Nada Fácil

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Espero que gostem :)

*Hospital — Dia Seguinte *
– Não conseguimos falar com o papai e a mamãe a noite toda – falou Estrela pela décima vez, depois de em vão tentar ligar para os pais novamente.
– Eu já disse pela décima vez que onde eles se encontram estão incomunicáveis, Estrelinha – disse Carmem.
– Mas eu não acredito que tantos dias pra eles terem um encontro romântico, escolherem logo o dia que o neto escolheu para vir ao mundo. E o Heitor que não dá notícias.
– Tenha calma. Você sabe que um parto demora muito e principalmente o primeiro – falou Carmem.
Vivian tinha entrado em trabalho de parto no início da noite e Heitor estava com ela desde que chegou ao hospital. Na sala de parto ouviu-se um choro de um lindo menino, o filho de Heitor acabara de nascer e ele não podia está mais emocionado. Saiu para dar a notícia à sua irmã e a sua tia que estava na sala de espera:
– Nasceu! Meu filho nasceu.
– Parabéns irmãozinho – disse Estrela abraçando-o.
– Que felicidade. Como está os dois? – perguntou Carmem.
– Muito bem, tia. Levaram a Viviam e o bebê, mas daqui a algumas horas estarão no quarto e todos poderão vê-los. E os meus pais?
– Não temos notícias, mas já deixamos o recado com a Teresa para quando eles chegarem – respondeu Estrela.
Não muito longe dali, ainda estavam dormindo o casal de apaixonados. Maria foi a primeira a despertar olhou para o marido e mais uma vez agradeceu a Deus por tudo que havia lhe dado. Levantou-se vestiu sua bata e foi até a janela, minutos depois alguém lhe abraça por trás
– Bom dia.
– Bom dia – disse ela – Está tarde e devem está preocupados pela nossa demora.
– Eu avisei a Tia Carmem que não tínhamos hora pra chegar.
– Ela sabia de tudo isso?
– Sim. Eu não conseguiria fazer tudo isso sozinho.
Maria virou-se para ele e o beijou, um beijo de amor e de agradecimento, Estevão já tinha desatado o nó da bata dela e caminhando-a lentamente até a cama, fizeram amor novamente.Depois de mais um momento intimo compartido, tomaram banho e foram até a cozinha preparar algo para o café da manhã.
Duas horas depois partiram para o DF. Assim que entraram na mansão Teresa veio correndo dá a notícia e partiram imediatamente para o hospital. Chegando lá encontraram todos no quarto de Vivian:
– Até que fim apareceram – Estrela foi a primeira que se manifestou.
– Assim que soubemos viemos direto pra cá. Como estão vocês? – perguntou Estevão olhando direto pra seu filho e Vivian.
– Estamos todos bem, esperando que a enfermeira traga o Miguel – respondeu Heitor.
– Lamentamos muito não pode estar presente aqui com vocês – disse Maria que já havia cumprimentado todos os presentes no quarto.
– Lamentam? Sei – sussurrou Estrela.
– O que disse, filha? – perguntou Maria.
– Que Tia Carmem disse que vocês estavam bem e que não daria pra avisar porque aonde vocês estavam não há sinal de celular – disfarçou ela.
– Não tinha porque incomodá-los – piscou um olho para Estevão – Tudo estava sobre controle, mas se complicasse as coisas nós daríamos um jeito de avisá-los. Á propósito o Anjinho já sabe, quis vir mais eu os convenci que estava tudo bem e não haveria necessidade para isso.
– O importante é que estamos aqui – rindo para a tia.
Nesse instante, a enfermeira entrou com o pequeno Miguel em braços e toda a atenção foi voltada para o bebê. Ficaram todos reunidos até que a enfermeira deu ordens para se retirarem do quarto para a mãe e bebê descansarem. Pela tarde, foram informados que mãe e filho receberiam alta na manhã seguinte.
Estevão não compareceu à empresa esse dia. Leonel ficou responsável por tudo. Maria e Carmem ficaram organizando tudo para o almoço que dariam para receber o novo membro da família.
No outro dia, Lupita estava terminando de dá todas as instruções a Adriana que a partir do dia seguinte assumiria sua função definitivamente:
– Bom o que lhe ensinei foi suficiente, o restante irá aprender com o dia-a-dia da empresa – disse Lupita.
– Agora eu estou bem mais tranquila – disse Adriana – Pensei que seria mais complicado aprender tudo, mas não foi. Estranho o senhor San Román não aparecer por aqui, nem ontem e nem hoje, não é?
– É que ontem nasceu o primeiro neto. Mas hoje a tarde ele comparecerá e você vai começar a atendê-lo, ficarei essa tarde pra lhe ajudar e amanhã você inicia sozinha, está bem?
– Sim, Lupita. E mais uma vez obrigada, você foi muito legal comigo – falou Adriana sincera.
– Não precisa agradecer – disse sorrindo.

*Mansão San Román*

Estava tudo pronto para a chegada de Vivian, ela viria com Heitor e o restante ficou organizando tudo em casa. Estariam todos presentes: Bruno, Fabíola, Daniela, Leonel, Lupita, Greco e a família. Maria e Estevão decidiram aproveitar a oportunidade e dar a notícia da gravidez. A casa estava toda decorada com balões brancos e azuis e uma bonita faixa de "Bem-vindo Miguel".
Quando a porta se abriu todos correram para abraçar os jovens papais, Miguel estava dormindo e após todos fazerem carinho no pequeno, Vivian o levou para o quarto e retornou para a sala onde minutos depois se dirigiram para a mesa de jantar.
Após o almoço, estavam todos reunidos na sala novamente, quando Estevão se levanta e puxa Maris a para junto de si:
– Quero fazer um brinde? – com sua taça já levantada.
– Mamãe não vai brindar – perguntou Heitor.
– Não – respondeu Estevão que olhou pra Maria que juntamente com Vivian estavam com um copo de suco na mão – Ontem eu e Maria não pudemos estar no hospital porque estávamos comemorando uma grande notícia que recebi.
– Qual notícia? – perguntou Estrela.
– É que... – Maria olhou para o marido – Estou grávida.
Todos ficaram boquiabertos com a notícia, mas após assimilarem a mesma começaram as felicitações para os futuros papais.
– Vou ganhar uma irmãzinha! – gritou Estrela.
– Você nem sabe, Estrela – disse Heitor.
– Tem que ser menina. Não podemos ficar em desvantagem nessa casa – falou ela.
– É muito cedo pra isso – disse Maria tentando acabar com a pequena discussão entre os filhos.
– Fico muito feliz por vocês. Estevão já queria se aposentar por causa dos netos, agora com o filho... – disse Leonel.
– Faremos tantas compras, decoraremos o quarto de rosa... – começou a falar Estrela com grande expectativa.
– Nem sabemos o sexo ainda, Estrela. Vamos ter que esperar alguns meses pra isso – falou Maria.
– Teremos tempo pra isso – disse Estevão – Vamos marcar uma consulta e saberemos quanto tempo de gravidez tem Maria.
– Essa casa cheia de criancinhas, mal posso esperar – falou Carmem.
– Nem eu tia, nem eu – disse beijando sua mulher.

* Empresas San Román*

Passou pela empresa só para assinar alguns papéis importantes e logo regressaria a casa com sua esposa. Adriana estava sentada na mesa e Lupita ao seu lado:
– Lupita já vou – disse Estevão – E quero agradecer por tudo que fez por essa empresa. Agora passaremos a ser somente família – abraçando a jovem – E você Adriana seja bem- vinda.
– Obrigada senhor – disse Adriana.
– Eu que agradeço tudo o que aprendi – falou Lupita.
–Não foi nada. Até amanhã – despediu-se ele.
– Ele parece muito feliz hoje – observou Adriana.
– Está. hoje nos disse no almoço que será pai novamente – disse Lupita rindo.
– O que... – exclamou Adriana assustada – Maria está grávida.
– Sra. Maria – falou Lupita ao perceber a informalidade pela qual Adriana chamou Maria – Está grávida sim – estranhado a reação da jovem.
– Desculpe. Sra. Maria – corrigiu ela – É que eu não esperava que fosse isso, mas fiquei muito feliz por eles – tentou disfarçar.
– Bom, eu vou entregar esses papéis para o Leonel – saiu deixando-a sozinha.
– Grávida? Isso não pode está acontecendo. Não pode! – socando a mesa.
Precisava dar a notícia à Demétrio, mas infelizmente não seria possível, teria que esperar até o outro dia. Terminou o expediente e foi direto para o seu apartamento, pensando no que faria agora com essa gravidez de Maria.

* Prisão Oriente*

Não tinha muito tempo, precisava dar a notícia e ir direto para a empresa, acordou muito cedo pra dar tempo fazer a visita ao padrinho.
– Não te esperava tão cedo. Combinamos que demoraria um pouco para começar a colocar nosso plano em prática nossos planos, até ganhar confiança de Estevão – falou Demétrio intrigado.
– Surgiu algo que mudará nossos planos – começou a falar – Maria... descobri ontem que ela está grávida.
–E?
– Como "E" ? – perguntou ela pelo jeito frio que ele falou.
– Não vejo motivos para atrasar nada.
– Como que não? Ela está grávida! – gritou ela.
– E daí? Melhor ainda, fazer ela perder essa criança trará mais sofrimento a ela – falou no mesmo tom que Adriana.
– Não, assim não! Mexer com uma criança que nem nasceu. Não! – voltou a gritar.
– Não era você que queria acabar logo com isso?
– Sim. Mas teremos que esperar a criança nascer. Se quiser minha ajuda vai ter que esperar, senão terminamos tudo aqui e agirei sozinha – ameaçou ela.
– Está bem – tentando manter a calma.
– Que bom que concordou – suspirou ela mais calma – Vou ficar te visitando sempre – despediu se ela.
Demétrio socou a mesa com toda força e gritou, esperar sabe mais quanto tempo, não saberia se iria aguentar. Teve que concordar com Adriana, já que enquanto não saisse da prisão ela era o único elo que manteria com o mundo lá fora. Se tudo desse certo poderia, ele, agir sozinho pois estava com dias contados naquele lugar.
Adriana saiu um pouco atordoada da prisão, estava no táxi rumo à empresa, seu padrinho atuou muito frio, mas reacionou a tempo e voltou atrás, ele certamente estava muito angustiado por está na prisão, pensava ela. Adriana não tinha consciência que Demétrio era muito perigoso, ela sabia que ele não era uma boa pessoa, mas julgava ele por suas ações, que assim como ela queria vingança pelo que lhe haviam feito. Não importava que tivessem que esperar alguns meses mais, o importante é que agora ela estava vigiando todos os passos dela. E foi com esse pensamento que ela caminhou para seu primeiro dia de trabalho.

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Dormia tão tranquila. Estevão admirava sua mulher, estava sentado na cama tinha acabado de acordar. Ela virou-se evidenciando sua gravidez de 5 meses, abriu os olhos e sorriu para o marido como sempre fazia desde que passaram a dormir na mesma cama. Ele inclinou-se para beijá-la e deu também um beijo em sua barriga.
– Bom dia, meu amor – disse Maria sonolenta.
– Bom dia, minha vida – disse acariciando-lhe o rosto – Ansiosa?
– Um pouco. Finalmente hoje saberemos o sexo do nosso filho, já não aguento mais a Estrela com sua impaciência.
– Ela me disse ontem que já mandou retirar todos os pertences de Alba do quarto e ainda está com a ideia fixa de usar ele para o quarto do bebê e não me agrada a ideia – falou Estevão.
– Ela insiste que é melhor, porque o quarto fica mais perto do nosso e do dela e assim nos ajudaria – disse Maria rindo e lembrando o que Estrela falou para convencê-la – Mas eu também não queria, conhecendo ela não desistirá tão fácil da ideia.
– Poderíamos desocupar o quarto anexo a esse, a última palavra vai ser sua – disse ele que já tinha ajudado-a a levantar da cama.
– Falarei com Estrela. Vamos tomar banho para ir à empresa – puxando-o para o banheiro.
A consulta com o médico era a tarde, trabalhariam pela manhã e folgariam a tarde. Estrela insistiu para ir junto e os encontraria na empresa. Desceram para o café e encontraram todos a mesa. Ângelo e Alma já haviam retornado das férias, ele voltou para a empresa e ela passava o dia ajudando Vivian com o bebê que já estava com três meses.
Ao chegarem na empresa, Estevão e Maria cumprimentaram Adriana e foram para suas salas. Nesse tempo que passou Adriana conseguiu rapidamente a confiança de Estevão, sempre que podia contava histórias de sua infância aumentando o drama para comové-lo, já com Maria as coisas não avançaram, como a primeira impressão é a que fica Maria não conseguia confiar inteiramente nela, Adriana bem que tentava alguma aproximação mais não obteria êxito. Por enquanto a confiança de Estevão bastava ou assim pensava ela.

*Prisão Oriente*

Três meses e nada. Era esse o tempo que levava tentando fugir desse lugar. O advogado nunca lhe deu esperanças e o único caminho que lhe restava não tinha sido tão rápido como esperava. O detento que negociava com o carcereiro dizia que o carcereiro estava pedindo mais dinheiro e cada dia que passava era um verdadeiro tormento naquele lugar. Seus colegas de cela ainda o perturbavam, não dormia, não comia e sua sede de vingança era o que lhe mantinha em pé. Adriana lhe visitava duas vezes por semana, ela o chateava, conversava demais e ele tinha medo que ela pudesse se arrepender alguma hora e deixar tudo para trás por isso ele sempre contava e reforçava toda a história por ele contada.

*Empresas San Román*

Estava tão distraída ao sair do elevador que não percebeu quando esbarrou sem querer em uma jovem.
– Me desculpe – disse Estrela – Estava tão distraída que não te vi – ajudando a recolher os papéis que caíram no chão.
– Não se preocupe. Eu também estava voando nos pensamentos e não te vi. Prazer, Adriana – estendendo-lhe a mão.
– Prazer, Estrela – apertando a mão – Nunca te vi por aqui.
– Estou a pouco tempo trabalhando aqui. E a senhorita o que deseja?
– Bem, eu vim...
– Estrela filha, já chegou? – disse Maria interrompendo a conversa das duas.
– Greco tinha uma entrega aqui perto e me trouxe.
– Vamos para minha sala.
– Com licença Adriana – falou Estrela – Gostei muito de você, podíamos marcar alguma coisa qualquer dia desse.
–Claro que sim. Eu adorei te conhecer – disse ela com segundas intenções.
–A filha da Maria adorou te conhecer Adriana – falou para si mesmo quando estava só – Ponto para mim.

*Sala de Maria*

– Gostei da nova secretária do papai – comentou Estrela – Tão jovem para já trabalhar de secretária.
– Seu pai que a contratou. Também achei muito jovem e por outras coisas – disse sentando na cadeira.
– Aí mamãe – e riu da maneira que ela falou – Está de implicância com a garota.
– Não é implicância. Simplesmente não me agrada o jeito que me olha desde que chegou e tenho a impressão que faz de tudo para impressionar seu pai.
– Ciúmes!?
– Não é ciúmes, seu pai nunca se interessaria por ela.
– Sei – deduzindo que os hormônios da gravidez estavam deixando sua mãe um tanto insegura – Já disse a ele?
– Já. E não acredita, diz que é coisa da minha cabeça. Prefiro ficar quieta para não brigar com ele, mas no primeiro deslize dela eu peço pelo menos para ser transferida.
– E ela já deu motivos?
– Não. Ela é gentil, atenta e dedicada ao trabalho.
– Bem, está na hora – levantando-se – Quero saber como vai minha irmãzinha.
– Se for menino espero que não fique decepcionada – fechando a porta de sua sala.
– Não é não – disse confiante.
– Como vai meus amores? – Estevão estava saindo de sua sala.
– Muito bem – respondeu Estrela sendo beijada pelo pai.
–Estamos prontas. Vamos? – perguntou Maria beijando o marido.
– Vamos – respondeu e dirigiu-se a Adriana – Até amanhã.
– Até amanhã. E boa sorte no exame Sra. Maria – falou ela.
–Obrigada. Vamos logo? – incomodada com o olhar que Adriana lhe dirigiu.
– Até logo. E adorei te conhecer – disse Estrela ao se despedi.
– Eu também – vendo-os sair – Quanto tempo mais eu vou aguentar tudo isso?
Olhou para mesa e viu os documentos que Estevão minutos antes mandou deixar com Maria e ela acabou não indo. Se dirigiu para a sala de Maria e entrou, colocou os papéis em cima da mesa e percebeu que o computador de Maria estava ligado, sentou-se na mesa e viu que se tratava de um balanço que seria entregue aos acionistas na manhã seguinte e sem pensar duas vezes excluiu o arquivo e desligou o computador.
– Um presentinho, Maria – riu e saiu da sala.


* Hospital*
Todos estavam na expectativa. o médico já tinha colocado o gel na barriga de Maria e o único som na sala era o do coração do bebê.
– Está tudo bem – disse o médico – Parabéns, vocês serão pais de...

Notas finais
:)