Nada Fácil
7 Capítulo 7
Notas iniciais
*Hospital*
Todos estavam na expectativa. o médico já tinha colocado o gel na barriga de Maria e o único som na sala era o do coração do bebê.
– Está tudo bem – disse o médico – Parabéns, vocês serão pais de uma menina.
– Eu disse que ia ser uma menina – gritou Estrela assustando os demais – Tenho que ligar para o Heitor – saindo da sala.
– Continue tomando as vitaminas – disse o médico entregando o papel para Maria limpar a barriga por conta do gel – Vou deixá-lo a sós.
– Uma menina – disse Estevão emocionado e com a mão na barriga da esposa –Mais uma princesa.
– Estou tão feliz.
– Precisamos dá a notícia a todos – disse ele ajudando-a a descer da cama.
Quando chegaram no corredor encontrara Estrela que tinha acabado de desligar o celular, foram todos direto para mansão. À noite reuniram-se todos, entre eles, Ângelo e Alma, Leonel e Lupita, Greco e Estrela que fez questão de contar a todos da nova irmãzinha e os planos que tinha antes do nascimento da criança. Estevão e Maria acompanhavam quietos a felicidade dos filhos, toda a família conversavam e davam opiniões sobre tudo.
* Em um beco qualquer da cidade*
Estava ofegante, nunca na vida tinha corrido tanto assim, sentou-se na alçada para recuperar um pouco o fôlego e decidir para onde iria. A fuga tinha se dado muito às pressas, era agora ou nunca. A oportunidade veio quando o caminhão de mantimentos entrou na sede da prisão e com ajuda do carcereiro conseguiram despistar os vigias, mais alguém na guarita central os viram, eram 5 no total, e correram atrás dos fugitivos. Todos correram para lados opostos, cada um para seu rumo. Antes de mais nada precisava ir ao terreno baldio que ficava por trás da casa onde vivia com Daniela, tinha que ir antes que a notícia de sua fuga se espalhasse.
Três horas depois estava em um barraco sujo bem afastado da cidade, ali seria seu novo lar até acabar com a vida de Maria, livre poderia fazer o que Adriana se recusou meses atrás por Maria se encontrar grávida. Precisava descansar, deitou-se em uma cama imunda deixando-se vencer pelo sono dormiu com um sorriso nos lábios, o sorriso da liberdade.
*Mansão San Román- Madrugada*
– Estevão, acorda por favor – Maria tentava a todo custo acordar o marido.
– Que foi, meu amor? – com os olhos fechados e tentando fazer com que ela deitasse na cama novamente.
– Estou com desejo, meu amor – falou com voz mansa.
– Desejo? – completamente acordado –Maria você não teve nenhum desejo durante esses meses, porque hoje?
– Não sei Estevão é sua filha. Vamos levante-se.
– E o que minha princesa quer.
– Quesadilla com sorvete de limão.
–Como?
– Quesadilla com sorvete de limão – respondeu Maria sem paciência.
– Aonde vou encontrar quesadilla às 3h da manhã?
– Não sei. Você não vai? – perguntou ela incrédula.
– Claro que eu vou, meu amor – levantando-se para trocar de roupa.
Voltou ás 5h da manhã com tudo o que Maria pediu, seus olhos brilharam, como uma criança, quando recebe algo desejado. Estevão admirou satisfeito ao ver sua mulher devorar tudo com tanta felicidade.
*Apartamento de Adriana*
Estava tomando seu café da manhã, o apartamento estava quase pronto, não era muito grande tinha sala, cozinha, dois quartos e uma bela varanda. Era suficiente para ela até porque não sabia o que iria fazer depois que terminasse tudo aquilo. O pensamento foi direto para o que tinha feito com o arquivo de Maria, acabou rindo, com certeza a primeira pessoa que Maria iria falar era com ela, mas estava tudo sob controle. Estava cansada de não fazer nada, foi só um pequeno agrado para ela.
Foi interrompida pelo interfone pelo porteiro, avisando que tinha uma entrega para ela. Achou estranho, o restante dos poucos móveis que compro só chegariam no final da tarde. Ao abri a porta deu de cara com um senhor barbudo, de óculos e meio gordo:
– Entrega – disse ele com uma caixa em mãos.
– Pode colocar aqui – em um local perto da porta.
– Certo – ao mesmo tempo que trancou a porta do apartamento, assustando Adriana – Calma, sou eu – retirando parte do disfarce.
– Padrinho! – exclamou ela ainda muito assustada – Quando saiu?
– Ontem à noite – começou a relatar – Na verdade eu fugi, não aguentava mais tudo aquilo. Paguei muito caro pra isso. Estou vivendo um pouco afastado daqui, mas manterei contato. Descobri aonde você morava, antes que a notícia da minha fuga vazasse para os San Román, precisava te ver e te avisar da minha fuga.
– Estou chocada – disse ela em choque – O que pretende fazer?
– Por enquanto vigiá-los. Quero ter certeza de todos os passos deles.
– E como manteremos contato?
– Comprei um celular e só se comunicaremos por ele – anotou o número e entregou a ela – Preciso ir darei notícias em breve.
Adriana o viu sair, ainda estava desorientada, não sabia o que pensar de tudo. Pegou sua bolsa, as chaves e saiu.
*Empresas San Román*
Continuava a procura. Faltava 1h para a reunião e não encontrava o arquivo, tinha certeza que estava salvo e que estava revisando-o quando na tarde anterior saiu da sala para pedir a Adriana que imprimisse e entregasse a Estevão quando encontrou a filha e foram para sua sala, a única coisa que não tinha certeza era se tinha desligado o computador. Então quem o apagou? Tinham que ter apagado. Passou toda a semana dedicada ao balanço que seria mostrado aos acionistas. Mas quem? E por quê? Adriana. Ela era a única pessoa que teria uma explicação para aquilo tudo.
– Adriana venha a minha sala por favor – interfonou Maria.
– Pois não – chegou ela segundos depois de a tê-la chamado.
– Ontem deixei um arquivo salvo no meu computador. Alguém estranho entrou aqui?
– Não senhora. Ontem deixei uns documentos que o Sr. Estevão me pediu para lhe entregar e estava tudo em ordem. Eram muito importante?
– Muito. Era o balanço do último trimestre da empresa. Tem certeza que ninguém entrou aqui? – perguntou Maria novamente. Percebendo um olhar diferente em Adriana, diversão, era isso parecia que ela estava se divertindo com situação.
– Por acaso a senhora está me acusando de alguma coisa? – perguntou ela.
– Não. Mas preciso entender o que aconteceu aqui e você é a única que pode me explicar alguma coisa.
– Não sei de nada – disse Adriana tentando ficar calma – Tem certeza que a senhora salvou o arquivo?
– Como? Está duvidando da minha palavra? – perguntou Maria sem entender aonde ela queria chegar com essa pergunta.
– Não estou duvidando. Mais com tanta preocupação que a senhora tem...
– Nem termine o que ia falar – disse interrompendo-a e exaltando-se – Está insinuando que não fiz o trabalho e agora quero responsabilizar alguém?
– Alguém não. A mim! – respondeu ela alterando-se – Ou pensa que não sei que está esperando uma oportunidade para me mandar embora.
– Não vou admitir que fale assim comigo – gritou Maria.
– O que está acontecendo aqui? – perguntou Estevão entrando na sala.
Nenhuma das duas falou nada, Adriana não sabia o que dizer e preferiu esperar a reação de Maria que por sua vez não sabia o que pensar, precisava se acalmar. Enquanto isso Estevão olhava para as duas esperando uma explicação:
– Quem vai me explicar?
– Misteriosamente sumiram os balanços que apresentaríamos na reunião de hoje – começou Maria – E Adriana insisti em afirmar que estou lhe acusando de sumir com o arquivo.
– Como sumiram? E por que Adriana teria haver com isso?
– Estevão eu não a acusei – fulminou o marido com o olhar – Ela que está interpretando assim.
– Eu não queria causar nada disso – disse Adriana no meio da briga dos dois – Eu sei que a Sra. Maria não gosta de mim, mas não posso deixar que me acusem de uma coisa que não fiz.
– Quantas vezes eu tenho que dizer que não te acusei de nada? – disse Maria bastante alterada.
– Adriana deixe me a sós com Maria, depois falaremos – vendo ela sair – Pode me explicar melhor tudo isso?
– Já disse os documentos sumiram e a chamei, ela veio com isso de está acusando-a – respondeu Maria novamente.
– O problema não é Adriana e sim esse papéis. O que faremos?
– O problema é ela sim. Ela me faltou com respeito – falou Maria.
– Com Adriana eu converso depois. Sobre os papéis, teremos que fazer algo. Por que não me entregou ontem mesmo? – perguntou ele.
– Estava revisando eles quando Estrela chegou e acabei esquecendo-os.
–Eu disse que não era necessário você que não era necessário tomar conta desse relatório, mas você insistiu – disse Estevão.
– O que está querendo dizer com isso? Quis te ajudar. Heitor ficou o últimos meses em casa com o filho, Leonel está responsável pela revisão dos contratos e para não te sobrecarregar te pedi pra fazer isso – disse Maria nervosa.
– Não estou lhe chamando de irresponsável, se é o que está pensando, mas com as preocupações que você tem...
– De onde tirou tudo isso? – achando estranho ele usar a mesma desculpa de Adriana.
–Isso o que? – perguntou sem entender.
– "As preocupações que tenho" Foi ela que disse isso, não foi? Foi Adriana – disse esperando a resposta.
– Maria por favor não se altere...
– Com licença – Maria pegou sua bolsa e saiu.
Estevão foi atrás dela mais não a alcançou, voltou-se para onde Adriana estava:
– Cancele a reunião e marque para a próxima semana.
– Me desculpe pro tudo. Posso ajudar em alguma coisa? – perguntou ela cinicamente.
– Não. Faça o que lhe pedi e depois conversamos.
Maria desce para o estacionamento e pegou um táxi com Arnaldo correndo atrás para ela parar, mas foi em vão. Estevão correu mais também não a alcançou e voltando-se para Arnaldo:
– Ela falou alguma coisa?
– Não. Passou correndo rápido demais e não pude detê-la – respondeu Arnaldo.
– Está bem. Tente segui o táxi eu vou buscar minha chave e vou procurá-la –Estevão subiu rapidamente pelo elevador.
~Pensamento ON~ 2 dias atrás
–Trouxe os papéis que o senhor pediu – disse Adriana.
– Obrigada. E Maria saiu?
– Não senhor. Quem acabou de sair foi o Padre Belisário – disse ela – Não sei como a Sra. Maria aguenta trabalhar.
– Por que diz isso?
– Desculpa me meter mais no estado dela é preferível que tenha repouso e fique livre de preocupações.
– Maria está bem, não vejo por esse lado aqui ela trabalha pela manhã e a tarde descansa. Tento levar o mínimo de problemas para ela e o médico a liberou – disse ele.
– Me desculpe novamente não quis parecer indiscreta – disse ela.
– Não se preocupe. Só não deixe Maria ouvir isso, com os hormônios da gravidez que estão deixando ela às vezes sensível e outras um pouco brava, não sei o que faria – brincou ele.
~Pensamento OFF~
–Será que me deixei levar pelo comentário de Adriana? – pensou alto – Maria aonde foi?
Entrou em sua sala e quando pegou as chaves o telefone tocou:
– Alô.
– Sr. San Román, Aqui é o Inspetor Monteiro, liguei para avisar que ontem a noite houve uma fuga do presídio e o Demétrio fugiu.
– Como?
– Não sabemos muito bem, mas avisei para manter sua família em segurança.
– Por que não avisaram logo que descobriram? – perguntou nervoso.
– Só foi descoberto na hora do banho de sol – respondeu o Inspetor.
– Muito obrigado – disse depois de se recuperar pelo choque da notícia.
Maria! Precisava achá-la imediatamente.
* De frente a Empresa San Román*
Estava em um carro preto com vidros escuros, além disso usava o disfarce. Tinha chegado assim que deixou o apartamento de Adriana, viu Heitor e Ângelo chegarem, logo após Leonel e finalmente o casal San Román. Já estava entediado, quando viu Maria sair só do edifício correndo e pegando um táxi, Arnaldo vinha logo atrás e ao arrancar o carro para segui-la viu Estevão correndo para junto de Arnaldo.
Quanta sorte! Logo no primeiro dia.(riu). Com certeza iria para casa ou não, para ela sair assim deveria ter brigado com o marido. Então devia correr para o Padre Belisário ou para a casa de Socorro. Percebeu que o táxi seguia para um caminho desconhecido. Para onde ela iria?
*Táxi*
O celular não parava de tocar, no visor "Estevão". Estava muito brava, ele não podia ter ignorado o mal comportamento de sua secretária e ainda por cima colocou a culpa em "suas preocupações". Que preocupações? Ou ele acha porque está grávida, cuidar de uma casa e da família é alguma preocupação? Mais o estranho é ter usado a mesma frase de Adriana, no começo achou que era uma bobeira não ter simpatizado com a garota, mas agora tinha certeza que essa menina escondia algo. Mas o que?
– Aonde quer ir senhora? – interrompeu o taxista – Estamos rodando e a senhora não disse para onde quer ir.
– Para essa capela – tirou o endereço da bolsa e entregou ao taxista.
Capela Bom Jesus. Essa capela lhe trás boas recordações de quando chegou ao DF. Quando desembarcou na capital pegou um táxi e quando seguiu para o pequeno apartamento, onde morou até conhecer Estevão, passou por essa mesma capela, pediu ao taxista para parar entrou e rezou agradecendo a Virgem por tudo o que lhe havia concedido e pedi-lhe proteção na cidade que não conhecia e que seria seu lar.
Sorriu recordando essa etapa da sua vida. Desde que retornou de Aruba não retornou ali, prometeu que iria assim que tudo acabasse e lhe tocou aparecer ali naquele dia, precisava ficar só e como ninguém sabia daquele lugar seria um bom lugar para pensar. Não tinha pretensão de demorar, era apenas uma visita. Quando chegaram a esquina ela pediu para parar e pagou a corrida, comprou algumas flores em uma pequena venda que tinha ali, atravessou a rua e entrou, era exatamente como recordava, havia poucas pessoas, sentou no último banco fez sua oração silenciosa e saiu.
Ao atravessar a rua novamente não percebeu um carro em alta velocidade que se aproximava, não deu tempo para nada a não ser colocar a mão no ventre na intenção de proteger a filha. Sentiu alguém lhe abraçar e se jogar com ela no chão, uma forte pancada na cabeça e não viu mais nada.
* Carro de Estevão*
Chamou muitas vezes o número da esposa e ela não atendia, percebeu então que ela desligou o celular. Estava indo para casa, tinha certeza que ela iria para lá, não podia ter deixado ela sair da sala, bateu no volante mais uma vez. Devia ter resolvido tudo lá mesmo quando Adriana estava na sala de Maria, mas achou melhor separar os assuntos e resolver cada um por vez e acabou metendo os pés pelas mãos.
Entrou como um raio em casa e passou direto por quarto onde não a encontrou, desceu as escadas e encontrou os três filhos chegando para o almoço.
– Viram a mãe de vocês? – perguntou nervoso.
– Não. Chegamos agora, por quê? – perguntou Estrela intuindo que algo acontecia.
– Tivemos uma pequena discussão e saiu da empresa e pensei que tinha vindo pra cá.
– Calma pai, com certeza está com o Padre Belisário – disse Ângelo.
– Eu ligo para ele – disse Heitor.
– E eu ligo para D.Socorro para o caso dela está lá ou aparecer – disse Estrela.
Nada. Ninguém sabia de Maria, tentaram mais uma vez ligar para ela sem resultado nenhum. Três horas depois e nada. O clima na casa já era de preocupação, estavam todos na sala a espera de Maria.
– Maria está se comportando como uma menina, poderia ao menos dá alguma notícia – disse Estevão extremamente preocupado e chateado.
– E se aconteceu alguma coisa? – falou Estrela.
– Não diga isso – disse Heitor tentando não pensar no pior.
– Mantemos a calma. Vamos esperar um pouco mais e vamos a polícia – uma única coisa passava pela cabeça de Estevão. Demétrio.
– Por que não vamos logo? – perguntou Heitor.
– Papai, Heitor e Leonel vão a delegacia enquanto ficamos todos aqui e qualquer notícia avisamos – sugeriu Ângelo.
– Boa ideia, Ângelo – disse Leonel – Vamos logo.
Saíram os três rumo à delegacia. Estevão preferiu não alertar a família sobre a fuga de Demétrio, senão ficariam mais preocupados. Mais a cada minuto o medo de que Demétrio pudesse fazer algo com Maria aumentava mais. Ligou para o Inspetor Monteiro lhe contando o que havia acontecido e ele prometeu agilizar o caso, já que para dar uma pessoa por desaparecido era necessário 48h.
Ao chegar a delegacia se encontraram com o Inspetor. Estevão contou tudo novamente.
– Já tentaram localizá-la em todos os locais que possivelmente ela poderia ir – perguntou o Inspetor.
– Sim – respondeu Leonel.
– E o que podemos fazer agora? – perguntou Heitor.
– Vamos mandar alertas para todos os hospitais da região – respondeu o Inspetor.
Ao ouvir a palavra hospital o mundo de Estevão veio abaixo, como algo tão pequeno se transformou nisso tudo, mais uma vez se arrependeu de não ter resolvido isso no momento. Precisava encontrá-la logo, ela e sua filha corriam perigo.
*Em um bairro distante*
– José, estás bem? – gritou um homem que foi o primeiro a chegar ao local que ocorreu acidente.
– Estou bem, só meu braço que está doendo. Acho que por ter suspendido todo o peso do corpo dela para a pancada não ser em sua barriga. Mas bateu muito forte com a cabeça – respondeu José.
– Eu acho que a pessoa que fez isso queria atingi-la – disse o outro que se aproximava.
– Também acho – falou José.
O local foi enchendo de curiosos, a mulher da floricultura chamou uma ambulância e também se aproximou:
– Já chamei a ambulância. Essa senhora não parece ser desses lados, é muito fina – observou ela.
– Precisamos primeiro levá-la para o hospital – falou u dos homens.
– É melhor não mexermos em nada até a ambulância chegar – disse ao ver que mexiam no corpo de Maria – Santo Deus ela está sangrando.
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