Na mira do inimigo
7 Capítulo 7 - Um grande herói
– Garotos, ouçam bem – disse Jones, com um tom de voz muito sério – invadiremos o prédio por todas as entradas, no total três. Cada um de vocês três irá para uma portaria diferente. Precisamos que vocês se separem para que possam agir de forma rápida. Alice não tem muito tempo.
– E as câmeras? – indagou Anna.
– O nosso técnico invadiu o sistema deles e desativou todas elas há pouco tempo.
– Então o sistema de segurança deles deve estar mais forte agora. — disse Simon.
– Escutem bem – Jones disse num tom de voz mais baixo – metade dos que estão nessa van não voltarão para casa. São soldados, assim como vocês. Eles dão a vida deles para salvar a de outros. Mas eu não vou permitir que isso aconteça com vocês três. E eu tentarei mantê-los vivos custe o que custar – Jones foi interrompido por um abraço por parte de Anna. Os meninos se juntaram também e todos se abraçaram. Estavam se arriscando absurdamente para salvar aquela garota, mas sabiam que aquilo era o certo a se fazer. Se acomodaram novamente nos bancos e esperaram.
...
– Chegamos. – Disse Jones, levantando-se e destravando a arma.
Simon conferiu as facas e Gael Colocou o arco no ombro. Anna destravou o revólver e certificou-se de que todos os cartuchos estavam lá. Os três se abraçaram uma última vez.
– Boa sorte – disseram eles, em coro.
Anna se afastou um pouco deixando Simon e Gael sozinhos. Simon beijou Gael e disse:
– Boa sorte.
Gael segurou seu rosto com as duas mãos, enxugando uma lágrima que escorreu de seu olho esquerdo.
– Hey, te vejo do lado de fora. – Gael sorriu, tranquilizando Simon.
Dito isso, se separaram.
As tropas se posicionaram em frente as portarias. Simon pegou três facas. Gael preparou uma flecha. Anna colocou o dedo no gatilho.
A porta foi arrombada. Simon arremessou uma faca contra o segurança que segurava uma metralhadora. A flecha de Gael atingiu a cabeça de um deles, e Anna disparou duas vezes contra o peito de um dos bandidos. Todos avançaram, de cabeças baixas. Anna saiu de perto do grupo e avançou em direção a uma mureta. Ainda abaixada, ela se levantou e mirou o revólver em um dos homens. Porém, antes que pudesse puxar o gatilho, foi surpreendida por uma mão que tapou sua boca, e um braço que segurou seu pescoço. Anna desferiu cotoveladas no homem, porém de nada adiantou. Então ela mordeu sua mão, o que o fez recuar, dando uma passagem para Anna chutar seu joelho esquerdo, fazendo o homem cair. Anna se soltou de seus braços e desferiu várias coronhadas em sua cabeça, esmagando seu crânio. Ela correu até uma escadaria, e a subiu, se escondendo dos outros capangas.
Enquanto isso, Gael preparou mais uma flecha e foi se escondendo pela parede até avistar outro capanga. Ele mirou na cabeça do homem, porém, assim que disparou, o homem se abaixou para tirar alguma coisa da gaveta, e a flecha atingiu a estrutura de madeira. Os três homens que estavam no andar de baixo avistaram Gael.
– Ali! Ele está ali!
Gael subiu as escadas correndo e tentou fugir dos capangas. Porém, ao chegar até uma sacada, a estrutura atingida pela flecha desabou, derrubando Gael e os outros dois homens. O terceiro rodeou a sacada correndo, como revólver na mão. Preso aos escombros, Gael olhou em volta e viu que o arco e as flechas estavam próximos ao seu alcance. Ele se esticou para tentar alcançá-los, porém, os restos de madeira podre e cordas velhas o prendiam ao chão, sem que ele pudesse se locomover. Os homens que caíram com ele estavam desacordados, então, Gael ganhou tempo para tentar escapar.
– Argh! – exclamou , quando tentou tirar um pedaço dos escombros de cima da sua costela.
O homem chegou e pisou por cima dos escombros até chegar ao corpo de Gael. Ele se agachou sobre ele, e, com uma expressão irônica, disse:
– Então vocês pensaram que poderiam salvar aquela garota? Há-há! Faz-me rir!
– Nós não pensamos. Nós iremos! – exclamou Gael, com uma expressão odiosa.
– Ah, então você é corajoso, não é? – o homem apertou pedaço de madeira que estava nas costelas de Gael, fazendo-o gritar de dor.
– Merda! – gritou.
– Bem, então salve-a... – o homem destravou a arma e a apontou para a testa de Gael — ... no inferno.
Gael fechou os olhos. Ouviu um disparo. Sangue voou em sua testa. Ao abri-los novamente, olhou em volta e viu o homem caído ao seu lado, com um tiro que entrou pela nuca e saiu pela testa. E, mais á sua frente, Anna ainda estava com a arma apontada para o sujeito.
– Seu merdinha... – disse ela, olhando para o corpo sem vida com um ar de desprezo.
– Anna... – disse Gael, empurrando as partes dos escombros, sem sucesso.
– Quer uma ajuda aí? – riu ela.
– Por favor.
Anna ajudou Gael a retirar os escombros de cima dele.
– Ugh! – ele exclamou, pousando a mão sobre a costela esquerda.
– Droga, você está ferido. Venha comigo, temos que te esconder.
Enquanto isso, Simon se escondia atrás da porta de um quarto. De lá, ele ouvia os gritos desesperados de uma garota.
– Droga, Alice! – ele pensou.
Simon se esgueirou por trás da porta e passou pelas paredes com cuidado. Subiu uma escadaria, e se deparou com uma saída de incêndio. Os gritos ficaram mais nítidos.
– Aaaaaah! Pare, por favor!
Simon correu o mais rápido que pode até uma porta de madeira. Os gritos vinham de trás dela. Sem tempo para pensar, Simon tentou abrir a porta, que estava trancada. Então, desferiu vários chutes contra a mesma, arrombando-a. Assim que avistou um homem surrando uma garota loira, arremessou uma faca contra ele, atingindo seu pescoço. O homem arregalou os olhos, encarou Simon e arrancou a faca do seu pescoço, piorando a hemorragia e fazendo sangue espirra no rosto de Alice.
– Socorro! – ela gritou, apavorada.
– Calma, eu vou te tirar dessa. – garantiu Simon, cortando as cordas que prendiam as mãos da garota á uma cadeira.
– Quem é você? – indagou ela, levantando-se e preparando para correr.
– Eu sou Simon. E eu sou do FBI. Estamos todos aqui por você.
– Todos? –perguntou ela.
– Não posso explicar. Venha.
Simon segurou firmemente na mão de Alice e os dois correram até o andar de baixo. Alice estava bastante assustada, mas, mesmo assim, encontrou forças para acompanhar Simon e correr. Simon manteve Alice mais atrás o tempo todo, de forma que ele pudesse servir de escudo humano. Ao passar por um vão, Simon avistou um capanga correndo para perto dos dois. Mais do que rápido, sacou uma faca e arremessou.
A primeira faca atingiu a testa do homem de raspão, derrubando-o. Simon correu e avançou em cima do mesmo, e os dois rolaram no chão. Simon sacou uma faca e tentou acertar a cabeça do homem, mas ele desviou, rolando para cima de Simon e desferindo socos contra seu rosto, Simon tentou rolar para cima dele, mas o homem era pesado demais. Então, ele avistou um tijolo próximo dos dois. Ele se esticou para alcança-lo, e, feito isso, acertou-o na cabeça do rapaz, fazendo-o cair. Simon então pegou uma faca e cravou-a no peito do homem, matando-o. Alice observava, em choque, a cena toda. Simon retirou a faca do corpo sem vida e correu com Alice novamente. Ao descerem da sacada, Simon se assustou com um homem que segurou sua mão. Ao tentar revidar, ele percebeu que era Jones. A equipe do FBI havia evacuado o estabelecimento, mas Simon e Alice eram os únicos que permaneciam lá dentro. O problema era que havia uma bomba instalada ali, e eles não tinham muito tempo. O choque consumiu Alice completamente e ela ficou imóvel, sem reação alguma.
–Alice! Corre! – gritou Simon, enquanto tentava fazer a garota se mover.
Mas ela não respondia.
– O que está acontecendo aí? – indagou Jones, voltando até onde os meninos estavam.
– Ela está em choque! – Disse Simon, desorientado – Temos que ajuda-la.
Jones pegou Alice no colo e correu com Simon até a portaria. Porém, antes que saíssem, um dos terroristas apareceu e disparou vários tiros contra os três, mas isso não os impediu de continuar. Ao se afastarem da portaria, o prédio desabou.
...
Simon e Gael se abraçaram. Anna abraçou os dois também. Alice estava deitada ao chão, recebendo atendimento médico. Eles estavam bastante aliviados, afinal, tudo havia acabado bem.
Ao menos para eles.
Foi quando Anna olhou em volta e se apavorou.
Deitado na calçada e banhado em sangue, Jones estava morrendo.
– Papai! – gritou Anna, correndo até o corpo quase sem vida de Jones – Papai! O que aconteceu com o senhor?
– Anna... – Jones disse, quase sussurrando – Minha menininha linda...
Simon e Gael se ajoelharam ao lado dos dois. Viram então que os tiros do bandido haviam acertado as costas e o abdômen de Jones, que se utilizou como escudo humano para proteger Alice e Simon.
– Shh... não fale, papai. O senhor vai ficar bem, eu prometo.
– Me perdoe, Anna... me perdoe por não estar sempre lá.
– Pare, papai, o senhor não pode se esforçar.
– Cuidem dela pra mim... eu confio em vocês dois... – Jones disse para Gael e Simon, que choravam baixinho junto á Anna.
– Pare, papai! O senhor não vai morrer. Não vai!
– Filha... eu... eu te a...
E, como um grande herói, mas como uma inocente vítima, Jones fechou seus olhos.
– Não! – gritou Anna — Papai! Não! — E, sussurrando enquanto chorava baixinho, disse – Eu não consigo sem você... por favor...
Mas não havia mais nada a fazer.
...
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