Na mira do inimigo

1 Capítulo 1 - Sobreviventes


Simon abriu seus olhos. Olhou em volta. Havia sangue por todo o lugar. Seus olhos se apertavam para tentar enxergar através da fumaça, o que fazia ele chorar ainda mais. Passou a mão pelo rosto e notou que seus óculos haviam caído no meio de tanta confusão. Ao examinar sua mão novamente, notou que ela estava completamente ensanguentada. Só então percebeu o corte que havia se formado na parte esquerda de sua testa, causado pela bala que havia passado de raspão. Simon havia se fingido de morto por pelo menos vinte minutos, até ter certeza de que os assassinos haviam ido embora. Olhou além da fumaça e se aterrorizou ao ver a quantidade de crânios esmagados e corpos mutilados. Eram todos jovens, assim como ele. Só então veio o pensamento: Anna e Gael. O que haveria acontecido com os dois? Simon entrou em pânico. Começou a gritar seus nomes, sem saber que quanto maior o volume de sua voz, maior seria a proximidade do seu próprio fim.

NEW ORLEANS, 12/11/15, 19:15. 2 HORAS ANTES DO MASSACRE.

Simon atendeu ao telefone enquanto terminava de fechar o zíper da calça. Ele sabia que estava atrasado, mas por alguma razão, algo o dizia que ele devia esperar mais um pouco, talvez nem ir aquela festa.

– Simon, cadê você? Geral já tá aqui...

– Calma, Gael. Olha, leva a Anna e os outros pra dentro. Estou quase saindo de casa.

Simon colocou uma camiseta branca e a cobriu com uma jaqueta jeans. Deu uma última olhada no espelho. O reflexo mostrava um adolescente de quinze anos com cabelos negros fixados em um topete, olhos de cor verde-folha e uma barba baixa. Pegou os óculos na mesa e os colocou para conseguir enxergar-se melhor. Certificou-se de que estava bonito, colocou a carteira no bolso e um canivete que levava para os lugares, por precaução. Em seguida, deixou o apartamento que morava com sua mãe e seus dois irmãos: John, que era dois anos mais velho, e Vincent, de nove anos. Ele só não sabia que ao virar a esquina, não veria mais sua família tão cedo.

Ao chegar na porta da boate, ele encontrou Anna e Gael o esperando, com um ar de impaciência.

– Se salvar o mundo dependesse de você, estaríamos fritos. – Brincou Anna.

– Ah, hilário. Os outros já chegaram?

– Você foi o último, como sempre – Respondeu Gael – Agora, se você fosse mais rápido e menos vaidoso chegaria mais cedo.

– Não é vaidade, Gael, é cuidado. Podemos entrar ou tá difícil?

Os três entraram dentro da boate e foram dançar. A diversão durou até um certo momento, até que a música parou repentinamente. Os jovens olharam para os lados, sem entender absolutamente nada. De repente, subiu ao palco um homem mascarado, segurando uma metralhadora. A visibilidade da arma foi o suficiente para fazer todos os que estavam lá dentro entrar em pânico. De repente, a caixa de som reproduz a seguinte frase:

– Vocês agora acabaram de ver pela última vez a família de cada um. A partir de agora, todos vocês podem se considerar mortos. Que comece o massacre!

Ditas essas palavras, ele mirou a metralhadora nos adolescentes e disparou vários tiros, matando dezenas deles. Outro homem mascarado também apareceu, mas este carregava uma bolsa cheia de granadas. Ele arremessou uma delas contra os jovens, matando mais alguns. A segunda bomba fez o sangue de um menino espirrar na cara de Simon, sujando seus óculos e todo o seu corpo. A confusão acabou derrubando-o ao chão, e ele teve uma ideia. Fechou os olhos e fingiu-se de morto. Em seguida, ouviu um estrondo e percebeu que a porta havia sido estourada. Uma intensa troca de tiros começou, e Simon rezou mentalmente para que aquele inferno terminasse. De repente, ouviu os gritos de seus amigos;

– Simon! Não! Não! Por favor, não! Simon, por favor!

Em seguida, um silêncio profundo. Ele abriu os olhos e, ao não ouvir mais nada, gritou:

– Anna! Gael!

Então, ouviu um terrível estrondo. Percebeu então que o teto começou a abaixar. Ao se dar conta do que estava acontecendo, Simon correu em direção a porta, meio cegado por conta da fumaça e da falta de seus óculos. Sentiu então o peso do teto de metal nas suas costas. Pisando por cima dos corpos, ele chegou até a porta de entrada e se atirou contra as escadas. Fechou os olhos enquanto ouvia o barulho do seu corpo rolando nos degraus. Novamente, um silêncio. Então, o terrível som de ossos se quebrando e carne estourando. Mais sangue começou a escorrer. Agora, não haveriam nem mais corpos para o enterro. Simon continuou caído ao chão, enquanto chorava baixinho, com a cara enfiada no braço. De repente, gritos distantes atingiram sua audição:

– Olhem, mais um! Está vivo! Ajudem-no!

Braços fortes seguraram os de Simon, levantando-o do pé das escadas. Ele olhou para frente, mas só conseguiu ver luzes fortes. De repente, as vozes de Anna e Gael:

– Simon! Simon, está me ouvindo? Vai ficar tudo bem, ok? Simon!

Em seguida, apagou.