti MUITO a falta de vcs e dos meus nenês dessa fic ♥ Foi maravilhoso voltar a pensar com os miolos dos meus filhos amados (vulgo Ana e Miguel). é isso,chega de enrolação. Nos vemos nas notas finais

Miguel dirigia em total silêncio e,por incrível que pareça,em baixa velocidade. Saíra de sua casa apressado,ignorando totalmente os familiares que tentaram conversar com ele,mal me dando tempo de pegar minha bolsa.

— Agora seria uma ótima hora para me dizer para onde estamos indo. — Comentei,enquanto lia as mensagens de Melissa sobre seu encontro.

— Tá. — Disse ele,sem me responder.

Sua voz ainda soava embargada, como a de uma criança que chorara muito depois de levar um susto. Eu ficava imaginando o que se passava em sua cabeça. Teria ele se arrependido de ter me contado sobre Amanda?

Ai meu Deus, essa situação parece uma novela mexicana.

— Chegamos. — Disse Miguel,desafivelando o cinto de segurança.

Olhei pela janela. Era uma casa de madeira bem simples,nada parecida com a mansão da qual eu me retirara minutos atrás.

—Por favor,não me diga que você é um sequestrador e esse será meu cativeiro. — Falei,tentando quebrar o silêncio.

Miguel meneou a cabeça e desceu do carro e se sentou no meio fio. Imitei sua ação.

Cerca de cinco minutos se passaram sem que nenhuma palavra fosse dita. Miguel encarava os próprios pés,apesar de eu ter certeza que seu pensamento estava bem longe dali.

— Veio até o outro lado da cidade só para se sentar em um meio fio? — Falei,me arrependendo da frase assim que ela saiu de minha boca. Droga,soou rude.

Por sorte,ele abriu um sorriso.

— É algo que gosto de fazer.

— Gastar combustível à toa?

— Não,dirigir sem rumo e parar em uma rua aleatória da cidade.

— Miguel,reconheço seu esforço para parecer um poeta,mas é um hobbie esquisito.

Ele riu.

— Muitas coisas em mim são esquisitas.

— Ok,agora soou como um assassino de filme de terror.

— Muito prazer,meu nome é Miguel, mas me chame de “O poeta assassino”.

Não comentei nada,mas era incrivelmente satisfatório vê-lo contente outra vez.

* * *

Eu não sei por quanto tempo ficamos conversando, pois tudo passou muito rápido. O sol já se punha,tingindo o céu de amarelo e laranja.

— É tão lindo. — Ele comentou,olhando para a mistura de cores. — Quase nos faz esquecer que a vida é um lixo.

— Credo,Miguel. A vida é bela.

— Vou fingir que você não é uma mentirosa.

Instintivamente,dei-lhe um tapa nas costas.

— Ai!

— Você mereceu.

— Sabe o que eu queria fazer agora? — Ele indagou,levantando-se do meio fio. — Cantar alguma sofrência bem alto.

— Pelo amor de Deus,as pessoas que moram nessa rua certamente ficariam surdas.

— Não iriam não, eu tenho todos os pré-requisitos para ser um cantor de sucesso.

Não consegui segurar o riso ao imaginar Miguel em uma calça colada,arrochando ao som de alguma música sertaneja em cima de um palco. Era uma imagem cômica e ao mesmo tempo, assustadora o suficiente para se transformar em um pesadelo.

— Ah,não. — Implorei,assim que ouvi os segundos iniciais da música que tocava no celular do rapaz. — Por favor,isso é tortura.

Me ignorando,ele começou a berrar à plenos pulmões a música Infiel,da Marília Mendonça.

Isso não é uma disputa, eu não quero te provoca-a-ar. — Começou,fingindo que o celular era seu microfone. — Descobri faz um ano e “to” te procurando pra dizer,hoje a farsa vai acabar.

Direcionou o microfone improvisado para mim,esperando que eu continuasse a frase da música. Infelizmente,estava ocupada demais rindo de sua voz esganiçada. Quero dizer, eu cantava mal,porém Miguel conseguia me superar.

Percebendo que eu não iria colaborar, ele continuou a cantar sozinho. Algumas pessoas saíram na janela, olhando com cara feia. O garoto,entretanto,não parecia ligar. Estava focado em cantar a música,embora tenha errado a letra diversas vezes.

— Vai,cante comigo. — Ele disse apressado,para não perder o refrão.

Me dando por vencida,levantei-me berrei juntamente à ele:

Iê iê iê,infiel. Eu quero ver você morar num motel,estou te expulsando do meu coração,aceite as consequências dessa traição!

Um senhor,visivelmente incomodado,arremessou de sua janela uma latinha vazia de cerveja que,por pouco, não atingiu nenhum de nós. Apressados, entramos no carro e saímos daquele lugar.

No caminho de volta,ríamos da situação.

— Certas pessoas não sabem apreciar a arte. — Comentou Miguel.

— Uns chamam de arte,outros de atentado à paz dos velhinhos aposentados.

— Atentado a o quê? — Ele perguntou, confuso.

— Deixe para lá. Para onde estamos indo?

— Para a sua casa,ora. Já anoiteceu.

* * *

— Prontinho,está sã e salva. — Disse Miguel,ao estacionar na esquina da minha rua.

— E ligeiramente surda. Sério,Miguel,berrar é algo completamente diferente de cantar.

— Todo artista renomado tem que lidar com as críticas dos invejosos. Estou bem acostumado à isso.

Não pude deixar de encará-lo. Após saber sobre a história de seu passado,conseguia finalmente entender porquê ele agia como um cafajeste na faculdade. Logicamente,não era a melhor maneira de lidar com a dor,apesar de ser a única que ele encontrou.

— Está preparado para voltar para a sua casa? — Perguntei,séria.

Soltou um longo suspiro antes de me responder.

— Sei lá. Minha mãe já me ligou umas cinquenta vezes e,a essa altura,todos já devem ter ido embora.

— E se eles quiserem tocar no assunto?

— Meus pais são discretos quanto à isso,vão me deixar sozinho e fingir que nada aconteceu. É melhor assim.

Apesar de sua conclusão,eu não achava que ignorar tudo aquilo fosse certo.Afinal,de que maneira enterrar as coisas ajuda a superar? Minha boca se abriu para falar isso,mas fechou segundos depois. Eu não tinha nada a ver com a vida amorosa de Miguel,muito menos quanto ao seu passado.

— Obrigado. — Disse ele.

— Pelo o quê? —Indaguei,confusa.

—Por hoje,por todos esses dias. Por me respeitar,me fazer companhia sem me sufocar.

— É meu dever como amiga.

Ele sorriu.

— É uma pena que essa coisa de namorada seja uma mentira. Seria legal ter alguém como você.

Eu não sei bem como,mas no segundo seguinte,seus lábios estavam colados aos meus. Uma parte do meu cérebro gritava para que eu me afastasse, que saísse correndo para casa,enquanto outra parte implorava por mais daquilo.No inicio,o ritmo era lento,com as mãos de Miguel pousadas na minha cintura,puxando-me para perto de si. Tão sucinto quanto começara,se intensificou. Era voraz,me sentia faminta por algo e não entendia o porquê. Algum tipo de energia corria pelo meu corpo,impedindo-me de raciocinar. Aquela vozinha insistente que me mandava parar ficava cada vez mais distante e esquecida.

Ai meu Deus,era tão bom.

Ai meu Deus, o que foi isso?

Bruscamente,afastei-me. Que tipo de burrada eu havia feito?

— Ei,está tudo bem? — Miguel indagou,ajeitando o cabelo que eu,sem perceber,havia bagunçado.

— Isso foi um erro. —Balbuciei,pegando a minha bolsa.

— Não. — Ele disse. — Foi bom.

— Foi um erro,um erro estúpido. — Resmunguei, calçando meus sapatos.

Abri a porta do carro e corri,deixando um Miguel atordoado e berrando meu nome para trás.

Que droga.

Notas finais
UHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUL! Milagres acontecem nessa fic (e bota milagre nisso). Não vou enrolar muito,vcs já devem estar de saco cheio do meu falatório aqui kkkkk. Só preciso avisar que eu provavelmente vou demorar pa postar dnv :/ (como eu disse,está uma loucura) Maaaas,a fic está se encaminhando para o final. Logo logo,várias emoções irão acontecer e muitas coisas se resolverão. ♥ Novamente,me perdoem pela demora. Eu nunca abandonaria vcs e essa fic ♥ Bjs da sumida, Zia Jackson