Lori, non-bender, nasceu na Tribo da Água do Sul, em uma família simples, e cresceu tomando gosto por viagens. Em sua juventude, adorava viajar para os vários cantos do mundo, e em uma dessas viagens, conheceu Jogark, pelo qual se apaixonou. Guiada pelos sentimentos, decidiu abandonar seu local de origem e morar com ele no Reino da Terra, e como fruto desse amor, nasceu Raiki, um non-bender assim como a mãe. Por muitas estações, viviam os três como uma família feliz: Jogark trabalhava em uma indústria de base, de produção de chapas de metal, de onde conseguia o sustento para sua família, enquanto que Lori cuidava da casa e de seu filho. No entanto, os espíritos inesperadamente presentearam a família com outro bebê, um bebê que mudaria a vida de Lori. Pouco depois da notícia de que sua esposa estava novamente grávida, Jogark desapareceu, em uma noite de lua cheia, sem deixar notícias ou mesmo pistas para onde havia ido. Lori nunca soube o real motivo dessa atitude, apesar de tudo levar a crer que fora a gravidez inesperada. Desde então, a vida medíocre daquela mãe desolada e de seus filhos tomou outros rumos.

Lori desejou muito a morte, que só não aconteceu por causa de seu pequeno Raiki e pelo bebê que carregava em seu ventre. Como Lori não trabalhava, não teria como sustentar seus filhos, e a única saída que viu foi voltar à suas origens. Com a ajuda de alguns amigos e vizinhos, conseguiu algum dinheiro, suficiente para pagar as passagens da viagem, e comprar mantimentos. Infelizmente, ela sabia que aquela não seria uma viagem como as que tinha quando mais jovem. Foram dias difíceis, principalmente depois dos alimentos acabarem e o dinheiro ficar pouco. Passaram fome.

Após várias noites, chegaram ao seu destino. De início, Lori foi vista com maus olhares pelos outros da tribo. Suas últimas atitudes justificavam tal situação: havia fugido da tribo sem pensar nos outros, e reaparece acompanhada de um filho pequeno, grávida de outro e sem nenhum esposo ao seu lado. Ela se sentiu horrível por isso, e confrontar os olhos julgadores das pessoas na tribo foi uma das piores situações que passou. Apesar disso, sua família a acolheu de volta, seu pai, Boysho, um dobrador de água, que ajudava na segurança da tribo, sua mãe, Meneshi, também dobradora de água, especializada em cura, seguindo os costumes antigos da tribo, e seu irmão mais novo, Raki, um non-bender. Para surpresa de Lori, sua mãe havia concebido mais uma criança, uma menina, que já mostrava sinais de ser uma dobradora de água.

Tempos melhores surgiram até o nascimento de Nako. Foi um parto de risco, pelo sofrimento e dores, tanto físicas quanto psicológicas, que Lori passou na gravidez. Apesar da grande chance de morte do bebê, Nako sobreviveu, apesar de muito magro, e com ajuda de sua avó durante o parto e por todo o seu crecimento, dando a ele os cuidados certos, conseguiu saúde para se desenvolver. Nako cresceu, sendo sempre mais magrelo que outros meninos da sua idade (resquícios da gravidez sofrida de sua mãe). Mesmo vivendo toda sua infância no ambiente gélido e inóspito da Tribo da Água, envolto por água em cada canto, nunca dera sinais de ser um dobrador de água, durante toda sua infância e pré-adolescência.

Foi num inverno frígido e desanimador, quando navios da Nação do Fogo ancoraram na Tribo de Água do Sul. Estavam uma missão de pacificação, como mesmo disse o porta-voz da tripulação. Eles pretendiam melhorar a infraestrutura da tribo, ensinar meios de tirar proveito de animais, dentre outras coisas, como um meio de pedir desculpas pelo sofrimento que, em outros tempos, a sua nação havia implicado aos moradores da Tribo da Água. Em meio a tudo isso, Lori conheceu Zameo, um dobrador de fogo e comandante de um dos navios da Nação do Fogo. Nascia então uma nova paixão, uma paixão que poderia curar as dores que Lori passava desde a última vez que havia visto seu esposo, Jogark. Zameo, apesar de descender de uma família real, não se importou por Lori ser uma simples senhora, sem muitas propriedades e bens, e que possuía dois filhos. Não, nada disso, impediu o casamento de ambos, que ocorrera na Tribo da Água, tempos depois de se conhecerem.

Nako desde o princípio nunca gostou da relação de sua mãe com o comandante. De fato, ele não expunha sua rejeição para sua mãe, evitando assim decepcioná-la, pois só a queria feliz. Mas também nunca deu ares de estar feliz com tal situação. Nako não tinha um bom pressentimento quanto a esse relacionamento, ele temia que sua mãe sofresse novamente. Contrariamente, seu irmão Raiki simpatizou com o comandante, porque sempre foi fascinado com coisas de guerra, tendo visto em Zameo uma oportunidade para embarcar numa dessas aventuras. A união entre Lori e Zameo se tornou mais vigorosa quando souberam que esperava por um bebê. Na verdade, gêmeos.

Diante dessa surpresa, Zameo decidiu voltar para sua cidade de origem, na Nação do Fogo, pois desejava que seus filhos nascessem na sua nação, como forma de manter o nome e a honra da família. Lori ficou receosa ao saber desta decisão. Não queria correr riscos de ser abandonada novamente por seu mais novo esposo, em um lugar sem familiares, longe de sua cidade-natal. No entanto, ela via bondade nos olhos de Zameo, e acreditava que tudo daria certo desta vez. E foi o que fizeram.

A vida na Nação do Fogo durou mais do que o esperado. A comodidade de viver como nobres fez com que Lori se deixasse convencer de continuar morando lá. Nako passou a frequentar umas das melhores escolas da cidade, e descobriu que nem todos os cidadãos da Nação do Fogo são arrogantes e egocêntricos. Seus dois meio-irmãos nasceram saudáveis, fortes e logo se mostraram muito travessos. Um menino e uma menina, chamados Hektor e Akami. Querendo garantir uma vida, que como o próprio padrasto de Nako denominava, digna e apropriada, Zameo fez com que continuassem na nação. Nako, de início, não concordou. Ele não se acostumara, e não sentia como alguém próprio dali. Realmente não era.

A rotina de escola deixou de ser entediante quando conheceu um mestre espadachim. Foi a partir dessa época que começou se interessou pelo estilo de luta e manipulação de espadas, se tornando um amante de katanas. Talvez fosse até mais fácil aceitar a vida na Nação do Fogo, agora que tinha algo excitante a aprender.

No entanto, o destino gosta de pregar peças nas pessoas.

É até redundante dizer que foi numa noite de lua cheia que Nako teve a primeira suspeita de que era capaz de dobrar água. Foi quando estava treinando golpes com uma espada emprestada de seu mestre. Estava fora de casa, quando sem perceber seus irmãos mais novos, Hektor e Akami, tomaram a espada de sua mão. Nako pediu para que devolvessem, e como não deram atenção, começou a se irritar com a atitude infantil deles. Eles começaram a bater a espada no tronco de árvores, e para Nako, aquilo era inaceitável. Seu sangue começava a ser bombeado com mais força pelas suas artérias. Nako jurava que neste momento poderia até sentir o sangue que pulsava na artéria temporal já dilatada, que passava por sua cabeça. Ao mesmo tempo em que sentia coragem, sentia insegurança, e raiva, por ver o que seus meio-irmãos faziam com sua espada. Foi quando Hektor ameaçou acertá-lo com a espada. Ele apenas fechou os olhos, e inconscientemente levantou seus braços tentando se defender.

Aos abrir seus olhos, já não se sentia mais forte. Seus músculos já haviam relaxado. No entanto ele não conseguia acreditar no que via. Seu meio-irmão estava caído com alguns metros de distância como se tivesse sido empurrado por alguma força estranha. Estava com o corpo todo molhado e envolto por muita água, água esta que se estendia desde Nako até Hektor, e a mesma água que aparentemente havia saído de um poça perto deles. Nako não era um completo idiota. Ele sabia o que aquilo era, uma dobra de água. Entretanto, ele não conseguia admitir, ou ao menos acreditar que aquilo havia sido feito por ele.. Hektor já havia soltado a espada, e agora tentava fracamente se levantar do chão alagado. Nako continuava estático, não conseguia fazer nada. Parecia que algo o impedia disto. Da mesma forma sua meia irmã Akami também estava quieta, calada. Hektor então se levantou e saiu correndo rumo à entrada da casa, seguido por sua irmã gêmea. A única coisa que Nako conseguiu falar foi “Hey...”, eles pararam e viraram o rosto, “Não contem”, e então já se viraram novamente para entrar na casa, sem dar algum sinal como resposta. Suas palavras saíram mais com um tom de desespero do que ele esperava.

Dias passaram, e aparentemente os meio-irmãos de Nako não haviam contado para ninguém da família o ocorrido. Nako continuou indo na escola, mas não conseguia mais se concentrar. A única coisa que pensava era no que tinha acontecido naquela noite de lua cheia. Porém, crescia agora dentro dele uma vontade incessante de desenvolver sua dobra de água, agora que acreditava e podia dizer com todas as palavras: “Eu sou um dobrador de água”. Além do mais, ele sabia que os tempos em que ele era o “coadjuvante” na sua família estavam para ser extintos.

Quase todo dia, após sua aula, Nako ia escondido até um riacho, nas redondezas da cidade, tentar dobrar a água. De início, não obteve sucesso, mas após alguns dias, já conseguir puxar da correnteza algumas bolas de água, e mais tarde já conseguia fazer movimentos mais desenvolvidos com a água suspensa no ar. Mais do que tudo, ele almejava ser um grande dobrador de água, no entanto sabia que continuar treinando às escondidas não o levaria a lugar algum. Foi então que teve que tomar a decisão mais importante de sua vida.